GT-27: A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA GEOGRAFIA

Coordenadora:

Maria do Socorro Costa Martim

E-mail: smartim@ufrnet.br

Maria Francisca de Jesus Lírio Ramalho

Departamento de Geografia

Local: Setor de Aula II, sala D2

Primeiro dia

01: O CURSO UNIVERSITÁRIO FREQÜENTADO ESTÁ RELACIONADO COM O POSICIONAMENTO AMBIENTAL DOS ESTUDANTES?

Ana Beatriz Bezerra Cortez

Bolsistas de Iniciação Científica (Curso de Psicologia/UFRN)

Grupo de Estudos Inter-Ações Pessoa-Ambiente/UFRN

E-mail: bia_psique@hotmail.com

Prof. Dr. José Q. Pinheiro (Orientador)

O objetivo do trabalho é analisar o posicionamento ambiental de estudantes universitários, para verificar se esse posicionamento tem relação com o curso universitário freqüentado. O estudo de Ewert (2001) mostrou evidências de que estudantes de diferentes disciplinas acadêmicas revelam níveis diferenciados de compromisso ambiental e expressam crenças diferenciadas em relação ao ambiente.Trata-se assim de um estudo exploratório realizado a partir do banco de dados de um trabalho mais amplo que está sendo realizado por nosso grupo de pesquisa. Foram aplicados questionários em 355 alunos universitários, atingindo cursos de todas as áreas de conhecimento. Procuramos por diferenças nas médias dos seguintes fatores: Ecocentrismo e Antropocentrismo (Escala de Thompson & Barton, 1994); na questão que perguntava se o respondente teve ou tem algum tipo de cuidado ambiental e no item que pedia um tipo de contato para uma possível participação em uma campanha ecológica. Constatamos que alunos do curso de Enfermagem e dos de Biologia/Ecologia obtiveram escores altos em Ecocentrismo. Por outro lado, cursos como odontologia e direito apresentaram resultados diferentes aos primeiros, tendo obtido médias baixas em Ecocentrismo e altas em Antropocentrismo. Com relação às demais variáveis investigadas, cuidado e contato, foi encontrado que cursos como enfermagem, serviço social e pedagogia, a maioria dos respondentes afirmam ter cuidado e deixam algum tipo de contato. Já cursos como matemática e odontologia mostram índices diferentes, já que a maioria afirma não ter cuidado e não deixa contado. Pode-se observar que estes últimos apresentam um posicionamento ambiental diferente dos primeiros, sugerindo que “curso freqüentado” pode ser uma das variáveis responsáveis por tal diferença no posicionamento dos alunos. Esses resultados, assim como escores intermediários que serão oportunamente apresentados, permitem concluir que o posicionamento ambiental pode ter ligação com o curso universitário, justificando atenção para com esse aspecto por parte de pesquisas futuras sobre o tema.

02: EXPLORAÇÕES VISANDO O DESENVOLVIMENTO DA NOÇÃO DE COMPROMISSO AMBIENTAL

Mônica de Oliveira Link

Prof. Dr. José Queiroz Pinheiro

Grupo de Estudos Inter-Ações Pessoa-Ambiente – UFRN

Educação ambiental e outras iniciativas que visam proteger o ambiente têm crescido nas últimas décadas, em conseqüência do esforço empreendido por vários setores da sociedade com o intuito de reduzir o impacto humano sobre seu entorno, ao mesmo tempo as pessoas têm procurado se adaptar a estilos de vida compatíveis com o cuidado com o ambiente sem perder o conforto e qualidade de vida.  Compreender como elas reagem a essa nova forma de viver tem sido o objetivo de muitas pesquisas e nosso grupo realizou um programa de pesquisa onde utilizamos a Escala Novo Paradigma Ecológico (NPE) para identificar e descrever o compromisso das pessoas com o ambiente, base para uma conceituação de conduta sustentável. Os 15 itens dessa versão revisada foram traduzidos para o português e realizada sua análise semântica, assegurando a inteligibilidade da redação final. Empregamos quatro níveis de concordância (estilo Likert) e mantivemos a estruturação dos itens conforme a sintaxe original. Junto a ela, foram incluídas outras três escalas, a saber: Coletivismo e Individualismo, Ecocentrismo e Antropocentrismo, e inventário de Zimbardo de perspectiva temporal (IZPT), além de um questionário que continha itens sobre a situação sócio-demográfica dos respondentes e questões abertas sobre alguns aspectos de seu comportamento pró-ambiental como definição de desenvolvimento sustentável, participação em eventos relacionados ao meio ambiente e deixar contato. Responderam ao questionário 355 universitários, de diversos cursos, da cidade de Natal, RN; 229 mulheres e 126 homens, sendo de universidade pública e de particulares, com média de idade de 22,7 anos. Apesar das diversas tentativas de análises fatoriais, a escala NEP não se mostra muito adequada a nossa realidade cultural, uma vez que seus resultados não foram os esperados de acordo com a literatura e o estudo realizado aponta recomendações para usos futuros da Escala NPE. E essa inadequação que pretendo discutir.

