ANAIS

 

 

 

 

 

 

 


XI SEMANA DE HUMANIDADES

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ANAIS SUMÁRIO

OBJETIVO............................................................................................... 3

CERIMÔNIA DE ABERTURA.............................................................. 4

GRUPOS DE TRABALHOS.................................................................. 5

MINICURSOS & OFICINAS............................................................. 255

PAINÉIS............................................................................................... 268

MOSTRA DE VÍDEOS....................................................................... 322

OUTROS EVENTOS.......................................................................... 326

LANÇAMENTO DE LIVROS, REVISTAS E JORNAIS................. 336

ESTATÍSTICAS................................................................................... 339


OBJETIVO:

A XI Semana de Humanidades visa congregar e divulgar o trabalho de pesquisadores (professores, fucionários e alunos) do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).


CERIMÔNIA DE ABERTURA: segunda-feira, 19 de maio, 16h, no Setor de Aulas II.

Com coquetel e apresentações artísticas.

PALESTRA DE ABERTURA

A Sociedade Internacional e a União Européia no Pós-Guerra do Iraque

François D’Arcy

Professor Emérito da Universidade de Grenoble (França). Doutor em Direito Público pela Universidade de Paris. Foi, até 2000, professor do Instituto de Estudos Políticos de Grenoble, do qual foi diretor de 1987 a 1995. Lecionou em diversas universidades no mundo, como a Yale University, a UQAM (Montreal) e a UNESP. Publicou vários livros. Hoje reside no Brasil e colabora com várias universidades.

 


 

GRUPOS DE TRABALHO

(GTs)

 


Grupos de Trabalho (GTs): terça e quarta-feira, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h (com exceção de GTs de Psicologia, que acontecerão pela manhã), nos auditórios do CCHLA e Setor de Aulas II.

. Os GTs reunirão apresentações de trabalhos sobre um mesmo tema. O Coordenador do GT presidirá a mesa, estabelecerá o tempo de cada apresentação (a sugestão é de que seja em torno de 20 minutos), o dia e a ordem das apresentações, e o formato do debate (se seguido a cada apresentação ou ao final de cada dia). O GT será realizado em dois dias, num total de 8 horas. O número de trabalhos aceitos pelo Coordenador do GT deverá levar em consideração esta limitação.

. As propostas de GTs serão feitas por professores dos departamentos que compõem o CCHLA e deverão ser enviadas para a Coordenação da XI Semana de Humanidades, sala 119 (fone: 2153573), até o dia 7 de abril. As propostas deverão ser entregues em disquete ou pelo email ( humanidades@cchla.ufrn.br ), com cópia em papel, contendo as seguintes informações: nome do(a) professor(a) coordenador(a) – máximo de dois por GT –, endereço eletrônico (email), departamento, título do GT, resumo com no máximo 20 linhas de 75 toques (ver modelo em anexo). Os GTs poderão ser interdepartamentais. A Coordenação da XI Semana de Humanidades divulgará a relação de GTs, com seus respectivos coordenadores e emails de contato, na página do evento (www.cchla.ufrn.br) e quadros de avisos. Serão aceitas apenas as 22 primeiras propostas de GT dada a limitação de espaço disponível.

. Os proponentes de trabalho para os GTs deverão, até a quarta-feira 30 de abril, entrar em contato com os coordenadores dos GTs, através dos emails divulgados, fornecendo as seguintes informações: nome do proponente, departamento ou instituição, título do trabalho, resumo (máximo 20 linhas de 75 toques, em Times New Roman, 12)(ver modelo em anexo). Os proponentes de trabalho para os GTs serão informados pelo Coordenador do GT da aprovação de sua proposta. Os Coordenadores de GTs fornecerão à Coordenação da XI Semana de Humanidades a lista completa dos trabalhos a serem apresentados no GT, por dia de apresentação, na ordem de apresentação, até o dia 5 de maio. A lista incluirá: título do GT, resumo do GT, nome(s) do(s) coordenador(es), seguidos de cada um dos trabalhos a serem apresentados, incluindo as seguintes informações: título, nome do(a) apresentador(a) do trabalho, nome(s) do(s) autor(es) e resumo. A lista será entregue em disquete ou pelo email ( humanidades@cchla.ufrn.br ), com cópia em papel, na fonte Times New Roman, 12. (Ver modelo anexo.) Os Coordenadores de GTs devem informar até o dia 5 de maio se necessitarão de cópias-xérox e transparências. Haverá apenas três auditórios equipados com data-show. Estes serão alocados aos três primeiros proponentes de GTs. Todos os demais auditórios/salas onde serão realizados os GTs terão retroprojetor. Quem necessitar de projetor de slides e/ou TV-Vídeo deverá informar à Coordenação até o dia 5 de maio.

. A participação nos GTs é aberta a todos os interessados. Aqueles que desejarem receber Certificado de Participação deverão assinar a lista de presença, fornecendo o nome completo.

ATENÇÃO: Os certificados serão entregues aos apresentadores de trabalho pelos próprios Coordenadores dos GTs, no local da apresentação, ao final do dia de trabalho. Receberão certificados apenas os apresentadores de trabalho. Co-autores não receberão certificados. Orientadores de trabalhos apresentados por graduandos e mestrandos não receberão certificados. Os Certificados de Participação serão entregues a partir do dia 17 a 31 de junho na sala 119 do CCHLA.

 


 

RESUMOS DOS

GTs

 


GT-01: COMUNICAÇÃO, CULTURA & MÍDIA

Coordenadores:

Prof. Dr. Adriano Lopes Gomes (Departamento de Comunicação)

Profª. Drª. Olga Maria Tavares (Departamento de Comunicação)

E-mail: comidia@cchla.ufrn.br

Local/horário: Sala 229-CCHLA, mini-auditório de Comunicação Social, 25 lugares, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

O GT tem o objetivo de apresentar estudos e reflexões relacionados com

 o fenômeno da comunicação e suas vertentes, privilegiando análises da linguagem midiática sob a perspectiva das Teorias da Comunicação e da Semiótica.

Serão consideradas propostas de trabalhos que estejam inseridos sob estas áreas de concentração:

1. Comunicação e leitura

2. Comunicação e meio ambiente

3. Comunicação e linguagem publicitária

4. Comunicação eletrônica: rádio, tv e mídia digital

RESUMOS

1. Da Coca-Cola Ao Absorvente – Desvendando a Alma do Negócio

Cilene Alves Menezes de Freitas

François de Oliveira Ferreira

Joyce de Oliveira Lessa

Vinícius Nascimento de Albuquerque

Ao longo da sua história, a publicidade procurar se adequar à época em que está inserida. O produto divulgado é colocado como sendo parte da sociedade, como se ele fosse algo inerente ao consumidor. O presente trabalho visa comparar as peças publicitárias de alguns produtos no início da década de 40, anos 70 e final do século XX, início do XXI. O texto publicitário, qualquer que seja a mensagem implícita, é o testemunho de uma sociedade de consumo e conduz a uma representação da cultura a que pertence, permitindo estabelecer uma relação pessoal com a realidade particular. Seu intuito primeiro e explícito é o estímulo à venda e à compra de um produto, vindo logo a seguir a ênfase colocada em determinado aspecto de uma cultura, como um projetor poderoso, sem deixar de criar em torno de si algumas zonas de sombra.

2. Rádio AM em Natal: História e Possibilidades

João Paulo Azevedo de Araújo

Este trabalho tem por finalidade traçar um perfil da realidade das emissoras de rádio AM da cidade de Natal. Para tanto, será feito um breve estudo sobre a história das rádios que atuam hoje na capital potiguar. Contudo, o trabalho não se restringe a descrever a história dessas emissoras e a fazer uma análise de suas programações como é comum nos poucos trabalhos publicados sobre o assunto. O objetivo é fazer um estudo sobre a realidade hodierna desse segmento da radiofonia em Natal, analisando as condições tecnológicas e comerciais das emissoras, servindo-se para isso de referências a sua história e a sua programação.

3. O Ser Humano sob o Olhar dos Fotógrafos Sebastião Salgado e Joel Peter-Witkin

Ana Paula Costa da Silva

Brunno Ralph dos Santos

Caio Khayam Neves de Souza e Nunes Dias

Jorge Ricardo Dias Santiago

Kaline Sampaio de Araújo

Lianne Pereira da Motta Pires

Verônica Nogueira Campos

Este trabalho faz uma análise comparativa entre dois fotógrafos contemporâneos: Sebastião Salgado e Joel Peter-Witkin. O primeiro, natural de Minas Gerais, nasceu em 1944. O segundo, natural de Nova York, nasceu no ano de 1939. Um dos maiores fotógrafos brasileiros de todos os tempos, Salgado passou a se dedicar ao ofício somente em 1973, quando abandonou a Economia. Witkin, conhecido mundialmente por suas fotografias, iniciou sua carreira aos 17 anos, em um circo de horrores de Coney Island. Sebastião Salgado realizou inúmeras viagens por países devastados pela fome, pela miséria e pela guerra, fotografando as vítimas da desigualdade e da exclusão social, podendo ser considerado, portanto, um adepto da “fotografia engajada”. Joel Peter-Witkin fotografa temas visualmente chocantes, sendo considerado por alguns como macabro e sensacionalista. Retrata desde imagens de mutilados e hermafroditas a cadáveres ou seus pedaços. Fundamentado nos pressupostos teóricos da análise de conteúdo, bem como levando em consideração as técnicas de fotografia, o contexto da imagem e a história de vida dos fotógrafos, este trabalho analisa algumas das principais obras dos dois autores, relacionando-as entre si na forma como retratam o ser humano.

4. O Jogo da Esquerda: O Marketing Eleitoral do Partido dos Trabalhadores (PT) e as Eleições para o Governo do Estado

Sandra Pequeno

A análise do Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral – HGPE – na campanha para o Governo do Estado em 2002 apresentou alguns avanços em relação à de 1998, em especial no que se refere ao nível da argüição dos debates políticos dos programas eleitorais. Porém, apesar disso, alguns problemas persistiram, principalmente aqueles relativos ao uso das estratégias de marketing dos programas, em especial, a utilização do marketing eleitoral promovido pelo PT, tema desta pesquisa. De certo, no ano de 2002, observamos o crescimento do Partido dos Trabalhadores no âmbito nacional. Neste contexto, coloca-se o Marketing político e eleitoral como um dos constituintes da vitória do PT na disputa nacional. Resta saber, se tal contribuição atingiu aos demais pleitos a qual o partido disputava, em especial no Estado do Rio Grande do Norte, e mais precisamente, a disputa para o Governo do Estado. O presente estudo empreende uma análise da visão acerca do marketing político e eleitoral apresentado pelo Partido dos Trabalhadores do Rio Grande do Norte (PT/RN) nestas eleições, mas especificamente, o estudo do HGPE. Objetiva, desta forma, analisar as diretrizes que deram vazão ao trabalho articulado pela coordenação de comunicação do partido, de que forma foi trabalhado o paralelo entre “tecnólogos e ideólogos” dentro de um projeto de comunicação que necessitava ultrapassar as barreiras do anonimato e apresentar o seu candidato ao governo do Estado.

5. Barcelona Virtual: Nunca Foi Tão Acessível a um Pequeno Município ler Sobre Si Mesmo.

Adriano Medeiros Costa

A pesquisa é uma revista virtual (www.barcelonarn.hpg.com.br) que tem um enfoque jornalístico e educacional. Procurando analisar as características artísticas, históricas, geográficas, econômicas, lingüísticas e sociológicas do município de Barcelona, Rio Grande do Norte, Brasil. O site é dirigido à população de Barcelona, mas também é útil a qualquer pessoa interessada em assuntos ligados ao sertão do nordeste brasileiro. No site destaca-se a aparência tipicamente sertaneja, ela é resultado do compromisso com o Movimento Armorial. O que difere o site de Barcelona de outros é que ele não é turístico, nem sua preocupação é a de formar professores, mas orientar comunidades inteiras através da notícia e da informação. A preocupação não é a de fornecer notícias didaticamente para uso em sala de aula, embora também tenha essa utilidade, mas possibilitar que pequenas comunidades se conheçam, tenham consciência de sua própria realidade e sua cultura para que tenham visão própria (tendo por base sua cultura) da realidade em que vivem. Para que cientes dos problemas, vantagens e potencialidades, passem a agir pela melhoria de suas condições de vida. Isto é, usar o Jornalismo como instrumento de mudança e de consciência.

6. A Ressurreição Anarquista: Breve História Fenomenológica da Noção de Estado e a Possibilidade de sua Desconstrução Através de uma Aliança Estratégica da Mídia com o Terceiro Setor.

Marcelo Bolshaw Gomes

Não se trata de retomar o anarquismo insurrecional de Bakunin ou de Proudhon. Este texto pretende discutir a situação atual do Estado, investigando sua evolução histórica, teórica e, principalmente, o desenvolvimento do conflito entre as esferas pública e privada. É intenção deste demonstrar que o atual impasse entre os modelos de 'Estado da Providência', de inspiração keynesiana, e de 'Estado Neoliberal' aponta para uma terceira solução, um 'Estado Mínimo Social', em que a esfera pública interferir seletivamente no mercado e na vida social, uma sociedade democrática em que as instituições gozem do máximo de autonomia em relação ao estado e em que os indivíduos desfrutem do máximo de autonomia pessoal em relação às instituições. O anarquismo contemporâneo é ancorado na teoria da complexidade e na possibilidade de desenvolvimento máximo das liberdades. Diferentes visões estruturam discutem a crise do Estado nas Ciências Sociais contemporâneas. Destaco aqui três contribuições: Adam Przeworski (1995), que articula a questão do Estado ao conflito entre o mercado e a democracia; Peter Evans (1993), discute se o Estado é um problema ou uma solução para sociedade; e, finalmente, Boaventura de Souza Santos (1996), que apresenta a hipótese de que o Terceiro Setor possa oferecer uma solução ao impasse existente entre a esfera estatal e o mercado. No entanto, como veremos, essas são respostas ainda parciais à questão da crise atual do Estado, mas apontam para necessidade de uma reforma social (uma desconstrução da esfera pública) e para a aliança estratégica entre os meios de comunicação e o Terceiro Setor. Para compreender esta discussão, porém, é preciso antes retroceder no tempo e pensar primeiro na evolução histórica do Estado e de seus principais pensadores.

7. Mídia e Imaginário: O Poder das Telenovelas na Cidade de Caicó/RN

Márcio Roberto de Sousa Brito

Neste início do século XXI, mais do que nunca, a televisão é uma das representações culturais que mais interfere no cotidiano das pessoas implementando ritmos diferenciados a funcionalidade citadina. Se na década de 60 espaços públicos como praças, calçadas desempenhavam a função de aglutinar pessoas, hoje é a televisão, localizada nos espaços privados das residências detém o poder de seduzir, direcionando as ações dos indivíduos em termos espaço-temporais. É fato que o desenvolvimento e aperfeiçoamento das “tecnologias da inteligência” possibilitaram uma ampliação e disseminação da informação da sociedade. O nosso conhecimento está sendo adquirido cada vez mais através de imagens transmitidas pela televisão. A telenovela, por exemplo, tem mobilizado diariamente milhares de pessoas. A novela revela debates, discussões sobre problemas do nosso cotidiano domina, portanto, a programação nacional. Nesse contexto, a emissora que mais produz novela é a Rede Globo de televisão. A nossa pretensão é realizar um estudo a partir de um corpus televisivo, do poder que as imagens, sobretudo as veiculadas pelas telenovelas e sua interferência no território de Caicó, no imaginário coletivo de seus habitantes. Partindo do pressuposto que nessa era do espaço virtual, da imagem, o território, o nosso conhecimento, vêm sendo alimentado e influenciado pela mídia. Com base no que foi exposto, o trabalho busca compreender como o imaginário social é trabalhado pela mídia televisiva a partir das telenovelas da Rede Globo, veiculadas no horário das 20hs, no período de setembro de 1999 a fevereiro de 2003.

8. Memória Social, História, Cultura e Representações Sociais – SIP As Representações de Manoel Rodrigues de Melo e a Casa Euclides da Cunha, No Rio Grande Do Norte

Maria da Salete Queiroz da Cunha

A pesquisa tem por objetivo (re)constituir as representações da Casa Euclides da Cunha, instituição cultural voltada para estudos regionais, idealizada e fundada pelo escritor potiguar Manoel Rodrigues de Melo, com a colaboração de intelectuais contemporâneos e cujo órgão de divulgação foi a revista BANDO, que circulou na década de 1949-1959, articulando os intelectuais potiguares em torno do movimento que ficou conhecido nos meios literários norte-rio-grandenses e nordestinos como Bandoleirismo. METODOLOGIA: Através de estudos teórico-metodológicos, ancorados na vertente interpretativa da Nova História Cultural, estão sendo interpretadas as práticas culturais do intelectual potiguar Manoel Rodrigues de Melo e a repercussão dessas práticas no âmbito de um novo pensamento da realidade norte-rio-grandense e nordestina. RESULTADO: Constata-se no decorrer da pesquisa a contribuição dos estudos do intelectual-bandoleiro, através de um trabalho de pesquisa das raízes nordestinas brasileiras, sob os aspectos social, histórico, etnográfico e folclórico. CONCLUSÃO: A Pesquisa, em fase de conclusão,, deixa entrever claramente os relevantes serviços prestados à cultura brasileira pela Casa Euclides da Cunha, no que diz respeito à fomentação e divulgação de uma nova representação da realidade norte-rio-grandense e nordestina, com repercussões diretas no processo de educação formal e informal do Rio Grande do Norte.

9. Análise Semiótica do filme “Matrix”

Olga Maria Tavares

Sob a perspectiva da oposição semântica Real vs Virtual, o filme “Matrix” apresenta elementos que revelam a produção de sentidos de suas imagens e os efeitos de sentido que elas evocam. A estratégica fílmica é toda construída em cima de arquétipos míticos do nosso imaginário, de situações do nosso cotidiano e de visões estéticas metalingüisticas. A análise que se propõe é desvelar esse percurso narrativo do texto fílmico para que se possa apreender o seu significado e compreender o universo cinematográfico que os diretores, os irmãos Larry e Andy Wachowsk, idealizaram na sua completude. Nesta frenética ficção científica existe uma trajetória narrativa imagética que não prescinde dos fatores que complementam a condição humana nas suas necessidades mais elementares, como o sonho, a religião, a dúvida existencial. Há, no texto fílmico, um poder de metamorfosear a miserável existência do não-saber na possibilidade de poder-ser e, assim, modificar tanto o indivíduo comum quanto o mundo ilusório que ele próprio criou e não suporta.

10. Weblog– Ferramenta de Comunicação e Tribalização na Sociedade Pós-Moderna

Frankjarbe Vitorino

O presente trabalho tem como principal objetivo analisar uma nova modalidade de comunicação que surgiu há algum tempo na internet, os weblogs, também conhecidos como diários virtuais. Através desta ferramenta os usuários tem total liberdade para publicar o que quiser na rede mundial de computadores. Além disso observa-se que este novo serviço contribui para o desenvolvimento de um fenômeno social já profetizado por alguns estudiosos da pós modernidade, a tribalização. Os blogs dão a oportunidade de aproximar as pessoas que compartilham as mesmas idéias, mesmo que estejam separadas geograficamente. Também são um importante veículo de comunicação que vem ganhando a adesão de profissionais como os jornalistas que podem transmitir suas próprias opiniões, isenta da tão aclamada imparcialidade, a exemplo do que aconteceu recentemente no último conflito iraquiano.

11. Ensaio Foto-Radiográfico – Natureza Oculta

Eliel de Souza

O autor apresenta um ensaio “foto-radiográfico” que trata de um novo processamento imagético oriundo da associação da radiografia de alta resolução de uso médico com a digitalização imagética, tendo como assuntos: pequenos animais, componentes vegetais, insetos etc. Visa o autor agregar elementos que corroborem os estudos de espécimes nas áreas da botânica, zoologia, entomologia, agronomia, arqueologia, antropologia e outros campos do saber, propiciando, inclusive, a aplicação do novo método na produção artística, tendo por base a fusão de conhecimentos médicos com os recém adquiridos conhecimentos na disciplina de Fotojornalismo do Curso de Comunicação Social da UFRN.

12. Moda é Memória

Sarina de Albuquerque de Sena

Algumas de nossas peças de roupas nos fazem lembrar de momentos especiais de nossas vidas. Elas possuem o poder de desencadear na gente uma série de lembranças de algum momento ou ocasião na qual estávamos vestidos com elas. Outras roupas são capazes de nos fazer lembrar de alguma época ou de uma famosa personalidade. Como é fácil se lembrar de Marilyn Monroe ao olhar um vestido branco, decotado e esvoaçante, tal qual o usado pelo mito. Ou então associarmos a minissaia aos anos 60. Entretanto, a moda é capaz de nos trazer muito mais que mera lembranças. A moda carrega consigo a história de uma época, a memória daquele momento, refletindo acontecimentos sociais, políticos, culturais e tecnológicos. Como um breve exemplo dessa afirmação, voltemos à minissaia dos anos 60. Além dela nos remeter àquela época, ela nos informa da busca da liberdade daqueles anos, do predomínio do jovem na sociedade, da liberação sexual feminina proporcionada pela invenção da pílula anticoncepcional. Assim, pretende-se com esse estudo evocar a memória que a Moda suscita.

13. No Ar: Um Projeto de Incentivo à Mídia Eletrônica

Alexandre Ferreira dos Santos

Este trabalho pretende relatar um projeto desenvolvido pelos alunos do curso de comunicação social nas habilitações de jornalismo e radialismo, vinculado à base de pesquisa “Comunicação, cultura e mídia”. O projeto toque de rádio tem por objetivo tornar mais dinâmico o veículo rádio, já que trata-se de uma área pouco explorada e de potencialidades reconhecidas. e por ser o rádio um veículo pouco procurado pelos concluintes do curso, havendo mercado profissional e uma real necessidade de estudos e melhor capacitação dos futuros profissionais, este projeto busca desenvolver atividades práticas e de pesquisa, propiciando um maior interesse e gosto por essa atividade profissional. O toque de rádio se propõe a funcionar como uma espécie de laboratório para os alunos que cursam comunicação social na ufrn. nele será possível , estudar, produzir programas e aliar teoria á prática. este projeto, sem dúvidas, contribui para promoção deste meio de comunicação de massa, presente na vida social e subestimado quanto á sua importância na sociedade.

14. Publicidade em CD-Rom: Um Panorama de sua Evolução e Linguagem

Taciana de Lima Burgos

Os meios de comunicação desde os tempos mais remotos sempre imprimiram nas sociedades características distintas de linguagem, onde cada época apresenta-se marcada pelo surgimento e evolução de um determinado meio comunicativo, cujas características incorporam uma maneira particular de representar o universo através da linguagem. Atualmente encontramo-nos na “era do computador”, aonde a interatividade vem a lume como palavra de ordem, passando a introduzir novos códigos comunicativos. Neste contexto surge a Publicidade em CD-ROM, uma nova forma de publicitar conceitos, produtos e serviços, caracterizada por uma composição lingüística impar, e que a cada dia ganha mais destaque graças a popularidade e versatilidade da mídia CD-ROM. A inclusão do CD-ROM na esfera publicitária evoluiu a mídia para novos formatos, tamanhos e capacidades de armazenamento; características que constituíram maneiras diferenciadas e inovadoras de comunicar publicitariamente; além de criar uma nova modalidade de publicidade digital interativa. Dessa maneira publicitar em CD-ROM marca a aplicação de uma linguagem diferenciada, a hipermídia, como também a união de elementos constituintes do design as linhas gráficas da publicidade tradicional. Dentro desse novo perfil lingüístico e comunicativo o presente trabalho tem como objetivo fomentar um estudo evolutivo do CD-ROM e dos elementos que compõem a linguagem utilizada na construção de conteúdos publicitários para essa mídia; como também contribuir cientificamente para elucidar mais uma modalidade lingüística oriunda da evolução comunicativa, publicitária e tecnológica.

15. A Leitura da Propaganda de Moda

Rosangela Moura da Silva

Este trabalho tem por objetivo analisar as propagandas de moda da campanha da marca Colcci veiculadas na revista da MTV, trataremos a seguir de alguns pontos de fundamental importância para esse estudo. A propaganda de moda faz uso principalmente dos interesses inatos aos seres humanos (leitor), despertando seus desejos e "ilusões culturais", para conseguir atingir seu objetivo que é a venda de seus produtos – venda não só da roupa, do calçado, mas sim, de significados culturais implícitos no produto, como a beleza, o poder e o status. Imitar o que os outros fazem é uma tendência inata do ser humano, nossas crenças, roupas, hábitos, atitudes são em grande parte ditadas pelo que fazem os outros, pelo que vimos e vivênciamos e a moda é a expressão máxima dessa imitação. Junto com a imitação a propaganda de moda utiliza-se do desejo (sentimento também inato ao homem) para persuadir o consumidor. A propaganda tenta despertar esses desejos – principalmente a aparência pessoal, aprovação social, atração sexual, beleza e conformismo – levando os leitores a consumir os produtos anunciados. E por último, já que este estudo prioriza o meio de comunicação impresso, outro artifício de fundamental importância na propaganda de moda é a fotografia. As publicidades sempre fazem uso de um Decor (fundo/cenário) tematizando suas peças publicitárias, usando o lúdico, o imaginário para conquistar o leitor.

16. O Anonimato e o Estrelato no Reality-Show: Um Estudo do Big Brother 3

Mírian Moema Pinheiro

O Anonimato e o estrelato no reality-show é a temática que fundamenta o presente projeto de pesquisa. Neste sentido, buscaremos analisar como a mídia televisiva se apropria da “intimidade” do indivíduo anônimo e num processo de metamorfose, consegue transformá-lo numa estrela, inserindo-o no sistema-star, aquele no qual, os personagens midiáticos, acabam interferindo na realidade a partir de suas performances. Para tanto, estamos nos propondo, a compreender esse novo gênero televisivo (reality-show), que nos parece, traz uma nova configuração visual. Esta forma, favorece a construção do espetáculo, que utiliza a metáfora da “Ação Teatral” para os homens convencerem e dominarem as impressões que os outros podem ter deles. Daí a indagação: Há uma nova enunciação televisiva? Como se articulam os elementos constitutivos do formato reality-show/big brother? Tais indagações são objetos de investigação do nosso projeto de pesquisa ora em andamento, pelo programa de Pós Graduação em Ciências Sociais.

17. Economia, Meio Ambiente e Mídia, no Rio Grande do Norte: Desafios e Oportunidades Perante a Sociedade da Informação

Marígia Mádje Tertuliano dos Santos

Josenira Fraga Brasil

A difusão do conhecimento, via práticas de educação ambiental, pela mídia, vai além do alcance de políticas específicas da área. Acredita-se que esta decisão está amarrada às definições de um projeto político da sociedade, o qual está sendo traçado de modo independente, sem uma discussão que conscientize a sociedade através de uma nova mídia.No conjunto, esta discussão é justificada pela necessidade do Rio Grande do Norte passar a integrar o movimento global de intensa velocidade de comunicação e troca de informação, que vêm determinando mudanças exponenciais nas áreas econômica, política, social e cultural, através do viés ambiental. Logo, com base em pesquisa piloto, pretende-se explorar a relação entre o desenvolvimento econômico do Estado do Rio Grande do Norte e a preservação do meio ambiente, vistos através das matérias veiculadas no Diário de Natal, no período compreendido entre 1992 a 2002 considerando as práticas ambientais implementadas pelas empresas locais. Em seguida, conhecer o mapeamento e o modo como está sendo encaminhada a utilização das mídias contemporâneas locais, no estímulo às práticas cidadã e o desenvolvimento sustentável.

18. A Leitura de Literatura e a Mediação do Contador De Histórias

Adriano Lopes Gomes

Este trabalho relata os resultados da pesquisa O contador de histórias na perspectiva da formação do leitor, realizada em uma escola da rede pública do estado, situada geograficamente na cidade do Natal-RN, com alunos de 5ª série do ensino fundamental, que demonstravam pouca experiência de leitura. Descreve a pesquisa, de natureza experimental e qualitativa, adotando-se o professor como mediador do processo, assumindo a condição de contador de histórias, no sentido de motivar, envolver e promover o gosto pela leitura literária no âmbito das atividades escolares. Tal estudo revelou que o professor, quando faz a mediação do texto literário através das práticas de oralidade, é capaz de catalisar a atenção dos aprendizes, favorecendo a cultura da leitura literária. A pesquisa resultou na tese de doutorado, pelo programa de pós-graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

19. A Imprensa Natalense na Segunda Guerra Mundial: Uma Análise da Cobertura da Guerra pelos Jornais “A República” e “O Diário”, no Período de Janeiro de 1942 a Janeiro de 1943.

Carmem Daniella Spínola H. Avelino

Durante a Segunda Guerra (1939-45), Natal era uma provinciana capital do Nordeste brasileiro, localizada numa posição geográfica estratégica - o ponto do continente mais próximo da África, sendo considerada pelos Estados Unidos como sua principal Base Militar no Atlântico Sul: o “Trampolim da Vitória”. Não obstante a isso, a cidade transformou-se num centro de notícias, uma vez que daqui partiram fatos que seriam publicados na imprensa nacional e internacional. A sociedade natalense sofreu fortes influências norte-americanas nesse período. Muitos autores brasileiros e estrangeiros já versaram sobre o assunto, mas nenhum deles tratou da imprensa natalense especificamente. Partindo do exposto, o presente projeto de pesquisa pretende levantar questões como, de que forma se dava a relação entre a mídia e o poder? Como a imprensa refletiu a reviravolta na sociedade natalense com a instalação de bases militares norte-americanas na cidade? Existia uma manipulação de notícias por parte do Comando Militar? Os jornais natalenses precisaram ser “vigiados” ou espontaneamente assumiram uma postura editorial que favorecia os interesses dos norte-americanos? A partir dessas questões, a intenção é mostrar se a imprensa escrita natalense sofreu influências e manipulações no trato das notícias sobre a Segunda Guerra. Serão tomadas como base de estudo as notícias publicadas pelos dois principais jornais daquela época, “A República” e “O Diário”, no período de janeiro de 1942 a janeiro de 1943, uma vez que nesse espaço de tempo aconteceram os mais relevantes fatos na história da presença norte-americana em Natal.

20. A Importância do Telejornalismo na Educação em Saúde

Daniella Fernandes de Medeiros

O presente projeto se propõe a desenvolver uma análise de matérias, que tratam do tema saúde, veiculadas nos três principais telejornais das emissoras com maior audiência no Estado do Rio Grande do Norte. A saúde se apresenta como um tema oportuno para a pesquisa considerando a gama de problemas veiculados pela mídia que estão relacionados a essa área. Muitas matérias relativas à saúde vão ao ar sem nenhuma intenção ou não se pensa na conseqüência que aquela notícia pode ocasionar. Por isso, pretendemos desenvolver uma análise da abordagem do tema saúde em matérias jornalísticas televisivas veiculadas pelas principais emissoras locais. Essa análise é qualitativa, se baseando em referências relacionadas à saúde, que englobam livros científicos abrangendo não só o tema da medicina, mas também da psicologia e da sociologia visto que acreditamos na interdisciplinaridade da saúde, deixando de ser apenas de cunho biológico. Por isso, em nossas referências, destacamos também as medicinas alternativas e, principalmente, a prevenção da doença como uma das soluções mais viáveis.

 


GT-02: MODERNIDADE, REPRESENTAÇÃO E CULTURA

Coordenadoras:

Profª. Drª. Lisabete Coradini (Departamento de Antropologia)

E-mail: lisabete@digi.com.br

Profª. Drª. Maria Helena Braga e Vaz da Costa (Departamento de Artes)

E-mail: mhcosta@ufrnet.br

Local/horário: Auditório do Consecão, 72 lugares, 2º andar-CCHLA, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

Apresentação de trabalhos que têm como temática o uso ou análise da imagem como forma de representação – pintura, fotografia, teatro, cinema, vídeo, arte digital. Apresentação de trabalhos, projetos, e/ou pesquisas em andamento tendo como objeto de estudo a cultura e suas implicações na vida moderna e/ou pós-moderna. O GT consiste de duas sessões com seis apresentações de 20 minutos cada e tempo de 40 minutos para discussão e debate.

RESUMOS

1. Caio Fernando Abreu: memórias homoafetivas

Antônio Eduardo de Oliveira (Professor Dr. do Departamento de Letras - UFRN)

No seu aprendizado de falar sobre a AIDS em sua obra, Caio Fernando Abreu(Bessa,2002) recorre a elementos da cultura popular, notoriamente as citações fílmicas e musicais,articulando um mapeamento homoafetivo na narrativa.É este aspecto temático relacionando a epidemia e a escrita homoafetiva o objetivo de nossa análise.

2. Narciso fotografado

Flávia Batista de Lima (Aluna do Curso de Letras - UFRN)

Pela semiótica o mito de Narciso é abordado no discurso textual e imagético ao abranger a reprodução narcisista do homem pela fotografia. Walter Benjamim em sua obra Magia e técnica, arte e política, aponta as relações das artes visuais frente às descobertas da identidade do homem. Deste modo, o presente trabalho busca integrar o estudo mítico de Narciso as pesquisas de Walter Benjamim, evidenciando a importância da fotografia como técnica de divulgação política e social.

3. Fotografando o movimento de Caio Fernando Abreu

Flávia Batista de Lima (Aluna do Curso de Letras - UFRN)

Caio Fernando de Abreu trouxe para o romance as linguagens do cinema e da fotografia em uma abordagem homoerótica. Vê-se que esses recursos incitam a percepção do leitor frente à questões universais da literatura como: a busca da identidade e de um mecanismo de preservação da memória. Logo, o presente trabalho mostrará o cinema e a literatura numa viagem do corpo em movimento. Assim, o objeto de estudo será a novela intitulada Pela noite inserido na obra Triângulo das águas do presente autor. A maneira escolhida à pesquisa é o método comparativo em uma visão estética do corpo como discurso imagético-literário.

4. Musicalidade e homoafetividade em Caio Fernando Abreu

Maria da Conceição Marinho (Aluna do Curso de Letras - UFRN)

Na obra de Caio Fernando Abreu temáticas que abordam questões identitárias e de homoafetividade vinculadas à citações musicais estão sempre presentes. O autor utiliza o recurso da citação musical como forma de expressão dos sentimentos mais "escondidos" das personagens, dando-lhes fluência. Dessa forma através da música é construído um espaço na narrativa no qual os personagens guardam seus "segredos" constituindo o que chamamos de metáfora do "armário"( Sedgwick,1990). Com isso detectamos a relevância da presença da música para compreensão da narrativa, visto que em diversos momentos canções aparecem como um código a ser decifrado, incrementando a rede de intertextualidade e significação do texto.

5. Imagens da intimidade de Laura

Ednara Ferreira de Souza (Aluna do Departamento de Artes - UFRN)

A leitura de imagens: Imagens da intimidade de Laura, foi realizada a partir do conto A Imitação da Rosa, da autora Clarice Lispector, e de algumas teorias do pensador Gaston Bachelard. O personagem principal do conto é Laura, uma mulher que depois de um tempo reclusa em um hospital psiquiátrico, tenta recomeçar sua vida ignorando sua estadia no hospital. Laura diz preferir manter-se ocupada, pois acredita que só dessa forma não voltaria a pensar no passado, no fato que a levou para reclusão. Ela acredita que o dever de uma mulher é fazer feliz seu marido e mantém uma relação de total dependência com ele. A casa em que vive, é responsável por muitos conflitos vividos pela personagem, ela não admite que a casa se pareça com ela, alegando não ser correto. Os conceitos bachelardianos utilizados para esta leitura de imagens foram: anima e animus e o principio de intimidade. Além da leitura de imagens, a peça Duas Visões, foi escrita partindo da junção: literatura e filosofia, e tem como temas principais a relação conjugal de Laura e Armando, a loucura, a rotina e as rosas.

6. Axé Oba

Diogo Moreno

Leda Feitosa

Daniele Moura (Alunos da UFRN)

O bairro das Rocas que se localiza na zona leste de Natal no estado do Rio Grande do Norte é tradicionalmente conhecido por ser um bairro de pescadores, nos últimos anos vem sofrendo um processo de marginalização por parte da sociedade natalense, assim neste trabalho mostraremos a realidade dos atuais moradores e através do Grolôlô do Axé Oba que seria inicialmente um bloco carnavalesco surgido no inicio da década de noventa neste bairro, que ganhou aceitação a reconhecimento dos moradores, aquele bloco que a principio era uma forma de revitalizar o carnaval de rua em Natal, se tornou o Axé Oba. Atualmente funcionando como projeto social e banda show este grupo possui uma ligação e influencia da cultura afro – brasileira.O grupo trabalha com o Axé Music e temas variados de musica Afro-brasileira. O objetivo deste trabalho é tentar através de entrevistas, pesquisas buscar compreender como se deu a influencia negra no Axé Obá alem de desmistificar a imagem falsamente construída pela mídia local, que mostra uma ``Rocas´´ de marginais.

7. A dança pós-moderna segue se definindo

Leonardo Rocha da Gama (Professor do Curso de Educação Física - UFRN)

Estamos vivenciando o suscitar e a criação de novos significados e valores acerca de um novo movimento estético, o Pós-moderno. O corpo que dança na contemporaneidade não é o mesmo exigido no suntuoso modelo academicista de estética clássica sobrevivente no mundo mix atual. A Dança polimorfa e polissêmica que é, cria novos sentidos, tanto para aquele que dança quanto para aquele que aprecia. No pós-modernismo o corpo que dança cria a porta da recriação. As regras historicamente construídas e que consagram obras de arte, são quebradas e recriadas a luz de uma nova experiência estética. Na experiência estética pós-modernista estabelecer o diálogo é algo inevitável. Recorro a Pina Bausch Tanzteater Wuppertal, a Cia. Deborah Colker, ao Bejart Ballet, e por fim, a Cia. Cena 11, todas expressão da Dança Pós-moderna, para dialogar sobre as características dessa estética em ebulição, através de uma abordagem fenomenológica hermenêutica. Aponto a hibridação das linguagens artísticas, a democratização dos corpos e as novas exigências técnicas aos bailarinos, como características comuns às companhias de dança contemporânea que se enquadram nas Artes Pós-Modernas.

8. A publicidade e a transformação de representações sobre a morte

Milena Freire (Aluna do Mestrado em Ciências Sociais - UFRN)

O presente trabalho se propõe a discutir a publicidade como parte integrante e reflexiva da cultura urbana, que contribui para a legitimação da sociedade, através da utilização do simbólico e das representações humanas, figurados a partir da língua e de elementos visuais. Para o estabelecimento de uma discussão é analisada a campanha publicitária do Cemitério Parque Morada da Paz, veiculada em Natal/RN, no ano de 2002, cujo resultado de vendas e a recepção do público surpreenderam o anunciante. Algumas representações tradicionais do imaginário social vêm sendo transformadas em conseqüência de uma "racionalidade" que a sociedade, principalmente a urbana, vem entendendo como elemento fundamental para sua existência. Apesar disso, temas mais polêmicos como é o caso da relação homem x morte são mantidos como mitos, e, por isso não são questionados – o que torna suas transformações menos perceptíveis. A publicidade, nestas circunstâncias, se não contribui para a mudança de valores é, no mínimo, capaz de aguçar o questionamento e influenciar a demonstração destas transformações. O objetivo desta pesquisa é perceber interferência da publicidade, mais especificamente da campanha mencionada, nas mudanças de representações relacionadas a morte nos segmentos médios da sociedade urbana natalense.

9. “Casa de passagem para a vida”: uma nova forma de perceber o portador de distúrbio mental

Ana Leda Figueiredo Varela (Aluna do Mestrado em Ciências Sociais - UFRN)

O presente trabalho trata de questões relacionadas ao portador de distúrbio mental e dois espaços de tratamento na cidade de Natal o hospital psiquiátrico casa de saúde Natal, por ser o primeiro hospital privado do estado e pelo perfil tradicional, e o NAPS (núcleo de atenção psicossocial), atendendo aos parâmetros propostos pela reforma psiquiátrica. Atualmente, uma das principais discussões no âmbito dos direitos humanos está centrada em encontrar modelos para substituir, de forma progressiva, as internações psiquiátricas tradicionais por uma forma mais humanizada, que tenha como meta o resgate da cidadania do portador de distúrbio mental. A Antropologia sempre se posicionou a favor das minorias, Dessa forma, este estudo etnográfico torna-se importante, por tentar uma aproximação com outros conhecimentos teóricos, favorecendo à idéias onde busco uma reflexão interdisciplinar, compreender neste contexto, a diversidade dessa temática que requer um enfoque e sobretudo um olhar amplo sobre o assunto, como: estigma , doença mental, anti-psiquiatria, instituição total, comportamento divergente, preconceito, contribuir para essa nova área da antropologia aberta à novos paradigmas.

10. “Menino empinando uma estrela”. Ensaio de Semiótica da Cultura II

Vicente Vitoriano Merques Carvalho (Professor do Departamento de Artes - UFRN)

A comunicação constitui-se da análise de uma imagem elaborada pelo artista visual Newton Navarro (1928-1992) para um cartão natalino e faz parte de uma série de leituras deste tipo de imagem em que se apreende uma representação da Cidade do Natal. Usam-se estratégias de leitura oriundas de diversos partidos teóricos agrupados sob o que se entende por semiótica da cultura, a partir de Baitello Jr. A interpretação da imagem tomada para esta comunicação faz que se apreendam, além das relações conotadas e denotadas com a Cidade do Natal, alguns conceitos subjacentes, tais como o de infância, educação (escolaridade) e liberdade.

11. Considerações sobre “Cidade de Deus”

Adriana Duarte Pacheco (Aluna do Departamento de Artes - UFRN)

Inserir na análise do filme "Cidade de Deus" os conceitos de Cinema Moderno de Ismail Xavier. Segundo Xavier, "falar em cinema moderno remete a uma pluralidade de tendências, primeiro se referindo à formação do estilo moderno no sentido de André Bazin - este que envolve referência à Renoir, a Welles e ao neo-realismo. E podem ser referidas, em segundo lugar, a Antonioni, Pasolini e Rossi, a Nouvelle-vague e a Renais, a Cassavetes e Gutierrez Alea, entre outras características encontradas no filme "Cidade de Deus", como o dinamismo, como a estrutura ágil, como os avanços e recuos no tempo, remetem a uma linguagem essencialmente moderna. Contudo, alguns elementos devem ser analisados cuidadosamente com base em discussões teóricas mais recentes. Este trabalho propõe discutir o filme "Cidade de Deus"(Fernando Meirelles, 2002)no contexto da discussão teórica sobre o "Cinema moderno brasileiro" desenvolvida por autores como Ismail Xavier.

12. Imagens da violência

Keila Fonseca e Silva (Aluna do Departamento de Artes - UFRN)

Ao longo de anos, o cinema mostrou a crueldade da violência, refletindo sobre ela banalizando-a, reinventando-a através de imagens. Por mais de meio século de história os cineastas brasileiros vêm se utilizando destas imagens, tanto pela necessidade de documentar a própria história e interferir de alguma forma sobre ela, quanto por esta fórmula temática ter se tornado uma constante na história do cinema. Seja em forma de protesto ou buscando o simples entretenimento, a violência sempre esteve presente na cinematografia brasileira que, através de imagens de dor, sangue, guerras, assassinatos, lutas de classe e de poderes, pintou sua própria história a 24 quadros por segundo. Neste trabalho, pretendo tratar de um tipo de representação fílmica específica da violência no cinema brasileiro: aquela causada pela miséria e exclusão social. Para isso, serão discutidos filmes como Rio 40 Graus (Nelson Pereira dos Santos, 1955), Terra em Transe (Glauber Rocha, 1967), Cidade de Deus (Fernando Meireles, 2002) e Orfeu (Carlos Diegues, 1996).

13. “O sonho inspirador”: Vida como arte na Austrália aboriginal.

Regina Maria Moreira Guedes (Professora do Departamento de Artes - UFRN)

Apresentação de imagens da arte aborígine nos territórios do norte australiano, grupos de Melville e Bathrust, das terras nordestinas Arnlem e centro da Austrália. O domínio da religião na expressão artística assim como o econômico. Trabalhos desenvolvidos nos últimos 30 anos.

14. As “paisagens” que emanam da obra de Francisco Brennand

Rosane Felix Ferreira (Aluna do Departamento de Artes - UFRN)

O trabalho visa ressaltar a valorização da paisagem no trabalho escultórico de Francisco Brennand destacando as possibilidades de interpretação através de enfoques diferentes da mesma paisagem. Demonstrando através das teorias da Geografia Cultural a influencia mútua (de causa e conseqüência) entre a história da paisagem e sua modelagem pela cultura, evidenciaremos o papel das representações como interpretações simbólicas do ambiente. Isto gera ainda o entendimento das percepções das paisagens em relação as nossas escolhas estéticas e ideológicas.

15. A imagem como elemento explicativo na habitação familiar do RN

Apresentadores:

Flávio César Nunes Gurgel (Aluno do Curso de Ciências Sociais-UFRN)

Luciana de Medeiros Santos (Aluna Especial do Mestrado em Ciências Sociais-UFRN)

Francisco Sales da Costa Neto (Aluno do Curso de Ciências Sociais-UFRN)

Marilú Albano da Silva.

Demais autores:

Sílvio Andrade Costa

Éliton de Souza Costa

Maria Adeilza P. da Silva

Cristina Grimaldi Gregório

Este trabalho procura mostrar o resultado parcial da pesquisa sobre a organização e a utilização dos espaços das habitações rurais realizada pelo Grupo de Estudos “Itinerários Antropológicos para Pesquisa Visual”. Um dos objetivos primordiais da antropologia sempre foi o de contribuir para uma melhor comunicação intercultural, o uso das imagens, muito mais que o de palavras, contribui para essa meta, ao permitir captar e transmitir o que não é imediatamente transmissível no plano lingüístico. Certos fenômenos, embora implícitos na lógica da cultura, só podem explicitar no plano das formas sensíveis o seu significado mais profundo. O uso da imagem fixa como elemento de análise no estudo de aspectos sócio-culturais de espaços rurais específicos é de fundamental importância, na medida em que estas auxiliam e demonstram como as famílias de baixa renda do Rio Grande do Norte criam, interpretam e vivem as suas habitações. Na pesquisa de campo, além do uso intensivo da imagem fixa, a metodologia foi complementada por entrevistas, observação e descrições etnográficas.

16. Praças natalenses: basta abaixar as persianas e fechar os postigos

Edivania Duarte Celestino (Aluna Especial do Doutorado em Ciências Sociais - UFRN)

O espaço púbico nos centros urbanos tem mostrado uma capacidade renovada de provocar questionamentos, reflexões e inquietações. Matéria polêmica, considerada objeto de decisões subjetivas, políticas e até mesmo emocionais, sua conceituação divide opiniões, além de gerar conflitos no sentido de permanências e mudanças. A partir do discutido processo de fragilização e esvaziamento do seu conteúdo simbólico, a questão se complexifica ganhando uma nova dimensão, quando se percebe uma postura de determinismo degenerativo, exaustão e conformismo com relação a esse espaço. A aparente perda da importância simbólica desse objeto, acrescida de outros elementos que permeiam a cidade contemporânea, estimula novas incursões sobre os espaços públicos. Afinal, alerta alguns pesquisadores (JACOBS, LYNCH), se deixarmos que os contatos interessantes, úteis e significativos entre os cidadãos se reduzam a relações privadas, a cidade esclerosar-se-á. Assim sendo, tomando-se em conta um certo alheamento da população natalense em relação as praças da capital, e por outro lado o próprio processo de deterioração evidenciado por vários desses espaços, definiu-se determinar como tema de investigação: Praças Natalenses: basta abaixar as persianas e fechar os postigos, objetivando investigar o aparente processo de perda simbólica e valorativa desses espaços no contexto da capital potiguar, empobrecimento.

 


GT-03: CIDADE E DESENVOLVIMENTO

Coordenadores:

Prof. Dr. Ademir Araújo da Costa (Departamento de Geografia)

Prof. Dr. Márcio Moraes Valença (Departamento de Geografia)

E-mail: marciovalenca@ufrnet.br

Local/horário: Setor de aula V, Bloco G, sala 1 e 2, 30 lugares, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

De forma geral, a cidade contemporânea tem se apresentado mais permeável aos movimentos do capital em sua dinâmica globalizante. Tal permeabilidade tem resultado da “necessidade” de adaptação a novos condicionantes gerais, o que tem induzido transformações tanto na dinâmica de sua interação com outras cidades e com a região em que se insere como também, e principalmente, na organização espacial intra-urbana. Guardadas as devidas diferenças entre cidades de variados portes, localizações, etc., o GT visa discutir questões – tanto teóricas quanto práticas – relativas aos problemas urbanos e de desenvolvimento do mundo atual e sua construção histórica. Serão consideradas propostas de trabalhos sobre os diversos aspectos relativos à expansão urbana e ao desenvolvimento da e na cidade, em particular as que abordarem:

1. os problemas do crescimento urbano;

2. os problemas que resultam da desigualdade, da exclusão e da segregação sócio-espacial;

3. o papel que exercem as políticas públicas, o planejamento urbano e o Direito.

4. o mercado imobiliário;

5. a organização espacial urbana;

6. a interação entre global/local na cidade.

O GT não tem foco de área, mas contribuições acerca da cidade e da região metropolitana de Natal serão muito bem-vindas.

RESUMOS

Presidente da mesa:

Prof. Dr. Ademir Araújo da Costa

1. A revitalização urbana da Ribeira e o crescimento do Porto de Natal: existe consenso?

Heitor Andrade (Arquiteto/Urbanista e Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura da UFRN)

heitor_as@hotmail.com.br

Nos anos 1970, inaugura-se uma nova postura de intervenção, designada revitalização urbana, que, em relação à renovação urbana, busca referenciais mais humanos para o espaço público, além de incorporar práticas anteriores superando-as na busca por uma nova vitalidade (econômica, social, cultural e físico-espacial) para áreas degradadas do centro tradicional. No caso das áreas centrais e portuárias observa-se – além de um desgaste físico de seu conjunto edilício e declínio econômico das atividades desenvolvidas –, em alguns casos, a resistência devastadora de atividades portuárias caducas. Ou seja, enquanto em muitas cidades as antigas áreas centrais portuárias – que por séculos foram lugar imprescindível de suas metrópoles – vêm se transferindo para áreas mais espaçosas, por não mais se adequarem ao espaço físico que ocupam, existem cidades em que o porto segue crescendo, configurando-se uma ameaça ao patrimônio edilício. Natal enquadra-se claramente neste antagonismo. A aproximados vinte anos segmentos vinculados ao poder público local “desenvolvem” ações justificadas em pressupostos de revitalização urbana, ao passo que o porto da cidade, ainda o mais importante do Estado, amplia suas instalações físicas a fim de aumentar sua capacidade de embarque e desembarque de cargas. Este fato, embora aparentemente contraditório, suscita questionamentos. Neste trabalho nos propomos refletir sobre a realidade de Natal no contexto das práticas e discursos justificados na revitalização urbana diante do crescimento de seu porto. Pretendemos apresentar resultados que respondam ao seguinte questionamento: em que medida as concepções formuladas e projetos concebidos para a Ribeira, assim como as ações implementadas no bairro, contribuem para a sua revitalização urbana e consolidação como centro histórico? Com base em pesquisa de dissertação, este trabalho analisa o papel do Setor de Patrimônio Histórico, Arquitetônico e Arqueológico (SPH) da Prefeitura de Natal e da Companhia Docas do Rio Grande do Norte (CODERN) no processo de “revitalização urbana” do centro histórico de Natal.

2. Condições de vida e moradia nas vilas do Alecrim e Nova Descoberta-Natal/RN

Daniela Karina Cândido (Bolsista PIBIC-CNPq – Departamento de Geografia)

danielakarina@ufrnet.br

Gilene Moura Cavalcante (Bolsista PIBIC-CNPq – Departamento de Geografia)

gimoca@ufrnet.br

A questão da moradia precária no Brasil é um problema histórico que chega aos nossos dias de maneira contundente. A população de baixa renda criou no decorrer do tempo, várias formas de moradia – cortiços, favelas e vilas, por exemplo – que não se enquadram nos padrões de qualidade e segurança estabelecidos pelo poder público. Nesse sentido, procuramos estudar a dinâmica e a importância das vilas na cidade de Natal/RN, dado a carência de estudos e o desinteresse oficial pelo assunto. O reconhecimento oficial da existência do problema em Natal aconteceu apenas em 1992, como forma de subsidiar o Plano de Ação para Habitação Popular em Natal (1993-1996) e, posteriormente, em 1994 através do Plano Diretor do Município. Escolhemos o bairro do Alecrim, localizado na Zona Leste da cidade, e Nova Descoberta, na Zona Sul, onde, segundo a SEMURB (Secretaria Especial do Meio Ambiente e Urbanismo), existem 270 e 108 vilas, respectivamente. O trabalho tem como objetivo traçar o perfil sócio-econômico do morador das vilas, assim como avaliar as condições de moradia e as relações de inquilinato, através de uma pesquisa piloto, em que serão levantadas informações junto aos moradores de três vilas de cada um dos referidos bairros. O piloto apresentará os aspectos comparativos iniciais para discussão da temática em questão, que terá continuidade com uma amostragem maior, a ser levantada posteriormente.

3. Entre os trilhos e o asfalto: recortes da cidade de Natal-RN

Apresentadoras:

Jane Roberta de Assis Barbosa (Aluna do Curso de Geografia-UFRN)

Mariluce dos Santos Souza (Aluna do Curso de Geografia-UFRN)

Outros autores:

Janaina Maria da Conceição Silveira (Aluna do Curso de Geografia-UFRN)

Juliana Maria Duarte Ubarana (Aluna do Curso de Geografia-UFRN)

Francisco Ednardo Gonçalves (Mestrando do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia-UFRN)

Josélia Carvalho de Araújo (Mestranda do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia-UFRN)

krammer12@ig.com.br

O padrão de desenvolvimento adotado pelas cidades brasileiras aliado a dinâmica do sistema econômico vigente, entre outros aspectos, contribuíram significativamente para o aprofundamento das desigualdades sócio-espaciais. Sendo assim, sinais de exclusão estão presentes na tessitura urbana da maioria das cidades brasileiras. Entretanto, na busca por novos investimentos econômicos as cidades têm investido cada vez mais no embelezamento de algumas paisagens urbanas, que são amplamente divulgadas. Natal, capital do Rio Grande do Norte, através de investimentos públicos e privados se enquadra nesse contexto, tendo como impulso às atividades ligadas ao setor terciário, principalmente o turismo. Entretanto, existem várias áreas da cidade que não se beneficiam de tais investimentos e convivem com sérios problemas de ordem sócio-espaciais expressos na paisagem. A partir de investigação preliminar realizada durante a disciplina de Geografia Urbana, no semestre 2002.2, este trabalho se propõe a fazer uma análise comparativa entre as paisagens urbanas de dois eixos viários na cidade do Natal. Um deles, o eixo rodoviário, privilegia um dos trajetos que, geralmente é feito pelos turistas e vai do Complexo Viário do Quarto Centenário e o início da Rota do Sol, na sua porção sul, tendo aproximadamente 5 quilômetros de extensão. O outro, com aproximadamente 10 quilômetros de extensão, compreende o eixo ferroviário realizado pelo trem urbano de passageiros, no sentido norte e vai da Estação Ferroviária no bairro da Ribeira à Estação do Conjunto Nova Natal, no bairro Nossa Senhora da Apresentação.

4. Privatização e privação dos espaços públicos: quem pode ter, quem quer, quem usufrui?

Maria Floresia Pessoa de S. e Silva (Mestranda do Programa de Pós-graduação do curso de arquitetura e urbanismo. Professora do Departamento de Arquitetura e urbanismo da Universidade Potiguar. Técnica da Secretaria Especial de Meio Ambiente e Urbanismo)

Marília Nobre (Estudante do curso de Arquitetura e Urbanismo da UNP)

Carla M. B. de Mello (Arquiteta)

Na modernidade as intervenções no espaço público priorizaram o fluxo, os movimentos contínuos que dominavam os cenários das grandes cidades. Apesar de ainda hoje áreas verdes públicas serem vistas como pontos estruturadores da malha urbana e importantes elementos no que diz respeito à mobilidade, a discussão do espaço público na pós-modernidade destaca no seu discurso o resgate das funções de sociabilidade e estímulo à noção de vizinhança perdidos no racionalismo moderno. Contudo, distanciando-se do que diz a teoria, na prática verifica-se a multiplicação das formas de apropriação dos espaços públicos, tanto das áreas comerciais quanto residenciais. O abandono destes pelo poder público e pela comunidade, que passa a vê-los como espaços de perigo e palco da violência, abre caminho para que sejam invadidos e ocupados ilegalmente, seja por uns que neles vêem a única oportunidade de sobrevivência ou pelo oportunismo de outros. Esse processo de privatização resulta em parte, como defendem alguns, da incapacidade do poder público quanto a provê-los e mantê-los. Outros discutem se são causa e/ou conseqüência das novas relações sociais e modos de vida. Em meio a esta discussão maior, projetar novos e reabilitar velhos espaços públicos, hoje, exige mais que atender aos percentuais ideais de área verde/habitante preconizados pela Organização Mundial de Saúde. As propostas contemporâneas devem ser capazes de responder a necessidades e expectativas de seus usuários de idades, níveis de renda e contextos sociais diferenciados. Também, devem prever e permitir o máximo de atividades possíveis, priorizar o conforto, induzir práticas sociais, estimular esportes e brincadeiras lúdicas que contribuam para a formação e educação das crianças e jovens, de forma a colaborar para a redução dos índices de criminalidade e violência urbana. Este estudo tenta discutir esses aspectos aqui colocados, a partir da análise de um espaço público alvo de uma proposta para concessão privada, localizado na cidade do Natal. Busca debater até que ponto soluções de caráter social atendem intenções privatizantes e são favorecidas pela fragilidade do exercício da cidadania e enfraquecimento ou inexistência de uma articulação da população como meio possível de reverter processos.

5. A figura do Plano Diretor como instrumento de planejamento urbano

Maria Eleonora Silva de Macedo (Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo-UFRN)

Orientador:

Ademir Araújo da Costa (Prof. Dr. do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia-UFRN)

O presente artigo trata da análise atual do papel do plano diretor, como verdadeiro instrumento da política urbana, colocando a sua forma mais adequada de ser elaborado e a real necessidade da sua implementação pelos governos municipais. Trata também da forma de participação da sociedade em todas as fases do processo, bem como a necessidade dos governantes se adequarem à nova realidade de condução das cidades, procurando sempre buscar soluções inovadoras mais coerentes e adequadas as realidades e a capacidade local de gestão.

6. Construção de um Ranking dos bairros de Natal segundo alguns indicadores de precariedade econômica e social de seus moradores

José Aldemir Freire (IBGE-RN)

Maria Alzenira da Silva (IBGE-RN)

Débora Barbosa Silva França (IBGE-RN)

A elaboração e implementação de políticas sociais num contexto de restrições financeiras exige, da parte dos gestores destas políticas, a definição de prioridades ancoradas em informações objetivas, quantificáveis (na medida do possível) e passíveis de acompanhamento temporal, de modo a se avaliar a eficácia e a eficiência dessas políticas. O presente trabalho procura apresentar um painel de alguns indicadores econômicos e sociais dos bairros de Natal, como forma de subsidiar a elaboração, a execução, o acompanhamento e a avaliação de políticas públicas voltadas para o atendimento de carências sociais e econômicas (sobretudo daquelas direcionadas para crianças e adolescentes), fornecendo, no final, um Ranking de Precariedade Econômica e Social dos Bairros de Natal/RN. Na elaboração desse Ranking utilizamos um conjunto de indicadores composto por sete variáveis: 1) Renda Média Nominal Mensal dos Responsáveis Pelos Domicílios; 2) Renda Mediana Nominal Mensal dos Responsáveis Pelos Domicílios; 3) Número Médio de Pessoas Por Domicílios; 4) Taxa de Alfabetização das Pessoas de 5 Anos ou Mais; 5) Percentual de Domicílios com Abastecimento de Água Pela Rede Geral; 6) Percentual de Domicílios Com Banheiro; 7) Percentual de Domicílios Com Coleta de Lixo. Os bairros de Guarapes, Salinas, Redinha, Felipe Camarão e Planalto apresentam os maiores índices de precariedade, necessitando, portanto, de políticas sociais ativas e concentradas, para reduzir as disparidades sócio-econômicas que os separa dos demais bairros. Os bairros de menores precariedades são: Capim Macio, Tirol, Barro Vermelho e Petrópoles.

7. Comunidade África: três contextos de uma segregação

Apresentadores:

Rafaela Araújo da Silva (Aluna do Curso de Geografia-UFRN)

lipietzaraujo@bol.com.br

Salim Kalil Aby Faraj Filho (Aluno do Curso de Geografia-UFRN)

salimfaraj@ig.com.br

Demais autores:

Hanyel Pessoa Paiva (Aluno do Curso de Geografia-UFRN)

James Josino Nascimento (Aluno do Curso de Geografia-UFRN)

Daniela Karina Cândido (Bolsista PIBIC-CNPq do Departamento de Geografia-UFRN)

Segundo dados da Secretaria Municipal de Trabalho e Ação Social (SEMTAS), Natal/RN possui 70 favelas com cerca de 16.000 barracos distribuídos em 28 bairros, nas quatro zonas administrativas da capital. Nesse sentido, procuramos analisar a expressão da segregação sócio-espacial imposta na cidade de Natal, tendo como recorte espacial à porção Norte, mas precisamente a “Comunidade África” que é uma favela localizada no bairro da Redinha e está assentada numa área de preservação ambiental (mangue e dunas) pertencente ao Patrimônio Municipal. É considerada pela SEMTAS como área subnormal, possuindo 2023 habitantes distribuídos em 550 habitações, onde convivem 743 famílias. Foram feitos levantamentos de dados primários junto a moradores da favela, através de entrevistas pré-elaboradas aplicadas em 10% das moradias. Com isso traçamos um perfil sócio-econômico da mesma, o qual observamos a segregação em três contextos. O primeiro, se refere ao próprio nome da favela – Comunidade África – que foi imputado fazendo referência à miséria do continente africano; o segundo, pelo fato de estar localizada na Zona Norte, região administrativa associada à pobreza no imaginário natalense; e terceiro, por estar socialmente excluída da dinâmica urbana do bairro. Portanto, a Comunidade África, se constitui num espaço com profundas carências quanto à infra-estrutura e ao acesso a serviços públicos, como escola, transporte, posto de saúde, entre outros.

8. O desafio da sustentabilidade urbana no município de Natal: uma análise do projeto de intervenção urbanística na favela Passo da Pátria

Jennifer dos Santos Borges (Departamento de Arquitetura – UFRN)

jenniferborges@bol.com.br

Ângela Lúcia de Araújo Ferreira (Departamento de Arquitetura – UFRN)

angela@ct.ufrn.br

Ruth Maria da Costa Ataíde (Departamento de Arquitetura – UFRN)

rmcataide@ufrnet.br

A intensificação de problemas sócio-ambientais, advindos do crescimento urbano, tem alertado o mundo para a necessidade do estabelecimento de uma nova consciência em torno do futuro das cidades evidenciando-se preocupações com a sustentabilidade dos recursos naturais e uma maior democratização dos serviços urbanos. Assim, a noção de desenvolvimento passou a incorporar à variável econômica, os aspectos sociais, ambientais, políticos e culturais com vistas ao estabelecimento do bem-estar comum. No Brasil, a regulamentação do Estatuto da Cidade (2001), demonstra um importante avanço nas práticas urbanísticas vigentes. Para Natal, o Estatuto representa um reforço às diretrizes do seu Plano Diretor que, desde 1994, já orientava o poder público para a gestão democrática da cidade, com ênfase na proteção ambiental e no cumprimento da função social da propriedade. Para investigar como esse processo se rebate nas políticas públicas de intervenção urbanística em Natal, analisou-se o projeto de urbanização da favela Passo da Pátria. Este, configurando-se como uma das primeiras iniciativas de intervenção em favelas no período recente, explicita em seus objetivos, uma preocupação em viabilizar o modelo de gestão contido no Plano Diretor para o tratamento de Áreas Especiais de Interesse Social (AEIS). No entanto, a fragilidade das soluções apresentadas revela uma inconsistência da proposta no que diz respeito à sustentabilidade do projeto. Nesse contexto, considerando o significado deste para a consolidação de um novo modelo de gestão urbana, este trabalho propõe-se a analisar o seu desenvolvimento (concepção, implantação etc.), com vistas a compreender as dificuldades que se apresentaram no processo, procurando, também, identificar mecanismos de superação das mesmas com vistas ao aprimoramento dessas práticas no município de Natal.

9. Crescimento urbano na Zona Oeste de Natal

Pedro Celestino Dantas Junior (Aluno do Curso de Geografia-UFRN)

pedrojunior.geo@zipmail.com.br

pedojunior.geo@bol.com.br

O crescimento demográfico nesses últimos trinta anos em Natal, por diversos fatores, fez com que o solo urbano ficasse muito caro e, conseqüentemente, inacessível à população mais carente, vindo de diversas cidades do interior e de outros lugares a procura de melhores condições de vida. Como conseqüência, as dunas de Natal, principalmente na Zona Oeste da cidade, foram as mais afetadas por esse problema. O objetivo deste trabalho é mostrar o crescimento urbano nesta Zona de Natal em direção as dunas, fazendo uma análise dos aspectos sócio-ambientais, detectando os principais aspectos que impulsionam esse crescimento, e que faz com que tal paisagem seja, assim, alterada. A área estudada neste trabalho compreende as dunas localizadas nos bairros de Cidade da Esperança, Cidade Nova, Felipe Camarão, Nova Cidade e Guarapes, onde foi detectada um número acentuado de moradias impróprias e irregulares, sem nenhum tipo de saneamento básico, uma vez que se encontram em Zonas de Proteção Ambiental, ou seja, em dunas, as quais filtram a água das chuvas e é a maior responsável pelo abastecimento do nosso aqüífero.

10. O parcelamento do solo e a formação de espaços de pobreza na Zona Norte de Natal-RN: um estudo de caso.

Alexsandro Ferreira Cardoso da Silva (Programa de Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo-UFRN)

alexsandroferreira@hotmail.com

O Brasil apresentou, nos últimos 50 anos, uma vertiginosa urbanização, com quase 82% da sua população vivendo atualmente em cidades. Tal processo de adensamento trouxe consigo um amplo leque de desigualdades sociais relacionadas diretamente com a qualidade e estruturação das habitações nestes espaços urbanos, mormente a questão da dicotomia “legal-ilegal”, referente à propriedade do solo urbano e das edificações; ressalta-se ainda a segregação sócio-espacial nas extensas periferias, ocupadas por uma população de baixa renda com graves problemas de infra-estrutura e serviços públicos. Na cidade de Natal, a produção do espaço seguiu articulações que evidenciaram a formação de “periferias segregadas” contra “espaços integrados”, ou melhor, uma diferenciação sócio-espacial através dos diversos agentes produtores do urbano. O presente trabalho intenta perscrutar este processo, tendo como estudo de caso a periferia norte de Natal-RN, ou Zona Norte, investigando o tipo de parcelamento do solo (Regular, Irregular e Clandestino), de cunho privado, ocorrido no período de 1957-1990 e relacioná-lo com dados sociais do período. A hipótese inicial é a de que a expansão habitacional ocorrida em Natal, e na Zona Norte, nos últimos 30 anos, seguiu um modelo de urbanização periférica, primordialmente através da segregação da população mais pobre, em áreas específicas da cidade, com formação de “espaços de pobreza”. Nesse sentido, a construção de conjuntos habitacionais, pelo estado, e loteamentos privados, a maioria ilegais, consolidou extensas áreas com características de segregação e exclusão urbanística.

11. Natal em fevereiro de 1943

Pablo Gleydson de Sousa (Bolsista PIBIC-CNPq)

pabluriel@bol.com.br

Giovana Paiva de Oliveira (Professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo-UFRN)

giovana@ufrnet.br

O presente trabalho visa observar o cenário da cidade do Natal durante o mês de Fevereiro de 1943, período em que ocorreu o evento da Segunda Guerra Mundial. A partir de dados coletados no Jornal A República, foi possível visualizar como a cidade reagia ao impacto a que foi submetida, os problemas surgidos e como conviveu com as repercussões deste evento, uma vez que viveu um aumento vertiginoso de sua população em um curto espaço de tempo. Na primeira metade da década de 40, a cidade passou por rápidas transformações, advindas do grande número de estrangeiros recebidos com a Guerra, com a migração provocada pela seca (flagelados do interior do RN) e de pessoas do resto do país, principalmente militares e funcionários públicos federais. Sem planejamento prévio para receber tamanho fluxo populacional (“alienígenas”), a cidade enfrentou problemas como: racionamento de alimentos; aumento da procura de moradia, elevação dos preços dos alugueis, favorecendo o surgimento de hotéis, pousadas e pensões; racionamento de água; e redução da cota de combustível para a população. Estas transformações atingiram o modo de vida da população, que perdeu seu ar provinciano e realçou suas características cosmopolitas. A posição geográfica da cidade lhe conferiu destaque ao servir de importante porto para o escoamento de aviões das forças norte-americanas através do “aeródromo” de Parnamirim. Esse impacto sobre a cidade pode ser comprovado através dos relatos das visitas de diversas autoridades americanas e representantes do Governo Federal ao Interventor Federal, Dr. Rafael Fernandes. Esses pequenos aspectos permitem vislumbrar a vida na cidade no período, e buscar responder, em partes, alguns dos pormenores de seu atual cenário urbano e social.

12. Espacialização de serviços de infra-estrutura básica de Natal/RN: saúde, educação e segurança pública.

Apresentadora:

Elisabete Ferreira da Silveira (Bolsista PIBIC-CNPq do Departamento de Geografia-UFRN)

Autores:

Edílson Alves de Carvalho (Prof. Dr. do Departamento de Geografia-UFRN)

Rita de Cássia da Conceição Gomes (Profa. Dra. do Departamento de Geografia-UFRN)

Elisabete Ferreira da Silveira (Bolsista PIBIC-CNPq)

Nos últimos 30 anos tem-se percebido um rápido crescimento urbano nas médias cidades brasileiras. Isto pode ser entendido pela desmetropolização nos grandes centros e concentração de serviços e outras atividades em determinadas regiões ou cidades do país, proporcionando, assim, maior oferta de trabalho e acarretando um dos fatores propícios à migração. Políticas de desenvolvimento implementadas pelo Estado brasileiro, cuja base estava no enfoque de uma “área pólo” no intuito de a partir desta o desenvolvimento se irradiar por todo o estado, contribuiu para que Natal hoje ostente a população de 712.317 habitantes (IBGE/2000), apresentando em sua trama urbana disparidades sociais que se evidenciam, por exemplo, na espacialização de serviços de infraestrutura básica como saúde, educação e segurança pública. Tal fato reflete o denominado processo de “exclusão por inclusão”, na medida em que exclui no acesso a um melhor atendimento e oferta de serviços, inerentes a reprodução de boas condições de vida, a maioria detentora de uma renda mínima que lhe garante apenas uma espécie de subsistência; e a inclui no processo de sucateamento e descredibilidade dos serviços públicos, alimentando, dessa feita, o aumento da comercialização desses serviços ao mesmo tempo em que “força” a população à não mais reclamar soluções e sim criá-las através de cooperativas comunitárias, planos de assistência médica e outros, além de conformar-se ou sentir-se na obrigação cívica de assumir papéis que não lhes dizem respeito, sob o incentivo de programas como os “amigos da escola”, “adote um idoso” e similares. Sem perceber, os “amigos” vão assumindo o que, outrora, era exercido por dever da União, Estados e Municípios.

13. Os impactos sócio-ambientais do Complexo Viário Ulisses de Góes na Zona Norte de Natal-RN

Josélia Carvalho de Araújo (Mestranda do Programa de Pós-Gradução e Pesquisa em Geografia-UFRN)

jo.car@zipmail.com.br

Francisco Ednardo Gonçalves (Mestrando do Programa de Pós-Gradução e Pesquisa em Geografia-UFRN

ednardo@ufrnet.br

A Zona Norte de Natal tem sido, durante suas três décadas de história, desvalorizada do ponto de vista imobiliário, face à precariedade das vias de acesso e aos congestionamentos de trânsito provocados pelo intenso deslocamento da população local para outras áreas da cidade. Essa condição impõe à sua população desgaste físico e posição segregada em relação ao espaço urbano de Natal. Visando a amenizar tais problemas, o Estado vem implantando melhorias no seu sistema viário: duplicação da Estrada da Redinha, melhorias na avenida Tomaz Landim; e, por último, a construção do Complexo Viário Ulisses de Góes. Este possibilitou maior fluidez ao trânsito, entretanto, modificou a paisagem local, alterando aspectos históricos do bairro Igapó e provocando mudanças no comércio local, em que algumas vêm sendo substituídas por empresas de maior porte, e outras ainda migrando para a Estrada da Redinha, além de residências que também foram transferidas. De forma mais expressiva, melhorou a qualidade de vida da população, reduzindo o tempo ocupado em congestionamentos de trânsito; apontando também para uma valorização imobiliária da área, pois começa a atrair novas empresas no entorno da obra. Por meio de pesquisa in loco, acompanhando a construção da referida obra, conversando com a população, fazemos uma análise dos efeitos do Complexo Viário Ulisses de Góes na vida da população da Zona Norte de Natal.

14. Região Metropolitana de Natal (retrospectiva e perspectivas do crescimento demográfico: 1970 – 2010)

José Aldemir Freire (Analista Sócio-Econômico do IBGE-RN)

A compreensão da dinâmica demográfica de um determinado espaço geográfico e a tentativa de se vislumbrar as perspectivas futuras dessa dinâmica são poderosos instrumentos de planejamento e de implementação de políticas sociais e econômicas. Tentando contribuir com essa temática, o objetivo do presente trabalho é fazer uma breve retrospectiva do crescimento demográfico da Região Metropolitana de Natal (constituída pelos municípios de Natal, Parnamirim, São Gonçalo do Amarante, Extremoz, Macaíba, São José do Mipibu, Nísia Floresta e Ceará Mirim) desde 1970, bem como realizar projeções de crescimento demográfico para a região no decorrer do período 2000-2010. Em termos retrospectivos, a região vem progressivamente ampliando sua participação relativa na população estadual. Em 1970 25,8% dos norte-rio-grandenses residiam nos municípios constitutivos da RMN, em 2000 esse percentual estava em 39,5%. Essa tendência permanecerá na próxima década, quando a região deterá entre 42,2% e 45,2% da população estadual. Todavia, internamente à RMN a dinâmica demográfica dos municípios foi e será bastante diversa. O município de Natal apresentou taxas expressivas de crescimento nas décadas de 70 e 80, mas nos anos 90 e na primeira década do século XXI esse crescimento será bastante baixo. Por outro lado, o município de Parnamirim provavelmente irá crescer, pela quarta década consecutiva, a taxas bastante expressivas, aumentando sua participação relativa na população da Região. São Gonçalo do Amarante é outro município que continuará ampliando sua participação relativa. O crescimento demográfico da próxima década, portanto, reforçará a tendência demográfica das últimas décadas, ou seja, o crescimento da RMN ocorrerá em dois eixos principais: 1) Parnamirim; 2) São Gonçalo do Amarante e Zona Norte de Natal. Essa dinâmica reforça o desafio de que é necessário a implantação de políticas públicas inter-municipais, e não somente em municípios isolados.

15. A força comercial do Alecrim

Apresentador:

Ronaldo Borges (Aluno do Curso de Geografia-UFRN)

ronaldo.borges@zipmail.com.br

Demais autores:

Marcelo Monte (Aluno do Curso de Geografia-UFRN)

Liovegildo Rocha (Aluno do Curso de Geografia-UFRN)

Leila Negrão (Aluna do Curso de Geografia-UFRN)

Katherine Ribeiro (Aluna do Curso de Geografia-UFRN)

O presente trabalho tem como enfoque principal a análise da trajetória comercial do bairro do Alecrim. Diante desta proposta, realizamos uma pesquisa histórica sobre surgimento e o crescimento da cidade do Natal dando ênfase ao bairro. Até o final do século XIX Natal se resumia aos bairros de Cidade Alta Ribeira. Este, tem suas origens relacionadas, principalmente, ao comercio desenvolvido em função do porto, da população da Cidade Alta e da atividade pesqueira. Ao longo do século XIX, Natal passou por mudanças que estão relacionadas com o seu crescimento populacional e pelo deslocamento da atividade da cultura canavieira pelo litoral oriental ocupando todas as regiões propícias - vales e solos tipo massapê. Paralelamente à cultura canavieira, no interior se desenvolvia a cultura algodoeira e a atividade pecuária que fornecia carne, couro e força de tração para as outras duas atividades. A região do atual bairro do Alecrim, que foi o 4º bairro da cidade, ganhava importância comercial por dois aspectos: pela instalação de uma fábrica de sabão, no ano de 1896 e pela ligação com o interior, através da região de Macaíba. Despontavam estabelecimentos comerciais para atendimento da população operária e das caravanas de tropeiros e migrantes, vindos do interior, que aí chegavam com seus produtos e buscando abastecimentos para a viagem de retorno. Queremos assim demonstrar que o espaço do atual bairro do Alecrim, no início do século XX, já refletia as relações sociais e a segregação social praticadas pela sociedade da época pois já começava a se firmar como um espaço fornecedor de bens para as camadas mais pobres da população. De posse desse víeis, o bairro vem, até nossos dias, se reproduzindo social e comercialmente e adquirindo maior importância dentro da espacialidade da cidade. Em 1941, com a instalação da Base Naval no bairro do Alecrim e, a percepção do comando militar americano, de que não poderiam importar todos os suprimentos exigidos pelas tropas aqui situadas, em tempos de conflito mundial, o bairro passa a ser chamado a ampliar suas atividades comerciais. Por essas razões históricas e o seu desenvolvimento, ao longo do século XX, o bairro do Alecrim se firmou como um bairro comercial voltado para as classes sociais mais pobres da sociedade da cidade. Acreditamos que, apesar do crescimento de Natal em direção a novas frentes, com a adoção de novas estratégias comerciais como os “shopping-centers”, pequenos “malls”e comércios de bairro o Alecrim não irá perder seu vigor comercial em função das razões históricas expostas, do modelo concentrador de renda existente e do achatamento da massa salarial por que vem passando a população economicamente ativa.

16. Segregação sócio-espacial: uma breve análise sobre as favelas de Natal.

Jucicléa Souza Alves (Bolsista PIBIC-CNPq/Base de Pesquisa Unidade Interdisciplinar de estudos sobre a habitação e o espaço construído – DGE/UFRN)

Ademir Araújo da Costa (Coordenador da Pesquisa e Prof. do Departamento e do Mestrado em Geografia-UFRN)

Este trabalho pretende apresentar elementos impulsionadores do processo de favelização em Natal nos últimos anos. Para compreendermos as transformações do espaço urbano é imprescindível a analise da produção do produto-habitação, pois esta se torna mercadoria de alto valor no mercado capitalista e, portanto, responsável pela distribuição espacial da população urbana, como também reveladora da segregação sócio-espacial. Este processo inicia-se com a adoção do sistema capitalista, que, tendo como base um modelo concentrador e excludente, afasta as massas populares do direito à moradia, através, principalmente, da precarização dos salários. Assim, as populações pobres não estão “aptas” a pagar pelo preço da habitação na “cidade legal”, encontrando como alternativa de se reproduzirem no espaço urbano, a construção de barracões em áreas próximas ao emprego ou em áreas de desvalorização comercial. Seu estado de inércia ocorre pelo poder público e moradores de bairros nobres, considerarem os moradores das favelas usurpadores do espaço público ou privado e, por isso, responsáveis pelas más condições de habitação em que se encontram. Em Natal, percebemos que nos últimos anos, o numero de favelas vem aumentando associado com o aumento do percentual da população residente nesses espaços de interesses social. Este fato reflete a inexistência e/ou ineficiência de políticas públicas que minimize ou contenha a ampliação desse processo na cidade, sem oferecer, assim, melhores condições de vida para seus habitantes.

17. Os objetos imobiliários e a produção do espaço na zona sul de Natal/RN

Ângelo Magalhães Silva (Mestre em Ciências Sociais-UFRN)

Este trabalho discute a produção do espaço urbano da Zona Sul de Natal/RN, principalmente após os anos 80, quando este espaço da cidade passa a ser mais intensivamente ocupado. A ocupação teve por objetivo requalificar a cidade frente às transformações mais gerais determinadas pela reestruturação produtiva. Nesse contexto, Natal passa a comportar novos atributos urbanos na forma de objetos imobiliários. Vias de acesso, conjuntos habitacionais e estabelecimentos comerciais foram construídos. Buscando atender às novas demandas da atividade turística como alternativa para o crescimento econômico. Espaços da cidade como a Zona Sul foram requalificados e adaptados por meio dos novos objetos imobiliários. Neste trabalho a produção do espaço na Zona Sul é vista como um processo de desenvolvimento urbano desigual e seletivo, que levou um novo contingente populacional a se estabelecer no local, como também à diversificação de atividades econômicas, ao estabelecimento de um mercado imobiliário mais dinâmico, ao loteamento de glebas e venda de terrenos, e ao surgimento de condições de moradia e de trabalho diferenciadas das antes estabelecidas

18. Pioneirismo teórico e dificuldades práticas do Plano Diretor de Natal

Maria Floresia Pessoa de Souza e Silva (Mestranda em Arquitetura e Urbanismo do DARQ da UFRN)

Nelma Sueli Marinho de Bastos (Mestranda em Arquitetura e Urbanismo do DARQ da UFRN).

O Plano Diretor de Natal, Lei Complementar Nº 07 de 05/09/1994, foi elaborado em conformidade com os princípios norteadores do Movimento de Reforma Urbana. O processo envolveu a participação popular, através de reuniões nas comunidades, discussões com associações de classes e entidades civis organizadas, conselhos comunitários etc. As propostas também foram debatidas, em particular, com os setores privados e amplamente discutidas tanto no Conselho de Planejamento Urbano e Meio Ambiente (CONPLAM), como na Câmara Municipal do Natal. Este instrumento preconizava uma nova visão de cidade e assim, muitos avanços se consolidaram a partir das idéias vanguardistas nele contidas, que se apoiaram em instrumentos jurídicos, fiscais e urbanísticos, que possibilitariam, em tese, uma gestão mais justa e ambientalmente equilibrada da cidade. Hoje, se observa que nem todos os instrumentos foram implementados na prática, e que aqueles “implementados”, sofreram alguns desvios de seus princípios constitutivos, ou seja, de sua filosofia original. Este estudo se propõe a uma breve avaliação, de alguns desses instrumentos, questionando os seus alcances teóricos e práticos, as dificuldades de implementação, bem como os resultados.

19. Cooperação intergovernamental: a experiência do Parlamento Comum da Região Metropolitana de Natal

Autor:

Juliano Varela de Oliveira (Bolsista PIBIC-CNPq do Departamento de Ciências Sociais-UFRN)

Orientadora:

Maria do Livramento Miranda Clementino (Profa. Dra. do Departamento de Ciências Sociais-UFRN)

As cidades são espaços que sofrem constantes mudanças diante da globalização. Assoladas por vários problemas sociais, elas passam por reconfigurações que abalam sobremaneira suas estruturas. Nesse clima de remodelagem estrutural, as chamadas regiões metropolitanas aglutinam problemas clássicos e contemporâneos que requerem atenções especiais por parte dos governos. No Brasil, a partir da Constituição Federal de 1988, a questão metropolitana foi relegada a segundo plano. Na tentativa de redemocratização da sociedade, a referida Constituição passou a dar mais atenção aos municípios, e, mesmo valorizando a cooperação intergovernamental, incentiva um municipalismo autárquico e isolacionista. O presente trabalho objetiva identificar e compreender a construção de mecanismos de cooperação intergovernamental no âmbito da Região Metropolitana de Natal (RMN). Análise bibliográfica, levantamento de dados secundários, leitura de documentos e realização de entrevista foram os recursos metodológicos empregados na pesquisa. O Trabalho está estruturado em três capítulos: o primeiro relacionado ao processo de instituição de regiões metropolitanas no Brasil, aos dilemas da cooperação intergovernamental e à concepção de Pacto Territorial; o segundo referente à caracterização geral da RMN; e o terceiro sistematiza o processo de formação do Parlamento Comum, experiência de cooperação intergovernamental tida como objeto de estudo deste trabalho. Como conclusão, observamos, a partir da atuação do Parlamento Comum, um potencial de mobilização de atores sociais e políticos importante à concretização de um Pacto Territorial no âmbito da RMN.

