XIII Semana de Humanidades

 

De 04 a 08 de julho de 2005

 

OBJETIVO

 

A XIIII Semana de Humanidades tem por objetivo congregar e divulgar o trabalho de pesquisadores (professores, funcionários e alunos) do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e da comunidade científica em geral.

 

ATIVIDADES PROGRAMADAS

 

. Exposição de Painéis (com coquetel e apresentações artísticas)

 

. Cerimônia de Abertura

 

. Coquetel de lançamento de livros e revistas

 

. Palestra de abertura

 

. Grupos de Trabalho

 

. Minicursos e Oficinas

 

. Mostra de Vídeos

 

. IV Colóquio Humanitas

 

. Outros eventos propostos pelos professores do CCHLA


Exposição de Painéis

Exposição de Painéis (com coquetel e apresentações artísticas): segunda-feira, 04 de julho, de 13h30 às 17h, no Setor de Aulas II.

. Os expositores de Painéis – professores, alunos e funcionários da UFRN – deverão fazer sua inscrição na sala 119 do CCHLA ou pelo e-mail: humanidades@cchla.ufrn.br , até o dia 17 de junho, sendo necessário apenas a apresentação do resumo em disquete e em papel (máximo 300 palavras). Incluir também: nome(s) do(s) expositor(es) – máximo de dois –; nome(s) do(s) autor(es); vínculo com a instituição (se aluno, professor ou funcionário); Departamento; título do trabalho e e-mail.

. Os painéis deverão ser impressos no seguinte formato: aproximadamente 1,20 m de altura e 0,90m de largura. Eles serão afixados com linhas de nylon e ganchos, presos à parede. A instalação será feita pelo próprio expositor, com auxílio da Coordenação, entre 12h30 e 13h30, na segunda-feira, 04 de julho, no Setor de Aulas II. Os painéis serão recolhidos pelos próprios expositores ao final da apresentação (17h). A lista de presença será assinada no local acima determinado, onde também serão entregues os certificados.

Cerimônia de Abertura

.COQUETEL DE LANÇAMENTO DE LIVROS E REVISTAS:

O Lançamento de livros e revistas do CCHLA ocorrerá na segunda-feira, 04 de julho, 17h30 no hall da BCZM, seguido de coquetel. Constarão nesse evento publicações de professores, funcionários e alunos do CCHLA, a saber:

1. Geografia : ciência do complexus: ensaios transdisciplinares. Aldo Aloísio Dantas da Silva e Alex Galeno (orgs.).

2. Espaço, Políticas de Turismo e Competitividade. Maria Aparecida Pontes da Fonseca

3. Letras no Éter. Flávio Rezende

4. “Chiclete eu misturo com banana: carnaval e cotidiano de guerra em Natal (1920-1945)”. Flávia de Sá Pedreira

5. Múltipla palavra: ensaios de literatura. Joselita Bezerra da Silva Lino e Francisco Ivan da Silva (orgs).

6. Dialegoria – a alegoria em Grande sertão: veredas e em Paradiso. Joselita Bezerra da Silva Lino.

7. Do gramofone ao satélite - evolução do rádio paraibano. Moacir Barbosa de Sousa.

8. Dicionário da língua portugesa arcaica. Zenóbia Collares Moreira Cunha.

9. Humor e crítica no teatro de Gil Vicente. Zenóbia Collares Moreira Cunha.

10.Comédias na vida privada: teatro de Gil VicenteZenóbia Collares Moreira Cunha.

11. Lógica deôntica paraconsistente: paradoxos e dilemas. Ângela Maria Paiva Cruz.

12. Quatro Vezes Lula Lá (CD-ROOM). Marcelo Bolshaw.

13. Geografia: Rio Grande do Norte. Maria Luiza de Medeiros Galvão.

14. A penúltima versão – do Seridó – uma história do regionalismo no Seridó”. Muirakitan Kennedy de Macedo.

15. (Des)alinho: Ensaios de História Cultural e Social. Cátia Regina de Pontes Confessor (Org.).

16 Os Guerreiros das Dunas: A História na visão dos Potiguares. Emanoel Amaral e outros.

17. Geração Alternativa ou um alô pra Helô. João Batista de Morais Neto.

18. Viva a diferença, com direitos iguais. Elizabeth Mafra Cabral Nasser

19. A renovação do conto: emergência de uma prática oral. Maria de Lourdes Patrini

20. Brasil Urbano. Márcio Moraes Valença e Edésio Fernandes (Orgs.).

21. Revista Vivência, n.28.

22. Letras e Imagens do Bem. Flávio Rezende (Org).

. PALESTRA DE ABERTURA (com apresentação do Grupo Takasax - grupo de Sax com Bateria da EMUFRN).

Data: 04 de julho (segunda-feira), às 19h

Local: Biblioteca Central Zila Mamede

“A arte de ensinar Filosofia com a Arte”

Palestrante: Charles Feitosa*

Pretendo apresentar os pressupostos teóricos do meu livro Explicando a Filosofia com Arte. Trata-se de uma introdução à filosofia para leigos de todas as idades. O livro não é nem uma história, nem uma enciclopédia da filosofia, mas uma aproximação ao pensar, através de temas, questões e problemas, com o apoio de obras de arte. Os pressupostos teóricos de Explicando a Filosofia com Arte serão desenvolvidos segundo a idéia de Uma "filosofia pop", projeto no qual venho trabalhando desde 2001 e que Envolve a associação de conceitos com imagens, em uma linguagem acessível e bem-humorada, sem perder contudo o rigor e a densidade inerentes à filosofia.

* Doutor em Filosofia pela Universidade de Freiburg, Alemanha, está empenhado desde 2002 no projeto de uma "Filosofia Pop", que envolve a associação de conceitos com imagens, em uma linguagem acessível e bem humorada, sem perder o rigor e a densidade inerentes à Filosofia. Professor e pesquisador na Pós-graduação em Artes Cênicas da UNIRIO, atua principalmente nas áreas de estética e de fenomenologia. É também co-organizador dos simpósios internacionais de Filosofia “Assim Falou Nietzsche”.

Grupos de Trabalho

Grupos de Trabalho (GTs): terça-feira e quarta-feira, 05 e 06 de julho, de 14h às 18h (com exceção de GTs de Psicologia, que acontecerão pela manhã), nos auditórios do CCHLA e nas salas do Setor de Aulas II.

. Os GTs reunirão apresentações de trabalhos sobre um mesmo tema. O GT será realizado em dois dias, num total de 8 horas.

Minicursos e Oficinas

Minicursos e Oficinas: quinta-feira, 07 de julho, de 14h às 18h, nos auditórios do CCHLA e nas salas do Setor de Aulas II.

. Os Minicursos (de natureza teórica) e as Oficinas (de natureza prática) terão a duração de aproximadamente 4h/a.

. Poderão se inscrever nos Minicursos/Oficinas todos os interessados. As inscrições são gratuitas e poderão ser feitas na sala 119, do CCHLA, durante o período de 11 de maio a 24 de junho. É necessário fornecer as seguintes informações: nome completo, e-mail e/ou telefone para contato, Departamento e/ou instituição de origem. O aluno poderá se inscrever em apenas UM minicurso ou oficina.

Mostra de Vídeos

Mostra de Vídeos: quarta-feira e quinta-feira, 06 e 07 de julho, de 18h às 19h, no Auditório do CONSEC (2º andar do CCHLA). Diariamente, após a projeção, serão realizados debates junto com o público. A programação será divulgada oportunamente.

Programação

Quarta feira (1º dia)

Abertura Curta Potiguar Luzes da Idade - Jairo das Chagas Vieira (Premiado)

O Senhor do Engenho - Bertrand Lira(16 min.)

Cruzeiro do Sul - Bruno Santos ( 10 min.)

Devaneio do Olhar - Elizete Arantes ( 10 min.)

Ioga ou Yoga - Michelle Peluchera(5 min.)

Ponta Negra: um bairro em transformação - Lisabete Coradini, Bruno Lima ( 5min.)

Debate com a presença dos diretores.

Quinta feira (2º dia)

Curta Potiguar Profissão de Morte - Marcelo Barreto

Diário de uma nota. Edileuza Martins (5 min.)

A feira de São Jose do Mipibu. SandraNogueira (5 min.)

As singularidades de Dadi no teatro de bonecos no RN - Maria da Graça Cavalcanti e Wani Pereira ( 5 min.)

Toque de radio . Alexandre Ferreira dos Santos (17 min.)

Gaia Companhia de dança - Izabelita de Brito e Ana Claudia Viana ( 27 min.)

Debate com a presença dos diretores.


IV Colóquio Humanitas

IV Colóquio Humanitas: terça-feira, 05 de julho, de 09h às 12h no Auditório do CONSEC (2º andar do CCHLA).

 

Educação e Autonomia

Prof. Manfredo Oliveira* (Filósofo e Professor de Filosofia da UFC).

O processo educativo é sempre situado no seio de uma configuração determinada da existência humana. Qual o princípio de articulação de nosso contexto sócio-histórico? As sociedades modernas são prioritariamente sociedades sistêmicas, já que os mecanismos centrais de constituição da vida social são aqui os subsistemas sistêmicos, ou seja, o econômico e o administrativo. Na realidade aqui só o próprio sistema possui autonomia. Neste contexto, toda a problemática da autonomia foi pensada a partir do indivíduo entendido como egoísta racional. O ensaio pretende questionar este fundamento da autonomia e abrir a perspectiva para uma autonomia pensada a partir da relação do reconhecimento do outro o que abre espaço para uma educação voltada para a complementaridade, a sociabilidade e a fraternidade.

* Doutor em Filosofia pela Universidade Ludwig-Maximilian de Munique na Alemanha. Professor Titular de Filosofia na Universidade Federal do Ceará. Publicações mais importantes: Subjektivität und Vermittlung. Studien zur Entwicklung des transzendentalen Denkens bei I.Kant, E.Husserl und H.Wagner, W.Fink Verlag, Munique, 1973; Filosofia Transcendental e Religião. Ensaio sobre a Filosofia da religião em Karl Rahner, Ed.Loyola, São Paulo, 1984; A Filosofia na crise da Modernidade, São Paulo, 1989; Ética e racionalidade moderna, Ed.Loyola, São Paulo, 1993; Ética e Práxis histórica, Ed.Ática, São Paulo, 1995; Ética e Economia, Ed.Ática, São Paulo, 1995; Tópicos sobre a Dialética, Ed.Edipucrs, Porto Alegre, 1996; F.J.S.Teixeira/M.A de Oliveira(org.), Neoliberalismo e Reestruturação Produtiva. As novas determinações do mundo do trabalho, São Paulo, 1996 A reviravolta linguístico-pragmática na filosofia contemporânea, Ed.Loyola, São Paulo, 1996; Diálogos entre Razão e Fé, Paulinas, São Paulo, 2000; Correntes Fundamentais da Ética Contemporânea (Org.), Ed. Vozes, Petrópolis, 2000; Desafios éticos da globalização, Paulinas, São Paulo, 2001; Para além da fragmentação, Ed. Loyola, São Paulo, 2002; Oliveira M./Almeida C. (org.) O Deus dos Filósofos Modernos, Petrópolis: Vozes, 2002; Oliveira M. /Almeida C.(org.), O Deus dosFilósofos Contemporâneos, Petrópolis: Vozes,2003; Oliveira M./ Aguiar A O/ Andrade e Silva Sahd L. F. N. de(org.), Filosofia . Política Contemporânea, Petrópolis: Vozes, 2003; Dialética hoje. Lógica, metafísica e historicidade, São Paulo: Loyola, 2004.

I COLÓQUIO DE ESTUDOS BARROCOS DA UFRN

COORDENAÇÃO:

Prof. Dr. Francisco Ivan da Silva

Profª Dra Joselita Bezerra da Silva Lino

Data: 04, 05 e 06 de julho de 2005

Horário: 8h às 12h

Local: Auditório da BCZM

Realização: CCHLA – Departamento de Letras – PPGEL – NAC – UFRN

O I Colóquio de Estudos Barrocos da UFRN tem como temática a presença do Barroco na poesia moderna brasileira e na América, numa visada que vai da Arquitetura à Literatura, centrando-se fundamentalmente no Barroco Moderno e sua assimilação na arte de Haroldo de Campos, tradutor e teórico decisivo dos conceitosmodernos de Barroco na Cultura Brasileira. Daí que este Colóquio está intensionalmente colado a uma exposição nacional das obras e objetos do acervo particular de Haroldo de Campos, a ter lugar na Galeria do NAC – Núcleo de Arte e Cultura da UFRN, no Centro de Convivência no período de 07 de julho a 05 de agosto de 2005.

Expositores:

Profª Dra. Joselita Bezerra da Silva Lino (UFRN)

Prof. Dr. Francisco Ivan da Silva (UFRN)

Prof. Ms. Armando Sérgio dos Prazeres (UNIVERSIDADE ANHEMBI MORUMBI-SP E USJT-SP – UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU-SP)

MESA REDONDA: Repertórios culturais e violência cotidiana: um desafio para as ciências sociais no Brasil hoje.

Coordenador:

Edmilson Lopes Júnior

Departamento de Ciências Sociais

Data: quarta-feira, 06 de julho de 2005

Horário: 9h

Local: Consecão

Os repertórios culturais subjacentes a ausência de reconhecimento do/a outro/a no Brasil contemporâneo traduzem-se num aumento da intolerância em relação aos diferentes e aos pobres. A banalização da violência e a reivindicação, por diversos setores da sociedade, de um recrudescimento da atuação do aparato policial contra os pobres são expressões muito concretas dessa situação. Como, a partir da perspectiva analítica das ciências sociais, dar sentido ao caos contemporâneo? Mobilizando aparatos metodológicos diversos, e filiações teóricas múltiplas, os componentes da mesa procurarão incidir sobres essas questões, tendo como ponto de partida a preocupação de esboçar as conexões entre cultura e violência na sociedade brasileira contemporânea.

PARTICIPANTES DA MESA:

ProfºAlípio de Sousa Filho (Departamento de Ciências Sociais)

Profº Edmilson Lopes Júnior (Departamento de Ciências Sociais)

Profª Norma Missae Takeuti (Departamento de Ciências Sociais)

MESA REDONDA: Quatro Vezes Lulala

Coordenador:

Marcelo Bolshaw Gomes

Departamento de Comunicação Social

Data: quinta-feira, 07 de julho de 2005

Horário: 9h

Local: Consecão

Elaborado a partir do projeto de pesquisa 'A Imagem Pública de Lula no horário eleitoral nas quatro campanhas à Presidência', parte de meu doutoramento pelo Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da UFRN, orientado pelo professorDoutor José Antônio Spinelli. A pesquisa deseja narrar a trajetória políticadeLuis Inácio Lula da Silva e do Partido dos Trabalhadores nas quatro eleições presidenciais que marcaram o período de democratização do País: 1989, 1994, 1998 e 2002. Osprogramas do Horário Gratuito de Propaganda Eleitoral servem como simples 'suportesdiscursivos', como momentos privilegiados das campanhas e estratégias mais gerais (que incluem outros suportes como a mídia impressa, as entrevistas em telejornais, os debates ao vivo, etc) e não como fatores determinantes das intenções de voto e do comportamento eleitoral.

Debatedores convidados: professores Jose Spinelli e João Emanuel, do Departamento Ciências Sociais.

MESA REDONDA: a melancolia e o moderno texto literário

Coordenadora:

Profa. Dra. Joselita Bezerra da Silva Lino

Base de Pesquisa: Estudo da Modernidade

Data: sexta-feira, 08 de julho de 2005

Horário: 9h

Local: Consecão

A melancolia, como se sabe, não era, em sua origem, exatamente um determinado estado de ânimo, mas um dos quatro humores que se podiam encontrar no corpo humano, segundo a doutrina estabelecida por Hipócrates no século V a.C., que foi transmitida através de Galeno à Idade Média e ao Renascimento, tanto na cultura árabe como na cristã. A melancolia é um estado que também acompanha os pensadores e os homens letrados. Marcilio Ficino, grande humanista florentino, leva a cabo em De Vita Triplici uma extraordinária reabilitação da envilecida condição (a partir dos seus estudos sobre a doutrina do humor hipocrático), ao considerar o temperamento melancólico com seus inevitáveis aspectos sombrios e atormentados, genuínos ecaracterísticos dos criadores e homens de estudo. Ficino respalda seus argumentos nas considerações de Aristóteles e Platão sobre o tema. De Platão, seu mestre, toma a teoria dos furores, ou seja, da loucura criativa, que, de acordo com a doutrina platônica, possuem os vates e os profetas. De Aristóteles resgata um fragmento (Problemata XXX, 1º), em que o estagirita postulava de maneira transparente uma conexão entre o humor melancólico e o talento singular para as artes e as letras. Com a finalidade de validar ainda mais seus argumentos, Ficino pesquisa a tradição astrológica, que colocava o melancólico sob o signo de Saturno, recuperando a face mais amável da influência desse planeta. Saturno, com efeito, tinha um duplo caráter: por um lado, era o deus benigno da abundância, da atividade e da realização; por outro, era o negro deus dos abismos, devorador das riquezas e de crianças. Na Idade Média, predominou o aspecto negativo de Saturno (juntamente com o da melancolia), porém Ficino e o humanismo em geral resgataram seu outro lado: a melancolia, sob o influxo do signo de Saturno, seria compreendida como uma força mais positiva, influenciando a criatividade do gênio moderno, cindido dolorosamente entre a exultação e o desespero.

Componentes da mesa:

-A Quinta História de Amor: a angústia da linguagem em Clarice Lispector

Francineide Santos de Oliveira Santos (PPgEL -UFRN)

-Várias “Joanas” em uma só: a melancolia criativa em Perto do Coração Selvagem

Daniel da Silva Portugal (PPgEL -UFRN)

-A cegueira melancólica em Saramago

Kalina Alessandra R. de Paiva (PPgEL - UFRN)

-A melancolia em A asa esquerda do anjo de Lia Luft

Adriana Vieira de Sena

-Nuvem-nada: a melancolia em Grande sertão: veredas e em Paradiso

Joselita Bezerra da Silva Lino – UFRN

 

MESA REDONDA: Narração e imagem em Guimarães Rosa

Coordenadora:

Profa. Dra.Joselita Bezerra da Silva Lino

Projeto de pesquisa – A alegoria em Guimarães Rosa

Base de Pesquisa: Estudo da Modernidade

Data: sexta-feira, 08 de julho de 2005

Horário: 15h

Local: Consecão

Na travessia - literária e existencial – o que interessa ao narrador rosiano não é a chegada, a finalização do caminhar, mas o jogar infinito com os rastros, traços, letras, signos e palavras que se desdobram na dobra neo-barroca. Ouve-se na voz desse narrador, a conversa infinita, sem a esperança do fim e da salvação.A experiência passada propicia a memória e a meditação que tece a narração e não alinha os fatos. O contar transfigura o texto em textura do mundo, criando uma linguagem encantatória feita de poesia, essa irmã tão incompreensível da magia (Guimarães Rosa), num jogo entre o elemento imagético-simbólico da linguagem e seu lado semiótico.

Componentes da mesa:

 

-“As margens da alegria e sua escritura sensorial”

Robeilza de Oliveira Lima

 

-“Toda Substância do mundo...”

Fernanda Michelle de Araújo

Ana Roberta de Rocha Moreno

 

-“O claro e o escuro em A Benfazeja

Maria Tânia Florentino

 

-“Para trás não há paz”

Joselita Bezerra da Silva Lino

 

EXPOSIÇÃO: A Casa de Pedra em Pium: um lugar de memórias

Coordenadora:

Julie Antoinette Cavignac

Promoção: Projeto Tapera: em busca dos lugares de memória

Departamento de Antropologia - DAN

Pró-reitoria de Extensão - Universidade Federal do Rio Grande do Norte -

UFRN

Local: corredor do Departamento Antropologia - CCHLA

Em Pium, localidade situada no município de Nísia Floresta, no Estado do Rio Grande do Norte, existe uma "casa de Pedra", ruínas de um imponente monumento histórico colonial. Tombada pelo serviço do patrimônio histórico estadual, desde 1990, a "casa de Pedra" tem resistido à ação do tempo. No entanto, apesar da sua importância histórica, tal monumento se constitui em um importante sítio arqueológico ainda inexplorado. Inscrita no projeto de extensão TAPERA: EM BUSCA DOS LUGARES DE MEMÓRIA, a exposição propõe chamar a atenção tanto para um monumento histórico esquecido quanto para a necessidade de uma valorização da cultura e da memória local. Para tanto é necessário a realização de estudos arqueológicos e etnográficos, com o fito de valorizar o passado e a cultural locais, pelo conhecimento e rememoração da vida dos grupos que aqui viveram e que continuam vivendo atéhoje.

Participantes:

Carlinda Augneide Gomes - UFRN

Julie Antoinette Cavignac - DAN/ UFRN

Luiz Antonio de Oliveira - DAN/ UFRN

Roberto Airon - DH / UFRN

 

EXPOSIÇÃO: "Infâncias"

Coordenação e Curadoria:

Vicente Vitoriano

Obras dos membros do Grupo Universitário de Aquarela e Pastel - GUAP. 5 a 15 de julho.

Local: hall da Chefia do Departamento de Artes, no setor de aulas do DEART.

Abertura: 5 de julho, às 10 horas.

Depois de explorar a cultura popular em 2004, na exposição "Populário" (que vai itinerar pelo Rio Grande do Norte em 2005), O GUAP mergulha em 2005 nas memórias da infância, uma pesquisa individual desenvolvida pelos membro do grupo. Os subtemas preponderantes são a paisagem (meio ambiente), o brinquedo e a escola.

Artistas participantes:

Ana Rique

Catarina Neverovski

Dagmar Medeiros

Fátima Dantas

Gerlúzia Alves

Ivanilda Costa

Socorro Evangelista

Vandeberg Medeiros

Vicente Vitoriano

Wicliffe Costa

EXPOSIÇÃO: Fotográfica

Coordenadora:

Lisabete Coradini

Departamento de Antropologia

Local: hall de entrada do CCHLA

Projeto 1. Labirintos

Autor: Lucas Fortunato

10 fotografias em cores, de tamanho 30 x 20 cm

Resultado de derivas psicotopológicas, a instalação artística intitulada “Labirintos” foi realizada no setor de aulas teóricas II da UFRN, no mês de abril do ano corrente. Os autores, Lucas Fortunato e Edson Gonçalves Filho, inspirados por reflexões de teor artístico-filosófico, utilizando-se de materiais achados no campus universitário, materializaram a obra criando um ambiente psicogeográfico repleto de imagens e possibilidades de interação física-geográfica e interpretação cognitiva. Tratou-se, antes de mais nada, de um chamado à participação crítica criadora efetiva daqueles que ali se dispusessem a apreciar e refletir. O espaço construído foi desviado por um manequim cercado de grades e arames, além de portas enterradas no solo, construindo uma espécie de labirinto, dispondo portas como possibilidades de escolhas – seria isso? – talvez. Ou então não – podendo ser uma forma de pôr em crise a própria idéia de “escolha”. Configura-se, enfim, como uma sofisticada e inovadora (aqui?) manifestação artística – que toma a forma de resistência cultural em que se prima pelo questionamento, levantamento de perguntas, para além da cultura do espetáculo que a todo momento nos fornece respostas, a partir das quais, em nossa atitude de escolhê-las, conduzimos nossos desejos e crenças, nossas condutas.

Projeto 2. Natureza e Cultura? O esclarecimento e o progresso!

Autor: Lucas Fortunato

10 fotografias em cores, de tamanho 30 x 20 cm

Goethe certa vez falou que a arquitetura é uma espécie de musicalidade que se torna concreta em sua materialização. Debord, já no século XX, tratou do urbanismo, não mais como uma mera arquitetura abstrata ou artística; pensou tal disciplina no contexto do fenômeno cultural do espetáculo. Segundo ele, o espetáculo chega a se constituir na socialidade das cidades modernas de capitalismo desenvolvido, na qual a reificação de uma atitude de passividade perante a condição sócio-vital do humano torna possível a colonização de todas as esferas da vida pela da economia separada: a máquina de fim em si mesmo de acumulação de dinheiro. Aí, neste complexo fenomênico que abarca praticamente toda a terra, se inscreve também a máquina acadêmica, a universidade, a UFRN. O mito do progresso, que já aponta no horizonte de nossas sociedades há cerca de três mil anos, fornece a base a partir da qual a consciência coletiva de nossa cultura pensará e almejará concreções de práticas que se constituirão ou se efetivarão como um poder pastoral – no nosso caso específico, por exemplo, o Estado. O aumento da demanda de candidatos a universitários propicia a reivindicação de novas vagas nas universidades públicas. Daí porque a idéia de esclarecimento como o anseio do homem dominar a natureza a partir de seu conhecimento propiciado pela razão pode ajudar-nos a clarear nossas impressões quanto à recente prática do desmatamento do bosque de eucaliptos no setor de aulas teóricas II do campus da UFRN. Para a construção de um novo bloco de salas de aulas, mais de duas dezenas de seres foram mortos, ou como podem dizer: “retirados”. O presente trabalho visa retratar in-pressões de uma cosmologia de espaços lisos, como luzes que fogem ao olhar mais condicionado, diria cronometrado, regrado, concreto, ordenador, cyber-estriado.

Projeto 3: Vila de Ponta Negra Des(Re)velada

Autora: Eduarda de Lima Andrade

10 fotografias em cores e preto e branco, de tamanho 30 x 20 cm

Numa perspectiva antropológica que usa como instrumento de análise para sua reflexão a fotografia (meio utilizado para regatar a memória individual e coletiva), essa exposição tem como objetivo mostrar como a Vila de Ponta Negra- Natal, espaço que antes da urbanização era conhecido também como Vila dos Pescadores, vem sofrendo transformações sócio-espaciais. No espaço em que antes apenas atividades artesanais e pesqueiras eram desenvolvidas, hoje apresenta-se como palco de relações características de um pólo turístico.

 

EXPOSIÇÃO: Mini Mostra de Arte de Otávio Rabêlo “Single #1”

Coordenação e Curadoria:

Professor Wicliffe da Costa Andrade

Departamento de História

Obras do início da carreira do pintor ,escultor e poeta Otávio Rabêlo.

Local: espaço interno da BCZM

Abertura: segunda-feira, 04 de julho.

 

A exposição pretende mostrar alguns trabalhos da Neovanguarda, cuja rebeldia está em contestar, através da arte, os caminhos que a humanidade está dando a si mesma. O artista ironiza a política, a guerra e o consumo desenfreado. Luta em favor das questões sócio-ambientais e da não-violência. Inspirado em consagrados artistas do Século XX, como o alemão Beuys, o suíço Jean Tinguely, associado às técnicas da Pop Art Americana dos anos 1950 e inconformado com as questões da atualidade, Otávio Rabêlo traduz o pensamento do homem que é obrigado a viver num mundo informatizado e anseia por melhores condições para a existência de sua própria espécie.

 

Exposição: “VENDENDO A FEIRA”

Coordenação:

Profª Zildalte Macêdo

Departamento de Arte

Local: Departamento de Arte

Data: 04 a 08 de julho de 2005

“VENDENDO A FEIRA” traz o registro fotográfico de uma atividade bastante antiga, a feira livre. Esta que congrega e concentra a cultura de um povo, expressando o seu modo de se relacionar com o mundo, confere identidade a uma sociedade que hoje se entrega às malhas do fenômeno da globalização, ao capitalismo e ao processo de multiculturalização, findando pelo apagamento das tradições culturais identidárias de uma sociedade. Fruto de um projeto desenvolvido pelos alunos da disciplina de Fotografia, do Curso de Educação Artística, “Vendendo a Feira” nos leva a refletir sobre nossas raízes, nossas tradições, nossa cultura, nossa identidade que sucumbe diante da dominação do capitalismo, da troca indecente de nossa cultura pela cultura imposta pela hegemonia de uma elite de dominação cultural. De certa forma estamos vendendo, trocando, barganhando nossos valores culturais. “Vendendo a Feira” representa através de imagens fotográficas, o registro do olhar dos alunos e nos convida a refletir: estamos vendendo nosso patrimômio cultural? Lambedor, carne-de-sol, rapadura, galo cantor, cheiro verde, graviola,rapa-côco, peixe serra, bolo da moça, caju, lamparina, caranguejo, tapioca, boldo, panela de barro, camarão, buchada, milho verde, arruda, macaxeira, jerimum, arupemba, fumo de rolo, ... Chegue freguesa. Moça bonita não paga, mas também ...

Autores:


Adriene do Socorro Chagas

Ângela Elvira Barbosa da P Mendes

Carlos Freire de Barros

Clarissa Fernandes Monte Torres

Claudia Leite Guedes

Cristiane do Nascimento Lopes

Diana de Souza Sisson

Diego Franco Maciel de Medeiros

Elizama Ada de Oliveira Andrade

Érica Fabiana Costa da Silva

Flaviane Augusta Bezerril

Gibson Machado Alves

Gilbson Tavares Cabral

Gustavo Lourenço dos Santos Neto

Irmã Conceição P da Câmara M de Castro

Ivone Maria da Glória Alves Nogueira

José Salviano Bezerril Nogueira

Karinna Silva França

Keila Fonseca e Silva

Lucicleide Alexandrino da Silva

Luiz de Siqueira Menezes Filho

Luziane Kamila Costa Campos

Ricardo Pinto Paiva

Silvia Alves Pereira

Tânia Maria Fernandes Silva

Ubirandilma Maia de Medeiros

Zildalte Macedo


CIRANDA POÉTICA

Coordenadora:

Maria do Socorro de Oliveira Evangelista

Data: segunda-feira, 04 de julho

Horário: 17h.

Local: Setor de Aulas, II

A interferência poética, objetiva divulgar a Poesia no meio estudantil. Contamos com a participação da Academia Feminina de Letras, a Associação das Escrituras e Poetas do Brasil, AJABE, Associação dos Poetas Vivos e Afins – RN, Poetas do Departamento de Artes e do Departamento de Letras da UFRN. Objetivos: divulgar a Arte Poética; integrar a Poesia a clientela; em especial estudantil e público em geral.

Relação dos Poetas participantes.


Ágda Maria Mousinho Zerôncio

Alzir Oliveira.

Américo Fernando Rosado Maia

Américo Pita

Ana Heloisa Rodrigues Maux

Ana Maria Cascudo

Cecília O. Câmara.

Cíntia Gushiken

Cleudia Bezerra Pacheco

Elli Eduardo de Lima.

Fênix Serália Galvão Nunes

Francisco Ivan

Gilberto Freire de Melo

Gildegerse Bezerra Avelino

Haydeé Nóbrega Simões

Henrique Eduardo de Oliveira

Hermenegilda Isabel de Moura

Hilda Melania soares costa

Ilza Matias

Ivanilda Pinheiro da Costa

Jania Maria Souza da silva

João Carlos da silva Lopes

Jonas Canindé Ribeiro da Cunha

Jose Antonio Martins neto

Josenildo Brasil

Judith Pereira Medeiros Cavalcante

Kalina Alessandra Rodrigues Paiva

Leda Batista Gurgel de Melo

Leda Marinho Varela da Costa

Lúcia Helena Pereira

Marcio de Lima Dantas

Marcos Antonio Neves Costa Sobrinho

Maria Aldenita de Sá Leitão Fonseca de Souza

Maria Antonieta Bittencourt Dutra de Souza

Maria Conceição Lira de Paiva

Maria das Dores Lucina Fernandes

Maria de Fátima Bezerra

Maria de Fátima Oliveira

Maria do Rosário Lima

Maria do Socorro de Oliveira Evangelista

Maria Eugênia Montenegro

Maria Rosineide Otaviano da Silva

Maria Teixeira Campus

Marluce Galvão Brandão

Nísia Pimentel Torres Galvão

Nivaldete Ferreira da Costa

Pedro Grilo Neto

Sheyla Maria Batista Ramalho

Vicente Vitoriano Marques Carvalho

Vitória dos Santos Costa

Weid Sousa da Silva.

Welshe Elda Tonhozi de Noronha

Xavier lima

Zélia Maria Freire

Zelma Bezerras Furtado de Medeiros

Zenóbia Colares Moreira Cunha


CONCURSO DE PAINÉIS TEMÁTICOS DE ARTES

Organizador:

Prof. Dr. Tassos Lycurgo, Departamento der Artes

Da Inscrição: até o dia 17 de junho, no Departamento de Artes da UFRN.

Das Regras para o Painel: O número de autores pode variar de um a três. O formato pode variar de 0,50m x 0,50m até 1m x 1,20m. Pode ser confeccionado em qualquer material e através de qualquer técnica. Os painéis devem necessariamente abordar um dos temas a seguir: Tema (1): Relações entre Arte e Educação; Tema (2): Relações entre Arte, Expressão e Comunicação; ou Tema (3): Estética. Da Afixação dos Painéis: Os painéis temáticos de artes devem ser afixados pelo(s) autore(s) no prédio do DEART no dia 04.07.2005 das 14h00min às 15h30min. Do Julgamento: O julgamento será feito por uma Comissão de Professores do DEART, que levará em conta os seguintes critérios: a) originalidade da abordagem; b) capacidade de síntese da idéia; e c) sofisticação plástica do painel.

Comissão Julgadora: Luciano Barbosa, Maria Helena Costa e Vicente Vitoriano (Todos do DEART). Prêmios: R$100,00, R$75,00 e R$50,00 (em bônus para serem usados na Loja da Impressão) para os três primeiros colocados, respectivamente.

MOSTRA ARTÍSTICA

Coordenadora:

Maria do Socorro de Oliveira Evangelista

Data: 02 a 08 de Julho

Horário: 08h às 11h e das 14hàs 17h

Local: Departamento de Artes – UFRN

A Mostra de Arte Didática Expressiva visa levar ao expectador linguagens técnicas expressivas na área das artes visuais, em sala de aula para o Ensino de Arte. A mostra se realizará no espaço de Exposição piso térreo e superior do Departamento de Artes incluindo técnicas mistas expressivas para o emprego das artes plásticas, exercício pratico, além de outras linguagens como mostra de máscaras e bonecos inseridos no contexto do ensino de artes. Nossa proposta é integrar estas práticas e leituras teóricas, ao Ensino Pesquisa Extensão. Objetiva despertar a criatividade do aluno, e valorizar a arte, a cultura e as tradições folclóricas regional. A mostra apresenta praticas realizadas em Projetos de Extensão, tais como: Moda e Estilismo do DEARTE objetivando construir este teor artístico em processo criativo para maior divulgação da Moda / Estilismo como profissão de integração social. O Projeto de Extensão Dança de Salão do DEARTE apresentará aulas de Dança nos dias 4° e 6° às 19:00 tendo como proposta divulgar á arte da Dança de Salão como uma prática artística de expressão, importante para coordenação motora e realização pessoal, na linguagem de expressão do corpo. OBS: A Mostra Artística está composta das atividades relacionadas. 1. Mostra de técnicas didáticas de iniciação as artes plásticas. 2. Mostra de mascaras que falam culturas. 3. A moda do Universo Infantil. (Desfile). 4. Mostra: moda no século XX.

Relação dos Participantes da Mostra Artística:


Adriana do Nascimento Barbosa

Alice Correa Gomes

Alucilde de Castro V. Neto

Amanda Maria Carvalho da Cunha

Ana Gabriela Gurgel Assunção

Ana Katarina Florêncio Apolinário

Ana Raquel Fernandes Lopes

Andréa Gurgel de Freitas

Andréia Carmen Cunha Oliveira

Camila de Lima Carvalho

Carlos Ribeiro Sales

Carmem Dalyann Texeira Lima

Carolina Chaves Gomes

Celina Dias Andrade

Clara Ovídio de Medeiros Rodrigues

Claudia Regina Moura Freire

Cláudio Rodrigo Lopez Figueira

Clelio de Carvalho Lourenço

Cristiane Rocha Botarelli

Cristina Limeira

Danielle Aline Rocha Dantas

Deborah Freitas de Medeiros

Diego Andrade da Silva Filgueira

Douglas Almeida Bueno

Edifranklin Marck de Mesquita

Edilva Gomes Pedrosa Galvão

Edval de Deus Barbosa

Elíria Rocha de Morais

Elizabeth da Silva Ferreira

Emanuella Nobre V. Rodrigues

Euclides Texeira Neto

Francielio Jerônimo Feitosa Gomes

Francisca Maré Lucena de Araújo

Francisco Assis Gomes da Silva.

Geísa Pereira Alves

Gislanne do Nascimento Silva

Gleycilanne do Nascimento Silva

Humberto de Araújo Dantas.