03: DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: OXE!? O QUE É ISSO?

Hugo Juliano Duarte Matias

Bolsistas de Iniciação Científica, PIBIC-CNPq (Curso de Psicologia/UFRN)

E-mail: hugo_jdm@yahoo.com.br

Prof. Dr. José Q. Pinheiro (Orientador)

Grupo de Estudos Inter-Ações Pessoa-Ambiente/UFRN

Desenvolvimento Sustentável (DS) é um conceito complexo, porém muito importante na história do crescente movimento de preocupação com a crise ambiental pela qual passamos, sendo, por isso mesmo, bastante divulgado pela mídia em todo o mundo, estando presente nos debates acadêmicos, no discurso político, etc. Isso se deve ao fato de que Desenvolvimento Sustentável é aceita por políticos, cientistas e ambientalistas, como a mais efetiva estratégia de enfrentamento da crise ambiental de que dispomos. É por isso que propomos, para esta comunicação, uma reflexão sobre o conhecimento que a população local possui sobre essa idéia, a partir de um estudo, realizado com estudantes universitários da cidade de Natal/RN. Solicitamos deles uma definição de DS, junto com informações sócio-demográficas, auto-relato de cuidados pró-ambientais, informações sobre disposição e forma de contato para participar de campanhas ecológicas, e utilizamos escalas de predisposição pró-ambiental e perspectiva temporal, tudo isso parte de um projeto mais amplo. Depois da realização de uma análise do conteúdo dessas definições, comparando-as com uma definição simples e muito aceita do que seja DS, pudemos ver que as definições dadas pelos universitários contêm poucos temas daqueles que compõem a noção de DS, mostrando o desconhecimento do seu caráter multidimensional. Além disso, constatamos a ocorrência de um tema, que é contrário à noção de DS, como parte da definição dada. Contudo, pudemos ainda relacionar a ocorrência de alguns temas que fazem parte da noção de DS com outras variáveis concernentes ao comportamento pró-ambiental (gênero, cuidado ambiental, etc.). O quadro esboçado com esses resultados mostra que aquilo que os universitários conhecem de DS é uma idéia empobrecida, possivelmente, pela mediação dos meios de comunicação de massa, que provavelmente tem implicações sobre a mentalidade da população, de modo que torna mais difícil a consecução dos objetivos essenciais do Desenvolvimento Sustentável.

04: O CUIDADO AMBIENTAL COMO UM INDICADOR DE COMPORTAMENTO PRÓ-AMBIENTAL

Thiago F. Pinheiro

Bolsistas de Iniciação Científica (Curso de Psicologia/UFRN)

Prof. Dr. José Q. Pinheiro (Orientador)