 

Presidente da mesa:

Profa. Ms. Edna Maria Furtado

20. O usucapião urbano coletivo e o papel das associações de moradores

Emanuel Dhayan Bezerra De Almeida (Graduando do Curso de Direito – UFRN)

edadvocacia@digi.com.br

A Lei n.º 10.257, de 10 de julho de 2001, mais conhecida como Estatuto da Cidade, constituiu, sem dúvida alguma, num dos maiores avanços legislativos concretizados nos últimos anos. Após um difícil e demorado processo de tramitação no Congresso Nacional, enfim foi regulamentado o capítulo de política urbana da Constituição Federal. Importantes instrumentos foram aprovados, entre eles, o usucapião urbano coletivo. Tal instituto cumpre duas finalidades extremamente importantes para uma imensa parcela da população brasileira que vivem em favelas, cortiços, conjuntos habitacionais invadidos e loteamentos irregulares. A primeira finalidade é cumprida com a regularização fundiária que assegura o direito à moradia a esses brasileiros. A segunda é garantir o cumprimento da função social da propriedade por meio da promoção de uma política de regularização fundiária. As partes legítimas para pleitear o reconhecimento da aquisição do domínio, através do usucapião urbano, são: a) o possuidor, isoladamente ou em litisconsórcio originário ou superveniente; b) os possuidores, em estado de composse; c) a associação de moradores da comunidade. Deste modo, a associação de moradores tem importante papel na regularização da posse dos imóveis ocupados nas milhares de favelas e loteamentos irregulares, produzindo uma gestão mais democrática do espaço urbano e dando início a verdadeira revolução que pode vir a ser o Estatuto da Cidade.

21. Festa na cidade: um estudo sobre o desenvolvimento do mercado informal em Natal

Elaine Cristina Alves da Costa Savalli (Mestra em Sociologia - UFRN)

elainesavalli@hotmail.com

A pesquisa contempla os vendedores ambulantes na cidade do Natal e a sua participação no Carnatal, maior evento sócio-econômico do Estado do Rio Grande do Norte que ocorre todos os anos desde 1991 no mês de dezembro, no contorno do Estádio de Futebol Profº João Machado – Machadão. A análise do trabalho dos ambulantes no Carnatal implica o conhecimento do mercado informal em Natal, dos participantes e da dinâmica da maior festa da cidade. A partir da pesquisa de campo e das entrevistas realizadas nos anos de 2000/2001, elaboramos uma tipologia dos vendedores do Carnatal: os profissionais, os eventuais, e os “estrangeiros”. Constatamos que, de um modo geral, a atuação dos ambulantes no Carnatal é positiva, já que eles aproveitam o máximo da festa para melhorar o seu orçamento e ao mesmo tempo, para se divertirem; o lucro determina a volta do vendedor eventual no ano seguinte. Observamos que a opção para o mercado informal pode constituir uma fonte preciosa de renda para um grupo significativo da população ativa, mesmo para os ambulantes que tem, paralelamente, uma atividade regular ou um contrato de trabalho. Porém, existe um controle da administração municipal e da organização do evento que tende a limitar, com pouco êxito, o desenvolvimento das atividades informais. Mesmo assim, os ambulantes conseguem vender seus produtos sem a devida autorização dos órgãos competentes. Observamos então um crescimento significativo dos vendedores que desejam participar de um evento sem ´perder’ contudo, uma boa oportunidade de trabalho.

22. A organização espacial da cidade de Currais Novos-RN

Alberani da Conceição (Mestrando do programa de Pós-graduação e Pesquisa em Geografia-UFRN)

alberanic@hotmail.com

A temática deste ensaio é voltada para o estudo geográfico, direcionando-se à análise das transformações sócio-espaciais ocorridas na cidade de Currais Novos no Rio Grande do Norte, a partir do processo de (re)produção do território urbano. A história deste município constrói-se quando o processo de (re)produção do espaço passa pela pecuária extensiva e pelo auge da cotonicultura. No entanto, esse processo espacial ganha relevância a partir da extração de minerais, principalmente da scheelita, que permitiu transformações significativas para a sociedade local/regional. Currais Novos com a atividade mineradora, enveredou num processo de desenvolvimento de destaque no cenário estadual. No entanto, com as redefinições da economia global, o setor da mineração entrou em colapso. Assim, com uma oferta e uma produção em larga escala, a China entra no mercado desmobilizando a estrutura consolidada, até então, por outros países como o Brasil. Esta cidade fez uma representação significativa com tal atividade. A sua construção refletia-se através das classes sociais que atuavam no período do auge da mineração. Nossa proposta é, portanto, analisar a reprodução da cidade haja vista a intensificação da crise permeando a mudança dos agentes modeladores de uma classe média para uma classe menos abastada. Fazendo o recorte temporal de 1980 até 2000, pretende-se enfocar o momento de transição onde se encontra o ápice da dinâmica da cidade, decorrendo logo após, a sua inflexão, apresentando uma investida da população de baixa renda no uso do solo urbano.

23. Impactos da atuação da Del Monte Fresh Produce no vale do Açú a partir da comparação com as empresas locais

Gleydson Pinheiro Albano (Mestrando do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia-UFRN)

Orientador:

Ademir Araújo da Costa (Prof. Dr. do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia-UFRN)

A região do Vale do Açú, tradicionalmente tem um dos piores indicadores de exclusão social do Estado do Rio Grande do Norte. Esses indicadores são uma contradição ao desenvolvimento econômico recente da região onde se teve a construção da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves que propiciou uma infra-estrutura para um projeto de irrigação amplo. Entretanto, a área do referido Vale, após a construção da Barragem, foi paulatinamente sendo ocupada por empresas regionais que desenvolviam a produção de frutas tropicais e que excluíam, por vários processos, os pequenos produtores que foram obrigados a venderem suas terras e migrarem para outros locais, principalmente os centros urbanos. Além das empresas regionais, atualmente começam a chegar empresas de capital multinacional, a exemplo da Del Monte Fresh Produce. Nesse trabalho vamos analisar os impactos sócio-espaciais que esta multinacional vem provocando no meio rural, principalmente no tocante as relações de trabalho e as alterações ambientais que vem provocando no local onde a mesma encontra-se atuando. É um trabalho pertinente e importante, uma vez que tem por finalidade trazer uma contribuição para a sociedade, tendo em vista a inexistência de estudos sobre as mudanças ocasionadas pelas multinacionais no espaço em questão.

24. Galinhos e Guamaré–RN: as contradições sócio-espaciais em vias de (re)construção

Josué Alencar Bezerra (Mestrando do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia-UFRN)

jabeba@ufrnet.br

Orientador:

Ademir Araújo da Costa (Prof. Dr. do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia-UFRN)

Nos últimos decênios do século XX novas atividades se consolidaram no cenário econômico do Rio Grande do Norte, sobretudo em função das mudanças advindas do processo de reestruturação produtiva oriundas do meio técnico-científico-informacional. As novas economias trouxeram significativas transformações sócio-espaciais com um forte rebatimento ao meio ambiente. Na porção setentrional do Estado encontra-se grande parte destas economias recentes como a carcinicultura, a atividade turística, embora ainda adormecida, e à produção de petróleo, que tem o município de Guamaré um dos três maiores produtores deste mineral em todo Estado e que, juntamente com Galinhos, recebem grandes parcelas dos royalties referentes a produção do petróleo. Localizados no Litoral Norte, respectivamente, a 174 km e 166 km de Natal, os municípios de Galinhos e Guamaré reúnem vários atributos naturais, como praias, dunas, mangues e rios. Um fato que chama atenção é que as suas sedes municipais não expressam os vultosos recursos advindos das arrecadações efetuadas nos municípios representadas quase que em sua totalidade pelo pagamento do FPM e dos royalties do petróleo. Nesse sentido, tendo em vista esta incompatibilidade encontrada, procuramos analisar as contradições existentes entre as receitas públicas arrecadas e a infra-estrutura urbana dos respectivos municípios, enfatizando seu quadro sócio-econômico. O entendimento acerca da problemática abordada enfoca os desafios que se consolidam no conhecimento dos problemas existentes nestas cidades, bem como pela necessidade de contribuir com propostas que possam ajudar na implementação de políticas públicas que almejem trazer benefícios para a sociedade local. Torna-se importante ressaltar que esta pesquisa faz parte de uma proposta para a elaboração de nossa dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

25. Desenvolvimento local e pequenas cidades

Maria Suelly da Silva Medeiros (Mestranda do Programa de Pós-graduação e Pesquisa em Geografia-UFRN)

Francisco Ednardo Gonçalves (Mestrando do Programa de Pós-graduação e Pesquisa em Geografia-UFRN).

Suellymedeiros@yahoo.com.br

O grande impulso tomado pelo sistema econômico vigente e o estabelecimento de um novo patamar para a dinâmica capitalista, eivada pela contradição e pela seletividade, não privilegia todos os espaços. Desse modo, existem áreas que não acompanham o ritmo frenético da economia e na medida que se intensifica o processo de globalização vão ficando em planos secundários. Diante do quadro que se configura, no qual o aumento da pobreza e da exclusão social compõem o cenário da globalização, a discussão sobre o desenvolvimento se faz necessária no sentido de se buscar estratégias para solucionar os problemas das populações marginalizadas por esse processo. Objetivando estabelecer uma relação entre o novo paradigma de desenvolvimento emergente e pequenas cidades este trabalho faz uma breve discussão sobre o paradigma do desenvolvimento local, trazendo contribuições de alguns autores de diversas áreas do conhecimento, culminando com exemplos de iniciativas que vêm sendo tomadas no âmbito estadual.

26. O curso da cidade e a vida do rio: a relação do desenvolvimento local com a nova paisagem do rio Piranhas na percepção dos moradores de Alto do Rodrigues-RN

Daline Maria de Souza (Aluna do Curso de Serviço Social-UFRN)

dalineufrn@bol.com.br

João Bosco Araújo da Costa (Professor Dr. do Departamento de Serviço Social-UFRN)

joaobac@uol.com.br

A partir da década de 80, a construção da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves, a introdução da exploração petrolífera e a agroindústria ao cenário produtivo da cidade de Alto do Rodrigues-RN, caracterizaram o processo de desenvolvimento da cidade e contribuíram para que ocorressem mudanças sócio-ambientais no rio Piranhas, espaço no qual encontram-se situadas as principais atividades produtivas desta cidade e a maioria das práticas sociais da população local. A pesquisa analisou a percepção dos moradores de Alto do Rodrigues sobre a influência do desenvolvimento local na constituição da nova paisagem do rio Piranhas, a partir da década de 80. A pesquisa utilizou-se de métodos qualitativos: revisão bibliográfica dos temas em desenvolvimento, impactos sócio-ambientais, paisagem e memória cultural; pesquisa documental e entrevistas com os principais atores sociais envolvidos diretamente com a dinâmica sócio-espacial do rio Piranhas. A avaliação dos dados constatou que a nova paisagem do rio Piranhas traduz as mudanças da dinâmica do desenvolvimento local, em suas dimensões sócio-espacial e ambiental e apontam que os moradores da cidade avaliam positivamente o desenvolvimento, na medida em que este contribuiu para a ampliação dos serviços públicos municipais, do comércio local e para a urbanização da cidade e percebem negativamente as mudanças sócio-ambientais ocorridas no rio Piranhas.

27. Cidade-Empresa: o exemplo norte-rio-grandense de um cenário conhecido

Otomar Lopes Cardoso Junior (Mestrando do Programa de Pós-Gradução e Pesquisa em Geografia-UFRN)

O presente trabalho tem por objeto apresentar a influência da grande empresa e o poder de sua relação transformadora na vida da cidade. Apontando o conceito de company town, absorvido na literatura nacional com o cidade-empresa, indicamos – brevemente - seu processo de criação e as modificações com ela trazida, as condições exigidas par sua implantação e o novo processo de relações com a região, via dois modelos no Brasil: em Volta Redonda, com a Cia Siderúrgica Nacional, em 1941, e em Ouro Branco, com a Açominas, em 1983; um modelo chamado “clássico” e seu oposto, que se propõe “cidade-aberta”. Concluímos nosso trabalho com a demonstração da presença da company town no cenário do Rio Grande do Norte, buscando também ilustrar duas propostas quase antagônicas: a Usina Estivas, em Arês (mas vizinha a Goianinha) e a Petrobrás, em Guamaré. O resultado final mostra que a concepção nacional não está muito diferente da realidade local. Ultimamente, no entanto, o impacto transformador nas cidades (pequenas ou não) tem provocado respostas às negatividades inerentes a toda e qualquer grande corporação, reforçando a participação popular nos destinos do espaço da cidade, do cidadão.

28. Alguns reflexos da ação do Estado como indutor da expansão urbana e suas contradições no litoral sul de João Pessoa-PB

Adauto Gomes Barbosa (Mestrando do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia da UFRN)

Orientador:

Ademir Araújo da Costa (Prof. Dr. do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia-UFRN)

A estruturação do espaço urbano do Litoral Sul de João Pessoa tem sido respaldada, de forma decisiva, pela ação do Estado. Na esteira dessa intervenção, um fato não menos importante é a crescente valorização fundiária, o que tem estimulado a especulação imobiliária no referido compartimento da cidade. Neste sentido, o presente trabalho procura evidenciar as políticas públicas aí implementadas, bem como a ocupação urbana consubstanciada, dentre outros aspectos, pela formação de condomínios fechados horizontais de alto padrão de habitabilidade. A área em estudo apresenta baixa densidade urbana no contexto da cidade de João Pessoa, principalmente se comparada aos bairros localizados na faixa litorânea norte, tendo recebido as primeiras inversões por parte do Estado somente em fins da década de 1970, com a construção do conjunto habitacional Altiplano Cabo Branco e da avenida João Cirilo, a qual dá acesso ao Farol do Cabo Branco. Entretanto, as principais intervenções ocorridas nesta área datam das décadas de 1980 e 1990, através da implantação do Pólo Turístico Cabo Branco, pelo governo estadual, e condomínios fechados horizontais, pelo capital imobiliário. O que se verifica, até o momento da pesquisa, que as políticas públicas, na referida área, não têm sido implementadas em conformidade com as demandas sociais mais urgentes. Assim, a ação do Estado reflete a racionalidade do capital e, desta forma, o espaço geográfico, mais que um reflexo, torna-se fator ativo da sociedade, ou seja, uma instância social.

29. O processo de urbanização de Nova Parnamirim

Francisco Elói de Souza (Mestrando do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia-UFRN)

Orientador:

Ademir Araújo da Costa (Prof. Dr. do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia-UFRN)

Conforme Censo Demográfico do IBGE (2000) no Brasil, até a década 60, mais de 55% da população vivia na zona rural. Contudo, ultimamente 81% dos brasileiros vivem nas cidades. Esta inversão populacional se deu a partir dos anos 70, e está atrelada aos processos globais de mudanças (industrialização, migração, urbanização etc.), sendo um reflexo da divisão espacial e internacional do trabalho. Entretanto, as políticas públicas e privadas implementadas em Natal, sempre têm atraído, grande contingente de pessoas em busca de empregos, e que, nem sempre pode atender as demandas migratórias. Recentemente, Nova Parnamirim um distrito de Parnamirim - RN, aliado à proximidade com Natal, está passando, por um processo de ocupação intensivo e acelerado. Nesse contexto, vem sofrendo, ao longo do tempo, transformações substanciais no seu espaço, tanto de natureza social quanto ambiental, que está refletindo na qualidade de vida de seus moradores. Este fato está ligado principalmente na ausência de um planejamento urbano adequado e que seja considerado como um instrumento norteador do desenvolvimento da cidade em seu constante processo de construção. A pesquisa tem como objetivo analisar a dinâmica sócio-espacial da área e as suas implicações, identificando os principais agentes que promovem e se beneficiam desse processo de urbanização. Para a realização deste estudo serão utilizadas leituras bibliográficas que versem de estudos teóricos sobre as questões urbanas e ambientais e atividades de campo, para o levantamento dos dados a serem investigados na abordagem metodológica.

30. Marginalização urbana: o processo de favelização no bairro Frei Damião da Cidade de Caicó-RN.

Maria José Costa (Mestranda do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia da UFRN).

Zenira Bezerra da Silva (Mestranda do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia da UFRN).

A urbanização desenfreada que ocorreu nas cidades brasileiras tem gerado inúmeros problemas, um deles é a exclusão social, que pode ser evidenciada nos bairros periféricos da cidade de Caicó , localizada na microrregião do Seridó Ocidental no Estado do RN. O bairro pesquisado denomina-se Frei Damião, localizado na zona Oeste de Caicó, que é considerado o de pior qualidade de vida da cidade, fruto da expansão do bairro Walfredo Gurgel. O bairro é totalmente desprovido de sistema de esgotos, pavimentação, e coleta de lixo. Quanto ao abastecimento d’água verificamos que menos da metade dos domicílios ocupados tem acesso à água encanada. A pesquisa realizada também mostrou que existe um elevado índice de analfabetismo entre os chefes de domicílio do referido bairro. A maior parte dos entrevistados possui apenas o 1º grau incompleto. Analisando de forma geral a ocupação profissional atual dos pais chefes de domicílio (homens em sua maioria) do bairro Frei Damião, atenta-se para os elevados índices de desempregados. Pode-se dizer que as atividades exercidas pelos pais chefes de domicílio neste bairro exigem pouco ou nenhum nível intelectual e muito esforço físico. O nível de renda familiar está atrelado ao tipo de ocupação, que, por sua vez, reflete o nível instrucional prevalecente. O nível salarial máximo consegue atingir a faixa de 2 a 3 salários mínimos, somente em residências que possuem dois aposentados. O restante da população sobrevive com uma renda mensal inferior a um salário mínimo, tendo em vista que as principais ocupações recebem remunerações ínfimas por tarefa, principalmente a atividade de catar lixo, de onde a maior parte da população retira o sustento para sua família.

31. O PSH no Rio Grande do Norte

Adalberto Soares de Araujo Amorim Neto (Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social-UFRN)

adalberto.s.neto@caixa.gov.br

O PSH refere-se a um programa de subsídio para a construção de moradira popular para famílias de baixa renda (entre R$100,00 e R$580,00 de renda familiar), criado em 2001, durante o Governo FHC e implementado no segundo semestre de 2002, e que, no atual governo, com alguns ajustes, vem sendo desenvolvido em todo o Brasil. No Rio Grande do Norte, já foram construída cerca de 1300 casas, estando em andamento projetos com o total de aproximadamente 2000 outras casas em diversos municípios, sendo o maior número em Mossoró e nos vários municípios do Alto Oeste Potiguar. O PSH enaquadra-se, portanto, como um programa de política pública de interesse social, daí sua importância na atual conjuntura. Na pesquisa, buscaremos acompanhar a aplicação dos recursos referentes ao PSH, objetivando saber se os objetivos do referido programa estão sendo atingidos, no que se refere à forma de eleger as famílias beneficiárias com a aquisição do imóvel, a atividade de orientação social, antes, durante e pós-entrega dos imóveis, conforme normativos do agente operacional (Caixa Econômica Federal).

32. O Processo de expansão urbana de Macaíba-RN e seus reflexos sócio-espaciais.

Apresentador:

Geovany Pachelly Galdino Dantas (Bolsista do PET do Departamento de Geografia).

Demais autores:

Wagner Luiz Alves da Silva

Cléber Pessoa Guedes

Emanuel Thiago Ribeiro de Freitas

Wanderson da Silva.

Orientador:

Anelino Francisco da Silva (Prof. Dr. do Departamento de Geografia-UFRN)

geoufrn@globo.com

Profundas mudanças de ordem social, econômica e política determinaram no Rio Grande do Norte a consolidação do seu processo de urbanização. Aqui no RN, a atuação do Estado brasileiro foi primordial para desencadear esse processo, principalmente através de projetos voltados para a industrialização e a implementação de políticas públicas urbanas. A região da Grande Natal foi a principal beneficiada por essa política modificando substancialmente sua dinâmica e configuração. Macaíba, município integrante dessa área, passou, igualmente nos últimos anos, por um rápido processo de expansão urbana trazendo, como conseqüência, o surgimento de problemas até então não vivenciados na cidade. O trabalho está estruturado em duas partes, sendo que, a primeira, desenvolvida como atividade do PET/Geografia resgata todo o processo de crescimento da cidade relacionando-o com o processo de urbanização estadual e as modificações na dinâmica da cidade. A segunda, que foi realizada como parte do processo avaliativo da disciplina de Geografia Urbana e conjuntamente com os colegas supracitados, aborda os reflexos desse crescimento e suas implicações na qualidade de vida da população.

33. Indicadores e a realidade social

Ivanildo Soares da Silva. (Mestrando do Programa de Pós-graduação em Engenharia Sanitária-UFRN)

ivan_soares@ig.com.br

Conhecer a realidade social, implica conhecer e se apropriar dos elementos que influenciam e transformam a sociedade. Nos centros urbanos, esses elementos são complexos, podendo ser físicos, políticos, econômicos e sociais. São dinâmicos, o que dá a essa realidade um caráter temporal. As pessoas não compreendem a cidade e seus processos. Por outro lado, a desigualdade na distribuição dos benefícios da urbanização (ou progresso) no corpo da sociedade tem tornado as cidades fragmentadas. Promover a compreensão destes fatos e sua apropriação pela sociedade civil organizada tem sido um dos desafios dos governos municipais. A construção de indicadores que representam essa realidade, tem sido uma das ferramentas na construção de um diálogo construtivo. Os indicadores são números que procuram descrever um determinado aspecto da realidade, ou apresentam uma relação entre vários aspectos sintetizando-os, e também representam conceitos mais abstratos e complexos ou, ainda, nível de desempenho de uma gestão. Eles democratizam as informações, auxiliando a sociedade não só a controlar as ações do governo municipal, mas também permite que os movimentos e entidades que atuam na vida política e social formulem propostas de prioridades e de intervenção e as ofereçam ao poder público para implantação.

34. Espaços urbanos: é possível crescer preservando o conforto térmico?

Angelina Costa (Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Arquitetura-UFRN)

angelinadlcosta@yahoo.com.br

A construção de ambientes urbanizados ocorre diariamente pela ação antrópica através da substituição do ecossistema natural por estruturas artificiais. Esse processo impacta o meio ambiente deteriorando a qualidade do ar e do clima e, conseqüentemente, a qualidade de vida da população. O presente trabalho busca identificar fatores que possibilitem o crescimento da cidade sem que isso deteriore demasiadamente seu conforto térmico. Como objeto de estudo tomou-se o bairro de Petrópolis, cuja ocupação está consolidada. Foi elaborado um amplo diagnóstico da área baseado na análise de mapas de topografia, altura das edificações, uso do solo, áreas verdes e tipo de recobrimento do solo, aliado a tomada de medições das variáveis ambientais (temperatura e umidade do ar, a velocidade e a direção dos ventos) e questionamento com a população local. Identificou-se que a maior parte do bairro encontra-se corretamente orientada a ventilação predominante e sobre um platô; há concentração de serviços e comércio em alguns pontos e um núcleo verticalizado denso, muito pouca área verde e permeável. Encontraram-se ainda altas temperaturas com média de 27,60C e elevadas umidades (média de 74%); direção predominante dos ventos Sul-Sudeste e velocidade variável. Quando comparados aos dados de estações meteorológicas fixas em áreas menos urbanizadas, o bairro é sempre mais quente e menos ventilado, o que permite concluir que se minimizaria a elevação da temperatura do ar com implantação de mais vegetação, aumento da permeabilidade urbana e diversificação do uso do solo, que só é possível através de um planejamento urbano mais responsável.

35. Os impactos sociais do Programa Bolsa Escola no Município de Parnamirim

Elaine Cristina Farias de Oliveira (Aluna do Departamento de Serviço Social – UFRN)

elaine.hta@bol.com.br

Frânslie Quinto Bezerra (Aluna do Departamento de Serviço Social – UFRN)

franslie@uol.com.br

O Brasil tem atualmente cerca de 3,8 milhões de crianças trabalhando onde mais da metade estão fora da escola. Problemas como evasão escolar, repetência e desinteresse pelas aulas são relacionados, na maioria dos casos, à falta de expectativa social e econômica de uma família que mal tem como se sustentar e por isso se vê forçado a ter todos os seus membros trabalhando, inclusive crianças e adolescente. Diante desse problema, foi pensado o programa Bolsa-Escola, como forma das crianças poderem estudar. A pesquisa tem o objetivo de avaliar esse programa como também detectar as diferenças existentes entre o projeto original e o implantado pelo governo Federal, como também analisar quais as melhorias que o programa trouxe no campo educacional, familiar e no campo econômico. Verificando as dificuldades, falhas e lacunas que essas diferenças provocaram, e procurando identificar as mudanças da condição social dos beneficiados pelo programa no município de Parnamirim, e assim analisar se a mudança no programa modificou o real objetivo ou metas do mesmo.

36. Como estudar as pequenas cidades? ensaiando a discussão

Francisco Ednardo Gonçalves (Mestrando do Programa de Pós-graduação e Pesquisa em Geografia/UFRN)

ednardo@ufrnet.br

Orientador:

Ademir Araújo da Costa (Prof. Dr. do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia-UFRN)

O atual contexto, marcado pelo desenvolvimento geográfico desigual, no qual predomina o modo de vida urbano, tem a cidade como palco das maiores transformações. Esta importância faculta vários questionamentos acerca do significado das cidades hoje (bem como sobre as perspectivas futuras), sobretudo, em função dos distintos padrões em que se apresentam. Mesmo se constituindo no padrão predominante no Brasil, as investigações que focalizam as pequenas cidades são quase inexistentes, principalmente, quando nos remetemos ao Nordeste brasileiro, região que apresenta o maior percentual de pequenas cidades (84% do total). Nesse sentido e sem negligenciar o significado das metrópoles, nosso trabalho apresenta algumas reflexões acerca da carência de estudos e, conseqüentemente, a importância de investigações direcionadas às pequenas cidades, visando a busca de caminhos que facilitem sua compreensão, tendo como referência empírica o cenário potiguar.

37. O papel do poder público no desenvolvimento local: uma análise do município de Serra Caiada-RN.

Franklin Roberto da Costa (Colaborador da pesquisa; Graduando em Geografia-UFRN)

Ademir Araújo da Costa (Coordenador da pesquisa e Prof. do Departamento e do Mestrado em Geografia-UFRN)

Serra Caiada, município encravado na mesorregião do Agreste Potiguar, graças à ação do poder público local, vem, nos últimos dois anos, apresentando um desenvolvimento surpreendente, sendo considerado como um dos municípios mais bem administrados do Rio Grande do Norte. Com efeito, já se percebe, com base em dados do IPEA, um aumento considerável nos índices de desenvolvimento humano, com uma taxa, em 1991, de 0,378 para 0,605 em 2000, colocando-se entre os municípios que mais tem avançado neste setor. É de se surpreender, pois o município, apesar de fazer parte da referida mesorregião, está situado numa área de transição entre o Agreste e o Sertão, na qual apresenta solos, hidrografia, vegetação e um clima que se identifica com as áreas do semi-árido nordestino. Entretanto, graças à ação do poder público local, voltada para a solução dos reais problemas do município, como educação, saúde, assistência social, lazer etc, tem, ao longo desses dois anos, revertido a situação de penúria que até então vivia a população local. O presente trabalho, ainda em andamento, pretende mostrar o papel do poder público no referido município, através da implementação de políticas públicas e assistência social, que tem se refletido na melhoria da qualidade de vida da população local.

38. Atividade comercial, espaço urbano e circuito inferior da economia urbana: o exemplo de Bayeux-PB

Ricélia Maria Marinho da Silva (Mestranda do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia-UFRN)

Emilia de Rodat Fernandes Moreira (Profa. Dra. do Departamento de Geociências-UFPB)

Beatriz Maria Soares Pontes(Profa. Dra. do Departamento e do Mestrado em Geografia-UFRN)

Bayeux constitui um dos menores municípios do Estado da Paraíba, ocupando aproximadamente 0,05% do território estadual. Apesar da pequena extensão territorial (27,5 km²), ele é hoje um dos mais populosos e mais densamente povoados municípios do Estado (quase 90.000 habitantes e mais de 3.000hab/km2). O crescimento populacional está relacionado de um lado, à proximidade com a capital do Estado, e de outro, ao desenvolvimento industrial e comercial ali levado a efeito ao longo do tempo. O objetivo deste trabalho consistiu em focalizar alguns aspectos da realidade atual do setor comercial do município de Bayeux-PB buscando contribuir para desvendar algumas características da dinâmica e organização do seu espaço urbano. Ele baseou-se em informações secundárias e numa ampla pesquisa de campo. A concepção de espaço urbano na obra de Corrêa (1989) e o enfoque dos dois circuitos da economia urbana de Milton Santos fundamentaram a pesquisa. Constatamos que na época dos Shopping Centers, o setor comercial de Bayeux ainda adota o sistema tradicional. Identificamos a existência de um núcleo hierarquizado de comércio, bem como de sub-centros dependentes de um núcleo central na organização do espaço urbano. Ficou claro também que a maioria dos estabelecimentos está inserida no circuito inferior da economia urbana, apesar de ocuparem pouca mão-de-obra. A articulação desse circuito inferior com o circuito superior dá-se através do sistema de aquisição e transporte de mercadorias.

39. Conjunto Parque dos Coqueiros: da crise nacional da moradia à ocupação sócio-espacial

Francisco Duarte Guimarães (Prof. do Departamento de Comunicação Social; Mestrando da PPgCS)

Os conjuntos habitacionais são produtos das políticas públicas do governo federal para o setor, que recentemente foram deslocadas com maior premência também para entidades não-governamentais, como cooperativas e empresas privadas. No Brasil, este processo começa no início do século passado, obtendo maior ênfase com a criação, em 1964, do Banco Nacional da Habitação (BNH). Com o fim do BNH, porém, em meados de 1986, inicia-se uma nova configuração para o atendimento da demanda habitacional brasileira pelos governos federais. Este momento coincide com as significativas mudanças na política e na economia brasileiras, caracterizadas basicamente pela transição de um regime militar-imposto para um civil, que, a partir daí, viria a ser eleito pelo povo. Como saldo, até então, o que se verifica é que os objetivos inicialmente propostos, à frente o BNH, foram subvertidos: atendeu-se mais as classes mais bem-remuneradas que as mais necessitadas. Também neste momento de transição (governos Sarney-Collor) é construído e entregue aos mutuários, em Natal/RN, o Conjunto Habitacional Parque dos Coqueiros, que, inicialmente fazendo parte do programa PROHAP-Setor Público, passa, por força da resolução Nº 1.469 de 26 de janeiro de 1988, para o programa PROHAP-Setor Privado. Várias outras modificações - na infra-estrutura, nos equipamentos comunitários, na constituição das unidades e até nos valores dos financiamentos -, promovidas, ao que tudo indica, pelo capital (empresas) com a aquiescência da Caixa Econômica Federal (CEF), órgão que substituiu o BNH no Sistema Financeiro da Habitação (SFH), contribuíram para o descontentamento dos mutuários que resolveram reverter esta situação na Justiça Federal, denunciando aquilo que Weber chamaria de "capitalismo aventureiro".

40. Shopping-centers: elementos de (re)produção sócio-espacial na Zona Sul de Natal-RN

Autor:

Gerson Gomes do Nascimento (Prof. Ms. do CEFET-RN)

Orientador:

Ademir Araújo da Costa (Prof. Dr. do Departamento de Geografia-UFRN)

Gersongomes2003@yaroo.com.br

Este estudo teve como objetivo analisar a (re)produção sócio-espacial na Zona Sul de Natal, a partir da influência dos shopping-centers. Nessa perspectiva, analisou também as mudanças de hábitos e costumes para uma parcela da sociedade, quando da inserção desses empreendimentos em área nobre da Zona Sul da cidade, bem como as transformações ocorridas nos arredores onde os três maiores shoppings se instalaram. A exemplo de outros estabelecimentos comerciais desse porte, dois dos três principais shoppings da cidade estão voltados para atender as classes mais favorecidas da sociedade, pois foram construídos com essa finalidade. Todavia, o segundo shopping vem, ao longo do tempo, adquirindo um caráter mais popular quando comparado aos outros dois. Apesar de representarem um elemento importante na (re)produção do espaço urbano bem como no cenário do comércio varejista moderno da cidade, esses grandes empreendimentos comerciais não ultrapassam as contradições impostas pelo capitalismo, ao contrário, reforçam estas na medida em que são espaços semi-públicos, logo, segregadores, fato que não se mostra de forma diferente em Natal.


GT-04: EDUCAÇÃO AMBIENTAL: RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL PARA A COLETIVIDADE

Coordenadora:

Profª. Drª. Maria do Socorro Costa Martim (Departamento de Geografia)

E-mail: smartim@cchla.ufrn.br

Local/Horário: Auditório da Geografia – CCHLA, 40 lugares, quarta, 21 de maio, 14:00-18:00h.

No entendimento da legislação vigente sobre Educação Ambiental (Lei n. 9795/99) “... os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial a sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade” é de primordial importância a sua discussão pelas instituições formais, de modo que o tema seja amplamente debatido e divulgado, proporcionando subsídios para que haja condições de ter plenamente o efeito multiplicador, atingindo, portanto, o objetivo geral que é uma melhor qualidade de vida entre as pessoas, proporcionada pelo exercício da Educação Ambiental.

RESUMOS

01. A educação ambiental ajudando na construção de uma contra – hegemonia.

Paulo Roberto de Menezes (Bacharel em Geografia)

As mudanças tecnológicas e industriais na modernidade definiram historicamente as transformações culturais das sociedades capitalistas. A necessidade de se consumir sempre, sem uma preocupação com o bem estar social, faz com que hoje os ditos recursos renováveis, os quais garantiriam a sustentabilidade, estejam se exaurindo pela rapidez que são consumidos. É evidente que as investidas em legislações reguladoras ou punitivas solitárias, em nada afetam aqueles que degradam e desperdiçam nossos recursos naturais; tanto falando do macro consumidor (grandes corporações) quanto do micro (população em geral). A fragilidade do nosso legislativo, que se submete muitas vezes às pressões econômicas, comprometendo e distorcendo as reais necessidades sociais, geram leis confusas e incompletas, mascarando na complexidade legal a inviabilidade de execução. Valendo do importante papel social dos veículos educativos torna-se importante trazer para debate questões que nos leve a pensar sobre os padrões atuais de qualidade de vida, assunto tão em moda como a qualidade total. É preciso discutir o impacto social e ambiental que o atual ritmo de desenvolvimento nos está impondo. Dessa forma o problema pede também soluções comportamentais, de mudança de valores sociais, repensar as nossas relações com as pessoas que nos cercam. Os agentes educativos têm de integrar a comunidade, tornando os espaços privilegiados para colocar em prática outros modelos de organização social, caminhando para a organização de uma sociedade sustentável. Trabalhar para transformação dentro desses microssistemas certamente trará contribuições, mesmo que a longo prazo, para toda a sociedade.

2. Qualidade de vida e população

Autores:

Katherinne de Fátima Nogueira Ribeiro

Gracileide Ferreira do Nascimento

João Matias do Nascimento Junior

Leila Rodrigues Negrão

Orientadora:

Maria do Socorro C. Martim

O presente trabalho tem como objetivo conscientizar a comunidade para uma melhor qualidade de vida, bem como a harmonia do homem com o meio em que vive. Mediante os estudos e os conhecimentos adquiridos na disciplina Geografia da População e das pesquisas voluntárias da Base de Pesquisa Estudos Ambientais, abordamos os seguintes tópicos do objeto de estudo: relação da qualidade de vida com habitação, transporte, saúde, meio ambiente, lazer, segurança, educação e trabalho. Diante do que foi pesquisado, temos por finalidade repassar os resultados obtidos, tendo em vista a constatação de que para uma boa qualidade de vida é preciso a responsabilidade individual para que haja um benefício coletivo.

3. Ponta Negra: responsabilidade de todos

Autores:

Kalipsa Duarte de Matos (Aluna de graduação em Geografia)

Glorilda Duarte de Matos (Aluna de graduação em Geografia)

Mylber Guedes Alcoforado (Aluno de graduação em Geografia)

Orientadora:

Maria do Socorro C. Martim

Trata esse trabalho da poluição das praias, especificamente da praia de Ponta Negra, trecho da orla de Natal (RN) mais freqüentado, principalmente, por turistas. A praia está localizada no litoral Sul da cidade, em uma enseada, a aproximadamente oito quilômetros do centro da cidade. O Morro do Careca, formação dunar, com altitude aproximada de cem metros, cartão postal da cidade, por se inserir em ambiente frágil constitui-se uma preocupação constante aos habitantes da localidade. A produção deste trabalho deveu-se às observações in loco, registros fotográficos das atitudes individuais dos freqüentadores locais e turistas, evidenciando os problemas identificados como atividade-tarefa, seguindo as técnicas de metodologia de pesquisa na disciplina de Educação Ambiental e apresentado o resultado como seminário. Ao concluir-se a breve pesquisa, consideramos de vital importância as mudanças de atitude de todos os que se beneficiam, de forma direta ou indireta da praias, e, que todos ao apreciarem esta beleza, preservem e não fiquem esperando tão somente pelas autoridades competentes à preservar o ambiente, mas que temos que ter a consciência de que as pessoas, formando a sociedade civil têm que fazer a parte a lhes competir: a sua responsabilidade individual para a coletividade.

4. A preocupação com a água bem tratada

James B. Luna (Licenciatura em Geografia)

A água residencial é assunto de grande preocupação, apesar de grande parte da população deixar de observar os cuidados indispensáveis para a preservação da saúde. Diante de tal situação, coloca-se como objetivo nessa exposição, alertar sobre alguns pontos importantes no intuito de conscientizar as pessoas quanto ao cuidado com seus reservatórios de água, pois é a partir deles que infecções sérias podem ser contraídas, gerando complicações maiores a posteriori. Para evitar essa situação, é necessário tomar medidas corretivas que vão desde a correta lavagem dos seus depósitos de água, à desinfecção das caixas d´água. Para tanto, tem-se que ser feita a limpeza, obedecendo critérios específicos, pois, somente com um ato relativamente simples, se pode garantir, a saúde e longevidade da população.

5. Populações tradicionais litorâneas e o meio ambiente

Winifred Knox (Doutoranda em Ciências Sociais e Professora do DAN/UFRN(2003) e UNP)

Trata-se de um estudo de populações que habitam as praias do litoral do Rio Grande do Norte. O conhecimento local e as práticas tradicionais têm tido um papel importante em relação a práticas, valores sociais e éticos de respeito à natureza. Procura-se através da pesquisa etnográfica perceber a relação estabelecida entre a população litorânea e a natureza. É possível observar métodos de utilização dos recursos marinhos que são menos predatórios ao meio ambiente. No entanto, é visível o emprego de novas técnicas sócio-econômicas que resultam na introdução de novas práticas culturais em relação à natureza. Diante de uma gama de fatores interligados caracterizando a complexidade do problema, conclui-se pela a necessidade de ações constantes de esclarecimento, mas também, de um trabalho de reconhecimento de valores tradicionais que caminham na direção da preservação da natureza.

6. Conscientização ambiental pela linguagem teatral

Autores:

Solange Maria da Silva (Bolsista da Base de Pesquisa Estudos Geoambientais)

João Maria da Silva

Orientadoras:

Maria do Socorro C. Martim

Cleonice Furtado de Souza

O Grupo de Teatro de Geografia tem como objetivo expressar em uma linguagem teatral a importância à compreensão e conscientização do meio ambiente, utilizando os princípios básicos da ciência geográfica sobre o espaço e como ele se reproduz considerando os fatores ambientais, sócio-econômicos e políticos como atores interligados, materializado por meio da expressão corporal, o discurso crítico e construtivo, de ordem visual e sonora usando a própria natureza e os seus recursos como cenário: o palco da vida. O GTGEO – com o seu teatro amador e sua arte de forma simples e objetiva vem se apresentando e evidenciando o respeito que o homem deve ter para com os elementos essenciais da natureza como o rio, solo, áreas verdes de maneira geral, com o ar, e com todo o meio físico, fazendo o cidadão refletir sobre o seu relacionamento com o meio ambiente para desenvolver atitudes racionais, e conservadoras exercendo cidadania e conscientizando dos seus deveres, melhorando a qualidade do meio ambiente e conseqüentemente a sua qualidade de vida.

7. O branco corrosivo na imensidão verde ameaçada: os atores políticos e sociais brasileiros diante da geopolítica das drogas e da degradação ambiental na Amazônia

Noemia Arruda Varela (Pós-Graduação em Ciência Sociais – UFRN)

O presente estudo é uma reflexão sobre o lugar da Amazônia no mundo do século XXI. Procuramos traçar um painel da realidade atual colocado para que esse espaço transnacional, da produção dos atores e cenários das disputas mais importantes do terceiro milênio. Nossa incursão sobre o universo dessas questões, rodearam duas temáticas independentes: o narcotráfico e a devastação ambiental da floresta Amazônica, traduzindo-se também em argumentos mobilizados para justificar propostas e projetos de intervenção na Amazônia, procurando perceber como essas questões são encaradas dentro do contexto da nossa ordem mundial e da soberania nacional, situando em que matrizes discursivas as propostas dos atores políticos e sociais nos levam. Realizamos uma ampla investigação em órgãos de imprensa, publicações cientificas, páginas na Internet de órgãos governamentais, partidos políticos, parlamentares e organizações não-governamentais. O nosso horizonte teórico foi dado por Manoel Castells, David Harvey, Antony Giddens e Mike Feathestone. O desafio de pensar o lugar da Amazônia no mundo do século XXI, nos leva ao enfrentamento de temáticas aparentemente díspares como a emergência do narcotráfico e a devastação ambiental. Dessa forma, constatou-se que há uma necessidade de se avançar na reflexão sobre a política de segurança para a região amazônica para que possamos como nação, construir uma política de enfrentamento ao narcotráfico e a devastação ambiental, que não se traduza, como vem ocorrendo na Colômbia, numa militarização dessas questões sociais.

 


GT-05: ÉTICA, POLÍTICA E RELIGIÃO

Coordenadores:

Prof. Ms. Antonio Basilio Novaes Thomaz de Menezes (Departamento de Filosofia)

E-mail: basilio@ufrnet.br

Prof. Ms. Sergio Eduardo Lima da Silva (Departamento de Filosofia)

E-mail: sergioelds@uol.com.br

Local/horário: Consequinho, 42 lugares, 1º andar-CCHLA, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

Este GT visa discutir o campo de relações entre Ética, Política e Religião em temas atuais como Terrorismo, Direito a Vida, Ética na Política e Fundamentalismo Religioso, bem como explicitar-lhes os pressupostos histórico-filosóficos.

Serão consideradas as seguintes propostas para seleção:

1. Trabalhos correlatos ao campo de discussão dos temas elencados

2. Trabalhos nos campos da Ética e Bioética

3. Trabalhos no campo da Filosofia Social e Política

4. Trabalhos no campo da Filosofia da Religião

RESUMOS

1. Contra a prostituição e etc...

Abrahão Costa Andrade (Prof. Dr. do Departamento de Filosofia-UFRN)

Seria lícito defender a prostituição? Poder-se-ia chamar “moral” a uma tal defesa? Sustentamos que é impossível conceber seja como moral, seja como ética a defesa da prostituição, e esta comunicação se empenhará em desenvolver os motivos desta recusa. A ética, porquanto seria uma aspiração de uma vida realizada (estima de si), com e para os outros (solicitude) em instituições justas (justiça), teria uma primazia sobre a moral, que seria apenas a elevação dos valores éticos à universalidade do discurso. Saber, nesses termos, se a prostituição é ou não moral implica, por um lado, em verificar se a máxima contida na sua ação pode ser elevada à lei universal e, por outro, saber se sua realização fere ou não algum dos valores estabelecidos como éticos: a estima de si, a solicitude e a justiça.

2. Especulação sobre contribuições talmúdicas e espinosanas sobre ética nietzscheana

Edrisi Fernandes (Prof. Ms. do Departamento de Filosofia-UFRN)

Para chegar à elaboração de sua filosofia “para além do bem e do mal”, Nietzsche quis retomar e retificar a sabedoria do profeta iraniano Zaratustra, a quem criticou como o primeiro propagador de um dualismo ético (fundamentador de uma moral) e, em seus desdobramentos, também epistêmico (de base moral), e metafísico (ontológico). Criticando desde sua raiz a crença de que a natureza básica do homem foi afetada pela “queda”, e de que somos todos, originalmente, pecadores, não é impossível que Nietzsche, ao buscar elementos culturais que lhe permitissem trazer à luz a genealogia do dualismo para poder neutralizá-lo ou superá-lo, haja tomado conhecimento das idéias talmúdicas acerca de uma inclinação ou pulsão humana mais primitiva, individualista, de sobrevivência, de perseverança e triunfo, dominação e controle, libido e aspiração à perpetuidade. Discutimos a semelhança dessas características com aquelas do conatus espinosano e da nietzscheana “vontade de poder”, discutindo uma possível linha de influências.

3. A noção de ser humano a partir de um discurso sobre o aborto e a eutanásia

Sérgio Eduardo Lima da Silva (Prof. Ms. do Departamento de Filosofia-UFRN)

Este trabalho é uma reflexão sobre a obra de Peter Singer “ Ética Prática”, enfocando o seu discurso sobre o aborto e a eutanásia e as conseqüências éticas do mesmo. Neste trabalho, a partir das teses estabelecidas pelo autor sobre a questão do significado de tirar a vida de alguém em certas circunstâncias, traçando desta forma os limites para a ação ética, pretende-se mostrar o que significa para Singer o conceito de vida humana. Suas controvertidas teses sobre aborto e eutanásia nos permite perceber, de forma nítida, como as noções de racionalidade, autonomia e consciência de si, permitem ao autor em questão construir uma noção de vida humana aos moldes utilitaristas, justificando desta forma polêmicas ações intervencionistas no campo das ciências biomédicas e das políticas sociais contemporâneas.

4. Higiene e bioética: o duplo aspecto do biopoder

Antonio Basílio Novaes Thomaz de Menezes (Prof. Dr. do Departamento de Filosofia-UFRN)

Proposta de uma “anatomia dos saberes biomédicos” trata dos aspectos sócio-políticos que envolvem a formação destes saberes no século XX. Considera especificamente os campos da Higiene e da Bioética nos diferentes âmbitos da épistèmé, na qual se encontra a base das suas formações discursivas, e dos seus respectivos quadros de configuração histórica, que lhes consubstanciam uma certa correlação de forças. Analisa a Higiene e a Bioética a partir da ótica das relações de poder, inerentes as práticas e ao contexto normativo da sociedade. Utiliza-se da noção foucaultiana de biopoder (Foucault, 1975) como instrumental de problematização das mesmas no âmbito das relações sociais e da produção dos saberes, procurando estabelecer dentro desta perspectiva a dinâmica das relações de poder.

5. Ludwig Feuerbach e os fundamentos da linguagem religiosa

Sérgio Eduardo Lima da Silva (Prof. Ms. do Departamento de Filosofia-UFRN)

Este trabalho é uma reflexão sobre a obra de Feuerbach “ A essência do Cristianismo”, enfocando a raiz antropomórfica do discurso religioso. Tal trabalho pretende explicitar a tese do autor de que o sentimento religioso exprime, na forma da devoção mística ou do discurso teológico, um fundamento essencialmente humano. Este fundamento, que Feuerbach considera a essência do homem em geral e que se manifesta na forma do pensamento, vontade e sentimento, torna-se o elemento indispensável para a compreensão da gênese da religiosidade em geral, e de forma explícita do cristianismo, considerado um momento peculiar desta religiosidade. Conhecer os dogmas do cristianismo ou mesmo o próprio sentimento cristão é conhecer ou reconhecer o próprio homem, cuja essência encontra-se transposta e representada na figura do divino, nas representações do dogma ou no mais puro sentimento religioso.

6. Marx e o problema da emancipação humana

Rainer Patriota (Prof. Ms. do Departamento de Filosofia-UFRN)

O objetivo desta exposição é elucidar sumariamente algum dos pontos nodais inerentes ao conceito de emancipação humana plasmado por Karl Marx. Dito mais claramente, o que se pretende é articular de forma genérica e introdutória o complexo de problemas que instaura e fundamenta a filosofia de Marx enquanto ontologia do ser ativo. De fato, o problema da emancipação, em Marx, implica na determinação da lógica que rege o processo de auto-constituição do homem, processo cuja base estrutural, segundo o pensador alemão, emerge historicamente das relações materiais de produção social, engendrando um movimento de afirmação e desdobramento das potencialidades humanas em sua totalidade prática e teórica. A superação dos entraves antepostos pela ordenação econômica do capital a este desenvolvimento – a abolição das relações capitalistas, radicadas na propriedade privada dos meios de produção e na primazia do trabalho abstrato, e a conseqüente inauguração de uma organização material de produtores livremente associados, orientados para a produção racionalizada de valores de uso – é então posta como condição primordial e resolutiva para a emancipação do gênero humano, encontrando aí o seu real significado.

7. Ricoeur e a autonomia do político

Autor:

Marco Aurélio de M. Jordão

Orientador:

Abrahão Costa Andrade (Prof. Dr. do Departamento de Filosofia-UFRN)

Tomarei como base desse trabalho o texto “Paradoxo Político” do filósofo francês Paul Ricoeur. A proposta central é tentar entender a autonomia do político em relação ao econômico. Para isso Ricoeur empreende uma reflexão em duas linhas: um estudo em Aristóteles, com quem retoma o conceito do político como meta (telos) em direção ao Bem e a felicidade comum; e em seguida um estudo em Rousseau, cuja proposta de um “contrato social” faz transparecer a vontade geral. Assim, logo veremos que ambos, segundo Ricoeur, defendem o mesmo, a saber: Um Estado que se funda num “pacto” e visa o Bem comum. Trata-se de uma análise do conceito de Estado em um nível segundo o qual compreendemos o que ele seja, não de fato, mas de direito.

8. Teologia, a metafísica newtoniana

Autor:

Renato de Medeiros Jota

Orientador:

Sérgio Eduardo (Prof. Ms. do Departamento de Filosofia-UFRN)

As mudanças no século XVII em torno das ciências naturais contribuíram para o avanço das ciências como conhecemos hoje. Buscaremos identificar a influência teológica na revolução Newtoniana nas descobertas de sua obra, geralmente associada aos métodos experimentais por ele inaugurado, visando apenas a parte conhecida do pesquisador da física natural, esquecendo-se de um outro Newton oculto e desconhecido da maioria do público, o Newton teólogo, pesquisador de uma metafísica. Este Newton aos poucos vem sendo descoberto, revelando uma visão característica sua, de Deus e da trindade, demonstrando o pesquisador tão compenetrado das escrituras sagradas, quanto o do físico articulado e experimental da óptica e dos principia. Este trabalho tem como objetivo investigar as influências dos estudos teológicos sobre o pensamento de Newton em suas obras cientificas. Demonstrando a presença de uma metafísica na justificação do porquê de seus estudos e o motivo principal deste se aprofundar na física natural e justifica-la, ela a metafísica, por meio de suas descobertas.

 


GT-06: PRÁTICAS CULTURAIS E COTIDIANO: EXPERIÊNCIA E TRANSMISSÃO DO SABER POPULAR

Coordenadores:

Prof. Dr. Luiz Carvalho Assunção (Departamento de Antropologia)

E-mail: lassuncao@ufrnet.br

Profª Drª Maria de Lourdes Patrini (Departamento de Letras)

E-mail: mpatrini@digi.com.br

Local/horário: Auditório da Biblioteca Central Zila Mamede, 120 lugares, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

O GT procura apresentar informações sobre pesquisas concluídas ou em andamento, objetivando realizar uma reflexão sobre as diferentes práticas culturais populares (manifestações artísticas, literatura, narrativas, religiosidade) e sua inserção no cotidiano; as formas de produção dessas práticas e os meios de transmissão/circulação desse saber social historicamente construído.

RESUMOS

1. O Popular no Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral – Um Estudo Sobre as Eleições Para o Governo do Rio Grande do Norte em 2002

Gustavo César de Macêdo Ribeiro (Graduando em Ciências Sociais-UFRN)

Quando se fala em “povo”, no Brasil, a quem está se referindo? Historicamente, a evocação  discursiva  desta figura abstrata se prestou a vários propósitos, sejam religiosos, científicos, ideológicos e, sobretudo, políticos. Neste último tipo, está presente tanto na fala da esquerda, onde “povo” é figura virtuosa, mas, também, a massa a ser doutrinada – oposto da vanguarda – das vertentes leninistas, como nas estratégias de dominação das classes dominantes, onde é parte do “Ser Nacional” – figura unificadora que se sobrepõe aos conflitos mesmos da sociedade brasileira. No Brasil contemporâneo, onde os processos políticos passam por mudanças estruturais, a modalidade midiática das disputas eleitorais torna-se, além de elemento fundamental na decisão de pleitos, objeto privilegiado na apreensão de alguns elementos de sua cultura política. Sendo assim, através de um estudo de caso em particular – o do Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE), mais especificamente, dos programas eleitorais televisivos das quatro principais coligações postulantes ao governo do estado do Rio Grande do Norte em 2002 –, objetiva-se compreender, fazendo uso da metodologia da análise de conteúdo, como o discurso sobre “povo” materializa-se na fala de atores políticos. O presente trabalho visa colocar em pauta algumas das questões teórico-metodológicas fundamentais para o encaminhamento do referido estudo de caso (que ainda encontra-se em suas fases preliminares).

2. Medicina popular: O tradicional face ao moderno

Francisca de Paula de Oliveira (Mestranda pelo PPG em Ciências Sociais-UFRN e membro da Base de Pesquisa Cultura Popular)

Este trabalho trata das relações entre a medicina científica e a medicina popular a partir de dados levantados em pesquisa empírica realizada com produtores de medicamentos artesanais no município de Natal. A pesquisa chama atenção para a existência de uma identidade cultural marcada por um saber oriundo das práticas da medicina popular. Observou-se, ainda, que a medicina científica ao mesmo tempo em que se apropria dos conhecimentos da medicina popular, ela a despreza. Procurou-se, portanto, compreender porque os práticos da medicina científica expressam, através dos seus discursos, mecanismos de poder sobre os práticos da medicina popular. A metodologia utilizada prioriza entrevista, aplicação de questionários com os mangaeiros que desenvolvem atividades com plantas medicinais nas feiras livres do referido município. Para melhor abordar as questões relacionadas a medicina popular, utilizamos as reflexões de teóricos como : Antonio Augusto Arantes, Alceu Maynard Araújo, Eduardo Campos e Maria Andréia Loyola, entre outros, que analisam essa temática sob diferentes ângulos.

3. Rezadeira : o prestígio social na comunidade

Francimário Vito dos Santos (Graduando em Ciências Sociais-UFRN e membro da Base de Pesquisa Cultura Popular)

O presente trabalho abordará um aspecto da prática da benzenção observado em uma determinada rezadeira no município de Cruzeta/RN. Dentre as múltiplas opções de reflexões escolheu-se retratar o reconhecimento social alcançado por esta agente de cura na comunidade. Com isso, objetivamos mostrar como este fenômeno social é construído, tomando como referência o universo simbólico da reza, mais especificamente, da rezadeira Barica.

4. Novas configurações nas práticas das rezadeiras

Bruna Thayse Queiroz de Melo (Graduanda em Ciências Sociais-UFRN e membro da Base de Pesquisa Cultura Popular)

A proposta deste trabalho é compreender as práticas de reza e cura das rezadeiras, relacionadas com o universos religioso do qual elas participam. Associadas inicialmente ao catolicismo popular camponês, as rezadeiras são, geralmente, procuradas para rezar sobre doentes de males espirituais, em especial o quebranto ou mau-lhado. Elas são também consideradas especialistas em certas doenças tradicionais, como espinhela caída, cobreiro, ventre virado (diarréia), e coqueluche. Um aspecto que nos chamou atenção e que se refere às práticas das rezadeiras, foi a existência de algumas transformações. Segundo alguns estudos, a discriminação sofrida por elas tem impulsionado essas mudanças. Atuando no meio urbano, diante de uma efervescência religiosa de grandes dimensões e sofrendo discriminação, as rezadeiras, antes ligadas ao catolicismo popular, são levadas, muitas vezes a abandonarem suas práticas ou o que é mais comum, a se adequarem a um novo contexto religioso. Ao perceber essas mudanças, propomos um trabalho de pesquisa que procurou seguir o percurso de três rezadeiras, pertencentes a diferentes religiões, com o intuito de captar as representações de cada uma delas sobre suas práticas e compreender como se dá essa interação entre religião institucionalizada e religiosidade popular.

5. O culto da jurema : a tradição dos mestres juremeiros na umbanda de Alhandra/PB

Sandro Guimarães de Salles (Mestrando em Ciências Sociais-UFRN e membro da Base de Pesquisa Cultura Popular)

A jurema, também denominada catimbó, consiste em um fenômeno religioso com origem nos índios do Nordeste Oriental. Hoje, a comunidade de juremeiros em Alhandra, apesar de contar com alguns mestres tradicionais, é composta basicamente por mestres ligados à umbanda. O culto tradicional, por sua vez, que prevaleceu na região até meados da década de 1970, encontra-se praticamente extinto. Situação que pode ser explicada pelo desencadeamento do processo de urbanização da região e, sonsequüentemente, pelas mudanças estruturais e institucionais nela ocorridas. A umbanda, no entanto, bem se adaptou a essas mudanças, se configurando nas últimas décadas como um novo valor dominantee na escala axiológica da comunidade de juremeiros. Alhandra, considerada o ‘berço da jurema’, é a refência maior do culto em toda a Paraíba. Tal fato deve-se, mormente, ao Pajé Inácio Gonçalves de Barros e seus descendentes. Desta tradicional família destaca-se Maria do Acais, mestra falecida na década de 1930, cujo prestígio ultrapassou as fronteiras do Estado. Esse culto praticado no contexto da umbanda tem sido submetido, em grande parte, a um processo de reinterpretação mitológica e ritual. Diante deste contexto de transformação e reelaboração o presente trabalho tem por objetivo perceber como a jurema, advinda de Maria do Acais e dos demais mestres tradicionais, se localiza no universo da umbanda em Alhandra.

6. Xirê : a dança dos caboclos

Rafaela Meneses Ramos (Graduanda em Ciências Sociais-UFRN e membro da Base de Pesquisa Cultura Popular)

Nas festas e toques semanais que acontecem nos terreiros de umbanda de Natal, a dança ou o ‘bailado’ das divindades tem um caráter especial. Dançar reflete não apenas uma beleza estética, mas também comunica a passagem para um instante maior; a leveza ou a firmeza dos movimentos transporta espiritualmente os que dançam e os que assistem ao ritual. Neste sentido, percebemos na dança do caboclos uma prática repleta de significados, que reflete além dos sentimentos individuais, as representações coletivas existentes acerca dessas divindades. Este estudo segue dois eixos de pensamento, indissociáveis: o primeiro, diz respeito à relação entre fiel e divindade, buscando compreender através da dança pessoal dos médiuns qual o sentido desta prática vivida por eles; o segundo, trata a dança como comunicação externa, refletindo sobre o que se pode apreender do simbolismo presente nos movimentos corporais dos filhos de santo. A partir disto, seria possível perceber as concepções simbólicas que tecem a rede cultural do grupo religioso em questão.

7. A leitura e a cultura no universo dos sem terrinhas

Isabela Freitas de Oliveira (Mestranda em Literatura Comparada pelo PPG em Estudos da Linguagem-UFRN e membro da Base de Pesquisa Cultura Popular)

Orientadora: Profª Drª Maria de Lourdes Patrini (Departamento de Letras)

Sabemos que as práticas escriturais têm transformado os sistemas de percepção do mundo, as relações sociais e de dominação. Elas têm permitido a constituição de um saber separado da prática, mas a presença da arte de contar histórias em sala de aula parece importante, a medida que, através da oralidade, possibilita, neste mundo moderno de vozes e escritas solitárias, a presença de um repertório cultural quase esquecido pela instituição escolar e pela sociedade. A existência de pesquisas a respeito da transmissão de histórias e do resgate da cultura popular é considerada uma atitude de grande valor, uma vez que, sendo perceptível a degeneração dos costumes, da cultura milenar, o resgate da tradição trará de volta a grande sabedoria das gerações passadas. É embasada nesse pensamento que pesquisarei a maneira como é trabalhada a oralidade e a transmissão/recepção do patrimônio literário e cultural, do qual fazem parte as narrativas, no ensino das escolas do MST, buscando constatar se há ou não a presença das práticas orais, quem são esses agentes da voz, quais os seus objetivos com essa prática e, ainda, embasada na teoria de Zumthor, saber de que forma realizam a prática, ou seja, a performance dos contadores.

8. A memória da infância em Clarice Lispector

Mona Lisa Bezerra Teixeira (Doutoranda em Literatura Comparada pelo PPG em Estudos da Linguagem-UFRN)

Orientadora: Profª Drª Maria de Lourdes Patrini (Departamento de Letras)

A produção literária de Clarice Lispector tem merecido há muitos anos lugar de destaque no universo dos estudos literários. Apesar disso, seus livros escritos para crianças, até o momento, na grande maioria dos estudos são enfocados por uma visão pedagógica, de aplicação de leitura em sala de aula, como mais um instrumento de aprendizagem ou socialização na escola. O aspecto literário dessas obras fica relegado a segundo plano, como se fosse uma literatura que não tivesse a mesma importância da sua produção de romances, contos e crônicas. Bachelard afirma em A poética do devaneio: "A memória é um campo de ruínas psicológicas, um amontoado de recordações. Toda a nossa infância está por ser reimaginada. Ao reimaginá-la, temos a possibilidade de reencontrá-la na própria vida dos nossos devaneios de criança solitária". Para o filósofo, na alma humana sempre permanece um núcleo da infância. Esta infância está imóvel, mas é viva, embora oculta para o adulto.Um outro aspecto que este trabalho pretende evidenciar é que Clarice Lispector também se liberta da memória historiadora, que impõe privilégios ideativos, como adverte o filósofo ao lembrar que a memória deve penetrar profundamente nos sítios da lembrança, ultrapassando a situação de rememoração cronológica dos acontecimentos, para tornar evidente a infância que permanece em nós como um princípio da vida nas suas mais diversas manifestações.

9. Cadernetas pretas de Guimarães Rosa

Maria Aparecida de Medeiros (Mestranda em Literatura Comparada pelo PPG em Estudos da Linguagem-UFRN)

Orientadora: Profª Drª Maria de Lourdes Patrini (Departamento de Letras)

Neste trabalho aborda-se sobre as cadernetas pretas, de Guimarães Rosa e sua importância para o fazer literário com o intuito de acompanhar o processo de criação do autor numa determinada obra, especialmente em “Tutaméia” e ter a oportunidade de conhecer aspectos peculiares da Poética rosiana ainda desconhecidos do público. De acordo com esse trabalho que se intenciona fazer sobre as cadernetas pretas, pretende-se ir a São Paulo e fazer uma pesquisa detalhada, já que é essencial para a descrição e análise dos processos criativos rosianos, pois entre o documento e a ficção, no entanto, se interpõe a figura do poeta, que transfigura essas imagens e institui o sertão como um espaço matricial, onde se cruzam particular e universal, real e mítico, fala e escritura. O arquivo pessoal de Guimarães Rosa que está no IEB/USP, possui um rico acervo como: seus documentos, correspondências, matérias extraídas de periódicos, documentos pessoais, manuscritos de obras publicadas, rascunhos e anotações. Integram o “arquivo” documentos que registram seu meticuloso trabalho de criação literária. As cadernetas pretas, fazem parte da série Manuscrito e trazem anotações sobre as viagens a Itália e sertão do Brasil. O arquivo divide-se em duas grandes séries: Vida e obra. A série obra, conta com algumas subséries: Recordes de periódicos sobre Guimarães Rosa, Originais e Estudo para a obra. Uma das subséries mais importantes para a investigação dos processos de elaboração do texto é constituída pelos Estudos para a obra e alguns textos do autor ajuda a perceber que, se a paixão do registro em Guimarães Rosa visa a elaboração artística, tal objetivo se efetiva: boa porção dos documentos é recriada na obra.

10. As estórias que o povo conta como forma de representação do imaginário popular

João Batista Cortez (Professor do Depto. de educação-UFRN)

Analisa inicialmente as estórias contadas através do anedotário popular acerca de figuras que povoaram o imaginário de crianças, adolescentes, e até mesmo dos adultos. Eram estórias vividas e convividas por todos. Nesse sentido, vale a indagação: Quem não viveu essa realidade de ilusão, quem não teve medo de ser engolido pelo lobisomem, pelo papa-figo ? Quantas vezes não nos sentamos na calçada para ouvirmos esses relatos ? Tudo parecia tão real, que nos fazia sonhar com essas personagens fantasmagóricas. A escola, tornava-se o local indicado para reproduzirmos o ilusório, qua aos poucos, se consolidava em nosas imaginações. Tanto é verdade que, muitos de nós, crescemos com medo de sermos pegos por esses seres lendários tão fortemente alicerçado na nossa subjetividade e cristalizado nas nossas mentes. Ao cair da tarde, quando voltávamos da escola ou dos passeios pela cidade, o temor nos acompanhava, principalmente, quando tínhamos que passar por determinados lugares. Essas estórias surgiram do senso comum, mas todos ouviam antentamente e pareciam temer essa ‘’realidade’’ que habitava, gradativamente, os recônditos escuros da própria memória. A Viúva Machado, causou às crianças e aos adultos muito pavor. Fez-nos temer as noites potiguares. Povou de mistérios as ruas das cidades norte-rio-grandense. Falar desse tema é voltar no tempo para relembrar esses fatos e tantos outros que passam pela própria cultura do povo.

11. Lourival Cavalcanti: O mestre e a banda

Paulo Marcelo Marcelino Cardôso (Mestrando pelo PPG em Ciências Sociais-UFRN e membro da Base de Pesquisa Cultura Popular)

No Estado do Rio Grande do Norte desenvolveu-se ao longo dos anos uma rica tradição de Bandas de Música. Uma das mais antigas de que se tem registro é aquela do município de Jardim do Seridó (1859). A banda de música tem participado diretamente do cotidiano das cidades, seja em cerimônias de cunho sacro ou em eventos profanos. Ela também tem desempenhado um papel educativo de relevância, tanto no que diz respeito a instrução musical de seus componentes, que são em sua maioria jovens aspirantes a carreira de músico, bem como, em um sentido mais genérico, no que diz respeito a disciplina e cidadania. É neste processo que se destaca a figura do Mestre de Banda como um personagem fundamental na existência desta manifestação artística na região. Um representante desta tradição é o Mestre Lourival Cavalcanti (1915). Embora tenha nascido em Uiraúna-PB, passou a maior parte de sua vida no RN, onde teve uma intensa vida musical dirigindo bandas de música e compondo a maioria de suas obras. Nosso objetivo é apresentar alguns dados sobre a pesquisa em andamento, acerca da vida e obra deste Mestre, privilegiando a sua praxis artística. Pretendemos, ainda, a partir da história-de-vida do Mestre Lourival Cavalcanti, realizar uma análise das relações que se travam no universo das bandas de música, percebendo como interagem seus atores e o significado das mesmas na região em que se inserem.

12. Dos rincões da memória à escritura a quatro mãos

Márcio Alves de Medeiros (Mestrando em Literatura Comparada pelo PPG em Estudos da Linguagem-UFRN e membro da Base de Pesquisa Cultura Popular)

Orientadora: Profª Drª Maria de Lourdes Patrini (Departamento de Letras)

Em pleno reinado absolutista de Luís XIV, um dos políticos mais influentes da corte publica uma coletânea de oito histórias populares, sem imaginar a repercussão que ela teria na época e nos séculos posteriores. Estamos falando de Charles Perrault, um poeta da Academia Francesa que, mesmo sem o nome grafado na capa da coletânea, adquiriu a paternidade oficial destas histórias. O objetivo deste trabalho é mostrar o percurso que as narrativas de Perrault empreenderam desde seu conhecimento inicial até sua presença em versões escritas no Brasil, especificamente entre as décadas de 70 e 80, do século passado. A oralidade e a escritura serão, nesta perspectiva, protagonistas da problemática que vincula o autor, a obra e o leitor no desvelamento dos significados destes clássicos da literatura universal. No Brasil, poucos são os estudos sobre os contos de Perrault, que tanto se destacam entre versões de contos folclóricos, além disso, poucas são as versões completas e integrais da versão francesa escrita pelo acadêmico do século XVII.

13. A personagem no teatro de mamulengos: Baltazar

Ricardo Elias Ieker Canella (Mestrando pelo PPG em Ciências Sociais-UFRN e membro da Base de Pesquisa Cultura Popular)

Essa comunicação tem por objetivo mostrar como se dá a construção das personagens no teatro de mamulengos, especificamente da personagem Baltazar. A pesquisa faz parte da dissertação Representação Social na Cultura Popular: os mamulengos de Chico Danial. O mamulengo, calunga ou brinquedo de João Redondo é um tipo especial de teatro de bonecos enraizado de modo profundo nas tradições populares do Nordeste. A hipótese de trabalho é de que a construção das personagens se dá através das representações construídas e instituídas nas personas dentro do universo cotidiano. Parte-se, portanto, do pressuposto que o universo dessa manifestação, através das personas dos bonecos, representam os diferentes papéis vivenciados, por cada indivíduo no contexto social. A investigação acerca dessa persona – Baltazar – procurará evidenciar a sua trajetória e, observar os elementos mais significativos em sua constituição e contidos na sua representação.

14. A capoeira e seus mestres: gingando entre a tradição e a profissionalização

Ilnete Porpino de Paiva (Doutoranda pelo PPG em Ciências Sociais-UFRN e membro da Base de Pesquisa Cultura Popular)

Nos últimos anos a capoeira tem estado presente, de maneira significativa, na produção intelectual brasileira, na condição de objeto de análise. A diversificada literatura é resultante das várias facetas que compõem a singularidade desta prática cultural que se inscreve na cultura brasileira há mais de quatro séculos.  Nas últimas décadas, a capoeira passou por grandes deslocamentos sócio-culturais, resultado do seu processo de institucionalização como esporte nacional. Das ruas para academias, escolas, universidades.  De um discurso centrado na negatividade para um outro, centrado na positividade – deixa de ser estigmatizada, vista como coisa de malandro, de negro, para ser reconhecida pela sociedade. Antes praticada pelas classes populares vem se somar a esta, as classes média e alta.  De um espaço masculino, para um espaço comum aos dois gêneros. Restrita a poucos estados - Bahia, Rio de Janeiro, Pernambuco - passa a ser amplamente praticada em todo o país.   Do ensino voltado apenas para a formação de novos capoeiristas, para atuação com fins terapêuticos, recreativos, educativos, e de integração social.  Dos ensinamentos dados através da formação oral, tradicional, para a sua profissionalização; exigindo do mestre, escolaridade e titulação formal. A presente comunicação objetiva apontar algumas considerações iniciais da pesquisa.

15. Para onde vai o Boi?

Ana Claudia Mafra da Fonseca (Doutoranda pelo PPG em Letras-UFPB e membro do Laboratório de Estudos da Oralidade)

Tomando como referência as relações entre memória, identidade e patrimônio, com este trabalho pretendo refletir sobre a trajetória de uma manifestação cultural popular presente no município de Nísia Floresta (RN), o Boi-de-Reis, a partir de relatos de seus mestres e brincantes. Assim, tentarei analisar um conjunto de narrativas capazes de expressar traços socioculturais de uma comunidade em meio a um sistema conflituoso de forças de produção que nela interagem, de forma que em determinados momentos, a tensão entre passado e presente, é identificada com a tensão entre dois tempos não apenas históricos, mas, sobretudo, culturais. Meu objetivo é identificar os caminhos e destinos das manifestações culturais populares (o boi-de-reis, as festas de setembro, as charangas, o pastoril e o bambelô) e seu papel nas sociedades em transição.

16. As religiões afro-brasileiras em Natal: práticas e concepções

Vera Lúcia Azevedo (Graduanda em Ciências Sociais-UFRN e membro da Base de Pesquisa Cultura Popular)

Nossa proposta é apresentar alguns dados da pesquisa em andamento, cujo projeto denomina-se “Umbanda e Sociedade: um estudo sobre práticas, representações e identidades” e tem como objetivo fazer um mapeamento do campo religioso afro-brasileiro em Natal. O mapeamento realizado apresenta como destaque um crescimento no número de casas religiosas na zona norte da cidade, acompanhando o processo de expansão da cidade naquela região, ocorrido nas ultimas décadas. A pesquisa, tem procurado ainda, conhecer a prática religiosa através da observação de alguns rituais e realizar entrevistas com os religiosos mais antigos, buscando compreender o processo de construção histórica da umbanda na cidade e a inserção dos umbandistas nesse processo.

17. Contadores de história no espaço escolar: oralidade e performance

Gianka Salustiano Bezerril (Mestranda em Lingüística Aplicada-UFRN)

Orientadora: Profª. Dr.ª Maria de Lourdes Patrini (Departamento de Letras)

Este trabalho, parte integrante da minha dissertação de mestrado, constitui-se numa investigação sobre a performance do contador de histórias no espaço escolar privado, tendo como referencial teórico-metodológico Paul Zumthor e Jean-Claude Kaufamann, entre outros.  A análise da performance dos participantes investigados, professoras/contadoras, foram feitas a partir da observação in loco, das entrevistas coletadas e das sessões de conto registradas, em áudio e vídeo. Designada como termo antropológico, relativo às condições de transmissão e recepção e como ato de comunicação, conforme Zumthor (1993, p. 227),  a performance abarcaria cinco momentos distintos: formação ou produção, transmissão, recepção, conservação e reiteração, tendo como base a palavra viva ou escrita. Muito embora, tenhamos necessidade de percorrer os cincos momentos, deter-nos-emos na transmissão e recepção presentes na prática social do contar, observando o ato de ouvir e contar histórias no espaço escolar.

 


GT-07: REFLEXÕES DIDÁTICAS EM AULAS DE DIDÁTICA

Coordenadora:

Profª. Drª. Marineide Furtado Campos (CCHLA e Departamento de Educação)

E-mail: mafurca@bol.com.br

Local/horário: Sala C3, Setor de aulas II, 53 lugares, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

O GT visa discutir aspectos norteadores da didática como disciplina do currículo das licenciaturas e o seu aprofundamento na didática de sala de aula, o que supõe diretrizes para um novo fazer-pedagógico no processo de ensinar a aprender.

Serão consideradas propostas de trabalho que discutem:

1. A educação como participação

2. Novas práticas pedagógicas de avaliação

3. O ensino-aprendizagem em didática

4. Objetivos da didática - Educação

5. Retrospectiva histórica

6. O ofício de ensinar

7. A construção da didática

8. A interdisciplianridade

9. Sala de aula

10. Gestão escolar

11. Outros temas correlatos.

RESUMOS

1. Educação, estado e sociedade

Autor:

Denes Dantas Vieira (Aluno de Geografia-UFRN)

Orientadora:

Profa. Dra. Marineide Furtado Campos (Departamento de Educação-UFRN)

Os estudos na área da educação estão sempre agrupados em torno da sala de aula, e em tudo que é inerente ao universo do espaço escolar, como se a escola fosse separada das outras categorias sociais e indiferentes a problemática produzida em sociedade. Fazendo com que, dessa forma, os estudos da didática adquirissem uma conotação reducionista em seus procedimentos metodológicos. Em um sentido, contrário as análises tradicionais, a sociologia da Educação nas ultimas décadas vem trabalhado e desenvolvendo estudos na perspectiva de compreender o papel da educação, através da constituição do Estado capitalista em uma sociedade complexa e difusa, não mais funcionalista. Nesta reflexão, este trabalho procura realizar uma análise inicial, na perspectiva teórica de entender o papel da Educação na relação Estada e Sociedade.

2. Projeto Político Pedagógico da Escola: Um Projeto Democrático

Autor:

Gilvan Galdino de Sousa Júnior – Graduando em Geografia/UFRN

Orientadora:

Profa. Dra. Marineide Furtado Campos (Departamento de Educação-UFRN)

Uma sociedade participativa precisa de princípios que venham reger seu funcionamento. Na devida proporção, para que se possa promover a construção do projeto político pedagógico de uma escola, é necessário também passar pela autonomia – que se insere no princípio Constitucional de Liberdade, da capacidade de erigir e definir a própria identidade da escola, pois ela é o ambiente onde o projeto educativo é concebido, realizado, avaliado e também organizado com base em seus alunos e isto se traduz no ato de “resgatar a escola como espaço público, lugar de debate, do diálogo, fundado na reflexão coletiva”.

3. Escola: lugar de interação

Autor:

Adriana Diniz (Graduanda em Pedagogia-UFRN)

Orientadora:

Profa. Dra. Marineide Furtado Campos (Departamento de Educação-UFRN)

Este trabalho tem como objetivo principal mostrar a importância da interação na escola e de novas metodologias de ensino, onde o professor deve ser um agente facilitador do conhecimento, e não apenas um ditador de teorias, frente à realidade do aluno.

4. Novos olhares, novas questões: concepções e caracterizações das “histórias” dos livros didáticos

Autoras:

Olívia Morais de Medeiros Neta (Graduanda em História-CERES-UFRN)

Maria Izabelle Gomes de Macedo (Graduanda em História-CERES-UFRN)

Orientador:

Prof. Dr. Iranilson Buriti de Oliveira (CERES-UFRN)

Trabalho resultante de pesquisa empreendida na disciplina História do Brasil II, que visibiliza reflexões didáticas a partir de análises historiográficas de três livros didáticos de História do Brasil das décadas de 70, 80 e 90; temporalidade que apresenta extremos idos da “repressão e apatia” à “redemocratização e agitações”, fazendo elencar questões do ensino de história enquanto sistema suportado pela tríade: currículos, autores e obras, permeado por interesses e orientações. Partindo de olhares quanto às estruturas, metodologias e pressupostos teóricos os livros didáticos de história são relacionados a contextos histórico-educacionais, para tal, especificamente, visibilizamos “O Golpe de 1937” e suas concepções didáticas, teóricas e conceituais inseridas do processo ensino-aprendizagem. A análise historiográfica destaca currículos, autores e obras e seus contextos históricos refletidos na educação e suas abordagens, seus olhares fazem do ensino de história fruto de um caminho contextual. Passear pela produção didática nos permitiu vislumbrar anseios dos autores e destacar reforço e entrelaçamento da tríade currículos/autores/obras suportados pelo contexto histórico e seu mercado.

5. A relação aluno-professor e a sociedade

Autora:

Laura Alaíde Braga Ciarlini – Graduanda de História/UFRN

Orientadora

Profa. Dra. Marineide Furtado Campos (Departamento de Educação-UFRN)

Falar da relação professor-aluno-sociedade é falar da responsabilidade na prática educativa, tratando o aluno como um ser social, que desde a Idade Média, com a introdução de novas disciplinas e métodos, vem sendo levado a pensar e a refletir sobre aquilo que aprende e produz em interação com o outro, o que pressupõe um processo dinâmico para a construção de novos saberes.

6. Didática: uma retrospectiva histórica

Autora:

Arlisson Dutra da Silva (Graduanda em Geografia-UFRN)

Orientadora

Profa. Dra. Marineide Furtado Campos (Departamento de Educação-UFRN)

A história da didática no Brasil é tão acidentada quanto à história do nosso país. Conclusão que chegamos, observando a sua trajetória desde a chegada dos jesuítas até hoje. Os avanços e retrocessos de sua história formam ciclos que impedem até os mais preparados a fazer previsões seguras do seu destino, mesmo em curto prazo, mas abre-se um grande diálogo para refleti-la e repensa-la no nosso fazer-pedagógico.

7. Homem: Animal bio-sócio-cultural

Autora:

Ana Capitulina Teixeira Albuquerque (Graduanda em Ciências Sociais-UFRN)

Orientadora

Profa. Dra. Marineide Furtado Campos (Departamento de Educação-UFRN)

O objetivo básico e prioritário da socialização dos alunos é prepará-los para sua incorporação no mundo do trabalho. Aí é onde está a necessidade da simultaneidade para evitar os distanciamento entre natureza e cultura, mais através da educação, buscar o equilíbrio entre o que é natural e o que é cultural, tendo sempre a necessidade de possuir a loucura de viver, buscando ser penetrado pelos elementos sensoriais e físicos, na busca do “ser completo” ao ponto de se tornar ele mesmo um bocado do meio ambiente, sendo portanto, um ser bio-socio-cultural.

8. A importância da didática na educação

Aluna:

Leda Feitosa (Graduanda em Ciências Sociais-UFRN)

Orientadora

Profa. Dra. Marineide Furtado Campos (Departamento de Educação-UFRN)

É através do desenvolvimento da didática que podemos perceber que ela busca uma melhor adaptação ao ensino, integrar às relações: educação – sociedade, finalidade – objetivo, teoria – prática, ensino – aprendizagem, ensino – pesquisa, conteúdo – forma, professor – aluno. Ou seja, a didática tenta se adequar à realidade para poder melhor desenvolver seu objetivo - ensinar e dirigir a aprendizagem.

9. “Di-ta-dica”

Autor:

Gláucio Paiva Ramos (Graduando de Filosofia-UFRN)

Orientadora:

Marineide Furtado Campos (Profa. Dra. do Departamento de Educação-UFRN)

Dado o sucateamento do ensino brasileiro, principalmente o ensino público, a revitalização do mesmo passa pela didática, que não apenas deve orientar a seleção e organização dos conteúdos como também oferecer práticas minimizadoras de conflitos, devido o contexto histórico-atual do país.

10. Motivação ou motivos-são: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.”

Autor:

Gleydson Dantas (Graduando em História-UFRN)

Orientadora

Profa. Dra. Marineide Furtado Campos (Departamento de Educação-UFRN)

Debates a respeito do exercício da docência são feitos a cada geração de professores, em formação ou já formados, buscando os motivos da não-aprendizagem. No entanto, é preciso pensar na motivação para uma Aprendizagem significativa, pois, “Quem sabe faz a hora não espera acontecer”.

11. A Didática de línguas estrangeiras e o desenvolvimento da consciência cultural

Maria Amélia Carvalho Bezerra (UFRN)

Marcos Antonio de Carvalho Lopes (UFRN)

A sociedade contemporânea passa por profundas transformações que podem ser detectadas pela economia e pela mídia globalizada, como também pela mundialização da cultura. Os pensamentos científico e filosófico convergem para a necessidade de profundas mudanças em nossa civilização, novos olhares sobre si e sobre a sociedade, a renovação das próprias representações sobre a cultura. Nesse contexto, o ensino/aprendizagem das línguas estrangeiras necessita refletir continuamente sobre novas perspectivas e objetivos para o tratamento da civilização e cultura, no que diz respeito à formação do indivíduo, sob um novo paradigma que envolve a sociedade ocidental. O desenvolvimento de uma consciência cultural pelo ensino/aprendizagem da língua estrangeira se insere, então, numa proposta educativa que possa conduzir o aluno para uma reforma nas estruturas do pensamento, possibilitando uma visão não fragmentada do mundo. Procurando associar o pensamento educativo ao pensamento científico e filosófico, serão apresentados neste Grupo de Trabalho algumas reflexões sobre o desenvolvimento de uma consciência cultural no âmbito do ensino/aprendizagem das línguas estrangeiras, de acordo com as visões de um novo paradigma na sociedade – a visão de interdependência entre todos os fenômenos da vida.