Igor Bertoldo Leca

Ilma Gevira de Carvalho Soares

Inaldo Nunes de Souza Junior

Isaac Samir Cortez de Melo

Janeide Dayane Cruz Araújo

Jéssica Oliveira de Pádua

Jéssica Valéria Alves Bezerra

Joana Morais Sobrinho

João Diniz Serrão

Jordana Mamede Galvão Cunha

Juliana da Silva Gonçalves

Kristiane Lima de Morais

Laise Helena Nóbrega Barreto

Lídia Alves Silva

Lívia de Santana Oliveira

Lucilene Ferreira de Oliveira

Luzia Sampaio Atayde

Manuela Santos Dantas

Marcela de Melo Germano da Silva

Marcos Antonio Neves C. Sobrinho

Maria da Glória de Lima Carvalho

Maria de Fátima Medeiros de Lira

Maria do Rosário Lima.

Maria do Socorro de Oliveira Evangelista

Maria Ferreira Lucas

Maria Gorete Lira Damasceno

Maria Suerda Dantas

Marina Rocha Meire

Mario César Gomes

Melina Gabriella França de Araújo

Milene Carla Rodrigues Silva

Milene Cristine Amarsicano Zabala

Nadja Patrícia Pereira de Paiva

Narjara Medeiros Cavalvanti

Priscila Rodrigues Bezerra

Raquel Quinderé Carneiro

Renata Sayão Lobato D. Moreira

Rosa Marieta Paiva Pimenta de Melo

Rosangela Moura da Silva

Rubens Lucio da Silva Barbosa

Sanderson Tinoco da Silva

Sandra Patrícia Cipriano

Séphora Medeiros Brilhante

Sérgio Valério Mendonça da Silva

Sigrid Hultin.

Tereza Cristina Bezerra Pereira

Thiago Souto Galvão

Tiago Augusto de Castro F. Pereira

Uilo Azevedo de Andrade

Valéria Araújo Ferreira da Silva

Valéria de Aquino Martins

Vivian da Cunha Batista

Wendell Licius Fonseca Queiroz

Wernher Medeiros Soares de Sousa

Wicleffe Costa


JORNAL HUMANIDADES

JORNALEXPERIMENTAL DO CURSO DE COMUNICAÇÃO – HABILITAÇÂO JORNALISMO – PUBLICADO DURANTE A SEMANA DE HUMANIDADES

COORDENADORA : Profª Kênia Beatriz Ferreira Maia

FORMATO:1 Folha A3 dobrada

IMPRESSÂO : Fotocopiadora

TIRAGEM : 1.000 exemplares

TAMANHO : 4 (oito) páginas

PERIODICIDADE : Excepcional, restrito à Semana de Humanidades. Cinco edições.

JUSTIFICATIVA

A Semana de Humanidades é de grande importância para reafirmar o compromisso de extensão e de pesquisa do CCHLA. O curso de Comunicação – habilitação em Jornalismo enseja participar da divulgação das atividades do evento.

A produção de um jornal que será distribuído durante a Semana de Humanidades também cumpre a função de proporcionar aos estudantes de Comunicação – habilitação em Jornalismo –, em especial dos matriculados na disciplina Jornalismo Científico, um treinamento adequado para que possa colocar em execução os conhecimentos teóricos obtidos nas disciplinas de caráter técnico-profissionalizante e de articular a teoria e a prática.

 

OBJETIVOS E METAS

Produzir e editar cinco números de um jornal experimental divulgando as atividades da Semana de Humanidades.

Proporcionaraos estudantes de Comunicação – habilitação em Jornalismo uma forma de simulação das situações profissionalizantes, da rotina de trabalho de uma redação jornalística.

Inserir os estudantes de Comunicação – habilitação em Jornalismo no jornalismo científico

 


Calendário

quarta-feira, 11 de maio

Divulgação da lista de GTs, Minicursos e Oficinas na página eletrônica.

Início do período de inscrição de painéis (resumo).

Início do período de inscrição de alunos nos Minicursos e Oficinas.

Último dia para apresentação de propostas de novos eventos para a XIII Semana de Humanidades.

sexta-feira, 17 de junho

Último dia para envio de resumos dos trabalhos a serem apresentados nos GTs.

Último dia para apresentar solicitação para lançamento de livros e revistas.

Último dia para os Coordenadores de GTs e ministrantes de Minicursos e Oficinas apresentarem requisição de cópias xerográfica e transparências.

Encerramento do período de inscrição de painéis (resumo).

sexta-feira, 24 de junho

Último dia para os Coordenadores de GTs informarem a lista completa de trabalhos selecionados para o GT.

Encerramento do período de inscrição de alunos nos Minicursos e Oficinas.

 segunda-feira, 04 de julho

Montagem dos Painéis: 12h30 às 13h30, no Setor de Aulas II.

Exposição de Painéis (com coquetel e apresentações artísticas):13h30 às 17h, no Setor de Aulas II.

Cerimônia de Abertura:

. Lançamento de livros e revistas: 17h30, no hall do Auditório da Biblioteca Central Zila Mamede.

. Palestra de abertura 19h, na Biblioteca Central Zila Mamede.

terça-feira, 05 de julho

Grupos de trabalho (GTs): 14h às 18h, nos auditórios do CCHLA e salas do Setor de Aulas II.

quarta-feira, 06 de julho

Grupos de trabalho (GTs): 14h às 18h, nos auditórios do CCHLA e salas do Setor de Aulas II.

Mostra de vídeos: 18h às 19h, no auditório do CONSEC, 2º andar do CCHLA.

quinta-feira, 07 de julho

Minicursos e Oficinas: 14h às 18h, nos auditórios do CCHLA e salas do Setor de Aulas II.

Mostra de vídeos: 18h às 19h, no auditório do CONSEC, 2º andar do CCHLA.

sexta-feira, 08 de julho

Novos eventos: 14h às 18h, nos auditórios do CCHLA e salas do Setor de Aulas II.

 

OS PRAZOS ESTABELECIDOS NO CALENDÁRIO SERÃO SEGUIDOS RIGOROSAMENTE

Coordenação da XIII Semana de Humanidades

Diretor do CCHLA: Márcio Moraes Valença

Coordenadora Geral: Profa. Dra. Ângela Maria Paiva Cruz

Coordenadora dos GTs: Profa. Dra. Ângela Maria Paiva Cruz

Coordenadora dos Minicursos e Oficinas: Dra. Marineide Furtado Campos

Coordenador dos Painéis: Prof. Dr. Adriano Lopes Gomes

Coordenadora da Mostra de Vídeos: Profa. Dra. Lisabete Coradini

Coordenador do IV Colóquio Humanitas: Prof. Dr. Alípio Souza Filho

Coordenadora do Lançamento de Livros e Revistas: Profa. Dra. Ângela Maria Paiva Cruz

Coordenadora da Programação Cultural: Valdélia Maria Gurgel de Queiroz

Coordenadora de Revisão: Profa. Sandra Cristina Bezerra de Barros

Secretaria: Sara Raquel Fernandes Queiroz de Medeiros e Rosana Silva de França

Assessor de Comunicação: Jornalista Flávio Rezende

Observações Finais

. Todos os certificados de apresentadores de trabalho nos GTs serão entregues pelos presidentes de mesa (Coordenadores de GTs) ao final de cada dia de trabalho. Não serão concedidos certificados para co-autores nem para orientadores de trabalhos de graduandos e pós-graduandos, apresentados nos GTs.

. Todos os certificados de alunos de Minicursos e Oficinas serão entregues pelos respectivos professores ao final do curso.

. Os certificados dos Coordenadores de GTs e professores de Minicursos e Oficinas serão entregues junto às pastas.

. Cada participante de GT, MC, Oficina ou Painel receberá apenas UM certificado em cada modalidade de atividade, correspondente ao trabalho apresentado.

. Os certificados de participação nos GTs serão entregues apenas para quem assinar a lista. Estes só serão distribuídos entre 8 e 31 de agosto de 2005, data em que a secretaria da XIII Semana de Humanidades será encerrada.

. Se os ministrantes de Minicursos/Oficinas e Coordenadores de GT necessitarem de cópias xerográficas, transparências, TV/vídeo, deverão procurar a Coordenação da XIII Semana de Humanidades até o dia 17 de junho.


Exposição de Painéis (com coquetel e apresentações artísticas): segunda-feira, 04 de julho, de 13h30 às 17h, no Setor de Aulas II.

. Os expositores de Painéis – professores, alunos e funcionários da UFRN – deverão fazer sua inscrição na sala 119 do CCHLA ou pelo e-mail: humanidades@cchla.ufrn.br, até o dia 17 de junho, sendo necessário apenas a apresentação do resumo em disquete e em papel (máximo 300 palavras). Incluir também: nome(s) do(s) expositor(es) – máximo de dois –; nome(s) do(s) autor(es); vínculo com a instituição (se aluno, professor ou funcionário); Departamento; título do trabalho e e-mail.

. Os painéis everão ser impressos no seguinte formato: aproximadamente 1,20 m de altura e 0,90m de largura. Eles serão afixados com linhas de nylon e ganchos, presos à parede. A instalação será feita pelo próprio expositor, com auxílio da Coordenação, entre 12h30 e 13h30, na segunda-feira, 04 de julho, no Setor de Aulas II. Os painéis serão recolhidos pelos próprios expositores ao final da apresentação (17h). A lista de presença será assinada no local acima determinado, onde também serão entregues os certificados.

ATENÇÃO

No caso de co-autoria, apenas autor(es) apresentador(es) – máximo de dois – receberá(ão) certificado(s). Será aceita apenas uma inscrição de painel por expositor. Ao final da exposição, será servido um coquetel.

 


Lista de Painéis


P-01: A Festa do Rosário: memória, festa, identidade e religião

Autora/Expositora:

Adriene do Socorro Chagas

Vínculo institucional: discente UFRN

Departamento: Ciências Sociais/Antropologia

e-mail: adoraflink@gmail.com

A memória socialmente construída carrega uma história vivida e muitas vezes encoberta pela história oficial. Este projeto de pesquisa intenta conhecer, através de narrativas orais, a memória dos fiéis da Igreja de Nossa Senhora do Rosário em Martins, Zona Oeste do Estado do RN, para entender como essa igreja, reconhecidamente a mais antiga da cidade, não alçou a categoria de padroeira do referido município.

P-02: Grupo de Estudos Psicologia e Saúde (GEPS): Uma Contribuição para uma especialidade em construção.

Autoras:

Aline Francisca de Oliveira (expositora)

Eulália Maria Chaves Maia (expositora)

Neuciane Gomes da Silva

Grupo de Estudos: Psicologia e Saúde.

Departamento de Psicologia.

O Grupo de Estudos Psicologia e Saúde (GEPS) é uma Base de Pesquisa oficialmente reconhecida pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, tendo como filosofia o modelo de saúde em que a visão biopsicossocial do indivíduo é salientada. Tem como meta prioritária o compromisso com a Humanização da Saúde, a Ética e o Desenvolvimento Humano em toda a sua dimensão. O GEPS encontra-se localizado no Laboratório de Psicologia (LabPsi) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) na cidade de Natal e está voltado para as atividades de ensino, pesquisa e extensão. A referida Base mantém intercambio com outras instituições na área de saúde, tais como a Asociación Latinoamericana de Psicologia de La Salud (ALAPSA), e o Centro de Estudos e Pesquisas em Psicologia da Saúde (Nêmeton, São Paulo), além de outras instituições de Saúde locais, como o Hospital Universitário Onofre Lopes, o Hospital de Pediatria e A Maternidade Escola Januário Cicco em Natal-RN, e o Hospital Universitário Ana Bezerra, na cidade de Santa Cruz-RN; desenvolvendo projeto de pesquisas em conjunto, haja vista que as universidades devem ter como parâmetro o cultivo da produção do conhecimento a partir de uma fundamentação teórico-metodológica. Suas linhas de pesquisa incluem temáticas como: sono e ansiedade, terceira idade, obesidade, Oncologia, morte, entre outras que estejam associadas ao campo de atuação do profissional em Psicologia da Saúde. Com essa proposta, o GEPS objetiva contribuir para o avanço científico do campo de conhecimento psicológico, sobretudo no que diz respeito à inclusão desse saber em instituições de saúde, notando o avanço que essa área de atuação tem alcançando nos últimos anos.

P-03: A criança e sua concepção acerca da morte: um estudo piloto

Autoras/expositoras:

Daniella Antunes Pousa Faria

Eulália Maria Chaves Maia

Grupo de Estudos: Psicologia e Saúde.

Programa de Pós-Graduação em Saúde

O processo de significação da morte nos seres humanos sofreu inúmeras mudanças ao longo dos séculos. Embora na atualidade os adultos ocidentais insistam em manter a crença de que a criança nada sabe sobre o assunto, e que o contato desta com a morte poderia trazer danos ao desenvolvimento infantil, autores que estudam este tema são enfáticos ao afirmar que a criança desde uma idade bem precoce já tem conhecimento da morte, e que o esforço desta para compreendê-la é extremamente importante para a formação de sua consciência e afetividade. Tendo-se em vista estas questões a presente pesquisa teve como objetivo avaliar a concepção de morte de 10 crianças com câncer. Para isto se utilizou uma entrevista semi-dirigida, realizada de forma lúdica através de brinquedos. A partir da presente pesquisa concluiu-se que o conceito de morte nas crianças avaliadas não acompanha o desenvolvimento deste conceito apontado pelos autores, e que a presença da patologia parece não ter maiores influências quantitativas para a aquisição deste conceito, e de seus critérios do pensamento formal. Acredita-se ainda que a aquisição do conceito de morte na infância está mais relacionado à experiência de vida da criança do que a idade cronológica. Portanto, o que vem de fato influenciar na construção do conceito de morte nestas crianças é a vivência de cada sujeito e aquisição dos instrumentos culturais.

P-04: IDENTIDADE DE GÊNERO DAS MULHERES TRABALHADORAS RURAIS DA AGROVILA PARAÍSO DO MUNICÍPIO DE SÃO MIGUEL DO GOSTOSO

Autora:

Frânslie Quinto Bezerra (expositora)

Aluna Especial do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social / Mestrado Departamento de Ciências Sociais/UFRN

E-mail: franslie@uol.com.br

Orientadora: Eliana Andrade da Silva – Professora doutoranda do Departamento de Serviço Social do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da UFRN. E-mail: andradelili@yahoo.com.br

Na área rural muito se fala de Reforma Agrária, desenvolvimento sustentável e agricultura familiar. As mulheres do campo participam do processo de luta pela terra, trabalham na casa, na roça e contribuem com boa parte da produção de alimentos no Brasil. Entretanto as relações entre homens e mulheres se dão de forma desigual. O trabalho da mulher não é valorizado nem reconhecido pela sociedade. Desta forma uma série de medidas tem que ser realizada para o enfrentamento da desigualdade de gênero. Uma delas é a organização das mulheres em grupos nos assentamentos. Foi o que as mulheres da Agrovila Paraíso do município de São Miguel do Gostoso/RN fizeram. O trabalho que ora exponho, impulsionado apartir de observações quanto ao grupo, tem o objetivo de analisar a identidade de gênero e a organização das mulheres de Paraíso. Para o embasamento teórico, foram utilizados material bibliográfico, entrevistas, dados documentais e observações sobre o grupo e a Agrovila. A presente análise aborda a desigualdade de gênero e as formas particularizadas que a mesma tem sobre as mulheres trabalhadoras rurais. Seja no acampamento ou no assentamento, na casa, na roça ou no sindicato os espaços e as relações são desiguais entre homens e mulheres. A formação de um grupo de mulheres para o enfrentamento dessas questões, vem mostrar o potencial das mulheres trabalhadoras rurais na luta por seus direitos.

P-05: Luís da Câmara Cascudo em “As batalhas contra o tempo”: a biografia histórica de um erudito brasileiro (1898-1986).

Autores/expositores:

Francisco Firmino Sales Neto

João Carlos Vieira da Costa Cavalcanti da Rocha

E-mail: netoabc@bol.com.br

Alunos de graduação do Departamento de História - UFRN.

Este projeto tem por objetivo compreender como se formou a subjetividade do erudito potiguar Luís da Câmara Cascudo, de modo a entender as regras de produção dos seus discursos acerca da cultura popular nordestina. Como parte integrante deste projeto, o presente trabalho se propõe a interrogar e problematizar a biografia deste homem que lutou toda a sua vida contra a corrosão inexorável do tempo sobre as coisas e os seres, pois, ao longo de toda sua produção intelectual, sempre quis “preservar” toda a riqueza histórica e cultural do homem nordestino, diante da aceleração da história e, conseqüentemente, da perda das tradições. Portanto, respaldados pelos novos referenciais teóricos - metodológicos do gênero biográfico, realizamos um diálogo com as várias versões que foram produzidas para a biografia de Luís da Câmara Cascudo, seja por ele próprio, seja por aqueles que o tomaram como objeto de memória para, assim, compreendermos a multiplicidade de sujeitos que o compõe.

P-06: Economia Solidária e Desenvolvimento Sustentável

Expositores:

Diego Mendes da Silva

Leonildo Noberto de Medeiros

Núcleo Local da Unitrabalho/UFRN

Departamento de Ciências Sociais/UFRN

E-mail: unitrabalho@cchla.ufrn.br

Autores:

Profa. Dra. Eleonora Bezerra de Melo Tinôco Beuagrand

Rizoneide Souza Amorim

Iane Rocha Przewodowska Ferreira

O Projeto Economia Solidária e Desenvolvimento Sustentável desenvolvido pelo Núcleo Local da UNITRABALHO/UFRN atua, em ações de promoção e apoio a empreendimentos solidários, tendo como público prioritário trabalhadores adultos, excluídos do mercado formal de trabalho, desempregados, subempregados, marginalizados e de baixa renda da Região Metropolitana de Natal/RN, visando com isso criar condições concretas de superação do ciclo vicioso da pobreza. OBJETIVOS: A Incubadora da UNITRABALHO/UFRN objetiva valorizar a Economia Solidária como alternativa de inclusão econômica e de acesso à cidadania. Incubação de Empreendimentos Econômicos Solidários, sob a forma de pequenas unidades de produção, cooperativas, empresas de autogestão e outras modalidades; Assegurar a adequada inserção em cadeias produtivas desses empreendimentos econômicos solidários; Formação de quadros técnicos e agentes de promoção da Economia Solidária, no interior das unidades de incubação, com vistas a aprimorar sua atuação em organizações públicas e privadas, ou diretamente juntos aos empreendimentos. Potenciar a geração de trabalho e renda para as pessoas diretamente envolvidas; Desenvolver um padrão de qualidade para viabilização sustentável dos empreendimentos solidários;METODOLOGIA:A metodologia de trabalho da incubadora consiste em um processo que vai desde a organização do grupo até a sua inserção no mercado. Orienta os grupos nas áreas de planejamento, gestão, qualificação profissional e assessorias jurídica e contábil. Fornece apoio e orientação ao grupo, através de reuniões e visitas ao local de moradia e trabalho, levantando as capacidades e demandas, segundo uma série de etapas, a fim de construir em conjunto um Plano de Negócios.

P-07: A IMPORTÂNCIA DA FOTOGRAFIA COMO REGISTRO HISTÓRICO NA ALFABETIZAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS

AUTORA:

Sandra Maria Regis de Sousa Lins

Aluna do Curso de Pedagogia. CCSA/UFRN

Prefeitura Municipal da Cidade do Natal

Programa Geração Cidadã – Brasil Alfabetizado

E-mail Sandrarlins@ig.com.br

O trabalho de fotografia foi desenvolvido em salas de aula de Alfabetização de Jovens e Adultos, do Programa Geração Cidadã da UFRN, em parceria com a Prefeitura Municipal de Natal, na zona Norte desta cidade, no período de agosto de 2004 a fevereiro de 2005. Enquanto bolsista, do Núcleo de Pesquisa em EJA, atuando na função de articuladora pedagógica, coordenando turmas do Programa, busquei levar para os educandos uma linguagem que possibilitasse um novo olhar a respeito da fotografia, percebendo as distintas épocas, semelhanças, diferenças, mudanças, sociedade, cultura, costumes, valores, política, imbricadas nela, a qual despertou uma visão crítica. O objetivo desse labor foi proporcionar aos educandos o reconhecimento da imagem fotográfica como veículo de informação e comunicação, servindo como fonte de registro histórico social de uma determinada época. A metodologia constou de uma exposição fotográfica, discussão sobre a temática, pesquisa em revistas, leitura de imagens, elaboração e apresentação de seminários explicativos sobre os planos da fotografia e sua relevância para nossa história. O resultado proporcionou aos alunos um novo olhar sobre a fotografia, reconhecendo-a como uma linguagem comunicativa e informativa singular dos acontecimentos históricos e sociais de uma determinada época.

P-08: CONDIÇÕES DE TRABALHO E BURNOUT EM PROFESSORES DE PSICOLOGIA: um estudo de caso em uma Instituição de Ensino Superior

Autora/expositora:

Silvânia da Cruz Barbosa

Mestre em Psicologia.

mail silv.barbosa@gmail.com

Esta pesquisa foi realizada em uma Instituição de Ensino Superior e teve como objetivo central investigar a incidência da síndrome de burnout em professores de psicologia, relacionando-a com as condições de trabalho. O universo da pesquisa era constituído por 40 professores; deste total, 26 participaram, compondo uma amostra representativa de 65%, sendo 50% homens e 50% mulheres; 46,15% eram casados e 38,46% estavam entre solteiros e separados; 61,54% possuíam o título de mestre, 23,07% eram especialistas e 15,38% doutores. Para o desenvolvimento do estudo, aplicaram-se os seguintes instrumentos de coleta dos dados: um questionário padronizado, denominado MBI para avaliar o burnout; um questionário aberto e uma ficha sócio-demográfica. As respostas ao questionário aberto foram categorizadas, mediante a aplicação da técnica de análise de conteúdo (temática), recomendada por Bardin (1995). Os resultados desse tratamento e as respostas ao MBI foram lançados na forma de banco de dados do SPSS for Windows (Statistical Package for Social Science for Windows) versão 1.0 e em seguida se procedeu com a aplicação das análises estatísticas. Os principais resultados encontrados no estudo indicam que a categoria pesquisada apresentou baixos escores nos fatores despersonalização (0,51) e exaustão emocional (1,18) e elevado escore no fator realização profissional (4,83), indicando a não incidência de burnout. Sobre as condições de trabalho, os dados revelaram que 100% da amostra considerou que trabalhava sob condições precárias (80,8%) e péssimas (19,2%); com elevada carga de trabalho (57,7%), relacionamento frio e distante com os colegas de trabalho (53,8%) e em clima de conflito (23,1%). Os resultados conduzem a concluir que, apesar de claramente insatisfeitos com as condições de trabalho, os professores de psicologia não apresentaram sintomas de burnout, podendo esta situação estar sendo sustentada no alto nível de realização pessoal e no valor que estes profissionais atribuem ao trabalho que realizam.

P-09: A Fotografia como estimulo da memória

Autora/Expositora:

Zildalte Macêdo

Professora do DEARTE

Departamento de Arte

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

E-mail: zildalte@bol.com.br

O uso da imagem fotográfica na pesquisa social ganha cada vez mais espaço pela sua condição de documento visual e possibilidade de análise. Registro do mundo visível, a fotografia traz em si não só a descrição do explícito, mas também a história que antecedeu à sua gênese, desencadeando lembranças contidas na memória daquele que a interpreta. A leitura da imagem fotográfica deve ser pensada em todos os seus aspectos simbólicos, a partir dos significados contidos na sua composição. A pesquisa teve como objetivo analisar retratos de uma família tradicional do município de Jardim do Seridó, RN, compreendendo o processo de formação dos retratos da memória. O trabalho foi desenvolvido através do uso de retratos e narrativa oral do informante. Os retratos foram organizados em mapas de análise e discutidos em três categorias: segunda realidade, primeira realidade e análise da pesquisadora. Concluiu-se assim que a fotografia é um recurso estimulador de lembranças que se retratam e se reconfiguram através da leitura da imagem fotográfica, no caso em estudo, dos retratos de família.

P-10: A MÍSTICA COMO ELEMENTOS DIFERENDIADOR NA FORMAÇÃO DE MONITORES PROFESSORES EM ÁREAS DE REFORMA AGRÁRIA DO MST.

Autora/Expositora:

Maria José Nascimento Soares

UFRN/UFS

marjonaso@ufs.br

A mística é um dos elementos que estamos estudando como uma estratégia metodológica para fortalece o processo formativo no Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), especialmente, quando utilizada para chamar a atenção dos monitores professores acerca da desigualdade social existente entre os homens, numa possibilidade de compreender o contexto atual, do qual a injustiça social deve ser um eixo motivador a fim de garantir uma formação diferenciada para formar o novo homem. Pretendemos recuperas os estudos teóricos sobre a idéia de mística em BOFF (1979); BOGO (2003, 2002); STÉDILE; FERNANDES (2000) e outros. A mística se faz presente no processo educativo como forma de manter viva a luta e recuperar pensamentos de pessoas que lideram e deram sua vida pela reforma agrária no Brasil e no mundo. Assim sendo, se estabelece novas relações que se consolidam no coletivo dos assentados, pois, a mística quando operacionalizada na cotidianeidade do assentamento permite aos sujeitos envolvidos à conquista de direitos sociais, mediante um processo educativo contínuo promovido nas áreas de assentamento de Reforma Agrária. Destarte, a mística é impulsionadora da conquista de direitos individuais e coletivos que foram usurpados ao longo desse processo histórico, numa perspectiva de refletir sobre o sentimento demonstrado por aqueles que lutam e continuam lutando em prol da desigualdade social.

P-11: A RODA DOS EXPOSTOS NA HISTÓRIA DO BRASIL

Autor/expositor:

Thiago do Nascimento Torres de Paula

thiagotorres2003@yahoo.com.br

Michele Silva Santos

micheless@io.com.br

Graduandos em História / UFRN

Este trabalho é parte de uma pesquisa sobre crianças abandonadas na Freguesia de Nossa Senhora da Apresentação, na capitania do Rio Grande do Norte, na segunda metade do século XVIII. Especificamente temos como intenção, apresenta uma discussão que serve de referencial teórico para as nossas investigações no âmbito local, tendo como base Maria Luiza Marcílio, Renato Pinto Venâncio e Miriam Lifchitz Moreira Leite. Partindo do principio que a cidade do Natal nunca teve uma Misericórdia e nem muito menos uma Roda de expostos, é queremos apresentar uma síntese de caráter panorâmico sobre uma das mais antigas instituições da nossa história. A Roda como organização de amparo às crianças expostas resistiu ao três regimes, surgida no período colonial, se difundiu durante o Império e entrando em crise durante a Republica, só desaparecendo necessariamente em meados do século XX. Sendo assim queremos demonstrar, um pouco da história do assistencialismo a infância desvalida no ultimo pais do mundo a abolir o sistema de Rodas.

P-12: A SOCIOLOGIA NA FORMAÇÃO DO TÉCNICO AGRÍCOLA

Autora/expositor:

Joanice e Silva Miranda

Orientador: Prof. Dr. João Maria Valença de Andrade

Programa de Pós-graduação em Educação

Núcleo de Estudos e Pesquisas em Ensino e Formação Docente

Este estudo tem como objetivo analisar a importância e a influência da disciplina Sociologia na formação e no exercício da profissão de Técnico Agrícola. Busca explicitar conexões entre os conteúdos trabalhados naquela disciplina, sua prática pedagógica e o exercício das atividades desta profissão. Para tanto, optaremos por uma linha teórico-metodológica que permita uma análise da atuação do Técnico Agrícola, dos conhecimentos (conteúdos ou temas) adquiridos no Ensino Técnico pela disciplina Sociologia, da forma como as aulas eram dadas e sobre a importância da disciplina em si no Curso Técnico. O trabalho será desenvolvido com os ex-alunos da Escola Agrícola de Jundiaí (EAJ) – localizada no município de Macaíba/RN – que estudaram Sociologia nos períodos intermitentes em que esta disciplina esteve presente no currículo do Ensino Técnico Agrícola, tomando-se como referência os ex-alunos que ainda exercem a profissão nesta área. Os procedimentos metodológicos privilegiados são a pesquisa documental nos arquivos da escola e a entrevista aos ex-alunos do Ensino Técnico na EAJ.

P-13: AS CONTRADIÇÕES SOCIOESPACIAIS EM GUAMARÉ-RN

Autor/expositor:

Josué Alencar Bezerra

Mestrando do Programa de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia da UFRN

josue@ufrnet.br

Ademir Araújo da Costa

Orientador e professor do Departamento de Geografia da UFRN

ademir@ufrnet.br

Na tentativa de compreender as desigualdades socioespaciais presentes na maioria dos centros urbanos brasileiros, tem-se procurado uma maior ponderação na relação Estado/Sociedade, na qual as políticas públicas vêm como resposta institucional às demandas sociais e às pressões políticas. Quando nos deparamos com a realidade brasileira, observamos na maioria das vezes, o esquecimento do poder público diante de questões de ordem social. Tal postura tem gerado graves problemas a alguns elementos de sustentação de uma população, como a saúde e a educação. Nesse sentido, tomamos como referência o estado do Rio Grande do Norte, mais precisamente, a porção central do litoral setentrional, por apresentar um quadro socioeconômico preocupante em seu território. Alguns municípios desta região são historicamente conhecidos por gerar bastante recursos para o estado, entretanto, o município de Guamaré não expressa em seu território os recursos provenientes das receitas municipais auferidas. Em Guamaré percebemos a ausência de equipamentos e serviços fundamentais para a melhoria da qualidade de vida de sua população. Embora saibamos que esta situação apresenta-se comumente em várias cidades deste porte no Brasil, no caso de Guamaré, a situação deve ser analisada de forma diferente. Assentado no perímetro da Bacia Petrolífera Potiguar, segunda maior produtora do país, Guamaré está voltado para a atividade que abriga o Pólo Industrial, sendo assim, um dos maiores recebedores de royalties da Petrobras no estado. A idéia de que o município tomaria o rumo do “desenvolvimento” com a chegada da Petrobras desapareceu, visto a frente à realidade local frente à arrecadação do município que ultrapassa a quantia de um milhão de reais/mês. A aplicação dos recursos oriundos destas potencialidades, com o auxílio de políticas públicas eficientes podem favorecer o despertar para o desenvolvimento em Guamaré. Para isso, resta saber por que o município não apresenta um diferencial em termos de qualidade de vida.

P-14: BASE DE PESQUISA: Cultura, Política e Educação

Autores/Expositores:

Geovânia da Silva Toscano

E-mail: geovania_toscano@ig.com.br

Itamar de Morais Nobre

E-mail: nobre@ufrnet.br

Alunos do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais – UFRN

A Base de Pesquisa: “Cultura, Política e Educação” coordenada pelos Professores Dr. José Willington Germano e Dra. Vânia de Vasconcelos Gico, é vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte originou-se em torno de um grupo de professores que se constituiu para realizar um Levantamento e Catalogação de Fontes da Historia da Educação do Rio Grande do Norte. A partir dos trabalhos realizados por esse grupo, em 1993, se constituiu a Base de Pesquisa: “Educação e Sociedade”, aprovada pelo Comitê Conjunto CNPq/UFRN e passou a fazer parte dos Diretórios dos Grupos de Pesquisa do Brasil. Optou-se pela temática Educação e Sociedade pelo reconhecimento da importância das questões relativas à Educação para o estudo e a compreensão da realidade social em varias direções. Em 1998, iniciou-se a reorganização do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, da UFRN, e a Base de Pesquisa reestruturou-se, nesse momento, para ampliar seu alcance, passando, no amo 2000, a identificar-se como Base de Pesquisa: Cultura, Política e Educação. Atualmente, comporta as Linhas de Pesquisa: Organização Social e relações de Trabalho; Política, Cultura e Comunicação; Políticas Sociais e Educacionais; Sociedade, Dinâmicas Culturais, e Memória e, o Grupo de Estudos Boa-Ventura.

P-15: CIÊNCIA JURÍDICA, COMPLEXIDADE E DIGNIDADE HUMANA

Autora/Expositora:

Lenices Moreira Raymundo

Doutoranda do programa de pós-graduação em Ciências Sociais e pesquisadora do grupo de estudos da complexidade –GRECOM

lenicesm@terra.com.br

Maria Conceição Xavier de Almeida

Docente do programa de pós-graduação em Ciências Sociais, coordenadora do grupo de estudos da complexidade - GRECOM

Trata-se de pesquisa que está sendo desenvolvida a partir do método transdisciplinar e dialógico da complexidade com o intuito de contribuir para a construção de caminhos que viabilizem a realização da dignidade humana, através da compreensão da ciência jurídica no contexto da sociologia, da ética, da filosofia e do próprio direito positivo, voltando-se para a concepção do pluralismo jurídico em relação dialógica e de complementaridade com o monismo jurídico. Para alcançar tal intento, perfazemos um diálogo entre a teoria pura do direito, de Hanz Kelsen, a teoria tridimensional do direito, de Miguel Reale e a proposição do pluralismo jurídico em face à crise paradigmática sustendada por Boaventura de Souza Santos, incluindo uma abordagem jurisprudencial mediante análise de acórdãos do Supremo Tribunal Federal sobre a aplicação do princípio da dignidade humana. Propõe-se uma reflexão sobre a possível introdução da epistemologia da complexidade como novo paradigma para a compreensão e aplicação do direito, enquanto ciência social e cultura humanística, buscando transpor os limites do monismo jurídico, o qual fundamenta a concepção positivista do direito, ainda dominante na prática jurídica atual. A epistemologia da complexidade, ora propugnada, encontra respaldo nos estudos realizados por Morin, o qual considera que o conhecimento epistemológico complexo deve ao mesmo tempo detectar a ordem (leis e determinação) e a desordem, e reconhecer as interações entre ordem e desordem, em relação de complementaridade, na busca da religação entre ciência e consciência complexa e da construção da sociologia do conhecimento científico, capaz de auto-interrogar-se e auto-refletir-se, já que "ciência sem consciência é apenas a ruína do homem". (MORIN, 2003, p. 11) Consideramos que o sistema organizacional do pensamento complexo em muito pode contribuir para construção de uma ciência jurídica aberta, pluralista, capaz de transpor a concepção positivista do direito, que o impede de melhor exercer sua função social.

P-16: “ERA UM SONHO DESDE CRIANÇA”: O SIGNIFICADO DA DOCÊNCIA ENTRE PROFESSORES DOS MUNICÍPIOS DE UMBUZEIRO E REMÍGIO.

Autor/Expositor:

Jameson Ramos. Campos

Especialista em Educação. Professor do Dpto. De Filosofia e Ciências Sociais da UEPB.

jamesoncampos@ig.com.br

Esta pesquisa foi desenvolvida entre os professores da rede pública dos municípios paraibanos de Umbuzeiro e Remígio, cursistas do Programa de Pedagogia em Serviço oferecido pela Universidade Estadual da Paraíba, e teve como objetivo investigar, por um lado, as motivações que conduziram estes profissionais a ingressar na carreira do magistério e nela permanecer até hoje e, por outro, a compreensão que estes docentes têm de sua profissão. Acreditamos que os motivos para a escolha da profissão e a visão peculiar que eles têm da mesma entram aqui como determinantes fundamentais, embora não únicos, a orientar a sua prática docente. A pesquisa foi realizada com 35 professores cursistas do município de Remígio e 38 do município de Umbuzeiro e, para tanto, foram aplicados questionários abertos e uma ficha sócio-demográfica como instrumentos de coletas de dados. Os primeiros resultados encontrados indicam que a escolha da profissão docente está associada a dois tipos distintos de motivações: ora associada à vocação, ao gosto de trabalhar com criança e a uma espécie de sonho acalentado desde a infância – visão que eu chamo aqui de romântica – ora à falta de opção de trabalho ou como obra do acaso. (Vieira, 2002). Os dados ainda apontam para o fato de que, mesmo assumindo a profissão docente por um acaso ou por necessidade, parte destes profissionais acabaram por se “afeiçoar à profissão”, às crianças para as quais lecionam e terminaram por gostar da profissão, passando a exercê-la com “amor”. As motivações para ingresso na profissão e a maneira como eles concebem a docência, indicam que os requisitos fundamentais para o exercício do magistério são o amor e a dedicação às crianças, o carinho, o zelo e o cuidado quase materno.

P-17: Estudantes do Ciclo Básico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte: uma avaliação de seus hábitos e de sua qualidade de sono.

Expositores:

Ádala Nayana de Sousa

Liliane Pereira Braga.

Departamento de Psicologia / CCHLA / UFRN.

E-mail: camomilapsi@hotmail.com

Autores:

Ádala Nayana de Sousa (Graduanda), Liliane Pereira Braga (Graduanda), Caroline Araújo Lemos (Graduanda), Camomila Lira Ferreira (Graduanda), Katie Moraes de Almondes (Pós-Graduanda), Neuciane Gomes da Silva (Professora), Eulália Maria Chaves Maia (Professora).