Grupo de Estudos Inter-Ações Pessoa-Ambiente/UFRN

E-mail: thiagopinheiro@hotmail.com

O comportamento pró-ambiental tem se destacado ultimamente nas pesquisas e no interesse das pessoas preocupadas com os níveis atuais de destruição do meio ambiente. O cuidado ambiental, aspecto importante do posicionamento pró-ambiental, no entanto, tem sido pouco estudado. Com a intenção de investigar o posicionamento das pessoas em relação a cuidar ou não do ambiente e o tipo de ação que elas qualificam como atividade de cuidado ecológico, nosso grupo de pesquisa aplicou um questionário em 355 universitários da cidade de Natal, RN, como parte de um projeto de pesquisa mais amplo. A prática de cuidado com o ambiente se mostrou associada com variáveis das escalas utilizadas no estudo maior, indicadoras de um posicionamento pró-ambiental, como Ecocentrismo (Escala de Thompson & Barton) e Pró-Ecologismo (Novo Paradigma Ecológico). O não cuidar, por sua vez, associou-se com os fatores Apatia Ambiental e Individualismo. A resposta de prática do cuidado ambiental, portanto, mostrou-se consoante com a postura pró-ecológica medida por escalas sugeridas pela literatura, configurando-se como indicadora adicional da disposição ao comportamento pró-ambiental. A análise de conteúdo das práticas relatadas como atividades de cuidado ambiental revelou  que a maior parte das expressões do cuidado apresentam aspectos lingüísticos que sugerem positividade e implicação do sujeito na ação. Além disso, a maioria das atividades de cuidado foi apresentada como sendo atual, espontânea e dispendiosa de esforço. Tais aspectos relacionais são configuradores de um ambientalismo que parece genuíno e implica responsabilidade e comprometimento. Este estudo forneceu informações importantes sobre a clara associação do cuidado ambiental com formas tradicionais de investigação do posicionamento pró-ambiental das pessoas. Considerando que o indicador estudado seja uma forma de comportamento auto-relatado, que se aproxima mais do comportamento real do que as tradicionais medidas disposicionais internas, sugerimos maior atenção ao tema em estudos futuros sobre o ambientalismo das pessoas.

05: INDICADORES DO VÍNCULO AMBIENTAL DE ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS NA CIDADE DE NATAL

Fernanda Fernandes Gurgel

Aluna do Doutorado em Psicologia UFRN/UFPB

Orientador: José Queiroz Pinheiro

Grupo de Estudos Inter-Ações Pessoa-Ambiente – UFRN

Atualmente é de grande relevância o estudo de temas relacionados ao meio ambiente e, principalmente, que tentem compreender as formas do relacionamento pessoa-ambiente associadas à grave crise ecológica que enfrentamos. Isto porque os problemas ambientais são problemas humano-ambientais, pois a ação do homem está na raiz de sua grande maioria. Num dos nossos mais recentes trabalhos investigamos características associadas a uma atuação responsável em relação ao meio ambiente, levando à compreensão dos motivos que contribuem para uma “Vínculo ambiental”. Participaram da pesquisa 355 universitários de Natal, RN, alunos de diversos cursos de universidades pública e particular, sendo 229 mulheres (64,5%) e 126 homens (35,5%) e a média de idade de 22,7 anos (DP = 5,05). Utilizando uma estratégia multimétodos, que nos permitiu uma melhor aproximação do fenômeno estudado, investigamos algumas das diversas dimensões que caracterizam o Vínculo Ambiental, segundo a literatura da área, tais como: ambientalismo antropocêntrico e ecocêntrico, individualismo e coletivismo e perspectiva temporal .   Os resultados confirmam estudos anteriores, realizados em 1999, no sentido de um claro pró-ambientalismo dos estudantes universitários.  Mas é necessários destacar o efeito do “modismo ambiental”, pois ser a favor das causas ambientais é algo valorizado socialmente, o que provoca o efeito de contaminação dos resultados por desejabilidade social. Os resultados desse estudo chegam a ser desanimadores, no sentido de que os estudantes desconhecem até mesmo o conceito de Desenvolvimento Sustentável e que seus motivos para preservação do meio ambiente visam  as vantagens que podem obter a partir da extração de recursos da natureza. Diversos focos de investigação dessa temática estão sendo realizados em colaboração com colegas e que acrescentam informações importantes àquela constatação, no sentido de identificar valores diversos para as dimensões componentes do ambientalismo dos respondentes. Destacamos ainda a importância de compartilharmos e utilizarmos amplamente o conhecimento das diversas áreas que trabalham com a temática ambiental (Arquitetura, Ciências bio-ecológicas, Geografia, Urbanismo, Antropologia, psicologia etc.).

06: A GEOGRAFIA, O MEIO AMBIENTE E O LIXO

Mariete de Araújo Freitas

Especialista em Geografia

O presente trabalho envolve as questões ambientais, as quais pode proporcionar algumas mudanças na geografia do lugar, causando, dessa forma, conseqüências desfavoráveis ao Meio Ambiente. No desenvolver do trabalho, utilizou-se uma forma inteligente e tomou-se como base a utilização de três palavras iniciadas com a letra R: Reduza o lixo, consumindo menos e fazendo a coleta seletiva, separando plásticos, metais, papel e vidros; Reutilize o lixo orgânico transformando-o em adubo de boa qualidade e utilize os demais resíduos para o trabalho artesanal; Recicle o que for possível, evitando desperdícios na comunidade onde vive, garantindo, dessa forma, mais qualidade de vida para as gerações presente e futuras. Por isso, tendo a escola como ponto de partida, numa junção professor/aluno/aluno para realizar uma ação mais efetiva através da educação ambiental, buscou-se a sensibilização das pessoas em relação ao problema do lixo. Diante disso, acredita-se que haja maior clareza e que essas pessoas atinjam um maior nível de conscientização.