12. Da ação didática em sala de aula à busca da parceria na docência do ensino superior

Marineide Furtado Campos (Profa. Dra. do Departamento de Educação-UFRN)

A questão da parceria é muito importante para a superação das dificuldades de aplicação didática dos conteúdos a serem trabalhados em sala de aula de didática, porque construir junto é muito mais motivador, e respeitar as diferenças já é um grande passo para que haja a assimilação dos conhecimentos, a descoberta de habilidades, mudanças de atitudes e a convicção de onde se quer chegar na docência do ensino superior.

13. Ensino e aprendizagem na disciplina de didática

Autor:

João Maria Ferreira (Geografia-UFRN)

Orientadora

Profa. Dra. Marineide Furtado Campos (Departamento de Educação-UFRN)

Considerando o processo de ensino, segundo Veiga (1995:82), como sendo as atividades voltadas para a apropriação e produção de conhecimentos, visando o desenvolvimento de habilidades intelectuais e psicomotoras, bem como a formação de atitudes comprometidas com a compreensão da realidade, podemos afirmar que este processo pode ser desenvolvido no espaço da sala aula de didática como palco de grandes discussões e debates no campo da educação.

14. Por uma Didática Interdisciplinar

Autor:

Iguatemir de C. Gomes (Graduando em Geografia-UFRN)

Orientadora

Profa. Dra. Marineide Furtado Campos (Departamento de Educação-UFRN)

Nosso cotidiano, atualmente, é fruto do desenvolvimento da sociedade ocidental moderna e complexa, com problemas de conflitos cada vez mais multidisciplinares, multifacetados, mundializados que merecem um novo tratamento por parte do sistema escolar. A realidade do nosso ensino hoje é de intensa compartimentalização, e é por essa razão que queremos discutir a didática numa perspectiva interdisciplianr.

15. Novas práticas de avaliação e a escrita do diário: atendimento às diferenças?

Autor:

Max Hammerschmidt (Graduando de Geografia-UFRN)

Orientadora:

Profa. Dra. Marineide Furtado Campos (Departamento de Educação-UFRN)

O Artigo 12 da Lei de Diretrizes e Bases nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, institui que os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de informar aos pais e responsáveis sobre a freqüência e o rendimento dos alunos e prover meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento. Ou seja, é de responsabilidade do estabelecimento do ensino fazer com que os alunos assimilem os conteúdos exigidos para sua aprovação. Dessa forma, é necessário que se realize uma reflexão sobre as práticas avaliativas de sala de aula, voltando-as para o sucesso da aprendizagem.

16. Refletindo sobre os saberes necessários ao ensino

Autor:

Luciano Silva de Melo (Graduando de Geografia-UFRN)

Orientadora:

Profa. Dra. Marineide Furtado Campos (Departamento de Educação-UFRN)

Para Clermont Gauthier (1998) uma das condições essenciais a toda profissão é a formalização dos saberes necessários à execução das tarefas que lhes são próprias. Na verdade, apesar de realizar-se há séculos, é muito difícil definir os saberes e a evolução do ofício de ensinar, contudo, é preciso responder as exigências de uma situação concreta de ensino para uma aprendizagem significativa.

17. Fortaleza - Notas de Uma Aula de Campo

Jane Roberta de Assis Barbosa

Juliana Maria Duarte Ubarana

Janaína Maria da Conceição Silveira

Mariluce dos Santos Souza

Ademir Araújo da Costa (Professor da disciplina Geografia Urbana)

O presente trabalho tem como objetivo o relato de um dos estudos de campo realizado na disciplina de Geografia Urbana 2002.2. O estudo foi realizado na cidade de Fortaleza/CE, contando com a participação do professor da disciplina, professores da UFC e dos alunos matriculados na disciplina. A atividade teve como objetivo compatibilizar no campo os estudos teóricos desenvolvidos em sala de aula. Nesse sentido, Fortaleza foi escolhida por apresentar características inerentes a uma área "vitimada" pela expansão urbana acelerada, bem como as marcas deixadas em decorrência deste processo. Fortaleza torna-se o cenário do nosso estudo, afim de que possamos estabelecer paralelos com Natal, que vem passando pelos mesmos processos que caracterizam a Fortaleza dos dias atuais. O estudo se dividiu em dois momentos. O primeiro, foi à realização de uma conferência sobre o processo de urbanização ocorrido em Fortaleza e o segundo, foi a análise "in loco" do tecido urbano, que expressa, sobretudo, a grande contradição sócio-espacial.

 


GT-08: COMUNICAÇÃO, EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA

Coordenadoras:

Profª. Drª. Maria das Graças Pinto Coelho (Departamento de Comunicação Social)

E-mail: gemini@cchla.ufrn.br

Profª. Drª. Vilma Vitor Cruz (Departamento de Educação)

Local/horário: Sala C4, Setor de aula II, 46 lugares, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

O GT Comunicação, Educação e Tecnologia aceitará trabalhos relativos às pesquisas, estudos e análises sobre processos e produtos midiáticos; as novas tecnologias de comunicação e da informação e seus impactos no âmbito educacional.

RESUMOS

1. Re-pensando a dinâmica escolar na sociedade tecnologizada

Liane Ferreira da Trindade (Mestre em Educação/UFRN)

Vilma Vitor Cruz (Profª Drª do programa de Pós-Graduação em Educação da UFRN)

Torna-se viável, na atualidade, mobilizar a comunidade escolar a conduzir, com mais veemência, as questões relacionadas com as transformações sociais, ocasionadas, entre outras coisas, pelas interferências tecnológicas. As tecnologias mostram ao mundo novos saberes e novas formas de adquirir conhecimentos. Daí a Escola, como instituição formativa, ser chamada a promover um repensar nas suas formas de construção, organização e re-significação do conhecimento. O trabalho em questão versa sobre a relação mediática existente entre profesor-aluno-máquina na dinâmica da Escola, situada numa sociedade tecnologizada. Não existe um lugar pré-determinado para o novo. Ele não avisa quando vem, onde vai interferir e nem muito menos do que precisa. Os sujeitos sociais são os responsáveis por acolhê-los e determinar seus direcionamentos na comunidade. As tecnologias sempre interferiram na forma de organização da comunidade e nas relações nela existente, principalmente às tecnologias da inteligência que permitem a elaboração, o armazenamento e a difusão de informações e construção de conhecimentos. Quando intitulamos alguns objetos tecnológicos, de Tecnologia Educacional, estamos permitindo que eles assumam uma nova configuração. Eles abandonam seu sentido expansivo e ostentam a de utensílio intelectual. Percebe-se que, qualquer recurso que adentra na Escola merece um tratamento adequado. Acreditar-se então que instrumentos tecnológicos solicitam a construção de metodologias, capazes de saber aproveitar e explicar as transformações que vêm ocorrendo, nos modos de ensinar e aprender, face ao incremento dos acoplamentos tecnológicos ao cotidiano da Escola. Tudo isso reporta a educação a um papel que lhe é próprio: conduzir a formação do ser humano, fazendo-o capaz de viver e conviver na sociedade tecnologizada.

2. Uso da televisão em sala de aula: suas interfaces

Ana Lúcia Gomes da Silva (Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Educação-UFRN)

Dra. Vilma Vitor Cruz (Programa de Pós-Graduação em Educação-UFRN)

Atualmente a televisão vem sendo apontada como a vilã para crianças jovens e adultos. Associando som e imagem em movimento esse veículo é capaz de oferecer aos indivíduos uma outra forma de aprendizagem. Ampliando assim o seu espaço de abrangência não são mais os lares, as praças, bares, restaurantes, mas também o espaço escolar, onde vai se instalar sem nenhum desafio, porém se tratando de suas finalidades pedagógicas, ela está encontrando diversos desafios. Sem pedir licença para entrar ela consegue se organizar muito embora que de forma equivocada, pois não se discutiu antemão as políticas que definem sua estabilidade neste espaço. compreender essa invasão significa se voltar para a expansão dos meios de comunicação e da informação que vem ganhando uma nova configuração em todas as sociedades. Na esfera social, a televisão ganha fôlego por encontrar aliados no ponto de vista produtivo que entendem suas linguagens ao nível da produção e recepção e sabem muito bem utilizá-la de forma que atingem todas as camadas. Assume papel importante seja para comunicar e informar, para o entretenimento das pessoas cou como uma forte aliada que a elite lança para a difusão de indústrias culturais alienantes que passam a determinar os modos de vida de cada indivíduo. Do outro lado, da recepção, vamos nos deparar com os limites e barreiras impostas pela forma de veiculação das idéias não permitindo ao receptor interagir com o meio. Assim sendo, a televisão pode oferecer aos alunos e professores, algo mais do que a recepção aberta desde que bem planejada e adequada didaticamente às atividades de sala de aula.

3. A charge eletrônica: meio de comunicação e educação

Eliane Ferreira da Silva

Vilma Vitor Cruz

Nesta era da informação midiática em que estamos vivendo, tem-se falado muito sobre as formas simbólicas e práticas ideológicas que circulam na sociedade. Tem-se também questionado o papel da Educação frente à "exclusão digital" entre os que têm acesso e os que não têm acesso a Internet. Esta pesquisa visa analisar estes aspectos no que diz respeito à charge eletrônica. Por tratarmos da compreensão crítica do sentido das comunicações, seu conteúdo manifesto e as significações implícitas e explícitas, reveladas para uso processo de ensino e educação, optamos pelo quadro metodológico da Análise de Conteúdo. Aspiramos contribuir para a atualização do ensino e de novos conhecimentos na prática escolar, através da observação das mudanças apresentadas como um meio e um método de caráter inovador em propagar a informação - a charge eletrônica. Almejamos também fornecer subsídios para a inserção do desenho de humor aliado às novas tecnologias na escola, pois reconhecemos que são relativamente poucas as oportunidades de incorporar o humor como princípio educativo, encorajando educadores e alunos a agregarem valores estéticos e éticos, bem como observando a dimensão cultural envolvida nas charges eletrônicas.

4. A multiculturalidade na elaboração de produtos mediáticos para educação à distância: uma proposta a partir dos princípios da comunicação

João José Saraiva da Fonseca (Aluno Especial do Doutorado em Educação – UFRN)

joaojosefonseca@uol.com.br

Etimologicamente o termo "hermenêutica" deriva do grego hermeneuein, que significa explicar, traduzir, interpretar. A sua raiz esta ligada ao deus grego Hermes, que tinha asas nos pés e encarregava-se de levar as mensagens dos deuses aos destinatários. Este texto tem como objetivo refletir sobre a contribuição que a hermenêutica pode ter na elaboração de instrumentos de mediação para educação distância, possibilitando que respeitem a diversidade entre diferentes intervenientes no processo de ensino-aprendizagem. Resulta do interesse do autor em aprofundar a reflexão sobre as novas tecnologias da informação e comunicação na utilização pedagógica e na promoção da multiculturalidade.

5. O cinema na aula de língua inglesa: desenvolvimento das habilidades lingüísticas através dos recursos midiáticos

Leonard Christy Souza COSTA (Mestrando do PPgEL/UFRN)

João Gomes da SILVA NETO (PPgEL/UFRN)

O cinema, em seu componente de verossimilhança, costuma refletir as características das línguas ali apresentadas: linguagem verbal geralmente tem lugar preponderante no conjunto dos elementos semióticos dessa forma de arte. Assim, naturalidade na fala, diferentes sotaques e diversos registros lingüísticos estão presentes nas mais diversas produções cinematográficas, como formas de reconstituição do real idealizado e/ou representado. Assim, enquanto amostragem lingüística, o material cinematográfico se apresenta bastante propício para as atividades de sala de aula de língua estrangeira, tanto por seu aspecto prático – o acesso generalizado, os artifícios técnicos já incorporados pelo grande público, quanto por suas dimensões lúdica e artística – componentes estes facilitadores do processo de ensino/aprendizagem. O aspecto específico enfocado nesta comunicação é o desenvolvimento, através do uso de filmes, das habilidades lingüísticas da fala e da compreensão oral. A questão aqui colocada é a possibilidade de aproveitamento, em classe, da capacidade que os aprendizes teriam de ouvir a língua estrangeira com a mesma ‘fluência’ com que o fazem na língua materna, e através dessa compreensão oral desenvolver a fala. Elaborar uma reflexão teórica sobre as atividades de fala e compreensão oral, utilizando o cinema como suporte pedagógico para o ensino/aprendizagem do inglês LE, constitui o objetivo de nossa pesquisa, em andamento. Nossa abordagem tenta articular aspectos cognitivos e interacionais dos registros de fala de um filme produzido em língua inglesa e o impacto que seu uso pode causar nas salas de aula de língua estrangeira.

6. Meio televisivo e escola: uma pesquisa nas escolas de Natal

Autora:

Chrísnir Freire Damasceno (Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação)

chrisnir@samnet.com.br

Orientador:

Marcos Antonio de Carvalho Lopres

Para muitos pesquisadores existe uma crise na escola que é agravada pela dissociação entre escola e sociedade, pois a forma de aproximação da realidade praticada pelas crianças fora do contexto escolar, difere sobremaneira daquela que lhes é imposta pela escola. Para atenuar esse “descompasso”, a escola poderia trabalhar com novas linguagens, uma vez que a exposição aos meios de comunicação de massa criou um novo homem, mais audiovisual, para quem assistir a televisão tem se convertido em atividade cotidiana. No Brasil, a implantação do Projeto TV Escola contribuiu para a instalação dos meios audiovisuais nas escolas públicas e os professores têm assim a possibilidade de realizar um trabalho mais efetivo com o meio televisivo. O trabalho que apresentamos tem o objetivo de mostrar os resultados de uma pesquisa realizada em quarenta escolas públicas e privadas de Natal (RN), que ouviu dez professores e duzentos alunos sobre a presença e a utilização de documentos televisivos nas aulas de Português Língua Materna (PLM) e Francês Língua Estrangeira (FLE). Neste trabalho serão abordados alguns dados da pesquisa com os alunos e com os professores. Estes dados tratam da presença e utilização pedagógica dos meios audiovisuais no cotidiano da aula de línguas, dos critérios que os professores utilizam para escolher os documentos e da utilização prática do meio na aula propriamente dita.

7. Jornalismo sensacionalista

Karla Maria Pereira dos Santos

Com o avanço das tecnologias na área de comunicação, o número de pessoas que passaram a ter acesso à informação aumentou de forma vertiginosa, entretanto, os benefícios trazidos por esse avanço não acompanharam a expansão, o que proporciona a programação das TVs abertas uma popularização que beneficia o grotesco em detrimento da informação. O sensacionalismo passou a comandar a programação das TVs abertas de tal forma na ultima década que se tornou alvo de estudos acadêmicos em várias Universidades do país. Este trabalho abordará o sensacionalismo presente na mídia impressa do Rio Grande do Norte a partir do noticiário diário, onde será aplicado uma metodologia de reconhecimento dos fatos informativos, que são transformados em apelos sensacionalistas para atender ao público consumidor, conseqüentemente o aumento de tiragem de tais periódicos.

 


GT-09: IMAGINÁRIO, CONSTRUÇÃO IDENTITÁRIA E PENSAMENTO SOCIAL

Coordenadores:

Prof. Dr. Alipio de Sousa Filho (Departamento Ciências Sociais)

E-mail: alipio@ufrnet.br

Prof. Dr. Edmilson Lopes Júnior (Departamento de Ciências Sociais)

E-mail: edmilsonlj23@yahoo.com

Local/horário: Setor de aula II, Bloco G, sala 5, 45 lugares, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

O GT será um espaço para a apresentação de trabalhos dedicados à investigação sobre elementos constitutivos do imaginário social brasileiro e à análise dos chamados processos de construção identitária. Serão também recebidas análises sobre o pensamento social contemporâneo, especialmente incursões sociológicas e antropológicas sobre autores, correntes e itinerários intelectuais de clássicos da teoria social.

RESUMOS

1. Um estudo etnográfico da prática alfabetizadora de jovens e adultos

Rouseane da Silva Paula (Programa de Pós-Graduação em Educação/UFRN)

Neste estudo do tipo etnográfico focalizamos as práticas de alfabetização e as trajetórias pessoais dos professores alfabetizadores que participaram do Programa Alfabetização Solidária (PAS), no município de Passa e Fica (Rio Grande do Norte), na região do agreste. O grupo investigado foi constituído por sete alfabetizadores que participaram dos módulos X e XI do Programa, no período de 2001–2002. A investigação consistiu de um estudo qualitativo, de caráter longitudinal e etnográfico, tendo como objetivos identificar e compreender as aprendizagens provocadas pela ação de alfabetizar jovens e adultos, suscitar junto aos alfabetizadores reflexões sobre essa e por fim, desmistificar a dicotomia existente entre a teoria e prática que perpassa a ação alfabetizadora e a própria extensão universitária. Para efetuar a pesquisa, realizamos entrevistas semi-estruturadas com alfabetizadores, ex-alfabetizadores e formadores. Acompanhamos também junto ao grupo observado – os sete alfabetizadores – a redação dos diários etnográficos referentes aos períodos de capacitação e de sala de aula. A análise foi precedida por uma descrição densa dos dados. Isso nos indicou que o PAS desencadeou no município mudanças qualitativas sobre a vida dos participantes. Contudo, o Programa não alcançou os objetivos aos quais se propunha – alfabetizar jovens e adultos, assim como qualificar professores para o ensino proposto, no entanto, ocorreram efeitos sociopedagógicos não previstos a princípio: a ressocialização dos alfabetizadores na sua comunidade e a ressignificação sociopedagógica do sentido do analfabetismo entre os alfabetizadores.

2. A malandragem no imaginário nacional: um estudo sobre a construção do personagem Zé Carioca e suas relações com a cultura brasileira

Marcília Luzia Gomes da Costa Mendes (Mestre em Biblioteconomia. Professora da Universidade Potiguar. Doutoranda em Ciências Sociais/UFRN)

marciliagomes@bol.com.br

marciliagomes@unp.br

Análise sobre os mecanismos ideológicos que presidem a organização das mensagens veiculadas, tomando-se como suporte indispensável o tratamento dispensado à figura do malandro no conjunto das histórias em quadrinhos da série Zé Carioca, já que é a fisionomia dada ao malandro o que mais fortemente vem manifestar a ideologia. É através das feições dadas ao malandro papagaio, os seus interesses e motivações, que se ajuizará a que interesses ideológicos as mensagens estão se remetendo. Para isso, define-se algumas coordenadas de problemas através das quais transcorrem as análises e deliberações.

3. A construção de um modelo multi-referencial para o estudo das identidades sociais

André Augusto Diniz Lira (Doutorando em Educação/PPGED/UFRN. Professor do Departamento de Educação/UFRN),

andré.dl@terra.com.br

Moisés Domingos Sobrinho (Doutor em Educação/Universidade Católica de Louvain – Bélgica. Professor do Departamento de Educação e do PPGED/UFRN).

moises@natalnet.com.br

Este trabalho apresenta os resultados preliminares da elaboração de um modelo teórico-metodológico para o estudo das identidades sociais. Esse modelo apóia-se, fundamentalmente, na praxiologia de Pierre Bourdieu e na teoria das Representações Sociais e procura ressaltar o papel da linguagem na constituição das identidades. No plano empírico, essa construção vem se baseando em aplicações realizadas na produção acadêmica do DEPED/UFRN e em algumas pesquisas no âmbito nacional, tanto dos pesquisadores que se utilizam destas teorias de modo pontual, quanto dos que compreenderam-nas como complementares para a compreensão do fenômeno identitário. São fundamentais, neste modelo, o constructo das representações sociais, tal como proposto por Serge Moscovici, o conceito de campo social e a sua relação com o conceito de habitus, ambos desenvolvidos por Pierre Bourdieu e a linguagem compreendida não apenas no seu aspecto comunicacional, mas como mediadora e forjadora de relações sociais e de identidades. Este enfoque pode ser entendido de forma dialética, englobando, ao mesmo tempo, o social objetivado, subjetivado e externalizado, através das práticas sociais, representações e pelas incorporações somáticas, vinculadas por sua vez, a correlatos materiais e perpassadas por relações de poder e dominação (simbólica e material). Desta forma, associamos à perspectiva sociológica bourdiesiana uma abordagem psicossocial, apoiada no constructo da Representação Social. Este modelo multi-referencial busca superar os recortes disciplinares e as dicotomias clássicas das Ciências Sociais, tais como a suposta separação indivíduo/sociedade e o papel das estruturas e do ator social.

4. Desvelando as teias de pinóquio: sentimentos de família e constituição de identidade de jovens moradores de bairros periféricos de Natal/RN

Périsson Dantas do Nascimento (Psicólogo. Mestrando em Psicologia/UFRN)

perisson@hotmail.com

O trabalho tem como objetivo central uma reflexão sobre a família enquanto instituição construída social e historicamente e sua relação com a formação da identidade de jovens moradores de bairros periféricos de Natal/RN, participantes do Fórum Engenho de Sonhos de Combate à Pobreza. A pesquisa encontra-se atualmente em andamento, na qual tentamos compreender a realidade dos jovens com suas famílias nos seguintes aspectos: concepções de casa (privado) e rua (público), suas relações e representações sobre os papéis familiares, a história da família, aspirações de vida e vínculos. Os dados foram construídos através de entrevistas semi-estruturadas, questionário de perfil psicossocial e grupos focais de discussão, numa amostra composta de 09 jovens, considerados articuladores nas ações do Engenho nos bairros. Foi utilizada análise dos discursos, na perspectiva da teoria do imaginário de Castoriadis. Os jovens relatam estórias de vida marcadas por dificuldades de diálogo e compreensão nas relações familiares, e vêem-se em conflito entre as concepções tradicionais de família e a realidade vivida, tendo em vista que suas configurações familiares e relações divergem muito do modelo familiar burguês imposto pela sociedade. A família é concebida como espaço privilegiado da afetividade, ou seja, como espaço primordial de desenvolvimento da personalidade individual, determinando os valores e comportamentos que o jovem apresenta no contexto social. Os jovens questionam a hierarquia e os papéis familiares, enfatizando aspectos como: sexualidade, gênero, adolescência e relação família/sociedade.

5. Ideologia e utopia – o Apolíneo e o Dionisíaco

Sheila Mendes Accioly (Mestranda em Ciências Sociais/UFRN)

sheilamacc@yahoo.com.br

Apolo e Dionísio convivem dialeticamente nas dimensões profundas do pensamento humano, manifestos como Ideologia e Utopia.

6. O sujeito da ideologia

Cláudia Maria Formiga Barbosa (Mestrando em Ciências Sociais/UFRN).

cformiga@digi.com.br

Dissertação de mestrado em Ciências Sociais, em fase de levantamento bibliográfico, este trabalho tentará construir uma reflexão sobre a eficácia da operação da Ideologia sobre os sujeitos. Para um grande número de estudiosos da Teoria Social, a Ideologia é vista como um fenômeno que tem o seu aparecimento vinculado ao advento das sociedades modernas, na medida em que se constitui como um discurso, socialmente construído, que visa ocultar a dominação de classes. A pesquisa antropológica permitiu a alguns estudiosos avançar em direção a um alargamento desse conceito, incluindo o discurso ideológico entre os discursos que legitimam as práticas socialmente sancionadas. A reflexão antropológica é o que vai permitir situar a Ideologia como uma das formas através das quais podemos atestar a força com que a Cultura atua sobre os sujeitos, pois considera que é a sujeição a uma Ordem social o que permite aos sujeitos construir uma representação de si mesmos e de sua realidade social, sendo essa condição o que, em última instância, engendra para esses sujeitos, o sentimento de pertença para os sujeitos no interior de um grupo social. Partindo dessa reflexão sobre a Ideologia como uma das formas de atuação da Cultura sobre os sujeitos, tentaremos buscar no diálogo com as teses de Freud e Lacan sobre a constituição do Sujeito, uma contribuição para essa reflexão, que permita lançar luz sobre a estrutura que torna possível a incidência do discurso ideológico sobre os sujeitos.

7. Imagens do sertão: a casa do sertão rural do RN

Pedro Isaac Ximenes Lopes (Graduando em Ciências Sociais/UFRN. Bolsista PIBIC do Grupo de Estudos do Imaginário, do Cotidiano e do Atual)

pedroixl@hotmail.com

Nosso trabalho está ligado à pesquisa “Imagens do sertão” do Grupo de Estudos do Imaginário, do Cotidiano e do Atual, coordenada pelo prof. Alipio de Sousa Filho. A pesquisa consiste em analisar o conjunto da casa do sertão rural do RN – tais como a mobília, os utensílios e objetos domésticos, os apetrechos, o cotidiano,... –, tendo como foco principal as relações simbólicas da moradia sertaneja e sua poética do espaço física. Chamamos de "sertão rural" as áreas do campo distintas das áreas urbanas do sertão, formadas pelas pequenas cidades. Visto que nos centramos no RN, consideramos, no primeiro ano da pesquisa (2002), para o trabalho de campo apenas as microrregiões Angicos, Borborema Potiguar, Serra de Santana, Vale do Açu e Médio Oeste. Temos como perspectiva metodológica a etnografia – utilizando-se da técnica da fotografia e das entrevistas para registro – e a análise antroposociológica – fundamentada em autores das Ciências Sociais – e a rica literatura acerca do sertão do RN (Cascudo, Lamartine de Faria, Medeiros Filho,...).

8. A invenção literária do nordeste nos olhos de uma mulher: compreensão social do Nordeste em Rachel de Queiroz.

Cristina Maria da Silva (Socióloga. Mestranda em Ciências Sociais/PPGCS/UFRN).

crimasbr@yahoo.com.br

Interpretamos a construção imaginária do Nordeste na memória literária de Raquel de Queiroz e como a literatura pode ser manifestação de “religação” social. Nos deixamos influenciar principalmente pelas concepções de Gaston Bachelard, Michel Maffesoli e Michel de Certeau. A memória, o romance, a poesia ou os ensaios biográficos apoiam-se na incerteza, por isso revelam para as análises sociais a imprescindibilidade do sensível no entendimento do caráter movediço da coletividade humana. Como afirma Michel Maffesoli, o poeta formula aquilo que o homem sem qualidades vive no dia-a-dia. A ficção é uma necessidade cotidiana, pois cada um para existir conta uma história! Assim, entendemos que nas escrituras da escritora cearense percorremos os espaços da Região tomados não somente por uma visão geopolítica, mas buscando as construções imaginárias do social: seus mitos, lendas e descrições. Estas nos demonstram que uma sociedade é constituída menos pelo solo material que abriga os indivíduos e mais pelas idéias que a fazem enquanto realidade sentida e reconhecida socialmente. Nos olhos de uma mulher os enredos sociais e os espaços são repensados na oscilação das temporalidades. As relações entre imaginário, ideologia e a concepção de poder na paisagem regional são (des) construídas e envolvidas em constantes teatralizações. Deste modo, mergulhamos neste cenário agreste, no qual florescem múltiplas flores poéticas e míticas, mirando sua potência subterrânea tão bem sentida e relatada pela literatura.

9. Paisagens urbanas de Natal: percebendo os contrastes sócio-culturais

Rúbia Carlas M. da Cunha

Trata-se de observar e analisar cortes da paisagem urbana de Natal, apreendendo sua construção e significado para a cidade. Comparando as imagens selecionadas entre si, percebendo seus contrastes, aspectos de formação, sua complexidade e seu papel social para a sociedade natalense. Na sua análise, vêem-se suas formações antigas e atuais ao longo de pontos espalhados pelo seu território e seu simbolismo para a população.

10. Os processos de modificação na dinâmica sócio-cultural no eixo Redinha-Muriú/RN

Karina Messias da Silva (Graduanda em Geografia/UFRN. Membro do PET/GEO)

karinatrn@yahoo.com.br

A Pesquisa tem por objetivo investigar quais os processos socioculturais ocorridos nas comunidades de pescadores no trecho de Redinha à Muriú provocado pelo aumento do fluxo de pessoas para o local. E a partir daí será feito o resgate da história de ocupação nesse trecho, bem como os agentes modificadores e a cultura que predominava com seus primeiros moradores, e, principalmente o que resta ainda hoje com a exploração deste trecho com o advento da ocupação imobiliária e o da atividade turística, assim poder saber se a identidade cultural dessas comunidades foram perdidas ou assimilada com outras culturas devido ao aumento do fluxo de pessoas vindas de outras localidades e países.

11. Um estudo da construção de um novo espaço e redefinição de identidades: uma conseqüência do turismo em Pipa-RN.

Tatiana de Lima Corrêa (Graduanda em Geografia/UFRN. Membro do PET/GEO)

tt.correa@bol.com.br

A pesquisa visa estudar as alterações do espaço, identidade e representações sociais que estão ocorrendo na praia de Pipa-RN, devido ao advento do turismo. Essas mudanças e transformações podem modificar ou criar um novo espaço, compreendido de novas estratificações e classificações, novas tramas sociais são estabelecidas e os segmentos da população vão se deparando cada vez mais com novas realidades, novos valores e identidades sociais. Para a realização desta pretende-se ter o apoio em trabalhos acadêmicos e bibliografias que discutem a temática do turismo. Também se têm em vista estabelecer uma coleta de dados a partir da observação direta e da realização de entrevistas. Compreende-se assim melhor o turismo que vem se intensificando na praia.

12. Processo de sociabilização de famílias italianas no Seridó (Séc. XIX)

Erivan Ribeiro

Esta pesquisa se propõe a estudar as sociabilidades contidas no cotidiano de famílias de origem italianas que habitavam o Seridó no decorrer do século XIX, principalmente na cidade de Caico (Vila do Príncipe na época). Para tanto, utilizaremos como fonte documentos que se encontram no LABORDOC (Laboratório de Documentação Histórica do CERES – Campus de Caicó, como Processos Crimes, Habilitações de Casamentos, Ajustes Pecuniários, entre outros, bem como uso da História Oral, através de entrevistas realizadas com integrantes remanescentes das famílias que ainda se encontram na cidade de Caico ou na região do Seridó.

13. (re) construção imagética do território de Serra de Santana: uma análise da formação identitária do lugar

Autor:

Otoniel Fernandes da Silva Júnior (Licenciado em Geografia pelo Centro de Ensino Superior do Seridó-UFRN)

Orientador:

José Lacerda Alves Felipe (Prof. Dr. do Departamento de Geografia da UFRN)

otonielfsj@hotmail.com.br

Ao investigar o processo de (re) construção imagética de uma sociedade o pesquisador estará interpretando os símbolos que são evocados para constituir o imaginário social, os quais estão intrinsecamente relacionados com o lugar, com o componente geográfico. O componente geográfico em análise trata-se da Serra de Santana que constitui a região serrana potiguar circundada por sete municípios dos quais três se encontram nas chãs (parte plana e mais elevada). Lugar por excelência de uma diversidade de imagens e símbolos que se agregam ao ambiente natural o imaginário aqui estabelece uma conexão obrigatória com o mundo real onde se constitui toda representação humana. Assim uma das primeiras representações que se transfigura nesse lugar é a indígena, onde os índios Tarariús primeiros habitantes denominaram esta serra de Mackaguá lugar também de refugio e ascensão espiritual para esses caboclos brabos. Da terra dos Tapuias a Serra da Gloriosa Sant´Ana por doação de Datas de terras , passando a estabelecer nessas áreas novas povoações. Esses aportes históricos nos dão as primeiras imagens que se afirmam no imaginário local. A referida pesquisa pretende incursar pelos meandros do mundo imaginário onde as lendas e causos que se passaram na serra são (re)contadas pelos habitantes mais antigos e que a imaginação humana se apropriam de determinados espaços para recontar tais causos. Ainda na linha de contato do homem com a terra abordar-se-á o cotidiano das casas de farinhas increvendo-as como um dos símbolos das chãs serranas desde os mais longícuos tempo. Assim se delineara o quadro de referência identitária do lugar.

14. Atitudes perante a morte no Seridó: algumas considerações

Autora:

Alcineia Rodrigues dos Santos (Bacharela e Licenciada em História pelo Centro de Ensino Superior do Seridó da UFRN)

neiasantos@bol.com.br

Orientador:

Alípio de Souza Filho (Prof. Dr. do Departamento de Ciências Sociais da UFRN)

Este trabalho, como parte integrante do projeto de pesquisa “Contando o Trabalho e os Dias: Demografia Histórica do Seridó (Colônia e Império)”, e ultimamente o nosso Projeto de Mestrado, pretende apresentar uma contribuição à historiografia regional, no sentido de elaborar um perfil da mortalidade no Seridó entre os séculos XVIII e XIX. Os Registros Paroquiais de Óbitos da Freguesia da Gloriosa Senhora Santa Anna do Seridó (hoje Paróquia de Sant’ Ana de Caicó-RN), fonte de nossa pesquisa, englobam 05 livros, dentre os quais 03 emcontram-se pesquisados (cerca de 3 mil assentos de óbito). Este projeto pretende não apenas, elaborar um perfil da morte, como também fazer um levantamento demográfico da região seridoense. A partir de uma pesquisa exploratória foi delimitada a documentação pela qual a análise se processaria, fontes escolhidas por se prestarem a uma investigação qualitativa e quantitativa. Para tanto utilizaremos fichas catalográficas seguindo o modelo francês de demografia de L. Henry e M. Fleury, cujos dados já levantados encontram-se em fase de alimentação em banco de dados construído no software Microsoft Access. No momento os resultados são parciais dado que a coleta de dados será concluída com a pesquisa nos livros restantes. Tendo em vista a escassez de estudos na historiografia brasileira que tratem da temática, especificamente no Nordeste e mais precisamente na região do Seridó, e considerando sua importância à constituição historiográfica, julgamos valiosa esta investigação. Nossa proposta está fundamentada nas pesquisas de Dom José Adelino Dantas e Sinval Costa, que anteriormente já haviam se debruçado sobre os registros paroquiais de óbito da freguesia em questão.


GT-10: NATAL, 1889-1930: CIDADE, PRÁTICAS E REPRESENTAÇÕES

Coordenadores:

Prof. Dr. Raimundo Arrais (Departamento de História)

E-mail: raimundo.arrais@zipmail.com.br

Prof. Dr. Almir Bueno (Departamento de História)

E-mail: abueno@ufrnet.br

Local/horário: Setor de aula II, Bloco A, sala 2, 45 lugares, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

O GTNatal, 1889-1930: cidade, estruturas materiais e representações”, propõe reunir pesquisas, concluídas ou em curso, que tenham como objeto a cidade de Natal no período situado nos marcos cronológicos que a história política consagrou como “República Velha”. Na condição de cidade mais importante e capital do Estado, Natal (encarada na perspectiva dos estudos urbanos) pode ser observada num amplo leque de aspectos materiais e simbólicos, que se aproximam e se cruzam, numa freqüência tal que convida aos enfoques inter-disciplinares. Nesse leque, podemos compreender os seguintes temas:

. Construção da hegemonia da capital sobre o interior;

. Práticas políticas;

. Investimentos em estruturas urbanas;

. Modernização da cidade;

.Cultura de elite e cultura popular;

. Percepções estéticas da cidade;

. Meio ambiente e saúde pública.

RESUMOS

1. Natal, 1893-1913: A afirmação material e simbólica da capital

Raimundo Arrais (Professor do Departamento de História UFRN)

Esta pesquisa, que se encontra em fase inicial, pretende estudar as formas como a cidade de Natal, no período entre 1893 e 1913 (no período em que a estrutura de poder esteve sob o controle do grupo político familiar Albuquerque Maranhão) se afirma diante das demais regiões do Estado. O interesse da pesquisa é reconstituir as ações que o estado, como entidade que deverá centralizar as decisões do governo, vai promover para dotar a cidade do status de capital, revestindo-a dos elementos materiais e simbólicos e criando nela elementos distintivos. A construção da cidade é enfocada como resultado da intervenção material nas suas estruturas, mas também como resultado das representações elaboradas sobre ela por suas elites. Nos pontos em que se cruzam realidade e expectativas, localizam-se certas tensões que deverão ser exploradas na pesquisa.

2. Antigo Riacho do Baldo: Fonte de abastecimento no passado, via de excreção no presente.

Fernanda Mírian Alves de Aquino (Aluna de Pós-Graduação em Geografia – UFRN).

O antigo Riacho do Baldo viu o nascimento da cidade de Natal, participando de forma decisiva para o seu desenvolvimento, visto que, foi o local onde instalou-se a fonte que abastecia a cidade quando do seu surgimento. Tempos depois, 1882, iria ser contratado o serviço de água encanada para a cidade que estava crescendo, e em 1920, no auge das preocupações com o abastecimento de água e esgotos, o serviço, que estava nas mãos de uma empresa privada, volta ao poder do governo. O Baldo era uma área alagada, de mangues e pântanos, considerada na época foco de doenças para a população ali residente. A seca que atingiu o RN em 1904 fez a população migrar para a capital, acrescendo em 15 mil o número de habitantes, que nos idos de 1904 era de 16 mil, dobrando pois, esse número. O crescimento urbano trouxe a necessidade de dar ao lugar uma verdadeira cara de cidade e para os governantes da época isso significava acabar com uma paisagem causadora de tantos problemas sanitários e paisagísticos existente e ao mesmo tempo promover a distribuição de águas e esgotos, ordenamento das vias, áreas de lazer e principalmente limpeza. É nesse contexto que o antigo riacho do Baldo começa a sofrer a descaracterização que faz dele hoje um canal de esgoto a céu aberto. Em um ambiente vulnerável como é o da cidade de Natal, os aspectos ambientais deveriam está em primeiro lugar nas preocupações do governo quando o assunto fosse crescimento urbano, mas não foi o que se observou, a necessidade de se ocupar espaços, acompanhada das questões estéticas e de embelezamento, fundamentais para uma cidade que pretendesse ser urbana e moderna na época, fez com que esse detalhe ficasse esquecido e o lugar que era do rio, do mangue, do pântano, foi sendo ocupado e transformado em via de excreção da cidade que crescia sem um planejamento urbano que colocasse o saneamento básico adequado como meta principal.

3. Às Margens da Cidade: figurações do retirante da seca em Natal (1890-1930)

Angela Lúcia A. Ferreira ( Profa. Departamento de Arquitetura UFRN)

As secas têm sido uma constante na história brasileira e, em especial, nos estados nordestinos que formam o chamado “polígono das secas”. Por muito tempo, as elites política e econômica, ao evidenciar e dramatizar este fenômeno em seus discursos, transformaram-no no principal gerador do fenômeno migratório, do campo para a cidade, do interior para o litoral, para as capitais e centros urbanos mais avançados. Contudo, as tentativas de resolução deste problema, que não interpelavam a estrutura sócio-econômica e faziam uso político das secas, contribuíram, por outro lado, para emergência de um saber técnico-científico sobre as condicionantes climáticas do Nordeste que traduzia a crença da época na ciência e na sua capacidade de substituir a dimensão política e resolver os problemas sociais. Assim e para além dos estudos dos processos migratórios, interessou-nos sobremaneira discutir as ações e representações que os flagelados das secas suscitaram nos espaços urbanos ditos civilizados, somando-se às discussões, propostas e realizações pautadas em ideários higienista, de estética e de eficiência que conformaram a antítese da cidade colonial brasileira. Este retirante foi visto não apenas como um, ou o principal, estorvo às condições de salubridade do espaço urbano, mas também como embaraço à própria imagem de modernidade de uma elite que, “iluminada”, pretendia criar a cidade moderna nos trópicos. Em Natal, estas representações do migrante no espaço urbano imbricaram-se no medo das epidemias, reiterando intervenções urbanas de cunho higienista e/ou de repressão social. Nesta confluência de elementos que legitimaram as ações reformadoras das elites, o retirante da seca foi ao mesmo tempo mão-de-obra nas reformas urbanas, justificativa para envio de recursos federais, tema para discursos inflamados nas tribunas e culpado pela insalubridade e higiene públicas. A única coisa que não lhe cabia era um lugar na cidade.

4. Do Lampião A Luz Elétrica: novas técnicas “civilizando” o espaço urbano de Natal

Alenuska Kelly Guimarães Andrade (Graduada em História UFRN)

A introdução da “luz” no cenário da cidade foi considerada um dos maiores símbolos de progresso da virada do século XIX para o XX. Em Natal por volta de 1900 a iluminação da cidade era realizada através de lampiões a querosene, substituídos em 1905 por energia gerada pelo gás acetileno e apenas em 1911 é introduzida a eletricidade. É intenção deste trabalho é analisar as mudanças físicas e culturais influenciadas pelas vantagens que a eletricidade proporcionou a população de Natal, entre os anos de 1911 e 1920, tendo em vista a importância do momento caracterizado pelo fim da escuridão no meio urbano e supondo ser um avanço tecnológico que determinou transformações na sociedade da época. Constituiu-se como fonte de dados primários as informações contidas em documentos oficiais e periódicos encontrados nos acervos de Natal. O estudo mostrou que nas duas primeiras décadas do século XX o uso de novas técnicas possibilitava a modernização dos costumes e da vida cotidiana e as elites natalense buscaram “modernizar”, a cidade, a população, seus hábitos e idéias, a partir do padrão de comportamento europeu, referência de “civilização”. A eletricidade passou então a ser encarada como um fenômeno fundamental a promoção da antiga cidade colonial ao status de cidade “moderna”. Deste modo, os benefícios trazidos pela energia elétrica revelam-se no espaço urbano como um fator que condicionou mudanças no modo de vida da população, a partir da formulação de novas formas de lazer e de sociabilidade – cinema, passeios nortunos, passeios de bonde, entre outros. Essa inovação também trouxe modificações ao cenário físico da cidade, que passou a ser iluminado e ornamentado com elementos embelezadores representativos do progresso, além de proporcionar a expansão urbana possibilitada por um de seus ícones – o bonde elétrico.

5. Modernidade e Obras Públicas na cidade do Natal (no segundo governo de Alberto Maranhão)

Cristiane de Araújo (Graduada em História - UFRN)

O presente trabalho propõe verificar as transformações mentais ocorridas no imaginário das elites locais, durante a introdução do projeto de modernidade na cidade do Natal, bem como verificar os seus reflexos no contexto social e político da cidade. Coube a essa elite um papel muito importante na condução do projeto de modernidade para a cidade do Natal, visto que foi a partir dos seus anseios, de se inserir no mundo civilizado, que a capital do Rio Grande do Norte, foi incrementada com equipamentos urbanos modernos, como o bonde e a energia elétrica e a adoção de hábitos de uma cultura cosmopolita, sobretudo a francesa. O período estudado compreende o segundo governo de Alberto Maranhão (1908-1913), visto que em sua segunda administração, ficam mais nítidas as transformações ocorridas no espaço físico da cidade em conseqüência do investimento intenso por parte do então governador, no intuito de converter a então cidade de aspecto colonial em uma outra mais moderna, dotada com equipamentos urbanos que a fizesse concorrer em pé de igualdade com outros centros urbanos mais adiantados.

6. Natal e as novas diversões da Belle Époque

Márcia Maria F. Marinho (graduanda em História, bolsista de iniciação cientifica- PPPg Departamento de História-UFRN)

O período que se estende entre o final do século XIX e o início do XX, é marcado por muitas mudanças. As novas idéias da modernidade começaram a ser implantadas no Brasil, transformando o pensamento da sociedade brasileira. Toda essa mudança de pensamento acarretou em uma série de mudanças estruturais e comportamentais nas principais cidades brasileiras. Durante esse período Natal também passou por uma série de transformações na sua infra-estrutura. A elite natalense, influenciada também pela nova corrente de idéias vinda da Europa, exige a melhoria do espaço físico da cidade. Durante o primeiro governo de Alberto Maranhão, começam as investidas no remodelamento da cidade. A “nova” cidade, remodelada e com ares de capital, precisava adquirir a postura de uma cidade européia, moderna e civilizada. Os hábitos do natalense começam a mudar, os novos espaços lançados para o divertimento (como o teatro, os passeios públicos, o cinema, os clubes, cafés), começam a exigir uma postura diferente dos natalenses. A nova cidade não tolera as antigas manifestações populares, que passam a ser consideradas vulgares e indecentes. Esse trabalho procura analisar essas mudanças das diversões populares para as novas formas de diversão, chamadas de civilizada, que vão surgindo no início do século XX. Assim como procurar definir o espaço destinado à diversão feminina nessa nova Natal moderna e civilizado.

7. As representações do rural e do urbano no pensamento republicano Norte-Rio-Grandense (1890-1930)

Almir Bueno (Professor do Departamento de História-UFRN)

A comunicação pretende discutir as representações discursivas sobre o rural/urbano presentes no pensamento republicano potiguar durante a Primeira República, através de alguns de seus principais representantes, como Manoel Dantas, Diógenes da Nóbrega, Braz de Melo, José Augusto Bezerra de Medeiros e Juvenal Lamartine. O objetivo é discutir essas representações como fundadoras de um conceito de campo/cidade que permearão a construção de uma suposta identidade de sentido para as populações rurais e urbanas na sociedade oligárquica potiguar do período.

8. Uma experiência de pesquisa histórica em jornais potiguares

Verbena Nidiane de Moura Ribeiro (graduanda em História, bolsista de iniciação cientifica- PPPg Departamento de História-UFRN)

A presente comunicação tem por finalidade compartilhar a experiência em pesquisa nos jornais do Rio Grande do Norte, cujos originais se encontram no acervo do Instituto Histórico e Geográfico do RN, entre os séculos XIX e XX, e em microfilmes localizados precariamente na Biblioteca Central “Zila Mamede”, da UFRN. A pesquisa faz parte do projeto “Levantamento Documental para a História das Idéias Políticas no Rio Grande do Norte (1871-1930)”, orientado pelo professor Doutor Almir de Carvalho Bueno, cujo objetivo é reunir os principais documentos sobre o pensamento político potiguar durante a Primeira República. O acesso a esta documentação, porém, tanto no IHGRN quanto na UFRN, está cada vez mais difícil, devido ao péssimo estado de conservação em que ela se encontra no primeiro e por falta de uma leitora de microfilmes adequada na segunda, o que está acarretando um enorme prejuízo à pesquisa histórica em nosso estado.

9. Políticas educacionais para a mulher em Natal (1889-1899)

Rossana Kess B. de S. Pinheiro (Professora do Departamento de Pedagogia UFRN)

Maria Arisnete Câmara de Morais (Departamento de Pedagogia UFRN)

Este estudo propõe a discussão e reflexão acerca da construção da mentalidade feminina no século XIX a partir da análise da instrução destinada às mulheres natalenses entre os anos de 1889 e 1899. Utilizamos como fontes o jornal A República, a Legislação Estadual, Federal e textos de teóricos e literatos do mesmo período. Privilegia-se nesse estudo a abordagem teórica da História Cultural que se preocupa com toda a atividade humana, não considerando apenas uma visão macro dos processos históricos, mas todas as dimensões que se apresentam ao olhar do historiador. O ideário de período ora investigado valorizava a mulher como uma missionária neste novo sistema político cuja missão restringia-a ao âmbito doméstico, mais moral do que político. No entanto, o discurso da educação enquanto prática para a formação dos cidadãos, possibilitou a mulher aliar ao trabalho doméstico e à maternidade uma profissão revestida de dignidade e moralidade. A ampliação da rede escolar feminina em Natal deu ensejo para a inserção de mulheres no magistério. Com sua imagem vinculada ao projeto de modernização da sociedade, as mulheres são arregimentadas pelos dirigentes políticos para as salas de aulas de primeiras letras. Durante a última década, além de assumirem as escolas públicas femininas e as mistas ainda há um considerável aumento na oferta de escolas particulares para moças. No curso da última década do século XIX essas aulas atingem um percentual de crescimento superior que o das aulas públicas. O aumento da oferta de aulas ministradas por professoras revela que as políticas de expansão do ensino terminam por consolidar um campo de trabalho para mulheres em Natal: a docência de primeiras letras.

10. Da Escola ao Lar: a mulher na cidade do Natal (1915-1930)

Fraknilda Macia de Medeiros Dias ( Graduada em História- UFRN)

O crescente desenvolvimento do espaço urbano e as novas oportunidades de freqüência em espaços públicos passa a exigir das mulheres um bom preparo e educação para o casamento e a sua circulação nos espaços sociais que surgem na cidade. A educação oferecida à mulher potiguar estava associada a preparação de sua vida privada: conjugal e doméstica. A escola logo foi reconhecida por toda a sociedade como um importante estabelecimento na formação do ideário de mulher: mãe dedicada/esposa carinhosa/dona-de-casa prendada; elaborando uma representação simbólica da mulher moderna: afetiva, mas assexuada, voltada para o lar e os cuidados com a higiene,o bem estar e saúde do marido e dos filhos. A Escola Doméstica de Natal, parecia desenvolver um movimento ambíguo: de um lado, apresentava-se com uma instituição moderna, porque promovia uma espécie de ruptura com o ensino desenvolvido no lar, colocando-se como mais capaz ou com maior legitimidade para ministrar os conhecimentos científicos (higiene e saúde familiar), agora exigidos à mulher moderna, tornando a tarefa da mãe administrada pela ciência; de outro lado a Escola apresentava-se como um meio tradicional e conservador, promovendo, através de vários meios a ligação da mulher com a casa, na medida que cercava a formação docente de referências à maternidade, as prendas do lar e ao afeto. Compreendendo a importância da mulher no resgate da memória e da história social de um povo, o presente trabalho, objetiva contribuir para a reconstrução e compreensão de quem era a mulher potiguar nas primeiras décadas do século XX, quais foram os meios empregados pela sociedade norte-rio-grandense na construção da imagem da mulher moderna.

11. A Passagem de Mario de Andrade por Natal: uma busca da brasilidade

Humberto de Araújo (Professor do Departamento de Letras-UFRN)

Leitura de registros da passagem do escritor Mário de Andrade pela capital do Rio Grande do Norte, no final da década de 20, com o objetivo de verificar o modo como a cidade era observada a partir de uma perspectiva modernista. Foram identificadas observações sobre a tradição cultural local em contraste com aspectos da modernização da cidade. Sob a ótica da brasilidade, categoria perseguida pelo movimento modernista na fase correspondente ao final da década de 20, os registros caracterizam-se pela percepção estética do espaço urbano, dos hábitos e costumes locais, assim como de personalidades típicas da cidade. Ao registrar o processo de modernização da cidade do Natal naquele momento específico, Mário de Andrade produzia um contraponto à coleta de dados sobre a tradição cultural local, permitindo assim uma caracterização do moderno e do tradicional, aspectos fundamentais para a pesquisa artística da época.

12. Reinventando Natal: a modernidade urbana nos anos 20

Jamilson Azevedo Soares (Mestre em Ciências Sociais-UFRN)

Este trabalho versa sobre a dinâmica espacial urbana da cidade de Natal nos anos 1920, enfatizando as transformações no cenário urbano local a partir da análise dos fragmentos mais expressivos e reveladores da sua trajetória em busca da modernidade. A inserção dos signos modernos no contexto local contribuiu para revelar o perfil de uma época marcada fundamentalmente pela incessante busca do progresso e da civilidade, e na qual todos pareciam curvar-se fascinados pelo novo. Sobretudo, o referido período assinalou alguns dos momentos em que o projeto de construção de uma cidade moderna ganhou impulso a partir das ações implementadas pela elite dirigente local, propiciando que vicejassem determinadas condições que se tornariam importantes instrumentos, posteriormente, para a sua integração no contexto da modernidade urbana.

13. Januário Cicco, 1920: Saneamento e Modernização para Natal

Pedro de Lima (Prof. Dr. do Departamento de Arquitetura-UFRN)

pedro.de.lima@uol.com.br

Nesta comunicação apresenta-se uma abordagem preliminar da obra Como higi-enizaria Natal – Algumas considerações sobre seu saneamento, escrita pelo médico e sanitarista Januário Cicco e publicada em 1920. Trata-se de um documento de grande importância para o estudo do processo de urbanização de Natal, sobretudo em seus aspectos ambientais e sanitários. Na abordagem proposta pelo autor, o projeto de saneamento para Natal é, ao mesmo tempo, um projeto de valorização social da população e um projeto de modernização para a cidade. Hoje, depois de quase um século de sua publicação e não obstante as conquistas do conhecimento e da tecnologia no saneamento e na saúde pública, as precárias condições sanitárias de Natal reafirmam a importância da obra de Januário Cicco.

 


GT-11: IDENTIDADE E ETNIA

Coordenadoras:

Profª. Drª. Julie Cavignac (Departamento de Antropologia)

E-mail: cavignac@cchla.ufrn.br

Jussara Galhardo Aguirres Guerra (Museu Câmara Cascudo)

E-mail: filhosol@digi.com.br

Local/horário: Setor de aula II, Bloco A, sala 3, 45 lugares, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

Continuando uma discussão iniciada em 2002 na UFRN, o grupo de trabalho "IDENTIDADE E ETNIA" reune professores, pesquisadores e alunos trabalhando sobretudo nas áreas de antropologia e história. Os temas a serem abordados durante a discussão tratarão da questão étnica e das identidades culturais, especificamente no Rio Grande do Norte, tanto ao nível da realidade etnográfica atual quanto historiográfica, em diferentes contextos urbanos e rurais. Os principais objetivos do GT são: levantar questionamentos sobre a origem, as marcas memóriais e o devir dos grupos (sobretudo indígenas e de origem africana), reunir pesquisadores e estudantes interessados na temática, apontar para novas problemáticas e pistas de pesquisas – sobretudo após a divulgação do censo 2000 –, como propor a investigação sistemática de uma realidade pouco pesquisada no estado.

RESUMOS

Coordenação da mesa:

Jussara Galhardo Aguirres Guerra

Debatedor:

Luiz Antônio De Oliveira

1. Um estudo sobre as memórias de professores negros, formados no estado do Pará, entre os anos de 1970 e 1980

Wilma Baía Coelho (UFPA e UNAMA – Doutoranda em Educação pela UFRN)

wilmacoelho@yahoo.com.br

Esta pesquisa tem como objeto de estudo os processos de formação docente. Destaca a análise sobre a relação, que entendemos necessária, entre história de vida, formação acadêmica e prática profissional. Nosso objetivo é o relacionar a história de vida dos professores negros com a sua formação acadêmica e com a reflexão que fazem sobre a sua prática profissional. A hipótese de trabalho encaminha-se no sentido de afirmar que a ausência do negro da escola, do conteúdo intelectual que ela transmite, se deve, também, à inexistência do professor negro, a não auto-identificação. Utilizamos as décadas de 1970 e 1980 e recorreremos à bibliografia utilizada para a formação de professores desse período. Trabalharemos, também, com textos opinativos relacionados às questões educacionais e étnico-raciais veiculadas naquela época.;problematiza as representações contidas nos relatos de escolarização de professores negros, o estudo estará ativando, teórica e metodologicamente, discussões acerca das representações sociais, memórias de escolarização e de relações étnico-raciais.

2. Uma caracterização da comunidade de capoeiras localizada em Macaíba-RN

Ana Cristina Dantas de Oliveira

Danielle Souza Barbosa

Claúdia Patrícia Melo da Silva

Thalyta Mabel Nobre Barbosa (Alunas do Curso de Serviço Social da UFRN)

E-mail: thalytamabel@bol.com.br

De acordo com a história do Brasil houve, pelo menos, sete tipos fundamentais de quilombos: os agrícolas, os extrativistas, os mercantis, os mineradores, os pastoris, os de serviços, os predadores, reproduzindo internamente o tipo de economia da área na qual se organizavam. Capoeiras é uma comunidade originária de um quilombo agrícola onde sua estrutura está montada com base na agricultura e no valor que a terra representa. Capoeiras localiza-se no interior de Macaíba-RN à 36 Km do município. O nosso objetivo é caracterizar essa comunidade através da sua formação, da religião, dança, educação, saúde, relacionamento e agricultura.

3. Acauã Antiga e Acauã Nova

Katiane F. Nóbrega (Professora do Departamento de Antropologia-UFRN)

Jefferson C. dos Passos (bolsista voluntário CIRS/UFRN)

E-mail: rafher@bol.com.br

Discute-se o impacto ambiental e sócio-cultural causado pela construção da barragem Engenheiro José Batista do Rego Pereira sobre a comunidade de Acauã (Poço Branco/RN). A construção da barragem provocou o deslocamento da comunidade e seu confinamento a um espaço muito restrito, de um 1km de perímetro. Este processo representou para seus habitantes o fim de um tempo áureo em que não existia patrão e empregado e cujas relações sociais eram marcadas pela cordialidade. Hoje, tem-se Acauã Velha e Acauã Nova. Esta última é composta de aproximadamente 50 famílias nucleares que vivem em 50 casas distribuídas em três ruas. Dispõe de um campo de futebol e um galpão abandonado, que abrigou o Aviário Comunitário (Projeto implantado pela Associação dos Moradores de Acauã e o Programa Universidade Solidária/1997). Fala-se sobre a memória que foi perdida nesse processo de construção da barragem (1960-1969), ressaltando personagens como Zé Cauã (fundador) e as histórias de escravos alforriados. Apresenta-se, ainda, o caráter endogâmico da aldeia, a partir dos depoimentos de Eloy Catarino (69 anos) e João Catarino (88 anos).

4. Índios e Negros no Rio Grande do Norte

Julie A. Cavignac (Profa. Dra. do Departamento de Antropologia)

cavignac@cchla.ufrn.br

O Rio Grande do Norte é um dos raros estados brasileiros onde não há uma população indígena oficialmente registrada e onde os descendentes dos escravos trazidos da África tem pouca representatividade na historiografia. Porém, o sertão potiguar foi o cenário de uma das maiores resistências indígenas da história colonial brasileira conhecida como a Guerra dos Bárbaros (1651-1704). Também existem várias comunidades rurais negras e registro de escravos na documentação oficial e na memória dos moradores. Ao longo dos séculos, assistimos ao sumiço progressivo da presença dos 'índios' e dos ‘negros’, chegando a desaparecer do mapa étnico da região. Hoje, os livros didáticos, fundamentando-se nos estudos clássicos dos historiadores locais, apresentam uma versão branqueada da história colonial. Segregados, marginalizados, invisibilizados e esquecidos, esses grupos passaram a ser convencidos da sua inexistência. Tentaremos, através de uma revisão da história do Rio Grande do Norte, colocar a luz sobre elementos constitutivos de uma identidade regional, o que nos permitirá abordar o problema das identidades étnicas no Nordeste e, em particular no Rio Grande do Norte.

5. Um estudo preliminar sobre a formação da identidade dos habitantes do Pêga (Portalegre-RN)

Glória Cristiana de Oliveira Morais (Mestranda em Ciências Sociais-UFRN)

E-mail: gcomorais@hotmail.com

A comunidade do Pêga, localizada na zona rural do município de Portalegre/RN, é formada por indivíduos de cor negra e possui um forte laço de parentesco com as comunidades vizinhas do Arrojado e do Engenho Novo, também localizadas em Portalegre. Essas três comunidades rurais praticam, geralmente, o casamento endogâmico, formando assim um grande grupo familiar, dividido entre os sobrenomes: Jacinto, Delmiro, Bessa, Bevenuto e Ricarte. A reunião de parte dos membros da família ocorre durante a farinhada e a realização da dança de São Gonçalo. A primeira, é uma atividade econômica e a segunda, uma manifestação religiosa. As duas representam um momento de sociabilidade e transmissão de valores do grupo.

6. Identidade local e sítio arqueológico

Maria Tereza Santana da Costa R. Almeida (Mestranda em Ciências Sociais-UFRN)

A pesquisa que investiga as relações entre um sítio arqueológico e uma comunidade situada no município de Ingá Pb, tendo como objetivo o registro das imagens construídas pelos moradores locais sobre a Pedra Lavrada. Em contatos preliminares foi possível detectar uma ambiguidade nesta relação; valorização x desvalorização do monólito: após o tombamento do sítio arqueológico há moradores que afirmam que o local necessita de tratamento especial, pois mobiliza atenções externas dos turistas e, ao mesmo tempo nota-se um desconhecimento da importância histórica do sítio por parte dos habitantes. Neste primeiro momento, propomos uma reflexão sobre as práticas e os discursos nativos em relação ao passado e a uma nova visão imposta pelos agentes do estado e as modificações ocorridas na identidade local.

7. As Comunidades Negras Rurais Quilombolas no Rio Grande do Norte

Geraldo Barboza de Oliveira Junior (Antropólogo, Mestre em Antropologia Social (UFSC), professor do Curso de História da Universidade Potiguar)

geraldo@unp.br

As comunidades negras rurais quilombolas são definidas a partir de vários fatores: uma identidade étnica de preponderância negra; a ancianidade de suas ocupações fundadas em apossamento dos seus territórios; a detenção de uma base geográfica comum ao grupo; organização em unidade de trabalho familiar e coletivo; e vivência em relativa harmonia com os recursos naturais existentes. Entretanto, é a alteridade étnica que estas comunidades mantém com as sociedades nacional e regional que vai delimitar o perfil desta identidade. A última publicação referente a territórios remanescentes de quilombos no Brasil registra 843 comunidades distribuídas no território nacional e 14 no Estado do Rio Grande do Norte. Através de pesquisa pessoal registrei a indicação de mais de cinqüenta comunidades negras rurais no Estado do Rio Grande do Norte.

Coordenação da mesa:

Julie A. Cavignac

Debatedor:

Muirakytan K. De Macedo

8. O aparecimento dos índios do Seridó, sertão da Capitania do Rio Grande, nos séculos XVIII e XIX

Helder Alexandre Medeiros de Macedo (Bacharel e Licenciado em História-CERES-UFRN)

helder@seol.com.br

A historiografia consagrada do RN trata do elemento indígena na história do interior do estado como circunscrito ao período anterior ao povoamento da região, após o que teriam desaparecido das terras sertanejas da então Capitania. Todavia, pesquisas feitas por D. José Adelino Dantas e Sinval Costa entre os anos 70 e 80 detectaram a presença de índios na documentação da Freguesia de Santa Ana do Seridó (que abrangia o Seridó paraibano e potiguar). Partindo dessa pista, objetivávamos entender como se deu essa presença de índios e quais suas histórias no Seridó após o contato com os colonizadores. Os indígenas apareceram nos documentos da citada freguesia, perfazendo cerca de 1 a 2% da população regional, dado que se contrapõe à hipótese do desaparecimento e nos leva a refletir sobre a sua inserção na sociedade colonial através da mestiçagem.

9. A identidade indígena no Rio Grande do Norte x os censos demográficos.

Jussara Galhardo Aguirres Guerra (Museu Câmara Cascudo-UFRN)

filhosol@ digi.com.br

No Rio Grande do Norte, a historiografia oficial considera o indígena como totalmente extinto ou “diluído” em meio à população regional. A miscigenação sofrida através dos séculos teria, de acordo uma lógica linear, transformado o indígena em “caboclo”,uma adjetivação “menor” do que originariamente teria sido “índio puro”. Foi imposto, ao longo dos séculos, a condição inevitável de transição e de integração à nova ordem político-ideológica e político -econômica que se implantava no país e a nível regional. Neste novo modelo imposto não havia (há) lugar para as alteridades. o indígena ao se tornar “caboclo”, ideologicamente, implicava no “apagamento” de seus referenciais e antecedentes indígenas, bem como de sua própria história, dando lugar a uma versão unilateral e incontestável. Dados oficiais de censos realizados nos séculos XVIII e XIX demonstram o progressivo “desaparecimento” indígena no estado. Hoje, no entanto, dados mais recentes do IBGE indicam uma significante presença indígena no RN, porém “invisível”. Esse dado curioso nos revela que essas identidades além de não serem reconhecidas, também não pleitearam seu reconhecimento frente aos órgãos competentes. Alguns grupos localizados no estado iniciam uma mobilização neste sentido, segundo a FUNAI/PB.

10. As memórias em Pium: uma outra história

Adriene do Socorro Chagas

Carlinda Alguineide (Alunas de graduação do curso de Ciências Sociais-UFRN)

adoraflink@hotmail.com

O presente trabalho é fruto de uma atividade de pesquisa em andamento na comunidade de Pium, localizada no município de Parnamirim. Através da coleta da memória dos moradores mais antigos da comunidade, esse trabalho busca recolher um passado cuja história oficial não registrou, resultando dessa maneira em uma outra versão da história, a das vozes encobertas pelos considerados grandes feitos históricos, a da história positivista. E por meio dessas narrativas realizar-se-á uma reflexão sobre o tema da memória e sua relação com a questão da identidade local e do passado – a partir das representações e dos discursos sobre a ‘casa de pedra’.

11. O Carnaval na Redinha: representação e identidade indígena

Ilo Fernandes da Costa Júnior (Mestrando em Ciências Sociais-UFRN)

ilo-fernandes@uol.com.br

A partir da descrição de um bloco de carnaval que existe há cinqüenta e quatro anos denominado “Índios Tapuia” num bairro de pescadores da praia da Redinha, procuraremos refletir sobre a encenação de uma identidade indígena que aparece publicamente durante os festejos: no carnaval, no dia de São Sebastião e no dia de São José. Há quatro anos, o bloco conseguiu conquistar um espaço e uma legitimidade, pois participa do carnaval na Redinha, e no desfile das escolas de samba na Ribeira. Alguns integrantes do bloco se reconhecem como tendo ancestrais indígenas, entretanto não há uma afirmação étnica fora dos momentos rituais. Assim, pensamos o bloco como uma das poucas ocasiões de afirmar uma identidade diferencial reconstruída através das imagens estereotipadas do índio e da inversão dos papeis históricos na ‘brincadeira’.

12. Juventude e participação política: um estudo dos jovens Xukuru do Ororubá

Claudia Maria Moreira da Silva (Graduanda em Serviço Social)

claumoreira@latimmail.com

No Brasil os estudos que tratam do tema da participação política da juventude em sua grande maioria deixam de fora parte significativa de jovens da sociedade brasileira. É o caso de jovens indígenas. A pesquisa analisou o papel social e a participação política da juventude Xukuru do Ororubá, diante do movimento vivenciado pela comunidade, de reinvenção de tradições e reelaboração da identidade. Elegeu-se como universo de análise da Comunidade Xukuru do ororubá, situada no agreste pernambucano, a aldeia São José. Realizamos uma revisão bibliográfica da literatura sobre: comunidades étnicas, juventude e participação. Utilizamos procedimentos quantitativos e qualitativos, tais como: o recurso da pesquisa documental, entrevistas semi-estruturadas e técnicas de observação direta. O material coletado sinaliza à relevante participação da juventude no processo sócio político desencadeado nas aldeias xukuru, um expressivo aumento no grau de escolaridade formal entre os jovens da comunidade e a expressão de uma cultura política. A participação da juventude no processo de reinvenção de tradições e reelaboração da identidade tem redefinido o lugar social ocupado pelos jovens em relação as gerações anteriores. A juventude passou a ser percebida como ator fundamental na reprodução e manutenção das formas tradicionais de organização social e práticas de sociabilidade na comunidade Xukuru do Ororubá.

13. Um martírio encenado: a reconstrução teatral do passado no litoral sul do Rio Grande do Norte

Luiz Antonio de Oliveira (Mestre em Antropologia – UFPE)

luizantov@bol.com.br

A formação de uma trama histórica e religiosa, tecida como composição teatral que encena o passado local, tem palco em duas localidades do interior do Rio Grande do Norte. O culto aos mártires de Cunhaú e Uruaçu, mortos na primeira metade do século XVII, durante a ocupação holandesa, e beatificados em março de 2000, celebrando em atos dramáticos a suas mortes, reescreve o fato histórico do martírio. O passado dessa forma recriado em performances culturais presentes, é tornado cartão postal das cidades que abrigam as terras beatificadas. Estas, por sua vez, emergem como centros de peregrinação religiosa no Estado. Centrando a minha observação no caso de Cunhaú, no litoral sul do Rio Grande do Norte, vejo como este exemplo de reconstrução narrativa do passado procura fomentar uma "memória histórica" do fato celebrado. Um fato capitalizado ns promoção religiosa do passado colonial do Rio Grande do Norte. Duas questões emergem. Primeiro, são vistas, nas celebrações em torno da memória dos mártires, diferentes formas de reconstrução do passado. Segundo, nestas representações do passado local, há a fabricação de alteridades, personificadas nos personagens do antigo Cunhaú. Há, no caso de Cunhaú, e possivelmente de Uruaçu, a construção de alteridades históricas, sob a forma de ações antagonistas nos relatos históricos e orais, personificadas nas figuras do índio e do holandês. Problematiza-se, dessa forma, a questão da construção das identidades locais e suas representações no passado. Observa-se, nas representações do passado de Cunhaú, diferentes estratégias de construção de um lugar de memória.

 


GT-12: MODELOS DE EXPLICAÇÃO NA CIÊNCIA E NA FILOSOFIA

Coordenadoras:

Profa. Dra. Maria da Paz Nunes de Medeiros (Departamento de Filosofia)

Profa. Dra. Ângela Maria Paiva Cruz (Departamento de Filosofia)

Email: baselce@cchla.ufrn.br

Local/horário: Setor de aula II, Bloco A, sala 4, 30 lugares, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

Visa a análise de variados modos de entender a realidade, encontrados na história da ciência e da filosofia ou propostos na contemporaneidade, como modelos de explicação e representação do conhecimento. Trata de investigações acerca dos fundamentos lógicos e ontológicos dos modelos e das implicações para estudos interdisciplinares que priorizam entendimentos mais amplos dos conceitos.

Serão consideradas propostas de trabalhos que discutam:

1. Análises conceituais na ciência e na filosofia;

2. Sistemas de lógica clássica e não-clássicas;

3. Modelagens conceituais e suas implicações para a pesquisa interdisciplinar.

RESUMOS

1. Lógica e metalógica

Apresentador/autor:

Adriano Marques da Silva

Orientadora:

Profa.Ângela Maria Paiva Cruz

O que geralmente se denomina “lógica aristotélica” corresponde na verdade a trechos colhidos de um conjunto de livros que versam sobre a “demonstração analítica” (segundo as palavras do estagirita), reunidos sob o nome geral de Organon. Dada a finalidade visada pelo filósofo com esta disciplina, a saber, sua aplicação a problemas filosóficos, a fundamentação e exposição sistemática da lógica não foi então desenvolvida. O auspicioso desenvolvimento formal da lógica, findo o século XIX e início do século XX, deu-se conjuntamente com a reinterpretação (embora que por vezes não explicitamente) dos conceitos e metaconceitos lógicos legados pelo escrutínio crítico da tradição, modificando destarte o status da lógica, seu lugar e papel dentro da ciência. A importância da explicitação de alguns metaconceitos subentendidos em estágios tão distintos da história da lógica não se resume à mera exposição historiográfica. Ela propicia a discussão de importantes temas concernentes à filosofia da lógica e à representação do conhecimento, tais como a abrangência da lógica, seus limites e seu valor. Tais temas remetem a uma discussão mais ampla sobre o conceito de ‘ciência’, como o entendemos e como fora concebido na antiguidade. Este trabalho procura expor e comparar certos conceitos metalógicos que perpassam a lógica tradicional (aristotélica) e moderna.

2. Problemas da lógica modal

Apresentador/autor:

Alberto Leopoldo Batista Neto

Orientador:

Profa. Maria da Paz Nunes de Medeiros

No trabalho a ser apresentado nos propomos a analisar alguns dos problemas suscitados pelas tentativas de interpretação dos sistemas modais (que tratam dedutivamente dos argumentos que incluem as noções de necessidade, possibilidade e implicação estrita), especialmente a partir da perspectiva de Quine, e suas críticas aos conceitos de necessidade lógica e analiticidade, à intensionalidade (opacidade referencial) gerada nos contextos modais, a questão da denotação e o comprometimento ontológico que tais sistemas devem supor, e expor um esboço das tentativas de resposta a tais objeções, seja de modo a escapar delas, seja de maneira a invalidá-las, com ênfase na solução interpretativa de Kripke baseada em modelos de mundos possíveis e seu posicionamento ante certas questões filosóficas engendradas por tais discussões.

3. lógica proposicional paraconsistente.

Apresentador/autor:

Daniel Liberalino Monte

Orientadora:

Profa. Dra. Ângela Maria Paiva Cruz

O trabalho a ser apresentado trata de tópicos relacionados às lógicas paraconsistentes, tais como sua relevância filosófica e científica, seu contexto histórico, e os aspectos formais do cálculo proposicional paraconsistente. Além disso, alguns temas concernentes à lógica modal são examinados – à guisa de um futuro direcionamento dos estudos para a lógica modal paraconsistente. Por exemplo, a discussão sobre o comprometimento ontológico da lógica modal (e as demais críticas de Quine), designadores rígidos, a noção de necessidade e uma exposição formal do cálculo modal proposicional.

4. lógica fuzzy: uma abordagem filosófica e aplicada

Apresentadora/autora:

Jacira Cardoso Palmieri

Este trabalho visa apresentar uma breve introdução sobre a Lógica Fuzzy. Procura-se enquadrá-la dentro da história da Lógica, citando as razões pelas quais ela foi desenvolvida, suas vantagens, desvantagens e características e seu histórico até a atualidade, enfatizando seu papel de destaque e sua aplicabilidade.

5. Uma formulação de cw* em cálculo de seqüentes e dedução natural

Apresentador/autor:

José Eduardo de Almeida Moura

O Cálculo Funcional de Primeira Ordem Cw* carece de uma apresentação em Cálculo de Seqüentes e Dedução Natural que estenda as técnicas e resultados obtidos em Moura (2001) sobre o cálculo proposicional Cw. O desenvolvimento desta formulação é apresentado, com comentários históricos sobre propostas anteriores e a discussão sobre a caracterização deste sistema de acordo com a Taxonomia de Carnielli e Marcos (2002).

Referências:

CARNIELLI, W. A.; MARCOS, J. A Taxonomy of C-systems. In: CARNIELLI, W. A.; CONIGLIO, M. E.; D’OTTAVIANO, I. M. L. (eds.). Paraconsistency, the logical way to the inconsistent. New York: Marcel Dekker, 2002, p. 1-94.

MOURA, J. E. A. Um estudo de Cw em cálculo de seqüentes e dedução natural. Tese (doutorado) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas. Campinas, SP: [s.n.] 2001.

6. A lógica linear

Apresentadora/autora:

Maria da Paz Nunes de Medeiros

Podemos descrever a lógica linear como um refinamento de determinadas operações lógicas, pois é relevante a quantidade de vezes que uma hipótese é usada em um raciocínio. A lógica linear é essencialmente uma lógica relevante onde, além da regra de atenuação, também não é permitido usar livremente a regra de contração. Apresentaremos um sistema em cálculo de seqüentes para lógica linear, enfatizando o que esse sistema difere, do ponto de vista dedutivo, dos conhecidos sistemas lógicos clássicos.

7. Os princípios do pensamento racional no Livro IV da metafísica de Aristóteles

Apresentador/autor:

Márcio de Lima Pacheco

Em “Metafísica” de Aristóteles vemos a preocupação em demarcar as leis para explicar o que é ou o que deixa de ser. As proposições lógicas lá elencadas mostram uma preocupação com o encadeamento de silogismos, seguido, assim, regras de princípios de raciocínios para se obter um perfeito raciocínio dedutivo, segundo o qual posta certas asserções sobre as coisas, seguem-se necessariamente outras. Aristóteles busca, desta maneira a legitimação do horizonte de pesquisa da filosofia. O filosofo traça o problema da formalização do discurso filosófico, traçando, por assim dizer, um mapa para a pesquisa. A partir da leitura do Livro IV da Metafísica nos propomos a explicar a contribuição aristotélica para a caracterização do pensamento racional e de seus princípios.

8. Considerações acerca da lógica aristotélica via quadrado de oposição

Apresentador/autor:

Rômulo Bertoldo de Araújo

Orientadora:

Profa. Maria da Paz Nunes de Medeiros

As relações lógicas que se obtêm entre os 4 tipos de afirmação da lógica de Aristóteles foram sistematizadas, na Idade Média, naquilo que ficou conhecido por "Quadrado de Oposição". Este é ainda hoje importante, pois encerra uma quantidade impressionante de informação lógica, crucial para qualquer estudante de filosofia ou outros que queiram saber discutir idéias com rigor. Não obstante, a simplicidade e clareza que o quadrado de oposição oferece, este serve também para mostrar a limitação da lógica de Aristóteles e sua superação pela lógica contemporânea. A lógica aristotélica lida com a estrutura quantificacional das proposições, que só é capaz de lidar com 4 tipos de proposições quantificadas. Isto é de uma economia extraordinária tornando-a uma lógica extremamente limitadora. Ademais, a lógica de Aristóteles foi concebida para "explicar" coisas e não para argumentar em geral. Neste sentido, o presente trabalho tem como objetivo tecer alguns comentários acerca das relações lógicas do quadrado de oposição e apontar alguns erros comuns no ensino da lógica aristotélica. Para isto, se faz necessário entender de que modo as relações lógicas foram pensadas por Aristóteles e posteriormente postas no quadro de oposição, e de como esta concepção gerou, de certa forma, dificuldades e limitações, que somente a partir do advento da lógica moderna, sobretudo com Frege e Russell, e da lógica contemporânea, foi possível dar um tratamento adequado às limitações da lógica aristotélica. Com efeito, este trabalho, na esteira da lógica contemporânea, apontará a confusão que alguns manuais de filosofia cometem na formulação das chamadas três leis do pensamento: o princípio da identidade, o terceiro excluído e a não-contradição.

9. Universais e a Lógica Fuzzy

Apresentadora/autora:

Sheila Mendes Accioly

O Problema dos Universais mostra-se intratável pela via da lógica clássica, por questões relativas à adequação da linguagem ao pensamento. A lógica difusa pode ser uma alternativa para o tratamento deste problema, permitindo a modelagem dos chamados conceitos universais. Este trabalho tem por objetivo discutir uma contribuição possível da lógica difusa para a modelagem de conceitos mais gerais (ditos universais) com características de “vaguidade”.

10. Sobre a validade dos argumentos

Apresentador/autor:

Stanley Kreiter Bezerra Medeiros

Orientadora:

Profa. Dra. Ângela Maria Paiva Cruz

Este trabalho tem como objetivo a apresentação e discussão de uma questão muito importante para todos os ramos da ciência que utilizam o raciocínio lógico e concatenação do mesmo em uma linguagem argumentativa, a saber, a validade dos argumentos. Os argumentos, por mais simples ou complexos que sejam, são utilizados por nós em diversas atividades que necessitamos desenvolver. Precisamos, portanto, saber como utilizá-los e, como analisá-los quando se tratar de argumentos vindos de terceiros. Não existe somente um padrão de avaliação para os argumentos, mas vários; também não existe uma só definição para a validade. Atualmente, lógicas e mais lógicas formais estão sendo desenvolvidas com o intuito de aproximar-se cada vez mais em significado, das noções informais de lógica. Com esse desenvolvimento, a questão da relação entre validade lógico formal e informal é cada vez mais suscitada. Devido a esse e a outros fatores, este trabalho visa a contribuir para essa discussão.

11. As Aventuras de Alice no País das Maravilhas: O Mundo da Inversão

Apresentadora/autora:

Rosanne Bezerra de Araújo

Narrativa de Lewis Carroll (1832-98), escritor que instaura um método serial em Literatura explorando o não-senso contrapondo-o com o desdobramento do sentido até o infinito, Alice no país das maravilhas narra a história de uma garota que, ao sonhar, desperta para uma outra realidade, na qual predomina uma lógica inversa, onde o absurdo e o surreal são a norma natural do sonho. Contrapondo sonho e realidade notamos que ao mesmo tempo em que a obra é pontuada pelo mundo da inversão, pelas perguntas sem respostas, por outro lado ela é também uma incessante busca pelo sentido, pela lógica da linguagem. O perfil de Alice é o de uma garota inteligente e curiosa. Porém, ao se encontrar do “outro lado do espelho”, imersa na lógica do sonho, perde o controle e desafia a realidade onírica. Neste mundo atemporal, questionamentos como ‘quem sou eu?’ se repetem, pois, quanto mais ela adentra este mundo mais perde sua identidade, além de não conseguir manter um diálogo com os outros personagens, afinal, sendo estes pertencentes ao mundo dos sonhos, a lógica de sua linguagem é inversa a de Alice. Segundo Gilles Deleuze, em Lógica do sentido, a história de Alice é a história de uma regressão oral. Seguindo seu pensamento, procuramos ressaltar um excesso de série significante e uma carência da série significada. O não-senso pode ser verificado na própria linguagem de Carrol, no uso do neologismo, o que Deleuze chama de “palavra-valise”, aquela que, como uma casa vazia, espera que um sentido a ocupe. A lógica de Carroll parece simples, mas ele nos mostra que o pensamento não é um ato simples. Muito pelo contrário, põe em jogo todas as potências do inconsciente.

12. Fundamentos lógicos da ética argumentativa

Apresentadora/autora:

Ana Lêda de Araújo

Em seu livro Ética de la Producción: Fundamentos (1994), o filósofo Sírio Lopez Velasco propõe o operador lógico condicional “*” com o objetivo de utilizá-lo como um instrumento para deduzir normas éticas dotadas de validade intersubjetiva. Essa dedução se dá de forma argumentativa com base na aceitação e busca de realizações “felizes”, ou condições de felicidade – defendida pelo filósofo John Austin (1962) – da pergunta que institui o espaço ético-moral “Que devo fazer?”. A partir da proposta de Lopez Velasco, faremos uma análise do operador “*”, com o objetivo de apresentar uma lógica que possa explicar os raciocínios válidos envolvendo tal operador. Para concluir, provaremos uma série de teoremas que podem ser obtidos nessa lógica.

13. Reflexões sobre mundos possíveis na perpectiva do conhecimento em Platão

Apresentadora/autora:

Francisca de Paula de Oliveira

Orientador:

Prof. Dr. Luiz Carvalho de Assunção

Este trabalho procura refletir sobre a existência de mundos possíveis na obra de Platão a partir da discussão sobre a perspectiva do conhecimento. Procura ainda compreender, através do Mito da Caverna, quais os caminhos que possibilitam alcançar o conhecimento em sua essência. Como base teórica, é grande a relevância do diálogo Teeteto, que apresenta os diferentes graus do conhecimento. O referencial teórico utilizado foi composto basicamente de obras clássicas de Platão, a exemplo da República. Argumentamos sobre a existência de dois mundos possíveis, a saber, o visível e o inteligível. O primeiro se caracteriza por aprisionar os homens, enquanto no mundo inteligível, possível pela razão (logos) predomina o reino da inteligência (nous).

14. Considerações acerca da concepção platônica da alma (Yuch)

Apresentador/autor:

Alexsandro Sinfrônio da Câmara

Orientador:

Prof. Dr. Glenn Walter Erickson

Pretende-se expor as principais considerações acerca da problemática que envolve a concepção platônica da natureza da Alma (Yuch). Com efeito, essa exposição não consistirá em responder (solucionar), no momento, as proposições levantadas, mas apenas estabelecer as principais implicações que apresenta a temática platônica sobre a Yuch, uma vez que esta acepção demonstra sérios problemas para quem lê e estuda os diálogos de Platão. É indiscutível que isto leva a enganos e erros tais, que podem comprometer a qualquer um que se dispõe a compreender a filosofia platônica, sobretudo o tema da Alma. Esses problemas, por conseguinte, pode–se resumir nas assertivas: a) Qual a natureza (origem) da Yuch; b) Quais as implicações que asseguram ou perturbam o consórcio da Alma com o Corpo (To Swma); c) Que diferença(s) pode(m) ser estabelecidas entre as diversas Almas (Yucai) – Do Mundo, dos astros, do homem, dos animais e dos vegetais; e por fim, o que parece de mais indubitável compreender acerca dessa concepção da Alma platônica, a saber d) O que é o homem (anqwpoV) em sentido platônico: a junção entre a Alma (Yuch) e o Corpo (To Swma), ou ele é a sua própria alma? Uma vez entendida esta última proposição, espera-se compreender o lugar do homem como ser social, capaz de comandar o seu próprio comportamento diante de qualquer situação, encontrando-se com o seu verdadeiro ethos.