A qualidade de sono envolve critérios como início de sono precoce, menos interrupções e menos despertares durante o sono, cuja avaliação ruim pode trazer problemas como diminuição de concentração e atenção, prejuízos no desempenho, fadiga e irritabilidade. Podem contribuir para esses problemas hábitos de sono considerados ruins, como fumar, ingerir substâncias psicoestimulantes, barulho e muita iluminação onde se dorme. Objetivou-se identificar e avaliar os hábitos e a qualidade de sono de 95 estudantes da UFRN, que cursavam o primeiro período de 15 cursos: Pedagogia, Ciências Econômicas, Direito, Administração, Turismo, Ciências Biológicas, Farmácia, Medicina, Odontologia, Enfermagem e Obstetrícia, Engenharia Química, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia da Computação, e Arquitetura e Urbanismo. Utilizou-se: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, Índice de Qualidade de Sono de Pittsburg, e Questionário de Hábitos de Sono. Resultados evidenciam o escore médio de 5,64±2,53, que indica uma qualidade de sono ruim para os estudantes, já que tal média encontra-se acima de 5,0. A partir da análise dos hábitos de sono, percebeu-se que 51,7% deles não têm barulho no quarto, 76,8% afirmam não haver nada no quarto que incomode e 100% mantém no quarto aparelho de televisão, som, computador e material de leitura. Na amostra, mais de 80% bebem refrigerante e ingerem chocolate freqüentemente. Quanto ao sono, 64,2% asseguram que, às vezes, tem dificuldade iniciar o sono, e 80% dizem que, às vezes, apresentam sonolência diurna. Assim, infere-se que a falta de um horário regular de dormir e acordar, que se soma aos hábitos de sono ruins, associa-se à qualidade de sono ruim e conseqüente irregularidade do padrão do ciclo sono-vigília presente nesses estudantes. Com isso, faz-se necessário promover melhoras em alguns hábitos de sono, a fim de evitar os malefícios para a saúde já relatados.

P-18: FEIRA LIVRE DE CAICÓ/RN: MUDANÇAS E PERSISTÊNCIAS

Expositor e Autor:

Marcos Antônio Alves de Araújo

Titulação: Graduando em Geografia na UFRN/CERES/CAMPUS DE CAICÓ. E-mail: marcoserido@yahoo.com.br

Co-autor (a):

Ione Rodrigues Diniz Morais

Titulação: Professora Doutora do Departamento de História e Geografia, da UFRN/CERES/CAMPUS DE CAICÓ

E-mail: ionerdm@yahoo.com.br

As feiras livres municipais, incrustadas, mormente, nos espaços centrais dos aglomerados urbanos, se constituem como uma prática econômica e cultural, historicamente tecida na maioria das cidades nordestinas, onde compradores e vendedores, oriundos de áreas distantes e da própria localidade, se reúnem semanalmente, para estabelecerem as atividades de compra, venda e permuta dos diversos produtos. Nesse sentido, ancorado nas discussões, problematizações e inspirações teóricas de Paul Claval, Milton Santos e Eduardo Pazera, objetivamos perscrutar e analisar as transformações na dinâmica sócio-espacial da Feira Livre da Cidade de Caicó/RN, entendendo sua historicidade e sua hodierna organização espacial, bem como, as práticas sócio-culturais que ora, ressignificam-se, ora resistem aos processos ditos “modernos”. Para desenvolvermos esse estudo, realizamos entrevistas com vários agentes sociais, sobretudo, caicoenses que vivenciaram, conviveram, freqüentaram e freqüentam as feiras livres de Caicó. Devido à pesquisa está em fase embrionária, os resultados e considerações são apenas parciais, flexíveis a alterações. Assim, por meio de algumas observações feitas in loco, podemos constatar que a Feira Livre de Caicó, realizada durante os sábados, está organizada e enxertada, atualmente, em dois espaços distintos da área central do tecido urbano. Ademais, evidenciamos que a Feira Livre dessa urbe, mesmo mudando de espaço, ainda se constitui como o lugar do encontro, dos costumes, das tradições, das conversas, das sociabilidades e das múltiplas territorialidades contracenadas pelos atores sociais de Caicó e de outras cidades circunvizinhas.

P-19: FLOGS: CULTURA E ESPAÇO NA INTERNET

Autor/Expositor:

Bruno de Oliveira Lima

Aluno do Departamento de Antropologia

Os flogs viraram mania no mundo da Internet. Os brasileiros foram os que mais adentraram nesse novo tipo de site e hoje já contabilizam cerca de 50% de toda a população "flogueira" do mundo. É comum as muitas tribos virtuais postarem nos fotologs, são várias imagens que retratam as suas identidades culturais particulares. O painel que pretendo apresentar é uma tentativa de mostrar as fotos postadas pelos jovens nos flogs, para que se possa fazer uma analise apurada deste "fato social", já que, os flogs são maneiras de fazer, agir e pensar de uma coletividade, apresentam uma complexa rede de relações sociais e são sobre tudo espaços de sociabilidade no campo do privado de do público, construídos pelos homens da chamada pós-modernidade. Nesse contexto, abordarei as questões referentes ao Ciberespaço e a Cibercultura através do painel.

P-20: GRUPO DE ESTUDOS BOA-VENTURA

Autores/Expositores:

Alcides Leão Santos Júnior

Lenina Lopes Soares Silva

Alunos do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais – UFRN alcidesleao@hotmail.com

 

O Grupo de Estudos Boa-Ventura, coordenado pelos Professores: Dr. José Willington Germano e Dra. Vânia de Vasconcelos Gico, é vinculado à Base de Pesquisa: Cultura, Política e Educação, do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, surgiu da convergência e do desejo dos participantes em aprofundar estudos sobre globalização, multiculturalismo, educação, política memória, imagem e sociedade. Como a obra de Boaventura de Sousa Santos engloba todos esses conceitos, decidiu-se por estudá-la de forma sistemática, empreendendo-se esforços para manter um dialogo aberto e flexível com suas idéias. Objetiva-se discutir essas idéias visando compreender seu itinerário teórico-metodológico, mediante a interpretação do seu pensamento, para assim, promover reflexões acerca dos conceitos que venham a ser apropriados pelo Grupo. A metodologia adotada possibilita a troca de saberes subjacentes às idéias em estudo. O Grupo reúne-se mensalmente, para discussão das leituras e planejamento de atividades com a perspectiva de atingir as metas, entre elas: publicação da produção do Grupo e a promoção de seminários e mesas redondas sobre as temáticas estudadas.

P-21: Horários Acadêmicos de Estudantes do Ciclo Básico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte: Fortes Sincronizadores Ambientais?

Expositores:

Caroline Araújo Lemos

Camomila Lira Ferreira

Departamento de Psicologia / CCHLA / UFRN.

E-mail: camomilapsi@hotmail.com

Autores:

Ádala Nayana de Sousa (Graduanda), Liliane Pereira Braga (Graduanda), Caroline Araújo Lemos (Graduanda), Camomila Lira Ferreira (Graduanda), Katie Moraes de Almondes (Pós-Graduanda), Neuciane Gomes da Silva (Professora), Eulália Maria Chaves Maia (Professora).

O ciclo sono-vigília é sincronizado por fatores internos e externos. Os sincronizadores ambientais desempenham um papel crucial nesse ciclo no homem, na medida que os horários e demandas sociais, determinam os horários de sono, interferindo nesse padrão. Tais interferências podem acarretar prejuízos à saúde, como a privação de sono, que ocasionando diversos efeitos maléficos, como irritabilidade, diminuição da vigilância, atenção e concentração. Assim, objetivou-se avaliar o ciclo sono-vigília de estudantes do 1º ano das áreas Biomédica, Humanística e Tecnológica da UFRN. O trabalho foi realizado com 106 estudantes voluntários, utilizando-se de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, Ficha de Identificação, Diário de Sono, Questionários de Hábitos de Sono, de Identificação de Cronotipo e de Qualidade de Sono. Os 28 estudantes de Biomédica possuem médias de início de sono de 23:30±00:50 e duração de 07:24±01:04. Essas médias passam a ser 23:43±01:04 e 07:35±01:14, respectivamente, nos 44 estudantes de Humanística. Já os 34 estudantes de Tecnológica possuem médias de início de sono de 23:35±01:01 e duração de 07:19±00:43. Observou-se que esses estudantes apresentaram índices de qualidade de sono de 5.4, 6.3 e 5,0, respectivamente, ou seja, índices considerados ruins, já que estão maiores ou igual ao 5,0. Isso pode estar relacionado ao padrão irregular de sono presente em todas as áreas. Observou-se que a amostra de todas as áreas apresentou qualidade de sono ruim, o que pode estar relacionado a um padrão irregular de sono. Dessa forma, infere-se que os horários e as demandas acadêmicas funcionam como fortes sincronizadores durante a semana, pois os menores desvios padrões apontam uma maior homogeneidade nos horários, algo que não acontece durante o fim de semana, no qual os horários associam-se ao lazer. Cabe, portanto, uma maior atenção sobre os fatores que influenciam o sono irregular e a qualidade de sono ruim apresentados pelos estudantes.

P-22: MODA E CORPO

Autora/Expositora:

GeísaPereira Alves (mestranda)

Instituição: Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social/DAN/CCHLA/UFRN

Associadogeralmente ao conceito de vestir, o de moda vem do latim “modus” que significa modo, maneira. Surgiu na europa ocidental quando as roupas em função do contexto histórico sugeriam a diferença dos sexos. A moda como conceito começou a partir do nascimento e do desenvolvimento do mundo ocidental. Só a partir do final da idade média e do início do renascimento foi possível fazer um reconhecimento apurado da ordem própria da moda como sistema, com suas transformações incessantes, suas diferenças e suas extravagâncias. Neste aspecto sob uma análise ampla, podemos afirmar que a imposição coletiva da moda permite uma certa relação de autonomia individual se tratando da aparência, dessa forma engendra-se uma certa relação inédita entre a célula individual e regra social, que se interligam e promovem o próprio dinamismo da moda. O movimento hedonista iniciando na américa do norte e na europa e 1960 e 1970 com a liberação sexual, a liberdade individual é largamente divulgada e hoje podemos notar uma nova produção corporal e novas formas de construção corporal presentes nas práticas e representações das camadas médias urbanas, que vêm tomando status de moda. Procurando refletir sobre este tema, priorizamos neste momento o estudo do auto controle da aparência física, cabendo ainda investigar os processos que levam os indivíduos a incorporarem as normas desta nova estética. Teremos como suporte teórico para este estudo as reflexões de Marcel Mauss (1950) sobre as técnicas do corpo, neste contexto ele afirma: “ (...) esses hábitos ou técnicas do corpo não variam apenas de acordo com cada indivíduo e suas imitações, mas também de acordo com as sociedades, as educações, as convenções, as modas e os prestígios” (p. 67). Analisando este tema figura também o trabalho organizado pela antropóloga Mirian Goldenberg (2002) ao analisar o corpo e moda no Rio de Janeiro.

P-23: Nas cercanias do Mundo Novo: apontamentos acerca da prática sócio-espacial promovida pelos agricultores.

Autoras:

Jossylúcio Jardell de Araújo (expositora)

Discente do Curso de Geografia, da UFRN, CERES

jossylucio@yahoo.com.br

Evaneide Maria de Melo

Ione Rodrigues Diniz Morais

Discentes do Curso de Geografia, da UFRN, CERES

Neste projeto pretende-se compreender a dinâmica sócio-espacial promovidas pelos agricultores assentados na Fazenda Mundo Novo, que é gerenciado pela Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte – EMPARN. Para palmilhar tal perspectiva de leitura, foi indispensável à aplicação de questionários pré-elaborados direcionados aos agricultores e a empresa responsável – EMPARN. De igual importância foi o nosso suporte teórico-metodológico, centrado nas leituras de Stuart Hall, Roberto Lobato Corrêa, Rogério Haensbaert e Olavo de Medeiros Filho. Com a ida ao campo, um mundo se descortina, seja ele representado nas vivências, no ato de plantar, colher ou mesmo nas relações estabelecidas com a terra, que passam por (re) elaborações que ganham contornos particulares, expressos pelo movimento migratório , ou na relação com a estrutura física montada – sem o uso de cercas. Acreditamos que nosso trabalho não encerra a discussão, mas que ela abre horizontes para novos olhares e reflexões.

P-24: O “ideal de amor romântico” e suas demandas: possibilidade de sofrimento?

Autora/Expositora:

Vergas Vitória Andrade da Silva (expositora)

Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais – UFRN

Orientadora: Norma Missae Takeuti

A idéia romântica de amar tem sido parte essencial da cultura ocidental. A experiência amorosa apresenta valor central na vida dos indivíduos. Tornou-se o centro de muitas expectativas, isso porque, dentre outras coisas, o amor é apresentado como umas das poucas coisas que podem nos fazer feliz. Ele foi colocado numa aura perfeita e eterna. Contudo, o amor romântico exige uma série de cumprimentos de papéis e demandas que seriam difíceis de serem efetivados em sua prática pelos amantes. A busca de realização deste ideal afetivo-sexual pressupõe regras de condutas contraditórias e difíceis de seguir. Nessa dinâmica, a perspectiva da não-realização do “sonho romântico” acarretaria a alguns sofrimentos. Neste sentido, o presente trabalho visa focar as principais representações e expressões do sofrimento amoroso que decorriam das contradições geradas pelas demandas exigidas pelo ideal de amor romântico, através da trajetória de vida amorosa de homens e mulheres que vivenciam relacionamentos íntimos amorosos.

P-25: "O ATENDIMENTO AOS ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS NAS INSTITUIÇÕES PRIVADAS DE CAICÓ: ASPECTOS DE UMA REALIDADE".

Autora/expositora:

Hennybeth Soares da Silva

Graduanda em pedagogia.UFRN/ CERES/ DESE - RN

e mail: hennybeth@yahoo.com.br

Nazineide Brito

Co-autora Professora Ms.UFRN/ CERES/ DESE -RN

e-mail: nazi@seol.com.br

O conceito sobre a educação oferecida aos alunos com necessidades especiais modificou-se ao longo do tempo. A educação que antes acontecia em instituições segregadas passou com o tempo a ser oferecida em instituições do sistema regular, estando esta concepção inserida na nova LDB (9.394/96). Porém, apesar dos avanços, a realidade ainda é distante de um atendimento de qualidade. Problemas como a falta de estrutura física adequada e a ausência de formação específica dos professores em relação à educação especial, são ainda gritantes em nosso país. Este trabalho visa apresentar a realidade dos aspectos físicos e pedagógicos oferecidos pelas escolas da educação infantil da rede privada aos alunos especiais. Para a efetivação desse trabalho, foram realizados estudos bibliográficos, e em seguida, deu-se início as entrevistas com os professores e gestores das escolas. Para a coleta de dados foram utilizados questionários, entrevistas e observações, depois, sendo todos analisados. A partir da análise, afirmamos que estão matriculadas na educação infantil, cerca de 1.391 crianças, sendo 26 especiais. Na maior parte das escolas a estrutura física é precária, precisando de reformas, já o acompanhamento pedagógico específico é oferecido na maior parte fora da instituição, através da APAE. Percebemos, portanto, que essas escolas, mesmo com alguns aspectos melhores do que as escolas públicas, não deixam de apresentar necessidades de modificações tanto na parte física como na pedagógica; a falta de orientação, capacitação e formação específicas dos demais profissionais da área, continuam sendo falhas que precisam ser melhoradas. Já o aspecto físico, carece de modificações na construção de rampas arquitetônicas, banheiros, carteiras e materiais específicos que garantam a permanência desses alunos nessas instituições. Neste sentido a inclusão de crianças de 0 a 6 anos de idade nessas escolas, ainda caminha a passos lentos, precisando de melhorias para a sua efetivação.

P-26: “O Médico Diante do Paciente Suicida”

Expositores:

Beatriz Furtado Lima

E-mail: beatrizflima@terra.com.br

Juliana Gouveia Costa

Estudante de Psicologia/UFRN

E-mail: E-mail: juligouveia@gmail.com

Autores:

Beatriz Furtado Lima, David Emmanuel M. Ferreira, Juliana Gouveia, Luciana Fernandes Matias, Maíra Trajano Costa, Mariliz Viegas Nôga, Renata Oliveira, Vera Saraiva

Orientador: Elza Dutra

O suicídio é um assunto complexo, multifatorial, carregado de preconceitos e causador de grande impacto psico-social. Lidar com o suicídio pode gerar sentimentos de frustração e impotência nos médicos, pois podem se sentir fracassados na sua atuação profissional. Este trabalho teve como objetivo investigar como os médicos lidam com pacientes suicidas, tendo em vista que se tratam de profissionais que lutam para salvar vidas. A pesquisa foi realizada em janeiro de 2004 com médicos de três hospitais de Natal, totalizando 54 questionários com 25 questões abertas e fechadas. As perguntas focalizaram aspectos da profissão, sentimentos em relação à morte e aos pacientes suicidas e outras questões sobre suicídio (encaminhamento, causas, sinais, prevenção). Na análise dos dados, criamos categorias para representar e correlacionar as respostas das questões abertas. Percebemos que a maioria dos médicos se sente reflexiva diante de pacientes suicidas. Encontramos uma contradição e certa resistência ao dizerem que lidar com a morte influencia de alguma forma sua vida, levando-os a valorizá-la mais, e ao relataram que lidar com pacientes que tentaram se matar não causa nenhuma influência em suas vidas. Questionados sobre o que acham que leva alguém a cometer suicídio, responderam que as principais causas são distúrbios psiquiátricos, problemas familiares, problemas amorosos ou dificuldades interpessoais. Citaram comportamentos agressivos, depressão e tristeza como os mais freqüentes sinais que poderiam indicar um possível ato suicida. Os médicos supõem ser possível a prevenção do suicídio, mostrando-se condizentes com a concepção de suicídio como uma doença, o que os levam a encaminhar tais pacientes a psiquiatras. Concluímos que a morte e o suicídio são temas difíceis e delicados, em especial para os médicos, os quais lutam pela vida constantemente, sendo assim seria interessante para eles um suporte psicológico para melhor lidarem com essas questões e com seu trabalho.

P-27: OS LAÇOS QUE ENTRELAÇAM A MEMÓRIA E A EDUCAÇÃO

Autoras/Expositoras:

Alenuska Karine de Medeiros Ferreira

Discente do Curso de Pedagogia, da UFRN, CERES

Rousejacley Pereira de Araújo Silva

Discente do Curso de História, da UFRN, CERES

rousejacley@yahoo.com.br

O projeto de pesquisa "A História da Educação pela via da Memória e da Literatura", vem desenvolvendo no decorrer de seus estudos um trabalho de organização e sistematização das fontes para o estudo da História da Educação. Objetiva também possibilitar a realização de palestras e reflexões, de modo à aproximar a pesquisa aos alunos e pesquisadores de outros cursos/áreas. Para realizá-la utilizamo-nos da metodologia da história oral como recurso para o recolhimento de narrativas através de gravação de entrevistas, como registros de informações de populares. Também nos valemos de obras literárias e versos de cordel como fontes de estudo. Operacionalmente, demos início à criação de um banco de dados, que foi precedido de uma campanha de arrecadação de livros e cartilhas antigas que foram catalogados e arquivados. Podemos concluir que os dados coletados são de grande relevância para a formação do corpo da pesquisa, o que confirma o constructo de um conhecimento sustentado em variadas fontes que se entrecruzam nas fronteiras entre história, memória e literatura. Dispomos de um acervo considerável de entrevistas com professores e pessoas da comunidade que, na ocasião, narraram sobre seu tempo de escola realçando detalhes da cultura, usos, costumes e hábitos que compunham a rotina de práticas desenvolvidas no cotidiano escolar.

P-28: POLIFONIAS DO EDUCAR: VOZES QUE RESSOAM DO SILÊNCIO

Marinalva Pereira de Araújo

Graduanda do Curso de Pedagogia da UFRN/CERES/DESE/CAICÓ-RN

Marrypy2000@yahoo.com.br

Antônio Lisboa L. de Souza

Prof. Dr. da UFRN/CERES/DESE/CAICÓ-RN (Orientador)

Quando os sonhos parecem perdidos, a maré traz perspectivas de articulação nos fazeres que valorizam a aprendizagem escolar, sob conversas que dão lugar às vozes caladas num silêncio de uniformidades. Os diálogos dos educadores vêm constituir o curso de pedagogia realizado através do Programa de formação em nível superior dos professores da Educação Básica (PROBÁSICA). No compromisso de desvendarmos os efeitos desta formação, detemo-nos na turma de 1998, perscrutamos os discursos colhidos em questionários, sentamos em conversas informais e finalmente analisamos as opiniões, ancorados nos teóricos: Edgar Morin, Paulo Freire e Perrenoud. Relações travadas inferem a polifonia dialógica que faz bater e culminar em conflitos, por excelência condutores da construção mediante interesses coletivos dos profissionais. O diálogo como instante de reflexão sobre competências, ocasião onde se traçam marcas que aventam mudança nos modos de fazer, na relação com todos os membros da comunidade escolar. Emergem dos escombros ânsias de maior participação e de continuidade da formação. A formação em pedagogia-PROBÁSICA transcende ao mero diploma e constrói ímpetos de reflexão do educador sobre suas ações, deixando florescer um mar de possibilidades na produção do conhecimento pedagógico, onde o ensino passa a ser cerne de inquietações, onde o professor abre-se à invenção e à construção nos diálogos, rumores de inovação nas ações educativas.

P-29: POLÍTICAS PÚBLICAS, ESPAÇO E EMPREGO EM ÁREAS PERIFÉRICAS: O “Programa de Desenvolvimento do Turismo no Rio Grande do Norte” em questão

Autor/Expositor:

Jean Henrique Costa

E-mail:jeanhenriquecosta@bol.com.br

Aluno do departamento de Ciências Sociais/UFRN

O turismo enquanto atividade sócio-espacial compreende em sua dinâmica direta e indireta o fato de necessitar de intensa mão-de-obra para as diferentes ocupações existentes em sua cadeia produtiva. Isto posto, tem-se que o entusiasmo acrítico com que o turismo é tratado se tornou nestes últimos anos impressionante. Com a famosa metáfora “indústria sem chaminés” a atividade tem se propagado como nunca, isto com a ajuda de mecanismos governamentais, empresariais e os incessantes esforços da mídia na divulgação turística. Em decorrência disso, cresce também o número de políticas públicas e empreendimentos voltados à atividade. Encontra-se atualmente um discurso apologético acerca do turismo enquanto gerador de empregos e desenvolvimento local. Em razão disso, estas políticas públicas são justificadas pela importância que a atividade possui pelos seus pontos positivos. No entanto, não se questiona a qualidade dos empregos gerados pela atividade turística, que se caracterizam por serem mais precários do que os demais empregos existentes no setor de serviços, devido fundamentalmente ao seu caráter sazonal. No RN, em particular o recorte espacial dado pelos municípios do PRODETUR/RN I, observa-se uma assimetria quanto as interações espaciais entre as cidades que compõem tal programa. Em Natal, município que caracteriza tal assimetria, observa-se a maior parte dos empregos formais, investimentos privados e públicos. Natal neste contexto “discrepante” funciona como o produto principal e espacialmente como o centro das questões sobre turismo no Estado. Dado este fato, os cinco demais municípios que compõem o programa se constituem enquanto sub-produtos da cidade capital, onde a precarização das relações de trabalho se acentua ainda mais nestes municípios “secundários”. Decorrente deste fato, tenta-se saber, em que medida políticas públicas de turismo (PRODETUR/RN I) têm sido eficazes para a geração de empregos nos municípios constituintes do programa, quais as características destes empregos e como os mesmos se distribuem espacialmente nestes municípios?

P-30: Recursos estratégicos da linguagem em propagandas de cerveja

Autora/Expositora:

Elis Betânia Guedes da Costa

Kaline Juliana de Souza Feitosa

UFRN-CERES

O presente trabalho é o resultado de um projeto de pesquisa interdisciplinar, realizado no campus de Currais Novos, envolvendo alunos de Letras e Administração. Para realização de tal estudo seguimos uma abordagem qualitativa, objetivando descrever e analisar a linguagem e os mecanismos lingüísticos utilizados como forma de persuasão em propagandas de cerveja entre os anos de 1994 e 2004. Dessa forma, partimos da hipótese que a linguagem utilizada em tais textos recorreria a determinados mecanismo como: figuras de linguagem, ambigüidade e repetição, entre outros objetivando a indução sobre o consumidor. O “corpus” constitur-se-a de vinte propagandas coletadas aleatoriamente em revistas informativas. Foi constatados que nos textos em questão a formação discursiva é por excelência persuasiva, já que se fixa num jogo parafrástico , onde o conjunto de efeitos retóricos envolve o interlocutor, criando efeitos que sejam capazes de atrair sua atenção.

P-31: RIACHO DOS NEGROS: AS BATALHAS COTIDIANAS EM TRAMAS HISTÓRICAS E TEIAS DE MEMÓRIA

Autora/Expositora:

Joelma Tito da Silva

Bolsista Propesq

Orientador: Prof. Joel Carlos de Souza Andrade

Este trabalho de pesquisa problematiza o cotidiano da comunidade dos Negros do Riacho, grupo remanescente da experiência negra escrava formado há mais de um século na zona rural da cidade de Currais Novos/RN. No trabalho efetivo com as fontes, colhidas durante a pesquisa de campo participante, bem como na análise das inspirações teóricas traçamos o perfil da comunidade a partir das suas artes de fazer diárias que incidem sobre formas astuciosas e táticas de sobrevivência. Mergulhados em espaços de marginalidade e de escassez material, os negros do Riacho constituem homens comuns, ordinários, estigmatizados, transformados em museu da escravidão e da miséria, são sujeitos que criam formas de prosseguir, de caminhar, de morar, de casar, de crer, de festejar etc. Teórico/metodologicamente esta pesquisa inspira-se nas discussões acerca do cotidiano problematizadas por Michel de Certeau. A partir de Clifford Geertz desenvolvemos uma descrição densa do grupo, percebendo aquele espaço enquanto lugar investido de historicidade, de símbolos, de subjetividades. Problematiza-se assim a cultura enquanto texto marcado por articulações humanas, o Riacho enquanto um espaço inscrito por gestos, fazeres e dizeres cotidianos, historicamente tramados, mnemonicamente tecidos.

P-32: Ritmos, tons, gostos e sons do Patrimônio Imaterial em Carnaúba dos Dantas

Autor/Expositor:

Helder Alexandre Medeiros de Macedo

E-mail: heldermacedo@katatudo.com.br

Programa de Pós-Graduação em História - CCHLA - UFRN

Grupo de Estudos em Patrimônio e Arqueologia do Seridó - GEPS

Apresenta os resultados parciais do Projeto Carnaúba dos Dantas: Inventário do Patrimônio Imaterial de uma Cidade do Sertão do Rio Grande do Norte - PRONAC 043906, vinculado ao Ministério da Cultura e financiado pela PETROBRAS. Esse projeto objetiva desenvolver um levantamento acerca do patrimônio imaterial do município de Carnaúba dos Dantas, localizado na microrregião do Seridó, Sertão do Rio Grande do Norte, que resultará na montagem e publicação de um inventário, além de sua divulgação nos estabelecimentos de ensino estaduais e municipais de educação. Decorrentes desta finalidade principal realizamos pesquisa sobre o folclore (rituais e festas, religiosidade e saber popular), manifestações culturais (literatura, música, artes plásticas, artes cênicas), práticas culturais coletivas e seus espaços (mercados, feiras, santuários e praças); o preenchimento de fichas de registro baseadas na metodologia do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) do IPHAN e composição do respectivo inventário com as principais manifestações da cultura imaterial local; e brevemente realizaremos a publicação dos resultados da pesquisa e sua difusão nas instituições de ensino locais através de workshops destinados aos docentes e mini-cursos e oficinas destinados aos discentes. As ações que propomos encontram validade na medida em que contribuirão para o conhecimento, a preservação e a difusão dos saberes e dos fazeres de Carnaúba dos Dantas, que se constituem enquanto patrimônio imaterial do Rio Grande do Norte e, porque não dizer, do país. Trata-se de discussão recente na legislação brasileira (o Decreto 3551 que institucionaliza o Programa Nacional do Patrimônio Imaterial data de 2001), porém, que evidencia o quanto é perigoso esquecermos de, pelo menos, registrar e difundir uma forma de patrimônio cultural que está viva no imaginário e na própria dinâmica da sociedade brasileira, a da imaterialidade, composta dos saberes e dos fazeres, das formas de expressão, dos lugares de sociabilidade e das festas e celebrações.

P-33: UM SITE PARA A PLANETARIZAÇÃO

Autor/Expositor:

Néri Andréia Olabarriaga Carvalho

Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte

E_mail: nériolabarriaga@yahoo.com.br

Orientadora: Maria das Graças Pinto Colelho

A idéia do trabalho surgiu a partir do Documento Jacques Dellors, que evidencia a utilização de metodologias inovadoras no sistema acadêmico em face influência das Novas Tecnologias na Educação. É um instrumento digital com arquitetura em rede, que visa não só as possibilidades técnicas de fusão entre capacidade de armazenagem de informação com modos de acesso e escala de abrangência, mas sim, a necessidade que vem sendo sentida da utilização do mesmo, não em seu simples contexto de utilização pedagógica ou de legitimação do consumo, mas pelas possibilidades de reflexão que fornecem quando bem empregadas, sobre as informações disponibilizadas em um ambiente cultural e educativo suscetível de diversificar as fontes de conhecimento e do saber (Delors, 2003) e contribuir no processo educativo numa perspectiva inclusiva à formação do indivíduo. Esta ferramenta consiste no desenvolvimento e implantação de uma ferramenta digital (site) sobre conteúdos de caráter Ambiental, que será elaborado e alimentado a partir das produções acadêmico-científicas disponíveis, onde projetos, pesquisas, experiências desenvolvidas e em andamento, bem como outras informações pertinentes ao tema serão evidenciadas. Como aporte teórico-metodológico, utilizamos a revisão bibliográfica, análise de conteúdo documental, pesquisa de campo e entrevistas semi-estruturadas. O objetivo é de possibilitar a democratização de informações de qualidade, como um serviço institucional de fonte para a comunidade Universitária, que tenha por propósito desenvolver pesquisas; assim como apoiar o pesquisador e fomentar as atividades relacionadas ao compartilhamento da informação científica através da Internet. Com este instrumento, buscamos também cooperar no exercício e formação da cidadania e na preservação do Meio Ambiente, não só do Estado, mas propor troca de idéias e experiências de trabalhos e atitudes no âmbito Internacional, desempenhando um papel articulador em relação aos demais programas, Órgãos, Entidades e segmentos que atuam nesta área.

P-34: Visões imaginárias de Caicó/RN: aproximações entre lembranças e esquecimentos.

Autoras/Expositoras

Evaneide Maria de Mélo (Graduanda em Geografia, no Centro de Ensino Superior do Seridó, Campus de Caicó/RN, bolsista de Iniciação Científica PPPg/, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte )- evamelo81@yahoo.com.br

Doutora Eugênia Maria Dantas (Professora do Departamento do História e Geografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, do Centro de Ensino Superior do Seridó, Campus de Caicó/RN)

A Geografia Cultural trata a paisagem como um “texto”, onde se pode efetuar múltiplas leituras dos processos naturais, sociais e culturais. Nesta perspectiva, objetivamos ler as paisagens urbanas da cidade de Caicó/RN, durante o período que se estabelece de 20 a 50, do século XX, tendo como suporte de leitura as fotografias em preto e branco, de José Ezelino da Costa e nos jornais que circularam na cidade na mesma temporalidade. A compreensão da paisagem requer a aproximação das fontes, das imagens, das visões de mundo, dos discursos, que compõem uma infinidade de cartografias da ação humana em um dado espaço-temporal. Neste sentido, nos lançamos a busca de pistas nos primeiros jornais que circularam na cidade de Caicó/RN, às fontes jornalísticas, ao acervo fotográfico de José Ezelino da Costa e a leitura de autores como Michel Foucault, Boris Kossoy e Edgar Morin. A partir dos primeiros contatos com as fontes iconográficas promovidas pelo projeto de pesquisa “Fotografia e Complexidade: itinerários norte-rio-grandenses”, aparece às informações iniciais referentes à paisagem citadina, sendo possível compreendermos que a cidade de Caicó/RN, no período que se estende de 1920 a 1950, possuía uma fisionomia que beirava o silêncio, a calmaria e o recato no espaço urbano. Consideramos também a Avenida Seridó era o palco de moradia da “melhores” famílias da cidade, bem como, o lugar da troca comercial. Confiamos que a leitura da paisagem é possível pela aproximação, pela ligação, pela trama, pela ampliação, pela redução, pelo diálogo entre as fontes documentais, numa escala que se projeta de maneira interconectada se estabelecendo dentro e para além do foco visual.

P-35: A Importância da Atuação do serviço Social junto aos Grupos de Apoio do CECAN - Centro Avançado de Oncologia.

Autoras:

Anna Paula Alcântara da Silva

Vivianne Wênia Ferreira Damasceno

vivianwfd@hotmail.com

FACEX – Faculdade de Ciências, Cultura e Extensão do RN

Serviço Social

Este Trabalho demonstra uma ampla reflexão e conhecimento do atendimento oncológico da Liga Norte Riograndense Contra o Câncer, com ênfase na Unidade II, O Centro Avançado de Oncologia (CECAN). Neste discurso mostram-se os Grupos de Apoio que existem na referesrida instituição, como também a importância dos mesmos para os pacientes, sendo estes Grupos um complemento para o tratamento, uma forma de se obter maiores conhecimentos sobre a enfermidade, formas de enfrentamento, direitos que lhe são assistidos, entre outros. A coleta de dados foi realizada na referida instituição, a partir de três encontros com entrevistas semi-estruturadas aos próprios pacientes que se encontravam na sala de espera da Radioterapia. A partir dos resultados, obtemos que 50% dos pacientes que fazem tratamento no CECAN não têm conhecimento algum sobre os Grupos de Apoio e de Acolhimento que compõe essa unidade, 20% disseram que já ouviram falar, mas não freqüentavam por falta de interesse, 25% julgavam importante e tinham comparecido a pelo menos 1 (uma) reunião e 5% não freqüentavam por dificuldade de deslocamento. Destaca-se ainda a atuação do profissional de Serviço Social nesta área, sendo este capacitado a trabalhar nas relações humanas, contribuindo com a inserção social do paciente com câncer, garantindo sua cidadania através de informações sobre os direitos cabíveis a essas pessoas.

P-36: A Complexidade humana nos espaços das bandas de música do Seridó norteriograndense

Ronaldo Ferreira de Lima

Professor da Escola de Música (UFRN)

Mestrando do Programa de pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Pesquisador do Grupo de estudos da Complexidade-GRECOM/UFRN.

ronaldo@musica.ufrn.br

O painel é fruto de pesquisa de mestrado ainda em desenvolvimento no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais, sob a orientação da Profa. Dra. Maria da Conceição de Almeida. Apresenta em imagens e títulos a inserção de crianças e jovens em duas bandas de música localizadas no Seridó norteriograndense: a banda Hermann Gmainer do Projeto Aldeias SOS de Caicó e a Filarmônica 24 de outubro de Cruzeta. A história da formação do músico instrumentista do sertão norteriograndense está relacionada com a própria história das bandas de música. Elas têm se constituído ao longo dos tempos em espaço de preservação cultural e de integração do indivíduo ao seu espaço social, de modo que, esse espaço, está construído com base na sensibilidade potencial, emergida e compartilhada no campo de uma experimentação coletiva. A idéia central e conceitual que une o trabalho dessas duas comunidades é a aposta na formação do indivíduo não apenas como músico-instrumentista, mas como homem complexo, polifônico, engajado em sociedade.

P-37: ARTE DO ARTESANATO NA CONSTRUÇÃO DOS SABERES E FAZERES DO EDUCADOR E EDUCANDO.

Autores:

Eline Lúcio da Silva

Tadeuza T. B. Saraiva

Programa geração cidadã – reduzindo o analfabetismo

Programa Brasil alfabetizado

O presente trabalho objetivou possibilitar a construção do conhecimento a partir do processo de produção artesanal a fim de socializar e contribuir para o desenvolvimento cognitivo e afetivo dos alfabetizadores e alfabetizandos. Através de ateliês procuramos viabilizar a interação com materiais e procedimentos específicos em artes plásticas. A formação da autoconfiança, o reconhecimento, reelaboração e transformação no sentido de ampliar as competências do alfabetizador e alfabetizando. Metodologia: Exposição oral, acerca da relevância do artesanato na educação de jovens e adultos; observação e análise das formas do materiais; utilização dos elementos da linguagem artística, tais como: linha, forma, volume, cor e tamanho, entre outros elementos; pesquisa e utilização de materiais a partir de releituras e aplicabilidade das técnicas orientadas pelos ministrandos; socialização; interação. Perante as diversa situações de aprendizagem abordando a arte na educação, ressaltamos que o resultado do trabalho possibilitou a construção dos saberes em que os partícipes puderam resignificar algumas concepções limitadas acerca da arte bem como a superação de inibições, o reconhecimento de sua potencialidade e aplicando suas competências mediante as interações, tornando-se, assim, sujeitos conscientes e protagonistas de sua cultura.