07: EDUCAÇÃO AMBIENTAL: CONFORTO TÉRMICO EM PRAÇAS DE NATAL/RN

Érika Danielle de Oliveira – Bolsista PIBIC – Geografia UFRN (Apresentadora)

Ana Mônica de Britto Costa – Geografia - UFRN

Bernardete de Lourdes Queiroga – Geografia – UFRN (Apresentadora)

Fernando Moreira da Silva – Prof. Dr. Geografia - UFRN

Kelly Stefany Diniz de Lima – Geografia - UFRN

Maria do Socorro Costa Martim – Profª. Drª. Geografia - UFRN

Rodrigo de Freitas Amorim – Bolsista PROEX - UFRN

Uma das preocupações atuais em sala de aula é a forma como se dá a educação ambiental para um efetivo desenvolvimento sustentável. Nesse contexto, surge uma variável que tem relação direta com a qualidade de vida, o conforto térmico. Conforto térmico é a satisfação térmica relacionada ao ambiente em que estamos inseridos. O mesmo pode ser usado para o desconforto térmico, onde o corpo humano é uma máquina térmica que constantemente libera energia e qualquer fator que interfira na taxa de perda de calor do corpo afeta sua sensação de temperatura. Além da temperatura do ar, outros fatores significativos controlam o conforto térmico do corpo humano: umidade relativa, vento e radiação solar. O objetivo da pesquisa é comparar o conforto térmico entre as praças Augusto Leite e André de Albuquerque, ambas possuindo características geográficas distintas, e assim poder dar subsídios aos educadores de nível médio, quanto às condições de conforto ambiental em praças, freqüentadas essencialmente por jovens e jovens estudantes. A metodologia utilizada constitui-se de verificações de temperaturas em cinco pontos espaciais das praças, que foram feitas a partir das 9hs da manhã até 16hs, em dias astronomicamente favoráveis. Os termômetros ficaram dentro de um abrigo meteorológico, protegidos da radiação solar, e coletados a cada 30 minutos. A fundamentação física foi o Índice de Temperatura e Umidade (ITU). Os resultados obtidos demonstram que o ITU, nas duas praças, apresentam um valor que causa uma sensação de desconforto, com índice variável; apresentando na praça Augusto Leite um nível confortável e na praça André de Albuquerque, desconfortável, apesar de a mesma possuir uma maior cobertura vegetal e estar situada próximo ao mar e ao rio Potengi. Os resultados, também, mostram que é possível levar ao conhecimento de estudantes secundaristas o comportamento da relação praça versus qualidade de vida.

08: O ESTUDO DA PERCEPÇÃO PÚBLICA FRENTE AOS PROBLEMAS AMBIENTAIS NA CIDADE DE NATAL/RN

Camila Dantas

Bolsista do PET – Geografia, UFRN

E-mail: camiladantas128@hotmail.com

A pesquisa intitulada “O estudo da percepção pública frente aos problemas ambientais na cidade de Natal/RN” objetiva avaliar como se encontra o nível de percepção ambiental dos moradores da cidade de Natal/RN, procurando identificar os principais problemas ambientais dos bairros, e traçar o perfil socioeconômico dos entrevistados, assim como oferecer uma análise comparativa do nível de percepção ambiental nas diferentes zonas da cidade; entendendo-se por percepção ambiental a maneira como os indivíduos vêem, compreendem e se comunicam com o ambiente. Para tal, foi aplicado formulários contendo questões que possibilitavam apreender o nível de entendimento da população acerca das questões ambientais. A amostra compreendeu três bairros das quatro zonas administrativas da cidade, totalizando um número de cento e vinte questionários aplicados. Os resultados obtidos permitirão uma reflexão sobre o pensamento ambiental dessas pessoas, constituindo-se, inclusive, num subsídio para possíveis programas de educação ambiental voltados para os problemas locais, podendo com isso, proporcionar um melhor êxito nos resultados propostos.