15. O Górgias em uma perspectiva ética

Ricardo Cesar Avelino

Trataremos nesse trabalho de um dos diálogos mais importantes de Platão, O Górgias, que começa com uma conversa entre Cálicles e Sócrates, os quais questionavam-se por terem chegado atrasados no discurso que Górgias, personagem principal, acabara de proferir. Assim, Cálicles coloca para Sócrates que Górgias está hospedado em sua casa e fará uma nova apresentação do seu discurso por amizade. É nesse ponto que Polo, outro personagem, entra se dizendo capaz de conduzir o diálogo e responder ao que Sócrates e Querefonte querem saber, sem deixá-los sob qualquer aspecto em carência quanto aos assuntos que abordarão. Essa obra-prima de Platão, considerada uma das mais atuais de todos os tempos; discute questões a serem tratadas em qualquer época, com grande poder de nos fazer transcender à realidade atual, vigente, por suas linhas bem escritas. Nela, Platão trata temas de diversas visões e extrema atualidade como o poder, a retórica, que nesse contexto pode ser vista como política, capaz de extrema persuasão. Neste trabalho, nos deteremos em alguns pontos que tratam mais precisamente da questão da ética, a qual, em O Górgias também é tratada com muita ênfase e preocupação quanto à possibilidade da moralidade que é um dos traços dos diálogos de Platão.

16. Modelos de vacina: fundamentos e implicações

Apresentadora/autora:

Roseane Pereira da Silva

Orientadoras:

Profa. Ângela Maria Paiva Cruz / Maria Cristina Dal Pian

A vacina é uma forma de imunização ativa, capaz de estimular o sistema imunológico de um indivíduo a gerar anticorpos contra determinado e específico organismo invasor (antígeno), sem que o mesmo venha a desenvolver a doença. Existem basicamente dois modelos gerais de produção de vacinas, a saber, o modelo clássico e o modelo baseado em engenharia genética. Este trabalho tem por objetivo principal, explicar as principais características desses modelos, os aspectos conceituais que os fundamentam e as implicações para a investigação sobre o sistema imunológico.

17. Movimento conceitual da filosofia: significado e natureza

Apresentadora/autora:

Carmen Suely Cavalcanti de Miranda

Orientadora:

Profa. Dra. Ângela Maria Paiva Cruz

O trabalho integra um conjunto de reflexões sobre a importância da filosofia para o campo formativo das ciências da saúde. Importância que se traduz na compreensão da necessidade do aporte dos conteúdos filosóficos para a formação dos profissionais dessa área. A análise proposta apresenta, a priori, 2 níveis temáticos: o nível geral, a filosofia como universalidade temática, sua natureza, sua história, e sua potencialidade formativa; o nível particular, a filosofia tematizada como filosofia-disciplina no contexto de formação na área da saúde. O objeto desse estudo se determina a partir da compreensão da exigência de uma discussão acerca da natureza da filosofia e seu movimento de articulação com a educação, como instância capitular, de suma importância, para melhor fundamentar a reflexão na sua totalidade. O estudo foi desenvolvido com base nas questões-guias: é a filosofia necessária à educação? Que filosofia?, como referência ao movimento conceitual da filosofia onde evidencia-se que o reflexo de seus paradoxos de identidade e diferença se fazem sentir diretamente na sua transmissão; bem como a um processo mais profundo e continuum que abarca não só o movimento conceitual referido, porém, gesta e enerva o conhecimento de um modo geral: o trauma originário do “in”- finito.

18. Modelos de conhecimento e implicações éticas: saberes médicos no final dos séculos XIX e XX (Higiene e Bioética).

Antonio Basílio Novaes Thomaz de Menezes

O trabalho trata do caráter geral dos saberes médicos no final dos séculos XIX e XX, naquilo que concerne aos pressupostos da sua formação discursiva e ao discurso produtor de um modelo de conhecimento específico num dado quadro histórico. Apresenta como enfoque de abordagem o aspecto das implicações éticas decorrentes dos saberes enquanto expressão de um modelo de conhecimento. Tem por objeto de análise a Higiene e a Bioética como formas particulares de saber. Utiliza o referencial teórico da epistemologia social (Popkewitz, 1994) e as noções foucaultianas de épistèmé e discurso (Foucault, 1963, 1966, 1969, 1971). Em síntese, investiga os elementos recorrentes aos diferentes modos de estruturação dos modelos e os seus respectivos campos de problematização traçando-lhes um paralelo considerando cada quadro histórico.

19. Uma perspectiva de unificação no conhecimento geométrico

Apresentadora/autora:

Ângela Maria Paiva Cruz (Profa. Dra. do Departamento de Filosofia-UFRN)

Co-autora:

Maria Cristina Dal Pian

Pesquisas têm sido realizadas com vistas à justificação de uma epistemologia construtiva segundo a qual, rupturas radicais podem não se verificar. Neste trabalho discute-se uma perspectiva epistemológica unificante e uma englobante e apresenta-se argumentos que corroboram a primeira no âmbito da geometria.

20. Mudança epistêmica como progresso ramificado – Análise do conceito de Progresso Científico sob o enfoque Kuhniano

Apresentador/autor:

Josailton Fernandes de Mendonça

Orientadores:

Ângela Maria Paiva Cruz/José Eduardo de Almeida Moura

Durante muitos anos os filósofos da ciência têm procurado estabelecer a unidirecionalidade do progresso cientifico e recorrem para tanto ao conceito de Verdade. De fato, nada mais caracterizador da racionalidade do conhecimento cientifico que o seu progresso sob a égide da Verdade. Contudo, tanto quanto o conceito a idéia de uma unidirecionalidade do progresso do conhecimento científico não è claro. Os trabalhos de K. Popper e Thomas Kuhn apesar de romperem com a visão positivista de um processo acumulativo no desenvolvimento da ciência são limitados no tratamento do assunto. Enquanto Popper preserva a unidirecionalidade, a tese de Kuhn ameaça a própria idéia de progresso. Mas, são tratamentos dos quais emergem dois enfoques da questão. O objetivista que releva a esfera de um segundo mundo a mente individual do cientista e suas crenças; e o enfoque Kuhniano ou relativista o qual revela-se mais rico, na medida que abre espaço para duas abordagens ao tema: a estruturalista e a cognitivista. A primeira remete aos trabalhos de Moulines, Sneed e Stegmuller e trabalha a idéia de Progresso ramificado e a segunda tem em Paul Thagard um dos principais representantes. Aqui se fala em uma taxinomia das mudanças epistêmicas. Este trabalho procura mostrar duas coisas: primeiro que a idéia de progresso ramificado pode revelar a essência da chamada mudança epistêmica, que é um conceito da abordagem cognitivista, e segundo, que a idéia de Progresso é mais forte e específica que a idéia de Mudança Epistêmica. Na verdade, progresso cientifico ocorre tão somente em determinados momentos na esfera das mudanças epistêmicas, reveladoras da dinâmica da ciência normal.

21. Towards a minimalist notion of ontology

Juan Adolfo Bonaccini

As we all know the term "ontology" has been applied to many different kinds of philosophical enterprise since its criation by german scholarship in XVIIth. century. It has been first referred to either as the discipline of the categorial modes of predicating Being or as the essentialist commitment of explaining the ultimate ground of everything in reality. The first alternative has been defended in different ways by Kant and Quine as the theory about what is to stand for an object, i.e. as a theory of objects, insofar as every thing which is is in one or another way an object. If however modern philosophers were wright in maintaining the epistemological primacy issue against traditional metaphysics, included within ancient and medieval ontology, I think contemporary epistemology should answer the question about the soundness of maintaining that epistemological primacy after the abovementioned reformulation of ontology carry out by Kantian and Quinean philosophy. I think they should answer a new question, that is, to what extent the epistemological primacy can ignore a minimalist notion of ontology as to term what there is, what is able to be consider to be at all, etc. If modern philosophy was right in saying we cannot speak of whatever there is without epistemological criteria of justifying whatever we say we know about, I think contemporary philosophy should remind us there is no epistemic criteria which can be established without presupposing relevant ontological commitments.

22. O livre arbítrio

Apresentadora/autora:

Cristiane Fianco

Orientador:

Prof. Cláudio Ferreira Costa

O que é ser livre? Esta pergunta envolve toda uma problemática, a saber, a que diz respeito à liberdade do homem, àquilo que é comumente chamado de livre arbítrio. Porém, a questão “o que é ser livre”, quando analisada a fundo, revela que não se trata, apenas, de questionar a liberdade do homem em termos de ações morais, sociais ou políticas – ainda que isto seja possível. Ao abordar a questão sob a óptica filosófica, o problema do livre arbítrio vai além e esconde por trás de sua complexidade, indagações que exigem daqueles que se propõem a analisá-lo, um aprofundamento ainda maior. A pergunta “o que é ser livre?”, deve nos seus termos, tentar buscar saber se o homem age livremente, onde esta ação, presume-se, acorde com sua vontade. E ainda, saber se, ao escolher, o homem o faz livremente, de modo que sua escolha tenha sido direcionada por ele mesmo. Esta busca pela compreensão da questão da liberdade de ação do homem, recai fatalmente, em um problema metafísico, a saber, o de tentar compreender a idéia de liberdade de ação, diante da idéia de que para tudo parece haver uma causa. Este trabalho tem por objetivo explanar, em linhas gerais, o problema do livre arbítrio, utilizando como texto de apoio a síntese do anteprojeto de mestrado.

23. A origem da linguagem em Hobbes

Sérgio Eduardo Lima da Silva

Este trabalho é uma reflexão sobre a origem da linguagem na obra “ O Leviatã” de Thomas Hobbes. Embora esta seja uma obra de caráter político, a necessidade de teorizar sobre a origem e o objetivo da linguagem tornou-se imprescindível para o autor em questão, visto que uma das causas dos conflitos entre as pessoas deriva do mau uso da linguagem entre elas. O objetivo deste trabalho é perceber, na discussão hobbesiana, suas teses sobre a origem das palavras, a estrutura (cálculo) do discurso, o mau uso das expressões, além de tentar explicitar a influência do mundo exterior sobre o processo de formação dos termos em geral.

24. Modelo de explicação segundo Max Weber

Andrea Maria Linhares da Costa

O presente trabalho procura discutir alguns aspectos relativos ao “tipo-ideal” weberiano como modelo explicativo que incorpora a consideração dos juízos de valor do investigador, bem como os limites da objetividade dos conhecimentos no campo da teoria das ciências sociais. As considerações aqui apresentadas buscam evidenciar o significado deste modelo tendo em vista a intenção de Max Weber no sentido de posicionar a sociologia compreensiva no âmbito das metodologias cientificamente válidas.

25. Do gênio poético ao oversoul: a influência de William Blake em Nietzsche

Eduardo José Pereira de Sá Leitão

Este trabalho pretende estabelecer a relevância de Blake (1757 - 1827) como influenciador dos conceitos desenvolvidos por Nietzsche (1844 - 1900) em seu Nascimento da Tragédia, cujo principal tema é baseado na distinção entre o elemento Apolíneo e Dionisíaco, e o recorrente crescente interesse dos escritores de insuflar, em suas obras, a razão em detrimento à música, desvinculando esta dos conceitos das palavras, bem como, o conceito do Oversoul que seria uma nova espécie de Ser Humano que estaria além do Bem e Mal. Analisando-se e comparando a obra de Blake, O Casamento do Céu e do Inferno, e algumas de suas poesias, There is No Natural Religion, All Religions Are One, e The Fly, às obras do filósofo alemão, é possível concluir que a concepção desenvolvida por Blake do Gênio Poético como origem de tudo que somos ou compreendemos, e todas as suas divagações sobre o valor da arte, antecipa alguns conceitos que Nietzsche revelaria no seu Assim Falava Zaratustra. Apesar de Nietzsche ser um dos filósofos mais estudados na atualidade, pouco se tem falado sobre a influência do poeta Britânico em seus postulados, o que justificaria a relevância do assunto abordado e as conclusões aqui estabelecidas.

 


GT-13: O DESPONTAR DE UMA NOVA ORDEM MUNDIAL: RELAÇÕES INTERNACIONAIS, DIPLOMACIA E BELIGERÂNCIA

Coordenadora:

Profª Drª Beatriz Maria Soares Pontes (Departamento de Geografia)

E-mail: beatrizmariasoares@ig.com.br

Local/horário: Setor de aula II, Bloco B, sala 1, 25 lugares,terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

No decorrer da segunda metade do século passado, ainda em plena vigência da bipolaridade e da Guerra Fria ocorreram substanciais transformações no ritmo do capitalismo mundial, com o advento da reestruturação produtiva e grandes mudanças no processo de trabalho em face dos novos contornos do sistema científico-técnico-informacional. Na seqüência, emergiram os grandes blocos econômicos representados pelo NAFTA, União Européia e pelo Japão e os Tigres Asiáticos, além de blocos econômicos secundários ou regionais como o MERCOSUL. No âmbito político assistimos à queda do mundo socialista e o surgimento de uma superpotência hegemônica no cenário mundial representada pelos Estados Unidos. Ampliou-se ao mesmo tempo o território ocupado pelo modo-de-produção capitalista na escala mundial. Em face desta realidade plenamente delineada no final do século XX julgamos, num primeiro momento, que poderíamos pensar no advento do multilateralismo o qual seria representado por novas forças emergentes no cenário mundial. Todavia o curso dos acontecimentos tem evidenciado o enfraquecimento de um projeto multilateral no âmbito das relações internacionais por quanto assistimos, atualmente, ao flagrante desrespeito no que concerne aos trabalhos, decisões e diplomacia realizados pelos organismos multilaterais entre eles, a Organização das Nações Unidas. Entendemos que a questão iraquiana que ora se configura é bem o exemplo de ameaça da persistência do unilateralismo representado pela postura hegemônica e antidemocrática dos Estados Unidos e Grã-Bretanha no que tange aos compromissos inerentes às relações entre os povos. Vemos, portanto, para o futuro duas situações: de um lado um poder ilegítimo representado pela força aliada, tendo como respaldo engenhos bélicos de última geração e, de outro lado, a comunidade mundial representando um poder legítimo, todavia, sem respaldo bélico, lutando vigorosamente pela salvaguarda do multilateralismo, da democracia e dos direitos humanos entre as nações do planeta. Eixos temáticos: 1- A guerra Estados Unidos X Iraque; 2- Conflito israelo-palestino; 3- O unilateralismo e a hegemonia norte-americana; 4- Os conflitos no âmbito da União Européia; 5- Globalização e exclusão da África; 6- O papel estratégico do oceano Pacífico no limiar do século XXI; 7- China, Japão e Tigres Asiáticos; 8- O conflito entre Paquistão e Índia: a questão da Caxemira; 9- A instabilidade política dos Balcãs; 10- A questão da democracia na América do Sul.

RESUMOS

1. A Estratégia Geopolítica Brasileira na Bacia do Prata e o MERCOSUL

André da Silva Rocha (Aluno do PET do Departamento de Geografia-UFRN)

Ao longo da trajetória política e econômica da América do Sul observa-se uma disputa pela hegemonia da região, principalmente entre Brasil e Argentina, onde para conseguir atingir seus objetivos tinham na Bacia do Prata uma ponte para tal. Com o regime militar, o Brasil consolida a sua posição de líder regional e passa a exercer com mais intensidade suas estratégias nessa região. Sendo assim a pesquisa tem por objetivo analisar quais as estratégias brasileiras nessa região e as conseqüências para as relações entre os países que aí estão inseridos, além de estabelecer uma relação entre estas políticas e o MECORSUL. A metodologia utilizada para a realização desta consiste em bibliografias consultadas e trabalhos acadêmicos que discutem esta temática.

2. A guerra e as relações internacionais: a questão dos refugiados

Eduardo Brandão de Santana (Núcleo de Estudos Geopolíticos - Base de Pesquisa: Espaço e Poder, Departamento de Geografia-UFRN)

A guerra compreendida como um fenômeno de caráter universal na história da humanidade é marcada, principalmente pela violência, que pode ser física ou psicológica, atuando e sendo influenciada pelas esferas: militar, sócio-econômica, política, religiosa, jurídica, demográfica, tecnológica e/ou cultural. Cientistas como Gaston Bouthoul, J. D. Singer, Q. Wright, estipularam o numero de conflitos (grandes guerras)ocorridos em todo o planeta desde de 1480-1980, chegando a números entre 118 e 278. Mas nas estatísticas desses pensadores algumas informações ficaram marginalizados entre elas o número de refugiados. Porém, as populações refugiadas não são apenas números ou dados estatísticos, mas sim um contigente de seres humanos, culturalmente ligados, que é obrigado a migrar de um local para outro ou estabelecerem-se em campos de refugiados, criados por organismos supranacionais ou Estados, que não possuem ligações com os lugares nos quais se encontram. Muita vezes, não podem voltar para o seu lugar de origem, permanecer onde estão ou pleitear novas áreas para seu estabelecimento e construção de uma vida mais humana. Portanto, o trabalho em pauta tem por objetivo maior analisar o conceito de refugiado, as modalidades de inserção ou exclusão de uma pessoa ou grupo nessa categoria, assim como a situação atual, respondendo a questões como: quem são os refugiados?; qual o papel dos organismos supranacionais como o ACNUR – Alto Comissariado das Nações Unidas para os refugiados?; quais as perspectivas futuras desses grupos?

3. O Estado nacional africano contemporâneo

Beatriz Maria Soares Pontes (Profa. Dra. do Departamento de Geografia / Núcleo de Estudos Geopolíticos / Base de Pesquisa: Espaço e Poder)

O processo colonial europeu gerou, desde do início da sua implantação, graves problemas para os africanos. Na verdade, as metrópoles européias ignoraram as especificidades e particularidades do continente Africano: principalmente, não atentaram as questões territoriais diligenciadas pelas diferentes comunidades tribais africanas que já vinham de um longo período histórico. A partilha deu-se de acordo com os interesses europeus, colocando a mesma tribo em espaços diferentes sob a ótica européia. Tais dificuldades, além dos processos de exploração, domínio e desrespeito aos africanos gerou situações difíceis de serem superadas quando do advento dos movimentos de libertação nacionais que se desenvolveram ao longo da segunda metade do século XX. Uma vez estabelecidos os Estados nacionais, as guerras civis pela posse do poder, a ganância dos africanos que haviam estudado na Europa e ao voltarem consideraram o seu país não como projeto nacional a ser construído, mas meramente, como o locus do mercado, as prebendas, as predações e os grandes obstáculos enfrentados por tais Estados, no que concerne ao comércio exterior no mundo globalizado, tecnicamente mais evoluído em relação à África, acabaram por deixar os africanos excluídos e em descompasso com a história contemporânea.

4. A resistência africana no período pré-colonial e seu legado para o nacionalismo contemporâneo.

José Petronilo da Silva Júnior (Departamento de Geografia-UFRN / Base de Pesquisa Espaço e Poder)

O continente africano, na contemporaneidade, reflete uma complexa estrutura político-territorial que é responsável por extremos de desigualdade e pobreza. Entretanto essas estruturas foram construídas a partir de uma base herdada do período colonial como a delimitação de fronteiras, a estruturação das classes sociais, e etc. A atual falta de perspectivas em algumas comunidades africanas constitui-se num legado deixado por um passado marcado por lutas contra o colonizador que materializou no continente uma investida extremamente violenta para atender seus interesses comerciais e estratégicos, em prejuízo dos autóctones africanos. Estes, que reagiram de forma bastante heterogênea, tentaram bravamente resgatar seus territórios do domínio europeu que, apesar de algumas baixas, conseguiu, com a ajuda de afrikaners e mercenários, lograr êxito na ocupação. Em desacordo com a historiografia tradicional que defende ter havido na África a pax colonica durante a investida colonial, o presente trabalho, baseado em uma recente bibliografia que resgatou das antigas metrópoles coloniais documentos ate então inéditos, pretende expor a efetiva resistência africana ao processo colonizatório no período histórico entre o final do século XIX e início do século XX, bem como elucidar o início da estruturação do nacionalismo africano que emergiria mais forte ainda no decorrer da segunda metade do século passado.

5. Impacto e significação do colonialismo na África

Otânio Revorêdo Costa (Departamento de Geografia-UFRN)

O presente trabalho fez parte da pesquisa intitulada “O Estado Africano: da dominação colonial à liberdade política sob o domínio econômico”, desenvolvida na Base de Pesquisa Espaço e Poder, do Departamento de Geografia da UFRN, no período de agosto de 2001 a julho de 2002. Este tema IMPACTO E SIGNIFICAÇÃO DO COLONIALISMO NA ÁFRICA é bastante controverso, visto que, para alguns africanistas o colonialismo se não foi benéfico, na pior das hipóteses não foi prejudicial à África. Para muitos estudiosos o efeito positivo do colonialismo foi praticamente nulo. Com este estudo buscamos uma proposta mais equilibrada, verificando os impactos positivos e os negativos da presença do sistema colonial no continente africano, nos campos político, econômico e social. Vale salientar que os pontos positivos não tinham origem intencional e que o impacto do colonialismo na África variou sensivelmente de região para região. No entanto, o período em que a África viveu sob o domínio das potências imperialistas assinalou um capítulo a parte na história daquele continente, pois o seu desenvolvimento posterior e, portanto, de sua história foi e continuará a ser muito influenciado pelo impacto provocado pelo sistema colonial, seguindo um curso diferente daquele que teria trilhado se o interlúdio não tivesse existido. Mas, já que o colonialismo não pode ser apagado da história africana, devido aos vários efeitos positivos e negativos que ele trouxe, cabe aos governantes africanos conhecer o seu impacto, com a finalidade de buscar corrigir os defeitos e as calamidades praticadas contra seus habitantes.

6. O processo de exclusão da África no contexto da globalização contemporânea

Rachel Ribeiro Resende dos Santos (Departamento de Geografia-UFRN)

Esse trabalho busca focalizar o processo de exclusão no contexto da globalização contemporânea e para isso utiliza o continente africano como um “rico” recorte da conjuntura mundial em que emerge o processo de exclusão. A África, apesar de apresentar um perfil físico favorável em relação aos recursos naturais como ouro, minério de ferro, diamante, petróleo e por mananciais hídricos férteis que possibilitam a pesca , possui uma das economias menos favorecidas do mundo. A nova divisão internacional do trabalho, por unir competitividade, produtividade e tecnologia, automaticamente exclui o continente africano que possui uma intensa questão social, resultante de guerras, epidemias, desemprego e corrupção, refletindo assim, na falta de informacionalização de seus mercados e da capacitação da mão-de-obra e investimentos na sua infra-estrutura. Esse sistema da nova divisão internacional do trabalho, que rege o planeta, desperta-nos a atenção ao observarmos que o capital deixa de ter um espaço nacional e passa a assumir um controle mundial, acentuando assim, as desigualdades entre países pobres e ricos. Situação essa, que engloba todo o continente africano.

 


GT-14: METAFÍSICA E TRADIÇÃO

Coordenador:

Prof. Dr. Markus Figueira da Silva (Departamento de Filosofia)

E-mail: markus@cchla.ufrn.br

Local/horário: Setor de aula II, Bloco A, sala 5, 45 lugares, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

A discussão em torno da Metafísica atravessa toda a História da Filosofia e chega aos dias atuais motivada pela produção de trabalhos que visam problematizar a história da metafísica. A metafísica pode ser definida como uma área da filosofia ou como a própria filosofia. O exercício de interpretação dos textos que apresentam a tecitura argumentativa em torno dos conceitos de ser, realidade, deus, alma, espírito, unidade, multiplicidade, etc. são o caminho para a realização da própria filosofia strito sensu.

RESUMOS

1. A crítica epicurista ao mito

Prof. M.Sc. Edrisi Fernandes (UFRN)

O Epicurista Filodemo de Gádara e seus contemporâneos entenderam o método Epicúreo em oposição a um método contrário (que pode ou não ser independente do método de Epicuro, que Bignone considerou como parte da crítica metódica ao ceticismo do “primeiro Aristóteles” [o “Aristóteles Perdido” de que trata a obra homônima de Bignone] e da escola platônico-peripatética), possivelmente Estóico, o qual Allen chama de anaskeué (“eliminação”; “refutação”), referindo-se ao questionamento lógico do que há de desarrazoado no mito. Epicuro via este como obstáculo ao estabelecimento dos critérios de verdade necessários “àquele conhecimento exato e detalhado, necessário à nossa impertubabilidade e à nossa felicidade”, capaz de assegurar-nos “a paz de espírito e a convicção firme” (Epístola a Heródoto, X, 79 e 85). Analisamos o papel da anaskeué epicúrea como complemento ao método da kataskeué (“confirmação”, p. ex., pelo “método das explicações mútuas” ou “método da possibilidade”).

2. Relatividade dos valores

Maíra Bezerra da Costa

mairabcosta@yahoo.com.br

Trata-se da problemática acerca do relativismo cético em Pirro, e por tal motivo sugere um caráter prático e questionador a respeito da conduta humana, criticando “as verdades ditas incontestáveis”, de forma a não serem superadas. Serão colocados em questão os limites do homem, a estrutura frágil de suas teorias e concepções, aqui tanto a razão como os sentidos não terão credibilidade total. Não se tornará possível assegurar um critério para encontrar a verdade, já que esta não será essencialmente uma, intrínseca a coisa, mas circunstancial, o que em um momento é bom e satisfatório em outro não o é. Procura-se com isso, uma melhor maneira de resolver um problema, não se preocupando em classificar-lo e prende-lo em um dogma, permitindo uma constante dúvida. Essa imparcialidade na valoração das coisas estará na suspensão do juízo, em não assentir precipitadamente, com o objetivo único de se chegar à imperturbabilidade como fim, e isso acorrerá através do exercício argumentativo constante, não preferindo uma opinião em detrimento de outra. O homem nessa perspectiva conhece mesmo não sabendo qual é a verdadeira essência das coisas, este assim, não se perturbará pela busca de uma “certeza absolutizada”.

3. Filosofia da indiferença

Marcos Antonio Cassiano da Silva

Representa uma abordagem sobre a filosofia de Lúcio Aneu Sêneca – estoico, no concernente a posição de indiferença defendida por ele.

4. O górgias e a busca pela justiça

Luiz Roberto Alves dos Santos (Aluno do Mestrado em Filosofia – UFRN)

O presente trabalho tomará como ponto principal apenas o debate travado entre Górgias e Sócrates, que trata como pode-se observar durante a conversa entre ambos, basicamente, de qual objeto da retórica, e a admissão de Górgias ao final do debate de que o orador conhece o justo e o injusto. Como foco central, estas duas questões são permeadas continuamente pelo método dialético de Platão, lançado nas mãos de Sócrates, visando uma pesquisa mais aprofundada sobre as definições concebidas. Qual a relação da filosofia com a construção de uma sociedade mais igualitária? Para os modernos estudiosos, provavelmente, a discussão a respeito de um destes dois pontos não leva obrigatoriamente a se discutir o outro, mas, em se tratando de Platão, esta é uma discussão que está imbricada não só por estes dois tópicos, como também por diversas outras áreas, tais como: a teoria do conhecimento, a história e a antropologia, entre muitas outras. Pode-se afirmar que, para Platão, a construção de uma sociedade justa é sem sombra de dúvidas a maior motivação quando da produção do Górgias, já que o poder que uma organização política exerce não tem nenhum valor se não for justo.

5. O viver de acordo com a natureza: A essência do determinismo

Maurílio Gadelha Aires

Falar sobre a obra de Marco Aurélio é, ao mesmo tempo, falar em um determinismo que, em muitas vezes, toma uma nuance de religiosidade. O sentimento de fazer parte de um todo, o conformismo ante aos acontecimentos, o credo em um poder divino e providente, pairam sobre toda a obra do Imperador-Filósofo. “As obras dos Deuses são plenas de providência; as da fortuna dependem na natureza, ou da urdidura e entretecimento do que a providência dispôs. Tudo dela dimana” (Marco Aurélio, p. 267). Marco Aurélio pensava que a maneira mais adequada de dar cabo dessa função dada pela providência divina seria executando cada ação de sua vida como se fosse a última. Essas ações deveriam estar livres de toda a leviandade, fingimento, egoísmo, pautado na razão e em conformidade com o destino. Assim, se fosse possível resumir-se em uma frase o que a razão capta como chamamento da providência divina, certamente, podería-se acrescentar a seguinte citação: “em todos os teus atos, ditos e pensamentos, procede como se houvesse de deixar a vida dentro de pouco” (ibid., p.267). Em cada fragmento, em cada livro, vê-se um Marco Aurélio cônscio numa divina providência, em um mundo dotado de ordem e razão universais, tornando a sua filosofia um convite à aceitação do determinismo, do desenrolar natural dos acontecimentos segundo uma inteligência superior. E, mais ainda, vê-se uma justificação para tal pensamento, pois, muitas vezes descamba para uma ética que coloca a necessidade da existência de uma providência divina, sob pena da vida não ter sentido.

6. Desde o Ereignis: o último deus

Oscar Federico Bauchwitz (GEMT-UFRN)

Procura-se pensar na sentença enigmática da entrevista póstuma “Só um Deus pode ainda nos salvar”(Spiegel,1976), evidenciando a força condutiva do Ereignis no desdobramento do pensamento heideggeriano e como a partir dessa palavra-guia se apresenta a concepção do último deus. A salvação contemporânea indicada com o último deus, funda-se na superação da constituição ontoteológica da metafísica e na possibilidade de um salto, possibilidade aberta àqueles que anunciam a sua chegada.

7. O estoicismo e as afecções

Autor:

Thiago Barbalho (Bolsista PIBIC-CNPq)

Orientador:

Prof. Dr. Markus Figueira

As afecções – alterações emocionais humanas – situam-se no eixo de estudo do filósofo estóico. A doutrina do estoicismo sempre se questionou sobre o que são as variações na alma humana e como esta poderia se libertar disso (e chegar à tranqüilidade). Mas o estóico sabe, como homem que é, que jamais estará livre de algum grau de afeto. Assim sendo, o que é possível ao homem fazer para diminuir as maléficas paixões? O estoicismo condena até as inescapáveis emoções; condenando, assim, a natureza humana? Como funciona a convivência de um estóico com esses problemas? Eis o que este trabalho pretende esclarecer: aparentes contradições, apontadas pelos críticos, acerca da doutrina estóica, em especial ao que os filósofos estóicos entendiam por afetos da alma. Para isso é necessário saber de que forma as chamadas paixões são aqui entendidas, já que, pelos conceitos adotados e pela análise costumeira, normalmente chegam-se a dados suspeitos de precipitações. Há dúvidas dentro do estoicismo, e aquelas que correspondem a apathés, páthe e suas compreensões constituem o alvo do estudo aqui proposto.

8. Epistemologia epicúrea: Em busca do critério de verdade.

Rodrigo Vidal do Nascimento (Mestrando do Programa de Pós-graduação em Filosofia - UFRN)

rod_phronesis_2001@yahoo.com.br

A discussão acerca da epistemologia no pensamento de Epicuro, freqüentemente suscita controvérsias entre os estudiosos do período helenístico. Um dos impasses encontrados nesta parte do pensamento epicúreo é a discordância em relação a determinação de um critério para o conhecimento. As evidências contidas nos textos de Diógenes Laércio, principal doxógrafo do epicurismo, parecem apontar para uma valorização da sensação enquanto o único meio pelo qual se permite ter acesso ao conhecimento da realidade. É com o intuito de esclarecer como se fundamenta uma epistemologia que possui a sensação como ponto de partida para o processo de conhecimento, que o presente trabalho buscará mediar uma investigação que levará em consideração o relacionamento tanto da física atomista quanto da ética, para a compreensão de todo o projeto metafísico contido no pensamento de Epicuro. Para tanto, será preciso abordar o conteúdo da Carta a Heródoto e refletir acerca das implicações que se colocam a partir do reconhecimento da sensação como critério de verdade, e ainda, recorrer as críticas e posicionamentos de outras escolas do período helenístico, como forma de preencher as lacunas deixadas pela quantidade insuficiente de textos sobre o tema.

9. Quando a metafísica é física.

Markus Figueira da Silva (Prof. Dr. do Departamento de Filosofia-UFRN)

Trata-se de perguntar pela relação entre a physiologia e a ontologia no pensamento antigo, buscando provocar a reflexão sobre o que é a metafísica. A análise tende a confrontar o pensamento originário – pré-socrático – com a reincidência da physiología no Aristóteles lido por Epicuro, ou o Aristóteles “perdido”, que não foi apropriado pela “ tradição metafísica”, iniciada com a escolástica. A hipótese resume-se na não diferenciação entre physiologia ( physiká) e metafísica.

10. Kant: Sobre espaço, tempo e coisas em si mesmas.

Autor:

Evelyse Monteiro Hermínio.(Bolsista PPPG)

sataneve@bol.com.br

Orientador:

Juan A. Bonaccini (Prof. Dr. do Departamento de Filosofia-UFRN)

As críticas sobre a teoria kantiana do espaço e do tempo na Estética Transcendental da Crítica da Razão Pura foram sustentadas inicialmente pelos contemporâneos de Kant , principalmente no que concerne a exposição transcendental. O ponto em questão se refere ao fato de Kant ter estabelecido o espaço e o tempo como condições subjetivas da sensibilidade (A26/B42), constituindo, portanto, as formas da nossa condição subjetiva que possibilitam a representação dos objetos. Esta tese (idealidade transcendental), sustenta a não-espaciotemporalidade das coisas em si; Kant nega que espaço e tempo possam ser dados como coisas em si mesmas ou formas de coisas em si mesmas e conseqüentemente nega as teorias de Newton (absolutista) e de Leibniz (relativista). Todas essas críticas que envolvem a tese do idealismo transcendental não foram suficientes para se chegar a um consenso sobre a teoria kantiana do espaço e do tempo. Atualmente a análise desse problema foi retomada por comentadores que a questionam comparando os argumentos entre as exposições metafísicas e transcendentais. Com esse objetivo destacaremos no presente trabalho a abordagem de Paul Guyer no seu tratado “Kant and claims of knowledge”, onde ele reafirma a condição subjetiva do espaço e do tempo e sua relevância para a tese do idealismo transcendental.

11. Interpretações preliminares do livro “assim falava Zaratustra” de Friedrich Wilhelm Nietzsche com ênfase aos textos: Dos desprezadores do corpo, de mil e um fitos, do caminho do criador, e do superar a si mesmo.

Autor:

Nilton Luiz da Rocha (Aluno da disciplina da História da Metafísica III)

Orientador:

Juan Bonaccini (Prof. Dr. do Departamento de Filosofia-UFRN)

Um rebanho anda pela terra com cabeça levantada, olhando para o céu, cheio de estrelas. Vozes ao fundo anunciavam a chegada de algo que não se via com os olhos e que irá promover vida melhor, após a morte. O que sentem e o que fazem neste mundo, são produtos oriundos do homem que não acredita em outra vida. Assim, pronuncia “os pregadores da morte”, capítulo em que Zaratustra sintoniza a freqüência das vozes, que guiam o rebanho. Em “de mil e um fitos”, rastrea esse rebanho, localizando-o pelo silêncio e pelo descaso, aos movimentos que ocorriam na terra. Nietzsche observa atentamente, com o olhar sinóptico os artifícios utilizados na manipulação das massas. Para inverter a trajetória do rebanho, Zaratustra mostra na parte “do caminho do criador”, qual é o verdadeiro caminho de redenção do homem. Para isso, é preciso transformar a angústia, como sentimento de sofrimento ao encontro consigo mesmo. Em “do superar a si mesmo”, está a chave da porta ou a corda que conduzirá ao super-homem, metáforas utilizadas no desenvolvimento do texto.

12. Análise hegeliana acerca da consciência-de-si: estoicismo, ceticismo e consciência infeliz

Autor:

Inácio Gomes de Abreu Neto (Bolsista PPPg)

oddig@hotmail.com

Orientador:

Juan Bonaccini (Prof. Dr. do Departamento de Filosofia-UFRN)

Hegel, na Fenomenologia do Espírito, trata de expor o processo típico da formação da consciência. Através de um discurso científico, ele visa articular as figuras da consciência do homem na perspectiva do seu afrontamento com o mundo objetivo. A partir daí podemos compreender a passagem da consciência de um espírito finito ao saber absoluto, à verdade. No capítulo IV-B, a dialética do Senhor e do Escravo conduz o homem a ter consciência de sua oposição ao mundo, conseqüentemente, torna-se consciente-de-si numa “independência ilusória”. Nessa oposição com o mundo tem-se o solipsismo moral do: estoicismo (a liberdade do homem pelo pensamento) e do ceticismo (realização do ideal estóico / liberdade abstrata do pensamento [Verstand] com a negação da existência do mundo exterior). E na oposição a Deus mostra-se o desdobramento da consciência infeliz, na qual o homem, segundo Hegel, vive e age crendo num Deus transcendental da teologia, reconhecendo a impotência e a ineficiência do seu Ser, ou seja, o homem reconhece e aceita a própria infelicidade. Não era possível pensar no paradigma da consciência, até Hegel, sem tratar do ceticismo que nega ou aniquila, mentalmente o Ser do mundo exterior, realizando o ideal estóico. Para Hegel, “o homem não é apenas o que ele é, mas o que ele pode ser, ao negar o que é”. É assim que a liberdade se encontra nesta filosofia, que se apresenta ainda unilateral.

13. Razão subjetiva e objetiva em Kant.

Telêmaco César de Oliveira Jucá (Aluno do Mestrado em Filosofia – UFRN)

teljuca@ig.com.br

Na história da filosofia, dois conceitos de razão têm se confrontado. De um lado, temos uma compreensão da razão derivado do logos, estruturando a mente para exercer suas funções (cognitiva, estética, prática e técnica) na realidade. Essa razão seria universal, podendo ser chamada de ontológica. De outro lado, a partir da modernidade, surgiu e se consolidou uma compreensão da razão como fundamentalmente a capacidade de raciocinar e processar informações, sendo atribuído à filosofia de Kant uma das origens dessa limitação. O problema que se analisa nesse trabalho é se, de fato, podemos justificar essa imputação ao filósofo alemão. A estratégia utilizada consistirá de analisar, principalmente, a Crítica da Razão Pura, especialmente a Dialética Transcendental na qual ele submete a uma avaliação a faculdade da razão, perguntando se a razão consiste apenas em uma estrutura lógica necessária para fazer progredir o conhecimento humano (subjetiva) ou se ela de fato se refere a objetos (objetiva), constituindo-se em uma das fontes válida de conhecimentos. Esse problema possui uma relevância singular, já que toca num ponto crucial para a filosofia. Ademais, constitui uma oportunidade para se desfazer ou minimizar um visão de Kant como o justificador de uma razão técnica. Por fim, a relevância também aparece, quando se retoma o problema da relação entre pensar e ser, crucial para a tradição metafísica e para o debate referente à crise da razão.

14. A matemática como propedêutica filosófica em Kant e Platão.

Túlio Sales Lima (Mestrado em Filosofia)

Este ensaio é uma tentativa de tematizar duas atitudes que se aproximam na filosofia quando o tema diz respeito ao caráter propedêutico da matemática em relação a filosofia: Kant e Platão. Neste sentido e ancorados principalmente nas Crítica da Razão Pura e no Teeteto abordamos questões como a impossibilidade da definição de epistéme; a inserção do matemático no campo da reflexão filosófica; e, por último, a possibilidade de apreensão da “coisa” que julgamos estar subjacentes as obras retrocitadas, qual seja, entre as perspectivas de definição de ciência efetuadas por Platão e aquela que Kant vai buscar ao constituir e regular os limites da possibilidade do conhecimento.

15. A precursora teoria atômica de Leucipo e Demócrito

Gleba Coelli Luna da Silveira (Aluna da Graduação em Filosofia)

A filosofia atomista encontra-se em sua origem no desenvolvimento lógico da filosofia de Parmênides e Melisso, recebendo contribuições de Empédocles e Anaxágoras. A filosofia atomista parte do fato de existirem partículas invisíveis e indivisíveis, que estão em constante movimento num vazio, e em acordo com os eleatas acreditam que as partículas não nascem nem morrem, mas ao contrario são eternas, e são denominadas de átomos. Leucipo parece ter pensado no princípio da realidade como um número incontável de átomos, sendo considerados unidades pequenas e também indivisíveis, além de serem responsáveis pela formação de todas as coisas (no grego o termo átomo quer dizer sem divisão), residindo num vazio onde se encontram em constante movimento. Continuando os estudos de Leucipo, Demócrito desenvolveu a idéia de que tudo era composto por partículas minúsculas, indivisíveis e invisíveis a olho nu, inclusive a alma que se desintegraria na hora da morte, com isto mostrava não crer na imortalidade da alma.

16. Título: O papel das percepções na formação da idéia de objeto externo

Autor:

Lia Maria Alcoforado de Melo

Orientador:

Juan Adolfo Bonaccini (Prof. Dr. do Departamento de Filosofia-UFRN)

A idéia de existência dos objetos se relaciona à questão da percepção como produtora da experiência cognitiva. A tese humeana sobre a dupla existência dos objetos em seus elementos constitutivos, apresenta-se como fundamento para sua teoria que questiona as verdadeiras causas que induzem a se acreditar na existência externa ou a mostrar que não se pode provar a existência externa através da razão ou dos sentidos. Conforme essa teoria, em princípio os sentidos são incapazes de dar origem à idéia de existência dos objetos, pois as percepções são inconstantes e distintas, o que torna impossível justificar a identidade dos corpos. Porém, a mente atribui uma existência corpórea às impressões dos objetos tomando as percepções do mundo como a própria existência do mundo externo. No entanto, o que fundamenta essa crença na existência externa não é a razão, mas a necessidade por parte da mente de evitar a contradição existente entre a suposta noção de identidade dos objetos e a real intermitência das diferentes percepções. Trata-se de uma confusão entre a sucessão de percepções semelhantes e um objeto que ao ser observado parece permanecer idêntico através da sucessão das percepções que se passam enquanto o fitamos, sendo essa suposição reforçada pela memória das impressões semelhantes passadas com base na constância e coerência da aparição dessas impressões, aumentando a propensão natural para atribuir uma suposta identidade aos corpos. Portanto, a análise da teoria de Hume permite ver que não existe nenhuma razão objetiva que fundamente a nossa crença nos objetos que percebemos enquanto existentes para além de nossas percepções, mas que não obstante existiriam certos mecanismos mentais que à luz da experiência permitiriam compreender como chegamos à noção de existência "externa", isto é, extramental.

17. Estudo acerca da estética transcendental

Autor:

Ismael Rodrigues da Cruz (Aluno da Especialização em Filosofia / Metafísica)

roiscr@bol.com.br

Orientador:

Juan Adolfo Bonaccini (Prof. Dr. do Departamento de Filosofia-UFRN)

Tomando por base a Estética Transcendental da CRP, traçamos um estudo, com a finalidade de analisar e da mesma forma estabelecer quais as teses defendidas por Kant na mesma. Dessa forma queremos saber o que Kant propõe com a elaboração da Estética Transcendental Neste sentido, optamos por fazer um estudo mais aprofundado e pormenorizado do § 8 da Estética Transcendental de modo que a nossa análise nos permita identificar e explicar os argumentos usados por Kant. Já que é neste parágrafo que Kant faz as suas principais observações sobre a estética transcendental de forma geral. Como resultado da análise, apresentamos as principais teses sustentadas por Kant. Por fim expomos os resultados obtidos.

18.heidegger e a diferença ontológica: A constituição da metafísica como onto-teo-logia

Flávio Macêdo Freire (Programa de Pós-Graduação em Filosofia – Mestrado) flavioufrn@yahoo.com.br

Não se pode compreender a interrogação heideggeriana senão penetrando naquilo que se constituiu como uma intuição fundamentalmente originária do fenômeno do vocábulo alétheia. Esta tem sido a fonte do pensamento e da interrogação de Heidegger. A filosofia, desde a antiguidade, pretendeu unir verdade e ser, tal como em Aristóteles a filsofia está no patamar de uma ciência da verdade ao mesmo tempo em que significa o estudo do ente enquanto ente. Se, consequentemente, verdade e ser se acham numa relação de co-pertencimento, então tais fenômenos encontram-se no seio de uma ontologia fundamental. A interrogação pelo ser e pela verdade permanece, desse modo, aquém das exigências da tradição. Em Ser e Tempo, ao afirmar que somente há verdade enquanto há ser-aí(§ 44), Heidegger acaba por promover um escândalo contra a tradição filosófica ocidental, mais especificamente contra a metafísica da subjetiidade. Nesse viés, a teologia natural como possibilidade filosófica e as verdades eternas não podem, em hipótese alguma, afirmarem-se como objeto do filosofar. O ensaio Sobre a Essência do Fundamento é a primeira meditação de Heidegger sobre a diferença ontológica. Essa referência designa o fundamento, nos diz o filósofo, de toda a ontologia, de toda a metafísica. A distinção entre ser e ente, de que se trata na diferença ontológica, não surge para resolver a problemática da ontologia, mas para apontar para aquilo que permanece não-problematizado, e que, em seus fundamentos, acaba por problematizar toda a metafísica. A diferença ontológica prenuncia o momento em que se torna necessário interrogar pelo fundamento da onto-logia. É o que se vê em Ser e Tempo, ao falar-se de ontologia fundamental.

19. Três problemas para a filosofia moral?

Juan Bonaccini (Prof. Dr. do Departamento de Filosofia-UFRN)

juan@cchla.ufrn.br

Se se pode dizer que filosofia e moral não são a mesma coisa, ainda que a primeira bem possa pensar os fundamentos e o modo de ser da segunda, então também se pode dizer que a filosofia moral reflete sobre a moralidade e os problemas morais. A Filosofia moral, assim, na tentativa de encontrar uma teoria moral capaz de satisfazer as exigências e características próprias do fenômeno moral, sempre encontra empecilhos que não são de pouca monta e que alimentam um debate duas vezes milenar. Eu não pretendo aqui reconstruí-lo, nem falar da filosofia moral de Platão, Aristóteles, Kant ou qualquer outro filósofo. O que sim pretendo é destacar três problemas que me parece toda boa teoria moral deveria resolver: a) o de que toda teoria moral é uma reflexão teórica que do ponto de vista prático pode ser considerada moralmente correta ou não; b) o de definir um critério do que é moralmente correto; c) o de determinar a tarefa precisa da filosofia moral: se ela é meramente descritiva ou normativa.

 


GT-15: DINÂMICAS TERRITORIAIS E CULTURA

Coordenadores:

Prof. Dr. Anelino Francisco da Silva (Departamento de Geografia)

Prof. Ms. Valdenildo Pedro da Silva (CEFET-RN)

E-mail: anelino@ufrnet.br

Local/horário: Setor de aula II, Bloco D, sala 5, 45 lugares, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

O grupo de trabalho tem por fito discutir os múltiplos processos político, social e cultural em ocorrência nos territórios, em escalas local regional-nacional e mundial, observando os diferentes graus de correspondência e intensidade, considerando dimensões materiais, culturais e simbólicas. As reflexões teórico-empíricas para este grupo de trabalho devem apresentar o seguinte perfil acadêmico-científico:

1. Discutir a questão da territorialidade humana, priorizando o trabalho e o atual processo de flexibilização;

2. Analisar as relações sócioespaciais que ocorrem na sociedade e suas implicações sócio-políticas;

3. Tratar a questão da territorialidade humana e suas implicações às normas culturais e valores, que variam em estrutura e em função da sociedade e da escala da atividade econômica e social;

4. Discutir os rumos da Geografia Cultural, através de estudo de caso.

RESUMOS

1. Moradia e segregação socioespacial nas áreas metropolitanas do Nordeste brasileiro – breve introdução

Prof. Dr. Anelino Francisco da Silva (Prof. Dr. do Departamento de Geografia-UFRN)

anelino@ufrnet.br

Prof. MS. Valdenildo Pedro da Silva (Prof. Ms. Do CEFET-RN)

valdenildo@bol.com.br

Moradia e segregação socioespacial nas áreas metropolitanas do Nordeste brasileiro é uma temática que nos levou a pensar as cidades metrópoles desta região do país, como compósito espaço-temporais. É por meio do reconhecimento da multidimensão espaço-temporal que temos a oportunidade de acompanhar e captar as contradições da construção das regiões metropolitanas do Nordeste. Ao nosso ver, a moradia constitui um dos bens e direitos significativos da vida humana, mas, na contemporaneidade atual, o crescimento das cidades brasileiras tem posto em tela uma das dificuldades dos citadinos e cidadãos urbanos - a de possuir uma moradia decente. A cidade vem seguindo a lógica da desigualdade capitalista, estampando-se por meio de uma verdadeira segregação socioespacial. Entendemos que a “segregação – tanto social quanto espacial – é uma característica importante das cidades. As regras que organizam o espaço urbano são basicamente padrões de diferenciação social e de separação” (Caldeira, 2000: 211). Para Carlos (1994:12), “o processo de produção do espaço urbano é desigual – isso se evidencia claramente através do uso do solo – e decorre do acesso diferenciado da sociedade à propriedade privada e da estratégia das empresas que produzem sobre o solo, o que faz surgir a segregação espacial”. Nossa investigação procurou desvendar a produção controversa das cidades, buscando ir além da visão de cidades duais, isto é, perseguindo o entendimento de fragmentação socioespacial, tão presente nos centros urbanos nesta contemporaneidade. Pretendemos, com este trabalho, refletir sobre o ambiente construído, debruçando-nos sobretudo, em volta das limitações da vida dos citadinos nordestinos, que residem nas áreas metropolitanas de Fortaleza, Recife e Salvador. Nesses grandes centros urbanos, a ocupação informal do solo ampliou-se, entre os anos de 1980 e 1990, estampando-se na paisagem a segregação socioespacial, associada à exclusão urbanística. Nesses recortes territoriais do Nordeste brasileiro, a maioria das pessoas tem vivido nos limites de um viver decente. Em algumas áreas, a população citadina vive em “residências suntuosas e palacianas”, em moradias ditas adequadas, mas, em outras paragens, as cidades estão dispostas em formas de mocambos, choças, casebres de barro batido a sopapo, com telhados de capim, de palha, restos de madeiras e de folha de flandres, como já expressou muito bem Josué de Castro. Nesses novos tempos de globalização ou de mundialização do capital, há uma agudização nas condições de reprodução social das populações urbanas - o predomínio do desemprego e do subemprego, as limitações alimentares, o déficit habitacional e as péssimas condições de moradia - tornando a questão da moradia um dos graves problemas socioespaciais nessas cidades. Encaramos a segregação socioespacial, nas formas densas de favelas, mocambos e cortiços como uma verdadeira precarização nas condições de habitabilidade. Tudo isso nos estimulou à realização deste estudo, dada a existência de um conjunto de fenômenos sociais amplamente perversos, numa região considerada por muitos como problemática para o país. É por meio da dimensão espacial da desigualdade que existem as diversas modalidades de segregação socioespacial.

2. Dilemas e perspectivas de viver em Cajueiro - uma aproximação socioespacial

Levi Rodrigues de Miranda (Prof. Ms. do Curso de Licenciatura em Geografia – CEFET-RN).

Dilemas e perspectivas de se viver na comunidade de Cajueiro em Touros-RN - uma aproximação socioespacial foi um estudo que teve por fito analisar as formas de vivência no território cajueirense. Procuramos portanto, trazer à baila a realidade socioespacial do nosso objeto de estudo, objetivando expressar os objetos fixos e a fluidez desse labirinto construído que, no nosso entendimento, está permeado por um processo de relações que trazem, em seu bojo, elementos de desigualdades, combinação e contradições presentes nessa formação espacial: o povoado de Cajueiro. Para realizarmos essa investigação geográfica, tomamos como base um estudo in loco, buscando através de inquirições entre os sujeitos dessa territorialidade humana em suas ruas, becos e trilhas do povoado, respostas para nossas reflexões sobre a organização e construção desse lugar, resultantes de adaptações feitas pelo Homem na natureza no transcorrer dos anos. As limitações para a consecução do trabalho foram inúmeras, mesmo de posse da riqueza de informações empíricas, isso porque há uma ínfima produção bibliográfica sobre a temática em tela e principalmente no tocante ao povoamento e o desenvolvimento socioeconômico, político e cultural do povoado de Cajueiro em suas temporalidades pretéritas. Em suma, as mudanças socioespaciais fazem parte e estão emergindo no cenário dessa territorialidade, porém, conforme aludimos acima, sobre o predomínio de desigualdades e contradições, o que afetam a vivência do cajueirense.

3. Desigualdades socioespaciais na cidade de Natal-RN

Tásia Hortêncio de Lima Medeiros (Profª. Ms. do Departamento de Geografia da UFRN)

tasiahlm@globo.com

Estudar as mudanças que vêm orientando as recentes transformações socioespaciais na cidade de Natal foi o propósito desse estudo. Partimos do princípio de que não se podem dissociar as alterações conformadas na paisagem local do processo de metropolização em curso, além do que as intervenções urbanísticas implementadas sempre estiveram em descompasso com o crescimento urbano. No limiar do século XX ocorre uma certa preocupação com o controle da expansão físico-territorial urbana. Com o surgimento de planos, em parte implantadas, que tentavam direcionar o parcelamento do solo a estrutura urbana da cidade amplia-se e diversifica-se, consideravelmente durante os momentos da Segunda Guerra Mundial. As décadas seguintes têm sido marcadas pelo constante aumento da população e de uso e ocupação das áreas limítrofes do espaço construído da cidade. A cidade tem sua expansão urbana rompendo os limites geográficos do município, porém o saneamento básico só atinge na atualidade 26% desse território. Os efluentes industriais e residenciais têm afetado a poluição dos mananciais superficiais e subterrâneos.

4. Qualidade socio-ambiental nos shoppings de Natal: poluição sonora em tela

Carmem Cristina Fernandes (Graduanda em Geografia licenciatura – UFRN, Graduada em Tecnologia em Meio Ambiente e Técnica em Tecnologia Ambiental, com habilitação em Controle Ambiental - CEFET-RN)

Prof. Erivan Sales do Amaral (Estatístico com Especialização em Saúde Pública),

Prof. Ms. Leci Martins Meneses Reis (Curso de licenciatura em Geografia e curso de Tecnologia Ambiental – CEFET-RN),

Polyana Kelly Moura Fernandes (Graduada em Tecnologia em Meio Ambiente - CEFET-RN)

Qualidade socio-ambiental nos shoppings de Natal: poluição sonora em tela é um estudo que teve por objetivo fazer uma análise do nível de ruído dos 03 principais shoppings da cidade de Natal/RN, observando-se os projetos arquitetônicos e o conforto acústico em relação aos objetivos do Shopping Center, dando ênfase ao som e ao ruído. O levantamento de dados necessários para a realização deste estudo, que constará de duas etapas (no período de baixa estação) - a primeira, já realizada entre 15 e 18 de março de 2002 e a segunda, a ser realizada, no período de 25 a 28 de abril de 2003 - será feito nos três shoppings mais movimentados da cidade de Natal/RN, denominados aqui de SHOPPING I, SHOPPING II e SHOPPING III. Para desenvolver essa pesquisa utilizou-se a resolução CONAMA/ no 001 de 08 de março de 1990, a qual estabelece que a emissão de ruídos, em decorrência de quaisquer atividades industriais, comerciais, sociais ou recreativas, inclusive as de propaganda política, obedecerá, no interesse da saúde e do sossego público, aos padrões, critérios e diretrizes estabelecidas nessa resolução. São prejudiciais à saúde e ao sossego público, para fins do item anterior, os ruídos com níveis superiores aos aceitáveis pela norma NBR 10.152 – Avaliação do Ruído em Áreas Habitadas, da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, visando o conforto acústico da comunidade em recinto de edificações. Para avaliar os níveis de ruídos nos estabelecimentos, o aparelho utilizado é o decibelímetro, que será um instrumento imprescindível no desenvolvimento de toda a pesquisa. A primeira etapa do estudo, já concluída, revelou que todos os shoppings estão acima do nível máximo de ruído estabelecido pela legislação (NBR 10.152). Fundamentando-se no princípio da finalidade desse tipo de recinto, analisaram-se os dados coletados. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o limite tolerável ao ouvido humano é de 65 dB(A), acima disso, o nosso organismo sofre de stress, o qual aumenta o risco de doenças. Este risco, no objeto de estudo, é maior para os que lá trabalham, pois na área trabalhista uma das principais causas da incapacidade funcional tem sido a perda da audição, pela ocorrência do excesso do barulho no ambiente de trabalho, ou seja, pela poluição sonora a que se expõe o trabalhador. Apesar de ter sido desenvolvida, ainda, apenas a primeira etapa da pesquisa, foi possível constatar que a maior parte das pessoas, sobretudo, quem trabalha e/ou habita nas cidades, vive um dia-a-dia agitado, sujeito a altos níveis de ruído, na maior parte dos casos muito superiores ao recomendado. Essas fontes de ruído estão ligadas tanto ao progresso tecnológico como aos hábitos de vida e lazer modernos, o que leva-se a concluir que, por todos os distúrbios que pode causar à saúde da população, a poluição sonora precisa ser reduzida e isso pode ser feito se houver um planejamento adequado e um controle dessa poluição, que pode ser feito de três formas: na fonte (redução da emissão de ruído de veículos), no meio da transmissão (barreiras acústicas) ou no receptor (protetor de ouvidos).

5. O teletrabalho na cidade de Natal-RN: uma interpretação

Salviano Henrique Lira da Silva (Bolsista PIBIC-CNPq, Departamento de Geografia-UFRN)

Anelino Francisco da Silva (Prof. Dr. do Departamento de Geografia, Coordenador do Projeto –UFRN)

O Teletrabalho apresenta-se como uma nova maneira de trabalhar. É uma forma de trabalho com flexibilização em relação às leis trabalhistas e às condições de trabalho, pois o teletrabalhador, às vezes, trabalha por conta própria em sua residência ou ligado a uma empresa, utilizando o computador, a internet o telefone, o fax e outros instrumentos que estão ligados à uma rede mundial. A pesquisa consiste em diagnosticar a atividade dos teletrabalhadores em processo que vem ocorrendo no mercado de trabalho natalense. O universo dessa atividade compreende as empresas de farmácias, as agências de turismo e as de telemensagens que empregam os teletrabalhadores, embora os chamem de bilheteiros, secretários, auxiliar de serviços gerais, motoqueiro entre outros. Compreende-se que o Teletrabalho aqui em estudo já sofreu variações, porque os teletrabalhadores objeto de nossa atenção diferencia-se do clássico teletrabalhador. A metodologia dá-se através do levantamento de dados em livros, revistas periódicas, jornais, catálogos telefônicos e de entrevistas que foram aplicadas nas empresas. Com a análise das entrevistas foram elaborados gráficos para melhor trabalhar os dados coletados.

6. “o mapeamento das microempresas e seu papel na reorganização do espaço urbano de Caicó/RN”.

Autor:

Eraldo Morais de Almeida (Aluno do Departamento de Geografia – UFRN - Bolsista PIBIC/CNPq).

caicoense.ufrn@bol.com.br

Orientadores:

José Lacerda Alves Felipe (Prof. Dr. do Departamento de Geografia)

Ângelo Roncalle (Prof. Dr. do Departamento de Engenharia Mecânica)

O trabalho consiste em investigar o processo de crescimento da economia de Caicó/RN, tendo como propósito à interdisciplinaridade entre o campo da Ciência Geográfica e a Ciência da Computação. À parte que cabe a Geografia neste trabalho é a de investigar o comportamento das microempresas de bonelarias, chapelarias e confecções no espaço urbano do município, e com isso gerar informações. Foi elaborado o Software SAIG, possibilitando o aprimoramento da técnica do Geoprocessamento. O Programa provém de recursos para manipulação das informações coletadas. Através desta manipulação e utilizando-se das ferramentas visualização de mapas e impressão de gráficos, já podemos relatar indicadores referentes às quantidades das microempresas, modernização, produção, empregos, fornecedores e compradores da produção.

7. Sistema de informação geográfica para mapeamento do espaço urbano de Caicó-RN

Autor:

Igor Pinheiro de Sales Cabral (Aluno do Departamento de Informática e Matemática Aplicada – UFRN – Bolsista PPPg)

igor_pinheiro@hotmail.com

Orientadores:

José Lacerda Alves Felipe (Prof. Dr. do Departamento de Geografia)

Ângelo Roncalle (Prof. Dr. do Departamento de Engenharia Mecânica)

Com os avanços da tecnologia nos últimos anos, vem-se percebendo, cada vez mais, a integração da informática em várias áreas de conhecimento, nas quais nunca se cogitou a utilização de aplicativos computacionais. Em função da necessidade de manipulação de uma variada e extensa gama de informações vinculadas aos lugares, territórios e aos espaços globalizados pela mídia e capital financeiro, a geografia tem adotado o auxilio deste tipo de ferramenta. O projeto em questão consiste na implementação de um sistema de informações geográfica (SIG), denominado SAIG – Sistema de Análise de Informações Geográficas. O princípio de funcionamento deste corresponde à associação de micro-indústrias a uma determinada região de um mapa, condizente com a verdadeira localização do estabelecimento. O sistema deve prover de recursos para o armazenamento, gerenciamento, manipulação e análise das informações coletadas.Neste trabalho de coleta de informações referentes à micro-indústrias de confecções, bonés e chapéus existentes na cidade de Caicó – RN, pode-se observar a correlação de tais empresas com a reorganização do espaço urbano do município. A ferramenta SAIG em questão suporta uma grande diversidade de mecanismos para a extração dos dados armazenados, como: gráficos, consultas SQL – Structure Query Language, estatísticas de seleção ou, até mesmo, através do mapa temático resultante de inserções das micro-empresas no mapa, com suas respectivas legendas.

8. Turismo, emprego e as políticas públicas: uma proposta de estudo.

Autor:

Severino Ramos dos Santos Maia (Mestrando em Geografia-UFRN)

E-mail: severinomaia@bol.com.br

Orientador:

Prof. Dr. Anelino Francisco da Silva

O segmento das atividades turísticas que passa a se organizar no Rio Grande do Norte, desenvolve-se oferecendo oportunidades de renda e ocupação. A industria do turismo é hoje uma grande geradora de emprego, com vantagens de investimentos tecnológicos bem menores que as industrias ditas tradicionais. O turismo se utilizada de mão-de-obra especializada e não especializada, criando empregos diretos e indiretos. Discursos afirmam que o turismo é um grande vetor para o desenvolvimento, gerando emprego e possibilidades de renda. Diante deste discurso o Estado afirma a criação de programas e políticas de formação profissional, de incentivos a infra-estrutura urbana e turística, enfim, criando as condições necessárias para a consolidação da atividade. Mas, até que ponto essas políticas são efetivamente implementadas e dão resultados na formação e absorção dessa mão-de-obra? E em que condições ocorre essa entrada no mundo do trabalho? Ou seja, as política voltadas para a geração de emprego e renda estão realmente atingindo seus objetivos? São esses os questionamentos que pretendemos investigar neste trabalho.

9. A expansão urbana de mossoró e a atividade petrolífera.

Autora:

Aristotelina Pereira Barreto Rocha (Mestranda em Geografia - UFRN)

Professora Orientadora:

Dra. Rita de Cássia da Conceição Gomes

Este estudo analisa a expansão urbana de Mossoró a partir da década de 80, período esse, compreendido pela chegada de uma nova atividade econômica - a exploração do petróleo no ano de 1979, destacando o papel dessa nova economia no processo de (re)construção do território e de novas territorialidades. O trabalho tem sido norteado pela indagação: qual a dinâmica espacial da atividade petrolífera e o seu reflexo no processo da expansão urbana da cidade de Mossoró? Têm-se evidenciado durante os nossos estudos que historicamente o processo de expansão urbana de Mossoró está atrelado a momentos específicos do crescimento econômico, foi assim a partir de 1857 com o surgimento do Empório Comercial; com as agroindústrias e refino de sal a partir da década de 30 e mais recentemente com as atividades terciárias permeadas pela atividade petrolífera. Essa expansão tem gerado expressivas mudanças no espaço urbano como o surgimento de novos bairros; a chegada de novos empreendimentos comerciais e empresariais; e uma maior oferta de serviços; levando assim, a atrair um contingente populacional expressivo ao espaço urbano de acordo com as análises dos resultados dos censos demográficos do IBGE, no entanto, a cidade não tem dado conta em atender às necessidades da sociedade e essa ausência tem sido expressa no aumento de favelas e em conflitos sociais.

10. Novos atores, novos territórios: (des)territorialização em Pipa

Profa. Ms. Maria Cristina Cavalcanti Araújo (Curso de Licenciatura em Geografia – CEFET-RN)

O estudo sobre Novos atores, novos territórios: desterritrorialização em Pipa teve por finalidade abordar o processo de (des)construção territorial da praia de Pipa, como resultante de implementação de políticas públicas voltadas sobretudo para o desenvolvimento do turismo. Lançamos um olhar sobre os novos cenários socioespaciais da área estudada e sobre os atores sociais envolvidos nesse processo. A nosso ver, Pipa passou a ser um lugar (ou como dizem alguns estudiosos, seria um não-lugar?) turistificado, onde o processo de desterritorialização e novas territorialidades estão presentes, configurando uma nova feição social nesse território. Como decorrência desse processo, tem-se uma metamorfose cultural da territorialidade humana pipense, ou melhor uma confluência entre o velho e o novo modo de vida. A partir dos anos de 1990, a comunidade de Pipa, situada no município de Tibau do Sul, passou a ser cada vez mais visitada, deixando de lado aquele jeito brejeiro de comunidade de pescadores, e sendo ocupada por pessoas vindas de várias partes do mundo e do Brasil. No decorrer da investigação científica, realizada numa abordagem quantitativa e qualitativa, veio a lume a variedade de nacionalidades e naturalidades concentradas nesse lugar. É argentino, é português, é italiano, é francês, é paulista, é carioca, é cearense, é paraibano... Isso demonstra as culturas diferentes reunidas num lugar tão pequeno como Pipa. Parece-nos que isso justifica a “nova cara” dessa localidade, expressando a emergência de uma nova territorialidade dessa vez multifacetada, o que, a priori, externaliza-se pela diversidade cultural desse lugar.

11. O papel do curso de capacitação profissional de estética e beleza no desenvolvimento local da comunidade periférica de Cidade Nova em Natal-RN.

Ariana Valéria Paiva de Oliveira

Anna Karen Cavalcante da Silva

Etiene Figueiredo Ferreira

Silvana Soares de Lira

Thalyta Mabel Nobre Barbosa. (Alunas do Departamento de Serviço Social, Centro de Ciências Sociais Aplicadas –UFRN).

thalytamabel@bol.com.br

Atualmente, a dura realidade que envolve crianças e jovens no RN, como as formas precárias de adquirir sustento (venda de miudezas nos semáforos, mendigância etc.) e a prática de delitos, mostra-nos a face perversa da política econômica adotada no país nos últimos anos, traduzida ainda na fragilidade das políticas sociais e no aprofundamento das desigualdades regionais. Entendemos que a geração de emprego e renda baseada numa política social sólida deve garantir a integração da força de trabalho à remuneração. Diante dessa situação social, vivenciada em Natal-RN, o MEIOS (ONG) — Movimento de Integração e Orientação Social — implantou o Projeto "Meninos Potiguares: alternativas para a geração de renda", visando a capacitação profissional dos jovens de comunidades carentes. Um dos seus sete núcleos, o "Centro Profissionalizante de Estética e Beleza de Cidade Nova", localizado na periferia de Natal-RN, foi o nosso objeto de estudo. A nossa pesquisa objetivou observar a aceitação/rejeição do Programa na comunidade e sua contribuição para o desenvolvimento local. (METODOLOGIA) Para isso, estudamos os conceitos de Comunidade (GOHN, 1991; WANDERLEY, 1993; SOUZA, 1999), Desenvolvimento Local (JARA, 1998) e Participação Social (CARVALHO, 1991; SOUZA, 1999) na tentativa de caracterizar o Centro.

12. Territorialidade do voto e reforma urbana: possíveis liames

Valdenildo Pedro da Silva, (Professor do Curso de Licenciatura em geografia do CEFET-RN e Doutorando em Geografia pela UFRJ).

O trabalho em pauta examina as possíveis articulações entre a territorialidade do voto e a agenda política da reforma urbana brasileira. O voto, o modo como cada indivíduo expressa sua vontade ou opinião numa assembléia ou ato eleitoral, possui uma territorialidade, externada pela interação material e simbólica entre o homem e o seu espaço vivencial. Existem várias territorialidades do voto no território brasileiro. Nestas, o voto tem seguido padrões que vão desde um comportamento ideológico e representativo até o oposto, que é reforçado pelo voto personalista e de base clientelista. Por seu turno, o projeto de reforma urbana tem uma agenda a ser cumprida, pois, desde o marco inicial do movimento - o seminário do Hotel Quitandinha, em 1963 - e o marco maior de divulgação e repercussão - a elaboração e coleta de assinaturas de emendas populares para a Constituinte de 1988 -, inúmeros problemas urbanos têm surgido, agudizando conflitos e ampliando a crise das cidades brasileiras. Ao ligar a territorialidade do voto ao projeto de reforma urbana brasileiros, chegamos a algumas conclusões, mesmo que parciais, devido às poucas experiências concretas elencadas no corpus do trabalho, de que os votos de alguns cidadãos brasileiros, no curso dos últimos tempos, vêm sendo manisfestados em sintonia com o ideário de governantes que têm primado por um melhor planejamento e gestão dos espaços urbanos. Essa preferência fica mais evidente por ocasião do tempo da política, em que os resultados eleitorais passam a demonstrar ligações dos anseios da sociedade com os das administrações inovadoras e eficientes, que têm conseguido eleger e reeleger os seus aliados, usando, na maioria das vezes o slogan da administração atual e o argumento da continuidade administrativa.

13. Seridó/RN: Reestruturação do espaço num contexto de crise

Autora:

Vaneska Tatiana Silva Santos (Mestranda em Geografia -UFRN)

vaneskatss@yahoo.com.br

Orientadora:

Rita de Cássia da Conceição Gomes (Profa. Dra. do Departamento de Geografia-UFRN)

Historicamente a organização espacial do Seridó norte-rio-grandense esteve vinculada ao desenvolvimento de suas atividades econômicas tradicionais, isto é, da pecuária; da agricultura de subsistência e de exportação; e da mineração. Essas atividades permitiram uma dinâmica social, política e econômica para essa região, ascendendo sua importância no cenário político e econômico do Estado. Contudo a partir dos anos de 1980, em meio ao processo de modernização disseminado no país, essas atividades entram em crise, desencadeando conseqüentemente um processo de reestruturação desse espaço, a partir da formação de um novo perfil sócio-político e econômico, surgido em meio ao empobrecimento da aristocracia agrária regional. Esse processo enseja a formação de novas relações campo-cidade, redefinindo nessa perspectiva, o espaço das relações de poder, empreendidas na esfera regional. Por outro lado, esse processo empreende a formação de uma nova dinâmica de acumulação do capital, constituída por novas territorialidades representadas pelas fábricas de bonés, panos de prato, chapéus e camisetas. Essas mudanças refletem ainda na formação de atividades agrícolas e não agrícolas no espaço rural, como pode ser evidenciado pelas indústrias ceramistas, pela exploração de gemas e rochas ornamentais, bem como, de atividades relacionadas ao setor de serviços.

14. Uma análise da fragmentalçao territorial no Rio Grande do Norte.

Apresentador-autor.

João Arthur Sarmento Verissimo (Graduando em Geografia-UFRN e Bolsista do Programa Especial de Treinamento)

arthurmalk@zipmail.com.br

Tutor do porgrama PET-Geografia:

Prof. Dr.Anelino Francisco da Silva

O Rio Grande do Norte, assim como os demais estados do Brasil, possuem um espaço territorial delimitado politicamente. Essa delimitação e fruto de relações político-administrativas do período colonial até os dias atuais. Varias vezes o território foi alvo das relações socio-espaciais que determinaram a (re)produção do espaço territorial e sua fragmentação. Em termos gerais o Rio Grande do Norte teve uma maior dinâmica socio-política quando sua economia desenvolveu-se ao ponto de gerar divisas mais significativas para o estado,desde então as crescentes relações de poder da sociedade determinam a (re) construção do território Norte-rio-grandense, acentuando cada vez mais a sua fragmentação. Fragmentação esta em que o presente trabalho pretende avaliar e tentar identificar outras vertentes de analise.

15. Análise da paisagem serrana sob a ótica da geografia cultural: um estudo de caso do município de Guaramiranga – CE.

Autor/ apresentador:

Henrique Clementino de Souza (Bolsista do Programa Especial de Treinamento em Geografia-PET – UFRN; )

henryclemrn@yahoo.com.br

Orientador:

Anelino Francisco da Silva (Prof. Dr. do Departamento de Geografia-UFRN)

Este projeto de pesquisa envolve, especificamente, as problemáticas inerentes ao estudo da paisagem serrana, tendo como aporte teórico as contribuições desenvolvidas pela Geografia Cultural para subsidiar a análise do município de Guaramiranga, localizado na região central do Estado do Ceará a uma altitude de 865m. Na categoria da Geografia Cultural, irá ressaltar-se a observação e interpretação deste espaço serrano como potencial local que favorece a uma perfeita análise da paisagem sob o enfoque instigante da Geografia Cultural, haja vista, que é uma área com características paisagísticas bem peculiares e diferenciais que proporcionam uma avaliação substancial do município, a partir da dualização entre o rural e o urbano, o moderno e o antigo, a partir disso, a referida pesquisa terá como aporte o método científico da teoria geral dos sistemas, apoiada nas bases teóricas do estruturalismo na busca de reflexões teórico-empíricas para esta temática. Quanto as metodologias a serem utilizadas no decorrer da pesquisa, estas por sua vez, serão as seguintes: pesquisa bibliográfica, trabalho de campo, levantamento fotográfico, coleta de dados e entrevistas, na busca de se apreender a observação e a percepção da paisagem serrana sob a ótica da escola do paisagismo, ao qual está inserida no contexto da Geografia Cultural.

16. Negros do Rosário, uma tradição cultural no Seridó potiguar.

Autor:

Luiz Eduardo do Nascimento Neto (Mestrando em Geografia./ PPGe/UFRN)

lugiarts@hotmail.com

Orientador:

José Lacerda Alves Felipe (Prof. Dr. do Departamento de Geografia-UFRN)

Os negros trazidos para o Brasil não só contribuíram para a miscigenação mas sobretudo, para a formação sócio-cultural do território. As tradições, usos e costumes produzidos pelos negros no espaço brasileiro se perpetuam ao longo dos séculos, seja contribuindo nos aspecto da culinária, do artesanato, no sincretismo religioso, como nas inúmeras manifestações culturais produtoras de essências, simbolismos e imaginários que norteiam, marcam e transcendem as sociedades inseridas nestas contextualizações. Norteando uma destas vertentes aportamos análises nas festividades produzidas pelas irmandades dos negros do Rosário no Seridó potiguar especificamente na cidade de Jardim do Seridó. Estas instituições ocupam e produzem territórios e territorialidades plausíveis de investigações. Originárias das festas de cunho religioso exclusivo dos negros, estas irmandades conservam aspectos tradicionais de sua cultura e tradição, contudo tem perdido no decorrer do tempo a sua expressividade, mesmo sofrendo algumas alterações, mantém vivo os conteúdos originários aliados aos aportes da religião. Ainda que esta tradição permeada de simbologias e parte integrante do aporte cultural, observa-se pouco interesse e incentivo das instituições culturais em projetos de manutenção desta tradição secular. Estas festividades religiosas tecem significados perpassando por conteúdos da cultura gerando processos identitários e produzindo territorialidades dentro de seus festejos e nas comunidades em que se fixaram. Almeja-se um despertar para a construção destas festividades a consolidar (re)estruturações tornando-as expressivas na cultura potiguar.

17. Ponta Negra: uma nova espacialidade

Apresentadora/autora:

Catarina Neverovsky (Mestranda de Arquitetura e Urbanismo na UFRN)

hailleka@ig.com.br

Orientadora:

Ângela Araújo Ferreira (Profª. Drª. do Departamento de Arquitetura-UFRN)

As transformações políticas, econômicas e culturais resultantes da globalização imprimiram uma certa mentalidade aos habitantes de grandes centros estabelecendo “estilos de vida” dentro do modo de vida urbano. Os novos modos de produção levaram ao surgimento de pequenas e médias empresas frente a desindustrialização, onde executivos que perderam seus empregos aventuraram-se em franquias e abertura de empresas prestadoras de serviços. O setor de turismo foi um filão cobiçado. O Estado apoiou estas mudanças com financiamentos no setor hoteleiro e a urbanização turística. Em Natal, o bairro de Ponta Negra, o mais representativo dos investimentos do governo do Estado para o desenvolvimento turístico, consolidou-se como porta de entrada dos turistas, atraindo empreendedores de pequeno e médio porte, com forte presença de migrantes vindos de outras regiões do país assim como de outros países. O turismo vem reestruturando as relações sócio-espaciais do bairro, transformando Ponta Negra no local preferido pelos migrantes. O desejo de estar perto do mar, atividade turística, a busca por qualidade de vida, o “clima” de férias, a diversidade de pessoas, são atrativos para os migrantes. Eles trazem consigo seus hábitos de consumo expressos pela preferência por de determinadas mercadorias, gosto culinários, modos de vestir, e escolha do lugar para viver. A opção por Ponta Negra, pelos migrantes reflete mais a predominância do fator “estilo de vida” do que fator capital. O conflito entre o “estilo de vida” dos migrantes e dos potiguares tem sua espacialização no espaço intra-urbano do Natal com a auto-segregação dos primeiros e a fidelidade dos segundos, quanto a preferência para residir em bairros mais tradicionais como Tirol e Petrópolis.

18. A paisagem da Praia de Ponta Negra: um olhar sócio-ambiental

Autores:

Domingos Fernandes Pimenta Neto (Graduando em Geografia-UFRN)

domingoscefet@ig.com.br

Tabtha Santiago Rodrigues (Tecnóloga em Meio Ambiente-CEFET-RN)

tabtha@yahoo.com.br

Orientadora:

Leci Martins Menezes Reis (Professora da área de Recursos Naturais do CEFET-RN)

A atividade turística tem representado uma das principais fontes de renda para a cidade de Natal nos últimos anos. Tal fato deve-se, sobretudo, a presença de exuberantes paisagens naturais, podendo-se destacar a Praia de Ponta Negra, um dos seus principais chamarizes. Devido a importância do ambiente para o setor produtivo do município, foi realizado um diagnóstico sócio-ambiental da praia, por meio de revisão bibliográfica, coleta de dados in loco, confecção de cartas temáticas e realização de consultas públicas, através da aplicação de entrevistas com os atores sociais envolvidos na questão. Os resultados mostraram que desde a década de 70, Ponta Negra tem sofrido grandes modificações em virtude do desenvolvimento da atividade turística, atingindo o seu ápice na execução do último projeto de reurbanização, concluído em 2001, quando a praia ganhou uma infra-estrutura apropriada, capaz de acolher adequadamente os seus visitantes. As ações executadas, segundo os entrevistados, trouxeram melhorias para a praia, obtendo um alto índice de aprovação, principalmente por parte dos proprietários de hotéis e restaurantes ao longo da orla. No entanto, o projeto também apresenta uma face bastante elitista, uma vez que acentuou discrepâncias sociais, apresentando aspectos danosos aos pequenos comerciantes e ambulantes, principalmente no concernente a manutenção de renda e estrutura de trabalho. Dessa forma, conclui-se que o principal rumo para o desenlace dessa questão seria através da democratização dos benefícios oriundos de praia de Ponta Negra, por meio do pronto atendimento das necessidades daqueles que a utilizam.


GT-16: CIDADE, ATORES E POLÍTICA: CONTINUIDADES E RUPTURAS NOS MOVIMENTOS SOCIAIS

Coordenadoras:

Profª. Ms Maria da Conceição Fraga (Departamento de Historia)

E-mail: ceicafraga@bol.com.br

Profª. Doutoranda Irene Alves de Paiva (Departamento de Ciências Sociais)

E-mail: irene@natal.digi.com.br

Local/horário: Setor de aula II, Bloco B, sala 3, 30 lugares, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

As cidades e os atores que a compõem vêm a cada dia se constituindo em palcos de manifestações políticas no País. Nesse contexto, os chamados movimentos sociais ocupam papel privilegiado na construção e redefinição das políticas nacionais e locais. Ao longo das décadas de 80 e 90, esses movimentos imprimiram transformações significativas na forma de fazer política. Com base em pesquisas realizadas que investigam o papel desempenhado por atores privilegiados na condução das ações coletivas, o presente Grupo de Trabalho estuda tensões existentes entre os movimentos sociais e diferentes atores que o compõem: Partidos Políticos, Igrejas, ONG’s, minorias entre outros.

RESUMOS

1. Memória e Identidade: origem que alavanca sujeitos e constrói lugares

Célia Regina Neves da Silva (Mestre em Planejamento Urbano e Regional - IPPUR/UFRJ e doutoranda em Ciências Sociais - CCHLA/UFRN)

A memória social foi reconstruída através de um acervo de histórias de vida, obtidas entre participantes e lideranças dos movimentos sociais. Trabalhamos, neste sentido, em Vila dos Palmares, um loteamento irregular na zona oeste do Rio de Janeiro que, no início dos anos 80, teve o seu processo de organização intensificado em torno de questões fundamentais para uma população que lutava pelo direito de morar com dignidade. O imaginário popular constitui-se na principal categoria orientadora de nossas reflexões. Pretendemos, pois, revelar conteúdos deste imaginário referido à vida urbana, às representações de cidade. Trata-se de resgatar, no conjunto de acontecimentos gerais, as experiências vividas por cada um e, sobretudo, as imagens reconstruídas pelo trabalho da memória. Cabe-nos a tarefa de captar essas imagens numa tentativa de dizer dos processos vividos pelos sujeitos em ação. Trata-se, ainda, de buscar subjetividades em contextos, “formas-conteúdo” onde mesclam-se materialidades e relações sociais, objetos e ações que conformam o cotidiano e as suas rupturas. Esta é uma tentativa analítica que, ao visar o aprofundamento de contextos sociais e políticos, concebe os sujeitos populares como fazedores de história, a experiência pessoal é, portanto, o grande fio condutor de histórias. Ou seja, cada experiência conduz uma vida a diversas histórias que se amalgamam numa teia de significados, construindo lugares políticos novos, novas práticas, e fundando o compartilhamento de interesses e vontades. Desta perspectiva, pretendemos romper com a história que se apresenta totalizante e linear.

2. Movimento Estudantil e a ocupação da reitoria na UFRN

Michelle Pascoal Maia (Graduanda em História - UFRN)

Os estudantes norteriograndenses tem um longo histórico de lutas e resistência no estado,inclusive diante dos governos militares, houve diversas manifestações e participação dos jovens secundaristas e universitários no decorrer do tempo. Perceberemos que os estudantes se organizavam através das suas entidades representativas como o DCE,UNE,CAs, ou em tendências,partidos políticos. Na década de 80 a juventude tomava as ruas reivindicando eleições diretas para presidente do país, além do direito de se expressar, porém era peça fundamental no processo de redemocratização do país. Em 1984, na UFRN, aconteceu o processo de ocupação da Reitoria, que contou com a participação expressiva de alunos e o apoio de professores e funcionários,contou ainda com a enorme participação dos residentes universitários. Temos como objetivo:centralizar o processo de redemocratização do país, investigar o papel dos partidos políticos como sujeitos coletivos na organização e condução da ocupação da Reitoria da UFRN e avaliar as diferentes avaliações sobre o processo de ocupação para os protagonistas.

3. A participação das mulheres no movimento de 1935

Aluízia do Nascimento Freire (Aluna do curso de História da UFRN)

O movimento organizado em 1935 pelos comunistas no Rio Grande do Norte, desempenhou importante papel na sociedade brasileira, durante esse período. As mulheres embora não tenham ocupado papel de destacado na direção do partido à época, participaram de maneira de maneira ativa do movimento. A presente pesquisa analisa o papel de Amélia Gomes Reginaldo e Leonila Félix, na Insurreição de 35, tem como objetivo contextualizar os anos 30 no Brasil e no RN; o papel do partido comunista naquele contexto e a participação da mulher à época.