P-38: Manifestações discursivas da estrutura argumental

Autoras/Expositoras:

Luciana Araújo de Medeiros

Bolsista de Iniciação Científica – CNPq/PIBIC

Departamento de Letras/CCHLA/UFRN

Nedja Lima de Lucena

Bolsista de Iniciação Científica – CNPq/PIBIC

Orientadora: Profa Dra Maria Angélica Furtado da Cunha

Este trabalho, orientado pelo quadro teórico da Lingüística Funcional, visa estabelecer relações entre a transitividade verbal descrita pela gramática tradicional e a proposta desenvolvida por funcionalistas. Para isto, foram analisados dados do Português do Brasil registrados no Corpus Discurso & Gramática: A língua falada e escrita na cidade do Natal (Furtado da Cunha, 1998), produzidos por estudantes da 8a série do ensino fundamental II e por estudantes do 3º grau. Foram coletadas 6595 orações, entre dados de fala e de escrita, em diversos tipos textuais, tais como: narrativa de experiência pessoal, narrativa recontada, descrição de local, relato de procedimento e relato de opinião. Através da codificação de 12 tipos de estrutura argumental, observamos que a classificação de um verbo muda de acordo com a oração em que ele se encontra. Para a gramática tradicional, a transitividade é uma propriedade inerente ao verbo, isto é, aquele que é classificado como transitivo direto não assumirá o papel de transitivo indireto ou intransitivo, e vice–versa. Todavia, os dados reais mostram que a distinção entre os tipos verbais classificados não é categórica. A codificação preliminar dos dados mostrou que há uma maior ocorrência de verbos transitivos diretos (principalmente com objeto direto explícito), tanto na expressão oral como na escrita dos informantes. Os verbos que apresentam menor ocorrência são os verbos transitivos indiretos (especialmente os que não apresentam objeto explícito). Outra observação importante é que os verbos de movimento com objeto direto se apresentam em número maior do que os que apresentam sintagma preposicionado, contrariamente à expectativa inicial.

P-39: Painel R.E.C (Rádio Experimental de Comunicação)

Autora/Expositora:

Cleidiane Vila Nova Santos

Aluna do curso de Rádio e TV da UFRN

E-mail: cleidivilanova@yahoo.com.br

A R.E.C é uma das atividades do Projeto “Toque de Rádio”, vinculado a Base de Pesquisa “Comunicação, Cultura e Mídia” do Curso de Comunicação Social, orientada pelo professor Adriano Lopes Gomes. Esse Projeto de Extensão tem por objetivo fomentar e divulgar o veículo de comunicação Rádio, possibilitando atividades práticas e de pesquisa. A R.E.C, já na sua terceira edição, tem por objetivo também, dinamizar as atividades acadêmicas em cujo contexto os alunos tenham a oportunidade de ampliar a criação de produtos que possam ser veiculados no rádio, tais como jingles, textos, programação jornalística e musical, reportagens, produção de pauta e etc.

P-40: A ARTE RUPESTRE COMO EXPRESSÃO COMUNICATIVA DA CULTURA NA COMUNIDADE DE CARNAÚBA DOS DANTAS/RN

Autora/Expositora:

Gerlúzia de Oliveira Azevedo Alves

Pesquisadora do GRECOM/UFRN; Especialista no Ens. de Arte; Mestranda em Ciências Sociais/UFRN.

As populações humanas que constituíram suas singularidades culturais antes do período da escrita alfabética fizeram das imagens seu código de comunicação predominante. Num artifício de duplicar os utensílios, os animais e o próprio indivíduo, essas populações acabaram por nos legar uma forma de comunicação cujos contextos e detalhes foram e continuam sendo um enigma necessitando de apreensão. Sabemos que os sítios arqueológicos, encontrados no Rio Grande do Norte, trazem sinais cada vez mais remotos, comprovando a passagem do homem pelo território do nosso Estado, a exemplo da região do Seridó, onde encontramos vestígios entre 6 a 12 mil anos. Esses vestígios, narram a evolução de uma cultura. Um campo particularmente promissor para estudarmos as estruturas semiológicas, porque elas refletem evidentemente, o presente dos seus autores e os grafismos de uma expressão voluntária e consciente de comunicação das populações primeiras. Nessa perspectiva, o homem relaciona-se com objetos e fenômenos que fazem parte do seu entorno e, para compreender e apreender o mundo real ou imaginário, utiliza-se de recursos como a linguagem, o gesto e a representação gráfica dessa linguagem e desse gesto. Partindo destes argumentos, buscamos a construção, a partir da leitura das imagens, de campos de compreensão do cotidiano e da história de grupos culturais que nos antecederam. Como num jogo de quebra-cabeça, a diversidade das imagens rupestres compõe um mosaico que perfaz uma totalidade aberta, mas possível de ser retotalizada pelos conjuntos iconográficos. Ao tomar o bricoleur – que constrói o seu projeto a partir de materiais que encontram a sua disposição – como parâmetro, a pesquisa parte das imagens deixadas nas rochas, para articular indícios do que pode ter sido a configuração da cultura e a cosmovisão dos habitantes, temporários, da área conhecida hoje como Complexo xique-xique que se localiza próximo a cidade de Carnaúba dos Dantas/RN. O discernimento de aspectos da arte rupestre, entendendo-a como forma de comunicação que expressa o cotidiano de nossos antepassados, costumes, crenças e valores simbólicos da cultura, é uma forma de elucidar e interpretar, também, nossa própria história.

P-41: A MORTE E O MORRER NO SERIDÓ SÉCULOS XVIII E XIX

Autora/Expositora:

Alcineia Rodrigues dos Santos

neiasantos@bol.com.br

Mestranda em Ciências Sociais – UFRN/CCHLA

Orientador: Prof. Dr. Alípio de Souza Filho

Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes/UFRN.

As pesquisas sobre a morte, desde muito tempo, vêm conquistando grande proporção na historiografia européia, especialmente pela França, berço dos estudos sobre as representações humanas em torno do finitude da vida. Com o advento da terceira geração dos Annales, autores como Michel Vovelle, Pierre Chaunu e Philippe Áries tornaram-se propulsores dessa revolução historiográfica, permitindo que temáticas pouco problematizadas adquirisse um espaço significativo, é o caso da morte e das representações em torno do ato de bem morrer, estudos que ganharam maior visibilidade a partir de 1975 com a publicação da obra Essais sur L’historie de la mort en Ocident do historiador Philippe Áries. Em se tratando de Brasil, o contato com o livro A morte é uma festa de João José Reis foi fundamental para discutirmos a questão da preocupação com a boa morte, rituais analisados pelo autor partindo do exemplo da Bahia, com o exemplo da destruição do Cemiterada Campo Santo construído para abrigar os mortos . Seguindo esse exemplo, nossa pesquisa busca compreender as atitudes perante a morte no Seridó dos Séculos XVIII e XIX a partir dos registros de óbitos e testamentos da Freguesia de Sant’Ana, focalizando o lugar da morte neste espaço, bem como, as preocupações e os ajustes de contas deste para com o outro mundo.

P-42: Painel Toque de Rádio

Autora/Expositora:

Rita de Cássia Machado Amaral

Aluna do curso de Rádio e TV da UFRN

E-mail: ritaradialismo@yahoo.com.br

Toque de Rádio é um projeto vinculado à base de pesquisa Comunicação, Cultura e Mídia e se apresenta como uma proposta de atividade acadêmica do curso de Comunicação Social - habilitações em Jornalismo e Radialismo da UFRN - , cuja intenção é de dinamizar uma das áreas reconhecidamente pouco explorada no tocante à pesquisa de natureza experimental: o rádio. Resulta, pois, da necessidade de se promover o Rádio como um veículo relevante ao exercício dos futuros profissionais da área. Este projeto tem por objetivo implantar um grupo de estudos e práticas experimentais em Rádio; criar uma rádio de caráter experimental (R.E.C) em que os participantes do grupo possam exercitar técnicas pertinentes à locução e linguagem do Radialismo e dinamizar as atividades acadêmicas em cujo contexto os alunos tenham a oportunidade de ampliar a criação de produtos que possam ser veiculados no Rádio, tais como Jingles, textos, programação jornalística e musical, reportagens, produção de pautas, etc.

P-43: Ciência-Espiritualidade: conversas com pacientes terminais.

Expositora/Autora:

Maria Tereza Penha de Araújo Silva

Auna do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais

Orientador: Prof. Dr. Orivaldo Pimentel Lopes Júnior

Departamento de Ciências Sociais

E-mail: tecapenha@bol.com.br

Analisa-se de que maneira o diálogo entre a ciência e a espiritualidade pode contribuir no tratamento de pacientes terminais, tendo como sujeitos pacientes em estado terminal, internados, do Hospital Professor Luiz Soares, na cidade de Natal, Rio Grande do Norte, Brasil, utilizando-se o depoimento como material empírico. Partindo-se de reflexões acerca do discurso desses sujeitos, busca-se compreender, através de seus depoimentos, como o espírito humano age diante da proximidade da morte; ou seja, compreender os seus momentos de conflito. Como fundamentação teórica, para reflexão e discussão dos casos, pretende-se utilizar a teoria da complexidade, além de conceitos sobre espiritualidade, relacionando-os às questões de vida e morte dos pacientes terminais em âmbito hospitalar e a condução da ciência no sentido explicativo dessa problemática. A metodologia adotará a análise qualitativa e a coleta de dados será realizada por meio de entrevistas semi-abertas.

P-44: De Ponta Negra a Black Point

Autoras/Expositoras:

Eduarda Cristina de Lima Andrade (bolsista PIBIC),

Suzana Cardoso Silva (bolsista PPG/UFRN).

Base de pesquisa NAVIS (Núcleo de Antropologia Visual).

Orientação: Profa Lisabete Coradini

Filiação Institucional: Curso de Ciências Sociais – habilitação em antropologia.

A partir da fotografia e relatos de jovens e antigos moradores da Vila de Ponta Negra, objetivamos analisar criticamente as transformações do espaço público, como também as práticas sociais e culturais em constante reconfiguração. Focalizamos a rua principal da Vila, também a rua Erivan França (rua da praia) e a chamada rua do Salsa. Utilizamos a comparação de fotos de épocas diferentes, imagens do passado e do presente para identificar as mudanças no espaço e a afetação do caráter turístico e presença do estrangeiro no bairro. Observamos transformações da paisagem - em urbana - e depois - da paisagem urbana de Ponta Negra - cujas mudanças ocorrem em ritmo cada vez mais veloz. Este trabalho é parte de um projeto maior que privilegia o uso da imagem na pesquisa social, com pretensão de discutir as teorias e metodologias da relação entre imagem, cidade e memória.

P-45: DOMINGO NA PRAÇA: UM CONTEXTO PARA A MANIFESTAÇÃO LÚDICA

Autores/expositores:

Gabriela Dalila Bezerra Raulino

Graduanda de Jornalismo, Departamento de Comunicação Social

e-mail: gabrielaraulino@yahoo.com.br

Vítor Nishimura Guerra

Este trabalho é resultado de uma pesquisa desenvolvida no Projeto Cultural Domingo na Praça, Natal-RN. É um evento que acontece em lugar seguro, aconchegante e arborizado oferecendo, mensalmente, apresentações gratuitas - musicais, teatrais, folclórica, exposições artesanais – para pessoas de todas as idades, classes sociais, culturas e gostos. Nesse contexto, objetivou-se identificar a manifestação do fenômeno lúdico nas diferentes pessoas que vivenciam o projeto. Para isso, se trabalhou elementos como a identificação do perfil dos freqüentadores; os motivos que os levam ao evento; e a caracterização desse projeto cultural, evidenciando as diversas formas de manifestação do lúdico proporcionada por este projeto. A coleta de dados foi feita por meio de observação direta, acesso a registros documentais concedidos pelos organizadores do projeto (panfletos, premiações, publicações na imprensa), aplicação de questionários e entrevistas semi-estruturadas. A partir da análise dos resultados, constata-se que a manifestação do lúdico se deu de formas distintas, tanto nos diferentes freqüentadores – de acordo com idade, sexo e até estado civil –, quanto nos diferentes momentos onde ele pode ser vivenciado - na sensação de acolhimento do ambiente, nas apresentações artístico-culturais, na degustação das comidas e na vivência do interesse social. Mesmo com toda variação, a manifestação da essência lúdica traduziu-se em duas vertentes principais: como sentimento dionisíaco alcançado pela fuga da rotina, ou em uma dimensão mais “complexa”, proporcionando um maior conhecimento do homem a partir da sua interação lúdica com o meio. Sendo assim, após a constatação de tais evidências, aponta-se para a necessidade de criação de espaços com tais características, que proporcionam a emancipação e o autoconhecimento de todos os atores sociais participantes do projeto supracitado.

P-46: PROJETO VIV’ARTE

Expositora/Autora:

Edízia Lessa

Aluno Especial do Departamento de Artes

Departamento de Artes

E-mail: edizia@terra.com.br

O Projeto Viv’Arte realiza um trabalho voltado para a Arte junto a pacientes e acompanhantes da Casa Durval Paiva de Apoio à Criança com Câncer, abrangendo técnicas de expressão corporal e plásticas visando contribuir não somente para o desenvolvimento de habilidades e aptidões, mas principalmente propiciando uma prática inegavelmente terapeutizante. Reconhecendo que a utilização de atividades artísticas beneficia o estado físico e emocional do paciente oncológico que sob tensão e estresses causados pela problemática do câncer necessitam renovar aspectos da sua vida, reorganizando-se internamente para lidar construtivamente com as dificuldades advindas da doença e seu tratamento, o projeto visa possibilitar ao paciente onco-hematológico e seu familiar: o minimizar do estresse, auxiliando-os no processo de integração de si mesmo e no equilíbrio emocional, proporcionando uma prática terapeutizante; auxiliar no desenvolvimento do potencial criativo e pessoal; e o contato com ansiedades, medos e conflitos internos. Através de oficinas, o Viv’Arte caminha por duas vertentes: Jogos Teatrais e Ateliê de Artes. Na Oficina de Jogos Teatrais focamos o momento da entrega ao jogo e não a encenação propriamente dita, buscando desenvolver a auto-expressão, a espontaneidade e a integração. Já o Ateliê de Artes, através de técnicas de pintura, desenho, modelagem, e afins, buscamos o contato, as descobertas de um fazer artístico que propicie o nosso objetivo maior que é o amenizar de tensões. Idealizado pela Arte Educadora Edízia Lessa, aluna especial do Departamento de Artes da UFRN, o Projeto Viv’Arte realiza suas atividades desde outubro de 2004 na Casa Durval Paiva de Apoio a Criança com Câncer, neste conjuntamente com a psicóloga Jacqueline Gomes, ambas funcionárias desta; no ambulatório da Liga Norte Rio Grandense Contra o Câncer; e na pediatria do Hospital Luiz Antônio desta capital.

P-47: A PEDAGOGIA COMO FERRAMENTA EM UM PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL E HUMANO

Autor/Expositor:

Kenilson Cabral de França – Pedagogia/UVA

Maria Isabelle Costa Pereira – Serviço Social/FACEX

Profa. Dra. Marineide Furtado Campos – Orientadora - AWUniversity

O presente trabalho vem abordar a pedagogia e o multiculturalismo no mundo, com o objetivo de repensar o mesmo tendo em vista os conflitos na atualidade por imposições de valores e significados como ameaça às populações menos favorecidas, pois vemos a todo instante os conflitos entre os povos, devido à falta de respeito uns com a cultura dos outros, assim como em nossa sociedade onde as pessoas não respeitam as diferentes étnicas, de religião, política e cultural, é partindo desse pressuposto que a cultura ganha forma de comportamento incluindo-se nas manifestações dos hábitos sociais de um povo.

P-48: ATUAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NA GARANTIA DOS DIREITOS PARA AS MULHERES MASTECTOMIZADAS

Autora/Expositora:

Patrícia Cristiane Soares Guimarães

Célia Maria Câmara

Liga Norte-Riograndense Contra o Câncer – LNRCC

Centro Avançado de Oncologia – CECAN.

Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN

Este trabalho é um projeto de intervenção a ser desenvolvido no Centro Avançado de Oncologia – CECAN, unidade II da Liga Norte Rio-Grandense Contra o Câncer – LNRCC, realizado como exigência curricular do curso de Serviço Social da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, na disciplina Seminário de Estágio I e Inserção em Processos de Trabalho I. O projeto tem como objetivo levar informações sobre a hospitalização e os direitos sociais das mulheres com câncer de mama que vão passar por mastectomia como também, promover ações que possibilitem a estas usuárias uma melhor qualidade de vida. Para tanto, fazeremos um levantamento bibliográfico sobre a temática, entrevista para delimitar as necessidades sociais das pacientes mastectomizadas e a elaboração e distribuição de um folder informativo.

P-49: INÊS DE CASTRO, UM SÍMBOLO DE GRAÇA E DE AMOR

Autora/Expositora:

Dra Marineide Furtado Campos

PhD – American World University

Busca-se neste trabalho fazer uma exposição sobre o que representa Inês de Castro para a história de Portugal, uma vez que esse ano de 2005 comemora-se os 650 anos de sua morte. Ela, por ter sido amante de D. Pedro I de Portugal, foi assassinada em 1355, tornou-se um dos maiores mitos daquele país e lembrada por Camões no Canto III de “Os Lusíadas”, como a “...mísera e mesquinha, que depois de morta foi rainha...”.

P-50: SEGREGAÇÃO SOCIAL NA TERRA DO SAL: UM ESTUDO SOBRE AS CONDIÇÕES HABITACIONAIS DOS EX-SALINEIROS DA CIDADE DE MACAU/RN.

Autor/Expositor:

João Batista Carmo Júnior.

E-mail: arqcarmo@ig.com.br

Programa de Pós Graduação em Arquitetura e Urbanismo

Historicamente a atividade salineira representou o principal fator gerador de emprego e renda para a população residente na cidade de Macau/RN. Inicialmente realizada nos moldes artesanais, esse modo de produção perdurou até a primeira metade século XX. Até que no final da década 60, deu-se a mecanização das salinas no Rio Grande do Norte, colocando assim, em xeque as formas tradicionais de produção, extração, empilhamento e tranporte do sal. Como resultado deste processo, verificou-se a monopolização e desnacionalização das empresas de sal, assim como um grande impacto sócio-econômico sem precedente na cidade, observado a partir do desemprego em massa dos salineiros – maõ-de-obra desqualificada, substituída pela máquina e pelo técnico especializado. Sem alternativa grande parte dessa mão-de-obra desempregada migrou para outras cidades, estados e regiões do país. Já aqueles que permaneceram, procuraram se dedicar a outras atividades como a construção civil, e principalmente, a pescaria. Pela condição humilde e desfavorecida resultado dos baixos salários a que eram submetidos, os salineiros ocuparam, em péssimas condições de habitabilidade, os bairros periféricos da cidade de Macau. Este trabalho teve como objetivo analisar as condições habitacionais dos ex-salineiros da cidade de Macau/RN, procurando compreender e relacionar tais condições com a formação e consolidação da industria salineira local e o seu rebatimento na configuração do espaço urbano. Para tanto, realizou-se um mapeamento e levantamento físico e fotográfico, além da aplicação de questionários sócio-econômico em 50 (Cinqüenta) habitações de ex-salineiros residentes em Macau.

P-51: EXTREMOZ: UM OLHAR HISTORIOGRÁFICO

Autoras/Expositoras:

Eliane Moreira Dias

Aluna de especialização em Arquivo Memória e História

Departamento de História

elainern@uol.com.br

Rosa de Lima Câmara Guaignier

Aluna de graduação em Antropologia/Departamento de Antropologia

O presente trabalho analisa a historiografia norte–rio-grandense, produzida no século XX, observando quais as informações existentes sobre o município de Extremoz, quais os autores que tratam de sua história, se eles citam as fontes que utilizaram e em que época cada um produziu sua obra. Utilizamos para isso bibliografias que tratam da história dos municípios do Rio Grande do Norte, que trabalham temáticas da história do estado, que são específicas sobre o município de Ceará-Mirim, e ainda as que tentam fazer uma síntese da história norte-rio-grandense. Tivemos acesso a essas bibliografias no Instituto Histórico e Geográfico. Percebemos que em cada uma, são abordados diferentes aspectos da história de Extremoz, mas há predominância de alguns temas, como por exemplo, da igreja construída pelos jesuítas, hoje em ruínas; das lendas sobre a lagoa e de como era o município no período colonial, uma vez que Extremoz foi a primeira vila da Capitania do Rio Grande. Dessa forma, observamos que a produção historiográfica que inclui Extremoz é repetitiva, temos a impressão de que poucos autores consultaram as fontes. Os autores que abordam a história de Extremoz nem sempre são pesquisadores atuantes. Outros produziram suas obras em um período que ainda não era prática comum entre os historiadores informarem as fontes de onde retiraram os dados, por isso acreditamos, ser esse um dos motivos de não haver referência em algumas bibliografias. Sendo assim, analisar alguns pontos dessa produção historiográfica, nos fez perceber ainda mais, o quanto à história é subjetiva, como os pesquisadores são filhos de seu tempo, mas isso não invalida o valor da história, e sim a torna mais instigante para investigarmos sua produção.

P-52: NOS LIMITES DA EXISTÊNCIA: REFLEXÕES SOBRE A EXPERIÊNCIA DE SER PSICÓLOGO EM ONCOLOGIA PEDIÁTRICA.

Autora/Expositora:

Sílvia Raquel Santos de Morais Perez

Professora do Depto.de Psicologia UFRN

Email: silviamorays@yahoo.com.br

Orientadora: Elza Dutra - Programa de Pós-graduação em Psicologia/UFRN

Email: Dutra.e@digi.com.br

O câncer continua a ser uma doença temida pela humanidade; não raro, é considerado como sinônimo de morte, sofrimento e estigma. Ocorrendo na infância, esse significado parece adquirir uma conotação ainda mais intensa, tendo em vista o sentimento de piedade e perplexidade diante da precocidade do evento. A co-existência psicólogo-criança com câncer adquire, portanto, um sentido permeado por incógnitas, medos e fantasias. Diante disso, nosso objetivo foi compreender esta experiência de co-existência a partir da Abordagem Fenomenológico-Existencial, do método Fenomenológico e da narrativa. Foram realizadas nove entrevistas com psicólogos atuantes nos serviços de oncologia pediátrica de Natal-RN. Observamos que a experiência e o cuidado são norteadores do saber-fazer clínico, sendo atravessados pelas implicações de dez temáticas-chaves: história de inserção na OP e suas implicações; percepções sobre a criança com câncer; problematizações sobre a morte e a angústia em OP; expressão de sentimentos paradoxais; sentido do trabalho psicológico em OP; maternidade e suas implicações na OP; recursos necessários ao cuidado de si e do outro; fé e religiosidade como recursos de enfrentamento do câncer infantil; necessidade de uma equipe de trabalho integrada e percepções sobre a formação do psicólogo. Cuidar dessas crianças adquire o sentido de lição de vida, uma vez que o câncer desfaz a ilusão de imortalidade, lançando o psicólogo à sua condição de ser-para-a-morte. Não se trata apenas de vivenciar a angústia e a iminência de morte, mas, sobretudo, de ressignificá-las em prol de um aprendizado contínuo e de atendimentos de qualidade. Os resultados sugerem aprofundamento das temáticas a fim de que novas possibilidades de sentido possam emergir, dando margem a reflexões sobre o saber-fazer clínico e a formação profissional em Psicologia.

P-53: O RESGATE DA ARARUNA: UMA EXPERIÊNCIA DE VALORIZAÇÃO E PRESERVAÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL DO RN

Autoras/Expositoras:

Alda Martiniano Lima

Departamento de Educação

E-mail: aldinha7@yahoo.com.br

Ana Paula Martiniano Lima – UFRN

Carla Regina de Oliveira - UFRN

A importância de resgatar nossa arte, história e cultura está em valorizar e preservar este patrimônio para que através do conhecimento do passado possamos oferecer às gerações presentes e futuras um elo de ligação com a herança folclórica deixada por nossos antepassados. Objetivando propiciar às crianças assistidas pelo PETI – Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, Núcleo de Pirangi de Dentro – Parnamirim-RN, o conhecimento, a valorização e a preservação do folclore, foi desenvolvido um projeto que visou pesquisar, resgatar expandir e expressar a riqueza do patrimônio histórico e cultural do RN. Aplicando uma metodologia participativa, o estudo começou na roda de conversa, momento de livre expressão onde cada um pôde relatar sua experiência e conhecimento sobre a arte e cultura do Estado. Constatamos que eles pouco conheciam sobre o assunto e, a partir de então, passamos à pesquisa e resgate da nossa história. Este estudo permitiu-nos o contato com as danças típicas do RN, despertando em nós o desejo de criar um grupo onde pudessem manter vivas as tradições através da dança, em especial a araruna. Como resultados observamos uma mudança de comportamento significativa no sentido de apreciação e valorização às manifestações culturais, bem como contribui para elevar a auto-estima dessas crianças. Concordamos em dizer que a valorização e a preservação de um patrimônio acontece pelo conhecer.

P-54: ANÁLISE DO PROCESSO DE ELABORAÇÃO CONCEITUAL DE TERRITÓRIO COM OS PROFESSORES DO ENSINO FUNDAMENTAL.

Autores/Expositores:

Francisco Vitorino de Andrade Júnior

vitorino_andrade@yahoo.com.br

Francisco Cláudio Soares Júnior.

Apoio: CAPES

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Centro de Ciências Sociais Aplicadas

Programa de Pós-Graduação em Educação

Este trabalho objetivou apreender o grau de conceitualização dos professores acerca do conceito de território e intervir com situações de reflexões críticas para acompanhar e analisar o processo de elaboração do conceito de território dos professores das 3ª e 4ª séries do ensino fundamental. Para tanto, propusemos uma intervenção com os professores no intuito de possibilitar a ressignificação dos seus conhecimentos e construção do referido conceito na área da Geografia. A pesquisa foi realizada em uma escola pública municipal de Ceará Mirim/RN, com a colaboração de seis (6) professores, os quais lecionavam nas 3ª e 4ª séries do ensino fundamental. Os aportes teórico-metodológicos que norteia este trabalho de pesquisa são os estudos de Vigotski sobre o processo de formação e desenvolvimento de conceitos, a metodologia qualitativa do tipo colaborativa e a concepção crítica da Geografia. As análises dos “extrait” dos conhecimentos prévios dos professores evidenciaram que se encontravam em grau de conceitualização dos pseudoconceitos atrelados a dimensões do campo perceptível e norteados pelas concepções tradicional, humanística e cultural da Geografia (positivismo e fenomenologia) restringindo o significado de território ao Estado-Nação ou ao lugar de moradia dos homens. Isso explicitou a necessidade de desencadear um processo de intervenção através de situações sociais e deliberadas de aprendizagem que se constituiu através das sessões reflexivas realizadas com os professores-colaborado. Diante da nossa intervenção no processo de elaboração conceptual, que se efetivou através das sessões reflexivas, ficou evidente a cada momento que os significados de território dos professores adquiriram graus mais elevados de generalidades. Assim, eles passaram a elaborar abstrações por meio de análises e sínteses que permitiram identificar aspectos (conceitos-atributo – relações sociais, relações de poder e delimitação física) essenciais a apreensão do conceito em foco.

P-55: MATEMÁTICA APLICADA NA EDUCAÇÃO ESPECIAL

Autora/Expositora:

Sayonara Medeiros Borges

sayofisica@zipmail.com.br

Aluna do Curso de Aperfeiçoamento em Ensino de Ciências Naturais e Matemática

Utilizando como notação figuras geométricas em alto relevo, firmadas com cola sobre folha de papel ofício, trabalhamos as operações de somar e subtrair em expressões algébricas no intento de oferecer em ambiente educacional inclusivo uma opção visando tornar significativa a aprendizagem de matemática. O objetivo maior do método desenvolvido é permitir a integração mais efetiva entre alunos videntes e alunos com necessidades especiais, sobretudo aqueles com deficiência visual. Visamos assim, promover o ensino de matemática tornando-o mais democrático, atrativo e socialmente interativo.

P-56: POESIA E RELIGIOSIDADE NA OBRA DE WALFLAN DE QUEIROZ

Autor/Expositor:

João Antônio Bezerra Neto

E-mail: juanbn@bol.com.br

Departamento de Letras

Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Entre os poetas do Rio Grande do Norte que, desde os anos cinqüenta, vinham participando intensamente da cena literária em Natal, figura Walflan de Queiroz como um dos mais representativos de uma vertente modernista. Nascido na cidade serrana de São Miguel, Walflan estreou, em 1960, com o livro de poemas O tempo da solidão. A grande surpresa da presença desse poeta, a sua marca indelével deixada para sempre na poesia norte-rio-grandense é justamente a sua inspiração religiosa a qual se apresenta sob a forma de um sincretismo, ampliando a imagística à custa de símbolos bíblicos e de símbolos extraídos das principais religiões do mundo. O poeta de A colina de Deus (1967), desenvolve significativamente uma tautologia, ou seja, evoca um Deus por meio de diversas formas, resultando numa variedade de expressões para indicar a mesma divindade. Com efeito, o próprio poeta esclarece a sua compreensão do Ser Supremo e suas relações com a poesia: “Nos poemas que se seguem, procurei amar a Deus de uma forma pessoal. Escrevi-os, mergulhando meu ser, nas humildes fontes da salvação”. De outra parte, trata-se de uma poesia em que coexistem elementos indicadores, ao mesmo tempo, de uma busca metafísica de respostas para a sua angústia existencial e um lirismo amoroso de caráter idealizado e visionário. O nosso painel tem como objetivo mostrar através de uma seleção de poemas a expressão do sagrado e os referenciais estéticos presentes nos livros do autor. Assim, buscamos fornecer uma visão panorâmica e concisa da sua obra.

P-57: O USO DO PRAD COMO UM INSTRUMENTO PARA RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS

Autor/expositor:

Ilton Araújo Soares

Aluno e bolsista voluntário da Base de Pesquisa Espaço e Poder.

Departamento: Geografia

e-mail: iltonet@yahoo.com.br

A atividade de mineração é uma das principais responsáveis pela extração de recursos naturais para atender as demandas humanas. Entretanto é também uma das atividades que mais degradam o meio ambiente, principalmente quando a extração mineral se dá em minas a céu aberto, onde a cobertura vegetal e a camada de solo são retiradas para que se possa lavrar o minério. Nesse sentido, torna-se necessário a implantação de tecnologias que mitiguem os impactos causados por esses empreendimentos. Um dos instrumentos utilizados para recuperar estas áreas é o PRAD – Programa de Recuperação de Áreas Degradas, que consiste numa série de técnicas que visa reabilitar áreas que sofreram alterações de suas características naturais, através de planos preestabelecidos, restabelecendo sua cobertura vegetal e proporcionando um novo uso para aquele sítio. Tendo como suporte a perspectiva do desenvolvimento sustentável pretendemos neste trabalho mostrar o PRAD como uma técnica para recuperação de áreas degradas, usando como exemplo a atividade de mineração, em que, amparados na bibliografia especializada, mostraremos estudos de casos de empresas minerais que utilizam o PRAD em suas atividades extrativas como um instrumento para a exploração sustentável dos recursos naturais.

P-58: A IMPORTÂNCIA DO ENSINO PÚBLICO DE QUALIDADE PARA O INGRESSO NAS UNIVERSIDADES

Autoras/Expositoras:

Rhadamila Valeska Pereira da Silva

Estudante do curso de pedagogia da Universidade Estadual Vale do Acaraú. Cursando o 4ºperíodo.

Maria Santana Borges

Estudante do curso de pedagogia da Universidade Estadual Vale do Acaraú. Cursando o 4ºperíodo.

E-mail: rhadamila@yahoo.com.br

Fazendo uma análise sobre a educação percebemos que há um grande déficit de alunos provenientes da rede pública de ensino que obtém ingressos nas Universidades Federais Brasileira. Esta realidade perpassa em todo o território nacional. A deficiência do ensino público é a causa principal desta problemática. No Rio Grande do Norte a realidade da rede pública de ensino é bastante caótica, o quadro de professores nas escolas é reduzido, falta material de todo o tipo, desde o giz até a merenda. Acrescenta-se a esta questão a desarticulação que assola os adolescentes e jovens estudantes, os mesmos não se percebem como sujeitos portadores de direitos, assumindo uma postura passiva diante da realidade educacional. Em virtude desta questão realizamos em Abril de 2005 uma pesquisa social cujo título “A importância do ensino público de qualidade para o ingresso nas Universidades” em duas determinadas escolas da rede pública de ensino. Este trabalho propõe demonstrar a experiência de campo, os objetivos, a metodologia e os resultados alcançados como também as possíveis alternativas para melhorar o ensino público na atualidade.

P-59: A INSERÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NO ÂMBITO ESCOLAR:uma intervenção possível e necessária

Autoras/Expositoras:

Rosângela Maria P. Basílio da Costa (acadêmica do curso de graduação em Serviço Social)

rosângelamariapimenta@bol.com.br

Suzanny Bezerra Cavalcante (acadêmica do curso de graduação em Serviço Social)

suzanny.bezerra@bol.com.br

Orientadora:

Eliana Andrade da Silva (Profª. Ms. em Serviço Social)

Universidade Federal Do Rio Grande do Norte – Departamento de Serviço Social

O Serviço Social no campo da educação não surgiu recentemente, embora seja um campo de atuação ainda restrito para os Assistentes Sociais. Inicialmente a atuação dos profissionais estava direcionada à resolução de problemas que dificultavam o processo educativo, hoje, além disso, o Serviço Social promove o encontro da educação com a realidade social, através da abordagem totalizante das dificuldades e necessidades dos educandos no âmbito escolar, interligando a política educacional com as demais políticas públicas. Assim, este trabalho tem por objetivo desvendar o universo da política de assistência educacional não somente como dever moral do Estado, mas, sobretudo, como dever legal e direito do cidadão, viabilizados pelo profissional de Serviço Social em consonância com o Código de Ética Profissional, o Estatuto da Criança e Adolescente e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Nessa direção, erige-se um novo paradigma de intervenção para o Serviço Social no âmbito escolar, concretizado pela implementação de trabalhos sócio-educativos, através de oficinas temáticas, a fim de tratar das expressões da questão social e fornecer elementos às camadas estudantis acerca da significação e do enfrentamento dessas expressões em seu cotidiano e, principalmente, explicitar qual seu papel enquanto agente demandatário de políticas públicas e mobilizador de reivindicações dessas mesmas políticas. Ressalta-se ainda que a inserção do Assistente Social pode se dar em organizações de ensino públicas, filantrópicas e privadas, haja vista que as expressões da questão social afetam todas as camadas sociais. Portanto, este profissional está apto a inserir-se numa equipe interdisciplinar, o que significa buscar seu espaço sócio ocupacional na educação para subsidiar o trabalho pedagógico e auxiliar a escola a concretizar seu objetivo maior: a educação global do cidadão. Como resultado dessa pesquisa, constata-se que o Serviço Social é uma profissão legítima na garantia dos direitos sociais, tornando-se possível e necessária no universo escolar.

P-60: A MOTIVAÇÃO DO ALUNO PARA A APRENDIZAGEM: UM DESAFIO PARA O ENSINO

Autoras/Expositoras:

Luana de Lima Patrício

Bolsista de Iniciação Científica - PIBIC/CNPq,

Base de Pesquisa: Currículo, Saberes e Práticas Educacionais

CCSA/DEPED/UFRN

luana.patrício@ig.com.br

Márcia Maria Gurgel Ribeiro

Profa. Do PPGEd/UFRN e Vice-Coordenadora da Base

A motivação é um fator psico-social que dá início, dirige e integra o comportamento de aproximação ou rejeição entre as pessoas, envolvendo as experiências culturais, capacidades físicas e o contexto ambiental impulsionando a participação e co-participação no âmbito educacional na busca do crescimento emocional, intelectual e social do indivíduo. Para isso, é necessário refletir sobre estratégias de motivação para aprendizagem que se materializem no currículo do professor em sala de aula e no despertar da curiosidade e do interesse dos alunos pela escola, pelo conhecimento e pelo saber, compreendendo como utilizá-lo em suas relações sociais e históricas. O estudo compreende uma investigação qualitativa partindo de observações do cotidiano da sala de aula, marcado pela desestimulação dos alunos com a escola e com a atividade de estudar. Com base nessas observações, podemos apontar a necessidade de repensar a ação educativa do professor tendo em vista o crescimento de cada indivíduo em sua vida motivacional superando os fatores que levam à desestimulação e desinteresse do educando.

