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Milton Santos . 30.11.95


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Sobre Milton Santos

 

Um dos intelectuais mais importantes do Brasil, o geógrafo Milton Santos acumulou numerosos títulos honoris causa pelo mundo. Foi o único intelectual fora do mundo anglo-saxão a receber, em 1994, o prêmio Vautrin Lud, o "Nobel" da Geografia, conferido por um júri internacional, após indicação de geógrafos de mais de cinqüenta universidades, em todo o mundo. Este prêmio foi um reconhecimento pelos seus trabalhos sobre o subdesenvolvimento e, sobretudo pelos seus estudos sobre as cidades do Terceiro Mundo e, ultimamente sobre as questões de teoria e método da Geografia. Todos esses trabalhos lhe valeram outras provas de reconhecimento, especialmente no exterior, com os doutorados honoris causa, outorgados pelas universidades de Toulouse, Madrid, Barcelona e Buenos Aires, dentre outras.

 

 

Milton Santos na Bahia

Milton de Almeida Santos nasceu a 3 de maio de 1926, em Brotas de Macaúba, na Chapada Diamantina (BA). Filho de professores primários, aprendeu a ler e a escrever aos cinco anos, sem frequentar qualquer escola. Aos oito, já dominava a álgebra e dava os primeiros passos no francês.

Só foi matriculado num ginásio aos dez anos - o Instituto Baiano de Ensino, em Salvador, internato frequentado por filhos de familias de classe média. Aos 15 anos, dedicava suas horas de folga, no intervalo das aulas, a ensinar colegas menores do colégio.

Descendente de escravos emancipados antes da Abolicao, Santos chegou a pensar em cursar engenharia, mas desistiu quando o alertaram que havia resistência aos negros na Escola Politécnica.

Isso nao impediu que enfrentasse varias manifestações de racismo. Durante a fundação da Associação dos Estudantes Secundários da Bahia, da qual participou ativamente, foi convencido a não se candidatar ao cargo de presidente: seus colegas argumentaram que, como ele era negro, não seria capaz de conversar com as autoridades.

Terminado o ginásio, Milton seguiu para a Universidade Federal da Bahia, onde formou-se em direito, em 1948. Dez anos depois, tornou-se doutor em Geografia, pela Universidade de Estrasburgo (Franca).

Milton Santos também autou como jornalista, tendo acompanhado Jânio Quadros numa viagem a Cuba, em 1960, época em que já era um geógrafo conhecido em seu estado. Tornou-se amigo e profundo admirador de Jânio, chegando a ser subchefe da Casa Civil e representante do governo federal em seu estado. Mas se decepcionou com a renuncia do então presidente, em agosto de 1961.

Em 1964, presidiu a Comissão Estadual de Planejamento Econômico, órgão do governo baiano. Durante sua permanência na comissão, Milton Santos foi autor de propostas polêmicas, como a de criar um imposto sobre fortunas.

Durante o regime militar, Milton Santos combinava as atividades de redator do jornal "A Tarde", de Salvador, e a de professor universitário. Na época, defendeu posições nacionalistas e denunciou as precárias condições de vida dos trabalhadores do campo.

Por causa de suas posições políticas, acabou sendo demitido da Universidade Federal da Bahia e passou 60 dias preso no quartel de Cabula, em Salvador. Só foi libertado porque sofreu um princípio de infarto e um derrame facial.

Aconselhado por amigos, aceitou convite para lecionar no exterior. Foi professor das universidades de Paris (Franca), Columbia (EUA), Toronto (Canada) e Dar Assalaam (Tanzania). Também lecionou na Venezuela e Reino Unido. Só regressou ao Brasil em 1977, na época da "distensão".

Foi professor da Faculdade de Filosofia, Ciências Humanas e Letras da USP (FFLCH), consultor da OIT (Organizacao Internacional do Trabalho), da OEA (Organizacao dos Estados Americanos) e da UNESCO (Organizacao das Nacoes Unidas para a Educacao, Ciencia e Cultura).

Sua Trajetória

Milton Santos escreveu mais de 40 livros, publicados no Brasil, Franca, Reino Unido, Portugal, Japão e Espanha. Conciliava seu trabalho acadêmico com a participação na Comissão de Justica e Paz da Arquidiocese de Sao Paulo, da qual fazia parte desde 1991, e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Urbano. Escrevia regularmente na seção "Brasil 501 d.C." do caderno Mais!, da Folha.

Sua obra "O espaço dividido", de 1979, é hoje considerado um clássico mundial, no qual desenvolveu uma teoria sobre o desenvolvimento urbano nos países subdesenvolvidos.

Entre os últimos prêmios recebidos estão o de Homem de Idéias de 1998, oferecido anualmente pelo "Jornal do Brasil" ao intelectual de maior destaque no ano, e o Premio Gilberto Freyre de Brasilidade, em 2000, oferecido pelo Conselho de Economia, Sociologia e Política da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FCESP).

Embora pouco conhecido fora do meio acadêmico, Santos alcançou reconhecimento fora do país, tendo recebido, em 1994, o Premio Vautrin Lud, (este prêmio e conferido por universidades de 50 países).

Milton Santos foi um dos poucos cientistas brasileiros que, expulsos durante a ditadura militar (naquilo que foi conhecido por "êxodo de cérebros"), voltaram depois ao país. Foi disputado por diversas universidades que o queriam em seus quadros.

cnpq

 
 
   
2009 © Programa de Pós-Graduação em Geografia
Universidade Federal do Rio Grande do Norte