4. Estudantes em perspectiva: movimento estudantil secundarista no Rio Grande do Norte (1982-1992)

Adriana Cristina da Silva Patrício (Bacharel em História/UFRN e Pós-graduanda em História do Campo e da Cidade - UFRN)

O movimento estudantil desempenhou importante papel na sociedade brasileira durante os governos militares, sobretudo de 1964 a 1969. Foi um dos principais movimentos de resistência nesse período e continuou participando ativamente, nas décadas seguintes, das reivindicações públicas como um importante ator social da vida política do Brasil e do nosso Estado. No Rio Grande do Norte, a década de 80 serviu como palco para a reorganização do movimento estudantil secundarista através da ativação de entidades como a União Metropolitana dos Estudantes Secundaristas (UMES-Natal) e a reativação da Associação Potiguar de estudantes Secundários (APES). Além das acirradas disputas pela hegemonia no movimento estudantil, os diferentes grupos políticos se unificavam em torno de algumas das lutas (que englobavam do âmbito geral ao específico) características desse movimento social nas décadas de 80 e 90 do século XX como: as reivindicações pela democratização do país e construção dos “Grêmios Livres”; as “Diretas Já” para presidente do país e diretas para diretores de escolas; contra o aumento das tarifas de transportes e pela garantia dos tickets estudantis. No entanto, essa unificação nem sempre foi possível, e as “divergências” levaram a disputas que tiveram destaque na imprensa local da época. O movimento estudantil, após os governos militares, construiu parte da história social do nosso Estado, e as manifestações estudantis tiveram um destaque na vida cotidiana da cidade do Natal.

5. A Ordem: Jornal, agente cultural e estrutura ideológica no Rio Grande do Norte (jan. à mar. 1964).

Rosana Karla Bezerra de Melo (Bacharel em História – UFRN)

No inicio dos anos 60, século XX, o Brasil atravessou um período de intensas manifestações, inauguradas nos anos 50, de setores da sociedade civil: estudantes, sindicatos, políticos de esquerda, etc. Esses grupos, reunidos em torno das idéias nacionalistas, formaram frentes de mobilização em defesa das Reformas de Base, sendo a principal delas a Agrária. Essas mobilizações, sobretudo no governo do presidente João Goulart, desencadearam vigorosas manifestações dos grupos conservadores, elites e cúpula da igreja católica, que se uniram nas acusações de que o presidente estaria levando o Brasil à “agitação social” e à “subversão”, refletindo o medo da “comunização” do país. No inicio de 1964, a crise política agudizou-se, resultando no movimento que depôs o Presidente Goulart a 31 de março daquele ano. No Rio Grande do Norte, os reflexos do que acontecia na política nacional, foram amplamente sentidos, tanto as mobilizações em torno das idéias nacionalistas quanto às manifestações contrárias sendo que, a Igreja Católica no Estado muitas vezes liderou o combate as idéias comunistas, privilegiando um instrumento fundamental dentro de sua estrutura ideológica nesse combate: o seu órgão de imprensa A Ordem.

6. Militares e política no Rio Grande do Norte (1961-1964)

Paulo André Lacerda do Rego (Bacharel em História – UFRN)

Analisa a participação de militares na política durante o período de 1961, quando ocorreu a renúncia de Jânio Quadros até 1964, quando ocorreu a deposição de João Goulart. Parte da História Social, na concepção de Febvre e tem como objetivo: contextualizar a política internacional e suas ingerência no Brasil; investigar as particularidades da política no Rio Grande do Norte, bem como identificar diferentes interpretações sobre a participação de militares na política.

7. MST: ator político

Paulo Roberto Palhano Silva (Aluno do Doutorado em Educação – UFRN)

ppalhano@digizap.com.br

Qual a importância do campo político? Tomamos a referência de Pierre Bourdieu para qual campo político procura abrir o pensamento a partir da indagação de algo que se torna aparentemente familiar, porém margeado por complexidade envolvendo cotidiano e ações futuras que às vezes estão no plano da especulação ou que no presente marcam a vida das populações, por causa de suas perspectivas (2000). A pesquisa tem como foco estudar a lógica que preside as ações do MST. Sabe-se que o MST enquanto ator político tem sido capaz de gerar processos sociais mobilizadores de famílias visando ocupações e desapropriações para fins de reforma agrária. Uma das estratégias utilizadas tem sido dá visibilidade nas cidades aos conflitos agrários, tendo para tal, realizado marchas, caminhadas, atos, ocupações de prédios púbicos. Bem como, de buscar parcerias com outros Movimentos Sociais e instituições da sociedade civil e política. Investiga-se a partir da teoria bourdesiana as noções de campo político e suas articulações com o habitus e carteira.

8. Os movimentos sociais e a participação social: da reivindicação à deliberação

Ivaneide Oliveira da Silva (Aluna do curso de Ciências Sociais– UFRN)

Entender o sentido das mudanças políticas que estão ocorrendo no Brasil, desde os anos 90, requer, em princípio, compreendermos a construção de uma nova concepção de sociedade civil, como resultado das lutas sociais, nas décadas de 70 e 80, por direitos e espaços sociais. A construção dessa nova concepção resultou numa visão ampliada da relação estado-sociedade, a qual, a partir de uma nova institucionalidade resultou na reformulação da esfera pública e do que lhe pertence. Esse trabalho, a partir de pesquisas bibliográficas sobre o tema da participação, tem o objetivo de compreender se a ampliação do espaço de participação política permitiu aos movimentos sociais expressarem, de forma efetiva, uma maior influência na deliberação de políticas públicas. Procuramos enfocar quais as dificuldades enfrentadas pelos movimentos sociais em passar de uma postura anti-estado para uma atuação em parceria com o governo. A partir dessa pesquisa, identificamos que apesar das lutas sociais terem logrado importantes vitórias nos anos 70 e 80, a participação social ainda enfrenta sérias limitações, em parte, decorrentes das dificuldades da sociedade em transitar de uma postura reivindicativa para uma postura deliberativa.

9. O Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural de São Paulo do Potengi: Um novo modelo de gestão compartilhada

Ivaneide Oliveira da Silva (Aluna do curso de Ciências Sociais– UFRN)

Atualmente, assistimos a uma nova forma de gestão das políticas públicas pautada na participação social, ou seja, no comprometimento dos cidadãos em relação à tomada de decisões políticas. Essa modificação está diretamente relacionada com o processo de descentralização político-administrativa , evidenciado no país, e concretizado na idéia de parceria governo/sociedade. Nesse contexto político, os Conselhos Gestores se apresentam como modelo institucional de cidadania. Por tratar-se de um modelo de gestão recente, a participação social enfrenta diversas limitações. Este trabalho tem como objetivo identificar as causas das limitações da participação social no Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural em São Paulo do Potengi. Através de entrevistas e pesquisas bibliográficas identificamos hipóteses como desmobilização social, cultura política e dificuldades de adaptação ao processo de descentralização, como possíveis explicações para as dificuldades de participação efetiva da sociedade no Conselho.

10. A Gestão Participativa em administração municipal: a experiência de Natal

Lindijane de Souza Bento Almeida (Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais - UFRN)

De maneira geral, há, na atualidade, uma grande preocupação, no mundo como um todo, com a maior participação da sociedade na gestão pública. No Brasil, a Constituição, promulgada em 1988, definiu em termos legais um novo modelo de gestão, que supõe a abertura do processo decisório à sociedade organizada para tornar mais eficiente a prestação dos serviços públicos, assim como dá respostas eficazes ao quadro de carências locais. Para tanto, implantam-se novos procedimentos de formulação/implementação de políticas públicas no país. A partir dos anos 90, o desenho de todas as políticas sociais inclui a constituição de Conselhos Gestores, os quais significam o estabelecimento de novas relações entre governo e sociedade, o que supõe a distribuição do poder de decisão entre ambos. Eles aparecem como elemento fundamental de democratização das ações governamentais, porque são os espaços onde se viabiliza o sentido democratizante do processo descentralizador, na medida em que possibilita a participação da sociedade nas decisões governamentais. A discussão em torno da descentralização, que vem ocorrendo desde o início da redemocratização, assume uma importância fundamental, principalmente, dentro dos chamados partidos progressistas, entendendo-se partidos progressistas aqueles que apontam ou na direção da social-democracia ou do socialismo, os quais assumem uma postura de governar de forma mais democrática e de abrir os espaços de decisão para a sociedade. O presente trabalho analisa o modo como vem sendo experimentados mecanismos de gestão participativa, apoiado na concepção de participação cidadã, em uma administração municipal de um partido originalmente socialista, o Partido Socialista Brasileiro (PSB).

11. Os impactos sociais do Programa Bolsa Escola no município de Parnamirim

Elaine Cristina Farias de Oliveira (Aluna do Departamento de Serviço Social – UFRN)

Frânslie Quinto Bezerra (Aluna do Departamento de Serviço Social – UFRN)

O Brasil tem atualmente cerca de 3,8 milhões de crianças trabalhando onde mais da metade estão fora da escola. Problemas como evasão escolar, repetência e desinteresse pelas aulas são relacionados, na maioria dos casos, à falta de expectativa social e econômica de uma família que mal tem como se sustentar e por isso se vê forçado a ter todos os seus membros trabalhando, inclusive crianças e adolescente. Diante desse problema, foi pensado o programa Bolsa-Escola, como forma das crianças poderem estudar. A pesquisa tem o objetivo de avaliar esse programa como também detectar as diferenças existentes entre o projeto original e o implantado pelo governo Federal, como também analisar quais as melhorias que o programa trouxe no campo educacional, familiar e no campo econômico. Verificando as dificuldades, falhas e lacunas que essas diferenças provocaram, e procurando identificar as mudanças da condição social dos beneficiados pelo programa no município de Parnamirim, e assim analisar se a mudança no programa modificou o real objetivo ou metas do mesmo.

12. A política das águas no Ceará: da açudagem a participação

Lôidy Pereira de Lima (Aluna do Departamento de Ciências Sociais – UFRN)

Historicamente a questão das águas tem sido um problema, ou um desafio a ação governamental no estado do ceará. Nos últimos anos, contudo, com a flexibilização da gestão pública em algumas áreas – conseguida com a constituição de 1988 – alguns estados conseguira dar inicio a criação e formulação de legislações estaduais e aparelhos institucionais de gestão e gerenciamento de recursos hídricos. Os estados do Ceará, São Paulo e Rio Grande do Sul, por volta da Segunda metade dos anos oitenta, começaram a discutir a descentralização e o gerenciamento de suas águas. A implementação de um novo modelo de gestão de recursos hídricos do Ceará passa pela reformulação/criação de uma série de órgão estaduais, dentre eles os comitês de bacia hidrográfica, que são espaços definidos pela legislação estadual, de participação da sociedade e de interação desta com o poder público. Dessa forma, o caso do estado do Ceará mostra-se imensamente importante para o conhecimento da política e da gestão das águas no nordeste por compor as primeiras experiências de um novo modelo de gestão dos recursos em consonância com as discussões internacionais. Com o objetivo, portanto, de traçar um breve histórico da política das águas no ceará destacando o comitê de bacia hidrográfica como elemento central de implementação dessa nova política foi elaborado o presente trabalho.

13. As dinâmicas institucionais e os novos paradigmas de desenvolvimento, novos atores, novos papeis, velhas práticas?

Gil Célio de CASTRO Cardoso (Aluno do Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da UFRN)

O início dos anos de 1950 marca um período de novas soluções para o enfrentamento da questão regional do Brasil, sobretudo com relação ao Nordeste. Frente ao aumento das desigualdades regionais e, portanto, frente ao fracasso da generalização da expansão econômica a todo território, foram criados os organismos de desenvolvimento e planejamento regional, como o Banco do Nordeste de Brasil e a SUDENE, que enfrentariam prioritariamente a falta de infra-estrutura de transportes e de energia da Região que, aliado aos incentivos fiscais e os créditos do Banco do Nordeste, deveria ser capaz de permitir na industrialização e, conseqüentemente, o desenvolvimento da região. No inicio da década de 1990 a política de desenvolvimento para o Nordeste é reorientada à luz da noção sustentabilidade de qualquer processo de desenvolvimento. Para operacionalizar as políticas de desenvolvimento focada na sustentabilidade, fez-se necessário o surgimento de um aparelho estatal que viabilizasse o diálogo dos principais atores envolvidos no processo: governo , mercado e sociedade civil. Assim, o Banco do Nordeste começou, em 1995, um processo de mudança significativo em que, dentre outra coisas, redefiniram-se sua missão, seus processos e seus produtos. A definição do Banco do Nordeste como “agente de desenvolvimento” e, portanto, como o principal ator da operacionalização das políticas de desenvolvimento regional, apresenta alguns questionamentos, dentre as quais uma merece nossa reflexão: será que a instituição, após a mudança vivida, apresenta as condições reais para facilitar a realização de um processo de desenvolvimento sustentável, onde o “desenvolvimento” é resultado de um processo endógeno, que surge de dentro para fora, de um esforço dos atores locais, portanto, resultado da ação de pessoas que provocam mudanças no seu meio, representando, assim, uma nova etapa no processo de desenvolvimento do Nordeste?

 


GT-17: MASCULINO, FEMININO: RELAÇÕES DE GÊNERO

Coordenadoras:

Profª. Drª Elisete Schwade (Departamento de Antropologia)

E-mail: schwade@digizap.com.br

Profª. Ms. Elizabeth Nasser (Departamento de Antropologia)

E-mail: elizabethnasser@terra.com.br

Local/horário: Setor de aula II, Bloco B, sala 4, 25 lugares, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

O Grupo de Trabalho tem como objetivo a discussão da construção cultural do masculino e do feminino a partir do gênero enquanto categoria analítica, cujo argumento principal é a desconstrução de práticas e representações associadas ao masculino e ao feminino, por meio do questionamento de seus suportes. Entendendo que feminino e masculino se situam em um universo relacional, buscará enfatizar a construção das diferenças e a pluralidade de enfoques permitidos pela reflexão a partir do gênero: relações homens/mulheres, entre homens, entre mulheres, masculinidades, mulheres em diferentes contextos e movimentos. Pretende, assim, oportunizar a discussão de representações e práticas associadas ao masculino e ao feminino, tendo como base pesquisas concluídas e em andamento, em diferentes contextos (religião, política, literatura, cotidiano etc.) focalizando as relações de gênero no interior do universo sócio-cultural no qual tais práticas e representações se sustentam.

RESUMOS

a) Sexualidade e Conjugalidade

1. A intimidade dos lobisomens – masculinidade e homossexualidade

Francisco Sales da Costa Neto (Mestrando do Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais – UFRN)

A cultura urbana nas grandes cidades possibilita a vivência da sexualidade desviante. A vida conjugal de homens homossexuais na cena urbana representa um estilo de expressão da homossexualidade; dentro dela temos dois pontos de reflexões importantes para a compreensão da sexualidade: a masculinidade e os sentimentos de complementação entre os parceiros. Analisamos esses dois pontos como partes das uniões homossexuais masculinas. A formação da identidade homossexual constrói-se também a partir das relações estabelecidas no meio urbano. Nesta pesquisa, utilizamos entrevistas abertas e uma etnografia das visitas a esses casais residentes na cidade do Natal para a elaboração da análise e conclusão. Colocamos nosso parecer através dessas informações acerca da masculinidade e dos sentimentos de complementação.

2. Maria Bonita e Lampião: A Sexualidade no Cangaço – Fragmentos de um Romance no Sertão

Ilsa Fernandes de Queiro (Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais – UFRN)

O tema que desenvolvemos centraliza, principalmente Maria Bonita, por compreender o marco de modificações que introduziu no bando após ter ido compartilhar sua vida com Lampião no cangaço. O cangaço abrangeu o NE quase como um todo, exceto O Maranhão todos os outros estados o vivenciaram.Nosso texto está organizado em três fragmentos; no primeiro tratamos da origem; Cangaço dependente e independente; De Virgulino a Lampião e uma pequena introdução do que era o bando de Lampião antes das mulheres; No segundo tratamos sobre a chegada de Maria Déa – Maria Bonita ao bando, o que conseqüentemente foi um marco e minou a chegada de outras mulheres provocando modificações no bando na vida dos cangaceiros e das cangaceiras. No terceiro desenvolvemos enfocando o sexo, o erotismo e o amor no mundo do cangaço, no bando de Lampião e principalmente entre Lampião e Maria Bonita.Para tanto investiguei diversas obras, que nos auxiliaram na idéia de que Maria Bonita e Lampião foi um romance desejado, e conquistado para fora e dentro do bando, um amor que venceu a dura regra do “CÓDIGO DE HONRA”, que proibia a presença de mulheres dentro dos bandos, porque elas ameaçavam a ordem social de convivência dos cangaceiros.

3. Práticas rituais de exorcismo na IURD: a máscara da comunicação e do desejo.

Maria do Socorro Santos Ribeiro (Mestre em Ciências Sociais – UFRN)

O presente trabalho tem por objetivo apresentar o processo ritual do exorcismo na Igreja Universal do Reino de Deus- IURD, foco de observações e análises de representações da sexualidade. Nesse ritual, as mulheres, de modo particular, estimuladas pela dramaticidade ritual, incorporam entidades dos cultos Afro-brasileiros, consideradas, por esta Igreja, demoníacas. No processo de possessão, revestem-se de “máscaras” que lhes permite, não apenas exteriorizarem o mal, as dores, o sofrer cotidiano, mas interpretá-los, sobretudo as questões de “foro íntimo”, associadas particularmente à sexualidade. As representações/interpretações da “máscara” utilizada por dona Cleomar, uma das personagens representativas de todas as possessões ritualizadas na IURD, comunica diversos dramas e desejos, principalmente o de enfrentar o desejo sexual de seu marido pela enteada, e , sobretudo, expressão de seu desejo de resolução do drama familiar pela regulação da conduta e do comportamento do marido.

4. Violência conjugal, gênero e crimes de honra.

Analba Brazão Teixeira (Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais – UFRN)

O Trabalho “Violência conjugal, gênero e crimes de honra” busca compreender, através de autores(as) como Mariza Correa, Miriam Grossi, Pitt-Rivvers,Claúdia Fonseca e outros(as) como se processa a violência conjugal que culmina com a morte nas relações de conjugalidade, tendo como pano de fundo a categoria honra que ainda tem sido utilizada para justificar os homicídios contra as mulheres. Esta pesquisa sobre crimes de honra no RN irá analisar 10 casos de homicidas suicidas, homens que matam suas companheiras ou ex-companheiras e em seguida se suicidam. Este trabalho está sendo desenvolvido para obtenção de título de mestre no mestrado em ciências sociais da Universidade federal do Rio Grande do Norte. Estamos fazendo uma revisão teórica dos temas: relações de gênero; violência de gênero; violência conjugal; casamento e separação; ciúme; honra, para a partir dessa revisão compreender como se dá as relações de gênero no Rio Grande do Norte e em qual contexto estes crimes acontecem.

b) Educação

5. Gênero e educação na periferia de natal: a construção de vínculos afetivos

Gardênia Campos (Mestranda do Programa de Pós- Graduação em Ciências Sociais – UFRN)

Célia Refina Neves da Silva (Doutoranda do Programa de Pós- Graduação em Ciências Sociais – UFRN)

A educação infantil tem sido realizada tendo a mulher como seu agente principal. Este quadro aponta para uma reprodução de tarefas tradicionalmente femininas que envolvem cuidado e proteção, tornando a atividade profissional, uma extensão das tarefas domésticas. Quanto aos homens, a sua visibilidade no espaço profissional da educação, ocorre no momento em que se inicia a fragmentação dos conteúdos escolares, ficando sob a sua responsabilidade o desenvolvimento de disciplinas reconhecidas de raciocínio lógico. Não é de se espantar se lembrarmos que culturalmente foram socializados, a desenvolverem atividades que envolvem a velocidade e a exatidão do pensamento. Este quadro é ainda mais nítido quando referido às periferias. Em Natal/RN grande parte das crianças desse segmento educacional freqüenta “escolinhas” da periferia onde, da proprietária às educadoras, todas as trabalhadoras são mulheres pobres que conseguiram concluir o magistério. Ocupando, então, o lugar de educadoras informais, lançam-se num trabalho árduo e permanente. Essas mulheres constituem quase que a única esperança para crianças que, vivem a exclusão do espaço destinado à educação formal. Silenciosamente resistem, tendo consigo a única saída: a solidariedade.

6. Em busca da mulher-professora: questões de gênero e práticas de pesquisa na formação docente

Tatyana Mabel Nobre Barbosa (Doutoranda do PPGEd – UFRN/CAPES)

Profa. Dra. Conceição Passeggi (Depto. de Educação – UFRN/CNPq)

Embora a mulher seja a principal veiculadora da educação escolarizada (LOPES, E. 1991; ALMEIDA, C. 1991), apenas recentemente utiliza-se o gênero (LOURO, 2000b, 2001) como categoria cientificamente aceitável nas investigações pedagógicas. A partir do movimento feminista, por volta dos anos 70, a mulher emerge como tema de pesquisa, (ALMEIDA, J., 1998) e demanda estratégias metodológicas específicas na recolha dos dados. Neste trabalho, decorrente do Projeto Integrado “Representações Identitárias e Autonomia Profissional” (PASSEGGI, M. C., 2003 – UFRN/PPPG/CNPq), buscamos identificar e caracterizar as práticas essenciais à pesquisa das mulheres-professoras na situação da formação docente. O Projeto desenvolveu-se no Instituto de Ensino e Educação Superior Presidente Kennedy (IFESP, Natal-RN), junto a 05 professoras-alunas, sob a perspectiva qualitativa e etnográfica (BOGDAN e BIKLEN, 1994). As práticas de pesquisa utilizadas basearam-se na forma ativa de observação participante (COULON, 1995a,1995b, ANDRÉ, 1995), a fim de estabelecer a confiança e aceitabilidade do grupo. Tais práticas apontaram a institucionalização de fazeres da esfera privada feminina: as confidências e segredos (fontes orais) e os registros de caráter íntimo, com os diários (fontes escritas), correspondem, respectivamente, à discussão sobre a prática docente e à escrita do Memorial de Formação, realizadas no IFESP. Com isso, visamos a contribuir na criação de um novo campo metodológico e a tornar as mulheres-professoras agentes na produção do conhecimento (LOURO, 2000a).

c) Família/casamento

7. Relações intimas de gênero e transação econômica: uma analise sociológica da vida econômica a partir dos discursos produzidos nos processos de divórcios litigiosos

Noemia Arruda Varela (Mestranda do Programa de Pós- Graduação em Ciências Sociais – UFRN)

A vida cotidiana coloca um desafio para as escolhas de indivíduos e instituições: Até que ponto podemos monetarizar atividades e coisas feitas em nome do afeto, do cuidado e da atenção para com o outro? O estabelecimento de fronteiras claras entre o mundo do mercado e aquele das relações afetivas expressa uma oposição binária forte não apenas no senso comum, mais também nas ciências sociais. Analisar como a “vida intima” e “mercado” relaciona-se nos discursos dos diversos atores envolvidos com o processo de divorcio e como a dimensão de gênero estrutura as diversas matizes discursivas que dão sentido à disputa em torno das somas monetárias envolvidas numa separação litigiosa. Utilizamos entrevistas, analise de discurso, analise documental e o recolhimento de dados existentes como instrumentos metodológicos. Constatou-se uma marca de um mundo colonizador, regido por uma lógica voraz que subjuga as outras esferas da vida em sociedade, se seguirmos as instituições de Karl Polanyi em “A grande transformação”, não apenas no mercado mas na vida econômica não pode ser entendida se não se levam em conta as relações sociais e culturais na qual aquela se encontra “envolvida”, dessa forma a relação intima, são marcadas pelo fato de viverem atravessadas por relações monetárias: a vida efetiva não está isenta de “mercantilização”. È esse o caso do divorcio.

8. Famílias urbanas: um estudo do processo de separação nos segmentos médios urbanos em Natal

Jeane do Nascimento (Mestranda Programa de Pós- Graduação em Ciências Sociais – UFRN)

O presente estudo pretende compreender as redefinições dos papéis feminino e masculino nos segmentos médios urbanos em Natal, através dos casais em processo de separação. A construção do feminino e do masculino como categoria para compreender a concepção de realidade social representa um verdadeiro salto epistemológico, através da qual não mais se trata de constituir o objeto de ciência com o homem e/ou com a mulher, mas de analisar suas relações. Neste breve texto, limito-me a discorrer sobre parte do estudo que me proponho investigar na minha dissertação de mestrado. É evidente o crescente aumento no número de separações e divórcios em nossa sociedade, no entanto as pesquisas brasileiras ainda são raras, principalmente no que diz respeito aos segmentos médios urbanos. O reflexo do número de separações e divórcios aponta para uma redefinição dos papéis feminino e masculino nos segmentos médios urbanos e uma profunda diversificação e mudança da família no seu sistema de poder. A pesquisa terá como cenário as Varas de Família em Natal, através dos processos judiciais de separação em andamento e será desenvolvida dentro de uma abordagem técnica que verse por uma maior aproximação entre o pesquisador e o seu universo de análise, com ênfase nos dados qualitativos.

9. O dia da noiva: preparando o objeto de troca

Cássio Eduardo Rodrigues Serafim (Especialista em Antropologia – UFRN)

A cultura é um contexto, onde os fenômenos sociais se sucedem a partir da atuação dos atores sociais – atuação essa que só se faz possível devido à existência e ao uso dos símbolos, que constituem a cultura. É dentro desse contexto que as instituições sociais se erguem, se solidificam e se explicam. Entre elas, o casamento é tomado como vital para as sociedades humanas, uma vez que, de modo socialmente aceitável, ele forma os grupos domésticos e, em decorrência, aflui para a reprodução do ser humano. Desta maneira, quando deste evento, as famílias envolvidas, com a finalidade precípua de perpetuarem a si mesmas, põem-se a trocar o seu membro cuja capacidade de reprodução é atestada. Logo, se biologicamente o homem não é capaz de gerar outro ser, a mulher, cuja estrutura biológica se predispõe à concepção humana, torna-se responsável pela união entre os grupos. Neste sentido, concebendo o casamento como um jogo social e o sexo feminino como objeto de troca, realizamos uma pesquisa etnográfica do ritual de preparação da mulher para o casamento, ritual esse comercialmente denominado de O DIA DA NOIVA e divulgado pelos salões de beleza de Natal (RN). Pretendemos analisar o status da mulher no fenômeno social investigado, ponderando acerca dos fatores culturais que concorrem para o tratamento que lhe é indicado, sendo este diferenciado daquele indicado ao homem. Para tanto, além de estruturarmos as fases do ritual em estudo, pensamos alguns dos conceitos e categorias pertinentes já divulgados por pesquisas antropológicas, como casamento, matrimônio, regras de casamento, escolhas matrimoniais, contexto societal em que se inserem os noivos e as famílias.

d) Imagens de homens e mulheres: história

10. À luz dos holofotes: moda, beleza e comportamento femininos no Seridó (1960-1980)

Maria das Graças Medeiros (Aluna do Curso de História – UFRN - CERES – Caicó)

A região do Seridó norte-riograndense destaca-se em nível estadual pelos concursos de miss que realiza desde a década de 50, momento áureo da produção algodoeira local que possibilitava a emergência de novas práticas culturais, a exemplo dos inúmeros desfiles que consagravam mulheres da região e davam visibilidade a uma nova concepção do feminino, isto é, o feminino visto fora de casa, objeto de desejo dos muitos homens assistentes dos concursos e de disputas entre os júris. A década de 60 deu visibilidade aos concursos e projetou mulheres de Caicó, Currais Novos, Acari, Cruzeta, Florânia e demais cidades do Seridó como as mais belas do Estado. Mas que mulheres participavam desses desfiles? Que vozes adjetivavam e que olharem selecionavam o corpo “perfeito”? Que padrões e referências estéticas ditavam o universo dos concursos de miss? Estas são indagações que permeiam esta pesquisa, ora em fase de conclusão, abordando o disputado espaço dos concursos e a construção do corpo belo da mulher do Seridó no período entre 1960 e 1980, momento considerado de decadência ou de pouca visibilidade para as passarelas de concursos de miss.

11. “Fora da higiene não há salvação”: a educação do corpo pelo discurso médico no Brasil republicano.

Iranilson Buriti (Departamento de História e Geografia –DHG – UFRN - CERES – Caicó)

Esta comunicação tem como objetivo abordar o momento republicano brasileiro (1889-1930) e a instauração de verdades sobre o corpo familiar, visando a construção de homens e de mulheres “ideais” à pátria que ora se republicanizava. Para tanto, muitos dispositivos de poder foram utilizados para disciplinar o corpo e a mente do cidadão brasileiro, sendo o discurso médico um dos saberes que em muito contribuiu para a cristalização da imagem do “bom cidadão”. Tendo como fonte o jornal Diário de Pernambuco, e como enfoque teórico-metodológico a construção de gêneros baseado em Michel Foucault, Félix Guattari e Guacira Lopes Louro, discutimos os saberes que foram gestados e as “civilidades” que foram implantadas visando moldar o corpo do cidadão brasileiro à “ordem” e ao “progresso” republicanos. O discurso médico higienista foi priorizado nesta pesquisa, por entendermos que a nação brasileira vivenciava um momento de muitas reformas nessa área, sob os empréstimos culturais de um ideário modernista e progressista, importado, em grande medida, de países europeus e dos Estados Unidos da América. Dessa maneira, civilizar era a palavra de ordem estampada em muitos discursos, e aos médicos foi confiada a tarefa de limpar o brasileiro das tatuagens do atraso que em muito contribuía para sujar a imagem da nação em outras plagas.

12. Lendo o masculino pelo feminino: o jornal das moças e a construção do gênero masculino em Caicó (1926-1932)

Patrícia Cristina de Oliveira (Aluna do Curso de História UFRN - CERES – Caicó)

A década de 1920 foi marcada em muitas cidades brasileiras, a exemplo de Recife, Fortaleza, Rio de Janeiro e Florianópolis, como o momento do arrivismo social e da delimitação de novas fronteiras de gênero. Homens e mulheres começaram a viver e a sentir o corpo diferentemente, a ingressarem em movimentos de exaltação da liberdade (como o Movimento Modernista) e de rupturas com o século XIX, visto e dito como atrasado e “fora de moda”. Nesse contexto histórico, Caicó, uma das mais prósperas cidades do interior do Rio Grande do Norte, vive um momento de efervescência de discursos que rompem com a velha concepção do ser feminino, preso aos ditames da moral e dos costumes. Nesse ínterim, emerge o Jornal das Moças (1926-1932), um veículo de divulgação de saberes femininos e de espaços urbanos, escrito, dentre muitas personagens, por Júlia Medeiros, Georgina Pires e Dolores Diniz. Partindo dos escritos desse periódico, a pesquisa ora em andamento objetiva mostrar os recônditos do mundo masculino construídos pelas vozes femininas. Que lugares, como o Cine-theatro Avenida e o Café Comercial, foram elaborados para os homens? Que estereótipos foram construídos para os rapazes que freqüentavam tais espaços de lazer e diversão? Que masculino emerge dos discursos das mulheres que aspiram a liberdade de gênero? Estas são algumas das questões que fazem parte deste projeto de pesquisa, cuja finalidade é investigar como o olhar feminino vê o corpo masculino, descreve os seus jeitos e trejeitos, numa cidade ainda marcada pelo provincianismo e pelas práticas culturais ditas patriarcais.

13. Visões De Um Nordeste Feminino Dos Anos 20.

Valcácia de Brito Morais (Historiadora Ceres da UFRN)

As identidades de gênero estão em constante mutação - Guacira L. LOURO por se fazerem de uma invenção social, que se constitui por meio de instâncias e dispositivos que fabricam ao mesmo tempo em que são fabricados, por homens e mulheres, sujeitos que são induzidos por uma gama de práticas e discursos, formando imagens que se constroem e se apóiam na crença de que existe para cada gêneroum destino anatômico já traçado - Joan SCOTT. É procurando entender como se estabelecem discursos desta natureza, que partimos dessa premissa para estudar discursos modernistas - extraídos de textos e intertextos da revista "A Pilhéria" e do jornal "O Diário de Pernambuco" - que proporcionaram a elaboração da figura feminina na década de 1920 no Nordeste - representado pela cidade do Recife diante dos movimentos culturais do modernismo e do regionalismo Antonio P. REZENDE, Durval M. de ALBUQUERQUE JR e Neroaldo P. de AZEVEDO. Discursos estes que se intercruzavam preocupados em mostrar os aspectos da sociabilidade feminina recifense e a sua reação frente ao moderno; e à chegada ao estilo modernizador, que lhes imbuia uma nova rosticidade feminina, seja assimilando um novo "modelo" de mulher, seja rejeitando-o.

e) Mulheres/imagens: as associações com o feminino

14. Feminilidade, Religião e Caridade: Assistentes Sociais em Casas Espíritas de Natal

Antoinette de Brito Madureira (Professora Ms. do Departamento de Serviço Social UFRN

A pesquisa, que objetiva analisar as representações de mulheres com formação profissional em Serviço Social trabalhadoras do movimento espírita de Natal acerca da articulação entre caridade, feminilidade e serviço social, está sendo desenvolvida na Federação Espírita de Natal, no Grupo Espírita Irmãos Unidos, na Cruzada dos Militares Espíritas de Natal e no Centro Espírita Bezerra de Menezes. Nesta etapa da pesquisa, objetivando uma primeira aproximação ao universo abordado, através da associação livre de idéias, utilizou-se de um instrumento de coleta de dados em forma de questionário, através do qual buscou-se perceber a identificação de alguns conceitos-base pelos atores pesquisados, assim como a articulação entre estes conceitos, que seriam: caridade, mulher, espiritismo e serviço social. O questionário foi respondido por 08 (oito) assistentes sociais até o momento, e na análise empreendida foi percebido inicialmente que parece haver, na articulação entre mulher e caridade, a associação com o universo privado (compaixão, doação, amor, cuidado), e na articulação entre mulher e serviço social a associação com o universo público (ação, cidadania, direitos sociais, justiça, ética, coragem). Quanto ao espiritismo, percebemos que há uma ambigüidade de entendimentos, quando este aparece articulado à idéia de mulher: ora esta relação é vista sob a esfera do público, ora sob a esfera do privado. Levantamos a hipótese de que esta ambigüidade talvez apareça pelo fato de as casas espíritas serem consideradas, por estes atores, como um lugar importante tanto para a prática da caridade (material e espiritual), quanto para o resgate dos direitos sociais negados pela sociedade.

15. A visão do poder judiciário sobre a mulher

Emanuel Dhayan Bezerra De Almeida (Graduando do Curso de Direito-UFRN).

A nossa sociedade encontra-se dominada por três ideologias : o capitalismo, o racismo e o machismo. Estas ideologias são absorvidos pelo Poder Judiciário e, infelizmente, este Poder não tem percebido que estas ideologias estão por trás de grande parte de sua postura e decisões que reproduzem os estereótipos da sociedade. Um dos autores jurídicos mais vendido, Damásio de Jesus, em comentário ao art. 213 do Código Penal esclarece que : “Não fica a mulher, com o casamento, sujeita aos caprichos do marido em matéria sexual, obrigada a manter relações como e onde quiser. Não perde o direito de dispor de seu corpo, ou seja, o direito de se negar ao ato, desde que tal negativa não se revista de caráter mesquinho ou que tenha justa causa para a negativa.” Esse autor que doutrina grande parte dos futuros juristas, afirma que se não existir a justa causa ou se a negativa em manter relação sexual for de caráter mesquinho, o marido poderá forçá-la a tal, o que significa tecnicamente estuprá-la. Não há, pois, qualquer possibilidade da mulher ser tratada como gênero, como igual ! Com o juizado especial criminal, o Estado institucionaliza a “surra doméstica” com a transformação do delito de lesões corporais de ação pública incondicionada para ação pública condicionada. O Estado incentiva o ditado popular de que “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”. Quando ocorre um furto o Estado vai lá e pune. Já, quando, o marido bate na mulher, o Estado somente processará o marido se a mulher expressamente assim o autorizar. O Estado diz : “batam-se que eu não tenho nada a ver com isso”. É preciso mostrar a miséria do Direito, talvez aí as pessoas se dêem conta do que acontece! !

16. A nova Condição Feminina: As Mulheres do Seringal

Elane Andrade Correia Lima (Doutoranda do programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais – UFRN)

A dissertação discute a emergência de uma nova condição feminina, tendo por referência a história das mulheres oriundas dos seringais do Acre, região Norte do País. Mencionando a segunda mulher de Adão, excluída do mito cristão, que trata da origem da espécie, o trabalho argumenta que a Lilith, a fiandeira de uma nova condição feminina, está chegando. Ela surge sorrateiramente, tecendo os fios de um novo paradigma sobre o amor e uma nova ética, o que configura uma “filosofia da esperança”. Uma nova mulher abraça a biodiversidade da floresta, como se fosse a roca do devir, alimentada por forças primáticas, pois é ali, na alquimia da labuta cotidiana, que reencontra a mulher de milhões de anos. Nas suas errâncias e vitórias, constrói uma história que contribui com a complexidade dos princípios que regem a relação-morte-vida da condição feminina. As mulheres do seringal amazônico trazem no seu rastro a imensidão da força arquetípica da mulher, o que permite mergulhar e ressurgir na imensidão do possível. Para elaborar esse trabalho, foi necessário prestar muita atenção a itinerância de vida das mulheres da mata, sob o olhar da ciência da complexidade que através da articulação de saberes diversos, da linguagem metafórica e dos mitos, oferece-nos instrumentos necessários à compreensão da dialógica de suas vidas. A pesquisa de campo desenvolveu-se no Acre com mulheres separadas, oriundas dos seringais e residentes em Rio Branco. A situação sócio-histórica em que ocorreu a pesquisa refere-se à atividade extrativista do látex, responsável pelo processo migratório da população que se dirigiu para esse estado, pelo que é considerada a mentira da borracha, chamada de “ouro branco”.

17. X-women: as mutações das relações de gênero no ciberespaço

Magda Fernanda Medeiros Fernandes (Aluna do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFPE)

Esse trabalho discute as relações de gênero expressas no ambiente virtual (ciberespaço) apresentando as possibilidades performáticas da mulher propiciadas pelo uso dos sistemas tecnológicos, sobretudo no que se refere aos comportamentos sexuais, observando permanência e mudanças na elaboração do feminino. A questão que se coloca é: qual mulher é construída nesse ambiente tecnológico? Para tanto, a análise fundamenta-se nos diálogos encontrados e desenvolvidos a partir das interações virtuais nos ambientes de chats salões de entretenimentos e 'bate-papo'- via Internet.

 


GT-18: FORMAÇÃO DA LITERATURA BRASILEIRA

Coordenador:

Prof. Dr. Marcos Falchero Falleiros (Departamento de Letras)

E-mail: marcfal@ufrnet.br

Local/horário: Setor de aula II, Bloco D, sala 1, 25 lugares, terça, 20 de maio, 14:00-18:00h.

Estudos dos desdobramentos da literatura brasileira, em suas relações entre forma literária e processo social, memorialismo, regionalismo, e suas configurações próprias ao contexto das migrações de sentido e influências de outras literaturas.

RESUMOS

1. As Memórias de Luís da Câmara Cascudo

Afonso Henrique Fávero (Professor do Departamento de Letras)

ahfavero@ig.com.br

O propósito é examinar as obras memorialísticas de Luís da Câmara Cascudo. O estudo de O tempo e eu, Na ronda do tempo, Ontem e Pequeno manual do doente aprendiz pretende destacar as possíveis semelhanças e distanciamentos que tais obras possam apresentar em relação ao panorama da literatura pessoal no Brasil. Em outros termos, busca situar a literatura do autor numa linha evolutiva do memorialismo brasileiro, visto aqui como gênero também responsável na consolidação do processo de formação da literatura brasileira.

2. As Origens do Gênero Crônica, sua Transformação em Gênero Jornalístico e o seu Conceito de Mentora Social em Rubem Braga

Autor:

Paulo de Macedo Caldas Neto.(Graduando -Departamento de Letras)

paulomcneto@bol.com.br

Orientadora:

Profa. Dra. Maria de Lourdes Patrini

Este trabalho consiste em discutir os principais aspectos relacionados ao surgimento do gênero crônica, desde a sua função tal qual mero registro dos aspectos histórico-geográficos da nação até a de veículo de massa, ou seja, texto integrante do jornal, fotografando elementos da vida cotidiana já nos fins do século XIX e início do XX. Acompanhará também essa questão o olhar de alguns críticos modernos sobre o substrato reflexivo, presente neste gênero, além do questionamento do seu caráter breve e simples, se comparado a outros gêneros literários da prosa brasileira maiores e duradouros (o romance, a novela, o conto etc.). Outro detalhe indo aqui incluso tratará dos elos que o referido texto estabelecerá com o próprio tempo; enfocando como tema as relações sociais e trabalhistas no Capitalismo Selvagem, ao longo da História, na crônica Manifesto, de Rubem Braga.

3. A Representação da Nação na Narrativa de Márcio de Sousa

Autora:

Adriana Sena (Graduanda – Depto. de Letras - bolsista PPgEL)

drikcasena@yahoo.com.br

Orientadora:

Ilza Matias de Souza (Profa. Dra. do Departamento de Letras)

Esta comunicação tem por objetivo estudar na narrativa de Márcio de Sousa, romancista amazonense, em sua obra Desordem, o retrato do desejo de um povo, de uma nação em busca de sua face identitária. Sua "narratione" é representada através de um discurso alegórico, misturando ficção com fatos históricos, adquiridos durante o processo de colonização do Grão-Pará. À medida que se desenrolam os fatos, o romance abre para o leitor possibilidades de projeções imaginárias do desejo ardente do Pará de construir uma nação sob os pilares da igualdade de direitos, preservação da terra-mãe e de seus frutos e riquezas. Este estudo faz parte do projeto de pesquisa Rumo à Narrativa da Nação na Literatura Brasileira das décadas de 70 e 80 - Parte 2. Sua metodologia compreende o enfoque da "Representação da Nação" mediante a leitura alegórica da narrativa.Observou-se que a construção discursiva do nacional em Márcio de Sousa ganha uma intensidade crítica que vai além da busca identitária do estado do Pará. Vemos que ela é capaz de refletir imagens não só do Pará, mas também de todo um país em busca da materialização de seus ideais democráticos. Embora seja de 1994, Desordem reflete idéias acerca da nação das décadas citadas por nós acima.

4. O Demo, Amor Utópico e Identidade em Grande Sertão: Veredas e o Morro dos Ventos Uivantes

Daise Lilian Fonseca Dias (Aluna especial do Doutorado em Literatura Comparada na UFRN)

daise@samnet.com.br

Os conflitos da alma em Grande Sertao: Veredas e em O Morro dos Ventos Uivantes são regidos por três principais pontos. A figura do Demo que permeia o imaginário dos personagens encontrando abrigo na figura sombria de Heathcliff e seu amor por Cathy. O Demo e o responsável de acordo com Riobaldo pelo seu sentimento - por ele visto como homossexual - por Diadorim. Um segundo ponto seria o fato desse amor utópico ser degradante e fonte de inquietações para Diadorim e Riobaldo, assim como para Cathy e Heathcliff, além de encontrar barreiras sociais e psicológicas entre os próprios personagens. A terceira hipótese gira em torno da questão da identidade e força sexual, sendo ambas pontos de explosão de conflitos para os personagens.

5. José Paulo Paes no Cenário Literário Brasileiro

Antônio Fernandes de Medeiros Júnior (Professor do Departamento de Letras – UFRN)

amedeiros@ufrnet.brs

José Paulo Paes foi um intelectual com muitas facetas, uma espécie de mestre sem título nem cátedra. Oriundo de um universo em cujo epicentro estava o livro, esse paulista de Taquaritinga foi editorialista, poeta, tradutor e ensaísta. Produziu uma obra extensa a qual inclui gêneros discursivos distintos e toda ela sublinhada pela pujança de um espírito livre, com talento expressivo e aptidão singular para recolher ângulos insuspeitos em formulações poéticas extraídas do cotidiano banal. Como pensador livre, o autor se qualificou através de farto exercício de pertinência crítico-poética acumulada no decurso de mais de 50 anos de trabalho, intervalo no qual cumpriu intensa e ininterrupta vida literária, sob o signo da discrição. Assim, instruiu a sua posição singular de leitor e crítico propenso a cogitar e difundir material qualificado para a leitura de um público plural. O objetivo desta comunicação é apresentar à comunidade acadêmica alguns aspectos das múltiplas dimensões do homem de letras José Paulo Paes as quais reclamam uma pesquisa sistemática suficiente para ampliar o espectro de leitura da sua obra.

6. Graciliano Ramos e a Retórica do Seco.

Janaína Cruz Spineli (Aluna bolsista/PPPg do Departamento de Letras-UFRN)

janainaspineli@ig.com.br

Esta comunicação visa relatar o resultado parcial de trabalho inserido no Projeto Permanente Formas Literárias Brasileiras, intitulado A retórica do seco, circunscrito no período de outubro de 2002 a abril de 2003. Neste estágio foi desenvolvida leitura de textos da obra de Graciliano Ramos, além de títulos da fortuna crítica, especificamente de S. Bernardo. Em tal conjuntura, o estilo do romancista revela a dinâmica histórica e social brasileira sob a forma de procedimentos literários e modos de narrar. Importa-nos discutir o tom narrativo do ‘eu protagonista’, Paulo Honório, através de sua linguagem rápida, direta, violenta e obstinada, a qual revela uma realização estética de significação singular. Compreendemos dessa forma o que Paulo Honório representa e como a velocidade da narrativa adquire um valor simbólico: instantaneidade, visão empreendedora, dinamismo, objetividade, capacidade de liderança, trabalho, lucro – são os valores da modernidade. Em pleno sertão brasileiro Paulo Honório representa o capitalismo nascente que, cruel, transforma o mundo em cifras e seus trabalhadores em meros instrumentos de lucro e de defesa da propriedade. Estudando ‘S. Bernardo’, pudemos observar através da postura do narrador face ao mundo, como este responde a uma formalização estética que é histórica e típica do processo social que a engendrou, numa expressão em discurso literário – da cultura brasileira – sem se reduzir à manifestação meramente panfletária.

7. Memória e Forma Corporal

Ana Carolina Bezerra Teixeira (Graduanda – Depto. de Artes – bolsista PIBIC)

nataldefs@bol.com.br

O presente trabalho tem como objetivo aliar a pesquisa literária sobre Luís da Câmara Cascudo às formas coreográficas, enfocando o cotidiano e suas distintas possibilidades de leitura. Para isso procura ressaltar as experiências populares que Câmara Cascudo registrou como importante aspecto cultural, tendo em vista a importância da memória popular para a construção do nosso presente. A pesquisa pretende destacar a importância da preservação da cultura, unindo o conhecimento corporal cênico às manifestações do dia-a-dia.Dessa maneira o trabalho possui a intenção de estabelecer relações entre a vivência local e suas tradições, construindo novas formas de linguagem para a apreciação do cotidiano da cidade de Natal e de seus personagens retratados na obra Eu e o tempo.

8. Raízes do Seco

Marcos Falchero Falleiros (Professor do Departamento de Letras)

marcfal@ufrnet.br

Há uma divida da crítica literária brasileira relativa à relação de estilos entre Graciliano Ramos e João Cabral de Melo Neto. É necessário sondar qual a fraternidade da secura comum aos dois autores. Sem dúvida, ela é nordestina. Sua raiz é a economia do pouco dos que vivem no seco. A diferença dos ramos é que é problemática: enquanto Graciliano vinca seu estilo com a ética desornamentada que politiza a escrita, a obra de João Cabral estiliza o ósseo e sua própria politização.

9. A Construção Imaginária do Nordeste em Rachel de Queiroz

Cristina Maria da Silva (Socióloga -UECE/ Programa em Ciências Sociais-mestrado UFRN)

crimasbr@yahoo.com.br

Interessa-nos compreender, do ponto de vista de uma “razão sensível”, a construção imaginária do Nordeste na composição literária da escritora Raquel de Queiroz e como a literatura pode ser manifestação da “religação” social. Observamos como procedimento de pesquisa, uma visão arqueológica do saber e do imaginário coletivo, uma abordagem fenomenológica e uma concepção indiciária sobre os fatos sociais. O romance, a poesia, as memórias ou os ensaios biográficos por apoiarem-se na incerteza, revelam a sensibilidade que sempre intuiu o caráter movediço da individualidade humana.Como afirma Michel Maffesoli, o poeta formula aquilo que o homem sem qualidades vive no dia-a-dia. A ficção é uma necessidade cotidiana, cada um para existir, conta uma história. Deste modo, propomos relacionar o imaginário e a memória com a literatura, através das orientações teóricas de Gaston Bachelard, Gilbert Durand e Michel Maffesoli. Assim, num primeiro momento, queremos abordar a aproximação do conhecimento científico e da literatura na recomposição das construções imaginárias da cultura nordestina. Em seguida, identificar as mitologias específicas da “invenção do Nordeste” na escritura literária da escritora. Enfim, pensar o imaginário masculino e feminino em sua “alquimia literária”.

10. As Sagrações Partidas e Lançadas sobre o Lirismo Amoroso

Autor:

João Antônio Bezerra Neto (Graduando do Departamento de Letras)

juanbn@bol.com.br

Orientador:

Márcio de Lima Dantas (Prof. Ms. do Departamento de Letras)

Atualmente, tornou-se cada vez mais difícil o manuseio de textos poéticos que abordem de maneira enxuta e longe de qualquer pieguismo os elementos fundamentais de uma tradição conhecida pelo nome de “lirismo amoroso”. No entanto, Raimundo Leontino Filho, um dos mais jovens poetas do Rio Grande do Norte, embora nascido em Aracati, antiga cidade do Ceará, vem se destacando, desde os anos 80, na produção literária norte-rio-grandense, conseguindo ainda extrair pérolas, aforismos da temática lírica amorosa bem como seus adornos, sem titubear na mesmice do vulgar. Dentre o conjunto da obra poética do autor destaca-se como um bom exemplo desse lirismo o livro Sagrações ao meio (1993), detentor de uma série de poemas curtos, isto é, composições fixas distribuídas entre a quintilha e o terceto, configurando metáforas com forte teor imagético. O seu discurso por meio de uma linguagem elíptica e um vocabulário simples, muitas vezes regional, nos revela uma certa cumplicidade amorosa em meio a uma atmosfera quase sempre erótica e sensual, embora não explicite o corpo da mulher amada. O propósito deste trabalho é apresentar a poesia de Leontino Filho, levando em conta os aspectos de seu lirismo contido nos poemas de Sagrações ao meio.

11. A Micrologia Roseana. Análise Crítica de Contos em Primeiras Estórias, de João Guimarães Rosa

Adriana Rodrigues Gomes

Elias Farias de Moraes (Graduandos do Departamento de Letras)

onairsearon@bol.com.br

Analisar textos de Guimarães Rosa implica reconhecer a arte literária como procedimento da forma confusa que aumenta a dificuldade e a duração da percepção. Assim, o leitor/crítico defronta-se com textos que ocultam do primeiro olhar as leis de suas composições, as regras de seus jogos, permanecendo sempre imperceptíveis. Em Primeiras Estórias é possível perceber a constante quebra de conceitos literários, principalmente em relação à categoria do narrador, que flutua por toda a obra surpreendendo a todos pelo grau de cumplicidade e comprometimento com os fatos vivenciados por leitores e personagens. Guimarães, como profundo conhecedor da alma humana, utiliza uma linguagem extremamente original para construir e caracterizar a personalidade de cada um de nós, através de seus seres multifacetais, negando qualquer possível diferença entre o “erudito” e o “popular”, ou entre o “tolo” e o “esperto”, ou entre o “malvado” e o “bonzinho”, ou mesmo entre o prefácio e os contos propriamente ditos. Aliás, qualquer separação entre os textos de Guimarães requer extrema cautela, pois nota-se preciosa ligação e até continuidade entre eles, negando ou reafirmando as idéias presentes em cada um. Evidenciam-se ainda na obra de Guimarães Rosa a voz das minorias, marginalizados na literatura e na sociedade, invertendo posições de destaque e provocando imenso suspense no desenrolar das narrativas, que sempre contam duas ou mais histórias entrelaçadas.

12. A Maturidade da Infância em Graciliano Ramos

Edlena da Silva Pinheiro (Mestranda em Literatura Comparada-Departamento de Letras)

edlenap@yahoo.com.br

“As minhas primeiras relações com a justiça foram dolorosas e deixaram-me funda impressão.” Graciliano Ramos. Infância. (O Cinturão)

No ano marcado pelo final da segunda guerra mundial, 1945, Graciliano Ramos publica Infância, seu primeiro livro de memórias. Nessa época, a dominação dos Aliados já havia se representado de forma brutal com as bombas atômicas à Hiroshima e Nagasaki e o autor vivenciara a violência da ditadura varguista, com prisão em 1936. Em princípio suas memórias da infância poderiam indicar distância entre as obras anteriores, principalmente pela tendência do romance modernista da década de 30, uma literatura engajada, preocupada com os problemas sociais, e também pela aparente visão saudosista dos verdes anos que o tema pode sugerir. No entanto, o autor ressalta a perspectiva crítica que a criança tem dos acontecimentos e das relações sociais por ela vividas, dando ao livro características do romance e não apenas de relatos individuais, sendo a própria criança, muitas vezes, o alvo da dominação autoritária e violenta. Assim também acontece com Raimundo, no conto infantil do autor, A Terra dos meninos pelados, pois a busca do sonho infantil está representada em Tatipirun, um mundo mágico dos sonhos, onde é aceito e amado por todos, independente de suas diferenças em relação ao padrão construído socialmente. Tanto o narrador de Infância quanto Raimundo vivenciam as mais diversas formas de injustiça e dominação, em instituições sociais como a família e a escola; esta, que deveria ser acolhedora dos diferentes pensamentos e linguagens, era, e ainda é, tão antidemocrática e ditadora quanto toda a sociedade, impondo regras e valores a serem assimilados, desconsiderando a subjetividade de cada um.

13. Mapas Literários e Trilhas Discursivas. Osman Lins e o Discurso Contemporâneo

Tatiana de Lima Burgos (Professora do Departamento de Letras-UNP; Aluna do PPgEL- Programa de Pós-graduação em Estudos Linguagem-UFRN)

tatianaburgos@unp.br

Os estudos literários modernos proporcionam enfoques comparativos capazes de comportar várias perspectivas de abordagem científica. A análise literária concebe possibilidades de relações inter e intratextuais, criando assim um espaço no qual estratégias discursivas são amplamente exploradas. Obedecendo a uma condição estética favorável ao trabalho combinatório entre o fazer literário e artístico, Osman Lins elaborou em suas obras constantes investigações de cunho teórico. A tradição e memória aparecem não apenas como veículo de resgate social e regional, surgem também como fio condutor das narrativas construindo um espaço discursivo multiforme. Tal panorama é capaz de produzir combinações que tornam a obra osmaniana cada vez mais atual e aberta aos estudos críticos contemporâneos. Portanto pretende-se observar a inovadora e complexa condição literária de Osman Lins através da investigação de uma de suas obras finais, A rainha dos Cárceres da Grécia. Também será explorada a relação do romance estudado com o conjunto artístico do autor, influências recebidas de outros autores e obras e, finalmente, como são delineados, articulados e movimentados elementos da narrativa.

14. Aspectos da Linguagem D’os Sertões em “Os Doentes” de Augusto Dos Anjos

Autor:

Ronaldo Guilherme dos Santos (Graduando do Depto. de Letras-UFRN)

rongs@bol.com.br

Orientador:

Sandra Sassetti Fernandes Erickson (Profa. Dra. do Departamento de Letras)

Euclides da Cunha, em seu livro Os sertões (1902), descreve através da sensibilidade do seu olhar o que há de mais cruel no que diz respeito à opressão sofrida pelos habitantes de Canudos. Utilizando-se de uma linguagem que permeia entre o científico e o poético, consegue em sua obra prima imortalizar, denunciar e vingar o massacre dos canudenses diante das tropas republicanas. Outro escritor que por meio de seus versos desmascarou e expôs a triste condição humana foi Augusto dos Anjos. Assim como Euclides, o poeta também encontrou no vocabulário científico uma forma singular de desenvolver suas temáticas, mas com propósitos diferentes, tornando sua escrita mais bela e um tanto misteriosa. Sendo singulares em seus respectivos gêneros, pode-se verificar semelhanças na maneira e no estilo de escrever. É com o propósito de analisar essa ligação estilística que este trabalho busca realizar um diálogo com passagens d’Os sertões e versos do poema “Os doentes”, comparando e contrastando as imagens e temas dos referidos textos, mostrando, por exemplo, as explicações de cunho científico de Euclides da Cunha sobre o povo sertanejo transformadas em metáforas no poema de Augusto dos Anjos.

15. O “Beijo” e a Influência Poética de Augusto dos Anjos em Carlos Drummond de Andrade

Autor:

Ronaldo Guilherme dos Santos (Graduando do Depto. de Letras)

rongs@bol.com.br

Orientatadora:

Sandra Sassetti Fernandes Erickson (Profa. Dra. do Departamento de Letras)

O romper com as normas e estilos embutidos na tradição é uma das barreiras que todo artista precisa transpor. Seja na música, na pintura, na escrita ou em qualquer outro meio de expressão artística, a inovação, a forma não pensada, a quebra estética transforma e dá fruto às novas maneiras de se fazer arte. A ansiedade de inovação e superação sofridas entre os escritores é denominada pelo crítico literário Harold Bloom de “angústia da influência”. Em sua teoria Bloom explica que um poema surge do “agon” com outros poemas e que o poeta luta arduamente para superar a influência de escritores precursores, mostrando, assim, o processo angustiante do artesanato poético diante da tradição literária e do cânone. O objetivo desse trabalho é estudar marcas dessa “influência poética” de Augusto dos Anjos no poema “Boca” do livro Brejo das almas (1934) de Carlos Drummond de Andrade, observando vestígios da constante luta do poeta modernista em transformar a imagem resgatada de “Versos íntimos”, Eu (1912), em uma nova e singular escritura, transmitindo uma simplicidade da linguagem da sua poesia, velando o que há de mais complexo no “fazer” poético: a influência.

16. A Teia de Flausina

Arlene Isabel Venâncio de Souza (Mestranda em Literatura Comparada do Departamento de Letras – UFRN).

arleneisabel@bol.com.br

Pretende-se fazer uma análise literária do conto Esses Lopes do último livro de João Guimarães Rosa Tutaméia à luz das teorias de Giles Deleuze, especificamente o seu livro Proust et les signes que foi traduzida por Antônio Piquet e Roberto Machado em 1987, sendo a obra original de 1976 e já está na sua quarta edição atualizada, essa obra trata de A la recherche du temps perdu, obra principal de Proust que está divida em sete volumes e foi traduzida para o português por poetas importantíssimos da atualidade, tais como: Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e Mário Quintana. Percebeu-se nesse estudo que as teorias de Giles Deleuze podem ser aplicadas aos textos de Rosa e que assim possamos fazer girar essa máquina literária.

17. Um Ideal Preservado: Aspectos da Obra Crítica de José Veríssimo

Paula Pires Ferreira (Professora do Departamento de Letras)

paulapepe@ibest.com.br

O estudo dos trabalhos de crítica, ensaio e historiografia de José Veríssimo revela bem mais que o exercício de elaboração de um repertório dedicado à abordagem criteriosa da produção literária brasileira e sua sistematização. Sobressai na dinâmica de seu pensamento o empenho permanente de um intelectual voltado para o reconhecimento da atividade crítica e de seu papel na esfera da cultura nacional, marco também significativo para o entendimento de nossa historiografia literária.Visto dos tempos de agora e ousando a simplificação, observa-se no trabalho do crítico, numa síntese, os ecos das contradições e (des)ajustes de um período de importância fundamental na formação e afirmação político-social da nação: final do Império e início da República. Por uma perspectiva histórico-cultural, este trabalho pretende mostrar alguns aspectos da relevância da obra de José Veríssimo enquanto elemento fundamental na organização dos estudos literários entre nós, e sua significação no momento cultural daquela época, na medida em que: 1) inaugura um espaço para a reflexão crítica sobre a natureza e a função da criação literária nacional, e 2) destaca a relação dessas atividades com as questões da nacionalidade — traço marcante de sua obra desde os primeiros escritos. Em ambos os casos, destaca-se a figura do crítico, envolvido com os problemas inerentes a seu dever de ofício, na busca da melhor maneira de se fazer entender, fazendo

 


GT-19: TRABALHO, TRABALHADORES E AS NOVAS QUESTÕES SOCIAIS

Coordenadoras:

Profª. Drª. Brasília Carlos Ferreira (Departamento de Ciências Sociais)

E-mail: brasilia@natal.digi.com.br

Profª. Drª. Eleonora Tinoco Beaugrand (Departamento de Ciências Sociais)

E-mail: nora@natalnet.com.br

Local/horário: Setor de aula II, Bloco B, sala 5, 25 lugares, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

Este GT se popõe a reunir pesquisadores (as), doutorandos (as), mestrandos (as) e graduandos (as) interessados (as) em refletir sobre os desafios colocados pelas transformações econômico-sociais ocorridas no final do século XX sobre o trabalho e os trabalhadores. A internacionalização dos mercados, a revolução informacional e o surgimento de novas configurações produtivas do trabalho provocaram a chamada crise do trabalho, cujas consequências são o surgimento de novas questões sociais.

RESUMOS

1. Trabalhadores e sindicato

Autora:

Cláudia Roseane P. de Araujo Capistrano (Graduanda do Curso de Serviço Social – UFRN)

claucapis@bol.com.br

Orientadora:

Brasília Carlos Ferreira (Profa. Dra. do Depto. de Ciências Sociais-UFRN

brasília@natal.digi.com

Diante das atuais transformações em curso no mundo do trabalho, decorrentes do modelo de acumulação flexível de capital, novas relações são observadas entre o capital e o trabalho. È a partir desse contexto, que têm-se por objetivo identificar e analisar as estratégias de ação entre as organizações sindicais, o patronato e o Estado em resposta a essas mudanças. Estas discussões fazem parte do projeto de pesquisa Trabalhadores e Novas práticas sindicais, tomada como referência para o desenvolvimento deste trabalho. Foram realizadas entrevistas abertas com trabalhadores (contratados, terceirizados e concursados) do setor têxtil, bancário, comerciário, petroleiro e rural na região metropolitana de Natal e em Mossoró. Os locais das entrevistas e os trabalhadores entrevistados foram selecionados estrategicamente devido a sua relevância no mercado de trabalho e na economia do Estado. Percebeu-se que há variações entre as categorias analisadas com relação à integração, o envolvimento, a participação dos trabalhadores com o respectivo sindicato. Os trabalhadores entrevistados vêem a importância do sindicato como um organismo representativo na defesa dos seus direitos, de resistência aos empregadores e a exploração. As prováveis alterações na CLT trazem insegurança e medo aos trabalhadores sindicalizados e não-sindicalizados acarretando conseqüências em suas vidas. Diante da conjuntura atual, do surgimento de um novo e precário mundo do trabalho, há um processo de mudanças objetivas e subjetivas na classe trabalhadora no Brasil.O sindicato tem mudado sua pauta de negociação, sua forma de atuação, seus projetos e propostas. Novos temas vêm sendo incorporados e novas demandas surgem, como é o caso da qualificação e formação profissional dos trabalhadores. Além disso, têm sido priorizadas as negociações coletivas com vistas à manutenção de postos de trabalho, passando assim a predominar um caráter mais defensivo nas ações sindicais. Atualmente o sindicato tem importância relevante na sociedade e nas relações de trabalho entre patronato e trabalhadores, apesar das transformações que são percebidas na estrutura sindical brasileira.

2. Economia solidária. Os desafios e incertezas na incubação de Empreendimentos Solidários

Diego Mendes Silva (Aluno do Curso de Turismo/UFRN)

guito_mendes@hotmail.com

Renato do Nascimento Oliveira (Aluno do Curso de Turismo/UFRN)

rernactive@hotmail.com

O trabalho a ser apresentado na XI Semana de Humanidades objetiva discutir pertinentes desafios a serem enfrentados por agentes solidários incumbidos na assessoria a grupos que pleiteiam a inserção econômica e social por meio da participação coletiva via empreendimentos de caráter solidário. Visa também, através de estudos empíricos, fazer uma observação de alguns possíveis riscos e incertezas desses empreendimentos –originalmente de tipo solidário-iniciarem uma degradação de seus ideais, quando atuantes de forma direta com a lógica do mercado, na busca da viabilidade e sustentabilidade. É diante da complexidade do tema “Economia Solidária”, que o trabalho pretende contribuir para a otimização da participação dos atores solidários nessa busca pela real cidadania, bem como transmitir e ampliar conhecimentos acerca de um tema em grande expansão na atual conjuntura política brasileira.

3. A readequação da intervençao sindical: a ênfase propositiva

Gardênia Margarida Medeiros Campos (Mestranda em Ciências Sociais da UFRN)

gardcampos@bol.com.br

A mundialização dos fluxos produtivos, tecnológicos e informacionais, tem provocado um reordenamento na formulação de novas alternativas de geração de renda, via de regra, acompanhada pela flexibilização do trabalho que para alguns, comporta o necessário ajuste à competitividade e ao crescimento, premissas para o desenvolvimento da economia e da elevação do nível de vida. Este cenário tem provocado um debate no interior do movimento sindical cutista, levando-o a repensar a sua prática e a redefinir seus eixos de atuação. Nessa busca em redefinir sua intervenção, a Central Única dos Trabalhadores – CUT, tem centrado as suas preocupações especialmente nas estratégias de identificação dos instrumentos de exploração dos trabalhadores nessa nova conformação do mercado de trabalho, e nas possibilidades alternativas de organização dos trabalhadores e de construção de propostas de um modelo alternativo de desenvolvimento econômico e social. Neste processo, faz-se perceber dois movimentos: o primeiro, sinaliza para uma ação nas políticas públicas através da participação nos organismos de gestão e controle das referidas políticas; e o segundo, o qual nos interessa, especificamente, tratar aqui, refere-se a entrada da– CUT no debate sobre desenvolvimento sustentável e solidário. A centralidade desse debate, reside na intervenção da Central nas formas de organização da produção que se propõem solidárias. Intervenção essa, que deverá estar colada a potencialização de experiências de geração de renda que afirmem o compromisso com o desenvolvimento local comprometido com a sustentabilidade.

4. Impactos na categoria na categoria dos empregados do setor telefônico no rio grande do norte

Manuela Patrício (Aluna da graduação de Ciências Sociais )

mp.patricio@zipmail.com.br

Este trabalho tem como objetivo apresentar as mudanças ocorridas no sistema de telefonia do Rio Grande do Norte, e principais impactos sofridos na categoria dos empregados deste setor, no período compreendido entre 1998, ano em que o Sistema telebrás foi privatizado, e 2002. Após a reestruturação do sistema de telecomunicações no Brasil, a categoria dos empregados do setor telefônico se viu em meio a um cenário para qual não estavam preparados. Nesse contexto, surgiram novas empresas trazendo com elas outros modelos de organização e gestão, além de uma tecnologia, que ao mesmo tempo ampliou o número se assinantes e acessos ao serviço telefônico, aumentou a oferta de serviços, reduziu o número de trabalhadores. O que se observou foi um grande número de demissões como foi observado na TELERN empresa estatal que responsável pelo serviço telefônico no Rio Grande do Norte. Depois da privatização a empresa passa a pertencer ao grupo Telemar, que assume seu lugar na telefonia do estado com um modelo de gestão e relações trabalhistas e um número reduzido de empregados. Acrescente-se a esses aspectos um grande número de trabalhadores terceirizados executando as mais diversas tarefas que antes era realizadas pelos empregados da empresa.

5. Competência para além do capital

Autora:

Luciane Terra dos Santos Garcia (Mestranda do Programa de Pós-graduação em Educação da UFRN)

lmarcos@dca.ufrn.br

Orientadora:

Maria Aparecida de Queiroz (Prof ª Dra do Programa de Pós-graduação em Educação da UFRN)

Embora no meio empresarial a noção de competência seja considerada uma atualização da qualificação frente a mudanças contextuais, com a exigência de habilidades técnicas, sociais e subjetivas requeridas pelo trabalho, essa concepção assume novas configurações conforme as exigências do capital. Compreendemos esse conceito sob uma outra perspectiva; imprimimos à competência um conceito para além dos parâmetros empresariais de articulação técnica e entendemos o trabalhador enquanto ser humano sensível, produtivo e historicamente desenvolvido. Para ser competente, é necessário saber apropriar-se do mundo concreto, aliando sensibilidade, comunicação intersubjetiva, valores e domínio da técnica. É preciso articular diferentes saberes, atitudes e valores para agir, com autonomia, em diferentes situações de vida e de trabalho. Este conceito implica na apropriação histórica do mundo, permeada pelo pensamento dialético, que movimenta a realidade e posiciona o homem frente ao mundo de maneira crítica, compreendendo-o em suas múltiplas relações, como um ser racional, social, político e cultural. A relação entre o homem e a natureza não pode ser desvinculada da relação do homem com os outros homens. A subjetividade é o princípio que orienta o conceito de competência a qual deve ser construída em liberdade, com sensibilidade, no agir comunicativo. A noção de competência que defendemos implica, pois, na participação política do trabalhador no seu contexto social, cultural e profissional. É por meio desta participação - na interação subjetiva - que o trabalhador poderá encontrar alternativas para superar as contradições do capitalismo.

6. A pobreza de direitos: uma análise do trabalho precarizado desenvolvido pelos catadores de lixo do aterro sanitário de Cidade Nova em Natal-RN

Denise Câmara de Carvalho (Profª Drª)

Antônia Agripina Alves de Medeiros (Profª Ms.)

Carla Gleibe Alves da Costa

Fernanda da Silva Dias

Ingrid Soares

Leonildo Noberto Medeiros

Mirian Anselmo de Lima

Myrianna Coeli Oliveira de Albuquerque

Rissandra Bezerra de Souza

miriananselmo@bol.com.br

miriananselmo@zipmail.com.br

No contexto da globalização mundial sobre a perspectiva do capital financeiro presencia-se a revolução tecnológica respaldada na micro-eletrônica ocasionando novos padrões de gerir e de produzir o trabalho. É crescente o número de políticas sociais seletivas e fragmentadas, a diminuição dos recursos públicos na área social, bem como a destituição de direitos sociais historicamente conquistados. Paralelo a isso observa-se o aumento do desemprego, do trabalho temporário e precarizado, de segmentos cada vez mais desnecessários as necessidades médias do capital. Tais fatos contribuem para o agravamento da exclusão social, da violência, das desigualdades sociais brasileiras, etc. O RN segue a tendência nacional uma vez que a grande maioria dos seus trabalhadores estão a mercê do desemprego, do subemprego, do trabalho temporário, da pobreza, etc. Esse quadro pode ser exemplificado através da atividade da cata do lixo desenvolvida no Aterro Sanitário de Cidade Nova localizado na Zona Oeste de Natal. Esse trabalho carrega consigo a discriminação e desvalorização manifestas na renda, nas condições de moradia, saúde e principalmente de trabalho. A atividade de catador é percebida como degradante, como último grau de um processo de desqualificação. O cotidiano desses sujeitos é marcado pela falta de lazer, educação, de condições dignas de moradia, informação e outros deixando-os assim a margem da sociedade.

7. Trabalho e novas demandas

Autora:

Osicleide de Lima Bezerra (Graduanda do Curso de Ciências Sociais-UFRN)

osilb@bol.com.br

Orientadora:

Brasília Carlos Ferreira (Profa. Dra. do Departamento de Ciências Sociais-UFRN)

Nos últimos anos tem tido crescente destaque as discussões sobre as transformações no mundo do trabalho. Esse processo se dá em função de um novo quadro que vem desde a década de 90 se configurando no plano produtivo. Como conseqüências surgem novas problemáticas: flexibilização e precarização das relações trabalhistas, novas formas de contratação, emergência de novos postos de trabalho monetarizados, alargamento do trabalho informal, mudança na organização e funcionamento dos sindicatos, etc. Imerso num cenário de reestruturação produtiva que é impulsionado pela tecnologia, são introduzidos novos métodos de gestão que passam a definir e consolidar novas exigências impostas aos trabalhadores no campo da formação e da qualificação profissional. Estas mudanças provocam ações e reações em nível global, das organizações, fenômeno que pode ser percebido pela incorporação do tema nas agendas e pautas e sindicais, e em nível individual, na vida dos trabalhadores. Para estes, surgem novos paradoxos: por um lado, confere-se uma crescente exigência por “competência”, ancorado no paradigma do “novo” trabalhador – superqualificado - para poder inserir-se no mercado formal, e por outro, percebe-se desde fins da década de 80 e início da década de 90, o desenvolvimento de um processo histórico que visualiza uma tendência de perdas nas garantias antes asseguradas pelo Estado. Este trabalho busca refletir e analisar sobre tais demandas com base na pesquisa Trabalhadores e novas práticas sindicais, que vem se desenvolvendo através da pesquisa em cinco categorias: setor bancário, petroleiro, comerciário, rural e têxtil.

8. O trabalho informal na construção de alternativa socioeconômica no contexto local: o caso da comunidade do Dendê – Fortaleza, Ceará

Rizoneide Souza Amorim (Mestranda em Ciências Sociais – UFRN)

rizoneideamorim@bol.com.br

Apresento reflexões ainda introdutórias relativas ao que nestes últimos anos se está denominando “Economia Solidária”. Trato especialmente de compreender o trabalho informal na perspectiva da economia solidária. Esta, a priori, introduz uma “ruptura” nas relações de trabalho e no modo de produção capitalista, levando a emergência de uma nova forma social de produção, baseada na autogestão e cooperação. Acredita-se que, na economia solidária reside uma alternativa consistente de trabalho e melhoria das condições de vida para os setores de baixa renda e as classes trabalhadoras, diante do desemprego estrutural que atinge as mais diversas camadas sociais. No plano empírico este estudo será realizado no bairro Edson Queiroz, município de Fortaleza – Ceará, onde será discutido o significado de uma feira solidária – uma experiência popular de produção econômica e de geração de renda com vistas ao desenvolvimento local. Para tanto, pretendo analisar o trabalho informal executado nessa feira. O conceito de trabalho e suas transformações serão centrais na construção dos meus argumentos.

9. Assentamento Canudos de Rosário: Potencialidades X Dificuldades

Taís Soares Cruz (Bolsista da Rede Interuniversitária de Estudos e Sobre o Trabalho – UFRN)

tais_cruz@yahoo.com.br

O Projeto de Economia Solidária que a UNITRABALHO-UFRN vem desenvolvendo se constitui de pesquisas de campo em alguns assentamentos no Estado do Rio Grande do Norte. O objetivo do projeto é apoiar, “através de processo de incubação, a criação e viabilização de empreendimentos econômicos solidários (cooperativas, associações, redes, etc.), oferecendo suporte jurídico, contábil, de marketing etc. e buscando parcerias para comercialização, acesso a crédito e acesso às políticas públicas.” O Assentamento estudado - Canudos de Rosário – está localizado no município de Ceará-Mirim. Lá se encontram 21 famílias assentadas, que possuem em média cinco pessoas. Eles sobrevivem do trabalho na roça, do comércio de frutas e dos serviços domésticos das mulheres que trabalham para famílias em Ceará-Mirim e em Natal. O Assentamento Canudos de Rosário foi escolhido, dentre outros, pelas suas potencialidades econômicas e pela existência de pessoas com baixa renda e escolaridade. Atualmente existe no assentamento uma micro-empresa que trabalha com o beneficiamento da banana. Mas mesmo nos deparando com muitas potencialidades, também encontramos inúmeras dificuldades como: carência de capital de giro; acesso ao crédito; controle de qualidade; comercialização e tecnologia; ambigüidade da propriedade e dos meios de produção; problemas decorrentes de barreiras legais e da carência de entidades de apoio e de padrões gerenciais adequados. Nossa proposta é fazer uma pequena análise sobre a experiência do empreendimento citado e apontar algumas estratégias sobre o tema: Potencialidades X dificuldades.

10. Análise da qualidade de vida no trabalho dos servidores do DETRAN-RN

Ariana Valéria Paiva de Oliveira

Thalyta Mabel Nobre Barbosa

thalytamabel@bol.com.br

Para COELHO NETO e ARAÚJO há muitos anos se fala em vida com qualidade mas, foi a partir da década de 80 que o assunto se tornou popular e de uso constante por todos os indivíduos do mundo. Cada vez mais se estabelece uma aceitação mundial de que uma vida longa com saúde já não basta. É pouco, já que podemos alcançar uma vida longa, saudável e com qualidade. Atualmente vivemos num ambiente de alta competição, dirigentes das empresas preocupam-se cada vez mais com hábitos de alguns profissionais, tais como fumo, álcool, dietas inadequadas, entre outros que interferem. São hábitos que resultam, para as empresas em elevação do absenteísmo, baixa produtividade, faltas e atrasos, as licenças de saúde ocasionadas pelo estresse e até mesmo doenças mais graves em seus funcionários. Para realizar essa pesquisa escolhemos o DETRAN-RN que objetiva planejar, dirigir, controlar, fiscalizar, disciplinar e executar os serviços relativos ao trânsito. A nossa pesquisa tem a finalidade de analisar a qualidade de vida no trabalho do servidor do DETRAN-RN.


GT-20: AS CIÊNCIAS HUMANAS E OS ESTUDOS DOS OBJETOS MATERIAIS

Coordenador:

Prof. Dr. Helder do Nascimento Viana (Departamento de História)

E-mail: helderviana@yahoo.com.br

Local/horário: Setor de aula II, Bloco E, sala 3, 30 lugares, terça, 20 de maio, 14:00-18:00h.

A importância dos estudos dos objetos materiais nas relações sociais tem despertado o interesse de diversos cientistas sociais. Historiadores, arqueólogos, antropólogos, sociólogos, arquitetos entre outros têm procurado compreender os objetos materiais não como instância passiva e neutra nas relações sociais, mas como "sujeitos" ativos nestas relações. Neste aspecto, os estudiosos têm alargado o campo das investigações a diversos campos do saber, como os estudos do vestuário, da alimentação, da tecnologia, do consumo, da identidade, da memória entre outros. O presente Grupo de Trabalho pretende reunir estudos que contemplem a análise da relação dos indivíduos e grupos sociais com os objetos materiais como uma dimensão fundamental de compreensão da realidade social.

RESUMOS

1. O Cemitério do Alecrim: uma análise das representações da morte em Natal

Jeane Fialho Canuto (Graduada em História-UFRN)

O presente trabalho é um estudo sobre as representações da morte em Natal, realizado a partir da escolha de dez imagens contidas em túmulos do Cemitério do Alecrim, primeiro cemitério da cidade, que teve a sua construção iniciada em 1855. Tais imagens foram escolhidas por chamarem a atenção no que diz respeito ao tamanho, modelo, material e simbologia da morte presentes nas sepulturas, datadas aproximadamente do final do século XIX e início do século XX. A análise das imagens contidas nos túmulos nos permite fazer uma reflexão sobre a concepção de morte presente na sociedade que enterrou seus mortos no cemitério e nos revela uma estreita ligação com a religião Católica, possibilitando uma reconstrução da memória histórica necessária para a compreensão da realidade.

2. Colecionismo, museus e identidade regional

Helder do Nascimento Viana (Departamento de História-UFRN)

Este trabalho é resultado de minha tese de doutorado em História defendida na Universidade de São Paulo em outubro de 2002. Nele procura-se compreender os processos de construção de identidade regional, através da utilização de objetos materiais, mais especificamente, do artesanato popular. Através do estudo do colecionismo, da organização de museus, de projetos dos folcloristas e da emergência do mercado simbólico, busca-se compreender com estes objetos foram apropriados e serviram como importantes suportes na produção de identidade regional. Tal estudo esteve voltado para as experiências ocorridas nos Estados da Bahia e de Pernambuco, do inicio do século XX até o final dos anos 50.

3. O homem e a natureza: relatos de viagens e a arqueologia no Brasil

Roberto Airon Silva (Departamento de História-UFRN; Laboratório de Arqueologia)

A literatura de viagem sobre o Brasil toma fôlego a partir de 1810 com a abertura dos portos e a conseqüente entrada de muitos estrangeiros no Brasil, impulsionados por diversas razões: comerciais, científicas, diplomáticas, aventureiras, militares e artísticas. Tais estrangeiros excursionavam em diversas regiões da terra desconhecida: Brasil. A partir do estudo crítico e sistemático dos procedimentos desses trabalhos dos naturalistas podemos dizer serem estes responsáveis pôr um “novo” descobrimento do Brasil, onde muitos deles publicaram, na Europa, suas anotações de viagem. As missões traçadas em nome da ciência, algumas delas planejadas por Academias e sociedades científicas, bem como por museus de História Natural e financiadas por monarcas, ocupam no Velho Mundo, relevante papel na produção intelectual sobre o Brasil em relação a conformação de uma história da disciplina arqueológica no país.

4. As comunidades da Serra de São Pedro: ambiente natural, arqueologia e história em Sítio Novo -RN

Eduardo Matos Lopes (Graduando em História-UFRN)

O Projeto Arqueológico Sítio Novo buscou identificar, observar e registrar as estruturas geomorfológicas, a vegetação e a ocupação humana na Serra de São Pedro – acidente geográfico localizado na região Agreste do Rio Grande do Norte. A região está compreendida num complexo de acidentes geológicos bem distribuídos, formado pela Serra da Inês, Serra da Tapuia e Serra do Gavião; nesta, localiza-se a Serra de São Pedro habitada por pequenas comunidades em propriedades rurais num raio de cerca de 6Km2. O projeto teve como objetivo a localização cartográfica, verificação, estudo e catalogação da flora, das estruturas geomorfológicas e ainda o estudo da ocupação do espaço e os sítios arqueológicos nesta área do Agreste do estado. Buscamos observar também a diversa e complexa relação dessas comunidades com os recursos naturais e as informações ditas arqueológicas.

 


GT-21: ANÁLISE DE DISCURSOS HISTÓRICOS: HISTÓRIA COLONIAL BRASILEIRA

Coordenadores:

Prof. Drª. Maria Emilia Monteiro Porto (Departamento de História)

E-mail: mariaporto@matrix.com.br

Prof. Ms. Roberto Airon (Departamento de História)

E-mail: larq@cchla.ufrn.br

Local/horário: Setor de aula II, Bloco E, sala 4, 30 lugares, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

O GT visa discutir abordagens teóricas e metodológicas desenvolvidas no estudo das fontes coloniais brasileiras. Serão consideradas propostas de trabalhos que apresentem:

1. um estudo de fonte primária ou historiográfica;

2. uma questão de ordem teórico-metodológica.

RESUMOS

1. Análises de discursos: história local e cultura renascentista nas crônicas coloniais brasileiras

Maria Emilia Monteiro Porto (Professora do Depto. de História – UFRN)

Trata-se aqui de apresentar as questões de dois projetos de pesquisa que a partir de um universo empírico, conceitual e metodológico comum: as crônicas coloniais brasileiras, as representações da cultura e a análise do discurso, desenvolvem diferentes problemas. Em “Discursos coloniais sobre o Rio Grande” partimos da circunstância periférica que a Capitania do Rio Grande manteve ao longo de sua história colonial em relação às Capitanias centrais da colônia portuguesa e a maneira como ela se apresenta na historiografia colonial. Estas referências possuem valor absoluto tanto para a história local como para a história geral, na medida em que se oferecem como objeto de análise e interpretação do discurso do conquistador e colonizador europeu para a formação de uma imagem sobre a região, assim como uma imagem da mentalidade moderna européia a partir da desconstrução deste discurso. Trata-se assim de uma arqueologia (no sentido divulgado por Michel Foucault, Arqueologia do saber, 1997) da ordem de idéias civis e religiosas, onde cada um compareceu com sua tradição específica projetada sobre uma região que neste momento se integrava à ordem ocidental. Em “As Antiguidades nas crônicas colônias brasileiras: historicidade como consciência histórica” examinamos as referências históricas e literárias da antiguidade greco-latina presentes nas crônicas e relações produzidas entre os séculos XVI e XVII. Estas escrituras incorporam o espanto e a experiência com o Novo Mundo, não deixando de expressar a tradição cultural do Ocidente europeu. Estas referências se oferecem como um excelente ponto de observação para os processos de afirmação da cultura européia e o processo de ocidentalização projetado para o Brasil. Com isso, se abre a possibilidade de retomar duas questões conectadas entre si: o debate entre antigos e modernos travado no limiar da passagem da Idade média para a Moderna, contrastando-o com a produção desenvolvida no, e para, os espaços coloniais brasileiros e o estabelecimento de um diálogo direto com as reflexões filosóficas sobre a História a partir da discussão do conceito de historicidade como consciência histórica, que é o que atualiza estas referências da Antigüidade na Idade Moderna.