P-61: “A NEOFOBIA ALIMENTAR EM HUMANOS”

Expositora:

Bianca Tavares Rangel

Aluna da pós-graduação - Mestrado

Autor(es):

Bianca Tavares Rangel

Nívia de Araújo Lopes

Luis Wagner F. Guimarães

Rochele Castelo Branco

Orientador(as):

Dra Maria Emilia Yamamoto & Dra Fívia de Araújo Lopes

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Departamento de Fisiologia

O comportamento de escolha alimentar em humanos é essencial para que um indivíduo possua uma dieta segura. Como uma espécie onívora, convivemos, assim, com o dilema de provar alimentos novos, mas com suficiente cautela quanto à ingestão de itens potencialmente tóxicos. Dessa forma, alguns indivíduos apresentam o comportamento de neofobia alimentar, caracterizado pela relutância em ingerir alimentos não familiares. Este trabalho consistiu de dois experimentos para observar a reação a alimentos novos dos indivíduos. Participaram do primeiro experimento 42 estudantes, 31 mulheres e 11homens que foram testados em situação padronizada, em duplas. Foram oferecidos três alimentos, um conhecido (C), um desconhecido (D) e um desconhecido, mas com condimentos familiares (F). A maioria dos participantes ingeriu primeiro C. Homens recusaram significativamente menos os alimentos do que as mulheres, porém recusaram principalmente F, enquanto as mulheres recusaram principalmente D. o segundo experimento foi realizado com 264 voluntários (155 mulheres e 109 homens), havia 4 pastas – guaca-mole, ervas finas, tapenade e queijo com ervas - que foram combinadas duas a duas e eram oferecidas a cada sujeito uma dessas combinações. Depois, o experimentando respondia a um questionário dizendo se conhecia ou não os alimentos oferecidos. Os resultados demonstraram que 63% dos indivíduos escolhiam o alimento familiar, sendo que esta preferência apenas foi significativa para o sexo feminino – 68% apresentaram comportamento neofóbico. Os dois experimentos revelaram uma tendência a neofobia alimentar nos humanos. Ambos demonstraram que as mulheres são mais neofóbicas que os homens. Apesar dos alimentos consumidos terem uma origem segura e do fato de que os indivíduos do primeiro experimento conheciam os experimentadores, o comportamento neofóbico persiste. Considera-se, então, que a neofobia é uma tendência biológica que evoluiu devido às suas vantagens adaptativas.

P-62: A PERCEPÇÃO AMBIENTAL NO CAMPUS UNIVERSITÁRIO

Autora e Expositora:

Cíntia Camila Liberalino – aluna no 5º período do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFRN – cintiacamila@interjato.com.br

Autoras:

Cíntia Camila Liberalino

Marcelli Monteiro Meira Bastos

Tâmara Batista Fontenelle

 

(Alunas do 5º período do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFRN)

Orientadora:

Maria Dulce P. Bentes Sobrinha

Profa. Dra. do Depto. de Arquitetura da UFRN

O presente trabalho tem como objetivo apresentar a expressão da imagem coletiva do Campus Universitário da UFRN a partir da percepção dos seus usuários. Baseado na metodologia de Kevin Lynch, o estudo foi desenvolvido na disciplina de Fundamentos Sociais e Ambientais da Arquitetura e Urbanismo 03 no período 2004.2. Foram realizadas 20 entrevistas e mapas mentais, visando a identificação dos elementos classificados como formadores da imagem das cidades. São as vias, os limites, os bairros, os pontos nodais e os marcos. Estes elementos foram analisados dentro das categorias identificadas pelo autor que correspondem à legibilidade, identidade, estrutura, significado e imaginabilidade. Foi visto que quanto à legibilidade, a imagem formada foi de uma extensa área verde que possui edifícios espalhados e desarticulados. A identificação apresentou-se de forma clara como um local mal cuidado que possui muito mato e edifícios antigos. Quanto à análise da estrutura acrescenta-se a relação entre a paisagem natural percebida como exuberante (Parque das Dunas) e a paisagem construída vista como mal cuidada. A predominância dos depoimentos em relação ao significado foi a idéia de local de estudo, trabalho e relações sociais que para os entrevistados deixam a desejar em relação à segurança. Por fim, sobre a questão da imaginabilidade, predominou a imagem de uma grande área verde com edifícios acinzentados e espalhados pelo terreno. Os elementos propostos por Lynch são formadores da imagem mental na medida em que possuem importância prática ou emocional. Apesar dos pontos negativos, o Campus é tido como valioso e importante na vida das pessoas que o freqüentam. É um templo de saber, cultura e relações sociais, e estes aspectos estão acima de todas as imagens físicas descritas.

P-63: A POESIA DE CHICO ANTONIO – UM OLHAR ETNOGRAFICO

Autor/Expositor:

Flávio Rodrigo Freire Ferreira

Aluno regularmente matriculado no curso de graduação de Ciências Sociais – CCHLA – UFRN

Email: flaviorodrigoff@yahoo.com.br

Orientadora: Prof.: Dra. Julie Antoinette Cavignac (Professora Adjunta do Departamento de Antropologia – CCHLA – UFRN).

Departamento de Antropologia

O presente trabalho tem como objetivo expor uma síntese da vida e obra do poeta popular Chico Antonio. Nascido na cidade de Pedro Velho, na região agreste do RN, Chico Antônio foi “descoberto” em 1929, por Mario de Andrade, em suas viagens etnográficas. Após este encontro, os cocos de Chico Antônio, coletados pelo autor de Macunaíma, foram publicados na sua obra O Turista Aprendiz. Tal exposição pretende, portanto, resgatar a memória deste importante personagem da cultura popular do Estado.

P-64: A VIOLÊNCIA NO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE, ENTRE 2001 A 2003

Autor/Expositor:

Aldeny Thania Dutra Garrett Borges

e-mail: thania_borges@interjato.com.br thaniadborges@yahoo.com.br

Departamento Pós-Graduação em Serviço Social

Orientador – Prof. Dr.João Dantas Pereira

Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN

Analisando a violência, destacam-se alguns problemas que favorecem sua proliferação. Na escola pública, por exemplo, encontram-se as mais agravantes defasagens. Há uma dialética entre a expectativa dos alunos em relação à escola e o que ela pode oferecer. Outro problema é a falta de ocupação e emprego, associada às condições pobreza da maioria da população. Na capital do Estado, NATAL, cidade turística, a elitização da sociedade local contribui para o consumismo excessivo, que já é cultura no país. A par disso, não se pode esquecer a falta de diálogo e a ausência de limites aos jovens e adolescentes no lar, bem como uma educação capaz de formar um cidadão cumpridor dos seus direitos e deveres. Apesar da violência no Estado não apresentar dados alarmantes, em relação aos índices verificados no país, é uma situação preocupante, na medida em que há um crescimento gradativo dos óbitos por causas violentas. Este trabalho tem como objetivo verificar e divulgar a evolução da violência no Estado, entre 2001-2003, através de dados obtidos no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Os referidos dados assinalam que o Estado tem contribuído para o crescimento da violência, uma vez que apresenta os seguintes índices no total de óbitos por violência entre 2001 e 2003: 1072,1107 e 1179, respectivamente. A distribuição desses óbitos por sexo mostra que o masculino tem maior representatividade nas ocorrências registradas. Esses dados justificam a importância do tema. A magnitude e a dimensão do fenômeno violência no país apontam para uma mudança no comportamento familiar, bem como uma atenção especial, sobretudo por parte das instituições públicas no enfrentamento da violência. O sucesso da ação dessas instituições, entre outras, passa necessariamente pela implementação de parcerias que favoreçam, aos jovens, atividades de ocupação e/ou de inserção no mercado de trabalho, cada vez mais competitivo e seletivo.

P-65: A INFÂNCIA E A VIOLÊNCIA FÍSICA INTRAFAMILIAR

Autor/Expositor:

Leonardo Cavalcante– UFRN (aluno da graduação em psicologia)

Orientadora: Rosângela Francischini – UFRN (professora do departamento de psicologia)

E-mail: leocaramello@yahoo.com.br

O Estatuto da Criança e do Adolescente especifica que a criança é um sujeito em momento especial de desenvolvimento e que deverá estar protegida de toda forma de violência que possa prejudicar esse desenvolvimento. Reconhecer o caráter de “especial” atribuído à condição de/do ser criança, tributário, implica em assumir a necessidade de práticas sociais igualmente especiais. Família, escola e instituições socializadoras mobilizam-se no sentido de serem agentes na efetivação dos direitos estabelecidos pelo referido Estatuto. Entretanto, a realidade de uma parcela de crianças é permeada por variadas formas de violência, dentre estas a violência-física. Como essas crianças concebem sua própria “condição de infância?” O que justifica a prática de violência por membros de sua família? A partir dessas reflexões realizamos esta investigação, procurando compor uma concepção de infância considerando os sentidos e valores que essa população atribui à sua condição. Participaram da pesquisa sete crianças, na faixa etária de 7 a 12 anos, sobre as quais haviam sido encaminhadas denúncias de violência intrafamiliar ao SOS Criança, do município de Natal/RN. Realizou-se entrevistas, produção e interpretação de desenhos e a história de Pinóquio, como desencadeadores do discurso das crianças. A partir da Análise do Conteúdo identificou-se condições que configuram o ser criança para os sujeitos .Também investigou-se o papel que a criança ocupa nesse espaço e à avaliação que faz em relação ao julgamento e às atitudes do adulto quando elas agem de forma considerada errada por este. Constata-se a concepção de que o julgamento dos adultos é o correto; justificando, portanto, atitudes de violência por eles. Esses sentidos refletem, em alguma extensão, os valores que estão presentes no cotidiano dessas crianças e que são internalizados por elas como sendo as únicas formas de resolução de questões que permeiam o cotidiano nas famílias. Merecem, portanto, atenção dos profissionais ocupados dessa população.

P-66: “A LOJA DA IMPRESSÃO” TRABALHA EM EQUIPE?

Apresentadoras:

Anna Rivênia A. Ferreira, Isabelle Silva do Nascimento

Professora: Cândida Melo

(Estudo de Caso)

E-mail: anarivenia@yahoo.com.br

Departamento de Psicologia

O trabalho em equipe é almejado para o bom desempenho da organização. Uma equipe é constituída por indivíduos trabalhando em conjunto com um objetivo em comum, devendo apresentar bom nível de integração e realização. O presente estudo foi realizado na “Loja da Impressão” – empresa de médio porte que trabalha com material de serigrafia, sinalização, artístico, artesanal e escolar – com o objetivo de investigar se a organização trabalhava em equipe. Foi utilizado como referencia o modelo de equipe de alto desempenho calcado nas quatro competências que a caracterizam: Cooperação, Visão compartilhada, Liderança, e Resultado. As quatro competências são igualmente importantes e a ausência de uma delas pode comprometer a formação da equipe. No processo de análise dos dados, percebeu-se que informações relevantes na interpretação não se encaixavam em nenhuma das quatro competências, sendo necessária a criação de duas novas categorias: Identificação com loja; e Condições de trabalho. Os dados foram coletados através de entrevista individual semi-aberta e por focus group, aplicados com os empregadores e colaboradores, respectivamente. Os dados foram interpretados pelo método qualitativo de análise do conteúdo. Inferimos que apesar de possuir potencialidades para trabalhar em equipe – como cooperação, liberdade para comunicação entre o empregado e a gerencia e ambiência agradável – a loja ainda não contempla todas as competências necessárias para tal. Observou-se que a missão e a visão de crescimento da empresa não é compartilhada por todos, existe dificuldade na passagem de informações prejudicando o funcionário e a empresa, a liderança composta por três pessoas não está definida causando divisão, e existência de uma alta rotatividade que prejudica a integração do grupo, impossibilitando a concretização da equipe. Observa-se que não há uma equipe integrada, existe dois grupos trabalhando, corroborando a não efetivação da equipe. Assim pode-se concluir que a empresa possui potencial para desenvolver o trabalho em equipe.

P-67: CAUSALIDADE: UM CONCEITO SIGNIFICATIVO PARA O ENSINO-APRENDIZAGEM DA HISTÓRIA

Autoras/Expositoras:

Maria Luciana Almeida de Souza

Francisca Lacerda de Góis

Maria Luciana Almeida de Souza – Bolsista de Iniciação Científica – PIBIC/CNPq – Base de Pesquisa: Currículo, Saberes e Práticas Educacionais CCSA/DEPED/UFRN lucianaufrn@hotmail.com ; Francisca Lacerda de Góis Profa. do DEPED/UFRN.

O presente trabalho faz parte do Projeto de Pesquisa O Ensino da História através de Conceitos: uma perspectiva para a formação continuada dos professores. Tem como objeto de estudo o conceito de causalidade e sua importância para o ensino/aprendizagem da História. Seu objetivo é refletir junto aos professores com os quais trabalhamos no referido Projeto de Pesquisa, o conceito de causalidade por eles já internalizados. Nos últimos anos, a História vem passando por uma importante evolução em sua configuração como disciplina científico-acadêmica. Internamente, a produção historiográfica tem se renovado e se revestido no sentido de encontrar novas abordagens, novos rumos, novos problemas, enfim, novos campos de investigação. No entanto, apesar dos significativos avanços, ainda predominam os velhos sistemas mecânicos/memorísticos. Esta forma de se proceder ao processo ensino/aprendizagem da História, contribui para reforçar o raciocínio causal. Os acontecimentos históricos não podem ser explicados de maneira simplista e a História não deve ser explicada a partir da identificação das causas longínquas e imediatas dos fatos históricos. É preciso compreender que, muito mais importante que as relações causais é a compreensão de sentido das mudanças, permanências, continuidades, descontinuidades dos acontecimentos históricos, ou seja, a compreensão das complexas inter-relações que interferem nos processos de mudança social. O estudo prevê uma adequada utilização dos métodos quantitativo e qualitativo reconhecendo as contribuições de cada um na compreensão do estudo, facilitando uma negociação entre hipóteses e categorias que orientam a pesquisa e os dados. Inserida na Base de Pesquisa Currículos, Saberes e Práticas Educativas do Departamento de Educação, a qual adota princípios de pesquisa colaborativa visando contribuir para a construção/desconstrução/reconstrução, com os professores, de significados históricos e culturais sobre os conhecimentos escolares e as práticas educativas no Ensino Fundamental.

P-68: A CONSTRUÇÃO DA COERÊNCIA PELA RELAÇÃO ENTRE OS NÍVEIS VERBAL E NÃO-VERBAL NO GÊNERO TEXTUAL TIRINHA

Autora/Expositora:

Olga Carla Espínola da Hora e Souza

Professora de Língua Portuguesa da Escola Agrícola de Jundiaí

e-mail: olgacarla@yahoo.com.br

Neste trabalho abordaremos a coerência textual a partir da análise da integração dos níveis verbal e não-verbal na construção do sentido de um texto do gênero tirinha. Em tela, uma tirinha do artista americano Bill Watterson, com os personagens Calvin e Haroldo. No nosso objeto de estudo, veremos que é na relação de interação entre os níveis verbal e não-verbal que o sentido do texto é construído. Mostraremos que com a leitura apenas do nível verbal o leitor não consegue identificar com precisão algumas informações necessárias, apesar de a idéia principal do texto ser mantida. Na verdade, é no nível não-verbal, com a organização das imagens, que o sentido do texto se completa. É também nesse nível que o texto se encaixa na metarregra da progressão (CHARROLES, 1978), o que garante a coerência textual e propicia uma leitura mais precisa.

P-69: CERÂMICA ARTESANAL DE SANTO ANTÔNIO DO POTENGI: ELEMENTOS QUE CONSTITUEM A TRADIÇÃO.

Autor/Expositor:

Nilton Xavier Bezerra

Mestrando do curso de Pós-graduação em Antropologia Social / UFRN

Orientador: Prof. Dr. Luís Carvalho de Assunção

Participante da Base de Pesquisa sobre Cultura Popular da UFRN

bezerranilton@ig.com.br

No Rio Grande do Norte, a atividade artesanal é geradora de economia, envolve um número expressivo de pessoas e é diversificada em suas matérias-primas e tipologias. Como referência do artesanato local, a cerâmica supriu as necessidades primárias nos utilitários domésticos, adquiriu feição devocional nas figuras religiosas, foi brinquedo nos divertimentos infantis e, por fim, ganhou status de puro ornamento. A opção por Santo Antônio justifica-se por sua representatividade como um dos centros mais significativos de produção da cerâmica artesanal no Estado. Nasceu lá a famosa bilha em forma de galo, símbolo da cidade do Natal e que se transformou em ícone do artesanato e da arte potiguar. Para o embasamento conceitual, parto da concepção de que a cultura é simbólica e passível de análise crítica. Evidencio o objeto artesanal como elemento da cultura material e simbólica, através do qual é possível desenvolver uma investigação sobre os modos de vida existentes nas sociedades. Os princípios metodológicos consistirão basicamente no desenvolvimento de material etnográfico elaborado mediante entrevistas escritas e gravadas com os ceramistas, na observação direta e interpretação da realidade local e no registro através de recursos visuais que complementem os dados da pesquisa. Como objetivos centrais, pretendo examinar de que maneira é mantida a tradição da manufatura de objetos cerâmicos em Santo Antônio, refletir sobre as possíveis relações entre artesanato e tradição, discutir o processo histórico-cultural da produção da cerâmica local e salientar na contemporaneidade as manifestações responsáveis pela visibilidade da tradição no artesanato potiguar, justificando também a importância do saber fazer como exemplo de patrimônio imaterial.

P-70: CONFABULANDO: OUVINDO E CONTANDO FÁBULAS NA ESCOLA INFANTIL

Autoras/Expositoras:

Analice Cordeiro dos Santos Victor

Professora -NEI/UFRN

joeanalice@bol.com.br

Claúdia Limeira de Sena

Bolsista - NEI/UFRN

Em nossa prática de professoras de educação infantil procuramos dar à história não só o lugar de significações dos sonhos e imaginação da criança, mas também um espaço favorável ao seu desenvolvimento cognitivo, pois ouvir histórias possibilita a construção de conceitos como de cultura, civilização e de tempo histórico. Sistematizamos, então, junto a nossa turma, constituída por vinte e uma crianças com idades de seis e sete anos, um trabalho com a leitura de fábulas. Essas histórias milenares retrataram em seus personagens certas atitudes humanas, como a disputa entre fortes e fracos, a esperteza, a ganância, a gratidão, a inveja, o ser bondoso, o não ser tolo. Têm, também, como características aconselhar, transmitir algum ensinamento, fazer uma crítica, que geralmente aparecem no texto como a “moral da história”. Para esse estudo definimos como objetivos: refletir os valores/lições transmitidos/as pelas fábulas; produzir coletivamente um conceito para essas histórias percebendo suas características – narrativa curta, personagens/animais, transmitir ensinamento; conhecer dados biográficos de alguns fabulistas – Esopo, La Fontaine e Lobato. Os procedimentos metodológicos adotados para o desenvolvimento do estudo foram - ouvir e ler fábulas; reescrever em grupo a que mais gostou, ilustrando-a através da confecção de uma maquete; organizar uma linha do tempo com os fabulistas estudados; pesquisar junto às famílias as fábulas conhecidas e seus assuntos; produzir coletivamente uma fábula. Acreditamos que o trabalho relatado nos permite reafirmar a idéia de que contar e ouvir história é uma atividade que deve ser constante na rotina da escola infantil, pois contribui com os diferentes aspectos do trabalho pedagógico. Aspectos que vão desde oferecer subsídios para a criança lidar com questões relacionadas às suas emoções e imaginação como, também, ajudá-la a desenvolver-se intelectual e socialmente.

P-71: LENDAS INDÍGENAS: REVELANDO A ARTE DE SER E VIVER DE UM POVO

Autora/Expositora:

Maria Dulcilene de Lima

Professora – NEI/UFRN

Sirleide Silva de Oliveira Souza

Professora – NEI/UFRN

Orientadora: Analice Cordeiro dos Santos Victor – Nei/Ufrn

nei@ufrn.br

Este trabalho relata a experiência vivenciada junto a uma turma de Educação Infantil constituída por crianças na faixa etária de 4 a 5 anos. O interesse em aproximar a turma da cultura indígena surgiu da curiosidade suscitada no grupo ao ouvir a leitura de algumas lendas contadas pela professora na roda da história. Para esse estudo foram definidos como objetivos: estabelecer relações entre o modo de ser e viver do índio de ontem e hoje; perceber a influência da cultura indígena no nosso modo de se alimentar, falar, vestir; favorecer a ampliação e estruturação da linguagem oral. Adotamos na realização desse trabalho os seguintes procedimentos metodológicos: leituras das lendas: como nasceu a primeira mandioca, como nasceram as estrelas a lenda de amor de Naipi e Tarobá e como nasceram o sol e a lua,entre outras; conversas com profissionais que estudam a temática indígena, construção de painéis, releituras de obras de arte, reescrita e produção de textos coletivos, dramatização. Refletindo acerca da realização desse trabalho, percebemos que o índio distante da nossa realidade tornou-se real e presente, despertando o interesse das crianças em saber mais sobre o modo de viver desse povo, o que sem dúvida contribuiu para que todos – professoras e alunos – ampliassem seus conhecimentos acerca da cultura indígena e, também com a valorização da diversidade cultural.

P-72: DADI: REVISITANDO O UNIVERSO DO TEATRO DE BONECOS NO RN

Maria das Graças Cavalcanti Pereira

galnatal@hotmail.com

Graduando do Depto. de História, Universidade Federal do Rio Grande do Norte-UFRN.

Orientadora: Wani Fernandes Pereira

Professora Doutora, Museu Câmara Cascudo, GRECOM, UFRN, Natal/RN.-Orientadora

O tema tem por referência um projeto de pesquisa que registra como fato cultural a descoberta de uma Calungueira, fazedora de bonecos, também conhecidos como mamulengueiros, titereteiros ou João Redondo. Trata-se de Maria Ieda de Medeiros (64 anos) conhecida por Dadi, residente em Carnaúba dos Dantas RN. Para dar conta do itinerário artístico de Dadi e sua história de vida, fizemos uso de uma diversidade de estratégias: registro etnográfico, fotográfico e videográfico, de todo o cotidiano da artesã, coletando histórias e enredos criados, coleta da matéria-prima , etapas da confecção dos bonecos. Da pesquisa bibliográfica destacamos obras que tratam de uma genealogia dos bonequeiros no Rio Grande do Norte, de uma conceituação dessa arte entendida como "da tradição", de uma estética do arcaico. São os autores: Deífilo Gurgel (1999), Hermilo Borba Filho (1966), Altimar de Alencar Pimentel (1971),além do suporte teórico:Hobsbawm(1997),LeGoff(1998),Halbwachs(1973),EcléaBosi(1994),JanaínaAmado(2000),e outros. Dos dados obtidos e em fase sistematização final podemos reiterar: a identificação até o momento da artesã, como única mulher fazedora de bonecos num universo tradicionalmente masculino; autodidata e fazedora de ex-votos - também conhecidos como “milagres”, Dadi não se torna santeira, envereda pelo caminho do lúdico, dedicando-se ao conceber e paramentar seus bonecos ou calungas, à arte do riso, ao jogo da sátira. Ao longo da pesquisa, adquirimos uma coleção de bonecos, para o acervo do Museu Câmara Cascudo/UFRN, em consonância com a política patrimonialista da instituição, procedendo seu estudo e documentação. A conclusão de um portfólio, que conta uma breve história de vida e obra da artesã, servirá como apresentação junto às leis de incentivo à cultura, para publicação de um livro-catálogo, com o registro dessa manifestação da cultura da tradição, dentre outras estratégias como: CD-Rom, Vídeo, permite ampliar o conhecimento de novos atores e suas singularidades, atualizando e ampliando o universo de bonecos e bonequeiros no RN.

P-73: ABUSO SEXUAL INFANTO-JUVENIL: PODEMOS MUDAR ESSE QUADRO

Kátia Maria Nascimento Patriota

Delma Dias de Morais Batista

Acadêmicas do Serviço Social

E-mail: delma_batista@yahoo.com.br

O presente trabalho teve como base inicial, a análise institucional do Centro de Referência Programa Sentinela Natal/RN, localizado à rua Mipibu nº 440, no bairro de Petrópolis, onde por um espaço de quatro meses, observamos o fazer profissional da Assistente Social e a dinâmica do atendimento daquela instituição. Nas sucessivas observações, percebemos que a intervenção poderia se dar na divulgação do Programa Sentinela junto aos professores das escolas públicas municipais e estaduais de Natal. Obtivemos a informação de que seriam visitadas as escolas da rede pública dos bairros de maior incidência de qualquer tipo de violência sexual, cujos atendimentos foram feitos no Sentinela. Percebendo a necessidade de divulgação do trabalho da instituição em que estamos inseridas como estagiárias do Serviço Social, direcionamos nosso trabalho interventivo, dando suporte ao Serviço Social, através de palestras aos professores sobre Abuso e Exploração Sexual Infanto-Juvenil. Foram utilizados como subsídios: um folder com informações sobre o tema abordado e locais onde podem ser feitas as possíveis denúncias; uso de transparências; aplicação de questionário. Entendendo a escola como instituição socializadora do indivíduo, cuja função não é apenas transmitir conhecimentos, mas transformá-los e adequá-los a realidade vivida pelo aluno, percebemos a importância dessa parceria com os professores. Considerando que é na a escola onde distúrbios familiares podem ser refletidos e percebidos pelo professor, em virtude do seu contato diário com crianças e adolescentes, divulgar o Programa Sentinela é uma forma de proporcionar ao referido público, um desenvolvimento saudável e a garantia de seus direitos preservados no Estatuto da Criança e do Adolescente.

P-74: “DE LEGISLADOR A PRODUTOR” – (NATAL, 1889 – 1964) DOIS MOMENTOS DA INTERVENÇÃO ESTATAL NA QUESTÃO DA MORADIA

Expositoras;

Aliny Fábia da Silva Miguel

Graduanda, Depto. de Arquitetura - UFRN; Bolsista PIBIC/CNPq/UFRN; Base de pesquisa: Estudos do Habitat do Depto. de Arquitetura – UFRN aliny_arq_urb@yahoo.com.br

Ana Paula Campos Gurgel

Graduanda, Depto. de Arquitetura - UFRN; Bolsista voluntária; Base de pesquisa: Estudos do Habitat do Depto. de Arquitetura – UFRN

Autor (es):

Caliane Christie de Oliveira Almeida Silva

Mestranda em Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos/USP; Pesquisadora na Base de Pesquisa: Estudos do Habitat do Depto. de Arquitetura - UFRN ane_arquitetura@hotmail.com

Orientador:

Angela Lúcia de Araújo Ferreira

Profa. Dra. do Depto. de Arquitetura, Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN angela@ct.ufrn.br

Em decorrência da Revolução Industrial e da conseqüente necessidade de mão-de-obra para a indústria, as cidades do final do século XVIII viram-se diante de um significativo aumento populacional que ocasionou na adequação do espaço físico para atender às novas exigências de moradia. O ideário de cidade moderna constituído nesse momento e difundido pelo mundo, chegou ao Brasil no final do século XIX. Em Natal essa nova concepção veio incorporar e reforçar os anseios de modernidade das elites locais. Neste contexto, a questão habitacional, antes “responsabilidade” da iniciativa privada, ao ser vista como empecilho à concretização desse ideal, tornou-se foco importante das políticas públicas. Compreender as características e os significados destas intervenções no processo de produção da moradia em Natal é o objetivo deste trabalho. A partir das falas e discursos oficiais que as justificaram, e das ações concretizadas no setor, assim como através de revisão bibliográfica e pesquisa documental (periódicos locais e documentos oficiais), foi possível sistematizar dois momentos específicos de intervenção pública. O primeiro, delimitado da Proclamação da República até o final da década de 20, caracterizou-se pela elaboração e implementação de legislação rigorosa, muitas vezes punitiva e excludente, e relacionada a concepção e adequação de moradias, verbalizadas pelo código de posturas, arraigado aos princípios higienistas. O segundo, que se estende da Revolução de 30 à criação do Banco Nacional da Habitação – BNH (1964), apresentou o Estado como criador das condições de uso e produção habitacional, através da criação dos Institutos de Aposentadoria e Pensões - IAP´s (1933) e da Fundação da Casa Popular – FCP (1946). O delineamento desse panorama histórico das intervenções neste setor, no período de 1889 a 1964, fornece elementos para entender não somente a evolução do parque habitacional de Natal, como também as mudanças na postura do Estado frente a questão da moradia social.

P-75: DESMISTIFICANDO O TRATAMENTO DE RADIOTERAPIA E OS DIREITOS SOCIAIS DO PACIENTE COM CÂNCER

Autoras:

Jussara Keilla Batista do Nascimento – DESSO – UFRN

sarasocial@uol.com.br

Luciana Freire Gavazza – DESSO – UFRN

lucianagavazza@ig.com.br

Orientadoras: Prof. Ms. Sheila Pedrosa – DESSO – UFRN

Assistente Social Sinara Françoise – Liga Norte Riograndense Contra o Câncer – LNRCC

Apresenta a Liga Norte Riograndense Contra o Câncer – LNRCC, em particular o Centro Avançado de Oncologia – CECAN, como também as atividades desenvolvidas pelo Serviço Social na referida organização. No tocante ao Serviço Social, identifica algumas dificuldades que perpassam o fazer profissional no que se refere a garantir a viabilidade do tratamento, expresso principalmente através do considerável índice de pacientes faltosos. Os principais indicadores das faltas são as dificuldades com o transporte, o agravamento do estado clínico, o medo do tratamento pela mistificação que perpassa a temática do câncer e a falta de acompanhante. Identifica que essas dificuldades se dão pelo desconhecimento do tratamento e dos direitos sociais que garantem sua realização. Apresentadas as justificativas, oferece algumas propostas de intervenção no sentido de auxiliar as ações realizadas pelo Serviço Social para reafirmar os direitos sociais do paciente e viabilizar a continuidade do tratamento. Mostra como a realização de momentos alternativos de informação, como o grupo de acolhimento realizado pela equipe multidisciplinar – serviço social, enfermagem, psicologia e nutrição - oficinas sociais, distribuição de folders ou cartilhas informativas, bem como o atendimento individualizado contribui para a desmistificação do tratamento de radioterapia, aumentando o conhecimento do paciente a cerca do tratamento, da sua importância e dos direitos sociais. Neste sentido, esclarece o que é o tratamento, como é realizado e quanto tempo dura em média. Leva ao conhecimento dos pacientes direitos como o saque do FGTS, a licença para auxílio doença, a renda mensal vitalícia, a aposentadoria por invalidez, a isenção do imposto de renda na aposentadoria, a quitação de financiamento habitacional, a viabilização de transporte para o tratamento, bem como o acesso a exames e medicamentos e as vias que se deve seguir para solicitá-los, reafirmando por fim o direito a saúde, aqui expresso pelo tratamento oncológico radioterápico.

P-76: “ENFIM, HENFIL: HUMOR EM QUADRINHOS NA RESISTÊNCIA A DITADURA”.

Autores/Expositores:

Armando Pinheiro de Araújo Junior e Fabiano Moura de Souza.

Alunos do Departamento de História.

armando.pjunior@gmail

piatan_ufrn@hotmail.com

O tema da exposição tem por objeto de estudo a vida e a representação de Henrique de Souza Filho, o Henfil. Através de reproduções de fotos pessoais e charges de cunho crítico e satírico aos ditames da sociedade brasileira e internacional no período compreendido entre as décadas de 60 a 80. Tendo como base a sua atuação como chargista em vários seguimentos da imprensa e principalmente no “Pasquim”. Tem a exposição o intento de resgatar a memória de um artista de destaque na oposição ao período ditatorial militar, assim como a sua atuação na campanha para de eleições Diretas Já. O painel também mostrará aspectos da vida pessoal do artista, aspectos estes que se entrelaçam com sua posição de crítico, ressaltando também o período em que morou na cidade do Natal, Rio Grande do Norte.

P-77: ESCRITA: SUA HISTÓRIA E SEU PAPEL NA VIDA DO HOMEM

Expositores:

Adriana Rodrigues Gomes Matrícula: 20002230-6

E-mail: adrikkarg@bol.com.br

Departamento de Letras

O homem tem muitas necessidades, entre as quais estão a de se expressar e a de se comunicar socialmente, ambas relacionadas. Um dos meios de comunicação e expressão criados por ele foi a escrita, a qual levou milênios para chegar a sua forma alfabética. Partindo dessa constatação, focalizam-se as modificações tanto internas quanto externas dos sistemas (códigos) de escrita ao longo da história, as dúvidas levantadas a partir dos anos de 1960 quando pesquisadores de diversas áreas do conhecimento se juntam para discuti-la, revelando-se ser, então, o tema da escrita uma questão muito mais complexa. Esses questionamentos põem em xeque os pressupostos profundamente aceitos e compartilhados em relação ao seu domínio como, por exemplo, aquele que sabe escrever tem acesso a uma elite privilegiada. Diante disso, procura-se compreender a influência da escrita nas instituições e atividades de diversas áreas quando os documentos escritos passam a ter um papel fundamental, assim como as transformações que ocorrem nas sociedades quando um número relevante de pessoas sabe ler e escrever.

P-78: ESTUDO ETNOBOTÂNICO NAS COMUNIDADES INSTALADAS ÀS MARGENS DO RIACHO ÁGUAS VERMELHAS (PARNAMIRIM/RN), COMO SUBSÍDIO PARA CONSERVAÇÃO E RECOMPOSIÇÃO DA MATA CILIAR

Alídia Hernandes Ribeiro

Mestranda em Desenvolvimento e Meio Ambiente

Maria Iracema Bezerra Loiola

Departamento de Botânica, Ecologia e Zoologia – UFRN.

A ocupação dentro do município de Parnamirim iniciou-se de fato após o final da Segunda Guerra Mundial. Desde então os cursos d`água em geral vem sofrendo uma série de agressões, como a remoção da mata ciliar (que causa assoreamento do seu leito), deposição de lixo e esgoto, entre outras, devido a ocupação de suas margens. Esse processo vem ocorrendo, pois, alem da ausência de políticas publicas durante a ocupação do local, verifica-se o desconhecimento da importância do riacho como fonte de recurso mineral e biológico. Antagonizando todo esse processo de devastação, que ocorre em toda Bacia do Rio Pirangi, cerca de 5ha encontram-se bastante preservados desde 1950 como propriedade particular e que, desde 1998, foi transformada na Área de Proteção Ambiental (APA) Hidrominas Santa Maria, que se localiza as margens do riacho Águas Vermelhas. No sentido de dar subsídio à conservação e recomposição da mata ciliar, duas linhas de trabalho foram iniciadas: o levantamento florístico e a realização de entrevistas em um dos bairros que compõem a comunidade ribeirinha do caso (Vale do Sol). Para coleta de material botânico, foram realizadas 12 excursões onde foram registrados 85 taxa, ressaltando-se que esta etapa ainda encontra-se em andamento. A análise comparativa preliminar da flora evidenciou a similaridade com outras áreas já inventariadas no Rio Grande do Norte, presença de espécimes que são tidos como medicinais em outros Estados, e plantas com grande potencial ornamental e paisagístico. A realização de entrevistas conta com 100 depoimentos até a presente data. E estudo dos dados coletados revela entre os entrevistados, o desconhecimento do que é uma APA e da existência de uma na proximidade de suas residências. Mostra também que a grande maioria não utiliza nenhum recurso proveniente da mesma, apesar do uso de medicamentos fitoterápicos.

P-79: CONSTRUINDO VALORES POSITIVOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL A PARTIR DA INCLUSÃO DE CRIANÇAS PORTADORAS DE SÍNDROME DE DOWN.