09: EDUCAÇÃO AMBIENTAL PARA OS PROFESSORES DE ENSINO FUNDAMENTAL DA REDE PÚBLICA DE ENSINO DE CAICÓ/RN.

Cleane Garcia de Medeiros (Apresentadora)

E-mail:cleane@bol.com.br

Danielle Góis de Oliveira (Apresentadora)

E-mail:daniellelabesa@bol.com.br

Diógenes Félix da Silva Costa

E-mail:diogenesgeo@yahoo.com.br

Gênison Costa de Medeiros

E-mail: genisoncosta@yahoo.com.br

José Mário Moraes do Nascimento

E-mail: nascimento.z@bol.com.br)

Marcos Antônio Alves de Azevedo

E-mail:geomarconio@bol.com.br

Milton Araújo de Lucena Filho

E-mail: miltonfilhocaico@hotmail.com

Verônica Vera da Silva

E-mail:veronicavera@bol.com.br

Alunos integrantes do Laboratório de Ecologia do Semi-árido – LABESA

Coordenador: Prof. Renato de Medeiros Rocha (renatocaico@yahoo.com.br)

A cidade de Caicó-RN está localizada na mesoregião do Seridó Ocidental, área hoje indicada como um dos pólos avançados de desertificação no Brasil, onde a problemática ambiental urge uma providência(s) imediata(s), trazendo à tona a necessidade de se implantar ações que (propiciem) à população dessa região, e do município em particular, uma consciência ambiental que possibilite a mesma viver em harmonia com o seu meio. Procurando formar multiplicadores da consciência ambiental, a Prefeitura Municipal de Caicó/RN em conjunto com o Laboratório de Ecologia do Semi-Árido-LABESA, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte-UFRN, elaboraram um curso de Educação Ambiental para os professores do ensino fundamental da rede pública de ensino desse município, com intuito de sensibilizar estes profissionais acerca da sua importância na formação de uma consciência ambiental nos seus educandos, levando-os a ter um maior cuidado com o meio ambiente e, por conseguinte, com todos os elementos que nele se inserem. Com base nessa prerrogativa, desenvolveu-se um curso de Educação Ambiental com estes profissionais durante os meses de setembro a dezembro de 2004, onde foram abordadas todas as peculiaridades ambientais da região onde o município está inserido, ressaltando-se a importância do bioma caatinga para composição do ecossistema local e quais as implicações que sua alteração pode acarretar para o meio ambiente local e regional, como também se explanaram temas referentes à problemática ambiental nessa região e no próprio município, envolvendo as questões ambientais, políticas, econômicas e culturais do Seridó Potiguar. A partir destas ações, espera-se haver ampliado a consciência ambiental nos docentes e que os conhecimentos e metodologias adquiridos durante o referido curso sejam empregados em sala de aula junto à comunidade local do município.

10: HÁBITO ALIMENTAR E PRODUÇÃO DE LIXO EM ESCOLA: UM ESTUDO DE CASO

Augusto de Souza Marinho

A pesquisa faz, atualmente, um estudo de caso com estudantes do curso médio da rede privada de ensino em Natal, buscando resposta para o seguinte problema central: Como condutas de educação alimentar refletem em condutas de preservação ambiental entre estudantes? O diagnóstico foi feito através da observação direta do comportamento alimentar apresentado pelos estudantes na escola, frente ao modelo de oferta de alimentos e a carga de resíduos sólidos ali gerada. Utilizando-se do método sistêmico, o estudo envolve a aplicação de questionários e execução de entrevistas com os estudantes, diretores, coordenadores, professores e funcionários da unidade educacional. Trabalha-se com a hipótese de que a reeducação alimentar em uma unidade educacional pode reduzir o resíduo derivado dessa atividade e aumentar o envolvimento dos adolescentes com as questões ambientais. O objetivo é apresentar a possibilidade de implantação de alternativas alimentares que contribuam para a manutenção da saúde, redução da produção de lixo e ampliação da consciência ecológica entre os escolares. Os resultados até agora btidos, apontam para uma demanda significativa, entre os estudantes, por alternativas alimentares, também os diretores das unidades educacionais vêem interesse em implantar programas de conscientização quanto à produção e destinação de lixo na escola. Assim, a intervenção envolve a exposição de painéis com tabelas nutricionais adequadas para cada fase escolar, valores calóricos dos alimentos comercializados; o delineamento de um cardápio alternativo com baixo número de produtos industrializados e preços competitivos com os do cardápio convencional; apresentação, em aulas expositivas, dos problemas ambientais locais e soluções possíveis. Por fim, a avaliação será feita através da análise comparativa dos resíduos produzidos antes e depois da intervenção, dimensionamento do grau de satisfação dos estudantes através de questionários e contabilidade direta do consumo de produtos do novo cardápio.