2. Em busca da Terra Brasilis: natureza, nativos e relatos de viagem no período colonial

Roberto Airon Silva (Professor do Depto. de História – Larq/ UFRN)

Como parte integrante de projeto de pesquisa sobre as contribuições bibliográficas e documentais à arqueologia no Rio Grande do Norte, no Depto de História da UFRN, foi iniciado um grupo de leitura e discussão acerca dos cronistas, viajantes e exploradores durante o período colonial no Brasil. Considerando ser tais relatos não somente antecedentes da historiografia brasileira, mas também preocupados em pensá-los enquanto importantes fontes na articulação entre História, Etnografia e Arqueologia, nossa proposta é um estudo sistemático e crítico de alguns desses relatos observando aspectos principalmente de interesse arqueológico. Tais relatos mesmo permeados de noções etnocêntricas, eurocêntricas e de construções imaginárias, o contato direto com ao integralidade dos textos permitiu aos componentes do grupo de estudo o desenvolvimento de aspectos diversos, desenvolvendo não só aqueles delimitados pelo coordenador , como também o desenrolar de problemáticas próprias ao interesse de cada um dos participantes. Aspectos, tais como, comportamentos, identidades, cultura material e referências culturais dos autores foram alguns dos vários marcadores estudados nos textos.

3. Documentação oficial colonial e a história indígena

Fátima Martins Lopes (Professora do Depto. de História – UFRN)

A historiografia tradicional brasileira tratava o índio como um agente secundário, submetido aos anseios coloniais: era parte de um pano de fundo natural onde ocorriam os eventos da tomada de um Novo Mundo. Pouco mencionava sobre o seu confronto pela sobrevivência e a justificativa principal era a falta de documentação, visto não terem os índios seus próprios registros históricos. No entanto, novas posturas sobre o que são documentos históricos e como trabalhá-los, possibilitou novas abordagens no estudo dessa temática, como, por exemplo, a que utiliza a análise de discurso. Os documentos oficiais coloniais, como Leis, Portarias e Regimentos, nessa perspectiva, são fontes para história indígena no sentido de trazerem a possibilidade de análise do processo de sobrevivência implementado pelos índios frente à colonização. Essa documentação visava criar instrumentos de controle das populações indígenas naquilo que elas demonstravam maior resistência, como, por exemplo, a manutenção das línguas nativas que foram combatidas em repetidas leis. A análise dessa documentação oficial permite dar luz àquilo que ela combatia em nome de um processo civilizacional do Novo Mundo. São os elementos culturais indígenas e as formas de ação implementadas para mantê-los vivos que compõem os fatos da história indígena que se pretende construir atualmente”.

4. O índio e a história colonial: a história indígena e seus dilemas

Mauro Cezar Coelho (Professor da Universidade Federal do Pará / Doutorando Universidade de São Paulo)

É objetivo desta reflexão problematizar a História Indígena, perscrutando seus limites e evidenciando seus dilemas. Ela concentrar-se-á na análise da bibliografia relativa ao Diretório dos Índios – importante aparato legislativo, formulado com a pretensão de normatizar as relações de brancos e índios na Amazônia Portuguesa, durante a segunda metade do século XVIII. Essa produção acadêmica, de informação histórica, consubstancia muitos dos caminhos escolhidos pelos pensadores preocupados com a temática indígena. Além disso, já tem cristalizadas algumas teses, apesar do reduzido número de estudos que elegeram o Diretório dos Índios como objeto, viabilizando a investigação sobre práticas que, em certa medida, delimitam um campo. O trabalho se ocupa da produção brasileira, uma vez que pretende problematizar os desdobramentos da constituição de um campo da pesquisa histórica no Brasil. Inicialmente, dá conta do lugar do índio na cultura histórica brasileira; a seguir, caracteriza a História Indígena e as produções de historiadores a ela relacionada; por fim, discute a produção relativa ao Diretório dos Índios.

5. Pero de Magalhães Gandavo: seus tratados e suas histórias

Lênin Campos Soares (Bolsista de Iniciação Científica - PPPg, do Departamento de História - UFRN)

Pero de Magalhães Gandavo escreveu o “Tratado da terra do Brasil” e a “História da província de Santa Cruz” em meados do século XVI. Ao entrarmos em contato com as obras percebemos que ele mesmo diferencia as duas em seus “prólogos”, quando afirma que no tratado pretende denunciar de forma suscinta as riquezas da nova terra enquanto em sua história ele tenciona, por ninguém ainda ter feito, contar as coisas notáveis que aconteceram na colônia e que mereciam perpétua memória. Nesta diferenciação, entendemos que se identifica com a tradição antiga, iniciada com Homero, representada na figura das Musas, de contar os feitos admiráveis para que não fossem esquecidos. Sendo assim, como a civilização ocidental julga-se herdeira da Antigüidade, visamos através deste trabalho observar em Gandavo, com auxilio de autores como M. Foucault, C. Cardoso e J. Maravall, suas ligações com a tradição antiga, recuperada pelo Renascimento, e assim estabelecer a trajetória desta tradição ao Brasil.

6. A Versão do Paraíso em Gandavo: venturas da Terra do Brasil ou da Província de Santa Cruz

Juliana Cavalcante de Azevedo (Bolsista de Iniciação Científica PPPg)

juliana_cazevedo@hotmail.com

Durante o século XVI com a descoberta das terras americanas pelos europeus, muitos viajantes percorreram o Atlântico com a finalidade de descrever as riquezas, belezas e novidades do novo continente. Na América portuguesa, Pero de Magalhães Gandavo foi um desses cronistas e, em duas obras - Tratado da Terra do Brasil e História da Província de Santa Cruz - se propôs a contar sucintamente o que viu e considerou mais impressionante, interessante e fantástico. Todavia sua obra não se limitava apenas a uma mera descrição, mas possuía um caráter utilitário. Informar sobre a terra do Brasil colonial seria, na verdade, uma forma de criar anseios em sua gente lusitana de habitar na América. Como toda obra, no entanto, revela aspectos do espírito do autor: o cronista do século XVI não poderia descartar, como qualquer outro homem de sua época, sua dose de eurocentrismo. É dessa maneira que Gandavo, ao mesmo tempo em que procura mostrar as belezas e maravilhas da terra, revela aspectos negativos do ponto de vista de um europeu. Seu objetivo primeiro, revelado em seu prólogo ao leitor, de atrair gente portuguesa para ocupar o espaço americano confunde-se com a visão de um homem do Velho Mundo, impossibilitado de negar o que considerou cruel, feroz e selvagem no novo continente. Com base em pesquisa realizada no universo de projeto em que textos de cronistas e viajantes foram lidos e analisados, o trabalho procura mostrar as visões e contradições do paraíso de Gandavo.

7. O universo colonial luso-brasileiro em o Valeroso Lucideno

Beatriz Paiva Oliveira (Bolsista de Iniciação Científica - PPPg, do Departamento de História - UFRN)

A historiografia produzida nos últimos 20 anos tem utilizado mais sistematicamente as crônicas do período do Brasil Colonial como fonte para a análise do discurso construído por conquistadores e colonizadores sobre a colônia. Nestes três séculos de colonização, o período da dominação holandesa (1630-1654) foi um dos mais documentados. O governo de Maurício de Nassau e a restauração pernambucana são as fases que mais se destacam nesta historiografia. Desta fase, um dos autores de maior destaque é frei Manuel Calado do Salvador, autor de O valeroso Lucideno (1630-1646). Nesta obra podemos observar o modo como o autor estruturou o universo colonial luso-brasileiro durante o domínio holandês. A partir da análise dos dois volumes que compõem a obra, torna-se possível compor um quadro do período colonial através da visão de Calado. A representação é neste trabalho um conceito central, que auxilia na compreensão das categorias utilizadas pelo frei são paulino para estruturar tal realidade. Para se analisar o modo como o autor constrói a representação sobre católicos e protestantes e narra os eventos da guerra, é necessário compreender o contexto mais geral deste momento histórico, que envolve a Contra-Reforma, e as principais características da crônica portuguesa dos seiscentos. Dentre estas características destaca-se o providencialismo, que influenciou profundamente o autor. Portanto, a análise do Lucideno sob tais aspectos nos oferece um maior conhecimento sobre a sociedade colonial durante a presença holandesa, neste período em que a América portuguesa sofreu os reflexos da crise do Estado português.

8. O Mythós em Simão de Vasconcelos

Lênin Campos Soares (Bolsista de Iniciação Científica - PBIC, do Departamento de História - UFRN)

O padre jesuíta Simão de Vasconcelos (1597-1671) escreveu sua obra “Crônica da Companhia de Jesus” na primeira metade do século XVII. Estava ligado à tradição barroca/renascentista que permeava a vida intelectual desta época utilizando, retoricamente, vários mitemas greco-romanos. Entre os tipos, observamos que ele se vale mais dos heróis e “monstros” míticos do que das figuras dos deuses. Contudo, como ele mesmo afirma, são fábulas, inverdades, celebradas pelos poetas antigos. O objetivo deste trabalho é examinar os mitemas utilizados pelo autor e a relação de verdade que estabelece com os mitos. Nos embasamos teoricamente em autores como M. Foucault, C. Cardoso, J. Maravall e J. Brandão. A partir destas questões queremos verificar como a religião greco-romana antiga foi reabsorvida pelo Renascimento e transmitida para a nossa contemporaneidade, tornando-se um importante elemento de nossa cultura.

9. Os Cristãos-novos nas Ordenações Filipinas – séculos XVI e XVII

José Carvalho Silva Junior (Aluno do Curso de História – UFRN)

Até o final do século XV, os judeus eram bem aceitos na Península Ibérica por terem uma maior tradição em assuntos ligados a questão financeira e administrativa, do que os cristãos. Nesse período os reis católicos cuidaram em tornar os cristãos mais livres das influencias estrangeiras. Medidas como a conversão de judeus em cristãos, criando um continente de conversos, permitindo assim que se cumprissem os novos ideais do período pós reconquista de limpeza de parte da Península Ibérica. Mas enquanto na Espanha houve a referida limpeza, em Portugal essa questão não tinha tanta importância, a princípio. Essa questão de tratamento do agora “cristão novo”, foi transmitida para as Colônias. Os portugueses aceitavam bem os cristãos novos e judeus devido a um discreto equilíbrio e principalmente por uma dependência econômica, ocasionando uma menor perseguição e posicionamento menos radical dos reis portugueses, praticando inclusive o contrabando em conjunto com alguns grupos de cristãos novos nas Costas das Américas Espanholas. Mas com a União das Coroas, a postura mais radical da Espanha dominou a cena. Busca-se entender como foi esse tratamento dado aos judeus ou cristãos novos nos textos das Ordenações Filipinas. Sabe-se que o quinto livro dessa obra, trata principalmente do degredado e suas punições, onde muito desses degredados eram cristãos novos ou judeus.

10. O padre Fernão Cardim e as habitações indígenas no século XVI

Silvia Morais da Silva (Aluna bolsista Laboratório de Arqueologia/Depto de História/UFRN)

Como parte das leituras de um grupo de estudo sobre os viajantes no Brasil, percebemos que a vida indígena bem como os hábitos e costumes destes durante o séc. XVI foi um tema sempre presente e relevante para as discussões contemporâneas. Baseados na obra de Fernão Cardim nos foi possível desenvolver um trabalho que irá enfocar a descrição das habitações indígenas por parte do cronista. Através da leitura de seus relatos nos foi possível observar com que olhar o homem europeu do séc. XVI visualizou a morada indígena, além nos ter permitido constatar em detalhes o que era a habitação dos nativos no período colonial e analisar todo uma organização social que girava em torno da chamada oca ou maloca indígena.

11. A Religiosidade dos Tupinambás por Jean de Léry

Patrícia K. G. da Câmara (Aluna bolsista Laboratório de Arqueologia-DEH-UFRN)

Os cronistas através dos seus relatos, registraram os aspectos dos lugares por onde passaram, sendo muitas vezes a única fonte disponível. No século XVI vários desses viajantes estiveram no Brasil e descreveram o universo cultural dos indígenas. Tal importância vem pelo fato de serem estes escritos, apesar das dificuldades, os primeiros registros dos costumes indígenas. Esse trabalho foi desenvolvido a partir do grupo de estudo sobre os textos dos cronistas. Procuramos assim, analisar o ponto de vista de Jean de Léry, no seu livro: “Viagem à terra do Brasil”, quanto à religiosidade dos tupinambás, e em particular a questão dos caraíbas. Além disso, podemos entrar em contato com a visão que o autor tinha das culturas nativas, tão diferentes da sua. Mostrando assim toda a influência do imaginário europeu desse período.

12. Uma representação do corpo em cultura e opulência do brasil do padre João Antonio Andreoni: notas para uma história do corpo colonial

Alecsandro Rocha (Aluno do Curso de História – UFRN)

O presente trabalho é a elaboração inicial de um estudo sobre a representação do corpo na obra Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas do padre jesuíta João Antonio Andreoni, escrita no início do século XVIII. Tradicionalmente esta obra tem oferecido importantes dados sobre a economia colonial, particularmente no que toca à indústria agro-pastoril que se desenvolvia na época. Nosso objetivo é compreender a maneira como o corpo se apresenta nesta obra, considerando com isso tanto a representação material expressa em imagens sobre o corpo: corpos em movimento, corpos ociosos, como as formas de controle destes corpos impostas pela dinâmica que toma a cultura, a política e a economia colonial. Neste trabalho apresentaremos um percurso inicial no qual verificaremos em que medida os aportes teóricos de Michel Foucault nos ajuda a melhor compreender este processo de representação do corpo colonial.

13. Uma análise sobre as obras, Tratado da Terra do Brasil e História da Província de Santa Cruz, de autoria de Pero de Magalhães Gandavo.

Thiago do Nascimento Torres de Paulo (Aluno Curso de História/UFRN)

O objetivo do trabalho é analisar como um documento histórico as obras Tratado da Terra do Brasil e História da Província de Santa Cruz, escritas por Pero de Magalhães Gandavo, republicadas em único volume pelas editoras Itataia e USP, em 1980. Nesse sentido, a preocupação do trabalho não é trazer a público voz de Gandavo, que durante muito tempo esteve silenciada nos arquivos, mas compreender a partir de procedimentos históricos o alcance da obra do cronista. Os dois trabalhos publicados pela primeira vez em 1576, fornecem uma série de informações sobre o primeiro século da colonização portuguesa na América. O cronista descreve detalhadamente a região criando uma espécie de tela para que os europeus, e mais especificamente os portugueses, pudessem vislumbrar a Terra de Santa Cruz. Deve-se considerar que o viajante não percorreu toda a América portuguesa, tendo em vista que limitou sua visitação ao recorte geográfico entre a Capitania de Itamaracá e a Capitania de São Vicente. Do ponto de vista metodológico a análise historiográfica da obra de Gandavo discute elementos que permitem compreender o trabalho do cronista no seu tempo. Assim são analisados aspectos externos (tais como, quem foi o autor; em que momento escreveu; a quem se destinava a obra; as idéias existentes na sociedade no momento da produção) e internos (objetivo do texto; fontes usadas; diálogos estabelecidos). As referências teóricas para referencias o trabalho foram buscadas em Marson (1986), que aponta passos para o desenvolvimento de procedimentos Históricos e Le Goff que discute a ampliação do conceito de documento realizada pela nova história.

 


GT-22: NEOPLATONISMO

Coordenadores:

Profª. Drª. Monalisa Carrilho de Macedo (Departamento de Filosofia)

Prof. Dr. Oscar Federico Bauchwitz (Departamento de Filosofia)

E-mail: neoplatonismo@bol.com.br

Local/horário: Setor de aula II, Bloco A, sala 1, 30 lugares, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

O GT procura congregar pesquisadores do Neoplatonismo, enfocando as suas origens, controvérsias e o seu desenvolvimento histórico de Plotino a Ficcino, bem como as ressonâncias modernas e contemporâneas de uma das mais influentes correntes da filosofia.

RESUMOS

1. O Conceito de Justiça n’A República de Platão

Prof. Ms.Ivanaldo dos Santos (UERN - Doutorando em lingüística pela UFRN)

Este estudo trata da discussão feita por Platão para conceituar o que é a justiça, mostrando todos os argumentos que ele utiliza para demonstrar este conceito. Desde a divisão, no século IV a.C., entre a decadente aristocracia rural e a nova aristocracia nascida do desenvolvimento econômico de Atenas, o primado do rei-filósofo no governo da pólis, a fidelidade do cidadão ao Estado, a nova ordem educacional, a qual substituiria Homero, e o indivíduo, seja escravo ou de outra classe social, devendo cumprir seu ofício da melhor maneira possível. O referencial teórico utilizado é o diálogo platônico A República. A relevância deste estudo é, em primeiro lugar, o fato de Platão ter influenciado, com esta obra, todas as utopias políticas a partir de Thomas Morus, e em segundo, o fato de que a discussão sobre o que é a justiça vem sendo travada desde a Antigüidade sem, no entanto se conseguir construir um conceito universal, imutável e eterno. Palavras-chave: Platão, justiça e Estado.

2. Uma Investigação Plotiniana Acerca do Amor

Alexsando Sinfrônio da Câmara (LCE – UFRN)

Pretende-se expor a investigação de Plotino feita à concepção da Natureza do Amor: pois tem-se constatado que tal concepção apresentou dificuldades, não só na tradição mítica a respeito dessa divindade, como também em Platão. Sobretudo a concepção platônica do Amor - já que este dá um salto importante sob a concepção mítica antiga ao enfocar o problema sob uma visão filosófica. Todavia, Plotino observa que, apesar dessa evolução platônica, ainda há lacunas e ambigüidades de tal sorte que será preciso uma investigação pormenorizada acerca do Amor platônico, para então, solucioná-las. Para tal investigação, Plotino parte do seguinte ponto, ou indagação – O que é o Amor? E a resposta reside em novos problemas: 1º É ele um Deus, 2º Um Daimón ou 3º “um estado de Alma”. E nesta abordagem, por conseguinte, constataremos a aproximação que Plotino faz entre a visão Mítico-platônica do Amor e a sua Metafísica em respeito da divisão hipostática dos seres inteligíveis; aproximando e finalizando toda esta abordagem em sua filosofia.

3. A Crítica de Plotino à Idéia de Simetria como Paradigma Estético: A Simplicidade do Olhar

Cláudia Aprile de Araújo (PPPg-GEMT -DFIL)

A análise da Enéada I.6 (Sobre a beleza) visa demonstrar a novidade e a crítica de Plotino frente a concepção estética tradicional fundamentada na idéia de proporção, demonstrando a inconsistência da complexidade da beleza pela necessidade harmônica das partes do objeto para a constituição do belo, o que demarca a incapacidade da beleza no simples. Utilizando os fundamentos platônicos da participação e das idéias, Plotino legitima sua concepção metafísica e mística, demonstrando a existência da beleza em si, que se refugia atrás de uma multiplicidade dispersa; o belo consiste na participação espiritual da beleza do primeiro ser, o Uno, que a comunica a inteligência, e por meio desta aos demais seres.

4. Treva de Silêncio – A Ignorância e a Via Apofática na Filosofia de Pseudo-Dionísio Areopagita

Williane Oliveira (PIBIC-GEMT-DFIL)

Para tratar de uma experiência, na qual todo e qualquer discurso se aniquila, Pseudo Dionísio Areopagita (entre 485 e 585), escreve uma obra chamada Teologia Mística, obra que visa a fundamentação da união com Deus, ápice do labor filosófico. No intuito de expor os conceitos fundamentais do pensamento de Pseudo-Dionísio, procura-se evidenciar a presença de elementos neoplatônicos, na superação de uma ontologia clássica. Elucida-se ainda o tratamento da linguagem em relação a Deus, como força evocativa na argumentação de uma teologia negativa, onde a linguagem aponta na perspectiva de um não-saber. No caminho do conhecimento de Deus, o método consiste na renúncia dos conhecimentos sensível e inteligível, culminando na negação e em uma ignorância sapiente. Suscita-se ainda estabelecer um diálogo entre o discurso dionisiano e o niilismo contemporâneo.

5. A Natureza do Bem em Santo Agostinho

Andréa Cedro de Araújo (DFIL-UFRN)

Procura-se discutir a natureza do bem no pensamento de Santo Agostinho (354-430). Agostinho estabelece uma relação a respeito da natureza do bem e da origem do mal. Ele contesta o maniqueísmo e refuta a idéia da origem do mal. Deus princípio de tudo, criou a natureza da melhor forma, sendo ela boa, na qual só há o bem e, portanto, torna-se inadmissível pensar ser Deus o criador do mal, posto ser Ele o Sumo Bem e princípio único de todas as coisas. Em nenhuma natureza há o mal, pois há apenas e somente o bem, sendo o mal ausente de qualquer natureza, sendo ele diminuição ou corrupção do bem. O mal relaciona-se com as ações humanas por meio do livre-arbítrio; pelo poder de decisão individual e sua efetivação pelas ações humanas.

6. Distensão da Alma no Pensamento de Agostinho: O Contraste da Eternidade e o Tempo

Íris Fátima da Silva (PPGFIL - UFRN)

É intenção do presente texto discutir o tempo como distensão da alma segundo a ótica de Agostinho de Hipona (354-430). Tomamos como fio orientador o Livro XI das Confissões, na disposição de entender a ligação entre a tese do tríplice presente, que se propõe a resolver o enigma de um ser que carece de ser, e a tese da distensão do espírito, chamada a resolver o enigma da extensão de uma coisa que não tem extensão. Nele, é possível pensar o tríplice presente como distensão e a distensão como tríplice presente, posto que dois traços da alma humana aí se acham confrontados, aos quais Agostinho chama de intentio e distentio animi. A anterioridade da eternidade com relação ao tempo, num sentido de anterioridade que fica por determinar, é dada no contraste entre o ser que não foi feito e o ser que varia. Podemos definir eternidade como não sendo um tempo dilatado, mas um tempo presente. Medir a eternidade é uma tarefa impossível, pois nela nada passa, tudo é presente. Tudo é um presente contínuo, sem que dentro deste presente ocorra um antes ou um depois. Tentar medir a eternidade é querer forçar a sua temporalização.

7. Fredegiso de Tours e a Epístola Sobre la Sustancia de la Nada y la de las Tinieblas

Paulo Jorge de Souza Antas (PPGFIL – UFRN)

Fredegiso de Tours é um dos pioneiros a explicitar e questionar Nada e Treva. A colocação do Nada como sujeito, com um nome definido do qual algo pode ser predicado, ainda que somente pela autoridade divina, mas que tem uma significação. O Nada como algo do qual Deus fez todas as coisas, colocado como algo grande e excelente por uma autoridade que não pode ser contestada. O Nada onipresente e a dificuldade que se impõe à sua compreensão. O Nada como princípio primeiro e fim último. As Trevas e a impossível negação de sua existência, que é proclamada por uma autoridade maior. As trevas como lugar-onde tudo teve início e de onde, conseqüentemente, tudo procede. As Trevas como lugar de Deus e sua subseqüente relação com o Nada. A natureza das Trevas e sua oposição à luz. Qual das duas pode apresentar caráter de substância? Qual delas invade, por assim dizer, o espaço da outra, assumindo uma condição primordial para a existência? A antítese entre Tudo e Nada e entre Luz e Trevas como ponto de equilíbrio do Universo, e sua contribuição para a existência humana. O homem diante do abismo, o Nada visível, e o Nada sensível. A relação de totalidade que se consuma diante das duas maiores manifestações do infinito, como provas de um poder supremo; de uma força que se eleva acima e além da compreensão.

8. A Inexistência da Necessidade em Deus Segundo João Escoto Eriúgena

Noemi Favassa Alves Queiroz (PGFIL-UFRN)

Objetivamos demonstrar como Eriúgena nega a existência da necessidade criadora em Deus pela afirmação da liberdade da vontade divina. Diz ele que em Deus não há necessidade porque não há causa nenhuma que o obrigue a criar qualquer coisa. Todavia, se entendermos que existe uma causa que obrigue a Deus criar algo, esta causa é a própria vontade divina. A vontade de Deus é a primeira e principal causa do Universo inteiro, de forma que, se tudo está em Deus e a vontade de Deus está nele mesmo, então a vontade é o próprio Deus, de tal modo, que a liberdade da vontade de Deus não possui necessidade. Deus não cria nada que não seja de sua própria vontade. Não há distinção entre ser e querer, quando Deus quer, sua vontade se realiza a partir dele mesmo.

9. Abandono Silêncio Como Revelações do Lugar de Deus: Uma Leitura de Mestre Eckhart

Séphora Maria Alves Bezerra (PPGFIL – UFRN)

O trabalho propõe-se comentar a estreita relação entre abandono e silêncio como revelações do lugar de Deus nos sermões Mestre Eckhart, especialmente através das leituras de O Homem Nobre e do Silêncio da Criação (Sermão 57). Neles, o mestre renano descreve que se o ser de Deus está além dos modos, o homem que deseja encontrá-lo deverá abandonar os atributos pessoais, num exercício constante e sem interrupções para retirar do esquecimento o conhecimento que possui interiormente e que revela esse "Lugar". Mestre Eckhart evidencia nestas duas leituras que todas as ações dependem sempre de intermediação, mas abandonar-se e silenciar-se consistem no despojamento do limite do ex-istir. Ao discutir a circunstância mais própria da alma, ele reflete que o lugar de Deus não é um lugar de coisas, mas de um acontecimento, fundamentalmente dinâmico. Para ele, Deus é um processo sem variação que está constantemente fermentando e extravasando, para que se torne mais que perfeito. O abandono e o silêncio possibilitam ao homem um voltar-se intimamente para Deus, um permanecer firme na substância de Deus e a revelação deste mesmo homem como co-partícipe da humanidade em essência.

10. Os Pensadores da Douta Ignorância São-No Também os dos Limites da Razão

Túlio Sales Lima (PPGFIL - UFRN)

Este ensaio é uma tentativa de tematizar duas atitudes que se aproximam quando o tema diz respeito a relação assintótica entre a teologia e a cosmologia ou, Deus e a ciência nos limites do conhecimento: Nicolau de Cusa e Kant. Ancorados numa metodologia de matiz eminentemente metafórica que recorre às analogias matemáticas, ambos pretendem promover uma nova visão filosófica de Deus que não a ontoteológica, qual seja, a de Deus como um universo consciente, demiurgia cosmoteológica. Neste sentido, postulamos que os conceitos de complicatio e explicatio em Nicolau de Cusa e o de juízos sintéticos a priori em Kant se equivalem respectivamente como matizes constitutivas e regulativas das condições de possibilidade de uma cosmoteologia

11. A Douta Ignorância em Nicolau De Cusa

Ana Elisabeth de Oliveira Ferreira (PPGFIL - UFRN)

Douta Ignorância, questão central no pensamento de Nicolau de Cusa, traz uma reflexão sobre o conceito de sabedoria e de que maneira esta sabedoria pode ser apreendida por nós. Para Nicolau de Cusa, o homem se reconhecer ignorante é compreender que existem limites de entendimento para sua capacidade intelectiva. Dessa forma temos 2 instâncias de sabedoria, a primeira nos fala da sabedoria das coisas mundanas, do que pode ser conhecido através do domínio e apreensão das coisas múltiplas, sensíveis e finitas. E a segunda, que fala de uma sabedoria interior, subjetiva que trata da relação do homem com o infinito e seu encontro com a unidade primeira, relação esta que se dá através de um encontro carregado de misticismo e reconhecimento de seus limites humanos.

12. Ontologia e Henologia em Plotino

Oscar Federico Bauchwitz (DFIL-UFRN)

O presente trabalho procura pensar em que consiste a filosofia plotiniana como uma interpretação inovadora das obras de Platão e, sobretudo, como uma metafísica que aponta para a superação da ontologia clássica grega, na medida em que apresenta uma henologia. Com Ontologia indica-se a definição aristotélica da ciência do ser enquanto ser. Na perspectiva ontológica, toda a realidade existente é um aspecto polissêmico do ser. Com isso, não só se identifica com e se restringe o objeto do conhecimento àquilo que é, incluindo aí a todos os entes e mesmo a Deus como princípio primeiro, mas também se identifica o Uno com o ser, com a sua conseqüente entificação. Com Henologia designa-se o Uno como origem de toda existência, embora ele mesmo não seja algo que propriamente é. A partir da henologia instaurada por Plotino, o ser é visto desde o Uno, como sua derivação, como próodos. Plotino representa, portanto, uma constituição inovadora da metafísica que remete, mas que não se limita, aos diálogos platônicos. A primazia frente ao jogo dinâmico do ser e não ser, a processão desde si mesmo em si mesmo, num movimento autoprodutivo e instaurador da multiplicidade, a inefabilidade e incognocibilidade levantadas por Plotino quando trata do Uno constituem a originalidade de sua filosofia.

13. Natureza e magia no neoplatonismo renascentista: ficino, agrippa e giordano bruno

Monalisa Carrilho de Macedo (GEMT-UFRN)

Marsilio Ficino (1433-1499) foi principal responsável pela divulgação da tradição platônica e neoplatônica no Renascimento. Ao lado de Platão, traduziu Jâmblico, Plotino, Proclo e o Corpus Hermeticum., entre outros. Inspirado por esses autores, desenvolveu sua "magia angélica e espiritual" que se caracterizava menos por uma práxis do que por uma visão estetizante do filósofo-mago diante da mãe-natureza. Cornelius Agrippa, a partir da leitura de FIcino e influenciado por encontros determinantes em sua vida como o de Johann Trithemius, compilou, numa obra intitulada A Filosofia Oculta ou a Magia, as informações da tradição sobre o poder da magia, numa perspectiva menos teórica e mais prática do que a de Ficino. Seu livro tornou-se um verdadeiro "manual" de magia para os séculos posteriores. Giordano Bruno, na linha de Ficino e de Agrippa, elaborará o que poderíamos chamar de uma "magia heróica" que, de certa forma, pode ser vista como uma síntese da magia angélica de Ficino, com a magia "demoníaca" de Agrippa.

 


GT-23: CULTURA, POLÍTICA E COMUNICAÇÃO

Coordenadores:

Prof. Dr. João Emanuel Evangelista (Departamento de Ciências Sociais)

Email: jemanuel@ufrnet.br

Prof. Dr. José Antônio Spinelli (Departamento de Ciências Sociais)

E-mail: spinelli@cchla.ufrn.br

Prof. Dr. Pedro Vicente Costa Sobrinho (Departamento de Ciências Sociais)

Local/horário: Setor de aula II, Bloco E, sala 6, 30 lugares, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

O GT reunirá trabalhos que tratem das interfaces entre a cultura, a política e a comunicação, através da análise das imbricações entre os meios de comunicação (televisão, internet, rádio, jornais, revistas, livro, etc.), os processos políticos e/ou eleitorais e as manifestações da cultura e da sociabilidade contemporâneas nas suas implicações sobre as diversas dimensões da sociedade. Serão analisadas propostas de trabalhos que tratem:

1. As relações entre mídia, política e cultura;

2. Os processos políticos e/ou eleitorais;

3. As formas de cultura e sociabilidade associadas às novas tecnologias comunicacionais;

4. Estudos sobre consumo, publicidade e ideologia;

5. Temas correlatos.

RESUMOS

1A SESSÃO: MÍDIA, CULTURA E CONSUMO

1. O Cinema Como Consumo Cultural: um estudo sociológico sobre gostos e preferências da cultura cinematográfica junto ao público universitário de Mossoró-RN

Jochen Mass Xavier Gomes

O nosso trabalho tem como preocupação investigar os condicionantes sociais, econômicos e culturais na construção das preferências e gostos pelo consumo de cinema da população universitária de Mossoró-RN. Pretendemos investigar como se constrói o gosto dos consumidores de cinema, ou seja, se o mesmo está condicionado a fatores econômicos ou a questões culturais. O procedimento metodológico tentará combinar aspectos de natureza teórica e empírica acerca das relações entre público e consumo de cinema. A construção social das preferências e gostos pelos produtos cinematográficos tem a ver com a lógica da indústria cultural, está por sua vez condiciona e homogeneíza tanto o produto como o público de cinema. Desvendar parte da influência da indústria cultural no condicionamento dos gostos e preferências dos consumidores de cinema é necessário para explicar o nível de padronização do consumo de filmes. Nesse sentido, entendemos que vivemos uma espécie de cultura do imediatismo, em que os consumidores não vêem apenas o que preferem, mas preferem o que a indústria cultural oferece no momento.O imediatismo parece ser determinante dos atuais padrões de consumo de filmes da população universitária de Mossoró-RN. Não pretendemos universalizar o gosto dos consumidores de cinema, mas em sua grande maioria o público quer ver é o chamado filme do momento, aquele que prometa ação e aventura. Todavia, verificar o nível de condicionamento das escolhas de filmes será uma tarefa que pretendemos realizar ao longo do empreendimento investigativo aqui proposto.

2. Os Imperdoáveis: O Autor, O Editor e a Mídia Livro no Nordeste.

Pedro Vicente Costa Sobrinho (Professor do Departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais – UFRN)

A produção científica e cultural do Nordeste sempre foi altamente representativa no conjunto da sociedade brasileira. O pensamento social brasileiro foi enriquecido com a contribuição canônica de cientistas do porte de Sílvio Romero, Câmara Cascudo, Manoel Bonfim, Celso Furtado, Josué de Castro, Clóvis Beviláqua, Gilberto Freyre, Joaquim Nabuco e outros. As presenças de escritores nordestinos como Graciliano Ramos, Jorge Amado, Gilberto Amado, Manoel Bandeira, Ariano Suassuna, João Cabral de Melo Neto, Jorge de Lima, Coelho Neto, Castro Alves e outros, foram decisivas para a formação da grande literatura nacional. A poderosa riqueza científica, artística e cultural do Nordeste, no entanto, não foi capaz de motivar a formação de uma representativa indústria editorial na região. A presente comunicação busca analisar as causas que determinaram o atraso do mercado editorial da região e conseqüente dependência da região ao centro-sul, e apresenta algumas sugestões de como superá-los.

3. Dominação, Consumo e Publicidade: Aspectos da Relação de Poder Entre Fornecedor e Consumidor

José Augusto Peres Filho (Mestrando em Ciências Sociais – UFRN)

japeres@sxp.com.br

O motor que move a máquina do Capitalismo é o consumo. Para que o lucro, o objetivo maior, seja atingido, aquele (o consumo) precisa ser estimulado. O estímulo deve ser constante, não apenas para suprir necessidades, mas, sobretudo gerando necessidades, por mais artificiais que possam parecer. Esse é o papel da publicidade. Temos, pois, a publicidade gerando o consumo que produz o lucro que é a essência do Capitalismo. Todos intimamente ligados. Por outro lado, temos o alvo da publicidade, aquele que é estimulado a empregar seus recursos nos produtos e serviços “maravilhosos que facilitarão suas vidas ou lhes assegurarão um lugar de prestígio na sociedade”: o consumidor. Dentro do triturador no qual se transformou o mercado de consumo, ele sofre, diuturnamente, os mais diversos abusos por parte das empresas, que vêem nas leis de defesa do consumidor apenas um grande empecilho para o alcance da amplitude do seu lucro. O Estado, que deveria prover a defesa da lei da parte mais vulnerável nessa relação, muitas vezes queda-se inerte, em outras toma decisões e desenvolve ações meramente paliativas. Ao perceber isso, o consumidor tende a desanimar, e a ver como algo normal a submissão que lhe é imposta pelos fornecedores, deixando-se lesar por publicidades enganosas ou abusivas, arcando com prejuízos de posturas empresariais ilegais.

4. Propaganda e Ideologia – Uma Estreita Relação

Dalvacir Xavier de Oliveira Andrade (Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais - UFRN)

No contexto capitalista em que vivemos atualmente, no qual a lógica do consumo toma proporções cada vez maiores, observamos a propaganda como uma das grandes “atrizes” da atual sociedade. Aliada às inovações tecnológica e aos novos recursos da mídia, tornou-se uma primordial ferramenta de vendas. Porém, é importante notar que a propaganda é importante não apenas por ser volumosa e constante, ter a função de vender um produto, aumentar o consumo, abrir mercados, mas pelo seu poder de influência, pelo seu conteúdo, pelos conceitos e representações sociais embutidas nela. Diante disso, pretende-se analisar a relação da propaganda comercial ou publicidade com a ideologia, verificando se a propaganda em sua busca insistente de atrair e interessar o público vende apenas mensagens comerciais ou junto com essas mensagens acaba por divulgar também as idéias dominantes. Por ideologia não compreendemos a forma primária de manipulação entre classes, mas a força que mantém os indivíduos prisioneiros dos sistemas de sociedades aos quais estão submetidos. São as idéias que conformam a dominação social, convenções de juízos considerados reais e verdadeiros, sem se saber sua origem nem explicação.

5. Economia, Meio Ambiente e Mídia no Rio Grande Do Norte: Desafios e Oportunidades Perante a Sociedade da Informação

Marígia Mádje Tertuliano dos Santos (Professora do Curso de Ciências Econômicas – UNP)

marigia@yahoo.com

Josenira Fraga Brasil (Professora do Curso de Turismo - UNP)

A difusão do conhecimento, via práticas de educação ambiental, pela mídia, vai além do alcance de políticas específicas da área. Acredita-se que esta decisão está amarrada às definições de um projeto político da sociedade, o qual está sendo traçado de modo independente, sem uma discussão que conscientize a sociedade através de uma nova mídia. No conjunto, esta discussão é justificada pela necessidade do Rio Grande do Norte passar a integrar o movimento global de intensa velocidade de comunicação e troca de informação, que vêm determinando mudanças exponenciais nas áreas econômica, política, social e cultural, através do viés ambiental. Logo, com base em pesquisa piloto, pretende-se explorar a relação entre o desenvolvimento econômico do Estado do Rio Grande do Norte e a preservação do meio ambiente, vistos através das matérias veiculadas no Diário de Natal, no período compreendido entre 1992 a 2002 considerando as práticas ambientais implementadas pelas empresas locais. Em seguida, conhecer o mapeamento e o modo como está sendo encaminhada a utilização das mídias contemporâneas locais, no estímulo às práticas cidadã e o desenvolvimento sustentável.

6. As relações sociais no cyberespaço: um estudo das formas de sociabilidade no canal natal do MIRC

Lívia Libório de Matos Gomes (Graduanda em Ciências Sociais - UFRN)

Este trabalho aborda as novas modalidades de relações sociais surgidas por intermédio dos canais de conversação da Internet. Essa forma de socialização, típica da sociedade contemporânea, torna-se cada vez mais comum, principalmente nos grandes centros urbanos, através da formação das comunidades virtuais. A partir de uma pesquisa qualitativa (através da técnica de discussão em grupo) realizada com integrantes de um determinado canal, o canal Natal do MIRC, pôde-se verificar que o desenvolvimento e consolidação destas comunidades no ciberespaço está extremamente vinculado ao grau de envolvimento entre os seus membros, através das relações sociais de amizade que, por sua vez, tendem a se fortalecer em encontros presenciais. Esses relacionamentos apresentam características bastante semelhantes às relações tradicionais de amizades (aquelas desenvolvidas fora do ciberespaço), revelando que o ciberespaço apresenta-se como mais uma esfera de socialização nas sociedades contemporâneas.

2A SESSÃO: DEMOCRACIA, CULTURA E PARTICIPAÇÃO POLÍTICA

7. Origem e Desenvolvimento das Ligas Camponesas no Rio Grande do Norte

Ruy Alkmim Rocha Filho (Mestrando no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais – UFRN)

No princípio da década de 1960, o Rio Grande do Norte, a exemplo de outros estados brasileiros, contemplava a formação e atuação de diversos movimentos sociais. A Reforma Agrária foi uma reivindicação comum em vários países, exercendo um papel mobilizador indiscutível. No Brasil daquela época a Reforma Agrária era, e ainda é, extrema. “5% dos proprietários detém 70% das terras nacionais, enquanto os demais 50% dos proprietários menores dividem 2,2% das terras restantes”. No final da década de 50, surge o movimento das Ligas Camponesas, no interior de Pernambuco. Destacam-se líderes como Francisco Julião, Zezé da Galiléia e João Pedro Teixeira, os quais arregimentaram milhares de camponeses, em torno de agremiações sediadas nos pequenos municípios daquele estado. Este movimento cresceu a ponto de mobilizar militantes também na Paraíba e no Rio Grande do Norte. Essas associações atuavam, oferecendo apoio jurídico a camponeses expulsos de suas terras, organizando manifestações e mesmo tomando iniciativa em invasões de latifúndios. O deputado federal Floriano Bezerra foi o organizador, tendo a seu lado o estudante Meri Medeiros.

8. Desenvolvimento e Cultura: Uma Análise da Política Cultural De Janduís-RN na Gestão Participativa de 1989/92

Daline Maria de Souza (Bolsista de Iniciação Científica e Graduanda do Curso de Serviço Social – UFRN)

dalineufrn@bol.com.br

Na década de 80, a cidade de Janduís destaca-se no cenário político do Rio Grande do Norte ao vivenciar um ciclo de gestões democráticas e participativas. Este ciclo, que compreendeu duas administrações, caracterizou-se pela democratização do poder local, a participação cidadã e a implementação de políticas públicas de inclusão social. Na segunda gestão (1989-1992) ganham relevância as políticas públicas implementadas na área da cultura e voltadas para a juventude das camadas mais pobres da sociedade local. A pesquisa teve como objetivo avaliar a efetividade das políticas públicas, que articularam desenvolvimento e cultura, através da trajetória do movimento cultural. Os procedimentos metodológicos utilizados na pesquisa foram: revisão bibliográfica dos temas Poder Local, Democracia, Participação Cidadã, Políticas Públicas e Cultura; pesquisa documental e entrevistas com formuladores das políticas públicas para a área da cultura, agentes organizacionais e protagonistas do movimento cultural no período da gestão participativa. Mesmo com o fim do ciclo de gestões participativas, continua existindo o movimento cultural no município e os depoimentos dos participantes sinalizam para a noção de efetivação de Amartya Sen, ao avaliarem que o projeto modificou suas vidas em diversos aspectos, entre estes a capacidade de agir e falar no espaço público.Nesse sentido, pode-se concluir que as políticas públicas implementadas para a área de cultura em Janduís/RN foram efetivas ao modificarem as condições de vida e os lugares sociais dos jovens, bem como proporcionarem sua atuação na esfera pública local.

9. O Projeto Político-Pedagógico na Rede Municipal de Natal

Luciane Terra dos Santos Garcia (Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação - UFRN)

lmarcos@dca.ufrn.br

O estudo dos pressupostos neoliberais orientadores da reforma do Estado brasileiro tem possibilitado o entendimento da descentralização da gestão educacional, sobretudo a transferência de encargos financeiros e administrativos do eixo do Governo Federal para as Unidades Federadas, municípios e escolas. As políticas de educação orientadas pelos referidos pressupostos deram origem a uma série de mudanças no campo administrativo e da gestão, a serem implementadas, de modo particular, nas unidades de ensino, requerendo novos parâmetros na ação educacional. Nessa particularidade, o planejamento coletivo da ação educativa é compreendido como uma forma de fomento à qualidade educacional e o Projeto Político-Pedagógico das instituições escolares, traduz as aspirações dos educadores, constituindo-se em elemento norteador das práticas educativas, concorrendo para a instauração de um processo de reflexão e a busca de soluções para os problemas vivenciados pela comunidade escolar. Na Rede Municipal de Educação de Natal, até o ano de 2002, cinco escolas encontravam-se em processo de implementação do seu Projeto Político-Pedagógico. Na ótica dos dirigentes da Escola Municipal Ascendino de Almeida, o processo de reflexão coletiva instigado pela elaboração da proposta pedagógica, aliado à efetiva participação da comunidade escolar, permitiu que a escola obtivesse resultados educacionais satisfatórios e o reconhecimento de seu trabalho, expresso na crescente demanda por matrículas na referida unidade de ensino. O Projeto Político-Pedagógico tem propiciado mudanças políticas e pedagógicas na educação, daquele estabelecimento de ensino, dando alento ao cotidiano.

10. O Conselho do FUNDEF: Repercussões de uma Participação Política

Pauleany Simões De Morais (Bolsista de Iniciação Científica e Graduanda do Departamento de Educação – UFRN)

pauleany@ig.com.br

Este trabalho focaliza o processo de participação em que diferentes segmentos da sociedade se envolvem nas decisões de política de educação local, primordialmente no que se refere à fiscalização dos gastos financeiros. Com essa intenção analisamos uma realidade específica e tomamos como referência o Conselho de Controle do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério – FUNDEF do município de Ceará-Mirim/RN. Para obter informações acerca da composição e funcionamento do Conselho entrevistamos sua Presidente e a Secretária Municipal de Educação. Identificamos aspectos empíricos do relacionamento entre os gestores e os Conselheiros. Procuramos compreender o Conselho enquanto mecanismo de participação política e democrática, que norteia as práticas de gestão educacional. Vale salientar que, o FUNDEF é um fundo de natureza contábil criado pela Lei 9.424/96, que em seu artigo 4º, prescreve que todo município deve constituir um Conselho, a fim de acompanhar e fiscalizar as ações da gestão pública. Percebemos que esse órgão colegiado tem a função de incentivar a participação da sociedade no controle das ações governamentais, no entanto, na prática, essas ações são (des)articuladas e o funcionamento do Conselho não corresponde às recomendações do próprio Ministério da Educação. Nas reuniões - esporádicas - não há discussões mais amplas, em que se discutam os problemas – administrativos, pedagógicos, financeiros – e se tomem decisões sobre a aplicação dos recursos do FUNDEF. Assim, o Conselho que deveria promover a participação política de seus representantes nega essa participação devido à debilidade na fiscalização dos recursos.

11. Olhares pendentes: visões e cenários do município de Pendências

Tiago Cruz Spinelli (Aluno da graduação em Ciências Sociais-UFRN)

O presente trabalho é o resultado de uma experiência de pesquisa de campo intitulada "Petróleo e Desenvolvimento Municipal", realizada nos estados do Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Bahia. O objetivo geral da pesquisa consistiu na avaliação dos impactos econômicos e sociais nos municípios que passaram a se beneficiar com os recursos dos royalties do petróleo. Dentre os municípios estudados na região potiguar, destacamos aqui Pendências, e buscamos compreender as visões e interpretações colhidas nos grupos focais, reuniões onde o papel do mediador restringiu-se tão somente em lançar questões concernentes ao campo da pesquisa. Estas foram realizados na escola Estadual Monsenhor Honório no dia 20 de fevereiro de 2003. Dividiu-se tais grupos entre jovens, adultos e velhos. Dessa forma, pudemos comparar as perspectivas futuras, as novas situações e as transformações entre passado e presente. Centralizamos neste trabalho a interpretação das visões dos atores sociais, na tentativa de vislumbrar o cenário social característico do município de Pendências.

3A SESSÃO: HORÁRIO GRATUITO DE PROPAGANDA ELEITORAL E ELEIÇÕES 2002

12. Metodologias de Análise de Horários Gratuitos de Propaganda Eleitoral (HGPE’s) na TV

Marcelo Bolshaw Gomes (Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais – UFRN)

Este trabalho pretende apresentar as três principais metodologias de análise de leitura dos programas de TV dos chamados HGPE’s, isto é do Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral. Apresentaremos a metodologia de “Análise das Estratégias Persuasivas”, desenvolvida por Marcus Figueiredo e pelos pesquisadores do IUPERJ (Universidade Cândido Mendes); a metodologia desenvolvida Mauro Porto e pelos pesquisadores do NEMP (UnB); e finalmente, a metodologia da “Análise do Discurso”, desenvolvida pela professora Celi Regina Pinto.

13. O Jogo da Esquerda: O Marketing Eleitoral do Partido dos Trabalhadores (PT) e as Eleições para o Governo do Estado

Sandra Pequeno (Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais – UFRN)

A análise do Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral – HGPE – na campanha para o Governo do Estado em 2002 apresentou alguns avanços, em especial no que se refere ao nível da argüição dos debates políticos dos programas eleitorais. Porém, apesar disso, alguns problemas persistiram, principalmente aqueles relativos ao uso das estratégias de marketing dos programas, em especial, a utilização do marketing eleitoral promovido pelo PT, tema desta pesquisa. De certo, no ano de 2002, observamos o crescimento do Partido dos Trabalhadores no âmbito nacional. Neste contexto, coloca-se o Marketing político e eleitoral como um dos constituintes da vitória do PT na disputa nacional. Resta saber, se tal contribuição atingiu aos demais pleitos a qual o partido disputava, em especial no Estado do Rio Grande do Norte, e mais precisamente, a disputa para o Governo do Estado. O presente estudo empreende uma análise da visão acerca do marketing político e eleitoral apresentado pelo Partido dos Trabalhadores do Rio Grande do Norte (PT/RN) nestas eleições, mas especificamente, o estudo do HGPE. Objetiva, desta forma, analisar as diretrizes que deram vazão ao trabalho articulado pela coordenação de comunicação do partido, de que forma foi trabalhado o paralelo entre “tecnólogos e ideólogos” dentro de um projeto de comunicação que necessitava ultrapassar as barreiras do anonimato e apresentar o seu candidato ao governo do Estado.

14. Marketing Político: Técnicas e Estratégias Usadas em Eleições e Reeleições por Políticos Brasileiros.

Karla Maria Pereira dos Santos (Graduanda do Curso de Comunicação Social – UFRN)

O assunto a ser abordado será Marketing Político como ferramenta de trabalho e poder tão bem usada pelos políticos brasileiros. De trabalho porque desde 1988, com a campanha presidencial do então candidato Fernando Collor de Melo, a disputa mais parece ser dos chamados “ marketeiros” que dos próprios políticos. Collor foi um marco para a publicidade brasileira. Pois foi a partir dele que os intelectuais e comunicadores se depararam com a força e importância de um marketing bem feito, capaz de fazer um homem sem expressão, carisma e até partido político ser levado ao mais importante cargo da política brasileira, com slogan bem trabalhado de “CAÇADOR DE MARAJÁ”. De poder, porque é através de um marketing bem trabalhado que muitos políticos têm alcançado as Câmaras e o Planalto do brasileiro. A campanha de 2002 e a vitória de Lula apenas corroboraram o quanto o marketing político tornou-se peça imprescindível para qualquer político. Os pontos do marketing político que serão trabalhados são as técnicas e estratégias usadas nas campanhas, que diferem entre a eleição e a reeleição.

15. Cotidiano e Estudos de Recepção do Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE) nas Eleições 2002 no RN: Considerações Sobre um Ponto Cego nas Pesquisas de Comunicação e Política

João Emanuel Evangelista (Professor do Departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais – UFRN)

Os estudos sobre os programas televisivos veiculados no Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE), desenvolvidos pelos pesquisadores do Grupo de Estudos Mídia e Poder (GEMP), da UFRN, revelaram a necessidade de ampliar a análise do conteúdo e do formato desses programas nas eleições para Governador do Rio Grande do Norte em 2002, com a incorporação do processo de recepção das mensagens político-eleitorais pela audiência, de acordo com as tendências contemporâneas nas pesquisas de comunicação e política. Apesar dos avanços teóricos e metodológicos alcançados nessa área, há, contudo, um “ponto cego” nos estudos de recepção. As pesquisas ignoram as determinações ontológicas da vida cotidiana sobre o processo de recepção das mensagens televisivas, em geral, e da propaganda eleitoral gratuita, em particular. A observância do cotidiano permite evitar falsos problemas e hipóteses unilaterais no exame dos processos comunicativos que marcam a midiatização da política contemporânea. A tematização do cotidiano torna-se imperativa, sobretudo quando se pretende abordar as práticas sociais implicadas no uso da televisão e da programação televisiva pelos telespectadores, segundo dados coletados em pesquisa realizada na cidade de Natal, durante a veiculação da propaganda eleitoral gratuita nas eleições para Governador do Rio Grande do Norte em 2002.

16. Alguns Aspectos da Recepção do Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral (HGPE) nas Eleições para o Governo do Rio Grande do Norte em 2002

Gustavo César de Macêdo Ribeiro (Bolsista de Iniciação Científica e Graduando do Curso de Ciências Sociais – UFRN).

O processo da comunicação é de natureza circular. Pensá-lo através da superposição de uma de suas dimensões constituintes frente às outras – seja a emissão, a recepção ou a mediação – é perder em qualidade de análise. Tendo em vista esta condição fundamental à pesquisa com os media, o projeto “O Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral e as Eleições para Governador do Estado do Rio Grande do Norte em 2002”, do Grupo de Estudos Mídia e Poder, divide-se em duas “frentes” de investigação: a análise de conteúdo nos programas eleitorais das principais coligações em disputa, e uma pesquisa de recepção com eleitores da cidade do Natal. O presente trabalho atém-se a esta parte do projeto. Foram realizadas 629 entrevistas, em 19, 20, 26, 27 de setembro de 2002 – primeiro turno das eleições –, através da aplicação de questionários, com 48 perguntas cada, agrupadas em eixos temáticos que tratam desde o comportamento eleitoral, inclinações ideológicas e elementos da cultura política dos entrevistados, às questões atinentes à leitura mesma dos programas eleitorais (“etnografia da recepção”, credibilidade do HGPE, etc.). Objetiva-se apresentar alguns resultados de tal grupamento de leitura do HGPE, tomando-os como base para discutir qual a relação dos eleitores com o HGPE.

4A SESSÃO – MÍDIA E POLÍTICA.

17. Vozes sob a Ditadura: a manifestação da sociedade através da imprensa escrita (1978-1979)

Rosemary Machado de Souza (Graduanda do Curso de História – UFRN)

mihael@uol.com.br

O objetivo deste trabalho é analisar a participação da sociedade brasileira durante o processo de abertura política no país entre os anos de 1978 e 1979. Essa participação será observada a partir da manifestação de diferentes segmentos da população – incluindo-se donas de casas, estudantes, trabalhadores, políticos, empresários – os quais escreveram nesse período para a seção Cartas das revistas Veja e Isto É. As cartas expressam opiniões da sociedade civil sobre o regime militar e os acontecimentos políticos do período, demonstrando que as expressões da sociedade a favor e contrárias ao regime não vieram apenas de organizações coletivas, como os novos movimentos sociais (conselhos comunitários, movimentos contra a carestia e outros) e as instituições organizadas (Igreja, OAB, sindicatos), mas também cidadãos comuns. Do ponto de vista metodológico, serão analisadas todas as cartas produzidas durante os anos de 1978 e 1979 com objetivo de compor um quadro dos anseios da sociedade sobre três temas: participação social e política, cidadania e democracia. A pesquisa, em andamento, tem demonstrado uma participação ativa dos leitores no tocante a esses temas, pois ao mesmo tempo em que eram influenciados pela mídia, também influenciavam outros leitores e, certamente, pessoas de seus relacionamentos no cotidiano, independentemente das restrições civis e militares que o regime vigente lhes impunha sobre temas considerados “perigosos” nesse momento histórico, como, por exemplo, a tortura e a censura praticada pelos órgãos de repressão, além da corrupção exercida pelos representantes do governo militar.

18. Cobertura do Jornal Diário de Natal na Eleição Para Governador, em 2002

Emanoel Francisco Pinto Barreto (Mestrando no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais - UFRN)

O presente trabalho tem por objetivo analisar a maneira como a editoria política do Diário de Natal tratou o noticiário relativo às eleições estaduais de 2002, para governador. Como critérios para seleção do material empírico serão levados em consideração aspectos como angulação da matéria, seu destaque na página, bem como o momento político-social em que esta foi inserida no noticiário. Como elemento complementar, deverá ser realizada entrevista com o diretor de redação, a fim de que este explique a forma como o material foi recolhido junto às fontes, redigido e editado. Edição, no caso, referindo-se unicamente ao aspecto diagramático do texto, ou seja, o destaque que recebeu na página, sem levar em consideração aspectos iconográficos. Como recorte temporal será levado em conta o período compreendido entre os meses de julho a outubro, mês que foi publicada a notícia da vitória da hoje governadora Wilma Maria de Faria.

19. Mídia e Eleições: A Visão da Imprensa Sobre as Eleições Presidenciais de 2002

José Antonio Spinelli Lindoso (Prof. do Departamento de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais – UFRN)

Neste estudo pretendemos fazer uma reflexão crítica acerca da cobertura da campanha presidencial de 2002 na imprensa escrita do Rio Grande do Norte, tomando como parâmetro o jornal Diário de Natal. Para tanto utilizamos uma metodologia que vem sendo desenvolvida em alguns centros de pesquisa, no Brasil e no exterior: as perspectivas combinadas do enquadramento (framing) e da agenda setting. O objetivo é ultrapassar a visão tradicional da imprensa como campo neutro, informativo, objetivo e desvendar as posições ideológicas e políticas, as opções e escolhas que se insinuam no enfoque assumido pelas matérias jornalísticas e que interagem com a campanha política, influenciando de alguma maneira os seus rumos.

20. Diário de Natal e a Cobertura das Eleições Presidenciais de 2002

Ádrina Mendes Cavalcante (Bolsista de Iniciação Científica e Graduanda do Curso de Ciências Sociais)

Carlos Augusto Queiroz Filho (Bolsista de Iniciação Científica e Graduando do Curso de Ciências Sociais)

Os estudos relacionados a Mídia e Política mostram-se cada vez mais freqüentes. Desenvolveu-se, por esse motivo, um projeto intitulado “Mídia Impressa e as Eleições Presidenciais em 2002”. Essa é parte de uma pesquisa maior que está sendo realizada nacionalmente, tendo como objetivo analisar a cobertura da mídia impressa local na campanha para presidente da República em 2002. A proposta faz-se a partir da análise das matérias veiculadas pelo jornal Diário de Natal, partindo do referencial teórico-metodológico que é relativamente novo no Brasil. O conceito de enquadramento (framing) está presente em diversas discussões sobre problemas sociais e políticos, sendo estes importantes por ter efeitos no modo como a audiência interpreta estes problemas. Por esse motivo a pretensão é uma análise descritiva do material coletado, verificando os enquadramentos, a valência e a visibilidade (dos candidatos à presidência) utilizados pelos jornalistas locais e não-locais (agências nacionais).

5A SESSÃO – ELEIÇÕES E COMPORTAMENTO ELEITORAL

21. Política, Democracia e o Voto Nulo: O Protesto dos Anarco-Punks Natalenses

Tiago Cruz Spinelli (Graduando do curso de Ciências Sociais – UFRN)

tcspinelli@bol.com.br

Propomos aqui refletir sobre o voto nulo, uma das manifestações do fenômeno da alienação eleitoral, a partir do campo de possibilidades entrevisto no discurso dos anarco-punks, centralizando a nossa atenção na análise das representações do universo da política elaboradas por esses atores sociais. Por se tratar de indivíduos com estilo de vida (atitudes, expressões e idéias) bastante homogêneo, utilizamos o método de grupo focal, isto é, uma entrevista em grupo, na qual o papel do mediador consiste em lançar questões concernentes ao campo da pesquisa. Ao percebemos as representações sociais e políticas dos anarco-punks, notamos uma percepção muito peculiar acerca da política e uma postura bastante crítica da democracia, tendo em vista a questão ideológica libertária. A política ocupa um espaço constante e se baseia na busca da descentralização e da autonomia; segundo depoimentos, prevê-se a necessidade da "criação de organizações populares autogeridas, que não se subordinem nem ao Estado, nem à burguesia, que não se organizem de forma hierarquizada, centralizada... que tentem, através da prática da relação horizontal, mudar essa cultura da dominação do homem sobre o homem". O universo da política é norteado pelo ideal de liberdade individual e regido pela atitude de protesto contra as formas de poder político e econômico. O estilo e as idéias anarco-punks simbolizam a negação e a ruptura com o sistema capitalista e o voto nulo representa um protesto contra a "política burguesa", segundo eles, um espaço de opressão revestido pela ilusão do princípio da maioria.

22. Políticas Clientelistas na Comunidade de Felipe Camarão

Augusto César Francisco (Bacharel em Ciências Sociais – UFRN)

guto_chico@yahoo.com.br

Este estudo observa as características da comunidade de Felipe Camarão para saber se a partir delas se pode explicar a influência que o clientelismo tem no comportamento eleitoral. As características dessa comunidade sendo não-cívicas, de acordo com Putnam, fazem com que ela tenha sistemas verticais de resolução de alguns dos seus problemas. O clientelismo é um sistema vertical de superação dos dilemas coletivos e assume, particularmente, uma conotação de retribuição da comunidade, pelo atendimento, através de serviços públicos, que políticos venham a oferecer. O atendimento, contudo, é um paliativo que reforça a dependência nesse sistema vertical. A retribuição é expressa pelo comportamento eleitoral (voto) para esses políticos. É observado, então, o círculo vicioso da comunidade, incapaz de agir coletivamente, expressando o seu comportamento eleitoral nos mesmos políticos que oferecem esse atendimento. O círculo pode se repetir se a comunidade não amadurecer coletivamente.

 


GT-24: SEMÂNTICA LINGÜÍSTICA: DESCRIÇÕES E APLICAÇÕES

Coordenador:

Prof. Dr. Luis Álvaro Sgadari Passeggi (Departamento de Letras)

E-mail: passeggi@uol.com.br

Local/horário: Salão Vermelho, 1º andar do CCHLA, 12 lugares; terça 20 de maio, 14:00-18:00h.

O GT objetiva reunir trabalhos que tratem de aspectos teóricos e aplicados relacionados ao estudo do significado lingüístico, numa perspectiva discursiva. Será dada prioridade às exposições que apresentem resultados de pesquisas, ou propostas de pesquisa suficientemente detalhadas, com análise de dados, assim como a trabalhos teóricos que sugiram noções e categorias de análise utilizáveis no âmbito da lingüística aplicada. Entre os principais tópicos a serem abordados estão:

1. o significado lexical;

2. o significado gramatical;

3. o significado discursivo/textual

4. o significado metafórico/figurado;

5. outras dimensões do significado lingüístico: significado e gêneros textuais; estruturas semânticas e estruturas gramaticais; significado e ensino/aprendizado, etc.

RESUMOS

1. Semântica e gramática cognitivas: aspecto teóricos e aplicados

Prof. Dr. Luis Passeggi (Departamento de Letras)

O trabalho apresenta uma caracterização da semântica e da gramática cognitivas a partir de sua concepção do significado e da estrutura semântica. Diversas noções são analisadas: domínios cognitivos; perfil; base; redes, categorias complexas e construções. Num segundo momento, serão sugeridas aplicações a questões de uso da linguagem de interesse da lingüística aplicada: estruturas semânticas do discurso expositivo escrito; construções gramaticais do texto didático de ciências; uso das metáforas nos textos didáticos; compreensão/produção de textos expositivos de diferentes áreas do conhecimento (Língua estrangeira, História, Geografia).

2. Construções comparativas e exemplificativas no texto expositivo de ciências no ensino fundamental. Aspectos gramaticais e semânticos.

Karliane Fernandes Nóbrega.

(Mestranda da Pós-Graduação em Estudos da Linguagem – UFRN).

karlyane@bol.com.br (fone: 88034020)

Este trabalho apresenta uma análise semântica do texto expositivo de ciências, no ensino fundamental, com foco na relação construções gramaticais / estruturas semânticas, numa perspectiva de lingüística aplicada. São descritas as construções gramaticais comparativas e exemplificativas a partir de um corpus de textos de um livro de Ciências da 4º série, com base em noções da gramática cognitiva, tal como apresentada por Passeggi (2001a; 2001b; 2002), e na classificação das construções proposta por Moura Neves (2002). Identificamos 68 ocorrências de construções comparativas e 98 de construções exemplificativas e analisamos sua distribuição nos diferentes temas propostos pelo livro. Distinguimos os conectivos gramaticais dos conectivos discursivos, evidenciando suas distribuições específicas e caracterizando alguns aspectos formais das construções. Finalmente, sugerimos uma análise do funcionamento discursivo dessas estruturas com relação aos processos de compreensão do texto didático expositivo de ciências.

3. O uso da metáfora no texto do jornalismo econômico

Ayres Charles de Oliveira Nogueira

(Mestrando da Pós-Graduação em Estudos da Linguagem – UFRN).

O trabalho analisa textos do jornalismo econômico, mostrando a relevância do uso da metáfora como recurso lingüístico e cognitivo com base em Lakoff, Johnson “Metáforas da vida cotidiana” (1980/2002). As metáforas estruturais do nosso sistema conceptual criam similaridades. Quando selecionamos a metáfora INFLAÇÃO É UMA DOENÇA, por exemplo, observamos o estabelecimento de similaridades entre inflação e doença. Doença diagnosticada, que pode ser grave, endêmica, contagiosa; estes também são os efeitos da inflação. Há doença que não pode ser tratada apenas com um medicamento. Algumas, inclusive, resistem a diversos medicamentos. Da mesma maneira acontece com a inflação. Nem todo procedimento é pertinente, exeqüível, eficaz. E, alguns esforços são necessários a fim de conter seus estragos. A metáfora INFLAÇÃO É UMA DOENÇA é apropriada à nossa experiência por causa dessa similaridade que é metaforicamente induzida.

4. A organização da informação nos textos de vestibulandos da UFRN:

Estruturas temáticas das provas de Geografia.

Karliane Fernandes Nóbrega.

(Mestranda da Pós-Graduação em Estudos da Linguagem – UFRN).

karlyane@bol.com.br

O texto não corresponde a uma estrutura “semântica acabada”, mas a um esboço que ajudará o ouvinte a construir sua própria “representação mental” das intenções do falante (Tomlin, 2000). Tencionamos descrever a organização da informação dos textos das provas de Geografia do vestibular da UFRN, focalizando as estruturas temáticas (Tema/Rema) desses textos. Entendemos o Tema de um texto como sendo um ponto de partida interacional e o Rema como um conjunto de sentenças tematicamente centradas (Castilho, 1998). Estamos utilizando aproximadamente 60 textos que têm características expositivas-descritivas. Estes textos foram produzidos como respostas da questão número dois da prova discursiva de Geografia do vestibular 2002, que pedia aos candidatos para descrever o assalariamento temporário no campo citando três características. Elaboramos um formulário que permite visualizar o enunciado da questão da prova de vestibular, a expectativa de resposta da COMPERVE e a resposta do candidato. Nossa análise esta sendo feita de forma qualitativa, sobre a “caminhada interpretativa” realizada pelos candidatos do momento em que lêem, ou seja, interpretam a questão até a produção de seus textos. Estamos inferindo os procedimentos de leitura, ou seja de compreensão dos candidatos a partir de “pistas” (ou indícios) deixados por eles nos textos. O principal ganho do desenvolvimento deste trabalho será entender melhor aspectos semânticos da compreensão e da produção textual dos vestibulandos, que são competências lingüísticas de fundamental importância no processo ensino-aprendizagem. Assim como deve contribuir para uma reflexão sobre o funcionamento da organização do texto de vestibulandos dentro de uma perspectiva da Semântica do Discurso.

 


GT-25: O FAZER TEATRAL: PEDAGOGIAS E PRÁTICAS

Coordenadores:

Profª. Drª. Vera Pestana da Rocha (Departamento de Artes)

Prof. Ms. José Sávio Oliveira de Araújo (Departamento de Artes)

E-mail: gtteatro@digizap.com.br

Local/horário: Sala 19, Departamento de Artes, 50 lugares, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

O GT visa discutir o fazer teatral enquanto prática educativa. É também um espaço de divulgação e discussão de experiências em teatro, realizadas por alunos do curso de licenciatura em Educação Artística do DEART/UFRN, trabalhos de pesquisa em curso na Especialização em Ensino de Teatro DEART/UFRN, bem como de outros trabalhos e experiências fora do nosso âmbito acadêmico, mas que compõem um panorama de nossa produção na área. Serão considerados propostas de trabalhos que discutam:

1. Sistematizações de práticas teatrais e suas referências teóricos metodológicas

2. Pedagogias do fazer teatral

3. Aspectos históricos do fazer teatral no RN

4. Experiências de ensino de teatro na educação formal (na escola em geral e em espaços alternativos para formação teatral)

5. Outros temas correlatos.

RESUMOS

Bloco I: Pedagogias do fazer teatral

01. O Brinquedo do Mamulengo Enquanto Prática Educativa

Autor:

Ricardo Elias Ieker Canella (Mestrando do Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais-UFRN)

Orientador:

Luís Carvalho Assunção (Prof. Dr. do Departamento de Antropologia-UFRN)

A presente comunicação tem por objetivo relatar sobre o andamento da pesquisa realizada pelo mestrando junto ao PPGCS: Representação Social na cultura popular: os mamulengos de Chico Daniel [A pretensa dissertação tem por objetivo verificar como se dá a construção das personagens no teatro de mamulengos de Chico Daniel. A investigação acerca dos bonecos procurará, ainda, observar outras dimensões desse brinquedo, seja ela a performance: o jogo produzido pelo mamulengueiro/mamulengo, narrativa e recepção; cultura/tradição/culturas populares observando o espaço em que o mesmo é produzido e constituído como uma realidade e, também, as representações sociais inerentes ao processe de criação dessas personas.] e, ainda, especular e apontar propostas sobre possíveis desdobramento da mesma, ou seja, de sua aplicação num ambiente escolar. Baseado nos estudos de Bertold Brechet (1974); Peter Slade (1978); Viola Spolin (1999) e; Ingrid Dormien Koudela (2001) vê-se que o teatro de bonecos e o brinquedo do mamulengo especificamente, podem viabilizar estudos que levem ao entendimento das especificidades inerentes ao jogo teatral. O que se busca mostrar com esse trabalho não é o teatro de bonecos/mamulengos como um fim em si, mas sim, como um processo de aprendizagem para o estudante de teatro. Os mesmos são, ainda, um meio para se discutir o fazer teatral enquanto prática educativa.

2. O Ensino Informal: Grupo Alegria, Alegria e Cia Escarcéu enquanto grupos de teatro produtores de um ensino teatral

Viviana Bezerra de Mesquita (Aluna do curso de Especialização em Ensino de Teatro do Depto. de artes da UFRN)

vivi.bezerra@globo.com

O ensino de teatro seja ele formal, entendido aqui como aquele que se dá nas instituições educacionais e legitimadas e que tem a frente professores com formação teórica responsáveis pelo ensino da arte cênica, ou informal chamado assim por se dá dentro dos grupos de teatro, é imprescindível como produtor da arte e da cultura de um povo e/ou segmento. Os grupos de teatro existente em todos os municípios cada vez mais vem de constituindo enquanto centro ( núcleos) formadores de um ensino de teatro, muito embora nem sempre sejam legitimados como espaço onde esse ensino acontece. Nossa proposta de estudo se da na investigação da constituição de um ensino de teatro (um ensino informal) da forma e sustentação deste ensino, especialmente nos grupos de teatro Alegria, Alegria com sede na cidade do Natal e a cia. Escarcéu de teatro amador com sede na cidade de Mossoró, já que existe entre ambos ( um ensino informal) uma suposta ausência de legitimação institucional/educacional para a prática do ensino de teatro. Para tanto será utilizada uma pesquisa teórica na busca da definição de categorias do ensino de teatro, bem como uma pesquisa de campo e documental a respeito dos grupos de teatro propostos aqui como objeto de estudo.

3. A Linguagem Teatral e os Temas Transversais: Analisando sua Aplicabilidade junto a Grupos de Teatro de Agentes Comunitários de Saúde

Letícia Ferreira de Oliveira (Aluna do curso de Especialização em Ensino de Teatro/UFRN)

O presente trabalho se propõem a desenvolver atividades de ensino e pesquisa junto a grupos de teatro de agentes comunitários de saúde, pertencentes ao quadro funcional da Secretaria Municipal de Saúde. O alcance social das apresentações teatrais realizadas por estes grupos é de reconhecida funcionalidade e tem se constituído num excelente canal de acesso, tanto da população em geral quanto da população de baixo poder aquisitivo às informações em saúde. Considerando que o indivíduo saudável é um ser bio-psico-social em equilíbrio, reconhecemos na atividade teatral, uma possibilidade de contribuir para a construção desse homem. Através da capacitação sistematizada dos atores/agentes e da utilização dos conteúdos dos temas transversais propostos pelos PCN´s, visamos atingir a população nas formas preventivas e educativas em saúde, oportunizando por fim, o conhecimento acerca da cidadania deste ser integral buscado pela sociedade.

4. Uma Experiência de Construção de um Conceito de Espaço Cênico, a Partir da Observação de Espaços Urbanos e suas Organizações

José Sávio Oliveira de Araújo (Prof. Ms. do Departamento de Artes e Coordenador do Laboratório de Encenação Teatral-UFRN)

savarau@digizap.com.br

O Teatro se articula a partir de elementos chave como: o ator, o espaço cênico, o texto e o espectador. Sendo assim, os processos de ensino de teatro devem abordar a construção destes conceitos, como fundamentação e parâmetro de reflexão acerca do fazer teatral em seus diferentes aspectos. Nas aulas de Cenografia do curso de Licenciatura em Educação Artística – Artes Cênicas, 2003.2, estamos desenvolvendo uma experiência de construção do conceito de “espaço cênico” a partir de atividades de observação, análise e discussão de espaços urbanos como o Shopping Center, o Camelódromo e o Lixão. Cada um destes espaços possui uma articulação própria e que obedece a parâmetros diferenciados, onde a categoria “organização” pode ser observada em diferentes situações sócio-culturais. Desta forma os alunos vêm percebendo como o conceito de Espaço não é um dado absoluto e sim o resultado de um conjunto de fatores que incidem sobre cada situação a ser analisada. Este trabalho consiste numa primeira sistematização de um conceito de cenografia, construído a partir de experiências como esta, possibilitando uma compreensão do espaço cênico, não somente como um espaço material, mas principalmente como o dado da relação entre a ação do ator e a presença do espectador, cuja textualidade é mediada tanto pela palavra quanto pela organização do espaço cênico.

Bloco II: Experiências de ensino de teatro na educação formal (na escola em geral e em espaços alternativos para formação teatral)

5. Prática de Ensino de Artes: Relato de uma experiência holística na Escola Pública

Nisia Brasileira Augusta de Paula e Sousa (Profa. Dra. do Departamento de Pedagogia-UFRN)

A prática do teatro na escola pública proporciona aos educandos contato com essa importante manifestação da arte, possibilitando a não-atores a experiência viva do teatro, na trilha iniciada por Stanislavski e desenvolvida por Viola Spolin. Os Parâmetros Curriculares Nacionais(PCN’S) consideram o ensino e a prática do teatro dentro da disciplina Artes, como um “jogo de construção”(Piaget) que favorece a relação do indivíduo com o coletivo, desenvolve a socialização e possibilita a aquisição de uma linguagem artística. Sentir, perceber, fantasiar, imaginar, representar, fazer parte do universo infantil que acompanha o ser humano por toda a vida. Consequentemente ao compreender e encaminhar o ensino de Arte para o desenvolvimento dos processos de percepção e imaginação da criança estaremos ajudando na melhoria de sua expressão e participação na ambiência cultural em que vive. Como produto de uma parceria entre um projeto de extensão universitária e a disciplina Encenação (Deart) foi desenvolvida uma oficina de artes cênicas na Escola Municipal Josefa Botelho (Vila de Ponta Negra) que culminou na produção do experimento teatral “A Vila Canta Zumbi”, integrando os alunos do ensino fundamental e supletivo, com resultados de grande significado para o seu desenvolvimento pessoal e cultural, com base nas contribuições de Brecht, Boal e da abordagem holística em Arte-Educação.

6. Novas Diretrizes Curriculares - Novas Práticas? Ensino de Teatro

Vera Lourdes Pestana da Rocha (Vera Rocha)(Profa. Dra. do Departamento de Artes)

vera@natal.digi.com.br

Este trabalho diz respeito a questão do Ensino de Teatro no 3º e 4º Ciclos do Ensino Fundamental, situando aspectos conflitantes com os quais os professores têm se defrontado, no cotidiano escolar. Aspectos estes a saber : O Ensino de Teatro implantado nas escolas a partir da Lei 5692/71, via disciplina de Educação Artística e a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional- Lei nº 9.394/96, que se aplica diretamente ao encaminhamento da reformulação das práticas educativas através dos PCNs (Parâmetros Curriculares) e que reflete diretamente no encaminhamento da reformulação das Licenciaturas em Educação Artística. No que se refere as diretrizes propostas que inserem novas concepções de ensino de teatro, novas práticas; estas estão postas desde a Educação Infantil até ao âmbito da pós-graduação. As reflexões acerca da formação do professor de teatro vêm se consolidando, desde os anos 70, tornando-se necessário que nos reportemos às diversas modificações que esse ensino vem sofrendo em consonância com as contraditórias e equivocadas propostas que lhe vêm sendo determinadas – ao longo dessas três décadas - pelos órgãos oficiais que gerenciam o Ensino Público. Repensar e discutir a prática do ensino de Teatro no que diz respeito às ações pedagógicas do professor acreditamos ser de fundamental importância e demanda uma atitude auto avaliativa constante, uma vez que o preparo do professor, para o ensino de teatro, vem sofrendo ao longo deste período uma série de equívocos e preconceitos.

7. Projeto Político-Pedagógico para o Teatro na UFRN: A criação de um curso de graduação em teatro na UFRN

Makarios Maia (Prof. do Departamento de Artes-UFRN)

Trata-se do resultado de trabalhos de elaboração da proposta de reformulação do Curso de Licenciatura Plena em Educação Artística – Habilitação em Artes Cênicas, em vigor na UFRN. Sua principal determinação é efetivar uma atualização das atividades educacionais e de conhecimento científico-cultural desenvolvidas no atual curso, aprofundando e especificando sua atuação para o Ensino de Teatro como área de conhecimento humano, com referencial epistemológico reconhecido na contemporaneidade. Este Projeto do Curso de Teatro – Licenciatura e Bacharelado, da UFRN, está sendo elaborado com bases nas recomendações e sugestões das novas Diretrizes Curriculares Nacionais, especificamente seguindo o que determina o PARECER CNE/CES 146/2002 – de 09 de maio de 2002, nos PCNs, na Nova LDB e obedece ainda a discussão nacional em torno do Ensino de Artes, promovida, há anos, por artistas, professores de artes e teóricos da área. A estrutura deste projeto consubstancia-se em duas linhas de raciocínio metodológico: 1) reconhecer os processos metodológicos e as pedagogias inerentes à formação em teatro para artistas e para professores; 2) referendar o Teatro como área do conhecimento, através de um trabalho envolvendo o ensino (graduação e pós-graduação), a pesquisa (consolidação de duas linhas: 1- Processos de Encenação e Pedagogias do Teatro; 2- Teatro e Espetacularidade no Contemporâneo) e a extensão (projetos, cursos e experimentos teatrais; e curso permanente de formação inicial em teatro), ampliando os mecanismos de investigação do Teatro na nossa região.

8. Os Elementos Cênicos no Maracatu

Autor:

Jonas de Lima Sales (Mestrando do Programa de Pós Graduação em Educação-UFRN)

jn_sales@ig.com.br

Orientadora:

Vera Lourdes P. Rocha (Profa. Dra. do Departamento de Artes-UFRN)

A compreensão dos elementos estéticos e artísticos de uma obra-de-arte, exige caminhos que proporcionem leituras que possam contribuir com o processo de aprendizagem de um indivíduo. Neste sentido, nas nossas instituições formais de ensino encontramos fragilidades no que diz respeito aos procedimentos que orientem o educando nesta área de conhecimento. Esta compreensão se dá de maneira mais qualificada se podermos compreender os diversos códigos que a diversidade de nossa cultura oferece. Nesta perspectiva, escolhemos o maracatu como o espetáculo a ser estudado do ponto de vista dos seus elementos estéticos e artísticos, considerando que esta é uma das principais manifestações da cultura afro-brasileira. Neste estudo estaremos acentuando os elementos cênicos contidos em seu ato espetacular. Este trabalho vem sendo realizado com uma turma de ensino médio regular da rede pública de ensino, no qual objetivamos proporcionar a compreensão dos elementos estéticos que caracterizam a linguagem cênica no maracatu. Este trabalho está fundamentado na visão da etnocenologia que estuda as manifestações espetaculares do homem, na perspectiva de enriquecer o entendimento dos elementos que norteiam a prática cênica em uma instituição de ensino.

9. O Ensino de Teatro nas Propostas Pedagógicas das Escolas de Níveis Fundamental e Médio de Parnamirim

Telmah Rodrigues (Aluna de Especialização em Ensino de Teatro da UFRN)

telmarodrigues@natal.digi.com.br

A Nova Lei de Diretrizes e Bases nos deixa claro em seu artigo 26, § 2º: “O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos.” Com isso, a nova lei tornou obrigatório o Ensino de Arte nas Escolas de Níveis Fundamental e Médio e o professor ganhou força tendo agora uma disciplina e não um espaço na escola para desenvolver artesanato ou reproduzir a arte já importada. Será na Proposta Pedagógica que a Escola deverá mostrar à sua comunidade (pais e alunos) o quão importante são cada uma das disciplinas, e cabe ao professor de Arte, especificamente, ter claro seus objetivos e propor metas adequadas e coerentes que atendam aos Parâmetros Curriculares Nacionais e ao seu foco principal: o aluno. Assim, neste estudo, pretendo verificar de que maneira as Escolas de Parnamirim têm abordado o Ensino de Arte, e mais especificamente o de Teatro, nas suas Propostas Pedagógicas. O objetivo maior deste projeto é compreender como as escolas pretendem desenvolver nos alunos a sua cultura, suas habilidades, o fazer e saber artístico.

10. Que Projetos Constroem o Ensino de Arte na Escola

Autora:

Maria Margareth de Lima (Mestranda do Programa de Pós Graduação em Educação-UFRN)

m.marlima@bol.com.br

Orientadora:

Vera L. P. Rocha (Profa. Dra. do Departamento de Artes-UFRN)

Neste trabalho buscamos reunir contribuições de alguns estudos dos seguintes autores: Freire (1982), Fusari (1993), Barbosa (1998), Parsons (1998), Efland (1998), entre outros que julgamos importante para pensarmos a realidade do ensino de arte na escola e apontar novas perspectivas para a sua construção nos diversos níveis da educação básica. Estaremos discutindo pontos que norteiam as perspectivas contemporâneas para o ensino de arte, focalizando a Arte como cognição e ressaltando que o seu papel no processo ensino aprendizagem é possibilitar o indivíduo a ser conhecedor, fruidor e decodificador de arte. Nesse sentido, ressaltamos que mesmo o ensino de arte fazendo parte da grade curricular das instituições de ensino, regulamentada como obrigatória pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB / Lei nº 9304/96 – e os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN’s, isto não garante um currículo organizado e uma prática educacional significativa na área artística e suas diversas manifestações na sociedade. Nesta perspectiva, realizamos nossa pesquisa com três projetos relativos ao ensino de teatro na Escola Municipal Djalma Maranhão tomando como referência de análise os Conteúdos Gerais dos PCN’s-arte e a Proposta Triangular objetivando colaborar com a organização do ensino de arte enquanto disciplina nas séries iniciais do Ensino Fundamental possibilitando contribuir com o processo de ensino e aprendizagem em arte, isto é a alfabetização artística e estética dos educandos nesta instituição de ensino.