Expositores:

Elaine Munic Torres Ferreira – Aluna do curso de Pedagogia – UFRN

Marianne da Cruz Moura – Aluna do curso de Pedagogia – UFRN

Autores:

Dominique Cristina Souza de Sena – Aluna do curso de Pedagogia – UFRN

Elaine Munic Torres Ferreira – Aluna do curso de Pedagogia – UFRN

Marianne da Cruz Moura – Aluna do curso de Pedagogia – UFRN

Departamento de Educação – DEPED

mariannemoura@hotmail.com

O presente trabalho foi desenvolvido em 2004.1, como parte das exigências para conclusão da disciplina Introdução a Educação Especial, no curso de Pedagogia/UFRN. Objetivou analisar como está sendo feita a inclusão de crianças com Síndrome de Down no Núcleo de Educação Infantil (NEI), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A pesquisa, empreendida com base em princípios qualitativos, envolveu um estudo bibliográfico, a coleta de dados através de entrevistas com educadores e uma observação não-participativa em três classes. Constatamos que, embora a instituição venha desenvolvendo um trabalho de Educação há vinte e cinco anos, somente a partir de 1989 começou a incluir educandos com necessidades educativas especiais em suas classes, entre elas as crianças que apresentam Síndrome de Down. Atualmente, estudam na escola seis crianças com Síndrome de Down (nos níveis III, IV e V). Para desenvolver um trabalho efetivo com esses alunos, os professores se reúnem constantemente para estudar e discutir conteúdos e estratégias relevantes para o aprimoramento da prática pedagógica. Observamos que, através do relacionamento diário das crianças em geral, os laços de amizade e companheirismo se fortalecem, fazendo desaparecer os traços da diferença, ensinando a todos a se relacionarem de forma igualitária, derrubando assim possíveis barreiras de preconceito. A inclusão, portanto, beneficia tanto as crianças normais, quanto as que apresentam Síndrome de Down, fazendo-as crescer na sua aprendizagem e construir valores positivos.

P-80: ESTUDOS DE ELEMENTOS DE COESÃO E COERÊNCIA

TEXTUAIS A PARTIR DA ANÁLISE DE CHARGES

Expositores:

Fabíola Barreto Gonçalves (UFRN)

E-mail: baby4jc@yahoo.com.br

GILMARA FREIRE AZEVEDO (UNP)

E-mail: gilmara02@yahoo.com.br

As perspectivas atuais de ensino de leitura e interpretação de textos primam pela atenção ao ensino dos mecanismos de Coesão e Coerência Textuais como fundamentais no processo de atribuição de sentidos dos textos e os livros didáticos há algum tempo registram essa realidade. As charges têm sido um recurso muito utilizado nessa perspectiva de ensino. O uso da linguagem verbal e não-verbal também concorrem para a construção de sentidos na utilização desses recursos em sala de aula. Trabalhar com Linguagem verbal e não-verbal nos possibilitar mostrar aos alunos que o significado das palavras não está apenas nelas mesmas e que as pessoas não se comunicam apenas por palavras. Os movimentos faciais e corporais, os gestos, os olhares, a entoação são também importantes: são os elementos não verbais da comunicação. A comunicação verbal é plenamente voluntária já o comportamento não-verbal pode ser uma reação involuntária ou um ato comunicativo propositado, mostrando que um evento comunicativo é composto também da interação dessas duas linguagens. É dentro dessa abordagem que propomos trabalhar com exposição de painéis, oferecendo uma interpretação de charges em três níveis de leitura. O primeiro superficial, um segundo intermediário e por fim, o nível profundo, nos quais elencaremos os elementos de Coesão e Coerência Textuais, bem como a linguagem verbal e não-verbal e a contribuição deles para a construção e/ou recuperação de sentidos do texto.

P-81: FOTOGRAFIA E INTERSUBJETIVIDADE

Diego André da Silva Filgueira

Bolsista de Iniciação Científica – PIBIC/CNPq – Base de Pesquisa: Currículo, Saberes e Práticas Educacionais CCSA/DEPED/UFRN

diego_f04@yahoo.com.br

Jefferson Fernandes Alves

Prof. Dr. do DEPED/UFRN

O presente trabalho faz parte do projeto de pesquisa Educação do Olhar e Prática Docente: fotografia e deficiência visual. Tem como objetivo compreender o papel mediador da fotografia no processo intersubjetivo da constituição do sujeito, assim como apreender os processos intersubjetivos desencadeados pelos professores do Instituto de Educação e Reabilitação de Cegos do Rio Grande do Norte (IERC) nos contextos de interações e vivências em torno do fotográfico e analisar as atividades pedagógicas propostas pelos professores do IERC que estimulem a constituição de contextos e situações intersubjetivas, a partir da mediação fotográfica. A fotografia pode ser entendida como um jogo interativo que contempla o sujeito que fotografa, aquilo ou aquele que é fotografado e aquele que aprecia o resultado fotográfico. Essa interatividade permite que os sujeitos envolvidos no processo fotográfico façam uma re(visão) contínua da imagem que fazem de si mesmos. E é no campo da intersubjetividade, no olhar do outro sobre si que construímos nossa própria imagem. Nesse caso, pensar a fotografia como reveladora de imagens internas, considerando a prática docente com alunos portadores de cegueira e visão-subnormal, implica em uma perspectiva que ultrapasse os limites biológicos da visão em favor de um entendimento mais alargado do olhar como uma faculdade multisensorial de perceber e ser percebido. Ao trazer a fotografia para a sala de aula como mediadora dos processos intersubjetivos contamos também com outras linguagens, sobretudo, a verbal e a corporal, como componentes intersemióticos que concorram para a revelação de imagens por parte dos não-videntes, a partir da intervenção pedagógica dos professores.

P-82: FUNDESCOLA: um estudo sobre a descentralização financeira em Escolas de Natal e Mossoró, no estado do Rio Grande do Norte.

Daniela Cunha Terto

Graduanda em Pedagogia

daniela_ct@pop.com.br

Shirmênia Kaline da Silva Nunes

Graduanda em Pedagogia shiufrn@yahoo.com.br

Orientadora: Profª Drª Magna França - Profª do Departamento de Educação da UFRN

magna@ufrnet.br

O estudo aborda a política de descentralização financeira no cenário educacional brasileiro, para o Ensino Fundamental e as suas diretrizes para a implantação do FUNDESCOLA nas unidades de ensino nos municípios de Natal e Mossoró. Verificou-se o resultado de sua implementação por meio das varáveis: índice de matrícula e rendimento escolar, quantidade de recursos, vantagens e obstáculos à implementação da descentralização financeira. Seu desenvolvimento ocorreu por meio de uma revisão bibliográfica (FRANÇA; SOARES; TOMMAZI) bem como análises de diagnósticos realizado nas escolas pesquisadas. No plano empírico, serviu como fonte substancial a análise dos dados coletados que mostrou-se fator determinante para situar a experiência no contexto da descentralização financeira, recorreu-se, também, aos documentos elaborados pela Secretaria de Educação do estado. Durante a pesquisa, constatou-se que posterior ao FUNDESCOLA, efetivado em 1999, houve um decréscimo nos índices de abandono no município de Natal, entre 2000 a 2003, entretanto, detectamos que os índices de reprovação crescem em 1999, 2002 e 2003. O município de Mossoró, por sua vez, possui o índice de matriculados maior na rede estadual, mesmo com a municipalização do ensino fundamental. Observou-se, também, que embora a rede estadual detenha esse maior índice de matrículas, o índice de abandono oriundo da escola municipal sempre superou a estadual. Os índices de reprovação oscilam após o Fundo, mas, com crescimento considerável em 2003 na rede estadual. Enfim, a implementação do FUNDESCOLA não tem assegurado uma melhora na educação pública como um todo, nos aspectos estudados, de acesso e rendimento escolar percebeu-se que não tem contribuído para alguns de seus fins: uma política promotora de equidade social em face de uma nova realidade educacional e a de promover o acesso e a qualidade de ensino.

P-83: MODA, CONSUMO E MÍDIA DEFININDO COMPORTAMENTOS

Autora:

Evaneide Lúcia Pereira César de Souza

Aluna do Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais

UFRN – Nível: mestrado

E-mail: evacesar@yahoo.com.br

O presente estudo discute a questão do consumo contemporâneo, a partir da sua associação com mídia televisiva e com a publicidade a ela vinculada. Discorre sobre conceitos como consumo, moda, publicidade, televisão e indústria cultural, a partir de relevantes contribuições, e procura ressaltar que o conteúdo da televisão, bem como o das campanhas publicitárias, estimulam o desejo, induzem à ação da compra, e com isso, definem padrões de comportamento. O trabalho apóia-se em dados coletados de uma amostra representativa de 256 questionários, aplicados junto à população feminina que freqüenta o Shopping Cidade Jardim.

P-84: MULHERES: as diversas situações de vulnerabilidade

Adaciara de Fátima Dias Soares (aluna do curso de Serviço Social)

E-mail: ciarinha2000@yahoo.com.br

Percilene Gonçalves de Sá (aluna do curso de Serviço Social)

E-mail: percilene.sa@bol.com.br

Departamento de Serviço Social

Base de Pesquisa Sociabilidade e Relações Sociais

Este trabalho constitui-se em uma análise da situação de pobreza na realidade brasileira associada às relações de gênero. Trata-se de uma reflexão, a partir de uma perspectiva de gênero, acerca do contexto de precariedade sócio-econômica no país. Representa uma contribuição no âmbito dos debates sobre a temática de gênero e desigualdade social, apesar de ser apenas um recorte analítico, considerando a amplitude dos aspectos que envolvem essa discussão. Tem o propósito de apresentar elementos que possibilitem a apreensão do contexto de vulnerabilidade em que estão inseridas as mulheres, destacando fatores como renda, atividades ocupacionais, chefia familiar e raça. Pretende explicitar como se expressam as diferenças entre os sexos, tendo em vista os papéis estabelecidos tradicionalmente para homens e mulheres. Foi elaborado mediante a análise de dados estatísticos, obtidos através de órgãos responsáveis pela pesquisa e divulgação de informações sócio-econômicas. Está fundamentado em estudos de autores que abordam o tema da pobreza e sua correlação com as questões de gênero. Constatou-se, diante dos dados contemplados, que os níveis de pobreza no Brasil são extremamente elevados e que esse quadro acentua-se ao ser observada a realidade da mulher, sobretudo por sua presença na sociedade ainda ser marcada pelo preconceito e discriminação. Evidenciou-se, como já foi citado, que há alguns aspectos preponderantes para o agravamento dos índices de pobreza da população feminina. Dentre esses, podem ser destacados: as discrepâncias entre rendimentos de mulheres e homens; o fato de as mulheres trabalharem, mais comumente, em ramos de atividades precarizados; as dificuldades enfrentadas pelas mulheres, que exercem a chefia familiar, para conciliar a dupla jornada de trabalho; e a influência do sexo e da raça na delimitação da desigualdade social. A realidade analisada, portanto, demonstra que a problemática da pobreza no Brasil configura-se também como uma questão de gênero.

P-85: NECESSIDADES INFANTIS EM PARQUES DE PRÉ-ESCOLAS: RESULTADOS DO PAINEL INTERATIVO DA XII SEMANA DE HUMANIDADES (2004)

Autora/Expositor:

Odara de Sá Fernandes

Orientadora: Gleice Azambuja Elali

Departamento de Psicologia

e-mail: odarasf@yahoo.com.br

Diversos estudos enfatizam a relação do homem com o ambiente como um dos aspectos de extrema importância para a formação humana. As pesquisas na área de Psicologia Ambiental revelam as implicações desta relação para o desenvolvimento da criança e para o planejamento de espaços lúdicos. Visto que a escola consiste no ambiente por excelência infantil, onde as crianças passam importantes momentos de suas vidas e desenvolvem as suas primeiras habilidades sociais e intelectuais, ela costuma ser o principal foco de estudo dessas investigações. Porém, poucos estudos têm analisado a influência nos comportamentos infantis dos espaços abertos das escolas, como os pátios e parques. Este trabalho objetiva discutir a opinião de estudantes e professores universitários em relação ao que se deve ter nesses ambientes para que se possa favorecer o desenvolvimento da criança. A pesquisa foi realizada na UFRN, durante a XII Semana de Humanidades. Foi montado um painel interativo, no qual os visitantes podiam deixar sua opinião sobre a seguinte questão: o que é importante ter em um parque de pré-escola? Nossos resultados revelam que os respondentes consideram o espaço e os equipamentos dos parques infantis das escolas como sendo de grande importância no processo de desenvolvimento, aprendizagem e socialização da criança. A maior parte da respostas enfatiza a necessidade de grande espaço para atividade livre, como também a presença de árvores, areia e brinquedos (playground). Além disso, a segurança foi citada algumas vezes como sendo um elemento fundamental. Foi relatada, também, a necessidade de brinquedos seguros, areia limpa, bancos confortáveis, entre outros aspectos. Essas opiniões demonstram como os espaços abertos, nas escolas, são importantes e como vários aspectos do ambiente físico podem favorecer ou não o desenvolvimento saudável da criança. Dessa forma, estudos da relação criança-espaço são essenciais para subsidiar o planejamento de espaços mais favoráveis ao desenvolvimento infantil.

P-86: CUIDADOS EM SAÚDE MENTAL NO CONTEXTO DA ATENÇÃO BÁSICA EM SAÚDE

Autora/Expositora:

Yalle Fernandes dos Santos

yalles@yahoo.com

Orientadora: Magda Dimenstein

magdad@uol.com.br

Programa de Pós graduação em Psicologia/UFRN

Desde os anos 1990 enfatiza-se a reestruturação da atenção psiquiátrica vinculada à atenção primária em saúde e constituição de redes de apoio social que dêem suporte aos indivíduos em sofrimento psíquico. No Brasil, esta questão é pode efetivar-se com a inserção das equipes de saúde nas comunidades, através do Programa Saúde da Família (PSF). Este propõe uma atuação baseada na integralidade das ações, concebendo o indivíduo de forma sistêmica e elegendo a família como locus de intervenção. Nesse sentido, o cuidado é pensado como integralidade, significando a capacidade de ouvir o usuário, acolher sua demanda, articular conhecimentos na solução dos problemas e na construção de projetos terapêuticos individualizados. Este trabalho buscou mapear a demanda de saúde mental que chega à unidade de saúde do PSF nas comunidades de Nordelândia e Boa Esperança, no Distrito Sanitário Norte de Natal/RN. Utilizamos como ferramenta metodológica um questionário semi-estruturado que visa mapear o histórico de uso de psicotrópicos e internação em instituições psiquiátricas dos moradores dessa comunidade. O instrumento foi aplicado na residência dos participantes, com o auxílio dos agentes comunitários de saúde. Entrevistamos 34 mulheres e 25 homens, na faixa etária predominante de 31 a 50 anos. O uso de psicotrópicos é muito elevado - 47 sujeitos os utilizam -, sendo mais usados os neurolépticos e ansiolíticos. Vimos que 23 entrevistados foram internados em hospitais psiquiátricos, a maioria das internações são involuntárias. Os serviços substitutivos em saúde mental são desconhecidos por 56 dos entrevistados. Tais dados nos mostram a necessidade de uma rede de saúde integrada, que ofereça resolutividade e ações de referência e contra-referência entre o nível primário e os serviços substitutivos em saúde mental, de forma que os sujeitos não precisem recorrer aos hospitais psiquiátricos.

P-87: ENVELHECIMENTO E QUALIDADE DE VIDA – CENTRO DE SAÚDE DE CANDELÁRIA.

Autora/Expositora:

Ana Jarves de Lucena Fernandes Gonçalves

Micarla Duarte de Lima

micarlarn@hotmail.com

UFRN/CCSA/DESSO.

Apresenta uma análise acerca da implementação do projeto de intervenção, desenvolvido no Centro de Saúde de Candelária, pelas estagiárias Ana Jarves e Micarla Duarte, no período de setembro a dezembro de 2004. Esboça as atividades realizadas, os resultados alcançados assim como também expõe a dinâmica que envolveu todo o processo de implementação do projeto de intervenção elaborado pelas estagiárias em um primeiro momento de aproximação e observação na instituição. Contextualiza os aspectos pertinentes ao idoso como expressão da questão social e demanda para o Serviço Social. Também relata a importância de se trabalhar com esse segmento, em meio aos esteriótipos que a sociedade dissemina: “inativos”, “incapazes”, “apáticos”, etc. As ações ora desenvolvidas foram respaldadas na perspectiva de igualdade e de garantias de direito, onde foram ministradas palestras, oficinas e atividades lúdicas, contemplando aspectos pertinentes a Qualidade de Vida na III idade. Os resultados foram satisfatórios para os atores envolvidos: idosos, estagiárias e instituição, sendo perceptível na receptividade e nas atividades dos idosos, assim como através de seus depoimentos. Considera-se que o trabalho desenvolvido no Centro de Saúde de Candelária, com o grupo de idosos, contemplou as perspectivas e o empenho dedicado pelas estagiárias, como também realização pessoal das mesmas.

P-88: NOVAS CONFIGURAÇÕES DO ATIVISMO ANTI-AIDS

Autor/Expositor:

Maio Spellman Quirino de Farias

e-mail: spellman@uol.com.br

Orientadora: Magda Dimenstein

Universidade Federal do Rio Grande do Norte-RN

Nos anos 80 atuar contra a aids, institucionalmente, na sociedade civil, significava brigar, voluntária e caritativamente, por mais leitos em hospitais, por políticas públicas em HIV/AIDS e fazer visitas domiciliares e hospitalares às pessoas que viviam e conviviam com a doença. Entretanto, esse cenário de luta vem mudando desde o inicio dos anos 90, com a consolidação da parceria do movimento antiaids com o Estado. Tal parceria trouxe um dilema para as entidades da sociedade civil: são elas apenas executoras das políticas governamentais ou assumem o papel de propositores efetivos de políticas públicas? Desde então, ativismo contra a aids passou a significar execução de projetos e considera-se que esse modo de funcionamento institucional antiaids tem problemas porque constrói uma estratégia básica para despolitizar o Terceiro Setor. As ONGs/AIDS não apenas consolidam a reestruturação moderna do capital como afastam-se da atividade de rua. Todas essas questões acima levantadas levaram-nos a mapear esta nova estrutura ONGuiana que rompeu com o caráter caritativo, assumindo uma gestão semi-governamental e empresarial que visa sustentabilidade para gerenciar a aids. A pesquisa foi iniciada com as visitas, previamente agendadas, à instituição Grupo de Apoio à Vida-GAV na cidade de Campina Grande-PB. Aplicou-se entrevista semi-estruturada com 06 voluntários/técnicos da referida entidade. Nosso objetivo foi investigar a prática do ativismo antiaids, identificar as concepções de ativismo antiaids e conhecer como os atores sociais avaliam as práticas. Resultados preliminares indicam que a concepção de ativismo presente entre os entrevistados refere-se à execução de projetos através das parcerias ONGs e órgãos financiadores, abrangendo a participação nos fóruns de discussões, governamentais ou não. Observou-se diferença entre ativismo e militância, bem como a criação de estratégias de ativismo e não de militância na instituição pesquisada.

P-89: NOVAS ESTRUTURAS ORGANIZACIONAIS: A FÁBRICA SEM FÁBRICA

Autora/Expositora:

Joumara Araújo

joumaramil12@yahoo.com.br

Sunamita Nunes de Oliveira

sunamitan@yahoo.com.br

Orientador: Profº Paulo Ney Silva Bulhões

Pesquisa sobre Novas Estruturas Organizacionais. Enfatiza a FÁBRICA SEM FÁBRICA, que foi tema de trabalho acadêmico da disciplina Organização & Métodos do curso de Biblioteconomia. Introduz conceitos de marca, patente, consumidor, produção, mercado, estrutura, departamento e segmentação, ampliando o entendimento da Estrutura de uma Empresa que implanta esta forma de atuar no mercado. Fala do surgimento das Fábricas, e, logo em seguida, da visita efetuada às empresas: Botton, Supermercados Carrefour e Rede Mais. Define, segundo CRUZ (2002), que a implantação da FÁBRICA SEM FÁBRICA é uma questão de sobrevivência das empresas que participam no pool de produção. Objetiva esclarecer o funcionamento da operação: FÁBRICA SEM FÁBRICA, onde sua finalidade maior é reduzir custos por meio de segmentação por especialização, ou seja, a empresa que investe em tal ferramenta, está pronta para a concorrência; opera um produto mesmo sem produzi-lo, estando com vantagem a mais no mercado. Utiliza como metodologia entrevista aplicada a gerentes nas empresas visitadas. Usa perguntas-chave, levando ao entendimento da atuação dessa operação, como uma Nova Estrutura de Organização, fazendo que elas tenham diferencial no mercado. Obteve resultados a partir das definições de CRUZ (2002), sendo, o seu contexto, no geral, uma abordagem na tentativa de sobrevivência de muitas empresas que participam no pool de produção. Tem em vista que essas empresas estão investindo numa estratégia nem tampouco recente, de conquistar mercado ante a concorrência. Justifica o porquê dessas empresas aderirem a essa Nova Estrutura Organizacional: investir nesse ramo de produção sem ter que produzir o produto é ganhar uma vantagem a mais no mercado.

P-90: O ENSINO DA GEOGRAFIA: LEMBRANÇAS DE PROFESSORES E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS.

Autores/Expositores:

Glauciana Timbó Ferreira

Bolsista de Iniciação Científica – PIBIC/CNPq – Base de Pesquisa: Currículo, Saberes e Práticas Educacionais CCSA/DEPE/UFRN

gal-eu@hotmail.com

Francisco Cláudio Soares Júnior

Prof. do PPGEd e DEPED/UFRN

O ensino da Geografia possui uma história social que se encontra diretamente articulada aos processos de desenvolvimento do modo de produção capitalista. Este vincula formas de pensar geográfico às suas necessidades de extorção de valores capitalistas através da apropriação dos produtos elaborados no campo das ciências, artes e tecnologias, fazendo uso deles para reproduzir os interesses da sua lógica produtiva no interior da sociedade e da escola. Nesse sentido os conteúdos dos conceitos geográficos possuem uma carga política-ideológica que expressam os interesses da fase do capital que particulariza um determinado tempo histórico. Daí a necessidade de estudarmos as formas de transmissão-assimilação dos saberes geográficos ao longo da história, no intuito de apreendermos os processos de cristalização dos ideários de explicação da realidade concreta, nas instituições escolares num dado contexto histórico-social. Portanto, faz-se necessário ressaltarmos a importância do processo de apreensão teórico-metodológico das práticas de ensino dos conhecimentos geográficos na escola, nos espaços-tempos da sua evolução histórica, através da produção dos saberes sistematizados pelos professores no fluxo dos seus processos de formação docente e nos ofícios de ensinar. A pesquisa se define como um estudo qualitativo do tipo colaborativo que abrange um levantamento de dados sobre as histórias de vida de professores inscritos no curso de Pedagogia - PROBÁSICA (2004.2) do município de Ceará-Mirim. Esta nortea-se em alguns princípios do enfoque dos relatos de vida fundamentados em teóricos como: Nóvoa (1992 1995); Bueno (1998); Bosi (1994); Alves (1998); Catani (2003); Goodson (1995); Vygotsky (2001). Objetivamos com essa investigação, fazermos uma reflexão sobre o ensino da Geografia na escola pública de Ceará-Mirim/RN através do estudo das lembranças de professores e práticas pedagógicas (presente/passado) materializados no espaço escolar.

P-91: O Estresse entre profissionais da área da saúde: a educação em foco

Autores/Expositores:

Emeline das Neves de Araújo Lima

e-mail: emelinelima@aol.com

Aluna da graduação do curso de Odontologia da UFRN;

Celene de Figueiredo Diniz

Médica do Hospital Walfredo Gurgel;

Orientadora:

Profª. Drª. Maria do Socorro Costa Feitosa Alves. 4

Profª. Adjunta do departamento de Odontologia da UFRN.

Departamento de Odontologia

O presente trabalho tem por objetivo fazer uma revista crítica da literatura visando discutir o efeito do trabalho relacionado à saúde para as condições psicofisiológicas do trabalhador, bem como enfatizar a importância da educação no cotidiano das ações. Com embasamento nos estudos realizados, procurou-se elucidar as características e principais sintomas dos transtornos mentais que mais acometem essa classe, como o estresse; bem como outros efeitos decorrentes da vida pessoal. O estresse é a resposta do organismo frente a diversos mecanismos que produzem tensão e agressão. Pôde-se observar, em relação ao sexo, uma relevante diferença, com predominância dessas patologias entre mulheres, sendo justificado pela situação atual da participação feminina no mercado de trabalho. A associação do trabalho doméstico com o assalariado é um fator que agrava de forma imperativa essa significância. Entre os fatores de risco presentes no ambiente de trabalho, sobretudo em clínicas e hospitais, pôde-se inferir os seguintes: calor, ruído, esforço físico, posições forçadas, além de trabalho intenso e repetitivo, o que promove indiscutivelmente um alto nível de alteração psicológica. Por outro lado, existem também fatores protetores que podem amenizar essa incidência sendo, dentre outros, uma grande habilidade profissional, satisfação no trabalho e criatividade, levando assim a um equilíbrio entre as demandas ocupacionais e as características pessoais. Uma excessiva carga de trabalho é responsável pelo estado de fadiga, o que também tem efeito significativo para o aparecimento de transtornos como depressão e ansiedade, tidos como os mais freqüentes em meio aos trabalhadores da saúde. Portanto, é notada a imensa importância de um estudo mais apurado acerca dos fatores que regem a presença de problemas neurológicos como estresse em meio aos trabalhadores da saúde, no sentido de favorecer a compreensão das atividades educativas e preventivas nessa área.

P-92: O PERFIL DOS ENFERMEIROS DA REDE PÚBLICA E PRIVADA

Expositores:

Emanuela de Oliveira Justino (Graduanda de Psicologia-UFRN)

Joel Lima Júnior (Pesquisador Voluntário/GEPS-UFRN)

Depto. de Psicologia / CCHLA.

E-mail: joellijr@ig.com.br

GRUPO DE ESTUDOS: PSICOLOGIA E SAÚDE.

Autores:

Eulália Maria Chaves Maia (Professora/UFRN), José Hélder Franco Aquino (Graduando/UFRN); Soraya Guilherme Cavalcanti (Graduanda/UFRN); Ariane Cristiny da Silva Fernandes (Graduanda/UFRN); Larissa Mascarenhas Souza (Graduanda/UFRN).;Felipe Serquiz Elias Pinheiro (Graduando/UFRN); Ana Suzana Pereira de Medeiros (Graduanda/UFRN).

Atualmente, percebe-se uma maior atenção para a questão do bem-estar dos profissionais de saúde e dos pacientes nas instituições, e dessa forma uma maior ênfase na abordagem da humanização como elemento fundamental para a aquisição deste. Logo, observa-se uma nova exigência para os elementos que compõem o cenário da saúde, uma vez que o diálogo, a escuta e o olhar assumem nova importância dentro desse novo paradigma. Sendo assim, ao conceber a equipe de saúde como principal elemento no processo de implementação da assistência, optou-se por desenvolver a presente pesquisa (em andamento) que visa inicialmente identificar o perfil dos profissionais de enfermagem da rede pública e privada, bem como analisar como fatores sócio-econômicos interferem na qualidade dos serviços prestados por estes profissionais. Os dados foram coletados através de um questionário em dois hospitais da cidade de Natal–RN e analisados pelo programa estatístico SPSS. Diante dos questionários aplicados (N 30), (90 %) dos sujeitos são do sexo feminino, com idade entre quarenta e um e cinqüenta anos, e renda mensal entre um e cinco salários mínimos. (66%) desses profissionais atuam em apenas uma instituição e trabalham em média quarenta horas semanais. Percebeu-se ainda que os (30 %) que possuem pós-graduação são do sexo feminino e ganham entre seis e dez salários mínimos. Os profissionais do sexo masculino atuam em mais hospitais que os do sexo feminino, possivelmente devido à dupla jornada de trabalho enfrentada pela mulher. Notou-se também que o salário não acompanha o aumento da carga horária de trabalho. Sendo assim, verifica-se a importância de se encontrar novas e eficazes estratégias que visem melhores condições não só para usuários como também para a equipe de saúde, uma vez que a qualidade das relações mantidas no ambiente de trabalho está intrinsecamente ligada a fatores sócio-econômicos da categoria profissional.

P-93: O PROFISSIONAL DE SAÚDE E A ANSIEDADE PERANTE O PACIENTE ONCOLÓGICO NAS DIVERSAS FASES DE DESENVOLVIMENTO HUMANO.

Expositores:

Mônica Morgado Horta Monteiro de Oliveira

Graduação em psicologia da UFRN

Autores:

Daniella Antunes Pousa Faria (pós-graduação CCS), Ádala Nayana de Sousa (Graduanda/UFRN), Eulália Maria Chaves Maia (Professora/UFRN).

Departamento de Psicologia / Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde / CCS / UFRN.

A presente pesquisa visou identificar em relação a qual fase do desenvolvimento humano (criança, adolescente, adulto, e idoso) do paciente terminal com câncer, o profissional de saúde se sente mais ansioso ao realizar seu trabalho, e qual a percepção destes profissionais acerca deste resultado. Para identificar estas variáveis se utilizou como instrumentos uma entrevista dirigida, realizada no próprio hospital, com os profissionais que lidam diretamente com pacientes terminais de diversas fases do desenvolvimento humano. Participaram desta pesquisa 22 profissionais de saúde, de ambos os sexos, do Hospital Luiz Antônio que lidam com pacientes terminais com câncer. A análise dos resultados foi realizada através da freqüência de respostas. Como resultado obtivemos que 91,31% dos profissionais pesquisados afirmam se sentir ansiosos quando lidam com pacientes terminais, os demais, ou seja, 8,69% não se percebem ansiosos ou com sentimento diferenciado quando se trata de pacientes em estágio terminal. Destes 91,31%, 65,21% apontam a criança como sendo a fase mais difícil de se lidar, pois as crianças os remetem a seus filhos. Além disso, afirmam que quando se trata desta faixa etária eles ainda estão no início da vida e não merecem morrer; 8,72 % afirmam se sentir mais ansiosos com adolescentes, e descrevem como motivo para este sentimento o fato do adolescente ter consciência de que vai morrer e pelo fato destes geralmente ficarem bastante agressivos nesta situação, o que faz com que o profissional se sinta mais ansioso; e 4,34% afirmam que se sentem mais ansiosos com idosos, por considerarem que a “pessoa quando velha fica mais fraca”; por fim, 13,04 afirmam não conseguir identificar em qual faixa etária se sentem mais ansiosos.

P-94: A RELAÇÃO ENTRE IDADE E O VALOR DE REALIZAÇÃO EM TRABALHADORES DE BAIXA INSTRUÇÃO DA CONSTRUÇÃO CIVIL

Expositor/Autor:

Leonardo Braga Galvão Alexandre

Email: leobrutus@hotmail.com

Estudante da graduação do curso de Psicologia)

Co-autora:

Sandra Souza da Silva Chaves (Doutoranda em Psicologia UFRN/UFPB)

Email: sandrasschaves@yahoo.com.br

Sabe-se da aceitação do conceito de valores como princípios que guiam a vida de uma pessoa, sendo metas desejáveis e transituacionais, variando em grau de importância. Assim, eles direcionam a ação das pessoas mediante os processos de socialização sejam eles na escola, na família, entre amigos etc.. É utilizado para este trabalho o valor de realização proposto por Schwartz, sendo a busca do sucesso pessoal e da competência. Atende a interesses individuais, originando-se nas necessidades de interação grupal. Buscou-se nesse projeto de pesquisa estabelecer uma relação entre a idade dos trabalhadores da construção civil de baixa instrução e o escore atribuído ao valor de realização pelos mesmos. Sendo a hipótese levantada quanto maior a idade dos participantes maior o valor de realização. O perfil da população pesquisada é predominantemente masculino, constata-se um baixo grau de escolarização e baixos índices salariais. O trabalho caracteriza-se como perigoso, devido aos riscos que estão submetidos no ambiente laboral. Participaram da pesquisa 80 sujeitos. O instrumento utilizado foi a Adaptação do Inventário de Valores Humanos, constando 55 itens e ficha sócio-demográfica. A coleta realizou-se em unidades de construção de uma empresa natalense. A aplicação dos questionários foi coletiva. As respostas foram inseridas no programa Statistical Package for Social Science. A amostra foi dividida em dois grupos: grupo um (idade entre 19 e 31 anos) grupo dois (acima de 31 e abaixo de 60 anos) depois, foram correlacionadas as variáveis desses grupos. Para o grupo um foi possível estabelecer uma correlação significativa entre as variáveis, porém, inversa, ou seja, quanto maior a idade, menor a preocupação com a busca do sucesso pessoal. Para o grupo dois, apesar de direta, a correlação não foi significativa. Para o grupo um, tem-se que quando jovens estes trabalhadores visualizam este trabalho como algo temporário até conseguirem um emprego melhor.

P-95: A auto-ajuda e o processo psicoterápico de acordo com os estudantes de psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Autor/Expositor:

Murielle de Araújo Gomes

Tatiana Minchoni

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Este estudo parte da preocupação de se conhecer a opinião dos alunos de psicologia em relação aos mais diversos veículos de auto-ajuda, um instrumento que possui uma crescente demanda direcionada atualmente. O principal objetivo é traçar um panorama da utilização de auto-ajuda e da prática de psicoterapia pelos estudantes de psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, bem como mensurar a associação entre esses dois processos. São investigados itens como a utilização de auto-ajuda pelos entrevistados, bem como a prática de psicoterapia, os veículos disponíveis mais comuns, os motivos que levam ao uso da auto-ajuda, as expectativas daqueles que recorrem a algum tipo de auto-ajuda, a forma que os estudantes de psicologia vêem a auto-ajuda associada à psicoterapia, entre outros.entre outros. A metodologia utilizada consistiu de um questionário individual contendo 9 questões abertas e fechadas, elaborado com base em um questionário piloto aplicado na Universidade Potiguar. A pesquisa contou com uma amostra de 180 questionários respondidos, constituída de 137 mulheres e 43 homens. Os resultados indicaram que a utilização de auto-ajuda pelos entrevistados não é comum, uma informação abaixo das expectativas dos pesquisadores visto que a auto-ajuda tem sido bastante divulgada atualmente. Dentre os motivos que levam à busca da auto-ajuda, os mais citados foram autoconhecimento e curiosidade/interesse. Quanto ao tipo do recurso mais utilizado de auto-ajuda, os livros tiveram destaque, o que pode ser relacionado com a grande divulgação desse material, apresentando-se até como os livros mais vendidos. Apesar de ser formada por estudantes de psicologia, a amostra apresenta um pequeno número de alunos que estão passando por um processo psicoterápico, resultado um tanto preocupante, posto que os futuros psicólogos precisam entender o processo no qual o paciente estará inserido, o que é condição fundamental para a atuação profissional.

P-96: A IMAGEM ATRIBUÍDA PELA COLEÇÃO MOSSOROENSE DE DIX-SEPT ROSADO: HISTÓRIA, VALORES E IDEAIS

Autor:

Alessandro Teixeira Nóbrega

aluno do Mestrado de História/UFRN

alessandro@uern.br

Orientadora: Prof. Drª Margarida Dias (Departamento de História da UFRN)

Este trabalho é uma pesquisa desenvolvida no programa de Mestrado em História da UFRN e que surgiu da reflexão sobre a construção do espaço de Mossoró, através da Coleção Mossoroense. Objetiva estabelecer os valores e ideais atribuídos a imagem de Dix-sept Rosado pela Coleção e sua identificação com a construção do espaço do lugar, no caso aqui de Mossoró. O trabalho é desenvolvido através de entrevistas e levantamento bibliográfico para análise do discurso escrito da Coleção sobre Dix-sept, além da observação das festas cívicas. A pesquisa está em andamento. Mas já é possível observar um dos traços de construção do espaço de Mossoró através da identificação de sua história com a imagem ou valores atribuídos a Dix-sept Rosado pela Coleção Mossoroense.

P-97: “A INSURGÊNCIA DA ARTE NO COTIDIANO”

Autor/Expositor:

Wernher Medeiros Soares de Sousa

Aluno do Curso de Artes Plásticas

Departamento de Artes/UFRN

E-mail: wernher@interjato.com.br

Propõe-se observar como o ser humano se utiliza da arte como forma de uma melhoria de seu status individual e de sua integração social. Análise de depoimentos de artistas e pessoas comuns sobre artes: “eu como arte, vivo arte”, Rosa Costa, bailarina. Formas exemplificativas de expressões e comunicação artísticas: .a.Grafismos e pichações: denunciação das desigualdades sociais. .b. Arte no cotidiano: tatuagens. .c. As “máquinas” e a arte.

P-98: A Teoria Atômica de Leucipo de Mileto e Demócrito de Abdera

Autora/Expositora:

Gleba Coelli Luna da Silveira

Curso de Filosofia

Acreditamos que Leucipo tenha nascido em Mileto, porém há quem afirme que este possa ter nascido em Eléia ou Abdera. Leucipo teve como seus contemporâneos Anaxágoras, os sofistas e Sócrates. Para alguns seu mestre foi Zenão, e para outros foi Melisso. Com freqüência encontramos Leucipo associado a Demócrito. De acordo com Aristóteles, Leucipo era o criador da teoria dos átomos, sendo que esta, depois foi desenvolvida e elaborada por Demócrito. A Leucipo é atribuída a autoria de duas obras: “A Grande Ordem do Mundo” e “Sobre o Espírito”. Acredita-se que esta ultima tenha sido somente uma parte da primeira. Assim, Demócrito foi discípulo e sucessor de Leucipo na direção da escola de Abdera.

