Milton Santos na Bahia
Milton
de Almeida Santos nasceu a 3 de maio de 1926, em Brotas de Macaúba, na
Chapada Diamantina (BA). Filho de professores primários, aprendeu a ler
e a escrever aos cinco anos, sem frequentar qualquer escola. Aos oito,
já dominava a álgebra e dava os primeiros passos no francês.
Só
foi matriculado num ginásio aos dez anos - o Instituto Baiano de Ensino,
em Salvador, internato frequentado por filhos de familias de classe
média. Aos 15 anos, dedicava suas horas de folga, no intervalo das
aulas, a ensinar colegas menores do colégio.
Descendente
de escravos emancipados antes da Abolicao, Santos chegou a pensar em
cursar engenharia, mas desistiu quando o alertaram que havia
resistência aos negros na Escola Politécnica.
Isso
nao impediu que enfrentasse varias manifestações de racismo. Durante a
fundação da Associação dos Estudantes Secundários da Bahia, da qual
participou ativamente, foi convencido a não se candidatar
ao cargo de presidente: seus colegas argumentaram que, como ele era
negro, não seria capaz de conversar com as autoridades.
Terminado
o ginásio, Milton seguiu para a Universidade Federal da Bahia, onde
formou-se em direito, em 1948. Dez anos depois, tornou-se
doutor em Geografia, pela Universidade de Estrasburgo (Franca).
Milton
Santos também autou como jornalista, tendo acompanhado Jânio Quadros
numa viagem a Cuba, em 1960, época em que já era um geógrafo conhecido
em seu estado. Tornou-se amigo e profundo admirador de Jânio, chegando
a ser subchefe da Casa Civil e representante do governo federal em seu
estado. Mas se decepcionou com a renuncia do então presidente, em
agosto de 1961.
Em 1964, presidiu a Comissão
Estadual de Planejamento Econômico, órgão do governo baiano. Durante
sua permanência na comissão, Milton Santos foi autor de propostas
polêmicas, como a de criar um imposto sobre fortunas.
Durante
o regime militar, Milton Santos combinava as atividades de redator do
jornal "A Tarde", de Salvador, e a de professor universitário. Na
época, defendeu posições nacionalistas e denunciou as precárias
condições de vida dos trabalhadores do campo.
Por
causa de suas posições políticas, acabou sendo demitido da Universidade
Federal da Bahia e passou 60 dias preso no quartel de Cabula, em
Salvador. Só foi libertado porque sofreu um princípio de infarto e um
derrame facial.
Aconselhado por amigos,
aceitou convite para lecionar no exterior. Foi professor das
universidades de Paris (Franca), Columbia (EUA), Toronto (Canada) e Dar
Assalaam (Tanzania). Também lecionou na Venezuela e Reino Unido. Só
regressou ao Brasil em 1977, na época da "distensão".
Foi
professor da Faculdade de Filosofia, Ciências Humanas e Letras da USP
(FFLCH), consultor da OIT (Organizacao Internacional do Trabalho), da
OEA (Organizacao dos Estados Americanos) e da UNESCO (Organizacao das
Nacoes Unidas para a Educacao, Ciencia e Cultura).