 

Bloco III: Sistematizações de práticas teatrais e suas referências teóricos metodológicas

11. Godot e fundamentalismo religioso: um experimento de dramaturgia através do jogo com fragmentos de texto dramático, literário e oral

Autor:

Renata Caroça (Aluna do curso de Educação Artística/ Artes Cênicas – UFRN)

Orientador:

Marcos Aurélio Bulhões Martins (Prof. Ms. do Departamento de Artes-UFRN)

O objetivo desta investigação foi planejar, realizar e analisar um experimento teatral, tendo como eixo metodológico da encenação a abordagem de jogo teatral com fragmento de texto, fundamentado no desenvolvimento da abordagem metodológica de Viola Spolin realizado por Maria Lucia Pupo, na interpretação a partir do principio das ações físicas proposta por Stanislavski e na pesquisa dramaturgica através de observação do cotidiano pelo ator. O trabalho teve com o ponto de partida as situações dadas no texto dramático "Esperando Godot" de Samuel Beckett e o tema "fundamentalismo religioso em Natal, hoje". Participaram do experimento alunos do curso de licenciatura em Educação Artística da UFRN e dos cursos de extensão "A Construção do personagem" e "O ator como dramaturgo" (c.h. de 80h), ministrados pelo Prof. Ms. Marcos Bulhões. Estudamos a abordagem metodológica do jogo teatral como eixo articulador da dramaturgia, tecendo fragmentos do autor literário com textos colhidos pelos atores, ao longo de dois meses. O texto cênico proveniente deste processo foi apresentado como uma das cenas do espetáculo “Esperando Godot”, em agosto de 2002, em Natal. Concluímos que este trabalho apontou caminhos para o aprofundamento das questões metodológicas relativa a criação de abordagens colaborativas de construção do texto cênico que permitam ao ator/aluno participar da analise dramaturgica. O resultado estético alcançado, apesar de não se configurar "ideal" enquanto um produto acabado, já nos permite afirmar que esta abordagem teve êxito na busca de articular o confronto com material literário de qualidade e a seleção de textos resultantes da pesquisa de campo.

12. Projeto de Extensão - A preparação do ator – da pré-expressividade à construção cênica

Frank Rodrix Gomes do Nascimento (Bolsista de Apoio Técnico – CCHLA/UFRN)

Trata-se de um Projeto de Extensão do Prof. Makarios Maia, que desenvolve estudos com foco na formação do ator, tomando como referências experimentos prático-teóricos realizados por estudantes do Curso de Educação Artística da UFRN, participantes do Grupo de Estudos Theatron, que desenvolveu um trabalho intensivo durante as férias, com os registros individuais de práticas diárias fundamentadas na Antropologia Teatral, em seus princípios das Ações Físicas, também na conceituação de Stanislavski, Grotovski, Burnier, Ferracine e outros. Sua metodologia basea-se na prática de exercícios pré-expressivos realizados com o máximo de esforço para um mínimo de resultados cênicos, trabalho este que busca a qualidade absoluta do controle do ator sobre a ação. Os procedimentos de estudo foram: 1) Exercícios práticos; 2) Registro diário individual; 3) relatórios semanais individuais produzidos em comparação com os textos teóricos; 4) estudo discursivo através de debates e questionamentos. A partir da pré-expressividade trabalhar elementos técnicos, vitais à construção das ações físicas e vocais na formação do ator. A pré-expressão é o alicerce do trabalho não-interpretativo, pois é nesse nível que o ator busca aprender e treinar uma maneira operativa, técnica e orgânica, de articular sua dilatação corpórea, sua presença cênica e a manipulação de suas energias. Para adiante, o Grupo de Estudos Theatron desenvolve continuidade dos estudos e prepara a construção de uma narativa cênica, inspirada nos experimentos que vem realizando.

13. Circo –Teatro: o melodrama e a caracterização do ator por tradição

Autor:

Weid de Sousa da Silva (Bolsista CNPq-PIBIC; Aluno do curso de Educação Artística- Artes Cênicas-UFRN)

Orientadora :

Vera Rocha (Prof.Dra. do Departamento de Artes-UFRN)

vera@natal.digi.com.br

Esse trabalho aborda a pesquisa sobre a construção do ator, no contexto do circo-teatro, tomando como referência os estudos e pesquisas feitos por estudiosos desta temática e experimentos. Na primeira etapa desta pesquisa, deu-se a montagem do melodrama circense “Coração Materno”, tendo como unidade de referência o Circo -Teatro Trampolim e seu diretor, também diretor do melodrama, cinco atores do Grupo Estandarte de Teatro, quatro alunos do Curso de Educação Artística da UFRN e dois atores independentes. Os procedimentos da pesquisa, constaram das seguintes etapas: 1 – entrevista com o diretor e com os atroes participantes; 2 – ensaio, montagem e apresentação do melodrama em maio de 2001; 3 – registros visuais; 4 – estudos sobre o circo-teatro e melodrama. Dando continuidade a esta pesquisa, estão os estudos sobre o melodrama no circo-teatro , bem como o processo de formação/construção do ator, análise e registro de acervos de peças melodramáticas pertencentes ao Circo-Teatro Trampolim e estruturação, montagem de uma nova encenação (releitura melodramática) e realização do seminário nacional com o tema “O Melodrama no Circo-Teatro: estudos e processos”. O recorte deste trabalho, ainda que inicial, aborda nosso estudo sobre o tipo de caracterização de personagem usual no melodrama circense, que é a caracterização por tradição.

14. A Dramaturgia de Duas Visões: Cena e Texto

Ednara Ferreira de Souza (Aluna do Curso de Educação Artística/ Artes Cênicas – UFRN)

nharadesouza@bol.com.br

O objetivo desse trabalho é divulgar as estratégias desenvolvidas no processo de criação da encenação Duas Visões. Os principais pontos abordados serão: a construção das cenas utilizando jogos teatrais dos autores: Augusto Boal, Viola Spolin e Maria Lucia Pupo; o processo como uma produção coletiva; e a produção do texto dramático (tendo como ponto de partida obras literárias).As obras selecionadas para a produção do texto, foram contos da autora Clarice Lispector: A Imitação da Rosa; Cem Anos de Perdão e Uma Amizade Sincera. Em paralelo com os contos, uma leitura de imagens poéticas, tendo como referencial o pensador Gaston Bachelard foi desenvolvida, afim de auxiliar os atores na construção de seus personagens e contribuir para a produção do texto.

Bloco IV: Aspectos históricos do fazer teatral no RN

15. Novas tendências do teatro em Natal: as influências do teatro nas escolas para a formação de novos grupos.

José Antônio B. da Silva

Keila Fonseca e Silva

Leonardo Cezìno (alunos do Curso de Educação Artística/Artes Cênicas-UFRN)

eusoumormon@hotmail.com

tony_artes@ufrnet.br

Durante a disciplina de Encenação I, (semestre 2002.2), iniciamos um projeto de pesquisa visando o resgate histórico dos movimentos teatrais que influenciaram o Teatro Natalense no decorrer de 60 anos de história. Compreendendo a importância de registrar também a história do tempo presente, iniciamos uma pesquisa pautada no Teatro feito em Natal, da década de 90 aos dias atuais. Ao longo deste período, a educação teatral nas escolas foi uma importante motivação para a formação de novos grupos e para a construção de uma prática teatral que se estendeu para além do espaço escolar . É o caso do Grupo de Teatro Clowns de Shakespeare, (originário do Colégio Objetivo), dos grupos; Terra Natal e Utopia – hoje Cena Aberta (provenientes da Cia Teatral FLOCA na Escola Estadual Floriano Cavalcante), do Ditirambo (Colégio Marista), entre outros. Assim, o trabalho visa registrar, através de depoimentos de componentes dos grupos e seus fundadores, pesquisas em jornais, livros, revistas, pautas de teatro, além de consultas em outros documentos, as origens destas experiências e sua importância para uma prática pedagógica em teatro. As escolas, neste caso, não apenas introduziram os princípios da Arte Teatral, mas também motivaram os alunos a buscarem novos horizontes na prática teatral. Este fenômeno aponta para a investigação dos processos de profissionalização que estes alunos “atuantes” buscam fora da escola, e que a mesma já não pode lhes proporcionar, ou seja, a sua qualificação profissional.

16. História do Teatro no Rio Grande do Norte: Grupos Estabanada e Esquina Colorida.

Aélcio Viana da Silva,

Cândida Ferreira Andrade,

Luíz Fernando Menacho da Silva,

Rebeca Caroça Seixas (Alunos do Curso de Educação Artística/Artes Cênicas – UFRN)

Este trabalho tem como objetivo apresentar uma pesquisa que vem sendo realizada acerca da história do teatro no Rio Grande do Norte na década de 80. Pretendemos proceder a uma análise da produção teatral em nosso estado, neste período, resgatando alguns elementos estéticos teatrais da época, bem como, contextualizando esta produção em relação aos movimentos artísticos, principais grupos e organizações teatrais, além de outros elementos históricos que permitam traçar um panorama da época. Este trabalho originou-se na disciplina Encenação I, ministrada pelo professor Ms. Sávio Araújo, em 2002.2, como parte de um estudo da produção teatral no RN da década de 40 aos dias atuais. Nosso estudo, vem se concentrando, neste momento, nos grupos Esquina Colorida e Estabanada, dois significativos representantes da produção teatral em questão. A coleta de dados vem sendo realizada através de entrevistas e materiais do tipo: folders, cartazes, fitas de vídeo e fotos. O estudo das formas teatrais em nosso estado, especificamente as que eram produzidas pelo Esquina Colorida e o Estabanada, permitem identificar alguns aspectos do crescimento da atividade teatral no Rio Grande do Norte e as origens e influências que marcaram suas formas de atuação e construções cênicas.

17. História do Teatro da Cidade do Natal nos Anos 80: A Cia. Teatral Alegria, Alegria.

Danniella Crysthina Ferreira Lopes

danniellal@bol.com.br

Josanete Faustino Ferreira

jf.arte@ig.com.br

Kátia Priscilla Gomes da Silva

priscilladijesus@bol.com.br

Manoel de Vasconcelos Costa Neto (Alunos do Curso de Educação Artística - Habilitação em Artes Cênicas-UFRN)

mvcneto@bol.com.br

Este trabalho é o resultado de uma pesquisa em grupo sobre as manifestações cênicas ocorridas no Estado do Rio Grande do Norte, especificamente em Natal, na década de 80 proposto pela disciplina Encenação I, ministrada pelo professor Sávio Araújo, no período 2002.2. Tomamos como núcleo de nossa pesquisa a Cia Teatral Alegria, Alegria, que na década em questão, desenvolveu um trabalho promissor de Teatro de Rua, deixando marcas na História Teatral de nosso Estado. Para tal, utilizamos como coleta de dados o livro Dramaturgia da cidade dos Reis Magos, de Sônia Othon, juntamente com outros materiais (VHS, fotos, reportagens de jornais e entrevistas) cedidos pelo ator da Cia, Grimário Farias. A pesquisa ainda se encontra em fase de desenvolvimento, no entanto reconhecemos a importância do grupo e destacado sua influência na formação de diversos grupos de teatro de rua no estado, bem como as intervenções no lugar cênico da rua, propostos pelos espetáculos que o grupo produziu.

18. O Teatro na cidade do Natal nas décadas de 40, 50 e 60.

Asclepíades Fernandes Sousa Campos

asclecampos@yahoo.com.br

Marinalva Nicácio de Moura

marinalvanm@bol.com.br

Thatiana Christina Gomes

thatianachristina@yahoo.com.br

Wanie Rose de Medeiros Souza (Alunos do Curso de Educação Artística - Artes Cênicas / DEART – UFRN)

wanierose@bol.com.br

O estudo intitulado “O teatro na cidade do Natal nas décadas de 40, 50 e 60” está sendo realizado na disciplina de encenação II, ministrado pelo prof. Ms. Sávio Araújo no curso de Educação Artística, habilitação em Artes Cênicas da UFRN. Tem como principal objetivo incentivar os participantes a reconhecer a importância do movimento teatral nesta época, enfocando o contexto histórico em que se insere, as principais organizações e instituições teatrais, os grupos que se destacavam, as técnicas do ator, de encenação, bem como a concepção estética dos espetáculos. Segundo Othon (1998) e Santos (1996), as décadas de 40, 50 e 60 foram marcadas por uma intensa atividade teatral na cidade do Natal, pois vários fatores históricos, políticos e econômicos marcavam o panorama do Teatro Brasileiro. Muitos grupos formaram-se neste período que de certa forma influenciaram de maneira direta e indireta no fazer teatral desta cidade. Destacamos também determinadas personalidades que se preocupavam em desenvolver atividades teatrais contínuas, como: Meira Pires e Sandoval Wanderley. A metodologia utilizada para realização do trabalho encontra-se numa perspectiva qualitativa, na qual utilizamos como fontes para coleta de dados: entrevistas, leituras de fundamentação teórica, material fotográfico e vídeo. O trabalho será apresentado de forma oral, utilizando-se de material visual, como, retroprojetor ou data-show e vídeo. Acreditamos que este estudo vem sendo de fundamental importância nas áreas de estudo, pesquisa e história teatral, fornecendo subsídios a estudantes que se interessarem por esta área e a comunidade em geral.

19. Grupo Estandarte de Teatro: Um Estudo do Fazer Teatral, suas Demandas Estéticas, Políticas e Sociais

Lilian Maria Araujo de Carvalho

nailil@friends.zip.net

Olympia de Andrade Bulhões

pinhabr@yahoo.com.br

Thulho Cezar Santos de Siqueira

Uliana Fechine Torres Clemente (Alunos do Curso de Educação Artística/ Artes Cênicas – DEART/UFRN)

Este trabalho tem como objetivo apresentar a trajetória do Grupo Estandarte de Teatro, fundado nos anos 80, e em atividade até hoje. Este recorte se insere numa pesquisa da História do Teatro do Rio Grande do Norte, dos anos 40 até a contemporaneidade, iniciada no fim do semestre 2002.2, na disciplina Encenação I, tendo continuidade neste semestre, na disciplina Encenação II, ambas ministradas pelo Prof. Sávio Araújo. Nosso trabalho vem sendo desenvolvido através de levantamento de dados, entrevistas com atores e diretores participantes do referido grupo teatral, de documentos e anotações coletados com os mesmos, de fontes regionais, além do saber comum entre os afins. Dessa maneira, concluímos que o Estandarte, formado em 1986, teve como idéia inicial ser um grupo de estudo, onde o tema principal era a cultura popular. Ao se constituir como grupo teatral, ainda com estudos e pesquisas, tinham a preocupação em fazer espetáculos abordando questões sociais, como a opressão do homem e em levar o teatro para a população que não tinha acesso ao saber dominante, levando-as à reflexão crítica. Nota-se, no decorrer desses anos de existência, que a atuação do grupo não se encerra na prática, tem todo um embasamento teórico, seguido por processos de pesquisa e experimentação, por trás das apresentações, seja ela na rua, no circo ou no teatro.

20 - História do teatro no Rio Grande do Norte – O Teatro na década de 70.

Ana Carolina Bezerra Teixeira,

Alcebíades Gabriel da Silva,

Umberto Fernandes de Oliveira (Alunos do curso de Educação Artística/ Artes Cênicas – UFRN)

nataldefs@bol.com.br

O presente trabalho tem como objetivo fazer um levantamento histórico sobre a produção teatral na cidade de Natal no período dos anos 70 e estabelecer um diálogo com as produções atuais. Esta pesquisa originou-se de um trabalho acadêmico no período de 2002.2 por iniciativa do professor Sávio Araújo na disciplina Encenação I e sua continuidade, em 2003.1, está sendo desenvolvida na disciplina Encenação II. O levantamento dos dados vem sendo realizado através de entrevistas, pesquisas bibliográficas e depoimentos de atores e diretores que participaram destas produções teatrais no conturbado período da ditadura militar, pós 64, que na década de 70 exercia uma rígida repressão às formas de expressão artísticas consideradas ameaçadoras ao pensamento dominante do regime. Apresentaremos neste grupo de trabalho, uma síntese dos dados já obtidos junto a grupos como o TONUS, que atuava neste período na UFRN, bem como estaremos apresentando novas questões e desdobramentos para a continuidade da pesquisa.

 


GT-26: O MUNDO RURAL E AS CIÊNCIAS SOCIAIS

Coordenadores:

Prof. Dr. Aldenôr Gomes da Silva (Departamento de Ciências Sociais)

E-mail: aldenor@ufrnet.br

Profª. Mestranda Zoraide Souza Pessoa (Departamento de Ciências Sociais)

E-mail: zoraidesp@yahoo.com.br

Local/horário: Setor de aula II, Bloco G, sala 6, 30 lugares, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

O GT visa discutir o mundo rural frente às transformações recentes e como essas questões vem sendo tratada pelas Ciências Sociais. Serão considerados resumos de trabalhos que discutam:

1. A relação desenvolvimento/sustentabilidade e espaço rural;

2. Novas ruralidades;

3. A pluriatividade;

4. Agricultura familiar e políticas públicas;

5. Outros temas correlatos.

Os resumos devem indicar se trata de trabalhos concluídos ou em andamento. Devem indicar também no mínimo, três palavras-chaves.

RESUMOS

I Sessão: Agricultura familiar e políticas públicas:

1. As amarras da consolidação do projeto produtivo dos assentamentos

Ednaldo Ferreira Tôrres (Mestrando de Sociologia. PPGS/UFCG.

Jean Philippe Tonneau (UFCG)

O trabalho tem como ambição discutir o papel dos atores sociais na consolidação dos assentamentos rurais na Paraíba. A pesquisa nasceu da constatação de que: (i) existe uma dificuldade, por parte dos assentados e do INCRA, em promover a consolidação do projeto produtivo depois da obtenção da terra e que, (ii) há um distanciamento das entidades de apoio que estiveram ativamente presentes no período de luta pela terra. Para coleta de dados foram aplicados “questionários de perfil” e “roteiro de entrevista semi-estruturado” junto a 12 chefes de famílias dos assentamentos Caiana, Sapé, Ímbiras e Engenho Geraldo. Realizou-se também “entrevistas em profundidade” com diversos atores sociais. A pesquisa apontou para três questões fundamentais. Primeiro, existe uma intensa dependência dos assentados em relação aos projetos e créditos do Incra; segundo, há uma fraca organização das associações dos assentados; e terceiro, a ação do sindicato é limitada. Nesses sentido, o fracasso do projeto produtivo proposto pelo INCRA dinamiza a reprodução de práticas autoritárias e assistencialistas nos assentamentos rurais. Essa situação demonstra a fraqueza e ineficácia das políticas de apoio aos assentamentos, que ao invés de favorecerem a autonomia sócio-política e econômica das famílias assentadas, às submetem a velhas e novas relações de dominação. Por isso, defende-se que é imprescindível que os atores sociais entendam que o sucesso do assentamento passa pela consolidação do projeto produtivo e que assim, invistam em novas formas de intervenção e de apoio nos assentamentos.

2. Agricultura familiar e organização

Andréa Linhares (mestranda PPGCS/UFRN)

O presente trabalho procura apresentar a experiência de organização de um grupo de agricultores familiares de Lages, cidade do sertão semi-árido do Rio Grande do Norte, em torno da constituição de sua cooperativa. Tal processo, desencadeado a partir da emergência da caprinovinocultura no Estado, é aqui analisado sob o ponto de vista dos entraves representados por fatores internos ao próprio grupo como individualismo, desconfiança, ausência de valores demandados pela experiência associativa, bem como aspectos relacionados à ação das lideranças e agentes envolvidos.

3. ambiente institucional para financiamento de famílias rurais no Nordeste brasileiro

Fernando Bastos Costa (Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais/ UFRN)

fbastos@ufrnet.br

A atuação do Estado como regulador geral da agricultura, que se deu no Brasil a partir da desarticulação dos complexos rurais no período colonial, se intensifica quando praticamente foi estatizado o processo de modernização, no período 1965/80. Posteriormente, seguidas crises fiscais reduziram substancialmente essa capacidade de regulação, até quando o desmonte dos organismos e dos marcos legais, mormente do crédito rural, no início da década de 90, vieram dar fecho definitivo ao papel do Estado interventor e inaugurar novas formas de governança. Embora a exclusão no meio rural tenha suas raízes desde alhures, na modernização prevaleceu o dualismo, cabendo as famílias rurais um papel como depositária para mão-de-obra de regulamentação precária e como fornecedora de alguns alimentos a preços baixos.. O PRONAF é um marco legal bem representativo dessas políticas públicas, sendo nossa hipótese mais geral de que a sua implementação vem sendo prejudicada por conta de um ambiente institucional impróprio, vis a vis necessidades dos agricultores mais pobres, carecendo de um rearranjo institucional que reduza seus constrangimentos atuais. Este trabalho pretende estudar esse ambiente institucional na Região Nordeste, em que o PRONAF pode ter um papel de simples legitimador do discurso oficial de inserção ou de promotor de mudanças positivas nessa agricultura familiar (Pesquisa em andamento).

4. Limites e possibilidades da agricultura familiar

Zoraide Souza Pessoa (mestranda em Ciências Sociais/ UFRN)

zoraidesp@yahoo.com.br

Este trabalho tem como objeto de estudo a agricultura familiar, que historicamente foi excluída da ação pública, mas se vê na década de 90, colocada no patamar de alternativa de emprego e renda no meio rural. Condição que passa a ser requerida com mais ímpeto com a criação do Plano Nacional de Fortalecimento da Agricultura familiar (PRONAF) em 1996, que a toma como público alvo de suas ações. O recorte empírico teve como referencia os agricultores beneficiários e não-beneficiarios do Programa inseridos no Grupo B, localizados nos municípios de: Palmeira dos índios (AL) e São Paulo Potengi (RN). Sendo assim, o objetivo do trabalho foi entender a agricultura familiar, a partir da sua capacidade voltada para a geração de emprego e renda no âmbito do PRONAF, que a assegura através da concessão de crédito, não levando em conta sua condição de categoria social diversificada e condições de reprodução social diferenciada, a depender do local em se inserem.

II Sessão: Questão Agrária, Movimentos Sociais e outros temas.

5. Lutas Sociais no Campo e Cooperativismo: a experiência de Tiriri, Cabo -PE na década de 1960.

Paulo Cândido da Silva (Mestrando em Sociologia. PPGS/UFCG)

paulocandid@bol.com.br

Com a intensificação do desenvolvimento do capitalismo na agricultura, após segunda grande guerra, iniciou-se um processo massivo de expulsão de trabalhadores e camponeses. Como reação a isso, então, sobretudo a partir da década de cinqüenta, na zona canavieira de Pernambuco é que surgiu o movimento camponês. Este significou uma resposta a um quadro de mudanças nas relações de produção e de trabalho, na área açucareira. Com isso o movimento camponês nordestino passa a se impor na vida política da sociedade, em particular após o surgimento das Ligas Camponesas. É nesse momento que se iniciou uma forte disputa entre lideranças das Ligas, Partido Comunista e Igreja Católica pela hegemonia no movimento camponês. Dessas disputas é que surge o sindicato e a cooperativa como as duas principais vias de controle do movimento camponês. É justamente a partir desse cenário que surgiu a Cooperativa de Tiriri. A formação dessa cooperativa foi significativa para a história nordestina. Isso porque ela surgiu a partir de motivações políticas e ideológicas num momento fundamental da história brasileira. Sendo assim, pretendemos fazer uma reconstituição do processo de formação da dessa cooperativa a partir da memória de alguns atores que dela tomou parte. Para isso, concentraremos nossas observações entre o período de 63 a 68, período este tido por nós como o marco da formação de Tiriri.

6. O desafio da Reforma Agrária no estado da Bahia: o caso do Assentamento Agro-Extrativista São Francisco.

Maria Lúcia da Silva Sodré (Doutoranda de Sociologia. PPGS/UFPE)

mlsodre@yahoo.com.br

Este trabalho tem por objetivo analisar a Reforma Agrária na Bahia tomando como parâmetro o caso específico do Assentamento Agro-Extrativista São Francisco, formado por 11 comunidades. Este assentamento ocupa uma área de 20.000 ha e se localiza na região Oeste do estado da Bahia à margem do Rio São Francisco. Verificasse-a trajetória de vida das famílias na luta pela terra, a sua forma de organização, produção, trabalho coletivo, atuação dos mediadores, a expectativa de vida das famílias assentadas e a relação destas com o meio ambiente objetivando-se entender como a reforma agrária “transformou” a vida das 600 famílias ribeirinhas que vivem neste assentamento. Cabe registrar, que a reforma agrária nesta área foi na realidade uma forma de legalizar a situação destas famílias que já viviam nesta área. Para atingir os objetivos propostos adotar-se-á uma metodologia quantitativa e qualitativa. Será determinada uma amostra aleatória de 25% do universo do objeto de pesquisa. Os dados serão coletados através da técnica de entrevistas semi-esturturadas, observação participante e coleta de histórias de vida, estas serão enriquecidas com o uso do gravador, câmara fotográfica e filmagem. Será utilizado também dados secundários das pesquisas SIPRA/INCRA 2000 e PDSA/DESAGRO 2002. Para compilar os dados será utilizado o programa de informática SPSS.

7. O processo de organização e luta política dos movimentos sociais rurais e o papel dos assessores.

Eliana Andrade da Silva (Assistente Social pela UFRN; Mestre em Serviço Social pela UFPE e Professora substituta do Departamento de Serviço Social da UFRN).

andradelili@bol.com.br

elianaandrade@ig.com.br

Nos anos 90 com aumento das luta pela reforma agrária o Estado passa a responder as demandas dos movimentos sociais rurais, aumentando expressivamente o número de assentamentos rurais. No entanto, a constituição dos assentamentos não é fim da trajetória de luta dos trabalhadores rurais. Após sua criação uma série de políticas são necessárias para viabilizar a permanência dos trabalhadores rurais nessas áreas, o que aponta a necessidade de contínua mobilização dos mesmos em torno da implementação de políticas públicas direcionadas ao desenvolvimento do assentamento. É nesse sentido, que os assessores desempenham um papel relevante junto aos movimentos sociais rurais, contribuindo através da elaboração de projetos, da criação de grupos de jovens, de mulheres, mobilizando e capacitando-os para garantirem seus interesses junto ao Estado e aos bancos. Dessa forma, a ação dos assessores se constitui como atividade técnica e poítico-pedagógica que contribui para que os trabalhadores desenvolvam práticas autônomas, ampliando o horizonte da luta pela reforma agrária, articulando-a à luta de outros segmentos da classe subalterna de forma traçarem alternativas de resistência e superar a posição subalternidade a qual estiveram expostos historicamente.

8. Experiência de planjamento participativo. O caso do assentamento Jerusalém/Taipu/RN

Edmundo Sinedino de Oliveira.

O trabalho procura relatar uma experiência de planejamento participativo, tendo um assentamento como objeto de estudo, dentro do processo de reforma agrária. Inicialmente trabalhamos com os conceitos de planejamento e planejamento participativo, sabemos que a primeira experiência de planejamento vem da Rússia, no pós guerra, no Brasil, segundo alguns historiadores, a primeira experiência de planejamento foi com plano de metas de Juscelino. Em termos de planejamento participativo, o nosso começo vem da década de 80, em pleno regime militar, com suas políticas buscando legitimidade, pregando a necessidade da participação da sociedade, naquele dueto, de um lado a figura do Estado autoritário, do outro a sociedade civil, como objeto de consulta ou cooptação. O nosso objetivo é repassar uma experiência de planejamento, de cunho participativo, num determinado espaço em construção, no caso de um assentamento. Em termos de procedimentos metodológicos, trabalhamos na perspectiva de uma participação intensa de todos o(a)s trabalhadore(a)s em oficinas de construção coletiva.Este trabalho serve para cumprir uma das fases do processo de assentamento das famílias e para plano de financiamento a ser contratado dentro da linha do PRONAF “A”.

9. O poder judiciário como indultor de políticas públicas rurais

Emanuel Dhayan Bezerra de Almeida

edadvocacia@digi.com.br

A Constituição em seu art. 184 afirma ser de competência da União à realização da reforma agrária. Infelizmente, por negligência de Poder Executivo, o processo de Reforma Agrária "caminha a passos curtos", aumentando a tensão no campo e as disputas por propriedades rurais.Porém, entendemos que o Poder Judiciário pode obrigar à União à realizar o processo de Reforma Agrária, visto que, os ditames estabelecidos na Constituição servem como programas de governo, devendo ser obedecido pelos detentores do Poder Executivo. Os agentes públicos, incluindo-se os agentes políticos, exercem função, cujo conteúdo é um dever, estabelecido em benefício do interesse alheio. Se não forem obedecidos estas linhas mestras de atuação é possível socorrer-se ao Poder Judiciário, para que este obrigue a implementação de um política pública para o meio rural.O Poder Judiciário exerce também uma ‘função política’, no sentido preconizado por Dalmo de Abreu Dallari: "No momento em que foram superados o feudalismo e o absolutismo, os juízes deixaram de ser agentes do rei ou de aristocratas poderosos para se tornarem agentes do povo. Isso ficou definitivamente claro com o aparecimento das Constituições escritas, no século dezoito. As decisões judiciais fazem parte do exercício da soberania do Estado, que, embora disciplinada pelo direito, é expressão do poder político"Deste modo, o exercício de função requer do agente atuar de acordo com a finalidade da norma jurídica . Se este não a cumprir, pode ser imposta pelo Judiciário.

10. Guardiões do Xingu: Eletronorte e movimentos sociais na Transamazônica.

José Clodoaldo Barbosa (Mestre em Ciências Sociais – UFRN)

No final da década de 1980 a ELETRONORTE oficializou sua intenção em construir uma das maiores hidroelétricas do mundo (Kararaô), no rio Xingu. Foi impedida pela ação do movimento social regional integrado ao movimento ambientalista nacional e internacional. Em 2000 a estatal retornou com a proposta reformulada (Belo Monte), alegando atender os anseios dos críticos, prometendo uma obra com baixo impacto ambiental. Este estudo tem por objetivo perceber se os movimentos sociais estão mais propensos a aceitar, agora, o projeto de construção da primeira entre várias hidroelétricas previstas para serem construídas no Xingu. E, se este é o caso, por quê? Com a abertura política e a transição para a democracia, comunidades indígenas e colonos se organizaram com o objetivo de impedir a continuidade do Projeto Kararaô (1989). O sucesso da mobilização estimulou o movimento social rural a lutar por políticas públicas para a região. Os movimentos rural e urbano evoluíram e constituíram uma rede de movimentos sociais que luta pelo desenvolvimento da Transamazônica e Xingu. Os movimentos sociais defendem um projeto de desenvolvimento sustentável para a região e, neste sentido, a construção da hidroelétrica de Belo Monte aparece como uma ameaça. Apesar de ter mudado seu repertório de ação o movimento social da região está mais forte, pois adquiriu maturidade como instituição e luta pelos direitos através dos meios pacíficos e legais, inclusive tendo o Ministério Público como novo aliado.

11. A questão agrária do município de João Câmara - RN

Wagner Luiz Alvas da Silva (bolsista do PET / Geografia / UFRN)

Tutor:

Prof. Dr. Anelino Francisco da Silva

A pesquisa tem por objetivo estudar a organização do espaço agrário do Município, bem como, de uma maneira geral, as questões sociais que envolvem a luta pela terra. Os problemas que estão presentes hoje refletem a grande quantidade de latifúndios improdutivos que caracterizam a região causando as lutas sociais no campo (e na cidade), onde culminam na implantação de assentamentos rurais, que atualmente são constituídas por 12 unidades e, também, há 2acampamentos rurais, sendo que estes são de responsabilidade do MST. Foram utilizadas diversas fontes bibliográficas: livros, teses, artigos relacionados à temática; coleta de dados em órgãos competentes; e observações in loco.

12. O município de São Tomé: vivenciando a problemática das estiagens

Autor: 

Flávio Augusto Gomes de Lima (bolsista PET/Geografia)

flaviogomesbarreto@ig.com.br

Tutor:

Prof. Dr. Anelino Francisco da SIlva

O poder público utiliza-se de estratégias políticas para manter o controle socio-espacial. O Nordeste do Brasil tem sido alvo destas estratégias que visam fortalecer, econômica e politicamente, minorias privilegiadas, notadamente a oligarquia latifundiária da região, que além de concentrar benefícios dos programas governamentais, manipulam recursos públicos com fins eleiçoeiros. Essa afirmação é observada na falta de interesse por parte do poder público em sanar os problemas causados pela seca, marginalizando o trabalhador rural nordestino. Utilizando-se desta atual situação de miséria para atrair recursos governamentais. Essa pesquisa baseia-se em comprovar que a atual problemática da seca é conseqüência maior das políticas públicas adotadas por seus governantes e tem como objetivo analisar as políticas públicas adotadas no município de São Tomé/RN que visem amenizar as conseqüências socioeconômica provocadas pelas grandes estiagem que assolam o município objeto de estudo. A pesquisa encontra-se em fase inicial, em que se realiza levantamento e análise de dados bibliográficos.

III Sessão: A relação desenvolvimento/ sustentabilidade e espaço rural

13. Dificuldades e percepção do desenvolvimento em um pequeno município: Queimadas, Bahia (1940-1990)

Otávio Luiz Machado (Pesquisador-Associado do Laboratório de Pesquisa Histórica da Universidade Federal de Ouro Preto. Aluno Especial do Mestrado de Sociologia. PPS/UFPE)

Neste trabalho em um pequeno município do norte do Estado da Bahia, localizado na micro-região de Canudos, o objetivo foi estudar inicialmente a questão do desenvolvimento econômico e social, partindo da instigante opinião dos seus moradores quanto ao seu próprio espaço, como o lugar “do já teve”, “que aqui nunca será nada”, entre outras. A primeira opinião se referia aos diversos bens materiais que a população perdeu: a urbana, rádio, jornal, banco estadual etc, enquanto que a rural, principalmente, a economia em torno do sisal. Utilizando-se de fontes como depoimentos, literatura especializada, dados técnicos de órgãos como IBGE, IPEA, Sudene e do Congresso Nacional pudemos compreender que a questão do desenvolvimento brasileiro ignorou o mundo rural como um todo, pois as políticas públicas aplicadas no município utilizaram-se da ótica de que a industrialização seria a única saída para o desenvolvimento regional. No recorte temporal estabelecido para a realização do estudo (1940-1990), que compreende o início do ciclo sisaleiro ao seu total esvaziamento, todos os municípios desta região se desenvolvem economicamente em torno da cultura do sisal, com uma mão-de-obra significativa e uma expansão de diversos distritos. Em Queimadas, a população vive basicamente nos distritos no meio rural, enquanto a sede do município fica em segundo plano. Distritos longínquos como “Espanta Gado”, que fica a quase 60 Km da sede do município, possui uma vida própria e ainda mantém certas tradições advindas da época do auge do sisal.

14. A “reestruturação produtiva” em uma agroindústria canavieira: geração de espaços vazios na zona rural de Cortês – PE.

Marcos Antonio Fonseca Calado (Aluno Especial PPGS/UFPE)

caladomarcos@hotmail.com

O objetivo do presente trabalho foi verificar quais as mudanças e inovações adotadas pela Usina Pedroza, após da desregulamentação do setor sucroalcooleiro, e quais as suas conseqüências no meio rural da cidade de Cortês-Pe. Metodologicamente, tratou-se de um estudo de caso, onde todos os dados objeto de análise foram obtidos através de entrevistas com o corpo gerencial daquela organização. Foram examinados os dados de todas as safras realizadas de 1989/1990 a 1999/2001, correspondendo ao período dos efeitos da desregulamentação do setor e de adoção das estratégias de mudanças nas plantas agrícola e industrial.Os resultados da pesquisa decorreram da verificação das mudanças na área administrativa, representadas pela fusão, reestruturação e informatização de unidades orgânicas – os “engenhos”. Na área operacional, a “reestruturação” significou a mecanização do plantio, da colheita da cana e a modernização do parque industrial. A partir das mudanças adotadas pela Usina, pôde-se concluir que: a) priorizou-se a utilização de recursos tecnológicos em detrimento dos recursos humanos para fabricação de açúcar e álcool; b) houve um significativo aumento dos espaços vazios no meio rural, provocado pelo desemprego dos trabalhadores do campo,o que implicou em uma “urbanização” da cidade.

15. Sustentabilidade local e degradação global

Paulo Roberto Ramos (Doutorando em Sociologia. PPGS/UFCG)

paulramos@zipmail.com.br

Deolinda de Sousa Ramalho (UFCG)

Desejamos analisar neste trabalho as dificuldades de análise e encaminhamento de projetos e propostas que visam o chamado “desenvolvimento sustentável local”, em detrimento do processo de degradação ambiental que se reproduz por todas as partes do mundo. A partir da análise das modernas teorias sobre sustentabilidade e sobre a problemática ambiental, desejamos investigar as contradições e limites encontrados entre o desejo e as ações locais que buscam o desenvolvimento sustentável, e as práticas sociais de produção e consumo que causam degradação ambiental e aprofundam as desigualdades sociais em todas as esferas da vida social. Observamos que a dificuldade de promover a sustentabilidade local é ampliada e fortalecida pelos processos de degradação que se formam no processo produtivo, no consumo e na ordem social em geral.

16. Da “Crise de 29” a Crise de Superprodução: A “questão ambiental” e a políticas agrícolas dos países desenvolvidos.*

Pedro dos Santos Bezerra Neto (Mestrando do Instituto de Economia da UNICAMP)

pedro@eco.unicamp.br

Olga Nogueira de Sousa Moura (Doutoranda do CCHLA da UFRN)

olgaarbm@uol.com.br

O presente artigo tem por objetivo esboçar uma primeira análise acerca da “Questão Ambiental” e da problemática de conceitos ainda não muito bem definidos como o da sustentabilidade da agricultura nos países desenvolvidos componentes da União Européia (UE) e nos Estados Unidos. O desenho da sustentabilidade na agricultura requer uma constatação analítica que transcenda a racionalidade de determinantes puramente ecológicos ou biológicos. Passa, inevitavelmente, por uma clara distinção entre esquemas de regulação social e constituição biológica. As dimensões de uma modernização ecológica não são definidas em modelos aritméticos de contabilidade produtiva da atividade agrícola com a natureza, mas, sobretudo, por uma reorganização entre os agricultores e a sociedade na qual novos arranjos econômicos, políticos e sociais são a resultante. Deste modo, qualquer construção de modelos que não incorporem essa essência tem sérias chances de não passar de uma mera invenção.

Percebe-se que num primeiro momento a “questão ambiental” aparece no cenário das políticas agrícolas como forma de minimizar os efeitos das crises agrícolas, porém, a partir daí tende a se apresentar como um único elemento que unifique os agricultores em torno da necessidade de duas políticas agrícolas.

17. Desafios e perspectivas para o desenvolvimento rural

Denes Dantas Vieira (graduando em Ciências sociais/UFRN e bolsista de iniciação científica)

Este trabalho detêm-se sobre um estudo preliminar realizado no município de Ipanguaçu /RN, o qual servil como amostra representativa, para a avaliação do impacto das ocupações rurais não agrícolas – ORNA’s, na realidade social da região, através da presença das Agroindústrias no pólo Fruticultor Açu/Mossoró.O espaço rural nas últimas décadas, vem adquirido uma série de novas características. O processo de industrialização da agricultura ocasionou um fenômeno de “urbanização do rural”, acompanhado de uma ampla rede de serviços novos que surgiram. Estes respondem pelas mais variadas demandas, tais como turismo rural: hotéis fazenda, aproveitamento dos sítios arqueológicos, ou ainda serviços de entretenimento e lazer como os pesque-pague, balneários e tantos outros, isso é o que nós chamamos de ocupações rurais não agrícolas. Esse processo tem realizado modificações profundas na concepção que muitos tem do rural, criando dessa forma, dificuldades, sócio-espaciais para a distinção entre o que venha a ser rural e urbano, é o que, podemos chamar de RURBANO, processo onde atividades e serviços, antes específicas do urbano, hoje ocupam espaços cada vez maior no meio rural, alterando significativamente as formas de organização do trabalho, a proposição de políticas públicas e redefinindo o espaço dos municípios.

18. Agricultura familiar como instrumento de educação e sustentabilidade

Rosana Ananias (Serviço Social – UFRN)

roscris@uol.com.br

João Ferreira (PPGED – UFRN)

joaofilo@uol.com.br

Orientação:

John Fossa (Departamento de Matemática – UFRN)

fosfun@digi.com.br

Vivemos um momento em que as instituições educativas, escolar e familiar, estão perdendo a habilidade de transmitir valores e normas culturais para uma efetiva socialização da comunidade em virtude do surgimento de novos atores como os meios de comunicação e de telecomunicação que não foram criados como agentes socializantes. Neste estudo, buscamos mostrar que, através de um trabalho de cunho educacional com vista ao respeito individual e coletivo, com efeito multiplicador, que vem sendo desenvovido na cidade de São Miguel do Gostoso, é possível, mesmo diante das dificuldades impostas pelo sistema de globalização que estamos vivenciando, a (re) construção do ser voltado para os valores humanos, culturais, ambientais, sociais, econômicos e políticos que através de ações estruturantes viabilizem a autosustentabilidade e possibilitem a permanência das pessoas no seu lugar vivendo do seu próprio trabalho.

19. Construindo a agricultura alternativa: Práticas e resistências entre o tradicional e o moderno na agricultura familiar de Serra do Mel/RN.

Emerson Inácio Cenzi (Mestrando do Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais – UFRN)

emerson.cenzi@ig.com.br

Orientador:

Aldenor Gomes da Silva

A agroecologia consiste na adoção de padrões tecnológicos de produção que levem em consideração o respeito ao meio ambiente, equidade social e a eficiência econômica. É fato a extrema diversidade de experiências existentes, porém este artigo pretende analisar uma situação específica: a agricultura familiar tradicional na COOPERCAJÚ - Serra do Mel/RN, que nos últimos anos esta produzindo frutas tropicais para exportação com certificação orgânica por incentivo de agentes externos, principalmente ONGs. A influência da complexidade existente neste novo cotidiano os coloca diante de formas mais complexas de organização da produção amparados por certificação de produção e sistemas abstratos de confiança, como conhecimento de peritos, testes de laboratório, sistemas logísticos e de embalagem, selos de produção orgânicos entre outros. Tais mudanças provocam um desencaixe de ligações essencialmente locais e reencaixes através de relações globalizadas, que não são aceitas com a mesma velocidade que são colocadas aos agricultores. O entendimento da natureza das descontinuidades entre o tradicional e o moderno no contexto da agricultura familiar, pode clarear o debate sobre as dificuldades encontradas no desenvolvimento de novos padrões tecnológicos. Este estudo pretende, a partir de um estudo comparativo entre as situações empíricas ocorridas no local e os tipos ideais baseados nos discursos dos atores sociais, analisar o contexto da agricultura alternativa em Serra do Mel/RN.

20. Agricultura, mundos do trabalho e mundos do consumo. Entre a segurança alimentar e a globalização dos alimentos

Josefa Salete Barbosa Cavalcanti (Bolsistas de Iniciação Científica, CNPq /PIBIC e CNPq, IC)

Dalva Maria da Mota (Dra. em Sociologia,UFPE Pesquisadora da Embrapa Tabuleiros Costeiros)

damota@amazon.com.br

Ana Cristina Belo da Silva (Bolsista AT –CNPq)

acbelo@aol.com

Wanessa Gonzaga do Nascimento (Bolsistas de Iniciação Científica , CNPq /PIBIC e CNPq, IC)

Carla Andréa Bezerra Chagas

Este trabalho focaliza as mudanças no trabalho e as estreitas relações entre os espaços de fruticultura do Nordeste do Brasil e aqueles da distribuição e consumo dos agroalimentos, com base em dados de pesquisa realizada em unidades agroindustriais e familiares das novas regiões produtoras de frutas e vegetais e também em supermercados e centrais de distribuição da cidade do Recife. Serão examinadas mudanças na construção dos produtos e nos serviços relacionados com a obtenção de padrões de qualidade - instituídos por normas e convenções de agentes externos, que passam a envolver os alimentos, os trabalhadores, os consumidores e o meio ambiente, num conjunto particular de relações que têm lugar nos espaços e tempos definidos para a distribuição e consumo dos alimentos. Finalmente, a análise propiciará o reconhecimento de mudanças nas relações entre os distintos atores e que se insinuam em processos de flexibilização, controle de qualidade, certificação de origem, precarização e resistências comuns ao dia a dia dos trabalhadores e das empresas incluídas no circuito da globalização dos sistemas agroalimentares.

21. Desenvolvimento rural sustentável: possibilidade de autonomia?

Gardênia Margarida Medeiros Campos (aluna do mestrado de ciências sociais – UFRN)

gardcampos@bol.com.br

Diversas tentativas de promoção do desenvolvimento sustentável nas áreas de assentamento de reforma agrária, já foram desenvolvidas no estado do Rio Grande do Norte, sem contudo, apresentar características que confirmem de fato a melhoria das condições de vida daquelas populações. Há de se perguntar o que ocorre na implementação dessas alternativas que coincidentemente, apresentam o mesmo fim em comunidades diferentes. A priori, seria fácil responder tal questionamento apontando uma ausência de interesse por parte das famílias assentadas, ou ainda, a ausência de viabilidade econômica do assentamento, a sua localização geográfica, a má gestão dos recursos, ou uma postura individualista do assentado. Tais argumentos, entretanto, me parecem insuficientes e apontam muito mais uma postura de comodismo, do que propriamente uma disposição em empreender esforços para identificação de outras problemáticas. Um exemplo dessas alternativas são os PCAs (Planos de Consolidação de Assentamentos) e os PDAs (Planos de Desenvolvimento de Assentamentos) que via de regra, não têm logrado êxito na sua implementação, provocando descrédito nas comunidades, dificultando a potencialização da auto-estima e emperrando a autonomia de sua população. Tais programas traduzem-se num roteiro previamente elaborado em âmbito institucional, distante da realidade a ser trabalhada, ignorando variáveis relevantes e pouco afeitas à racionalidade técnica e instrumental, tais como: autonomia, confiança, e auto-reflexão, dentre outras, mas que precisam ser mobilizadas.

IV Sessão: Novas Ruralidades; Pluriatividade:

22. O Trabalho infantil camponês: exploração ou socialização?

Emilene Leite de Sousa (Mestranda de Sociologia. PPGS//UFCG)

emilenesouza@ig.com.br

O trabalho infantil tem sido compreendido, de forma generalizada, como um problema social, o que deu origem a programas do Governo Federal como o PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil). É verdade que o trabalho infantil é muitas vezes sinônimo de exploração, de dominação e de maus tratos. Mas estas características são verdadeiras nas condições da economia da agricultura familiar camponesa? As formas de produção camponesa se caracterizam pelo fato de que o econômico não está dissociado do social e/ou cultural. Assim, o trabalho familiar não é regido pelos estritos imperativos de rentabilidade, não há exploração da força de trabalho de seus membros, uma vez que não há a dissociação dos trabalhadores dos meios de produção. Neste caso, o trabalho infantil parece adquirir um significado diferente da simples produção de riqueza material.O trabalho infantil, quando obedece às regras de respeito à criança, evitando tarefas pesadas ou permitindo a escolarização, pode ser considerado uma brincadeira educativa, constituindo-se num meio de aprendizagem, afirmação da identidade camponesa e de socialização das crianças no seio da família e da comunidade. Ir ao roçado é socializar-se, uma vez que o roçado se constitui como o espaço principal de convivência familiar e comunitária. Esta pesquisa está sendo desenvolvida entre as crianças Capuxu, no Sertão da Paraíba. Os resultados parciais indicam que o trabalho das crianças camponesas Capuxu não representa um meio de exploração destas por seus pais, mas sim a principal forma de socialização antes de chegado o momento de freqüentarem a escola.

23. campo na cidade: um rural ambiental em Camaragibe/PE

Emílio de Britto Negreiros (Doutorando de Sociologia. PPGS/UFPE)

É possível falar de um ambiente rural em uma área metropolitana? Para se pensar o caso de Camaragibe, município da Região Metropolitana do Recife, pode-se lançar mão de indicadores, a despeito da configuração legal do município, que corroboram nossa hipótese de que o conteúdo de uma ruralidade latente (se reconhecido) pode ser um elemento fundamental para o desenvolvimento de adequadas políticas públicas, especialmente para a área ambiental-ecológica (região de Aldeia), que corresponde a mais da metade do território da cidade. Do ponto de vista político e da construção do modelo de gestão da cidade já existe toda uma regulamentação e uma orientação para a proteção dos recursos ambientais-ecológicos, no Plano Diretor e com a pioneira elaboração da Agenda 21 Local, mas sem nenhuma ligação objetiva e substancial em relação ao reconhecimento de um espaço rural como potencializador destas condições, apesar do Plano Diretor prever o estímulo ao turismo rural e ao ecoturismo. Seria importante para a valorização deste espaço, estimular a construção de um entendimento sobre o rural local e favorecer a inserção categórica dos grupos circunscritos a este espaço à possibilidade de intervenção nas políticas locais.

24. Um sonho, uma luta: A inserção das mulheres na luta pela terra.

Ilena Felipe Barro (Graduada em Serviço Social – UFRN - Mestranda em Serviço Social – UFRN)

ilenafb@terra.com.br

O cenário das décadas de 70 e 80 é marcado por uma série de lutas dos/as trabalhadores/as rurais, fruto da sua resistência ao monopólio da terra: às grilagens de terra, construção de barragens, etc. A conjuntura dessas décadas foi marcada pela expansão do capital, em particular na agricultura, trazendo várias conseqüências para a produção agrícola de base familiar e para vida dos/as trabalhadores/as rurais, impulsionando os conflitos de terra. Até meados dos anos 70, os conflitos sociais no campo aconteciam de forma predominante, nas áreas de expansão da cana-de-açúcar ou pela resistência de moradores, arrendatários, meeiros em continuarem exercendo seu trabalho e permanecer na terra. Na metade da década de 80, inicia-se um processo de luta pela terra, através das ocupações. Essas ocupações foram tomando força e ganhando um significado de liberdade, emancipação política e exercício da cidadania. As mulheres tiveram papel fundamental nessa história. Além de se manterem nos acampamentos, cuidavam dos/as filhos/as, dos barracos, da comida, da pequena roça e enfrentavam com coragem os jagunços e a polícia local, sendo linha de frente dos diversos conflitos armados com as forças de repressão, expondo suas vidas e a de seus/suas filhos/as à violência institucionalizada. Vale ressaltar, que a maior parte da renda da produção agrícola em regime de Agricultura Familiar, advém da mão-de-obra do trabalho feminino. Mesmo assim, elas ainda são discriminadas, relegadas a papéis subalternos na vida intra-familiar. Apesar de muitas famílias serem chefiadas por mulheres, o número de títulos de terras em seu nome é ainda pequeno, inclusive porque os próprios critérios do INCRA não permitiam tal coisa.

25. Os limites e as possibilidades da Assistência Técnica e Extensão Rural na agricultura familiar: um estudo de casos.

Elvio Quirino Pereira (UFPB/UFTO)

Orientadora:

Profª. Ghislaine Duque (UFCG)

O objetivo do estudo é de propor uma reflexão, a partir de um estudo de casos (comparando a assistência técnica oficial e alternativa - Emater, Projeto Lumiar, ONGs como AS-PTA e Patac), sobre as condições de sua adequação para apoiar eficientemente a agricultura familiar. Qual é o papel do Estado e das políticas públicas de assistência técnica e extensão rural frente à agricultura familiar? Quais as relações, alianças e conflitos, entre técnicos e agricultores? É possível identificar e construir outras relações que façam com que os agricultores possam construir seus próprios projetos e sua cidadania? Como as metodologias de trabalho utilizadas pela assistência técnica favorecem ou inibem esse processo?; Quais são os limites e as possibilidades de existir uma outra assistência técnica voltada para os interesses dos agricultores familiares? Os resultados preliminares evidenciam que é imprescindível melhorar o diálogo entre os agricultores familiares e os técnicos responsáveis pelos programas de assistência técnica. O aprimoramento desse diálogo deve ocorrer no momento da concepção e implementação dos programas de assistência, mas, sobretudo, no processo de avaliação dos mesmos, através da participação direta dos agricultores. Este estudo aponta para a necessidade de repensar teoricamente e a partir de experiências práticas o controle social dos programas de apoio à agricultura familiar.

26. A Formação do Engenheiro Agrônomo em Questão: A Expectativa de um Profissional que atenda as Demandas da Nova Ruralidade

Olga Nogueira de Sousa Moura (Doutoranda do CCHLA/UFRN)

A formação do agrônomo está ao longo de sua historia, intimamente ligado ao processo de transformação da agricultura. Por isso, quando questionamos a formação deste profissional, e as mudanças por ela sofridas não podem deixar de associá-las as transformações da própria agricultura. Este estudo objetiva refletir sobre a formação do agrônomo, associando-a as transformações da agricultura.É importante destacar, que todo esse processo de transformação da agricultura e da formação do profissional das ciências agrárias, de modo particular do profissional de agronomia, sempre colocou o agrônomo como um ator e executor do desenvolvimento rural.Neste novo modelo de desenvolvimento o agrônomo, em função de sua histórica atuação como ator, intérprete e executor fundamental na implantação de todo o processo de desenvolvimento/modernização da agricultura, deverá ser o agente imprescindível do desenvolvimento rural. Para isso o profissional de agronomia (agente de desenvolvimento) deve ser mais que um técnico-humanista com formação limitada e voltada para uma atividade fragmentária. Ele deverá ser um agente de desenvolvimento, parte de um amplo processo de mobilização social que intervenha em situações que não são essencialmente agrícolas, que vão desde aconselhar as famílias rurais que deixaram a agricultura de forma parcial ou completa, famílias urbanas que estão adotando o rural como o lugar de produção agrícola e não agrícola ou como local de viver, até indicar e articular as possibilidades e alternativas que a região tem de promover o seu desenvolvimento.

27. As Transformações na Produção Irrigada e as Desigualdades no Pólo Açu Mossoró: Uma Abordagem a Partir da Subzona de Mossoró – Região Produtora de Frutas Irrigadas do Rio Grande do Norte

Melquisedec Moreira da Silva (Mestrando em Ciências Sociais)

O presente estudo reflete as particularidades históricas que presidem o desenvolvimento desigual no país e suas expressões no processo de produção da agroindústria frutícola. A trama que tece a análise são as desigualdades de desenvolvimento histórico da sociedade brasileira, em particular, a norte-rio-grandense, que tem na fruticultura irrigada um campo privilegiado de visibilidade. Desigualdades que manifestam o descompasso de temporalidades históricas distintas, mas coetaneamente articuladas, que atribuem uma marca histórica particular à contemporaneidade brasileira, afetando a economia, a política e a cultura, onde se misturam, o “velho” e o ‘novo’, o ‘arcaico’ e o ‘moderno’, distintos mas mutuamente referidos, reproduzidos e recriados. Assim, o ‘novo’ realiza-se através da recriação de heranças históricas persistentes – propriedade da terra, pobreza, fragilidade das políticas públicas de crédito para os setores mais frágeis da economia, entre outros –, atualizando-as e simultaneamente transformando-as ao subsumi-las às novas condições de uma sociedade globalizada. É nesse contexto que se dá a formação do Pólo Açu/Mossoró um caso paradigmático desse processo. Nascido e estrumado sob o véu protetor dos subsídios estatais, expressa o paradoxo do desenvolvimento desigual: um dos setores de peso da economia norte-rio-grandense, no processo de reprodução ampliada do capital e na captura da renda fundiária. Esse setor, na sua heterogeneidade, incorpora, de um lado, os avanços da ciência e da tecnologia – biologia, química e mecânica – ; e, de outro, mantém um padrão de exclusão e pobreza, de parte significativa da população da área em estudo.

28. Composição e distribuição da renda das famílias no rural agropecuário do RN

Aldenôr Gomes da Silva (Engº Agrº; Dr. em Economia; Prof. da UFRN; Pesquisador do RURBANO; Assessor do MESA)

aldenor@ufrnet.br

Augusto Carlos A. T. de Carvalho (Economista; Ms. Ciências Sociais; Prof. da UERN; Pesquisador do RURBANO)

augustocat@yahoo.com.br

João Ricardo Ferreira de Lima (Economista; Ms. Economia Rural, Prof. da UERN; Pesquisador do RURBANO)

joao.ricardo@ig.com.br

Estudamos a importância da pluriatividade e das rendas agrícolas e não-agrícolas para as famílias rurais do Município de Ipanguaçú-RN, objetivando explicitar o grau e intensidade da pluriatividade entre as famílias rurais e fazer um levantamento da composição e distribuição da renda dessas famílias. Utilizamos como recurso metodológico a aplicação de 60 questionários padronizados especificamente para esta pesquisa, aplicados em comunidades rurais previamente selecionadas. Com relação as rendas, identificamos que os maiores rendimentos são obtidos pelas famílias pluriativas e não-agrícolas. Nas famílias pluriativas, as rendas obtidas pelas famílias são mais homogêneas, ao contrario das famílias não-agrícolas, onde esta é mais concentrada. Alem disto, o valor do autoconsumo nas famílias pluriativas é mais elevado, o que ajuda a reduzir a dependência de rendas oriundas das transferências como as aposentadorias. As transferências publicas/privadas também aparecem como fundamentais para manutenção das pessoas não-ocupados ou inativas. Contudo, muito nos chamou a atenção o fato do número reduzido de residentes nos domicílios destes tipos de famílias, contradizendo inclusive uma idéia de que a renda das aposentadorias estaria ajudando na manutenção das famílias e contribuindo para redução do êxodo rural.

 


GT-27: MULHER E RELAÇÕES DE GÊNERO

Coordenadoras:

Profª. Ms. Otêmia Porpino Gomes (Departamento de Comunicação Social)

Email: opgome@ufrnet.br

Profª. Drª. Maria Francinete de Oliveira (Departamento de Enfermagem)

Local/horário: Setor de aula V, Bloco C, sala 3, 63 lugares, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

O GT visa promover a socialização e a interdisciplinaridade de estudos e pesquisas sobre a mulher e relações sociais de gênero. Através deste grupo de trabalho, o NEPAM (Núcleo "Nísia Floresta" de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher e Relações Sociais de Gênero) terá a oportunidade de divulgar aspectos de sua produção de pesquisa na área de gênero, assim como discutir e registrar trabalhos produzidos, em outros orgâos da UFRN, sobre a referida temática, cumprindo, assim, seu papel de produzir e incentivar a produção de estudos sobre a mulher e o gênero nas diversas áreas acadêmicas.

RESUMOS

1. A terapêutica floral no controle dos distúrbios do climatério feminino.

Autora e relatora:

Cristina de Fátima Landwoigt de Oliveira Cavalcanti

Orientadora:

Prof. Dra Maria Francinete de Oliveira

O climatério é uma das fases da vida da mulher, caracterizado mais precisamente pelo fim do período reprodutivo. Por ser uma fase natural deveria ser vivida sem grandes problemas. Entretanto, algumas mulheres não conseguem passar essa fase sem um desequilíbrio biopsicosocial para o qual a terapêutica convencional (reposição hormonal) nem sempre responde adequadamente. O objetivo do presente trabalho é mostrar o uso e os benefícios dos Florais de Bach no controle desses distúrbios. Trata-se de um estudo de caso realizado com uma mulher (48 anos de idade) que apresentava fogachos, insônia, inquietação, tontura, ressecamento vaginal, sensação de peso nas pernas, incapacidade para as atividades físicas, irregularidade menstrual, entre outros. Com o tratamento oficial (reposição hormonal) passou a sentir as “mamas doloridas”, aumento de peso e metrorragia, sem melhorar os sintomas anteriormente descritos. Mudou o hormônio, mas continuou com os mesmos sintomas. Optou pela terapêutica foral e passou a tomar, durante 30 dias, os seguintes florais: Impatiens, Walnut, Crab Apple e Olive (5 gotas de 3 em 3 horas). Na primeira semana de tratamento a paciente informou que já percebia uma melhora na qualidade do sono, não sentia mais os fogachos, a vagina voltou a lubrificação normal, havia disposição para as atividades físicas. Observou que a menstruação voltou a ser regular, mas havia uma diminuição no fluxo. O estudo leva a inferir que, a terapêutica floral, aliada a uma mudança no estilo de vida, pode ajudar as mulheres que apresentam distúrbios na fase do climatério.

2. As mulheres e a economia solidária no Brasil: o papel inovador das incubadores de cooperativas populares

Françoise Dominique Valéry (Professora Doutora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte)

francoisevalery@hotmail.com

Buscando caminhos para a geração de renda e de oportunidades de trabalho, as mulheres brasileiras, tais como a maioria das mulheres pobres da América Latina, enfrentam o mercado de trabalho em condições desiguais em relação aos homens. A essa desigualdade de sexo, somam-se outras relacionadas às condições socio-economicas, à idade e aos preconceitos de raça e cor. Essas quatro elementos (classe, cor, geração e gênero) fazem parte da análise de gênero que serve de suporte teórico para analisar de modo crítico o papel das mulheres no mundo do trabalho. No quadro do presente trabalho, pretende-se apresentar e discutir a inserção das mulheres na chamada economia solidária, refletindo sobre e experiência acumulada pela Rede Nacional de Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares- ITCPs. Essa rede integra alunos e professores oriundos de instituições universitárias brasileiras, na sua maioria Universidades Federais, onde se desenvolvem modalidades de pesquisa-intervenção junto à grupos produtivos e se articulam ações de formação e capacitação em gestão social, empreendedorismo, desenvolvimento humano e sustentável e cidadania. Nesta rede, um diferencial importante é o papel das mulheres tanto do lado acadêmico (direção e gestão dos projetos de incubação, contribuição na elaboração de uma metodologia de incubagem própria ao contexto socio-economico e cultural brasileiro) como na base organizacional e nos projetos desenvolvidos pelos grupos. Como resultados, o trabalho pretende apresentar dados quantitativos sobre o perfil dos grupos incubados, fornecer informações acerca da metodologia de abordagem e refletir sobre a contribuição das mulheres na economia solidária no Brasil, à luz da perspectiva de gênero,

3. Capital social e relações de gênero nos grupos da 3ª idade

Maria Francinete de Oliveira (Relatora)

Vilma Maria de Lima

O presente trabalho tem como objetivo mostrar a relação entre capital social e gênero nos chamados grupos da 3ª idade e sua correlação com a saúde. O trabalho foi realizado junto a três grupos que, embora apresentem metodologias de trabalho diferentes, têm como objetivo final melhorar a qualidade de vida das pessoas idosas. Como instrumento de investigação dos dados utilizamos o questionário para a clientela e a entrevista para as organizadoras ou coordenadoras dos grupos. Como resultados encontramos que há uma relação positiva entre capital social e saúde, ou seja, os grupos que desenvolvem mais atividades de lazer e física conseguem manter a saúde de sua clientela. Com relação ao sexo observamos que os grupos são, predominantemente, formados por mulheres. Esta variável contribui para o desenvolvimento de atividades caracterizadas como femininas, tais como: bordado, pintura, crochê, entre outras, restando aos homens apenas as atividades recreativas pacatas, como o jogo de baralho e dominó. Observamos, também, que os grupos mais ativos têm um percentual elevado de mulheres que ainda não estão na 3ª idade. Inferimos que este dado mostra a falta de espaço social para as mulheres que estão no climatério, obrigando-as a uma velhice precoce. Concluímos que os grupos da 3ª idade são importantes para que as pessoas idosas mantenham sua saúde física e mental, mas que precisam de estratégias para atender as necessidades de homens e mulheres.

4. O Papel da União Feminina do Brasil - UFB - na Busca da Equidade de Gênero.

Autora e Relatora:

Aluizia do Nascimento Freire

Orientadora:

Maria Francinete de Oliveira

A União Feminina do Brasil - UFB - foi criada em 1935, com o objetivo de congregar as mulheres ligadas ao Partido Comunista do Brasil ( P C do B) e a Aliança Nacional Libertadora ( A N L). O presente trabalho tem como objetivo investigar a atuação da UFB, em Natal, enquanto entidade transformadora dos papéis femininos socialmente aceitos, na época. De acordo com a análise de documentos pertencentes aos arquivos públicos e Jornais da referida cidade observamos que essas mulheres lutavam pela emancipação política e social, buscando a equidade de gênero, ou seja: “mulheres e homens com direitos iguais perante a vida e a lei”. No entanto, essas mulheres passaram a ser vistas pelos políticos conservadores como pessoas de “comportamento imoral e espalhafatoso”. O governo via nas mulheres do U F B uma verdadeira ameaça a sociedade civil, levando-o a criar o decreto de n° 243, de 19 de julho de 1935, no qual ordenou o fechamento, em todo o território nacional, dos núcleos da União Feminina do Brasil. Concluímos que, por desestabilizar a ordem estabelecida na desigualdade de gênero, as mulheres que fizeram parte da U F B, em Natal, permaneceram esquecidas no contexto histórico da cidade até a realização da presente pesquisa.

5. Refletindo sobre a (des)organização familiar e a superposição de papéis em famílias de diferentes camadas sociais de Mossoró

Lucia Helena Costa de Gois (Profa. Ms. da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte; Pesquisadora do NEPAM)

L_helena@terra.com.br

O trabalho visa apresentar alguns dos resultados da pesquisa que subsidiou a elaboração da Dissertação de Mestrado “Afinal, quem é o chefe?” defendida recentemente junto ao Programa de Pós Graduação em Serviço Social da Universidade Federal da Paraíba. A investigação, de natureza qualitativa, foi realizada junto a famílias de diferentes camadas sociais da área urbana de Mossoró, tendo como objetivo averiguar a posição do ou da chefe de família. Um dos resultados mais interessantes da investigação, que será apresentado e discutido por ocasião do evento, diz respeito à (des)organização aparente da estrutura familiar, perceptível através da multiplicidade de arranjos familiares, bem como a ocorrência de superposição dos papeis desempenhados pelas diferentes membros adultos da família em relação à chefia familiar. Tais resultados permitem questionar não somente a evolução recente da família brasileira bem como as funções atribuídas tradicionalmente aos homens e às mulheres, a “crise” do modelo patriarcal e as relações de poder e de gênero entre membros da família.

6. Mapeamento e territorialização da violência doméstica em Natal

Ivoneide Lima de Góis (NEPAM-UFRN)

O presente trabalho apresenta os resultados do estido realizado correlacionando a questão da violência contra as mulheres em Natal-RN e as condições urbanas e sociais das áreas de maior ocorrência desses casos, visando produzir conhecimento sobre a violência contra a mulher e sua relação com o espaço urbano, a luz da problemática de gênero. Pretendeu-se assim fazer a realção entre a violência doméstica, a estrutura urbana e a dimensão de gênero no qual está disposta, de forma que se insira nas discussões sobre violência contra a mulher o aspecto espaial urbano e a visão espacial dos profissionais que trabalham com a arquitetura e o urbanismo. Assim, procurou-se situar quais os bairros/áreas de Natal onde se observam os maiores índices de violência doméstica, evidenciando quais fatores propiciam estes determinados índices e procurando descobrir de que forma e até que ponto o espaço público atua como objeto que influencia e condiciona a violência contra a mulher. Como aspectos metodológicos, foram realizadas as coletas de dados inicialmente nos Boletins de Ocorrência da Delegacia de Defesa da Mulher de Natal(DEDAM-RN), como parte do levantamento de dados, além da coleta de informações em órgão afins(IDEC, CAERN, SEMURB), a fim de que se produzissem mapas localizando as ocorrências e a infra-estrutura disponível. Os resultados indicam uma concentração de casos em bairros situados predominantemente nas Zonas Leste, Norte e Oeste de Natal (Mãe Luísa, Santarém e Felipe Camarão, respectivamente), o que coincide com áreas da cidade com menor infra-estrutura urbana (equipamentos públicos, abastecimento, etc.) e carência de investimentos públicos.


GT-28: ROYALTIES E OUTRAS ECONOMIAS NO RN: CENÁRIOS SOCIAIS E TENDÊNCIAS

Coordenador:

Prof. Dr. Valdemar Pedreira Santos Filho (Departamento de Ciências Sociais)

Email: valfilho@uol.com.br

Local/horário: Setor de aula V, Bloco C, sala 4, 60 lugares, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

O GT vem discutir experiências de pesquisas sobre impactos econômicos e sociais causados pelo repasse de recursos oriundos de royalties petrolíferos para municípios e regiões do RN, bem como aqueles ocasionados por outras economias (petróleo, carcinicultura, turismo, fruticultura irrigada, etc) em curso no estado. Enfatizam-se questões, tais como as características e evolução desses circuitos econômicos nas localidades afetadas por essas atividades; a gestão e controle dos recursos públicos as alterações nas condições de trabalho e de vida da população e a inserção social dos segmentos de baixa renda, além dos impactos dessas economias na prestação de serviços públicos e no meio ambiente. Nessa perspectiva, discutem-se as paisagens sociais (nas cidades ou no campo) sempre em relação aos novos patamares de recursos, disponíveis para a administração pública ou para os pequenos proprietários de terra, e as transformações das condições de vida das populações (jovem, adulta e idosos), em termos de opções de emprego e renda, crise das atividades de subsistência, aumento do nível delinqüência social e de insegurança pública. Espera-se que os trabalhos a serem enviados sejam reflexões no âmbito do universo sócio-econômico, político e cultural das localidades ou regiões envolvidas por esse processo de mudança no RN.

CANCELADO

 


GT-29: INFÂNCIA E ADOLESCÊNCIA: QUESTÕES ATUAIS

Coordenadores:

Prof. Dr. Herculano R. Campos (Departamento de Psicologia)

E-mail: hercules@ufrnet.br

Profª. Drª. Rosângela Francischini (Departamento de Psicologia)

E-mail: rfranci@uol.com.br

Local/horário: Auditório do Consecão, 72 lugares, 2º andar-CCHLA, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 08:00-12:00h.

Não obstante já ter decorrido 13 anos desde a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA -, a realidade em que ainda se encontram imersas a infância e a adolescência brasileiras deixa claro que não é simplesmente através de um instrumento legal, por mais avançado que seja, que mudarão as condições de vida dessas pessoas. A reprodução das desigualdades sociais, marca do modelo econômico de desenvolvimento ora em vigor no país – e no mundo -, repercute sobre elas no sentido de desprovê-las dos elementos essenciais a uma vida digna, como educação, saúde, habitação, saneamento etc. Assim, em que pesem medidas pontuais, a falta de políticas públicas consistentes tem feito com que permaneçam altos os índices de exploração pelo trabalho; de busca pela sobrevivência nas ruas; do envolvimento com o tráfico, com a criminalidade, com a prostituição, enfim, com diversos aspectos do que tem sido chamado de violência. Neste sentido, agregados em torno aos pesquisadores que compõem o Núcleo de Estudos Sócio-Culturais da Infância e da Adolescência – NESCIA -, do Departamento de Psicologia, estudantes de graduação e de pós-graduação se encontram desenvolvendo pesquisas, quer de Iniciação Científica, Especialização ou Mestrado, cujo objetivo mais geral é tentar apreender alguns dos sentidos que comportam a realidade da infância e da adolescência, particularmente no Rio Grande do Norte mas balizados pela realidade brasileira, para, assim, tanto compor um quadro explicativo dessa realidade quanto reunir os elementos necessários para a formulação de políticas públicas mais consistentes. Um panorama dos diversos estudos que vêm sendo desenvolvidos compõe a proposta desse Grupo de trabalho.

RESUMOS

1. Adolescentes privados de liberdade e ação educativa: o Hip-Hop como estratégia de intervenção

Dianne Sousa

Nehemias Diniz

Herculano Campos (Dptº. De Psicologia)

Esta comunicação é fruto do estágio desenvolvido na área de Psicologia Escolar, no Centro Educacional Pitimbu - CEDUC-Pitimbu, unidade da Fundação Estadual da Criança e do Adolescente do Rio Grande do Norte - Fundac-RN. O trabalho foi montado visando minimizar os efeitos das precárias condições encontradas naquele estabelecimento, destinado ao cumprimento de medida sócio-educativa de privação de liberdade para adolescentes do sexo masculino. Ressalta-se o isolamento físico e social dos internos; os prédios condenados pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura; a escola não regulamentada; a falta de uma real perspectiva de profissionalização, dentro e fora dos muros da unidade; a falta de assistência adequada frente as diferentes demandas de saúde mental e dependência química; a atividade técnica compartimentalizada, em que as abordagens da psicologia, do serviço social e do setor pedagógico priorizam o atendimento individual, clínico; e a falta de qualquer trabalho na perspectiva de integração família/sociedade/Estado, que limita o processo da internação e as chances de uma inserção mais consciente do jovem na vida social. As atividades foram desenvolvidas em três direções: famílias, junto as quais criou-se um espaço de escuta; escola, em que fomentou-se, além da escuta, novas possibilidades do fazer pedagógico; e os adolescentes, com quem implementou-se ações educativas norteadas por temas geradores, provenientes de suas vivências na sociedade e no cotidiano da instituição de privação de liberdade. Para tanto, valeu-se dos elementos do Hip-Hop, seu caráter de crítica social e questionamento existencial, visando fomentar um projeto de vida marcado pela consciência social, pelo respeito e a responsabilidade por si e pelos outros.

2. A Cultura da violência e os espetáculos dos meninos do Pitimbú

Teresa de L. L. Frota

Gláucia H. A. Russo (Dptº. De Ciências Sociais)

Esse trabalho é fruto de um artigo apresentado a revista Sociabilidades II, onde, a partir dos relatos de meninos internos do Pitimbu, buscamos compreender o significado que a violência toma na vida desses sujeitos, ao mesmo tempo, vítimas e algozes destas práticas. Partimos da idéia que esses jovens e adolescentes significam a violência como um elemento positivo em suas relações uns com os outros, nestas os valores como a coragem, a força física, a agressividade e mesmo a crueldade, assumem na composição do seu imaginário um lugar de destaque concorrendo para a sua aceitação em determinados grupos, bem como para o arranjo da sua identidade e sobrevivência cotidiana. Para expressar tais idéias utilizamos os relatos desses meninos que nos levam a perambular pelos caminhos e becos escuros das suas vidas. A cultura da violência, embora possua diferentes feições, é aqui entendida como aquela que penetra nos meandros da lei e constrói suas próprias regras, tornando o seu quadro valorativo um padrão de referência familiar, corriqueiro e cotidiano. Essa cultura aprecia a utilização da força como forma de fortalecer a supremacia do mais forte sobre o mais fraco, constrói uma hierarquia moral peculiar, em que os valores como a coragem, a força física, o poder, a dominação, o levar vantagem em tudo, dentre outros, tornam-se fundamentais para a construção das relações desses sujeitos.

3. Reincidência: uma reflexão da experiência de estágio curricular no Programa SOS-Criança. Natal

Kátia S. da Costa

Salefe L. V. Santos (Dptº. De Serviço Social)

Reincidência: uma reflexão da experiência de estágio curricular no programa SOS-Criança tem como cenário o programa SOS-Criança que é um órgão integrador/articulador de ações e serviços de defesa/atendimento à criança e ao adolescente. Para tornar exeqüível o estudo desta temática faremos uma abordagem teórica sobre a Política da Proteção Integral e a institucionalização do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), bem como, o papel da rede de atendimento como prestador de serviços sociais que zelam pelo bem-estar da criança e do adolescente, considerando a família um pólo importante nesse processo. A realização da abordagem investigativa com representantes de rede de atendimento, na perspectiva de buscar, identificar a opinião dos mesmos frente a problemática da reincidência. Visto que, tanto a rede de atendimento como a família são os principais atores no processo de garantia de direitos infanto-juvenis. Pretende-se com esse estudo fornecer subsídios para futuras pesquisas sobre o tema com vista de elencar os direitos da criança e do adolescente.

4. Compreendendo a influência da família na iniciação do uso de drogas pela criança

Kátia C. V. de Araújo (Dptº. De Psicologia)

O uso abusivo de drogas na nossa sociedade tem se configurado como um dos mais graves problemas sociais da atualidade, colocando inúmeras pessoas em situação de marginalização, fome, miséria e doença. O problema, que envolve inúmeras implicações como violência, crime, desajuste social e tráfico de drogas, vem atingindo populações cada vez mais jovens. Sem negar a amplitude e a multicausalidade do fenômeno, este estudo visa, através de um recorte teórico e metodológico, compreender a influência da dinâmica familiar na iniciação do uso de drogas por crianças. É justificado pelo aumento de casos de droga entre crianças e adolescentes, bem como pelo importante papel que a família desempenha na construção da identidade e na formação de hábitos durante a infância. Os sujeitos da pesquisa são um grupo de 08 a 10 crianças de até 12 anos de idade, usuárias de drogas lícitas ou ilícitas, atendidas pela 1ª Vara da infância e da Juventude de Natal-RN. A metodologia empregada consta de entrevistas semi-estruturadas com seus pais ou responsáveis, além de técnicas de expressão verbal, gestual e gráfica aplicadas às crianças para compreensão de fatores relacionados com o problema. Em estudo piloto iniciado, foram observados eventos na dinâmica familiar contemporâneos do início do uso de drogas pela criança, contudo, está sendo dada continuidade aos demais procedimentos da pesquisa.

5. Desvelando as teias de Pinóquio: concepções de família para jovens moradores de bairros periféricos de Natal/RN

Périsson D. do Nascimento (Dptº. De Psicologia)

O trabalho tem como objetivo central uma reflexão sobre a família enquanto instituição construída social e historicamente e sua relação com a formação social de jovens moradores de bairros periféricos de Natal/RN, participantes do Fórum Engenho de Sonhos de Combate à Pobreza. A pesquisa encontra-se atualmente em andamento, na qual tentamos compreender a realidade dos jovens com suas famílias nos seguintes aspectos: concepções de casa (privado) e rua (público), suas relações e representações sobre os papéis familiares, a história da família, aspirações de vida e vínculos. Os dados foram construídos através de entrevistas semi-estruturadas, questionário de perfil psicossocial e grupos focais de discussão, dos quais participaram 09 jovens, considerados articuladores nas ações do Engenho nos bairros. Foi utilizada análise dos discursos, na perspectiva da teoria do imaginário. Os jovens relatam estórias de vida marcadas por dificuldades de diálogo e compreensão nas relações familiares, e vêem-se em conflito entre as concepções tradicionais de família e a realidade vivida, tendo em vista que suas configurações familiares e relações divergem muito do modelo familiar burguês imposto pela sociedade. A família é vista como espaço privilegiado da afetividade, seja nas vivências de apoio, ou de sofrimento. Apesar dos problemas, a família é vista como espaço primordial de desenvolvimento da personalidade individual, determinando os valores e comportamentos que o jovem apresenta no contexto social. Questionam a hierarquia e os papéis, enfatizando aspectos como: sexualidade, gênero, adolescência e relação família/sociedade.

6. Protagonismo juvenil: uma análise das experiências de participação social dos jovens potiguares no movimento dos direitos sexuais e reprodutivos

Rita de C. A. A. Mendonça (Dptº. De Psicologia)

A proposta do protagonismo juvenil surgiu no Rio Grande do Norte a partit de 1997, mediante as experiências com os Programas de Orientação Sexual e Saúde Reprodutiva, apoiados pelo Fundo de População das Nações Unidas. O enfoque privilegia uma estratégia pedagógica, centrada na qualidade do atendimento, mobilização social, inclusão social, politização e diálogo, em especial sobre a educação sexual, saúde reprodutiva, direitos e deveres infanto-juvenis. A palavra protagonismo significa personagem principal. Uma ação é dita protagônica quando o educando é o ator principal no processo de seu desenvolvimento. A promoção do protagonismo juvenil parte do princípio que o jovem possui a capacidade política de um cidadão, pressupondo a cidadania direitos universais, de onde emerge um ser político, que decide sobre o seu destino e o de sua coletividade. Nas ações sócio-educativas com 700 adolescentes no RN, busca-se analisar em que medida o processo de participação juvenil nos movimentos sociais e nas práticas institucionais, relaciona-se com a formação psicossocial na adolescência; como a participação social expressa-se para meninos e meninas na atuação dos programas de orientação sexual e saúde reprodutiva; e como devem funcionar as tentativas de participação da sociedade civil, em particular dos jovens, no controle social.

7. Projeto Anjo da Guarda-apadrinhamento afetivo

Danielle de Souza Barbosa

Ana Cristina Dantas de Oliveira (Dptº. De Serviço Social)

O trabalho resulta do estudo realizado a partir da elaboração do Cenário Institucional da 1ª Vara da Infância e da Juventude da comarca de Natal/RN e tem como abordagem e amostra,através de visitas realizadas aos abrigos governamentais, a necessidade de intervir na qualidade de vida das crianças e adolescentes que estão nesses abrigos e que se encontram isolados em sua maioria, do convívio familiar e social. A nossa proposta de intervenção é convocar a sociedade para participar, através do Projeto Anjo da Guarda – apadrinhamento afetivo – a ser responsável também por essas crianças e adolescentes. Tal proposta possibilitará atenção individualizada, orientações, apoio, acompanhamento escolar e do seu cotidiano nos abrigos de forma a garantir as crianças e adolescentes abrigadas seus direitos assegurados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente(ECA).

8. Violência na escola e prática do psicólogo escolar

Ana C. G. Lopes

Diego Gonçalves

Fábio H. V. de C. e Silva

Marcus H. L. Onofre

Herculano Campos (Dptº. De Psicologia)

Nessa pesquisa levantou-se os registros de violência nas escolas públicas e privadas do município de Natal, no período de 1995 a 2001, contidos na mídia impressa, nas Secretarias Municipal e Estadual de Educação, nos periódicos científicos e nas monografias, dissertações e teses dos cursos de graduação e pós-graduação em Psicologia, Serviço Social, Ciências Sociais e Educação. Dos 68 registros observados, nove casos foram de agressão física, em que um professor, um diretor e um funcionário estão entre os agressores. Outros nove casos foram incivilidades, inclusive praticadas por um professor, três diretores e um funcionário. Por incivilidades definem-se os comportamentos em que as pessoas se valem de palavras grosseiras, humilhações, desrespeito. Constatou-se trinta e um casos de violência institucional, ou seja, 46,4% do número total de registros. Diferentemente da violência simbólica, em que a agressão é subliminar, contida em resoluções, horários, exigências de posturas específicas etc., a violência institucional é explícita. Professores, diretores, coordenadores e funcionários são acusados de descaso, não entrega de notas, reprovações injustificadas, indiscriminada suspensão de aulas, discriminação para com alguns alunos, negação de direitos etc. Em decorrência desse quadro, há que se rever o sentido a ser tomado nas ações de prevenção e combate à violência na escola, visto que parece não se sustentarem as hipóteses de que os alunos são os principais responsáveis por tal fenômeno. Portanto, cada vez mais torna-se evidente a necessidade de um amplo trabalho de formação de educadores, para o qual os especialistas, dentre os quais o psicólogo, possuem papel fundamental a cumprir.

9. Trabalho infantil e subjetividade

Carina C. de Souza (Dptº. De Psicologia)

O Fenômeno da exploração do trabalho infanto-juvenil não é algo da modernidade, a participação de crianças e adolescentes em atividades laborais,acompanha a história da civilização humana. Porém é com a consolidação do capitalismo que esse tipo de trabalho passou a ser utilizado de forma excessiva.Esse quadro de exploração vem se modificando, principalmente no início da década de 90 quando o trabalho infantil adquiriu status de questão social, sendo incluída nos problemas nacionais. Vários são os fatores que se articulam com essa complexa questão, dentro deles será destacada a subjetividade.É no intuito de melhor entender os aspectos subjetivos do trabalho precoce, que esse estudo se propõe a focalizar a influência do trabalho precoce na construção da subjetividade infantil. Buscar o significado que essas crianças vêem no trabalho, que recursos subjetivos utilizam para enfrentar essa condição de trabalhador precoce e o contexto social que estimulam ou mantêm o trabalho infantil. Para viabilizar esse estudo tomaremos como base crianças e adolescentes que fazem parte do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI).O programa engloba meninos e meninas na faixa etária de 07 a 14 anos, residentes tanto no meio urbano quanto no meio rural do município de Extremoz/RN. Acreditando ser essa uma questão fundamental e que possa contribuir, dentro da psicologia, para avançar no entendimento dessa complexa relação trabalho/subjetividade facilitando uma leitura mais aproximada da nossa realidade como pesquisadores e da realidade dessas crianças.