P-99: Análise da realização do plural na fala Potiguar

Autora/Expositora:

Luciana de França Lopes

(Aluna e voluntária do Projeto ALiRN)

Universidade Potiguar –UnP

Departamentos de Letras

Este trabalho investiga a realização do plural de palavras terminadas em –ão, -l, -au, e –éu no falar do Estado do Rio Grande do Norte. O objetivo desta pesquisa é analisar a realização do plural, nas terminações citadas, em diferentes pontos do estado. Nesta pesquisa foi utilizada a questão relativa ao número de substantivos do questionário morfossintático do Atlas Lingüístico do Brasil (ALiB), com dados colhidos através dos inquéritos definitivos realizados em alguns municípios do nosso estado, incluindo a capital, os quais fazem parte da rede de pontos do Projeto Atlas Lingüístico do Rio Grande do Norte (ALiRN). Os inquéritos foram realizados com informantes selecionados a partir de critérios estabelecidos pelo Comitê Nacional do Projeto ALiB: nível escolaridade (superior e fundamental), ambos os sexos, e duas faixas etárias (18 – 30 anos e acima de 45 anos). Os dados obtidos através desta investigação confirmam a hipótese que nos guiaram nesta pesquisa, de que a variante de prestígio é utilizada principalmente por pessoas de nível de escolaridade mais elevado.

P-100: ASSISTÊNCIA SOCIAL BRASILEIRA NA PERSPECTIVA DO SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL: UM NOVO CAMINHO GARANTIRÁ UMA NOVA REALIDADE?

Autora/expositora:

Mariane Araújo Mendes Pereira (Discente)

Orientadora: Eliana Andrade da Silva

Departamento de Serviço Social (CCSA)

E-mail: marianeamp@yahoo.com.br

Introdução: O protagonismo dos Conselhos no debate da Assistência Social, fez com que o governo Lula incorporasse na agenda governamental, a proposta de redesenhá-la, a partir da discussão e implementação do Sistema Único de Assistência Social (SUAS); baseado na Constituição de 1988 e na Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS). Essa atitude visa garantir que essa política pública ultrapasse o caráter caritativo e fragmentado, através da mudança de enfoque do individuo para a família, considerando a universalidade que essa se propõe. Objetivo: O referido trabalho visa discutir os limites e possibilidades da nova Política Nacional da Assistência Social, a fim de analisar se as mudanças preconizadas nessa, se reduziram ao âmbito institucional ou se efetivamente, garantirão ao usuário a efetivação e ampliação dessa política, visando o horizonte da garantia de direitos. Metodologia: Pesquisa bibliográfica, documental e observação participante. Resultados parciais: Constata-se que a nova Política Nacional da Assistência Social é uma consolidação da proposta de universalização da assistência social como direito social garantindo os avanços da Constituição e da LOAS. Observamos também, a sensibilização, mobilização e incorporação dessa proposta pela sociedade civil, conselhos municipais e federal, e profissionais da área de assistência. Entretanto, apesar da construção desse novo caminho, persistem velhos problemas, como a indefinição do co-financiamento, a falta de recursos humanos, diversidades regionais, entre outras, que só serão abolidos com uma postura ousada, e até arriscada politicamente, pois vai de encontro à cultura pública do país.

P-101: CAUSOS DE BOTIJAS: HISTÓRIAS E MEMÓRIAS SOBRE O SOBRENATURAL EM CARNAÚBA DOS DANTAS

Autor/Expositor:

Thiago Stevenny Lopes

Departamento de História e Geografia, CERES, UFRN

Esp. Helder Alexandre Medeiros de Macedo

Orientador heldermacedo@katatudo.com.br

Programa de Pós-Graduação em História, CCHLA, UFRN

Este trabalho emergiu do Projeto Carnaúba dos Dantas: Inventário do Patrimônio Imaterial de uma Cidade do Sertão do Rio Grande do Norte - PRONAC N° 043906 e tem como objetivo a investigação a respeito das histórias sobre botijas contadas pelos moradores de Carnaúba dos Dantas (zona urbana e rural) e como essas histórias vieram a contribuir para a reafirmação do imaginário dos mesmos narradores. Justificamos a edição da pesquisa tendo em vista as discussões que o patrimônio imaterial tem levantado, tanto na historiografia, como nos estudos patrimoniais, com relação à participação ativa de grupos minoritários ou marginalizados na construção das histórias locais. Enfatizamos, também, que a rememoração dessas histórias dá visibilidade a esse patrimônio - oral, material e imaterial - pertencente aos carnaubenses. Ainda levantamos um interesse pessoal a respeito da forma como essas histórias vieram a inserir visões fantasiosas de mundo na imaginação dos moradores do município. A metodologia está baseada na leitura e discussão do referencial teórico - ancorado no conceito de memória discutido por Jacques Le Goff, Ecléa Bosi e Maurice Halbwachs - e no de patrimônio cultural, cujos aportes são levantados por Françoise Choay, Maria Cecília Londres Fonseca, Carlos Lemos e Roque de Barros Laraia. Seguiu-se o reconhecimento da colônia de narradores - que agrupa os mais antigos moradores - e coleta das entrevistas, sendo utilizadas para este trabalho apenas as que já se apresentam digitadas, revisadas e que se relacionam ao tema em questão. Viajar pelas memórias dos narradores nos permitiu compreender como as narrativas em torno de tesouros enterrados, no mundo rural e na paisagem citadina, contribuem para que se pense a relação entre medo, religiosidade popular e crença na existência do sobrenatural presentes no tecido mnemônico desses indivíduos.

P-102: CORPORALIDADE: Representações e sexualidade do corpo feminino

Autor/Expositor:

Honório, Maria das Dores (dorahonorio@ig.com.br)

Mestranda do Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Esta comunicação apresenta pesquisa em andamento que tem como objetivo investigar a construção de representações de corpo e sua relação com a sexualidade, em adolescentes de 14 a 17 anos, do sexo feminino, de camadas populares. Partindo da concepção de corpo como uma construção cultural e social específica de cada cultura, sociedade e/ou classe social, pretendemos investigar essa construção, localizando significados/representações do corpo e sua relação com a sexualidade enquanto linguagem na construção de gênero.

P-103: Cuidado: o que estudantes universitários fazem com o meio ambiente?

Autor/Expositor:

Thiago F. Pinheiro

Grupo de Estudos Inter-Ações Pessoa-Ambiente/UFRN

Bolsista de Iniciação Científica do Pppg/CNPq

Curso de Psicologia/UFRN

E-mail: thiagopinheiro@hotmail.com

Co-autor: José Q. Pinheiro (orientação)

A crescente preocupação com os níveis atuais de destruição do meio ambiente tem gerado uma maior atenção aos temas ecológicos por parte dos pesquisadores e das pessoas em geral. Este trabalho se propõe a explorar um aspecto importante do posicionamento pró-ecológico que, no entanto, tem sido pouco estudado: o cuidado ambiental. Nosso grupo de pesquisa aplicou um questionário em 355 universitários da cidade de Natal, RN com a intenção de investigar o posicionamento das pessoas em relação a cuidar ou não do ambiente e o tipo de ação que elas qualificam como atividade de cuidado ecológico. O grupo de respondentes foi composto por 229 mulheres e 126 homens, de universidade pública e privada, com média de idade de 22,7 anos (DP = 5,05). Cerca de metade dos universitários (53,2%) afirmaram realizar alguma atividade de cuidado ambiental, dentre os quais a maioria foi constituída por mulheres (69%). Houve associação significativa da prática de cuidado ambiental com deixar contato para participar de campanhas ecológicas e com a postura pró-ecológica medida por escalas consagradas na literatura. A análise de conteúdo das práticas relatadas como atividades de cuidado ambiental mostrouidade de cuidado ambientals como que a expressão do cuidado, na sua maior parte, apresenta aspectos lingüísticos que sugerem positividade e implicação do sujeito na ação. Além disso, a maioria das atividades de cuidado foi apresentada como sendo atual, espontânea e dispendiosa de esforço. Tais aspectos relacionais são configuradores de um ambientalismo que parece genuíno e implica responsabilidade e comprometimento. Os dados explorados apontam para a associação do cuidado ambiental com formas tradicionais de investigação do posicionamento pró-ambiental das pessoas. Considerando ainda que o indicador estudado seja uma forma de comportamento auto-relatado, que se aproxima mais do comportamento real do que as tradicionais medidas disposicionais internas, sugerimos maior atenção ao tema em estudos futuros sobre o ambientalismo das pessoas.

P-104: DEBULHANDO FEIJÃO NO MUNDO RURAL EM CARNAÚBA DOS DANTAS: HISTÓRIAS DE UM LUGAR DE SOCIABILIDADE

Autor/Expositor:

Sidney Santos da Silva

sidneysantossilva@yahoo.com.br

Departamento de História e Geografia, CERES, UFRN

Esp. Helder Alexandre Medeiros de Macedo - Orientador heldermacedo@katatudo.com.br

Programa de Pós-Graduação em História, CCHLA, UFRN

Essa pesquisa faz parte do Projeto Carnaúba dos Dantas: Inventário do Patrimônio Imaterial de uma Cidade do Sertão do Rio Grande do Norte, PRONAC Nº 043906, vinculado ao Ministério da Cultura e financiado pela Petrobras, coordenado pelo mestrando Helder Macedo. Objetivamos compreender quais eram os espaços de sociabilidade no mundo rural de Carnaúba dos Dantas e como as pessoas se relacionavam nesses espaços. Justificamos esse trabalho na perspectiva de valorizar os estudos patrimoniais nos quais se alargam de tal forma que inserem os estudos da historiografia, como também dar visibilidade a essas histórias como patrimônio imaterial dos moradores de Carnaúba dos Dantas. O contato com os narradores nos despertou um interesse pessoal, já que esses eventos nos remetem a um passado festivo e contagiante. O referencial teórico está ancorado no conceito de memória discutido por Jacques Le Goff, Ecléa Bosi e Maurice Halbwachs, e nas discussões sobre Patrimônio Cultural que emergem das obras de Françoise Choay, Maria Cecília Londres Fonseca, Carlos Lemos e Roque de Barros Laraia. A sistematização está pautada na leitura e discussão dos textos teóricos, na etapa de reconhecimento da colônia de narradores, na coleta das entrevistas gravadas, transcrição e digitação das mesmas, tomada da carta de sessão e por fim análise das narrativas tendo em vista a base teórica e o referencial bibliográfico. Quarenta pessoas foram entrevistadas, destas, um número significativo, percorrendo os caminhos da memória revisitaram as lembranças das debulhadas como momentos de encontros, de conversas, de sociabilidades e festividades entre amigos e familiares. Descortinamos esses momentos tatuados na memória dos carnaubenses como formas de socialização e modos de conciliar trabalho, laços familiares e entretenimento, artes de extrair da labuta do cotidiano momentos de atividades aprazíveis e incandescer das teias de relações humanas.

P-105: DOUTRINA E ESPAÇO: Arquiteturas das Igrejas Protestantes e Pentecostais

Autores/Expositores:

Daniel Fernandes de Macedo (aluno)

E-mail: danielfmacedo@click21.com.br

Departamento de Arquitetura/UFRN

Pablo Gleydson de Sousa (aluno)

E-mail: blackspluff@click21.com.br

Departamento de Arquitetura/UFRN

As igrejas evangélicas têm intensificado sua aparição na mídia nacional e o crescimento numérico de certos grupos tem aumentado a procura por espaços de culto, novos ou adaptados. Nesse contexto, o painel propõe uma análise comparativa das tipologias edilícias entre as igrejas protestantes históricas, pentecostais e neopentecostais. São investigados os elementos formais comuns e destoantes desses três grandes grupos e como as influências estilísticas refletem suas ideologias, cosmologias e inserções no mundo religioso e secular, no passado e no presente. O estudo fomenta a pesquisa sobre o espaço sagrado ao tentar compreender as antigas e recentes manifestações religiosas e seu rebatimento no espaço construído.

P-106: ESTUDO ETNOBOTÂNICO NAS COMUNIDADES INSTALADAS ÀS MARGENS DO RIACHO ÁGUAS VERMELHAS (PARNAMIRIM/RN), COMO SUBSÍDIO PARA CONSERVAÇÃO E RECOMPOSIÇÃO DA MATA CILIAR

Autora/Expositora:

Alídia Hernandes Ribeiro

Mestranda em Desenvolvimento e Meio Ambiente

Maria Iracema Bezerra Loiola

Departamento de Botânica, Ecologia e Zoologia – UFRN.

A ocupação dentro do município de Parnamirim iniciou-se de fato após o final da Segunda Guerra Mundial. Desde então os cursos d`água em geral vem sofrendo uma série de agressões, como a remoção da mata ciliar (que causa assoreamento do seu leito), deposição de lixo e esgoto, entre outras, devido a ocupação de suas margens. Esse processo vem ocorrendo, pois, alem da ausência de políticas publicas durante a ocupação do local, verifica-se o desconhecimento da importância do riacho como fonte de recurso mineral e biológico. Antagonizando todo esse processo de devastação, que ocorre em toda Bacia do Rio Pirangi, cerca de 5ha encontram-se bastante preservados desde 1950 como propriedade particular e que, desde 1998, foi transformada na Área de Proteção Ambiental (APA) Hidrominas Santa Maria, que se localiza as margens do riacho Águas Vermelhas. No sentido de dar subsídio à conservação e recomposição da mata ciliar, duas linhas de trabalho foram iniciadas: o levantamento florístico e a realização de entrevistas em um dos bairros que compõem a comunidade ribeirinha do caso (Vale do Sol). Para coleta de material botânico, foram realizadas 12 excursões onde foram registrados 85 taxa, ressaltando-se que esta etapa ainda encontra-se em andamento. A análise comparativa preliminar da flora evidenciou a similaridade com outras áreas já inventariadas no Rio Grande do Norte, presença de espécimes que são tidos como medicinais em outros Estados, e plantas com grande potencial ornamental e paisagístico. A realização de entrevistas conta com 100 depoimentos até a presente data. E estudo dos dados coletados revela entre os entrevistados, o desconhecimento do que é uma APA e da existência de uma na proximidade de suas residências. Mostra também que a grande maioria não utiliza nenhum recurso proveniente da mesma, apesar do uso de medicamentos fitoterápicos.

P-107: JOVEM, ÉTICA E CIDADANIA NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

Autora/Expositora:

Sílvia Maria Jerônimo da Silva – Acadêmica em Artes

almacigana2003@yahoo.com.br

Departamento de Artes - UFRN

Co-autoras:

Maria José Cavalcante de Lima – Profª de Letras Portuguesa

Monique Dias de Oliveira – Acadêmica em Artes

O projeto de caráter interdisciplinar integrou a língua portuguesa e a arte, pretendendo exercitar no jovem a capacidade de desenvolver seu pensamento crítico para atuar na sociedade de forma ética e cidadã nas diversas áreas, assim como ter a responsabilidade de aplicar as informações recebidas. A partir da sensibilização do tema gerador definido pela escola: “Jovem, ética e cidadania no mundo contemporâneo” para o ano letivo de 2004, surgiu a problematização do que é ser jovem neste mundo contemporâneo; quais os desafios que enfrentam e que atitudes geralmente tomam. A partir destes questionamentos, chegamos aos subtemas: Consumo, educação, sexualidade, drogas, participação política, gangs juvenis entre outros. Em grupos, os alunos formularam hipóteses e iniciaram pesquisas, produziram textos e apresentaram seminários com discussões sobre os temas. Após todas estas etapas, eles tiveram um novo desafio que foi de expressar através da linguagem das artes visuais, os temas abordados. A ação oportunizou a todos a aquisição de um novo conhecimento dentro da arte contemporânea: o conceito de ‘instalação’. Sob a orientação da disciplina de arte, foi trabalhada, em sala de aula, a idéia de arte conceitual e desenvolvido a prática que culminou com uma mostra de arte e cultura na Escola Estadual Berilo Wanderley. Ao final do projeto, obteve-se a assimilação dos conteúdos, a identificação dos alunos com os temas, gerando, em parte, mudança de comportamento, construção de uma nova identidade mais crítica e participativa em relação ao grande grupo. Ficou evidente o crescimento da auto-estima, das habilidades, da fluência verbal na hora da exposição, das atitudes de cooperação e respeito em relação às diferenças. Além dos excelentes resultados das instalações, idéia tão pouco difundida e conhecida pelos mesmos, apesar da existência desde a década de 70. Todavia, repercutiu de forma positiva e até mesmo de vanguarda dentro da escola pública.

P-108: MEMÓRIAS DE UMA MODERNIDADE

Autor/Expositor:

Jânio Gustavo Barbosa

Graduando em História

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

janioguga@yahoo.com.br

A motivação contemporânea para o estudo das representações da vida Privada, está na configuração das sociedades ocidentais atuais, nas quais predominam a profusão imagética acelerada e a exploração, pelos meios de comunicação da vida intima, ocorrendo concomitantemente a aceleração de ritmos, da comunicação, tudo baseado na ênfase ao individual e na exposição deste aos olhares do público. Desta forma, tal problema instiga a investigação que é o objetivo geral deste trabalho: entender como a Modernidade foi apresentada na iconografia da vida privada, mais precisamente nos álbuns de família que acabaram, junto com os ícones da intimidade e os cartões postais, por se tornar símbolos de uma época, e como esta mesma iconografia retrata as transformações ocorridas no fim do século XIX até a década de 1940 do século XX. A metodologia usada para este trabalho foi a análise de representações fotográficas presentes no final do século XIX e início do século XX, principalmente as representações voltadas a família, bem como, a leitura de teses e dissertações que tratam do assunto.

P-109: Mutirão por autogestão

Expositor:

Cecília Marilaine Rego de Medeiros

Aluna do 5º período do curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo da UFRN

Co-autor(es):

Amadja Henrique Borges – Profa. Dra. do Departamento de Arquitetura da UFRN

Departamento de Arquitetura – CT

E-mail: amadja@ufrnet.br ou cecília.marilaine@bol.com.br

O Departamento de Arquitetura da UFRN, através do Grupo de Estudos em Reforma Agrária e Habitat, desde 1994 presta assessoria aos movimentos populares no processo construtivo dos habitats dos Assentamentos de Reforma Agrária no Rio Grande do Norte. Em 2003, sob solicitação de Direção Estadual do MST, teve início, com o projeto de extensão universitária Assentamento do MST: O Habitat do Maria da Paz, a assessoria aos moradores desse assentamento, em João Câmara. O projeto passou por muitas etapas, dentre elas o zoneamento agro-ecológico da área, principal subsídio para os projetos de parcelamento do solo, de escolha dos locais de moradia e de trabalho, e demais projetos específicos, tanto do habitat, como os de produção. A orientação da autogestão ocorreu durante a construção do habitat do assentamento (agrovila). A construção em mutirão possibilitou, dentre outras coisas, a melhoria na qualidade e a otimização do custo-benefício do Crédito Habitação, cada unidade passando de 43m² (padrão do INCRA) para 68m². A implementação do planejamento participativo, que envolveu todos os agentes do processo (a Universidade, o INCRA, a Coordenação do Movimento e assentados), resultou em uma metodologia de mutirão em linha de balanço que garantiu, enquanto acompanhada, a participação dos próprios assentados na gestão e construção de suas casas. Apesar da orientação quanto à gestão da remuneração (limitada), os construtores (assentados) demoraram a perceber que teriam que dividi-la por etapas. Só quando ela acaba melhora seu interesse pela qualidade da habitação. A utilização da ciência em projetos populares como este, objetivando a organização do trabalho e educação formal e específica de mão-de-obra especializada está em processo de elaboração e análise pelo GERAH e configura como uma alternativa as necessidades específicas dos projetos populares.

P-110: Narrativas de memórias do Sítio Breu

Autoras/Expositoras:

Aldinida de Medeiros Souza

(Base de pesquisa sobre Cultura Popular/UFRN)

Ivani Machado

(Grupo de Cultura Popular Calembar)

O presente trabalho busca evidenciar, através das Narrativas de Memórias dos antigos moradores do Sítio Breu, a relevância da oralidade que compõe as músicas e teatralizações, dos folguedos de São Gonçalo do Amarante. O Breu, como é chamado, encontra-se hoje desabitado. Mas as memórias do lugar estão vivas, nos poucos habitantes que restam dos muitos que povoaram o sítio.

P-111: NOS PASSOS DA HISTÓRIA: DAS SALAS DE AULA ÀS RUAS.

Autoras/Expositoras:

Cristiane Monteiro Aragão;

Rosangela Monteiro Aragão;

E-mail: monteironatal@yahoo.com.br

Nosso trabalho é o resultado de uma proposta de retirar a história do Rio Grande do Norte, mais especificamente da cidade de Natal, de dentro da sala de aula, levando o aluno a conhecer a realidade do acontecimento in loco. Através de visitas dos pontos históricos o aluno terá a possibilidade de compreender e analisar a história da cidade por meio da observação e conhecimento dos locais visitados. Nesse contexto o professor permite ao aluno, através da percepção visual do espaço, compreender e analisar, por meios próprios, fragmentos da história local. Para isso realizar esse trabalho fizemos uso de aulas de campo, visitas em grupos a locais previamente determinados, em que os alunos puderam ver os cenários dos acontecimentos além de receberem explicações teóricas dos mesmos. O objetivo final do nosso projeto foi fazer com que o aluno produzisse conhecimento, pois, após visita, os alunos prepararam relatórios referentes às aulas dadas.

P-112: O CONSUMO DE ÁLCOOL NAS FAMÍLIAS DE ADOLESCENTES E JOVENS ESTUDANTES EM NATAL E OS PROBLEMAS CAUSADOS POR ESSA PRÁTICA

Autoras/Expositoras:

Monique Brito

Bolsista de iniciação científica CNPq

Magda Dimenstein (Orientadora)

Emanoel Lima

O consumo de álcool é um fenômeno mundial que ultrapassa fronteiras nacionais, culturais, sociais, políticas e econômicas. Dentre todas as drogas lícitas e/ou ilícitas, é a mais consumida em todas as sociedades. É considerado problema de saúde pública pelo fato de seu uso abusivo resultar em inúmeras complicações que abrangem as áreas física, judicial, profissional, escolar, social e familiar, sendo muitas vezes associado ao crime e à violência, seja como causa direta ou relacionada. A adolescência é considerada como a etapa do desenvolvimento humano onde o indivíduo encontra-se mais vulnerável e exposto ao uso de substâncias psicoativas. Com base nisso, realizou-se uma investigação abrangendo questões como o uso de álcool e outras drogas, porte de armas, envolvimento em conflitos corporais, bem como vivência de violência policial por adolescentes e jovens estudantes de uma escola pública de bairro periférico de Natal, com idades entre 13 e 24 anos que estão cursando o Ensino Fundamental II, o Ensino Médio e o Supletivo. Foram aplicadas entrevistas semi-estruturadas com 35 adolescentes e jovens. Nesse trabalho, objetiva-se apresentar e discutir os dados específicos a respeito do consumo de álcool por essa população e sua família, articulando aos aspectos sócio-demográficos, aos dados escolares, bem como aos aspectos que podem influenciar esse consumo, segundo os participantes. Além disso, apontar os problemas que podem ser causados pelo consumo de álcool, na perspectiva dos jovens e a presença ou não na comunidade de bases de apoio formais ou informais que ajudem os jovens a lidar com essa questão. De acordo com os resultados obtidos, não foi identificada a presença de bases de apoio formais ou informais que estivessem voltadas para essa temática ou mesmo que, indiretamente, contribuíssem para o enfrentamento dessa situação ou na minimização de seus efeitos na vida desses adolescentes e jovens.

P-113: O OLHAR DO ARQUITETO NOS ASSENTAMENTOS RURAIS DO RN

Expositoras:

Rosa de Fátima Soares de Souza

Mestranda em Arquitetura e Urbanismo

E-mail: rfsouza@digi.com.br

Cinthia Soares de Oliveira

Arquiteta

E-mail: cinthiasoares@terra.com.br

Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo – PPGAU

Autoras:

Rosa de Fátima Soares de Souza – Mestranda em Arquitetura e Urbanismo

Cinthia Soares de Oliveira – Arquiteta

Camila Azevedo Fernandes de Figueiredo –Arquiteta

Experiência acadêmica nos assentamentos rurais, dentro dos municípios de Mossoró (Paulo Freire e Eldorado Carajás) e João Câmara (Santa Terezinha, Marajó, Boa Sorte, TTL e Maria da Paz). Acampamento é a fase anterior, que corresponde à etapa inicial de luta pela concessão de terra do Estado, existe uma forte coesão do grupo pela causa comum - terras para desenvolvimento de atividades produtivas e moradia. Caracteriza-se sobretudo pela ocupação nas proximidades de propriedades rurais; barracos construídos com plástico preto e/ou amarelo, com precária estrutura em madeira tosca e existência de liderança vinculada ao movimento nacional dos Sem Terra. A percepção dos assentamentos rurais quanto aos aspectos da tipologia do habitat rural, condições de vida, economia e organização são bastante enriquecedoras tendo em vista que a filosofia premente é a reforma agrária, entretanto a realidade é a concessão de terra e o sonho da moradia individualizada. Quando há a inserção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, através de suas lideranças, nota-se um grau de organização comunitária, todavia em assentamentos onde a liderança é atrelada a outro movimento ou mesmo quando já houve a retirada de lideranças vinculadas aos movimentos rurais nacionais existe um visível declínio na organização interna e esmaecimento do inicial objetivo comum - Terra para produção. Dentre os assentamentos visitados a diferenciação de tratamento do espaço produtivo e edificado era contundente, a apreensão de maior influencia do movimento organizado foi no assentamento Eldorado Carajás (antiga fazenda Maisa), contudo há uma lacuna quanto ao aproveitamento da terra produtiva e o escoamento da produção (acerola) para o mercado local, no Maria da Paz houve uma organização quanto a tipologia do habitat, no que se refere à racionalização de materiais e aproveitamento de espaços internos, houve a participação do arquiteto no projeto da moradia. Porém a atividade produtiva é ainda diminuta.

P-114: O SURGIMENTO DA ESCRITA: DO ONTEM AO HOJE

Autoras/Expositoras:

Izana Maria Araújo Fernandes

Rutilene Santos de Sousa Melo

Professoras do NEI/UFRN

Orientadora: Ruth Regina Melo

O presente trabalho foi desenvolvido no Núcleo de Educação Infantil – UFRN - junto a vinte crianças, com cerca de mais ou menos seis anos de idade. O tema de pesquisa “Como Surgiu a Escrita” foi definido pelo grupo devido à efervescência das questões relativas ao processo de apropriação da leitura e da escrita. Consideramos importante que as crianças pudessem compreender este processo como uma construção social humana, elaborada por diferentes povos, em diferentes épocas e contextos, objetivo definido para esse trabalho, e, percebessem a familiaridade do processo percorrido por cada uma enquanto se apropriam desse sistema. Como procedimento metodológico realizamos leituras acerca do modo de vida da sociedade primitiva; passando pela Mesopotâmia para conhecemos a vida dos povos Sumérios e a escrita cuneiforme; seguindo pelo Egito para conhecer a escrita hieroglífica; com os Fenícios descobrimos o primeiro alfabeto; estudando a cultura grega descobrimos as contribuições desse povo para a constituição do alfabeto latino - utilizado na atualidade. As sínteses dessas leituras aconteceram através de registros com desenhos e escritas das crianças que nos possibilitou ir montando, ao longo do estudo, uma linha de tempo dividida em “História e Pré-história”. Para que as crianças conhecessem os diversos portadores de escrita utilizados por esses povos realizamos algumas vivencias: com a fibra da bananeira fizemos o “bananiro”; escrevemos em placas de argila; fizemos papel vegetal; reciclamos papel, entre outros. Foi realizada uma grande exposição com todo o material produzido pelo grupo durante o estudo. Refletindo acerca do trabalho desenvolvido, consideramos que para a sua realização, foi fundamental o envolvimento do grupo e a participação dos pais enviando materiais, compartilhando experiências enquanto produtores/construtores de conhecimento na instituição UFRN, como também o envolvimento dos mesmos na organização da exposição final, quando todo o conhecimento elaborado foi compartilhado com a comunidade escolar.

P-115: O uso do PRAD como um instrumento para recuperação de áreas degradadas

Autor/expositor:

Ilton Araújo Soares

Vínculo: aluno e bolsista voluntário da Base de Pesquisa Espaço e Poder.

Departamento: Geografia

e-mail: iltonet@yahoo.com.br

A atividade de mineração é uma das principais responsáveis pela extração de recursos naturais para atender as demandas humanas. Entretanto é também uma das atividades que mais degradam o meio ambiente, principalmente quando a extração mineral se dá em minas a céu aberto, onde a cobertura vegetal e a camada de solo são retiradas para que se possa lavrar o minério. Nesse sentido, torna-se necessário a implantação de tecnologias que mitiguem os impactos causados por esses empreendimentos. Um dos instrumentos utilizados para recuperar estas áreas é o PRAD – Programa de Recuperação de Áreas Degradas, que consiste numa série de técnicas que visa reabilitar áreas que sofreram alterações de suas características naturais, através de planos preestabelecidos, restabelecendo sua cobertura vegetal e proporcionando um novo uso para aquele sítio. Tendo como suporte a perspectiva do desenvolvimento sustentável pretendemos neste trabalho mostrar o PRAD como uma técnica para recuperação de áreas degradas, usando como exemplo a atividade de mineração, em que, amparados na bibliografia especializada, mostraremos estudos de casos de empresas minerais que utilizam o PRAD em suas atividades extrativas como um instrumento para a exploração sustentável dos recursos naturais.

P-116: PAÇOS CULTURAIS DA CIDADE DO SOL: RELAÇÕES URBANISMO-LAZER

Expositoras:

Ana Julinda de Oliveira Góes

Jeffersiane Letieri Marinho de Souza

Acadêmicas do Curso Superior de Tecnologia em Lazer e Qualidade de Vida do CEFET-RN.

Autores:

Maísa Carvalho de Souza e Juliana Dantas Rocha

Acadêmicas do Curso Superior de Tecnologia em Lazer e Qualidade de Vida do CEFET-RN e graduandas do Curso Superior de Comunicação Social - Jornalismo da UFRN.

Tatiana Gomes de Souza Medeiros, acadêmica do Curso Superior de Tecnologia em Lazer e Qualidade de Vida do CEFET-RN e graduanda do curso Superior de Serviço Social da UFRN.

O estudo que segue objetiva apontar espaços culturais de lazer urbanos da esfera pública e privada da Cidade do Natal, localizada no Estado do Rio Grande do Norte, conhecida turisticamente por Cidade do Sol. Para tanto, busca-se entender o papel da urbanização no mundo moderno e a ocorrência de uma procura por qualidade de vida. Nesse meio, enfocando as relações da modernidade, de mercado capitalista, bem como a importância de áreas livres, utiliza-se de uma metodologia de característica exploratória-explicativa, resultando numa fundamentação teórica composta pelos respectivos tópicos: Lazer: um direito; Urbanização: um fato; Cidade: turbilhão de complexidades; Natal: Cidade do Sol; Paços Culturais e Qualidade de Vida. A pesquisa vem a suscitar, no universo contemporâneo, uma necessidade de se aproveitar de forma multifacetada e eficaz os espaços destinados ao prazer, produzindo sujeitos críticos, concebedores do elemento lazer enquanto expoente ímpar à qualidade de vida. Assim, o lazer desponta reclamando uma prática atrelada à atuação profissional responsável, livre iniciativa e gratuidade, expoente de espaços compreendidos como ambientes de relações humanas, nos quais se resguardam riquezas inestimáveis à história de um povo, pois que remetem formação de sistemas e modo de viver em sociedade.

P-117: Polícia e Violência: Um Estudo Sobre o Cotidiano de Jovens da Periferia de Natal/RN.

Autor/Expositor:

Emanoel José Batista de Lima

E-mail: emano_lima@yahoo.com

Co-autora: Monique Brito

Orientadora: Magda Dimenstein

Departamento de Psicologia

Violência é um fenômeno contemporâneo, complexo, multifacetado; trata-se de um dispositivo de poder que supõe uso da força e coerção, podendo causar algum dano individual ou social. Diante do contexto de violência e pobreza em que vivem jovens de Natal/RN, esta pesquisa buscou identificar dados sobre a violência policial em um dos bairros mais pobres da cidade. Entrevistamos 35 jovens estudantes, de 14 a 23 anos, acerca da temática da violência policial. Indagamos aos participantes desta pesquisa se eles consideravam a polícia local violenta ou não. Muitos entrevistados consideraram a polícia violenta: dos 35 participantes, 22 responderam afirmativamente. Investigamos também os motivos pelos quais a polícia age de forma violenta. A maioria (22) dos entrevistados atribuiu às práticas violentas dos policiais à inversão de valores presentes na sociedade onde se dá mais proteção aos marginais do que cuidar da população não envolvida com crimes. Outros 11,44% (04) consideraram que os atos de violência são ocasionados devido ao status da profissão de policial. Uma pequena parcela, 8,57% (03) afirmou que os policiais são violentos por que atuar com violência faz parte de seu trabalho, ou seja, são práticas de violência legitimadas socialmente. Uma parcela ainda menor 5,71% (02), afirmou que atos de violência ocorrem devido à corrupção presente entre os policiais. A mesma quantidade de jovens relatou que a violência perpetrada por policiais se deve ao consumo de bebida ou outras drogas por parte dos mesmos. Duas pessoas relataram não saber os motivos que levam um policial a ter condutas violentas. Concluímos que, principalmente nas comunidades carentes, a polícia não vem cumprindo sua função, sendo considerada corrupta e violenta. O que podemos questionar é que medidas devem ser tomadas para mudar tal situação, fazendo com que a polícia exerça seu papel e atue de modo a proteger a população.

P-118: POR UMA EDUCAÇÃO DO OLHAR: BUSCANDO AS INTERFACES ESTRE TELEVISÃO E EDUCAÇÃO INFANTIL

Autor/Expositor:

Sandro da Silva Cordeiro

sandcord8022@yahoo.com.br

Programa de Pós-Graduação em Educação/UFRN

Orientadora: Maria das Graças Pinto Coelho

O mundo contemporâneo encontra-se imerso numa teia de transformações engendrando uma nova concepção de homem, de identidade e de sociedade. As mídias, incorporadas em seus diversos suportes, estão inseridas neste ambiente trazendo consigo a possibilidade de acesso a uma grande quantidade de informações. Neste cenário encontramos as instituições educativas, sendo confiadas a estas a responsabilidade de democratização do conhecimento, incluindo também o acesso aos bens tecnológicos e midiáticos. O docente é considerado o agente impulsionador desta mudança, tendo a missão de preparar os indivíduos para viver esses novos tempos, visando uma formação voltada para a cidadania cultural. Incorporar o conteúdo midiático no cotidiano escolar é uma atitude necessária e deve ser cultivada, tendo em vista a sua presença constante no cotidiano das crianças desde a mais tenra idade. Com base nesses pontos levantados propomos o desenvolvimento deste projeto de dissertação. Objetivamos investigar a relação criança/televisão, discutindo o entrelaçamento estabelecido entre Educação Infantil e a mídia televisual, destacando o papel do professor neste processo. Acionaremos o seguinte acervo bibliográfico: BASSEDAS (2003), BELLONI (2001), MARTÍN BARBERO (1999), PFROMM NETTO (1998). É depositada nos educadores a missão de esclarecer acerca do poder da televisão, buscando artifícios para avaliar a programação veiculada e estabelecendo uma discussão crítica a respeito do que está sendo consumido, contribuindo para o desenvolvimento intelectual, sócio-afetivo infantil e a transformação das informações em conhecimento significativo.

P-119: PRESENTE DE NEGRO: RELAÇÕES DE COMPADRIO ENTRE NEGROS E BRANCOS NA CAPITANIA DO RIO GRANDE DO NORTE.

Autor/Expositor:

Sebastião Genicarlos dos Santos.