11: INFLUÊNCIA DA AÇÃO ANTRÓPICA NO PERFIL PAISAGÍSTICO DO BAIRRO DE FELIPE CAMARÃO – NATAL / RN

 

Sandra Maria de Lima Bezerril (Apresentadora)

Mestranda do Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente PRODEMA/ UFRN

Maria Iracema Bezerra Loiola;

Profa. Dra. Departamento de Botânica, Ecologia e Zoologia/Centro de Biociências- UFRN

Maria do Socorro Costa Martim

Profa. Dra. Departamento de Geografia/Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes- UFRN

A rápida urbanização por qual passou o Brasil, nos últimos 50 anos, trouxe uma série de problemas relacionados principalmente com a provisão de habitações para as classes de renda baixa, assim como a qualidade dos espaços urbanos dessas habitações.  Seguindo o modelo de urbanização periférica predominante no país, a cidade do Natal também apresenta áreas de expansão onde os processos de segregação social e parcelamento do solo contribuiu substancialmente para a formação de espaços de pobreza que são denunciados principalmente pelo número de loteamentos irregulares ou clandestinos. Situado na zona oeste da cidade, o bairro de Felipe Camarão encontra-se dividido em dois territórios: Camarão I que ainda abriga remanescentes da antiga comunidade peixe boi e o Camarão II que é formado pelos conjuntos habitacionais Promorar Vida Nova e Jardim América. São áreas periféricas que quando loteadas ofereceram terras mais baratas que foram ocupadas ao longo dos anos de forma desordenada, ocasionando uma série de alterações no ambiente local traduzidos principalmente pela falta de estrutura física e pela pressão sobre os recursos naturais. Entre as inúmeras alterações observadas “in loco”, a análise da cobertura vegetal sugere modos variados de interferência antrópica responsáveis por uma cadeia de impactos significativos nas dunas, no mangue e na área habitada. A dinâmica ocupacional consolidada como conseqüência de todos os fatores supracitados é um forte indicador da superexploração detectada nas áreas verdes. Os adensamentos de moradias figuram como elementos da paisagem, reduzindo o domínio das zonas de proteção ambiental e transformando-as em pressionados remanescentes que para preocupação das entidades relacionadas à preservação dos recursos ambientais não são percebidas pela comunidade como bens coletivos. Deve-se ressaltar que a implantação de estratégias para transformação do espaço implica na socialização de uma ética, até então, despercebida pela maioria das pessoas.

12: DOAÇÃO DE SANGUE: UM TRABALHO DE DESMISTIFICAÇÃO NA COMUNIDADE DE PONTA NEGRA

Suzana da Cunha Joffer

Luana Gleyce Souza da Silva

Departamento de Serviço Social/UFRN

Trata-se de um trabalho desenvolvido a partir de uma experiência de estágio curricular realizada no Hemocentro Dalton Barbosa Cunha. O trabalho tem como finalidade refletir sobre o processo de doação de sangue e sua importância para a sociedade, enfocando os aspectos culturais que permeiam essa questão. Procura-se entender os fatores que contribuem ou dificultam o processo de doação. Dessa forma, foi descrito todo o funcionamento da instituição ressaltando as suas esferas física e política, fazendo uma analise de suas diversas faces e principalmente enfatizando a inserção do profissional do Serviço Social dentro dessa realidade e sua relação com os usuários da instituição. Diante da problemática da carência de doadores, principalmente advindos dos segmentos das classes média e alta, foi desenvolvido na Comunidade de Ponta Negra o Projeto “Doação de Sangue: Um Ato de Cidadania”, que teve como objetivo à construção de uma consciência voltada para a doação sanguínea voluntária e regular, bem como a desmistificação dos mitos, medos e preconceitos contidos no imaginário popular, através de palestras educativas e uma pesquisa social, procurando assim entender a influência que a cultura exerce na sociedade e na decisão do ato da doação de sangue.