10. Trabalho infantil, ideologia e poder disciplinar: lançando um olhar para além do econômico

Izabel Feitosa

Magda Dimenstein (Dptº. De Psicologia)

As tentativas de explicação do trabalho precoce, quase sempre, procuram estabelecer uma relação de causalidade entre trabalho e pobreza, restringindo-se, portanto, ao aspecto econômico ao modo de produção capitalista que alimenta as desigualdades sociais. Não negligenciando este aspecto, pretendemos abordar o fenômeno para além do econômico e refletir sobre outros aspectos que podem estar sustentando a inserção precoce da criança no trabalho. Nosso olhar e escuta sobre o trabalho infantil implica entendê-lo em suas relações com o poder disciplinar e com o conceito de ideologia. O presente estudo, portanto, tenta considerar estes aspectos se propondo a apreender os sentidos que a família e os professores produzem acerca do trabalho infantil no cultivo de hortaliças. Para efetivar este estudo, realizamos grupos focais com as mães, cujas crianças estudam e trabalham no cultivo das hortas em Gramorezinho (bairro situado na zona norte de Natal-RN) e com os professores destas crianças na escola do bairro (Escola Lourdes Goudeiro). As falas dos sujeitos foram tratadas segundo a perspectiva das práticas discursivas, tentando articulá-las com a noção de ideologia e poder disciplinar. De um modo geral, percebe-se o quanto a ideologia e a disciplina estão imersas nas práticas discursivas dos sujeitos. Pois, embora apareça, em alguns momentos, a referência ao trabalho como algo que pode queimar uma etapa da vida (a infância), como algo que tira o tempo de estudar e de brincar da criança, atribuí-se ao trabalho infantil uma grande importância. Tanto para os professores como para as mães, o trabalho é algo que pode livrar as crianças dos perigos da rua, tais como: vagabundagem, criminalidade e uso de drogas. Nesse sentido, as falas apontam para o trabalho infantil como uma alternativa importante para a não permanência das crianças nas ruas.

11. Os sentidos do trabalho doméstico remunerado de adolescentes da cidade do Natal

Munich Santana

Magda Dimenstein (Dptº. De Psicologia)

O trabalho doméstico é uma realidade para meninas de classes populares e uma das formas de trabalho mais encontradas entre as adolescentes trabalhadoras no nordeste brasileiro. É uma atividade que reproduz a pobreza e as relações de gênero na sociedade, tendo em vista que é um tipo de atividade em que uma mulher é contratada para substituir outra, perpetuando o lugar da mulher como de mantenedora do espaço privado. Este estudo buscou conhecer o sentido do trabalho por 14 adolescentes que moram no local de emprego e estudam em escolas públicas do município de Natal. Dentre as entrevistadas, observa-se uma tendência a perceber o trabalho doméstico como uma atividade provisória, até o encontro de novas formas de trabalho mais valorizadas socialmente e mais bem remuneradas. Apenas uma adolescente trabalha sob condições de proteção legal, já que lhe são assegurados todos os direitos trabalhistas como carteira assinada, salário mínimo, férias remuneradas e folga semanal, assim como, o acesso à escola e à família. As demais adolescentes trabalham sob condições desfavoráveis, sem carteira assinada, com salário abaixo do mínimo nacional. Destaca-se o tipo de relação que as adolescentes estabelecem com as patroas, a qual pode camuflar uma relação hierarquizada de classe, gênero e geração, ou seja, a exploração e as condições desfavoráveis vividas no trabalho. Além disso, o trabalho é percebido como uma forma de ascensão social e contribui na busca de melhores oportunidades na capital do Estado para as jovens que saem do interior buscando ter acesso aos estudos e a um salário para comprar objetos pessoais e ajudar a família. O trabalho doméstico apresenta tanto um aspecto negativo, como forma de trabalho explorado, na ocorrência de maus tratos e humilhações, quanto um aspecto positivo, na ampliação das possibilidades de emprego e socialização das jovens.

12. A importância da brincadeira: o discurso de crianças trabalhadoras e não trabalhadoras

Indira C. C. de Oliveira (Dptº. De Psicologia)

Dentre os vários aspectos ligados à infância elegemos com objeto deste trabalho o direito da criança brincar, atividade esta considerada importante para seu desenvolvimento. Porém, nem todas as crianças podem desfrutar desse direito. Assim, o objetivo da nossa pesquisa foi investigar como as crianças em duas condições diferenciadas de desenvolvimento vivenciam o brincar em seu cotidiano. Nosso corpus, construído com o recurso à história de Pinóquio, é constituído por discursos de crianças em situação de trabalho e crianças não trabalhadoras. Os resultados apontam para as formas diferenciadas que cada grupo de crianças vivencia o brincar, decorrentes do contexto sócio-histório-cultural em que elas estão inseridas.

13. Ser “menino de verdade” – a escola e os meninos e meninas em situação de trabalho

Waleska P. de L. Santos (Dptº. De Psicologia)

O presente trabalho constitui num estudo sobre a relação existente entre a função da escola, a condição dos meninos e meninas em situação de rua e o trabalho precoce, procurando contextualizar esses construtos historicamente, inclusive considerando a influência do sistema capitalista e neoliberal. Pretendemos também fazer uma relação com a obra “As Aventuras de Pinóquio”, de Carlo Collodi, cuja concepção de escola é bastante similar do discurso oficial atual – escola para todos. Na obra citada, o personagem Gepeto não sabia o que era ser um “menino de verdade”, mas sabia que existia um lugar na cidade, onde seu boneco Pinóquio se tornaria um – a escola. Assim, essa instituição foi designada pela justiça e pela política da cidade de Gepeto como um direito da infância. Pinóquio, no final da narrativa, transforma-se em um “menino de verdade” porque desenvolve comportamentos de responsabilidade e bondade aprendidos na escola. O argumento central evidencia que, apesar do discurso igualitarista e de todas as transformações conseqüência de reivindicações da sociedade civil, a escola caracteriza-se por proceder de forma diferenciada com relação às duas classes sociais na nossa sociedade – um caminho árduo para a classe trabalhadora e outro, mais fácil para a classe detentora dos modos de produção.

14. Violência nas ruas: experiências de meninos e meninas em situação de rua no município de Natal

Andreína da S. Moura (Dptº. De Psicologia)

Com a promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente, uma série de situações em que se encontra essa população são consideradas de risco pessoal e/ou social, por ameaçar ou violar os direitos dela. A situação de rua é um delas. Os resultados apresentados nesta pesquisa são um recorte de uma pesquisa mais abrangente, da qual destacamos as situações de violência presenciadas e/ou vivenciadas por crianças e adolescentes em situação de rua. Foram entrevistados 253 sujeitos, entre 4 a 17 anos, que, em sua maioria, está em situação de trabalho nas ruas. O questionário abrange dados gerais de identificação do sujeito, dentre outros. Os dados sobre cenas de violência nas ruas foram considerados quando ocorriam agressões, brigas, ameaças, tanto na condição de participante, vítima ou de expectador. Os resultados obtidos são os seguintes: 130 sujeitos já presenciaram cenas de violência nas ruas; desses, 37 sofreram algum tipo de violência; 20 participaram enquanto atores e 17, em ambas as condições. O tipo de violência mais citado dentre os entrevistados foi briga. Procuramos investigar, também, se os entrevistados já haviam sido retidos em instituição prisional. Dentre os entrevistados, 31 responderam afirmativamente.A maioria das detenções ocorreu por uso de droga e a polícia foi apontada como o principal agente da retenção. Treze dos entrevistados detidos relataram ter sofrido maus-tratos quando nesta condição. Nota-se, assim, que a violência se faz presente na vida nas ruas de uma parcela significativa da população entrevistada em Natal, constituindo-se como uma importante situação a ser considerada, já que a situação nas ruas, pela necessidade de trabalho precoce, por si só já é uma situação de violação dos direitos.

15. Stress infanto-juvenil e vivência na rua

Magda Dimenstein

Ana K. de F. Vasconcelos

Monique B. P. Leitão (Dptº. de Psicologia)

Nossa pesquisa objetivou analisar o stress entre crianças e adolescentes em situação de rua. Foi delimitada uma amostra de 32 sujeitos que transitavam no bairro de Ponta Negra (15 adolescentes, 17 crianças, 25 meninos e 7 meninas). O instrumento utilizado foi a Escala de Stress Infantil (Lipp & Lucarelli,1999), que verifica o estresse por meio de sintomas experimentados pelos indivíduos. A escala é composta de 35 itens relacionados às reações ao estresse classificadas como físicas, psicológicas, psicológicas com componente depressivo e psico-fisiológicas. Resultados preliminares apontam que a maioria dos sujeitos não apresenta o diagnóstico de stress, na medida em que não atingem a pontuação total necessária para ser identificada como tal, nem a pontuação parcial, específica por fator. Quatro sujeitos atingiram o percentual que indica stress, dos quais 3 são adolescentes (2 meninas e 1 menino) e 1 criança do sexo masculino. Observou-se que os sujeitos do sexo feminino apresentaram pontuações mais elevadas em todos os itens da escala se comparados com os do sexo masculino. Isso aponta que as meninas apresentam uma maior vulnerabilidade ao stress na condição de rua. Além disso, os adolescentes apresentaram maior pontuação do que as crianças nas reações psicológicas e psicológicas com componente depressivo. Nesses fatores, os itens mais freqüentes são aqueles que dizem: “fico preocupado com coisas ruins que podem acontecer”, seguido de “eu me sinto triste” e “tenho vontade de chorar”. Isso demonstra que os adolescentes têm uma percepção mais apurada dos riscos que a rua pode oferecer, bem como da necessidade de desenvolver estratégias de sobrevivência no cotidiano. Esses resultados sugerem que crianças e adolescentes de ambos os sexos, em situação de rua, apesar das condições adversas, contam com fontes de apoio que funcionam como possíveis fatores de proteção no seu desenvolvimento.

16. Percepção de risco, sofrimento e prazer na vivência de rua por meninos e meninas em Natal/RN

Magda Dimenstein; Monique B. P. Leitão

Ana K. de F. Vasconcelos (Dptº. de Psicologia)

Nosso objetivo foi analisar a percepção de risco, sofrimento e prazer na vivência de rua por crianças e adolescentes. A amostra constou de 32 sujeitos - entre 06 e 18 anos, de ambos sexos - que transitavam em Ponta Negra (bairro e praia), área de intensa concentração de crianças e adolescentes devido ao fluxo turístico. Dentre diversos instrumentos utilizados na pesquisa, apresentaremos aqui os dados referentes à entrevista, composta por questões semi-abertas. Resultados preliminares indicaram que quase metade das respostas (48,8%) associou risco a veículos/possibilidade de atropelamento; 37,2% associaram à violência, em que estão incluídas respostas relacionadas a agressão, abuso sexual, roubos. Também foram observados aspectos como risco de tiro/facada, drogas, dormir na rua. De 32 sujeitos, 08 consideraram essas situações de risco pela possibilidade de morte/comprometimento da saúde que podem acarretar e 4 pela falta de controle/imprevisibilidade. Grande parte dos indivíduos (32,3%) enfrenta sozinha as situações de risco, enquanto outros pedem socorro ou ajuda, seja a amigos/conhecidos, a polícia ou as pessoas de modo geral. Quanto à percepção de sofrimento, ou do que seria ruim no espaço de rua, o que foi mais citado foi: ser vítima de violência; a pobreza/mendicância; o preconceito. Outras respostas estavam relacionadas a um plano mais concreto, como a presença de esgotos, animais, etc. Em relação ao prazer, a maioria referiu-se às amizades estabelecidas/brincar na rua, seguido pelo trabalhar/ganhar dinheiro, dentre outros. Pode-se concluir que os sujeitos pesquisados identificaram como fatores de risco situações com as quais convivem em seu cotidiano, atribuindo à violência os pontos negativos da rua e à socialização os positivos, porém, a maior parte deles costumam enfrentar situações adversas sozinhos.

 


GT-30: ARTE, CORPO E MOVIMENTO

Organizadores:

Prof. Dr. Edson Claro (Departamento de Artes)

Email: ecesarclaro@hotmail.com

Profª. Ms. Helenita Assunção Nakamura (Departamento de Artes)

Email: h.nakamura@ig..com.br

Local/horário: Teatrinho do Departamento de Artes, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

O GT se apresenta com a proposta de refletir sobre as diferentes linguagens da arte tendo como foco principal o corpo. Serão consideradas propostas de trabalhos que favoreçam uma reflexão sobre:

Apreciação do corpo humano através das artes;

-Pintura

-Escultura

-Dança

-Desenho

-Teatro

-Cinema

-Fotografia

-Música.

Outros temas correlatos.

RESUMOS

1. Dido e Éneas: um experimento de interpretação teatral com cantores de ópera

Autor:

Marcio Alessandro Nunes Rodrigues (Aluno do curso de Ed.Artística - Artes Cênicas -UFRN)

Orientadora:

Elke Riedel (Profa. Ms. da Escola de Música – UFRN)

O presente trabalho tem como objetivos a construção e manutenção de um experimento teatral baseando-se no princípio da ação física de Stanislavski para a colaboração na interpretação de cantores de ópera. O experimento foi desenvolvido com um grupo de cantores da camerata “Canto Dell’arte” projeto de extensão da UFRN, durante a montagem da ópera “Dido e Enéas” de Henry Purcell. Nenhum dos cantores possuía experiência teatral anterior. O ponto de partida do experimento foi a partitura musical da ópera ”Dido e Éneas”. Durante o experimento procuramos desenvolver com os cantores suas habilidades para a interpretação teatral, inspirando-se em princípios dos métodos das ações físicas criado por Stanislavski. O experimento terá continuidade durante os próximos meses quando a ópera fará sua estréia em Natal, no Teatro Alberto Maranhão, previmos a manutenção do trabalho para futuras apresentações em outros estados. Como primeiras conclusões, a pesquisa demonstrou a eficiência do principio das ações físicas para gerar soluções cênicas para os desafios do trabalho com iniciantes em interpretação teatral. O trabalho demonstrou também que o uso do princípio da ação física influencia na mudança do timbre vocal dos cantores favorecendo a interpretação da música cantada.

2. Entre o corpo e a música

Francisco Canindé da Silva (Aluno do Curso de Educação Artística – UFRN)

Este trabalho pretende apresentar práticas desenvolvidas na disciplina denominada FECA III. Predominantemente dirigida para desinibição dos alunos através da aplicação de várias técnicas corporais. O processo se deu a partir do exercício coletivo fundamentado no livro: “ser criativo” (Nachmanovitch). Como resultado obteve-se a elaboração de uma pequena peça musical, executada com a utilização de instrumento convencional e não convencional. Além da mostra de instrumentos sugeridos através do gesto.

3. A Consciência Corporal no Processo da Educação Musical

Ms. Valéria Carvalho da Silva (Professora do Curso de Educação Artística - UFRN)

O presente trabalho refere-se a um estudo sobre a consciência corporal e sua aplicação na prática da educação musical. Buscamos fundamentar nosso estudo nos pressupostos educacionais e filosóficos do pedagogo musical Jaques Dalcroze, cuja essência está na escuta consciente, na eurritmia, que consiste na busca do movimento musical do corpo humano. Sua metodologia desenvolve-se através de movimentos corporais conscientes e expressivos. Enfocamos também, o ensino da música enquanto um contínuo processo voltado para o desenvolvimento dos esquemas de percepção, expressão e pensamento.

4. Pau e Lata: projeto artístico-pedagógico

Prof. Danúbio Gomes da Silva

O Pau e Lata: Projeto Artístico – Pedagógico vem sendo desenvolvido nos últimos quatro anos na cidade de lajes do Cabugi/RN, com um grupo de 18 adolescentes, tendo como principal expoente à música experimental, o uso do elemento sucata como instrumento de percussão e a relação corporal traduzida pela realidade social e cultura do grupo e pela forma como se processa a aprendizagem neste projeto. A construção do conhecimento sobre a música experimental é elaborada através da “pesquisa sonora” tomando como metodologia uma abordagem “dialógica e problematizadora” baseada na proposta de “ler, contextualizar e o fazer artístico”. A pesquisa sonora através do uso da “sucata” é usada para o entendimento dos elementos da teoria musical, dos ritmos que representam a cultura local. Por meio dessas atividades o Pau e Lata: Projeto Artístico – Pedagógico também trabalha com estes jovens o diálogo sobre a sua postura corporal, problematizando os valores e atitudes sobre questões de gênero, sexualidade, família, amizade, cidadania, movimentos políticos e culturais; conseguindo avanços significativos no que diz respeito ao processo de crescimento do grupo. Este grupo, hoje, traduz nos seus corpos a ousadia de aprendiz, pesquisador e professor. Podemos dizer que são corpos em busca constante de liberdade.

5. Banda rítmica: musicalizando através da construção de materiais sonoros

Roberta Lopes Gomes Paulino Dantas (Aluna do Curso de Educação Artística – UFRN)

O desenvolvimento da linguagem sonora ou musical, não pode estar dissociada da oportunidade que a criança deve ter de trabalhar com as diversas formas de instrumentos. Construíndo, manipulando e explorando esses instrumentos, a aprendizagem da música, associada à liberação do instinto rítmico e à expressão corporal acontece de forma expontânea, despertando na criança o gosto pela música, o desenvolvimento da percepção auditiva, auxiliando também a auto disciplina e a interação com o outro.

6. A presença do corpo: gestos e olhares que contribuem com a alfabetização artística e estética

Autora:

Maria Margareth de Lima (Mestranda do PPGED/UFRN)

Orientadora:

Dra. Vera L. P. Rocha (PPGED/UFRN)

Este trabalho busca recortar parte de uma pesquisa relativa a projetos pedagógicos de ensino de arte na linguagem de Teatro, Capoeira e Cinema, onde tomamos como base metodológica para a análise a Proposta Triangular e os Conteúdos Gerais organizados pelos PCN’s arte. Além destes referenciais estamos acrescentando como ponto central desta comunicação a procura de gestos e sentidos que possam tornar possível uma compreensão das expressões corporais que digam respeito à educação contemporânea. Isto é, estamos procurando defender a presença da educação escolar enquanto gestos e olhares que contribuem com a alfabetização artística e estética que se encontra no corpo. Salientamos não apenas o corpo que dança, pula, grita, corre, se faz mostrar visualmente, mas também o corpo que está presente pela sutileza, memória, história, narrativa, enquanto movimento que integra uma proposta política pedagógica possibilitando construir a gestualidade humana no decorrer da sua história cultural. Objetivamos pensar o corpo enquanto gestos que possibilitam refletir o ensino de arte na escola, considerando a vida humana e toda a complexidade de suas interações.

7. Caboclo de Lança: um corpo na preservação da cultura

Autora:

Daisy Abbott Galvão Ururahy (Aluna do curso de Educação Artística - UFRN)

Orientadora:

Helenita Nakamura (Profª. Substituta do Curso de Educação Artística-UFRN)

Analisamos a respeito da entrega corporal a que se submetem os componentes de alguns folguedos populares, no caso aqui analisado o Maracatu-rural, durante suas apresentações. O estudo faz parte de uma pesquisa mais abrangente sobre o tema que estamos realizando junto à disciplina Folclore Brasileiro. Percebemos que existe por parte dos participantes do Maracatu-rural, uma entrega total para manter viva uma tradição cultural. O personagem “lanceiro”, praticamente se afasta de sua vida para viver quatro dias emprestando o seu corpo na representação da figura de Ogum. E isto ele faz movido pela paixão e por uma mistura chamada “azougue”, composta de pólvora, limão e cachaça. Este fenômeno nos remete buscar respaldo teórico para apreciar analiticamente o papel do corpo na preservação de uma cultura.

8. Acompanhando os passos da Congada no Estado

Autores:

Diana Sisson (Aluna do curso de Educação Artística - UFRN)

Gibson Machado Alves (Aluno do curso de Educação Artística - UFRN)

Luiz de Siqueira Menezes Filho (Aluno do curso de Educação Artística - UFRN)

Orientadora:

Helenita Nakamura (Profª. Substituta do Curso de Educação Artística-UFRN)

O trabalho tem como tema central o “Congo de Guerra”, que corresponde à linguagem artística e cultural inserida dentro do contexto da comunidade de Ceará Mirim no estado do RN. Você sabe o que é o “Congo de Guerra”? Não? A pesquisa vai lhe contar um pouco sobre esse assunto, num trabalho que pretende, sob o ponto de vista da expressão corporal e cultural, revitalizar essa manifestação popular, tão pouco reconhecida e documentada em nosso Estado. Focalizamos este folguedo como uma leitura da cultura popular que apresenta um cortejo repleto de movimentos, expressões e gingas, que contam através da dança e da música histórias sobre batalhas.

9. Herdanças de corpos brincantes: os saberes étnicos-culturais do Coco de Zambê pelo olhar da fotografia

Autora:

Teodora de Araújo Alves (Doutoranda do PPGED/UFRN)

Orientador:

Prof. Dr. Edson César Ferreira Claro (PPGED/UFRN)

O estudo objetiva investigar e expressar por meio de fotografias saberes étnicos-culturais da dança afro-brasileira denominada Coco de Zambê de Tibau do Sul/RN. Isto porque, defendemos que ter consciência de outras formas de saberes, valorizá-los e considerá-los nos diversos âmbitos da sociedade brasileira é um grande passo em direção a uma sociedade que respeite a diversidade, as semelhanças, as identidades e a pluralidade dos vários grupos étnicos que participaram da sua formação. Portanto, essa pesquisa traz questões que nos reportam a compreender o negro como integrante de uma história étnica que embora com grandes problemas de preconceitos e discriminações, tem conseguido manter alguns de seus muitos saberes. A escolha do grupo foi feita intencionalmente, pelo fato do mesmo possuir elementos marcantes em sua constituição no que concerne à africanidade e por encontrar-se inserido em uma comunidade remanescente de quilombos.

10. Arte: um caminho para o equilíbrio e desenvolvimento humano

Autora:

Cristina Barbalho (UnP)

Orientadora:

Nísia B. A. P .Sousa (Profª do DEPED/UFRN)

Análise efetuada através de um resgate da nossa trajetória pessoal em diversas fases da vida percebendo-se apenas intuitivamente o desenvolver natural do processo criativo e sua importância terapêutica. Relaciona o pensamento intuitivo ao referencial teórico apresentado pelo curso de Arte Terapia Holística (UnP). Demonstra a repressão vivida por não enquadrar-se nos modelos educacionais adotados na época o que conduzia a um estado de debilitação física de proporções consideráveis. Simultaneamente como artista plástica e professora de pintura, realiza a análise do processo vivenciado por uma aluna, o desenvolver do potencial criativo e sua potencialidade para o equilíbrio e desenvolvimento humano. O resultado confirma que a expressão artística ajuda a exteriorizar e desenvolver uma outra visão relacionada a processos afetivos e recordações do passado. Demonstra a possibilidade do uso da arte como método auxiliar de diagnóstico, ou como agente libertador de emoções inconscientes. Confirma a regulação das ações diante da prática artística a partir de fatores organizadores que proporcionam um estado de harmonia interior, constituindo assim o potencial curativo da arte.

11. Relato de pesquisa realizada no CAPS-PAR em Parnamirim

Autoras:

Neyre Kely Menezes Pessoa Dantas (Aluna do curso de Educação Artística - UnP)

Waldilene Dantas da C.C. de Freitas (Aluna do curso de Educação Artística - UnP)

Orientadora:

Maria Margareth de Lima (Profª. da UnP)

Estamos apresentando o resultado de um projeto de pesquisa e extensão realizado no decorrer da disciplina Prática de Ensino como pré-requisito para conclusão do curso de Educação Artística – Desenho na UNP – Universidade Potiguar. O nosso campo de pesquisa foi no CAPS-PAR em Parnamirim que objetiva possibilitar a reinserção social de seus usuários. Analizamos o espaço de ação, objetivando planejar a nossa intervenção na área de arte. O eixo principal deste trabalho foi caracterizado pelo exercício de socialização, comunicação com a linguagem artístico-cultural, a manifestação expressiva e criativa com o ato da comunicação e os instrumentos de trabalho. Com poesias, músicas, modelagens, dramatizações e relatos dos participantes pudemos observar mudanças positivas no aspecto corporal Desta forma vivenciamos com diferentes corpos que demonstravam lentidão, apatia e irritação, uma nova forma de se conectar consigo próprio e o mundo via contatos de pele, carinho, atenção refletindo numa percepção de melhora da saúde.

12. Excepcional: Uma experiência

Autoras:

Deusa Maria Magnos (Aluna do curso de Educação Artística - UFRN)

Edízia Kaline Costa Lessa (Aluna do curso de Educação Artística - UFRN)

Orientadora:

Helenita Nakamura (Profª. Substituta do Curso de Educação Artística-UFRN)

Resultado de uma vivência realizada na APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais - de Natal/RN para a disciplina Prática de Ensino de Educação Artística, “Excepcional: Uma experiência” é o relato de um projeto cujo objetivo principal era enaltecer na Arte o seu caráter propiciador do autoconhecimento e desenvolvimento do homem enquanto ser humano. Diante da proposta inicial que tangia o trabalho, elaboramos uma oficina que resgatasse brincadeiras que norteavam a infância e que ao mesmo tempo satisfizessem nossos objetivos descritos anteriormente de desenvolvimento dos alunos em questão que eram limitados por uma deficiência mental. Intitulada “Oficina de Brinquedos e Brincadeiras”, buscamos, nesta, abranger alguns aspectos, dentre estes o da integração social, escolhendo brinquedos que pudessem explorar, também, o exercitar do corpo como um todo. Destacamos o trabalho realizado no encerramento desta oficina que foi o de elaborar petecas, cata-ventos e bilboquês em materiais alternativos. Nesta etapa de trabalho, o brincar se fazia necessário para que os objetivos de integração e desenvolvimento pudessem ser atingidos pelos alunos. Sendo assim, auxiliados pela música que naturalmente permitia o movimentar-se, o expressar-se e o encontrar-se com a magia que norteava, e norteia, o universo infantil e o da Arte, nossos alunos brincaram e se divertiram atingindo nossos propósitos gerais do projeto que eram os de propiciar a integração e o seu desenvolvimento como um todo através da arte.

13. Como uma onda no mar fotografias de sujeitos resgatam a história do século XX

Helenita Assunção Nakamura (Profª. Substituta do Curso de Educação Artística-UFRN)

Propomos um resgate histórico do século XX a partir de uma seleção de fotografias de sujeitos cuja existência deram significação à história. O trabalho foi iniciado junto a uma atividade de sala de aula, na disciplina Etnometodologia II, do curso de pós-graduação em Educação da UFRN. Sabemos que o sujeito faz sua história numa atuação direta e constante com o mundo e consigo mesmo. Assim, podemos acreditar que se “o mundo é o que vemos” as atitudes e criações e/ou recriações exercidas pelo sujeito ao longo da história se encontram refletidas na sua corporeidade, entendida aqui enquanto corpo-sujeito.

14. Parangolés brincantes

Autora:

Débora Sheila Barreto Dourado

Orientadora:

Helenita Assunção Nakamura (Profª. Substituta do Curso de Educação Artística-UFRN)

Este trabalho foi elaborado a partir do estudo sobre a vanguarda brasileira nas artes plásticas e teve como enfoque principal as representações lúdicas de Hélio Oiticica e Lígia Clark. Os parangolés, penetráveis e trepantes, foram os objetos de arte utilizados para traçar este viés com a ludicidade, uma vez que estas representações artísticas se completam com o corpo do fruidor. Fundamentamos este estudo a partir da correspondência trocada entre estes dois artistas plásticos, reportagens e imagens de revistas, bem como a coleta de dados orais cedidos por professores.

 


GT-31: EXPLORANDO A ESCRITA A PARTIR DE DIMENSÕES COMPLEMENTARES.

Coordenadora:

Profa. Drª. Maria do Socorro Oliveira (Departamento de Letras)

E-mail: msroliveira@yahoo.com

Local/horário: Setor de aula V, Bloco G, sala 3, 56 lugares, 50 lugares, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

O foco de atenção deste grupo de trabalho é abordar o fenômeno da escrita a partir de dimensões complementares. Neste sentido, interessa-nos discutir a escrita não só como produto, mas também como processo e prática social. Dentro dessa visão integrada do ato de escrever, além de questões que dizem respeito à organização interna do texto (produto), serão explorados aspectos relativos aos níveis de planejamento textual e/ou ao percurso de criação e recriação de um texto (processo), bem como à figura do escritor, tentando-se entender de que forma o discurso, as ideologias e as práticas institucionais determinam aquele que escreve (prática social). Dentro dessas abordagens, serão tratadas questões de subjetividade, identidade, poder, letramento, gênero discursivo, cidadania, entre outras.

RESUMOS

1. A desnaturalização dos gêneros discursivos em contextos de letramento situados

Maria do Socorro Oliveira (Prof.ª Dr.ª da UFRN/PpgEL)

Esta comunicação tem como tema experiências de letramento, desenvolvidas por um Programa de Educação Lingüística, voltado para uma comunidade de letramento especifica. Neste contexto, estratégias de ação lingüística são trabalhadas em função da possibilidade de engajar os participantes em demandas comunicativas que fazem parte da rotina diária do cidadão, através da utilização de modos discursivos falados e escritos, usados em ambientes públicos e privados. O acesso a essas demandas comunicativas é entendido não como um processo de aculturação, tendo em vista a norma ou o letramento dominante, mas como uma possibilidade de desnaturalizar as expectativas de “falta de poder” (disempowerment) ou “incapacidade”, por parte daqueles que integram essas comunidades, substituindo as expectativas de insucesso e deficiência pela possibilidade de sucesso. A ênfase na questão do fortalecimento e do acesso a práticas comunicativas dominantes conduziu, necessariamente, a se explorar o letramento como uma prática social situada, desnaturalizando-se a questão dos gêneros discursivos.

2. Escrevivendo: a linguagem escrita em função do exercício de cidadania

Autora:

Glícia M. A. de Medeiros Tinoco (Mestranda da UFRN/PPgEL)

Orientadora:

Maria do Socorro Oliveira (Prof.ª Dr.ª da UFRN / PpgEL)

Na tentativa de contribuir para o redirecionamento do ensino-aprendizagem de Língua Portuguesa, especificamente no tocante à modalidade escrita, a Base de Pesquisa Letramento e Etnografia Crítica (PPgEL/CCHLA/UFRN) desenvolveu um projeto etnográfico de escrita colaborativa na Casa Renascer, ONG que atende a crianças e a adolescentes em situação de risco na cidade de Natal/RN. Através desse projeto de grande impacto social, as adolescentes-participantes traçaram perfis socioculturais de suas comunidades, analisaram os serviços públicos oferecidos (ou a inexistência deles), detectaram suas maiores necessidades, produziram documentos reivindicatórios, encaminharam-nos à Câmara Municipal de Natal, participaram de plenária e acompanharam esse processo de legitimação da cidadania, instaurado a partir da parceria estabelecida entre a UFRN e a Casa Renascer. Com efeito, a ponte lançada entre essas duas instituições revelou a possibilidade de operacionalização de novos paradigmas para o processo de ensino-aprendizagem de língua materna, desvelando caminhos para a ressignificação do ensino de língua materna: de conteúdos vazios para o ensino de estratégias de fortalecimento social.

3. A linguagem falada e escrita na visão das revistas Veja e Isto É

Autora:

Rosa Adriana Piña Jafelice (Mestranda da UFRN/PpgEL)

Orientadora

Maria do Socorro Oliveira (Prof.ª Dr.ª da UFRN/PpgEL)

As revistas Veja e Istoé têm uma grande circulação no Brasil, são tidas como referências de informação e são, portanto, formadoras de opinião. O objetivo deste trabalho é fazer uma análise do material relacionado à linguagem, seja esta escrita ou falada, publicado nas revistas Veja e Istoé entre os anos 2000 e 2002. Orientam o estudo as seguintes questões: a) existe alguma tendência mais normativa ou mais funcionalista na forma em que o assunto é apresentado? Qual a postura dos autores das matérias com relação às matérias em questão? b) qual a preocupação ou interesse maior das duas revistas, de acordo com o tipo de material publicado? Há semelhanças ou diferenças que possam ser observadas? Nesta pesquisa usaremos a abordagem funcionalista como base teórica, especificamente quando trata “da hipótese de que a linguagem se adapta às necessidades de comunicação dos seus usuários e as gramáticas refletem essas adaptações. Nesse sentido, a forma da língua deve refletir a função que exerce ou ser restringida por ela. A língua é tida como uma estrutura maleável, emergente, uma vez que está sujeita às pressões do uso e se constitui de um código não inteiramente arbitrário” (Furtado da Cunha & Votre, 1998) Nesse sentido, esta hipótese se opõe à visão da gramática normativa, que apresenta um conjunto de regras que devem ser seguidas para que se alcance o domínio da variedade padrão, para que se fale e escreva “corretamente” (Possenti, 1996). Neste caso, o que conta é a avaliação do certo e errado. Os resultados mostram que há uma forte tendência em ambas as revistas para a manutenção do uso do português padrão e do seu uso “correto”. A tendência observada é normativa, pelo fato de estar presente, em praticamente todos os artigos, uma preocupação com o falar correto, com o estímulo à leitura que vai ter como conseqüência uma “fala melhor”e que é parte de uma ideologia que não leva em consideração a flexibilidade da língua, sua dinamicidade e maleabilidade

4. O gênero discursivo relatório de estágio supervisionado de prática de ensino de língua portuguesa – a relação título/conteúdo da seção

Maria das Graças Soares Rodrigues (Prof.ª Dr.ª do DCSH/UFRN)

A presente comunicação focalizará a relação título/conteúdo da seção no gênero discursivo relatório de Estágio Supervisionado de Prática de Ensino de Língua Portuguesa. O corpus, objeto de análise deste estudo, foi coletado em universidades federais das cinco regiões brasileiras. A escolha desse corpus se deve ao fato de a escrita do concluinte de Letras ainda ser pouco investigada. A análise teve como orientação metodológica a abordagem qualitativa de natureza interpretativista e como fundamentação teórica alguns trabalhos acerca da noção de coerência. Os resultados revelam várias ocorrências de deslize entre o tema anunciado pelo título e o conteúdo propriamente abordado na seção. A descontinuidade de sentido entre o título e o conteúdo da seção ocorreu em vários espaços discursivos. Os dados revelam: (1) ruptura da continuidade de sentido a partir do início do primeiro parágrafo, após o título; (2) interrupção da continuidade de sentido no segundo parágrafo após o título e (3) descontinuidade de sentido, em decorrência de o concluinte focalizar o tema somente a partir do quarto parágrafo, após o título. Por fim, está evidente que a ruptura da continuidade de sentido na relação título/conteúdo da seção não é específica de uma seção, mas manifesta-se em contextos lingüísticos diferentes.

5. Fenômenos fonológicos interferindo na escrita de crianças nas séries iniciais: problemas de ou com o letramento?

Maria Assunção Silva Medeiros (Doutoranda da UFRN / PpgEL)

A criança, ao adquirir sua língua materna, passa por dois momentos fundamentais para sua interação social: o primeiro é quando adquire a fala por volta dos 0:6 aos 4:6 (Yavas, Hernandorena & Lamprecht (1991); o segundo momento é quando a criança começa a ter contato visual com as letras, paralelamente à aquisição da fala. Entretanto, há uma diferença fundamental entre essa duas modalidades da língua e sua cronologia de aquisição. Apesar de a criança iniciar seu contato visual com tudo que está escrito a sua volta, muito cedo, só conseguirá o domínio pleno da escrita mediante contato sistemático, fora de sua casa, na escola com outros processos interacionais diferentes daqueles pelos quais adquiriu a fala em contexto social mais restrito, menos sistemático, sem métodos - a família. Na escola, o contexto social se amplia, porque a criança vai interagir com muitas outras crianças, de famílias diferentes ao mesmo tempo, um professor, um método de ensino(...) Sabendo-se que letramento não implica somente o conhecimento do código alfabético e a sua associação silábica, morfológica, sintática, textual, é que se questiona: por que a escrita inicial das crianças é permeada pelos processos fonológicos que ocorrem no período de aquisição da fala tais como: a redução dos encontros consonantais, as trocas de fonemas surdos por fonemas sonoros ou vice-versa? Tem-se, então, um problema de letramento (não domina a escrita), um problema com o letramento (não domina a leitura) ou as duas coisas? Parece óbvio, mas para a criança associar o que já acumulou assistematicamente na família, na comunidade e ampliar sistematicamente na escola através da escrita é muito difícil. Isso porque, aprender a escrever sem associar à compreensão do que está escrito, não se pode falar que há letramento. Ou, dominar o código escrito mecanicamente sem associá-lo à compreensão do que lê, também não se pode falar em letramento. Portanto, dados de pesquisa na escrita da criança em contexto escolar das séries iniciais revelam que é de fundamental importância que se reflita, enquanto escola, sobre a dimensão sócio-histórica e cultural na qual a criança está inserida para adotar um método de aprendizagem da escrita o qual associe a sua fala à leitura de mundo que a cerca, e, desse modo, ela possa alcançar o letramento na sua definição mais completa: Letramento = leitura + escrita + compreensão > conhecimento pleno de sua língua materna.

6. Narrativas escritas por sujeitos escolares surdos: eventos de escrita em sala de recursos

Célia Maria de Medeiros (Mestranda da UFRN / PpgEL)

Maria do Socorro Oliveira (Prof.ª Dr.ª da UFRN / PpgEL)

Considerando a escrita como uma prática social e dialógica, em que a interação entre professor e aluno constitui-se em um evento de letramento, essa pesquisa procura focalizar a produção textual do escolar surdo, especificamente o gênero narrativo (escrito), uma vez que o centro desse processo está na mediação que o sujeito surdo faz através da Língua de Sinais, no nosso caso a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais). A pesquisa, ora realizada, utilizou em sua abordagem teórico-metodológica os conceitos do enfoque sociocultural através de Bakhtin (1992, 1999) e Vygotsky (1991, 1998). A perspectiva bilíngüe, que foi discutida por autores da área de surdez como Fernandes (1990, 2003), Quadros, (1997), Botelho (2002), Silva (1998), Skliar (1999), Góes (1999) e Dorziat (1999), se insere de acordo com seus propósitos em uma abordagem sociocultural. A escrita é considerada nessa pesquisa como objeto de estudo e, como parâmetro de seu desenvolvimento pelos escolares surdos, temos o bilingüísmo (língua portuguesa escrita como L2 e a LIBRAS como L1). Sabendo, pois, que a escrita é uma linguagem importante da qual a pessoa surda não pode prescindir, visto que sem ela o surdo terá diminuída a chance de competição e de comunicação com os ouvintes, cabe ao ensino da língua de sinais assumir o papel intermediário na aquisição da escrita, posto que, para o sujeito surdo, ela é a via mais natural para organizar e adquirir conhecimentos. Com relação às narrativas escritas por nossos escolares surdos, os dados demonstraram a importância que a LIBRAS teve na mediação para o texto escrito.

7. Reescrita textual: um trabalho de reflexão e aprendizagem

Márcia Candeia Rodrigues (Mestranda da UFRN/PPgEL)

Maria do Socorro de Oliveira (Prof.ª Dr.ª da UFRN)

A prática da reescrita de textos no Ensino Médio nem sempre foi uma realidade nas escolas, uma vez que muitos dos textos produzidos têm apenas como fim a aferição de uma habilidade textual, quando não somente gramatical, exigida pelos exames de vestibular. No entanto, escrever e reescrever textos é, em geral, uma necessidade constante da vida cotidiana. Essa realidade é, então, discutida neste trabalho que se fundamenta na concepção de língua enquanto instrumento determinante e determinado pela interação com o outro em seu espaço social (Bakhtin, 1977) e, especialmente no âmbito escolar; ela é meio pelo qual o professor media as relações entre o que o escrevente aprendeu e o que ele ainda pode aprender.(Vygotsky, 1984). Nesse sentido, o trabalho de reescrever textos possibilita ao aluno refletir com e sobre a língua, numa postura constante de aprendizagem. Tal procedimento faz emergir da interação entre os sujeitos envolvidos uma responsabilidade mútua de construir conhecimentos ou de refletir sobre eles.

8. A construção da autoria em textos de vestibulandos

Marluce Pereira da Silva (Prof.ª Dr.ª da UFRN/PpgEL)

Neste trabalho, procura-se analisar, numa perspectiva discursiva, a função-autor em produções escritas de vestibulandos, observando, através dos mecanismos discursivos ali presentes, se a escola realmente permite a esses alunos a passagem de sujeito enunciador para sujeito autor, ou seja, a assunção da autoria que implica uma inserção do sujeito, na cultura e sua posição no contexto sócio-histórico (Orlandi, 1999). Utilizam-se, como fundamentação teórica para a concepção de autoria, os estudos de Orlandi (1996,1999), Gallo (1992), Foucault (1983) e, ainda, pressupostos da AD francesa na discussão a respeito das condições de produção, memória e o papel do sujeito enquanto produtor da linguagem Pêcheux, (1964) e Orlandi (1988). Os resultados da análise apontam que a escola, devido ao seu papel ideologizador, não oferece atividades que permitam ao aluno, no processo de produção textual, a sua passagem de enunciador a autor.

9. As implicações das práticas escolares na formação do aluno-autor

Carmen Brunelli de Moura (Mestranda da UFRN/PpgEL)

Marluce Pereira da Silva (Prof.ª Dr.ª da UFRN/PPgEL)

Na perspectiva do interacionismo sócio-discursivo, proposto por BRONCKART (1999), na qual o autor é compreendido como agente, aparentemente responsável pelas operações que dão ao texto seu aspecto definitivo, ou seja, aparentemente escolhe, seleciona e gerencia os mecanismos responsáveis pela organização do texto, sempre guiado por emoções, crenças e valores - relação com a exterioridade, nosso objetivo nesta comunicação é investigar os mecanismos discursivos responsáveis pela constituição do autor em textos produzidos por alunos, na disciplina de Comunicação e Expressão II de uma universidade particular, considerando, também, que um texto é construído a partir das múltiplas vozes (Bakthin,1995),(Authier-Revuz,1982). O papel do autor é organizar coerentemente essas vozes coletivas em função de suas experiências, a partir de uma negociação e confronto entre elas (Foucault, 1971). Para essa investigação, adotamos como metodologia o paradigma indiciário de GINZBURG (1989), no sentido de encontrar indícios das ações produzidas pelo aluno nas atividades de produção de textos dissertativos.

10. O livro didático na sala de aula comunicativa: uma prática possível?

Autora:

Héricka Karla Alencar de Medeiros (Mestranda da UFRN/PpgEL)

Orientadora

Marluce Pereira da Silva (Prof.ª Dr.ª da UFRN/PpgEL)

O questionamento que motivou esta pesquisa, e que a intitula, situa-se na observação do papel que o livro didático desempenha em uma aula de língua inglesa que se propõe utilizar a abordagem comunicativa. A abordagem comunicativa consiste em um processo de aprendizagem que pretende fazer com que o aluno aprenda uma língua estrangeira não apenas para a sala de aula, mas também, e principalmente, para suas experiências sociais, exigindo, portanto, uma aula bastante sensível ao contexto social dos alunos e do professor. Ao questionar até que ponto livros didáticos importados trazem assuntos pertinentes à realidade da sala de aula, objetivou-se compreender a atitude do professor de língua estrangeira diante das instruções do livro didático, analisando se as situações apresentadas no livro são apreendidas como possibilidades. Para a realização da pesquisa, observamos e gravamos seis aulas, cada uma com duas horas de duração, em um curso de língua estrangeira em Campina Grande - PB, que afirmou utilizar a abordagem comunicativa. O estudo revelou que, nestes casos analisados, o professor tornou-se apenas um mediador entre a “verdade acabada” do livro e os alunos que “nada sabem”. Suas experiências pessoais, assim como as de seus alunos foram silenciadas diante da autoridade do livro didático, impossibilitando a geração de situações comunicativas. No entanto, o uso do livro didático na sala de aula não implica em uma aula não comunicativa desde que o professor, atuando como um pesquisador, o considere como uma possibilidade, e não como a última, e única, palavra.

11. E-mails: interação virtual – a interface entre oral e escrita

Maria Nívia Dantas (Mestranda da UFRN/PPgEL)

Maria do Socorro Oliveira (Prof.ª Dr.ª da UFRN/ PPgEL)

Com o advento da Internet, o e-mail - correio eletrônico, passou a ser uma das ferramentas mais utilizadas pelos usuários do ambiente virtual. Procurando compreender o papel relevante que essa ferramenta representa na vida diária de cada um de nós e de como os usuários se adaptam às exigências necessárias para fazerem uso de códigos específicos, objetivamos analisar, nesse estudo, como se organiza esse gênero comunicativo, observando como os usuários fazem uso de certas convenções de escrita, ou modismo, na medida em que eles estabelecem uma interação com outros usuários. O corpus, ainda em fase de coleta, está sendo constituído por usuários de e-mails da cidade de Natal, com idades que variam entre 14 a 37 anos. Em análises previamente realizadas, pudemos perceber que, dependendo do grau de envolvimento entre os usuários e do conteúdo contido nos mesmos, os traços de oralidade aparecem de forma diferenciada. A partir dessa análise, compreendemos que certos aspectos da oralidade, presentes na modalidade escrita, são resultantes do grau de envolvimento/distanciamento e de convenções de escrita adotadas pelos usuários. Nesse sentido, escrita e oralidade não se encontram numa relação de oposição. Tanto a escrita possui traços de oralidade, quanto o texto oral pode apresentar características da modalidade escrita.

12. O uso social da leitura e da escrita na educação de jovens e adultos

Autora:

Antônia de Lima Alves (Mestranda da UFRN/PPgEL)

Orientadora

Maria do Socorro Oliveira (Prof.ª Dr.ª da UFRN/ PpgEL)

Tendo em vista a necessidade de alfabetizar jovens e adultos, sem esquecer o contexto social em que vivem, partimos do ponto de que o “conhecimento deve ser construído com vistas às práticas comunicativas do cotidiano”. Esta análise é feita à luz dos conceitos de Freire, Soares, Kleiman, entre outros. Ampliar nossa prática pedagógica vem sendo um desafio constante. Partimos, então, do uso dos mais diversos gêneros textuais, tendo o texto como unidade básica no processo de ensino/aprendizagem e fazendo o uso social da leitura e da escrita de acordo com as necessidades de nosso(a)s aluno(a)s. Através de diferentes usos sociais da leitura e da escrita, o(a)s aluno(a)s vêm desenvolvendo as mais diversas produções textuais, tanto individuais quanto coletivas, como, por exemplo: listas de compras, cartas, narrativas, entre outras produções. Acreditamos que esta proposta de trabalho vem contribuindo, de forma significativa, na formação de nosso(a)s aluno(a)s, enquanto sujeitos participantes e transformadores de uma sociedade mais justa e igualitária para todos.

13. O sujeito / leitor como construtor de sentido através da semiotização

Núbia de Fátima Rodrigues Cavalcante (UnP)

Este projeto é resultado de uma pesquisa realizada na Escola Estadual Rotary, na cidade de Natal, com alunos da 5a série do Ensino Fundamental, após análise dos dados coletados, detectando o desprazer de escrever. O projeto visa mostrar a importância de um texto/objeto motivador, como elemento facilitador na busca de sentido para a produção escrita, estabelecendo relações psicológicas da mente do autor (objeto motivador) com a mente do leitor (relação semântica), numa experiência de semiotização, articulando Plano de Conteúdo-PC e Plano de Expressão-PE. Nesta experiência, o sujeito leitor assume o papel de autonomia criativa, diante de sua produção, mesmo estando amparado pelo sistema interativo do contexto escolar de ensino-aprendizagem. Sente-se também capaz de produzir sua criação lingüística dentro de uma contextualização, envolvido em situação de evento social de letramento e ao mesmo tempo, de prática de letramento pedagógico. O projeto em andamento tem a preocupação de mostrar ao corpo docente, que o aluno em dificuldade de produção escrita, deve ser considerado no contexto geral em que atua, em relação às pessoas com quem convive, em função dos tipos de eventos sociais de letramento em que ele está inserido no seu cotidiano, mostrando que todo esse contexto sócio-cultural tem influência apreciável em seu desempenho, não só na leitura de mundo, como também na leitura gráfica. Por essa questão, deve-se procurar novas estratégias no incentivo à prática de leitura e às práticas de letramento no tangente a textos escritos.

 


GT-32: GEOMORFOLOGIA E MEIO AMBIENTE

Coordenadora:

Profª Drª Maria Francisca de Jesus Lírio Ramalho (Departamento de Geografia)

E-mail: fran@ufrnet.br

Local/horário: Auditório da Geografia – CCHLA, 40 lugares, terça, 20 de maio, 14:00-18:00h.

Vários são os impactos ambientais causados pelo mal uso dos recursos naturais. Na questão do relevo, onde o homem desenvolve suas atividades, criam-se condições para o início do processo erosivo com o desmatamento e a conseqüente impermeabilização do terreno, aumentando as inclinações das encostas. O tema tem como objetivo gerar discussões que envolveram características do meio físico ambiental e natureza dos processos de degradação, face às modificações causadas pela interferência humana.

RESUMOS

1. Relação do barramento do rio Piranhas/Açu (RN) com as alterações ambientais em seu baixo curso e zona costeira.

Paulo Roberto de Menezes (Bacharel em Geografia)

Este trabalho trata da relação do barramento do rio Piranhas/Açu com as alterações ambientais em seu baixo curso e zona costeira correspondente. Pretendeu-se verificar se existia uma relação do barramento do rio Piranhas/Açu, com as alterações ambientais que estão ocorrendo em seu baixo curso e zona costeira (morte de áreas de manguezais, erosão costeira, redução da produção de pescado estuarinos/marítimos). Foi utilizado um modelo de abordagem holística sistêmica no estudo, a metodologia empregada: levantamentos de dados hidrológicos, metereológicos, oceanográficos, geológicos, geomorfológicos, cartográficos, pedológicos, produção pesqueira, imagens de satélite, fotos aéreas, geração de gráficos, trabalho de campo. Existe uma relação dos dados meteorológicos, hidrogeológicos, sedimentológicos e físico-químicos e foi constatado que em anos de menores precipitações pluviométricas (maior atuação do fenômeno El Niño), é evidenciada uma maior erosão (avanço) da linha de costa (Galinhos, Guamaré e Macau) e uma redução da produção de pescado. Por outro lado, em anos de maiores precipitações pluviométricas (maior atuação do fenônemo La Niña), registra-se uma acresção (recuo) da linha de costa (Galinhos, Guamaré e Macau), além de ocorrer uma maior captura de pescado estuarino/marítimo da região. Os barramentos do rio Açu, e de outras bacias hidrográficas, atuam como agente redutor de fluxo e energia, diminuindo a carga de sedimentos, matéria orgânica e água doce para a zona costeira, acelerando modifições ao sistema morfodinâmico costeiro e a cadeia alimentar do ambiente estuarino/marítimo. A área sofreu níveis diferenciados de impacto por ocasião da barragem Armando Ribeiro Gonçalves, das industrias salineira, carcinicultura e petrolífera. O frágil equilíbrio do meio biológico, ecossistemas, encontram-se em uma situação limite em alguns casos já em pleno desequilíbrio.

2. Os resíduos sólidos do Róger na dinâmica ambiental do manguezal

Ana Lucia do Nascimento Pereira (Mestranda do Programa de Pós- Graduação em Geografia da UFRN)

O enfoque deste trabalho surge a partir do momento, onde o ser humano não encontra soluções para o acondicionamento de seus resíduos indesejáveis explorados e descartados à natureza, como é o caso da cidade de João Pessoa que absorve os dejetos de maneira irregular, impedindo ou condicionando um forte impacto ao ambiente local, causando uma paisagem assustadora no sentido humanitário para as pessoas que o têm como fonte de renda, e provoca enormes desastres ao ecossistema de mangue, que se encontra em situação de degradação. Nesse sentido procurou-se avaliar as condições ambientais do Lixão do Roger, através da disposição, e seus espaços, enfatizando os tipos de resíduos depositados neste ambiente de alta fragilidade, e também identificar locais que mais sofrem agressão ambiental, em especial no manguezal. Buscou-se identificar a produção de lixo recebido por toneladas no período de 1990 a 2002 neste lixão, analisando gráficos que demonstram em sua maioria o crescimento de resíduos do tipo: domiciliar e acumulado. Uma melhor qualidade ambiente do ecossistema “Manguezal” do Lixão do Róger passa por mudanças de comportamento e de educação ambiental, assim como de ações dos poderes públicos

3. Natureza-Sociedade na Grande Natal (RN): a proposta de sustentabilidade da “Política Ambiental do RN” à luz do modelo de desenvolvimento vigente

Sérgio Cerutti (Mestrando em Ciências Sociais- UFRN)

Este trabalho analisa a relação natureza-sociedade na Grande Natal (RN), no período de 1996 a 2002, enfocando como o modelo de desenvolvimento vigente no Estado do Rio Grande do Norte dificulta, na prática, a implementação da proposta de sustentabilidade da “Política Ambiental do RN”, a partir de três exemplos empíricos pesquisados: (1) O Processo de poluição e de degradação ambiental relativo aos manguezais da foz do rio Potengi. Em análise a atividade da carcinicultura (criação de camarões em viveiros) na “Fazenda Camarão do Povo”; (2) O processo de poluição e de degradação ambiental relativo ao rio Pitimbu. Em discussão os impactos ambientais gerados pela Sidore Indústria e Comércio de Refrigerantes, pela Inpasa Indústria de Papéis S.A e pela Texita Companhia Têxtil Tangará; (3) O processo de poluição ambiental ocasionado pela Estação de Tratamento de Esgotos de Ponta Negra e Via Costeira. Neste caso, trata-se de uma obra pública do governo do RN, polêmica do ponto de vista hidrogeológico e societário, tendo sido realizada sem um Estudo de Impacto Ambiental específico, podendo provocar contaminações no lençol freático, além de transtornos ao entorno social. Os três exemplos empíricos selecionados são diferentes em gênese, evolução e natureza da intervenção antrópica, mas, no entanto, expressam, de forma unânime, as contradições presentes nesse modelo de desenvolvimento, externalizando uma relação conflituosa entre natureza e sociedade no Estado do Rio Grande do Norte.

4. Problemas ambientais causados pelo lixão de Cidade Nova

Ilton Araújo Soares (Aluno do curso de graduação em Geografia)

Isabelle Morais Santana (Aluna do curso de graduação em Geografia)

Rosa Maria Rodrigues Lopes (Aluna do curso de graduação em Geografia)

O lixo configura-se atualmente como uma das maiores preocupações ambientais da sociedade moderna. O consumo de produtos tem gerado cada vez mais resíduos, aumentando na mesma proporção os problemas causados por eles. Natal produz atualmente 1200 ton. de lixo por dia que é Depositado desde 1978 numa área de aproximadamente 30 hectares, denominada de Lixão de Cidade Nova. O lixão está localizado numa área de dunas que possui um solo formado por 95% de areia quartozosa, ou seja, uma área extremamente permeável responsável pelo abastecimento do lençol freático, que segundo NUNES(2000), “representa a maior riqueza natural da grande Natal”. Um dos principais impactos causados pela disposição inadequada do lixo naquela área é a desfiguração da paisagem, ou seja, a alteração e destruição do relevo, uma vez que as dunas são formadas por areia, com uma pequena cobertura vegetal rasteira, ambas sensíveis a intervenções humanas. Os principais fatores que contribuem para a destruição do relevo daquela região são: a retirada de areia das dunas para cobrir os resíduos sólidos, a disposição desordenada do lixo e a destruição da vegetação nativa. Outros problemas bastante preocupantes também gerados naquela área são a poluição do lençol freático e do solo, através da infiltração do chorume, produzido pela decomposição da matéria orgânica e a poluição do ar, provocada pelos gases como H2S e CH4 e os gases liberados a partir da queima do lixo. Diante disso, é necessário observar as políticas de tratamento dos resíduos sólidos com o intuito de minimizar os problemas ambientais casados por ele.

5. Sala de aula, campo e laboratório: Uma avaliação comparativa em geomorfologia.

Darlington Roberto B. Farias (Monitor da disciplina Geomorfologia)

Esse estudo faz parte de um projeto didático-pedagógico que envolve professores, monitores e alunos da disciplina Geomorfologia. Tem como principal objetivo “facilitar a compreensão do assunto ministrado em sala de aula com o auxílio da prática de campo e laboratório, visando propiciar, também, meios que possibilitem ao aluno conhecer a importância das interações entre as ciências da Terra”. Para isso, conta-se com a participação de monitores e de professores de outras disciplinas – geomorfologia, pedologia, sedimentologia e educação ambiental.

6. Uso de Técnicas de Geoprocessamento para avaliação de condições ambientais: Estudo de caso da microbacia do rio Pitimbu-RN

Josemberg Pessoa Borges (Bolsista de iniciação científica - CNPq)

O objetivo deste trabalho é apresentar o resultado do uso de técnicas de geoprocessamento (tecnologia dos SIG’s e SGI), como ferramenta para a avaliação ambiental da microbacia do rio Pitimbú-RN, um importante manancial de abastecimento de água da região de Natal-RN, atualmente exposta aos impactos da ocupação humana. O estudo tem como base, a confecção de mapas temáticos da área - geomorfológico, hipsométrico, de uso e ocupação e geológico, que serão utilizados no cruzamento de planos de informação para à confecção do mapa de risco da região.

 


GT-33: PRODUÇÃO E APROPRIAÇÃO DO CONHECIMENTO NA INSTITUIÇÃO ESCOLAR

Organizadora:

Profª. Dr ª. Liomar Costa de Queiroz (Departamento de Letras)

Email: liomar@ufrnet.br

Local/horário: Setor de aula V, Bloco C, sala 4, terça e quarta, 20 e 21 de maio, 14:00-18:00h.

O GT se propõe a discutir questões relacionadas ao ensino e ao conhecimento escolar.

Serão considerados propostas de trabalhos que discutam:

1. O processo de elaboração conceptual;

2. A organização curricular;

3. Estratégias de ensino;

4. Outros temas correlatos.

RESUMOS

1. Elaboração conceptual: uma corrida de obstáculos

Maria Salonilde Ferreira (Professora Dra. do PPGEd/UFRN)

A formação de conceitos é um dos fatores mais importantes para o domínio do conhecimento científico. Sem eles não se pode internalizar leis, princípios e teorias. Esse domínio se constitui um processo complexo e de longa duração exigindo um ativo trabalho intelectual, implicando na utilização de inúmeras operações mentais. No entanto, a elaboração conceptual no contexto da escolaridade formal tropeça numa série de obstáculos. Neste estudo, a análise se volta para algumas das dificuldades que os alunos encontram na elaboração de seus conceitos durante a escolarização. Essas dificuldades foram constatadas no contexto de uma investigação que se efetivou nos primeiros ciclos do ensino fundamental de uma escola da rede pública da cidade de Natal. Elas são de natureza diversa. Uma das maiores dificuldades constatadas na elaboração, pelos alunos, de conceitos científicos é a superação do estágio sensório-perceptivo. Essa superação requer um grau de generalidade em que se efetiva a redução de todos os atributos de uma classe dada ao seu gênero e afixação de tais atributos no fenômeno os quais permitem que este seja universal. Portanto, no processo de elaboração conceptual em situação escolar alguns fatores precisam ser considerados.É preciso planejar cuidadosamente o caminho a seguir durante o processo: os conhecimentos em que os alunos deverão se apoiar, as idéias a serem utilizadas como base intuitiva, as explicações a serem acrescentadas, as situações de aprendizagem para precisar o conceito e operar com ele. A combinação adequada dos componentes visual-figurativo, verbal-teórico e prático-efetivo do pensamento é que garantirá a qualidade da elaboração conceptual do aluno.

2. A mediação do professor na internalização de conceitos matemáticos

Marlúcia Oliveira de Santana Varela (Profa. Dra. do Departamento de Matemática/UFRN)

As investigações atuais sobre a profissionalização docente põem em evidencia as práticas pedagógicas, mais particularmente o papel do professor de matemática. Estudos realizados por (VARELA, 2000), atestam que o fracasso das crianças na Escola, na maioria do casos está associado ao processo de ensino - aprendizagem que nela é vivido e que, a mediação do professor suas possibilidades seus limites interferem significativamente na totalidade do processo. A forma e o momento de sua intervenção podem ser favoráveis ou não(p.221). A operacionalização do trabalho a ser apresentado, caracteriza-se como uma investigação ligada a Base de Pesquisa - Formação de Conceitos na Escola Elementar - UFRN, numa Escola da Rede pública da cidade de Natal, junto a um grupo 08 (oito) professoras em do 1º e 2º ciclos do ensino fundamental. Nesse contexto, pretendemos investigar a mediação do professor no processo de ensino e aprendizagem de significados dos conceitos matemáticos. A referência para essa investigação tem base em conceitos mais gerais - espaço/tempo, movimento, matéria, entre outros, realçando-se uma diversidade de significados com diferentes graus de generalidade. As concepção de ensino aprendizagem tomam como base pressupostos referenciados por Vygotsky (1993) e colaboradores. As técnicas e os métodos usados tomarão como base a matriz conceptual VARELA (2000 p. 81) e o acompanhamento das formulações dos professores em seu exercício docente. Delimitamos para esta investigação o conceitos de: dimensão (formas espacias e planas), posição e mensurabilidade.

3. O conhecimento na escola e a prática docente: significados e dimensões

Márcia Maria Gurgel Ribeiro (Profª. Dra. do Departamento de Educação/PPGED – UFRN)

mgurgel@matrix.com.br

A organização do conhecimento na escola representa uma preocupação atual no campo dos debates sobre o currículo e o ensino. Envolve aspectos referentes não só às finalidades políticas e pedagógicas dessa instituição, mas, à dinamização de estratégias de produção e apropriação desse conhecimento na sala de aula, em especial, para as crianças das camadas populares. A Base de Pesquisa Formação de Conceitos na Escola Elementar, que reúne pesquisadores dos Departamentos de Educação, Letras e Matemática da UFRN, em uma escola pública estadual de Natal/RN, adota pressupostos da pesquisa colaborativa e de intervenção para refletir, com 08 (oito) professoras e 02 (duas) coordenadoras pedagógicas sobre o currículo escolar e a prática pedagógica. O recorte que elaboramos nessa comunicação privilegia elementos do processo de produção e aquisição do conhecimento na escola e a organização da prática docente que assegure a realização desse processo. Reflete sobre o significado do conceito de conhecimento para as professoras e as formas privilegiadas por elas para que ocorra a sua apropriação pelos alunos. As análises realizadas até o momento apontam para a necessidade de ampliar a compreensão sobre o que seja conhecimento, rompendo em uma visão centrada nas disciplinas escolares, incluindo múltiplos significados culturais sobre diferentes conhecimentos, linguagens e suas formas de expressão, valores, atitudes, habilidades. Torna-se fundamental, enfim, repensar o papel social da escola e do currículo como campo cultural de produção de significados abordando as diferentes dimensões constitutivas do conhecimento escolar para compreende-lo de forma complexa e inter-relacionada.

4. A imagem fotográfica na construção da identidade da criança

Patrícia de Souza Azevedo (Graduanda em Pedagogia/UFRN – bolsista PPPg)

Analisa-se o processo de significação que ocorre na escola, mediado pela imagem fotográfica em situações formais de ensino/aprendizagem. Parte-se do pressuposto de que a mediação da fotografia contribui para a construção do saber e da constituição das identidades dos indivíduos, no sentido em que as experiências sensório-motoras atuam como organizadoras da percepção do aluno sobre sua participação no processo de ensino-aprendizagem e dos significados culturais que envolvem esse processo. Essas experiências permitem que o mesmo desenvolva formas autônomas de atuação no contexto escolar, construindo o conhecimento sobre o mundo, os indivíduos e sobre si mesmo nas interações com o contexto concreto de produção das interações sociais. A participação dos alunos nas atividades escolares ocorre de forma diferenciada, incluindo elementos das experiências sociais e culturais vivenciadas no seu cotidiano. Norteia, também, as investigações, preocupações que envolvem a aprendizagem, o desenvolvimento infantil, o processo de desenvolvimento de conceitos científicos e a constituição das identidades dos alunos. É possível concluir que as questões envoltas no processo de constituição da identidade, através da imagem fotográfica, vão se ampliando, desde a história de vida do próprio sujeito, passando pela expansão de suas relações com seus familiares, até a sua chegada na escola. Logo, a escola, assumindo seu papel que vai além da produção e sistematização do conhecimento científico, abre espaço para a construção dessas subjetividades que perpassam todas as situações de aprendizagem e mediações nela ocorridas.

5. O que pensam as professoras sobre a docência? Reflexões sobre singularidades da atuação do professor no ensino fundamental

Patrícia Carla de Macedo Chagas (Mestranda em Educação/UFRN)

A profissão docente é constituída por múltiplas dimensões que implicam em sua organização e complexidade. Estudos sobre a docência ampliam os conhecimentos sobre as particularidades que revestem suas relações históricas, teórico-metodológicas, sócio-culturais, políticas e subjetivas e sobre as formas de escolha e organização das estratégias de ensino. O presente trabalho contextualiza elementos que envolvem esta profissão, destacam aspectos cada vez mais recorrentes e polêmicos nos debates educacionais contemporâneos e convoca o fazer e o ser docente para a arena dos conflitos pertinentes a espaços de atuação, envolvendo aspectos que assegurem ao aluno a apropriação do conhecimento. O estudo é realizado com 08 Professoras e 01 Coordenadora de uma escola pública estadual de Natal/RN, através de entrevistas e observações nos momentos de planejamento do trabalho docente. As sínteses elaboradas até o presente momento apontam a diversidade e complexidade do ser docente, exigindo do professor o domínio de diferentes conhecimentos e campos de produção desses conhecimentos. Mostram, ainda, que a sala de aula constitui-se em um espaço de múltiplas relações e interações que envolvem os processos de produção e apropriação de conhecimentos e implicam na compreensão dessa multiplicidade e na clareza das escolhas relativas às estratégias de ensino utilizadas.

6. Para Além dos Conteúdos Disciplinares...: um estudo sobre as relações interpessoais na sala de aula do Ensino Fundamental

Kize Arachelli de Lira Silva (Graduanda em Pedagogia/UFRN – Bolsista PIBIC/CNPq)

O universo da sala de aula, por sua complexidade, tem sido considerado um cenário não só de aquisição de conhecimentos, mas de constituição de identidades, de trocas e construção de significados compartilhados entre professores e alunos envolvendo afetividades, emoções, relações intersubjetivas que entretecem a intervenção pedagógica (o aprender e o ensinar). Sendo assim, o estudo ora apresentado toma a comunicação de aula como fenômeno de análise privilegiado. Essas discussões e análises integram a participação da autora como bolsista de Iniciação Científica, vinculada ao CNPq/PIBIC, na Base de Pesquisa Formação de Conceitos na Escola Elementar do Departamento de Educação e programa de Pós-Graduação em Educação da UFRN. As pesquisas desenvolvidas nessa Base possibilitam inter-relações importantes para compreendermos a prática pedagógica e os conhecimentos necessários ao professor para o seu desenvolvimento. A metodologia se caracteriza por seu caráter colaborativo e interativo com observações diretas numa turma do 2º ciclo de sistematização, composta por 31 alunos e uma professora polivalente numa escola estadual de Natal/RN. As primeiras análises apontam para a necessidade de uma discussão que envolve aspectos relativos à formação docente, à concepção de identidade, currículo e diversidade cultural. Evidenciam, ainda, que as relações pedagógicas na sala de aula estão estruturadas de forma a privilegiar os conteúdos disciplinares, muitas vezes, desconsiderando a importância da integração dos aspectos afetivos, emotivos, relacionais, culturais, entre outros, na organização do currículo escolar.

7. Exposição sobre os métodos de separação de misturas realizada numa feira de ciências numa escola municipal de natal – RN

Gleba Coelli Luna da Silveira (Aluna Ms. especial da Pós-Graduação do Departamento de Educação/UFRN)

glebacoelli@hotmail.com

O trabalho, cujo tema trata de “Métodos de Separação de Misturas”, foi desenvolvido por 06 alunos do projeto acreditar IV (7a e 8a séries do ensino fundamental sob orientação da professora de ciências) e apresentado durante uma feira de ciências realizada na Escola Municipal Professor Amadeu Araújo no bairro de Nova Natal (Natal RN). Durante os dois dias de feira, os alunos explicaram os processos de separação de misturas, onde eles utilizaram algumas vidrarias de laboratório, como também materiais alternativos que foram por eles mesmos obtidos como, por exemplo: beckers feitos a partir de frascos de café solúvel e de maionese; funis feitos a partir de garrafas de vinho, peneiras e pires de louças usadas nas casas dos alunos. Foram demonstrados 10 métodos de separação de misturas, porém, aqui, exemplificaremos apenas 07 métodos: Os processos de separação por evaporação, sifonação, catação, flotação, tamisação, imantação e dissolução fracionada. O resultado final do trabalho foi satisfatório para a escola, para o professor e, principalmente, para os alunos, que foram extremamente participativos, desde a obtenção do material, até a apresentação do assunto estudado.

8. No princípio... A água...: O conceito de origem e as estratégias para ensiná-lo no ensino fundamental

Denise Cortez Fernandes de Araújo (Mestranda – Departamento de Educação/UFRN)

adriden@ig.com.br

mgurgel@matrix.com.br

O presente trabalho é o resultado das análises sobre a proposta pedagógica destinada ao ensino das Ciências Físicas e Biológicas no ciclo de sistematização do Ensino Fundamental, cujo eixo centra-se no processo de elaboração conceptual. Fundamentado na abordagem sócio-histórica que apresenta elementos teóricos essenciais para entendermos a passagem dos conceitos espontâneos à formação de conceitos científicos, objetiva compreender o processo de internalização dos significados pelo aluno em níveis de generalização mais abrangentes. Destacamos, nessa análise, o conceito de origem que, entre outros, pertence à rede conceptual do sistema de referência considerada como nucleadora do processo desencadeado no citado ciclo de ensino. Os elementos empíricos foram analisados, considerando-se as interações que se estabeleceram na ação educativa, abrangendo desde o planejamento até o cotidiano da sala de aula. Para isso, a observação participativa foi a técnica de coleta de dados usada preponderantemente. Outros aspectos, importantes para esses estudos, são sistematizados a partir das situações de aprendizagem vivenciadas pelos alunos e da sistemática de assessoramento às professoras. As sínteses realizadas até o presente nos revelam que grande parte dos alunos conseguiu avançar no processo de elaboração conceptual, proporcionando rupturas com o significado do senso comum, para internalização de significados mais generalizantes, favorecendo sua aprendizagem e o seu desenvolvimento psicosocial.

9. Mediação, motivação e conhecimento prévio: numa relação no processo ensino-aprendizagem

Maria de Lourdes Gabriel Ferreira Soares (Mestranda do PPGEd/UFRN)

A formação de conceitos no processo ensino-aprendizagem é uma atividade produtiva que surge e se configura no curso de operações complexas voltadas para a solução de algum problema. Esse, para ser resolvido, requer mediação, motivação e conhecimento prévio, numa rede intrincada e plural de linguagem (inter-relações/conexões) para a sua resolução. A aprendizagem ocorre nos níveis de generalização diferenciada, de acordo com o estágio de desenvolvimento do sujeito e do processo de ensino utilizado pelo professor. A mediação se inicia na relação contínua com a natureza ligada à divisão técnica e social, na construção da prática, no tempo histórico e no espaço social, construindo ferramentas e descobrindo técnicas para a produção de sua cultura, iniciado pelos rituais, nos lugares, codificando gestos e palavras. A mediação tornou-se a chave para entender a ação humana envolvendo os motivos que fizeram fluir a motivação para o desenvolvimento do potencial dos instrumentos culturais. A mediação do professor, no ensino fundamental, ocorre quando há uma transformação do conhecimento prévio para o conhecimento escolar, enquanto isso a transmissão do saber pelo professor dá ao aluno a emancipação. A emancipação parte dos conhecimentos prévios relacionados com as situações concretas e vivenciais do aluno para chegar às generalizações pela sistematização do conhecimento escolar. O processo ensino-aprendizagem depende, portanto, desses elementos essenciais na elaboração conceitual e no salto qualitativo das funções mentais superiores.

10. A formação do professor alfabetizador e o ensino da língua materna: uma perspectiva sócio-interacionista

Marlúcia Barros Lopes Cabral (Mestranda do PPgEL/UFRN)

O alfabetizador é um profissional do ensino de línguas e a formação dele configura-se hoje como sendo um referencial significativo à práxis educativa, visto que, a alfabetização é uma atividade pedagógica que está diretamente inserida no processo ensino-aprendizagem de língua e pressupõe o conhecimento da estrutura e do funcionamento da língua, das técnicas pedagógicas, dos mecanismos que permitem a aquisição da linguagem, bem como a adequação do seu uso às diversas situações sócio-comunicativas. Assim sendo, estudar a formação do alfabetizador, enquanto professor de línguas, numa perspectiva Sócio-interacionista, adquire relevância porque aborda aspectos essenciais a uma prática pedagógica mais consciente e reflexiva, amparada em bases teóricas coerentes. Nesta perspectiva, almejamos que esta pesquisa possa contribuir para que o professor, enquanto parceiro mais competente, medie conhecimentos que possam proporcionar a competência lingüística. Desta forma, o estudo a que nos propomos realizar possibilitará alcançar outros objetivos, dentre eles: Proporcionar a compreensão de que a linguagem, enquanto interação verbal, deve ser estudada e ensinada em situações concretas de interação e numa perspectiva sócio-interacionista e alertar para o fato de que não existe neutralidade no ensino da língua e, conseqüentemente, que na prática do professor alfabetizador está imbuída, concepções de linguagem, de aprendizagem e desenvolvimento, entre outros, que caracterizam a sua tomada de posição pelo controle ou mudança, pela opressão ou libertação. Para tanto, além de pesquisas bibliográficas, faremos pesquisas de campo utilizando como recursos metodológicos entrevistas, observações com insights e gravação em vídeo de aulas.

11. Formação lingüística das professoras do ensino fundamental

Liomar Costa de Queiroz (Profa. Dra. do Departamento de Letras/UFRN)

O projeto Formação lingüística das professoras do 1º e 2º ciclos do Ensino Fundamental, Natal/RN, está inserido na pesquisa “A formação de conceitos como elemento constitutivo dos saberes docentes no Ensino Fundamental”, da Base de Pesquisa – Formação de conceitos na escola elementar, do Dptº. de Educação da UFRN. Tem como objetivo observar a produção de seqüências textuais narração e descrição. A partir dos resultados da minha tese de doutorado, surgiu a necessidade em elaborar este projeto por já termos constatado a falta de formação lingüística sistemática tanto para ministrar os conteúdos no dia-a-dia em sala de aula, como para desenvolver as situações de aprendizagem que envolveram a produção, compreensão e revisão de texto escrito, que foi o que nos propusemos e estamos nos propondo, novamente, a observar, discutir e intervir com propostas teórico-práticas que contribuam para uma formação continuada. Ampliaremos as observações em sala de aula com e sem gravação em fita cassete e incluiremos filmagens com análises do registro das imagens, entre outros procedimento anteriormente utilizados. Essas análises darão oportunidade às professoras de se auto-analisarem, o que facilitará para se efetivarem como pesquisadoras e críticas do seu próprio trabalho. Estamos decidindo apenas pelo 4º nível por já incluir duas classes. Essas professoras possuem um diferencial em relação as demais da rede Pública, devido o nosso processo de intervenção e assessoramento. A abordagem utilizada será a qualitativa, através da Pesquisa-ação e, como abordagem teórica, teremos a Lingüística de texto subsidiando a produção e revisão de texto.

12. Reescrita e compreensão textual no ensino fundamental: a mediação do professor

Mariliane Delmiro Filgueira da Silva (Graduanda em Pedagogia/UFRN – bolsista PIBIC/CNPq)

O trabalho aborda questões relativas ao Ensino da Língua Portuguesa, no contexto da produção e compreensão textual escrita. Insere-se num trabalho mais amplo da Base de Pesquisa: Formação de Conceitos na Escola Elementar, mais especificamente a Pesquisa: Formação de Conceitos como Elemento Constitutivo dos Saberes Docentes no Ensino Fundamental. Tem como referencial empírico uma escola pública de Natal-RN. O mesmo ocorreu numa turma do Ciclo de Sistematização da referida escola, com aproximadamente 30 alunos. Na coleta de dados predominaram as observações sistemáticas, privilegiando a atuação do professor em sala de aula. Através dessas observações, constatamos que, no campo específico da linguagem verbal, a preocupação maior foi trabalhar a leitura, produção, compreensão e reescrita de texto. Constatamos que em relação à reescrita a professora está em processo de elaboração e desenvolvimento do conhecimento, pois propôs situações de aprendizagem que despertaram interesse nos alunos na produção textual mas, ao utilizá-las na reescrita, ainda assumiu a postura de privilegiar mais aspectos ortográficos, apesar de estar sendo orientada no sentido de privilegiar a coerência textual. Em relação à compreensão textual, a professora mostrou-se segura, trabalhando o significado das palavras desconhecidas, propondo situações de aprendizagem que possibilitam aos alunos refletirem sobre qual o significado daria mais sentido à frase no contexto do texto. Nessa situação, podemos perceber que a professora realizou a tarefa de mediação, adequadamente, solicitando a participação dos alunos em todos os momentos do processo, à medida que solicitava deles as respostas, em vez de apresentá-las prontas.

13. A fotografia transcodificando conceitos na escola

Jefferson Fernandes Alves (Professor Ms. do Departamento de Educação - Doutorando - DEPED/PPGEd/UFRN)

jfa_alves@msn.com

Esta comunicação pretende expor nossa primeira tentativa de abordar a fotografia como meio e objeto da formação conceitual em um contexto de ensino-aprendizagem, como parte integrante da pesquisa longitudinal Escola e Currículo: a formação de conceitos como componente básico organização curricular, efetivada na E.E. Berilo Wanderley e acompanhando, diretamente, duas turmas do ciclo de alfabetização. A fotografia, como as demais imagens técnicas, constitui-se em conceitos transcodificados que, por um lado, condensa saberes físico-químicos e tecnológicos que geram o fenômeno da foto-sensibilidade, por outro, expressa a conceituação daqueles que a produziram a respeito do mundo, do outro e de si mesmo, através do acionamento do próprio código fotográfico, o qual, por sua vez, se estrutura em torno de conceitos articulados que formam sua sintaxe. Dessa forma, toda vez que o botão é apertado, os significados produzidos por intermédio da figuratividade imagética estão impregnados pelo significado dos elementos sintáticos que compõem esse código. Compreender as imagens é, também, explorar os conceitos de sua sintaxe. Por fim, a análise desses significados tem nos revelado que o ensino precisa ser repensado para incluir elementos sobre a linguagem imagética oportunizando, ao aluno, ampliar suas visões de mundo, de sociedade e de si mesmo de forma articulada com outras linguagens presentes na escola.

14. O pensamento teórico como estratégia de aprendizagem dos conhecimentos na área da história

Francisca Lacerda de Góis (Profa. Dra. do Departamento de Educação/UFRN)

O trabalho se refere a um processo ensino-aprendizagem da disciplina História no ensino Fundamental que apresenta, como eixo central, a elaboração conceptual na perspectiva sócio-histórica. Nesse contexto, priorizamos como elemento norteador o desenvolvimento de elementos do pensamento teórico por considerar que a investigação, a pesquisa, a volta ao tempo em busca de níveis da essência, essência essa, construída historicamente, possibilita transcender o aparente, o observável, o palpável, o fenomenológico, elementos próprios do pensamento empírico. Nos dias atuais, a diversidade de fenômenos exige que se busque um nível de seguridade, de permanência, de duração e isto é passível de ser efetivado na instituição escolar. Neste sentido, se fez necessária a elaboração de situações de aprendizagem consonantes com os objetivos de trabalho, quais sejam: através da aparência encontrar níveis de construção da essência. A análise dos resultados sugere que a maioria das crianças conseguiu desenvolver elementos do pensamento teórico ao extrapolar o vivencial concreto através do processo de significação/resignificação dos acontecimentos históricos numa relação antes/depois.

15. Para além dos limites de sala de aula: um estudo sobre O CONCEITO DE TERRITÓRIO no ensino fundamental

Karina de Oliveira (Graduanda em Pedagogia/UFRN - bolsista PIBIC/CNPq)

linapol@bol.com.br

Analisa-se situações de ensino/aprendizagem que contemplem os atributos essenciais do conceito de território, enfatizando a participação ativa dos alunos nesse processo. Parte-se da compreensão de que a instituição escolar constitui o locus, por excelência, de produção/apropriação do saber historicamente elaborado e que os sujeitos se apropriam desse saber em situações formais de interação. Assim, a escola tem como uma das funções assegurar e garantir o acesso ao conhecimento sistematizado. Para tanto, em suas práticas, deve primar por situações que promovam experiências e ações educativas, no sentido de possibilitar o desenvolvimento das funções mentais, atitudes, habilidade social e de estudo de crianças em idade escolar.A investigação baseia-se nas contribuições da abordagem sócio-histórica acerca do processo de elaboração conceptual, e da Geografia Crítica para elucidar a compreensão dos atributos do conceito de Território, ao longo da evolução do pensamento geográfico e na atualidade. Realiza-se observações sistemáticas em uma turma composta por 30 alunos, sob a regência de uma professora polivalente do Ciclo de Sistematização, de uma escola da rede publica da Cidade do Natal/RN.Evidencia-se que a mediação da professora, no que se refere às idéias pertinentes aos atributos essenciais e do conceito de território, ainda não se apresenta de forma satisfatória em virtude da falta de um discurso pedagógico que possibilite a troca de idéias favoráveis a conexão entre os conceitos cotidianos e científicos, como também o discernimento das especificidades do conceito de território.

16. Freinet e freire: uma escola para o povo

Deyse Karla de Oliveira Martins (Mestranda em Educação – PPGEd/UFRN)

dkom@bol.com.br

O presente trabalho objetiva analisar alternativas pedagógicas para EJA que vem sendo desenvolvida no Programa Geração Cidadã – Reduzindo o Analfabetismo (parceria da UFRN /PROEx SME e PMN) que vem atuando em espaços escolares e não escolares junto às populações ditas “analfabetas”, na faixa etária acima de 15 anos de idade. Fundamenta-se nos princípios da Pedagogia Freinet em os pressupostos teóricos de Paulo Freire, compreendendo que os dois educadores deram uma grande contribuição no campo educacional especialmente no que se refere à preocupação com a conscientização política do educando. Princípios como livre expressão, Educação do trabalho, tateamento experimental e cooperação foram vivenciados em algumas salas. Destacamos em nossa experiência a realização de reuniões pedagógicas com os alfabetizadores do projeto visando uma orientação teórica metodológica contrapondo-se à artificialidade do trabalho escolar, compreendendo-o como sendo um fenômeno social dinâmico e Reflexivo. Buscamos articular nessa análise as conexões necessárias à construção do conhecimento no tocante à aquisição e desenvolvimento da leitura e escrita por esses alunos. Os resultados são preliminares, e apontam mudanças significativas na prática pedagógica dos alfabetizadores. Percebemos que a utilização dos princípios e práticas freinetianas auxiliam a integração do grupo na sala de aula facilitando a aprendizagem da linguagem escrita, bem como, a sua aplicação no cotidiano.

17. Inclusão: um desafio para a escola

Roxana Silva

Alenuska Karine de Medeiros Ferreira

Marluce Alves dos Santos (Campus de Caicó/RN – UFRN)

A Educação Especial ultimamente tem sido alvo de profundas revisões na forma como esta tem sido concebida ao longo de várias décadas, como responsável pelo atendimento das pessoas que não se enquadravam no padrão social estabelecido de normalidade, principalmente a partir da implantação do modelo de inclusão. O escopo deste trabalho é relatar o processo de inclusão de uma criança com Necessidades Educativas Especiais, mais especificamente, que apresenta Déficit de Atenção/Hiperatividade. A investigação ora proposta foi realizada na escola Municipal Mateus Viana, em Caicó/RN. Utilizou-se como suporte metodológico à entrevista, onde foram interrogados 2 professores; 1 coordenador pedagógico e 1 diretor. Através de averiguações e da analise dos discursos dos sujeitos, foi possível perceber que a situação da escola diagnosticada é de total resignificação perante a perspectiva de moldar a instituição escolar dentro do modelo inclusivo, haja vista que a criança portadora de NEE’s, foi acolhida, sendo evidenciada somente sua presença em sala de aula, pelo cumprimento legal da LDB. Pode-se perceber, também, uma certa fragilidade no desenvolvimento do trabalho acadêmico direcionado para a criança em questão. Conclui-se que a inclusão dos Portadores de Necessidades Educativas Especiais ainda está longe de ser concretizada como postula o modelo inclusivo, pois, apesar da boa vontade dos professores em acolher essa criança, observa-se visivelmente a acomodação e resistência destes, em desenvolver um trabalho de interação entre esta e os demais colegas.

 

 


 

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