Discente do curso de História

CERES/UFRN

E-Mail: genicarlos2000@yahoo.com.br

Não raramente encontramos na historiografia, alusões às relações de compadrio entre escravos e senhores, onde o principal motivo para que ocorresse esse tipo de relação era a intenção de adquirir pecúlio para a compra da alforria dos escravos. Este é o ponto de vista pelo qual a família escrava seria beneficiada, pois um de seus membros estaria sob a “proteção” de alguém com grandes possibilidades de ajuda-lo a livrar-se da condição de escravo. Mas, e o senhor o que ganharia com isto? Não é refutável a idéia de que ao tornar-se padrinho de um escravo o senhor cumpriria o papel de um benevolente religioso. Em contrapartida receberia como PRESENTE DE UM NEGRO, a responsabilidade de doar uma pequena parte dos seus bens a um não parente, a fim de propiciar a compra de sua alforria. Neste sentido, objetivamos estudar essas relações na região que compreende o atual Seridó (Capitania do rio Grande) durante o século XVIII. Para tal usamos como base de dados os inventários post mortens do fundo da comarca de Caicó/1º Cartório Judiciário, hodiernamente, sob a guarda do LABORDOC (Laboratório de Documentação Histórica) UFRN. Estes documentos também subsidiam as pesquisas da equipe que compõe o projeto “Sangue da Terra: história da Família Seridoense Colonial”, coordenado pelo professor Muirakytan Kennedy de Macedo. Realizamos ainda uso das leituras e inspirações historiográficas de Cristiany Rocha (2004), Mary Karash (2000) e Denise Monteiro (2002). O diálogo com as fontes nos fez “saber” que no recorte espacial da pesquisa, ocorria também este tipo de prática cultural, onde em dezessete inventários pesquisados e palmilhados constatamos a incidência desse costume, em cinco documentos. Isto evidencia o fato de que pelo menos neste aspecto a escravidão tecida no Seridó não diferia da forma praticada em outras regiões da América Portuguesa. Embora, esta apresentasse suas peculiaridades.

P-120: PROCESSOS DE GLOBALIZAÇÃO E NEOLIBERALISMO: Elementos de uma abordagem relacional do cenário mundial contemporâneo

Autora/Expositora:

Ivaneide Oliveira da Silva

Mestranda Em Ciências Sociais

ivanneideoliveira@yahoo.com.br

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Departamento de Ciências Sociais

Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais

Apoio: CAPES

As últimas três décadas evidenciaram profundas mudanças atreladas à globalização. Esta tem sido alvo de várias interpretações que tendem a atribuir-lhe um efeito ou potencialidade maior do que realmente lhe é devido. Esse trabalho visa destacar perspectivas teóricas que desnaturalizam os processos de globalização e evidenciam seus aspectos positivos e negativos, ressaltando os conflitos existentes na sociedade. Partindo de pesquisas bibliográficas, destacamos o papel das decisões políticas locais, embora muito pressionadas pelo ideal neoliberal, como o “motor” da reprodução de processos políticos contra-hegemônicos, construídos às margens da globalização neoliberal.

P-121: PROGRAMA GERAÇÃO CIDADÃ: REDESCOBRINDO UM NOVO CONCEITO DE ALFABETIZAÇÃO PARA JOVENS E ADULTOS

Autoras/Expositoras:

Claudiana Telles de Oliveira

claudianatelles@oi.com.br

Silvia Sales Medonça

silvinhasaless@ig.com.br

Departamento de Educação – UFRN - CCSA

O interesse desse Pôster nasceu de nossas experiências como alfabetizadora e posteriormente como coordenadora pedagógica na alfabetização de jovens e adultos, no Programa Geração Cidadã. A temática aqui a ser desenvolvida abordará as propostas educacionais promovidas pelo programa Geração Cidadã em sua atuação ao longo dos seus cinco anos de existência.O nosso objetivo principal é a divulgação do trabalho que está sendo realizado frente à alfabetização desses jovens e adultos com pouca ou nenhuma escolaridade no contexto do programa já mencionado acima.Esse programa iniciou-se suas atividade em 2001 como projeto piloto, com a formação apenas de 50 turmas em Natal. No decorrer do tempo ele foi sendo reformulado chegando a formação de 200 turmas nas mais diversas esferas da sociedade, utilizando espaços como: escolas, igrejas, associações de moradores, etc. O programa aborda questões pedagógica como a formação do ser integralmente, trabalhando sua sociabilidade respeitando sua individualidade e formando para sua inserção na sociedade de maneira satisfatória. Para isso, defendemos o trabalho com atividades educacionais diferenciadas, acreditando que essas atividades são auxiliares no projeto de alfabetização dos indivíduos; Tais como: ateliês, aulas passeios, trabalhos com incentivo a Oralidade (palestras, debates), cursos artesanais, além de contar com o projeto “corpo e memória” que utiliza atividades corporais aliada a cultura e praticas de danças e folguedos populares.Um dos diferencias do programa é manter um ambiente alfabetizador acolhedor, bem como trabalhar a afetividade como fator determinante em todos os projetos desenvolvidos, implicando na construção de um novo conceito de alfabetização mais voltado para o atendimento das atividades educacionais e que estão implicitamente interligadas as carências afetivas dos alunos. Essa abertura afetiva é uma maneira que o educador encontra para mostrar suas verdadeiras intenções na prática educativa.

P-122: Projeto Mídia e memória: estudo dos documentos sonoros das emissoras de Rádio
da cidade do Natal-RN (1941-1955)

Autora/Expositora:

Edivânia Duarte Rodrigues e Érica Conceição Silva Lima (alunas)

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Departamento de Comunicação Social

5edirodrigues@bol.com.br

Orientador: Prof. Dr. Adriano Lopes Gomes

Este projeto se apresenta como uma proposta de pesquisa interdisciplinar entre Comunicação Social e História, cuja relevância recai sobre a necessidade de conhecer e analisar os registros sonoros das emissoras de rádio da cidade do Natal – RN (1941-1955). Para reconstituir a memória radiofônica da primeira emissora de rádio do Rio Grande do Norte, a Rádio Poti, foram realizadas entrevistas abertas com oito informantes, categorizados como profissionais e ouvintes da emissora. A pesquisa delimitou a grade de programação desenvolvida pela Poti, contextualizada nos programas de auditório, de humor, radionovelas e radiojornalismo.

P-123: Quem Casa Quer Dote: de como a mulher era inserida na ordem familiar hierárquica colonial (Vila Nova do Príncipe, Capitania do Rio Grande. 1754 - 1795).

Autor/Expositor:

Rosenilson da Silva Santos

Discente do curso de Licenciatura Plena e Bacharelado em História

E-mail: rosenilsonsantos@yahoo.com.br

Muirakytan Kennedy de Macêdo

Prof. Ms do Departamento de História e Geografia - UFRN/CERES/CAICÒ

E-mail: muirakytan@uol.com.br

A América portuguesa do século XVIII viveu um momento de ricos intercâmbios culturais, época de transmissão, criação e transformação de costumes. No entanto, pouca coisa mudou no sentido de transformar a “marginalização” e a exclusão social das mulheres. Na Vila Nova do Príncipe, Capitania do Rio Grande, também se evidenciou esta realidade. O dote para aquelas famílias de posses foi um dos mecanismos de integração da mulher na ordem familiar hierárquica colonial. Porém, se as colocavam na possibilidade de sair da condição de solteira, novamente as aferravam ao casamento cuja cabeça-de-casal era na maioria das vezes o homem, administrador de todos seus bens. Nossa pesquisa trata destas mulheres dotadas no século XVIII em uma região pecuarística. Nossas leituras ancoram-se em obras de Muriel Nazzari (2001), Sheila de Castro Faria (2002) e Maria Beatriz Nizza (1998). A atividade de pesquisa iniciou-se pelo mapeamento das fontes, inventários post-mortem e testamentos do século XVIII, do Fundo da Comarca de Caicó, atualmente sob a guarda do LABORDOC (Laboratório de Documentação Histórica – CERES/UFRN). Quarenta e cinco documentos – de um total de oitenta e dois que o fundo dispõe para o século mencionado - foram catalogados, transcritos e feita a coleta de dados que povoam um banco de dados da pesquisa de doutoramento, coordenada pelo Prof. Muirakytan Kennedy de Macêdo, da qual fazemos parte como bolsista voluntário.

P-124: Rádios comunitárias na construção da cidadania.

Autor/Expositor:

Alexandre Ferreira dos Santos

estudante de Comunicação Social - UFRN

e.mail: alexandrehomestudio@bol.com.br

As rádios comunitárias podem desempenhar um papel muito importante no desenvolvimento da cidadania. Quando geridas democraticamente representam o espaço do cidadão. O espaço em que a pessoa e suas organizações coletivas, de uma dada localidade, podem se apropriar de um canal de comunicação e colocá-lo a serviço dos interesses e necessidades da comunidade.Esta proposta visa discutir a importância das rádios comunitárias na construção da cidadania, estimulando a cultura local e atuando como instrumento a serviço da democratização da comunicação por isso, levanta alguns questionamentos e mostra-se de extrema relevância uma vez que as rádios comunitárias estão cada vez mais presentes nas pequenas cidades e grandes centros, um estudo como esse procura fornecer subsídios para uma avaliação mais consistente desse novo panorama da comunicação social no Brasil.

P-125: Resgate popular pelo erudito

Autora/Expositora:

Maria Tânia Florentino de Sena

E-mail: mariataniaflorentino@yahoo.com.br

Aluna especial do PPgEL

UFRN

Este estudo tenta expor os traços semelhantes e díspares entre o poema A morte do touro mão de pau de Ariano Suassuna e o romance Boi da mão de pau de autoria do romanceiro potiguar do ciclo do gado Fabião das Queimadas. Ariano Suassuna fundador do Movimento Armorial busca na arte popular bases para sua produção intelectual. Neste poema, é notório que o poeta tem conhecimento da cantoria sertaneja e a reconta à sua maneira. Dentro do contexto da recriação, é permitido fazer a comparação do artista armorial com o narrador benjaminiano. Walter Benjamin diz que o grande narrador tem sempre suas raízes no povo, principalmente nas camadas artesanais. Isso é o que o “Arauto do Movimento Armorial” faz: colhe na cultura popular para criar.

P-126: Somos Todos Iguais!

Autora/Expositora:

Fabiana Ferreira Batista

Departamento de Educação / UFRN

fabibatista_rn@hotmail.com

Este estudo busca analisar o processo de inclusão dos alunos especiais na escola regular, ancorado neste o portador de Síndrome de Down. Falar da inclusão de portadores de Síndrome de Down significa entender que seu grau de desenvolvimento e socialização pode ser bastante satisfatório quando os mesmos passam a ser vistos como indivíduos capazes de fazer parte de um mundo designado para habilidades e competentes. Deste modo a formação de jovens portadores de síndrome de Down deve começar a partir do nascimento, continuar na infância e na adolescência, sujeitos a adaptações curriculares e metodologia próprias. Os alunos com essa deficiência é capaz de compreender suas limitações e conviver com suas dificuldades, 73% deles tem autonomia para tomar iniciativas, não precisando que os pais digam a todo momento o que deve ser feito. Isso demonstra a necessidade/possibilidade desses indivíduos de participar e interferir com certeza autonomia em um mundo onde “normais” e deficientes são semelhantes em suas inúmeras indiferenças. Esta analise partiu de uma observação direta, na Escola estadual Professor Luiz Gonzaga, na cidade de Natal, com o objetivo de conhecer de perto o desenvolvimento da aluna Débora Seabra, dentro da observação proposta nos detemos nos fatores como: posição dos pais, histórico da criança, estrutura da escola e a sala de aula. Ao estudar os detalhes de todo esse processo de inclusão é perceber de perto que um dos objetivos para esta inclusão é o desenvolvimento e programas criativos e ações que resultem em melhor qualidade de vida destas crianças, fazendo com que elas se tornem mais autônomos na sala de aula, interiorizando regras de vida social, reunindo também um conjunto de experiências integradas e vivenciadas globalmente, lhe permitindo funcionar relacionar-se, comunicar-se, jogar e divertir-se no contexto familiar e escolar.

P-127: STRESS OCUPACIONAL: UM ESTUDO COM OS PROFISSIONAIS MÉDICOS

Expositora:

Eliane Medeiros Costa

Psicóloga, Psicopedagoga, Mestranda do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Autoras:

Ana Lúcia de Souza Carvalho

Vânia de Vasconcelos Gico

Íris do Céu Clara Costa

Em conseqüência da globalização econômica e tecnológica informatizada, dentre outros motivos, o homem vive hoje um intenso processo de mudança, tendo cada vez menos tempo para refletir o seu dia a dia, afetando sua qualidade de vida. O stress, um dos maiores vilões do nosso tempo vem interferindo significativamente no cotidiano das pessoas, tornando-as, mais vulneráveis. É um mecanismo de adaptação do organismo frente a alguma ameaça, pressão ou fortes emoções demandadas do meio ambiente externo que interferem e trazem conseqüências ao organismo humano. A ênfase deste trabalho que se baseou no referencial humanista e existencial, concentra-se no stress ocupacional dos médicos, profissionais que sofrem constantes pressões. O diferencial dos demais profissionais é que o médico lida com a vida humana, tornando-se responsável pelo seu cuidado. O objetivo desse trabalho foi verificar o stress de sete especialidades médicas, anestesiologia, cirurgia geral, ginecologia, ortopedia, oftalmologia, pediatria e psiquiatria. A pesquisa foi de natureza exploratória, tendo uma amostra estratificada de 67 sujeitos, escolhidos aleatoriamente de um universo de 841 médicos das especialidades supra citadas, dado concedido pela Associação Médica do Rio Grande do Norte. A metodologia teve por base a análise quantitativa e o instrumento de coleta utilizado foi o Inventário de Sintomas de Stress para Adultos de Lipp (ISSL). Os dados foram analisados pelo Statistical Parcket for Social Science/99 (SPSS). Os resultados apontam para um maior percentual de stress em anestesiologistas e psiquiatras, observando-se uma predominância da fase de resistência em profissionais com faixa de renda até 15 salários mínimos, assim como os que trabalham em três turnos. Considerando-se as evidencia de stress nesses especialistas, o estudo revela a emergência do cuidado para com o profissional cuidador responsável pela vida do outro. Evidenciam-se implicações sociais, relacionais e humanas, bem como institucionais, uma vez que faltam condições laborais para o bom desenvolvimento das atividades profissionais, o que tem levado os médicos a buscarem complementação salarial, comprometendo seu profissionalismo e sua qualidade de vida.

P-128: Templo e Poder: o caso de algumas igrejas evangélicas em Natal/RN

Autores/Expositores:

Anaxsuell Fenando

pranaxs@yahoo.com.br

Priscila Vieira Ferreira

irmapriscila@bol.com.br

Vínculo: Graduandos do curso de ciências sociais (UFRN)

O presente trabalho mostra a relação existente entre os templos de igrejas evangélicas na cidade do Natal e sua prática religiosa, doutrinária e política. Segundo teóricos, o espaço determinado aos rituais litúrgicos é um lugar de comunicabilidade com o céu – representação do céu na terra – onde o cosmo sustenta-se e as impurezas são exorcizadas, exercendo uma função soteriológica importante. Com o crescimento do número de evangélicos, e, por conseguinte, do número de denominações, este espaço consagrado à prática dos ritos ganhou uma nova função – configurando-se como um elemento distintivo entre tais denominações. Atestando a qualidade das suas práticas litúrgicas e simbólicas, com vias de arregimentar novos adeptos a estes grupos. Desta forma, a grandeza e o sucesso destas instituições está proporcionalmente relacionada com a magnitude arquitetônica do templo utilizado para tais práticas. Quanto maior e mais belo for este, mais eficiente será a instituição e, portanto, apta e eficaz na resolução dos dilemas e mazelas vividas pelos indivíduos, conseqüentemente possibilitando o aumentando da sua demanda. Um número maior de fieis por sua vez viabilizará a construção de novos templos – ainda maiores e mais impactantes – com os mesmos fins. Percebe-se que a idéia vigente em algumas denominações de crescimento como fim último da religião, fez gerar um ciclo vicioso e assim, passível de análise. O crescimento, porém, não é só no tamanho do templo ou do número de fiéis, mais cresce também a influência dessas igrejas na sociedade através da relação do poder político e cultural que elas estabelecem.

P-129: Trabalho Infantil Doméstico : Lugar de criança não é na cozinha

Autora/Expositora:

Márcia Alves de Mello e Silva

Aluna do Departamento de Serviço Social

e-mail : marciamello_silva@yahoo.com.br

A proposta de painel é provocar o debate sobre a questão do Trabalho Infantil Doméstico, uma realidade que afeta milhares de meninas, essas trabalham como empregadas domésticas, durante uma fase da vida , que deveriam se dedicar a escola. O painel será composto por dados estatísticos, síntese da legislação brasileira que protege e assegura os direitos das crianças e dos adolescentes, visto a grande necessidade de conscientizar para a total erradicação do Trabalho Infantil Doméstico, esse trabalho deslumbra a transmissão de informação , para conscientizar para um problema que acontece dentro de casa, um ambiente “velado” pela Constituição Federal Brasileira.

P-130: Venha ver a semana santa: Os ritos pascais numa comunidade potiguar

Autora/Expositora:

Andreia Regina Moura Mendes

Mestranda do programa de pós graduação em Antropologia social- UFRN

andreia.reginarn@lycos.com

Os rituais fazem parte da sociedade e expressam os seus valores e representações, comunicando através dos seus símbolos os significados das suas crenças. O fenômeno religioso em análise é o rito da semana santa, repetido por diversas gerações na comunidade potiguar do Venha Ver, no oeste do estado do Rio Grande do Norte. Neste município, as formas rituais são os vínculos que conferem a identidade religiosa e estreitam os laços de parentesco e de colaboração entre todos da localidade. O objetivo deste trabalho é buscar estudar o significado positivo deste fenômeno religioso e entender a sua importância para a compreensão das relações sociais encontradas no Venha Ver. Os ritos pascais começam com a celebração do Domingo de Ramos, quando o pároco faz a tradicional benção dos ramos e folhagens levados pelos fiéis para a missa. Desta tradição surgiu o hábito de confeccionar uma cruz de palha e colocar na porta de entrada com a garantia que a mesma vai proteger de todos os malefícios e infortúnios. Por toda a semana santa se repete um conjunto de práticas, há muito desaparecidas em outras localidades, como o costume da esmola entre vizinhos e compadres e a obrigação de retribuição do que é recebido. O hábito de malhar um boneco como sendo o próprio discípulo Judas é muito forte e mobiliza crianças e adultos na farra. As senhoras idosas, correm para cobrir com panos brancos as imagens religiosas e ainda afirmam que "é pra Deus não ver Judas passar". Doravante, buscaremos expor o trabalho já realizado e fazer uma análise do rito para descobrir o que Durkheim havia anunciado, como a sociedade pode através de seus ritos e crenças recriar a si mesma e tomar consciência da sua vida social.

P-131: Verificação da Efetivação do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), nos Núcleos de Ação Social de Cidade Nova e Praia do Meio

Expositores:

Keila Karoline Souza do Nascimento

Andreza Barbosa da Silva.

Autores:

Andreza Barbosa da Silva, Estelita Maria de Lima Cabral, Keila Karoline Souza do Nascimento e Tatiana Camila Dantas.

Alunas da UFRN do Departamento de Serviço Social.

e-mail: keilaksn@yahoo.com.br

Tendo em vista o crescimento do trabalho infantil, como uma das expressões da questão social, que ocorre na cidade do Natal, apresentamos a verificação da efetivação do PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), nos núcleos de Ação Social de Cidade Nova e Praia do Meio, um dos programas sociais de transferência de renda, criado pelo Governo Federal, que na tentativa de erradicar as piores formas de trabalho infantil repassa para a família das crianças nessas condições, um valor que varia entre R$ 25,00 (zona rural) e R$ 40,00 (zona urbana). Para tal verificação, coletamos em ambos os núcleos informações a respeito das condições (estruturais ou físicas) em que o programa se realiza, do seu alcance e os impactos que o mesmo causa na sociedade. A partir daí constatamos que apesar das varias limitações existentes, o programa consegue alcançar seus objetivos, pois proporciona para essas crianças, mesmo que de maneira restrita, um pouco de educação, lazer, cultura e o conhecimento sobre seus direitos e deveres, para que as mesmas comecem a construção do exercício da sua cidadania.

P-132: “VIAJANDO O SERTÃO”: A IMAGEM CONSTRUÍDA A PARTIR DA VISÃO DA CIDADE (primeiras décadas do século XX)

Autores/Expositores:

Hélio Takashi Maciel de Farias

Graduando, Depto. de Arquitetura, Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN - bolsista IC/CNPq

E-mail: solar@digizap.com.br (fone: 3206-8096)

Gabriel Leopoldino Paulo de Medeiros

Graduando, Depto. de Arquitetura, Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN - bolsista IC/PROPESQ

E-mail: gabrielleopoldino@yahoo.com.br

Orientadora:

Angela Lúcia de Araújo Ferreira

Profa. Dra. do Depto. de Arquitetura, Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN

E-mail: angela@ct.ufrn.br

A questão da relação entre as cidades capitais e o sertão é de grande complexidade, pois responde a diferentes óticas e situações, contemplando os âmbitos político, econômico, social e cultural. A aproximação entre esses dois “universos” – urbano e sertão – pode ser tida como recente, surgindo na passagem do século XIX para o XX. O intercâmbio desse conhecimento intensificou-se com a divulgação de relatos de viagens do homem da cidade aos sertões, que contribuíram na criação de uma imagem do sertão e do sertanejo. O presente estudo visa a identificação e compreensão das forças políticas e culturais responsáveis pela criação da imagem estereotípica do sertão, abordando o tema das representações e imaginário, elementos fundamentais na definição das políticas públicas e intervenções sobre o espaço. Como principais fontes, o estudo recorreu a obras literárias e artigos resultantes de excursões ao sertão do início do século passado. Entre estas encontram-se a excursão pioneira de Euclides da Cunha aos sertões da Bahia, culminando em sua obra “Os Sertões” (1902), as excursões de Mário de Andrade ao sertão Nordestino (1928), produzindo um diário de viagens, “O Turista Aprendiz”, além dos relatos de viajantes potiguares, como o de Câmara Cascudo “Viajando o Sertão” (1934) e o de Garibaldi Dantas, “Pelo Sertão” (1922). Esses relatos levavam o conhecimento de um outro Brasil, o do interior, ao Brasil do litoral, criando uma “ponte” entre esses dois “universos” fundamentalmente distintos. É notável a diferença entre a descrição de Euclides da Cunha, vindo do Rio de Janeiro e exprimindo desconforto e estranhamento, e os relatos que posteriormente são publicados por autores locais, que – já contando com melhorias nas comunicações e transportes, além da proximidade com o terreno – têm a clara intenção de desmistificar para os habitantes da cidade a imagem do sertão.


Grupos de Trabalho

Grupos de Trabalho (GTs): terça-feira e quarta-feira, 05 e 06 de julho, de 14h às 18h (com exceção de GTs de Psicologia, que acontecerão pela manhã), nos auditórios do CCHLA e nas salas do Setor de Aulas II.

. Os GTs reunirão apresentações de trabalhos sobre um mesmo tema. O GT será realizado em dois dias, num total de 8 horas.


A lista de trabalhos


GT-01: IMAGENS CONTEMPORÂNEAS E PÓS-MODERNIDADE

Coordenadora:

Maria Helena Braga e Vaz da Costa

E-mail: mhcosta@ufrnet.br

Departamento de Artes

Local: Consecão

O debate sobre o pós-modernismo e a pós-modernidade tem confirmado sua posição de destaque no cenário intelectual e acadêmico contemporâneo. Da mesma forma, autores como Fredric Jameson, centrais a esse debate, pressupõem a existência de uma correspondência entre a produção cultural, as experiências e os modos de subjetividade nas sociedades contemporâneas, e de um momento no qual "a sociedade se submerge em imagens, ocorrendo uma estetização e visualização mais completa da realidade" (Jameson, 2004, p.23). Sendo assim, esse GT abre espaço para a apresentação de trabalhos que tratem do conceito de pós-modernismo e/ou pós-modernidade e sua relação com a produção de imagens através de meios de representação visual como a pintura, a fotografia, o cinema, o vídeo, a televisão e a arte digital.

 

Somente terça-feira 05/06

01: A metaficção pós-moderna na literatura

Eduardo Augusto de Andrade Galvão

Aluno do Curso de Licenciatura Plena em Educação Artística com Habilitação em Artes Cênicas. Departamento de Artes da UFRN

email: duds07@hotmail.com

Este trabalho insere-se no contexto da contemporaneidade cultural e sua teoria literária, em relação ao conjunto dominante de idéias e práticas críticas do mundo pós-moderno. Trata da questão da metaficção (Connor, 1989) que por hora prevalece nas produções literárias da pós-modernidade, sendo caracterizada como a “exploração pelos textos literários de sua própria natureza e condição de ficção” (Connor, 1989; p. 104).

Este trabalho pretende discutir alguns pontos de vista sobre a ficção pós-moderna que acentuam a capacidade da mesma de criar e sustentar mundos puros e autônomos, e a forma como a literatura emprega suas técnicas inovadoras para essa criação. Nesse contexto, os postulados são relacionados com a literatura infanto-juvenil (que constroem “realidades fantásticas”), a partir de exemplos de produções contemporâneas, na intenção de construir uma análise crítica que permeará questões sobre a narrativa e sua “nova” construção de tempo e espaço. Autores como Brian McHale, Jean-François Lyotard, Linda Hutcheon, Steve Connor, entre outros especialistas da poética pós-moderna, compõem o embasamento teórico do trabalho, que pretende levantar questões como: que tipos de “mundo” existem, como são constituídos e como diferem entre si nestas ficções? O que acontece quando tipos distintos de mundo são postos em confronto ou quando fronteiras entre mundos são violadas? (McHale, 1987). Este estudo, portanto, aborda o texto literário pós-moderno como um “objeto ideal de análise para uma teoria da leitura que suspeita de toda forma de identidade ou de fixidez, mas ainda exige algum objeto sobre o qual praticar” (Connor, 1989; p. 107).

02: O sujeito pós-moderno

Ângela Elvira Barbosa da Paz Mendes

Aluna do Curso de Educação Artística – Habilitação Artes Plásticas(UFRN)

Bolsista PROPESQ - Base de Pesquisa em Artes Visuais, Cultura e Representação.

E-mail: angys@ig.com.br

Este trabalho trata da discussão do sujeito enquanto ser "deslocado" e "descentralizado" diante dos diversos conflitos de identidade cultural. Stuart Hall (2001) em seu livro "A identidade cultural na pós-modernidade" apresenta o conceito de identidade cultural com indagação sobre novas concepções a respeito das identidades culturais. Propondo responder algumas indagações, o autor mostra a mudança do sujeito e da identidade no século XX, refletindo sobre a fragmentação nas sociedades moderna, três concepções de sujeito presentes na modernidade (dentre eles o sujeito pós-moderno); as mudanças na sociedade tardia; e as identidades nesse contexto. De acordo com Hall, essa "fragmentação" do sujeito e de sua identidade cultural afetou diretamente a identidade nacional construída na modernidade. Este trabalho propõe, portanto, entender e discutir o entendimento de Hall sobre o sujeito pós-moderno e as identidades culturais colocando a necessidade de redimensionar o sujeito e a sociedade sobre outros paradigmas.

03: Uma Configuração Pós-moderna no Teatro

Rummenigge Medeiros de Araújo

Aluno do Curso de educação Artística – Habilitação em Artes Cênicas

Bolsista PIBIC – Base de Pesquisa em Artes Visuais, Cultura e Representação

Fone: 9106 2071

Rummenigge20@hotmail.com

Esse trabalho trata da apresentação e discussão teórica da representação teatral e sua produção de imagens na sociedade do espetáculo e da imagem, conhecida por nós como a sociedade contemporânea. Nesta sociedade, a performance dita ‘pós-moderna” constitui-se em uma forma curiosamente híbrida, surgindo do teatro, que por sua vez, localiza-se entre o pós-modernismo sem história e o pós-modernismo emergente.

A falta de uma versão coerente e de consenso do modernismo no teatro levou as teorias do teatro pós-moderno a recorrer à teoria pós-moderna de outros campos culturais (em maior freqüência e um foco ligado ao cinema) causando assim uma certa hibridização e inversão na cena contemporânea que cada vez mais se torna multimídia. Configurando assim uma nova estética realista e uma própria avaliação do realismo e do fazer teatral.

É sobre estes “empréstimos” cinematográficos e fílmicos tomados pelo teatro, juntamente com o seu resultado, ou influência, que este trabalho pretende discutir e avaliar a idéia de “pós-modernismo”,seja ele performático ou não.

04: Tribos virtuais: Imagens e sociabilidade dos "flogueiros" a partir da internet.

Bruno de Oliveira Lima

Departamento de Antropologia

Núcleo de Antropologia Visual

Os flogs viraram mania no mundo da Internet. Os brasileiros foram os que mais adentraram nesse novo tipo de site e hoje contabilizam cerca de 50% de toda a população "flogueira" do mundo. É comum as muitas tribos virtuais postarem nos fotologs, são várias imagens que retratam as suas identidades culturais particulares. O trabalho que pretendo apresentar é uma tentativa de mostrar a importância de uma analise apurada deste "fato social", já que, os flogs são maneiras de fazer, agir e pensar de uma coletividade, apresentam uma complexa rede de relações sociais e são sobre tudo espaços de sociabilidade no campo do privado e do público, construídos pelos homens da chamada pós-modernidade. Nesse contexto, abordarei as questões referentes ao Ciberespaço e Cibercultura, usando autores como: Pierre Lévi, Tomaz da Silva, André lemos, Támara Benakouche, Ariosvaldo Diniz entre outros.

05: Aspectos da Moda contemporânea na discussão do Pós-modernismo

Thiago Liam.

Aluno do Departamento de Artes com Habilitação em Artes Cênicas (UFRN)

Este trabalho analisa a Moda como fenômeno sígnico, responsável pela definição de padrões éticos, estéticos e sociais. A abordagem procura identificar suas novas formas de expressão que representariam de maneira simbólica e cognitiva a essência da sociedade pós-moderna. Apresento uma fundamentação, que parte da relação intrínseca entre a moda e o sistema capitalista, resultando no surgimento, atual, de uma mídia que interfere diretamente na vida cotidiana das pessoas e é especialista em produzir imagens que se tornam mercadorias. Como é a interação entre os indivíduos através da aparência, num momento em que as inovações tecnológicas sugerem uma substituição do real pelo virtual? Demonstro, assim, a necessidade da preocupação com o estudo de elementos visuais da moda contemporânea, em conjunto com os demais meios de comunicação, na tentativa de discutir os temas que inspiram o universo pós-moderno.

06: O ONÍRICO E O EFÊMERO NO PÓS-GUERRA: CULTURA DE CONSUMO NO RECIFE ENTRE OS ANOS 1950 E 1960.

Marcos A. de M. S. Arraes - UFPE

Licenciado em História – UFPE

Bacharelando em História – UFPE

Com o fim da 2ª Guerra Mundial, em 1945, e a conseqüente “bipolarização” do mundo entre os lados vitoriosos, boa parte do mundo ocidental caiu sobre a influência econômica e política dos Estados Unidos capitalista, que, em luta contra o “medo vermelho”, representado pela URSS, iniciam uma política de pesados investimentos em novas formas de propaganda para a divulgação de um ideal de liberdade que, segundo queriam fazer acreditar, se atingia com a sociedade capitalista. Nesta, as pessoas, “diferentes por natureza”, poderiam ter a livre escolha de adquirir aquilo que melhor atingia a suas necessidades. Dentro desse panorama, nasce, nas pessoas comuns, não sem um certo conflito, novas formas de entender o mundo, novas formas de se relacionar, de necessidade, de ser, de prazer. É a emergência de um mundo pós-moderno, segundo alguns filósofos, no qual se verifica a exacerbação e institucionalização social do hedonismo moderno ou do prazer obtido a partir de imagens construídas mentalmente. A mercadoria tornou-se um fetiche, para usar a idéia de Marx e o ter e o ser se fundem, sendo um necessário e mesmo imprescindível para a obtenção do outro. Buscaremos, então, apresentar nosso plano de pesquisa de fazer um breve apanhado das negociações das elites recifenses na aceitação dos valores culturais divulgados pelo bloco capitalista, a partir da(s) lógica(s) do consumismo nos limites do espaço e tempo dados. Para tornar tal objetivo mais claro, tentaremos, na pesquisa, diferenciar o consumo pré-industrial que busca apenas a satisfação das necessidades, e o consumismo pós-moderno, ligado à dimensão do desejo, explicitando a relação entre o consumo de produtos e a aquisição de princípios e valores culturais imanentes a estes produtos como legitimadora da dominação imperialista.

07: Zaíra Caldas: trânsito para além da figura.

Vicente Vitoriano Marques Carvalho

Professor Doutor do Departamento de Artes - UFRN

Tendo em vista a intenção da artista norte-rio-grandense Zaíra Caldas de criar uma “escola” de pintura, o transfigurativismo, a comunicação discute a pertinência desta atitude no cenário pós-modernista das artes visuais, face a, segundo uma abordagem histórico-crítica, conceitos como novismo, vanguarda, apropriação e revisão do modernismo. A discussão leva ainda a considerações sobre as relações entre indivíduo (rebelde/herói solitário) e coletividade, teoria e produção artística nas situações do modernismo e do pós-modernismo. Autores como Compagnon, Jameson, Habermas, Huyssen, entre outros, orientam a discussão.

08: A sobremodernidade: pensando os não-lugares a partir de Marc Augé

Conceição Maciel

Doutoranda em Ciências Sociais – UFRN

Edivania Duarte Celestino

Doutoranda em Ciências Sociais – UFRN

Ricardo Canella

Doutorando em Ciências Sociais – UFRN

Este trabalho propõe, a partir da análise de um “Vídeo” produzido através de colagem de cenas de filmes e entrevistas, confeccionados para a disciplina Teorias Contemporâneas da Cultura - PPGCS, contribuir para a reflexão de aspectos da subjetividade na vida contemporânea. Nesta perspectiva, Marc Augé nos apresenta uma significativa contribuição para a compreensão da sobremodernidade, particularmente quanto à necessidade de se discutir os novos espaços e os aspectos da percepção. Ou seja, cumpre compreender em que a pós-modernidade, na figura do excesso, ultrapassa e relativiza, pois nunca a história coletiva interferiu tão explicitamente nas histórias individuais e nas referências das identificações coletivas. O grande desafio que se apresenta hoje, é pensar um presente onde os sistemas de representação passam a formar novas categorias de identidade e de alteridade. Torna-se necessário, portanto, reaprender a pensar o espaço da sobremodernidade, pois ele já não se mostra feito à exata medida daquele em que até um presente recente era tomado como referência. Este novo espaço, segundo Auge, impõe novas experiências às consciências individuais, diretamente ligadas ao aparecimento e a proliferação de “não lugares”. Pensar as cidades no presente, paisagens saturadas, espaços diferentes, diferentes tempos, parece mais complexo do que se poderia pensar. Requer novas significações, que passam necessariamente por um questionamento da contemporaneidade e um novo balanço de suas relações com o eu. Esse cenário, como aponta o próprio autor, vem acompanhado de profundas transformações e implicações para a vida do indivíduo, levado a um processo de esvaziamento do tempo e do espaço, que vem alterando de forma significativa o tempo vivido. Para tanto, o conceito de não-lugares, lança luzes sobre esse novo cenário, a um desvendamento do que esses desvios de olhares, esses jogos de imagens, podem provocar nas consciências individuais.

09: Cartografias do desejo: homoafetividade na narrativa de Caio Fernando Abreu

André Luiz Machado Santos

Orientador: Antônio Eduardo de Oliveira (UFRN, Departamento de Letras)

A obra do escritor brasileiro Caio Fernando Abreu (1948-1996) mostra-se impregnada de citações da cultura pop. São frequentes o emprego de referências fílmicas e musicais em seus contos e romances. Estes elementos fragmentários revelam um toque de pós-modernidade na obra de Caio. A partir daí cria-se uma cartografia homoafetiva e a formação de um "cinema interior" nas narrativas do autor. Nosso objetivo é discutir a cartografia sentimental homoerótica construída por Caio, enfatizando uma leitura da novela Pela Noite (1983).

10: HIBRIDAÇÃO DE LINGUAGENS: O CASO GRUDE

Prof. Es. Leonardo Rocha da Gama

DEART/UFRN.

A História vem registrando que ao longo dos tempos a arte vem buscando sempre novos caminhos. Basta vasculhar a recente história da arte na Modernidade para contatar uma sucessão de movimentos artísticos nas diferentes linguagens. A cada novo movimento, a negação do anterior, cujo pretexto é avançar ou superar a forma que antecede, entretanto, o fato se dá por necessidade de afirmação e aceitação do novo. Atualmente, a arte se manifesta de múltiplas formas, porém, sinaliza pontos comuns, entre eles a hibridação de linguagens (traço forte presente nos discursos sobre o pós-moderno). Seguindo a tendência da arte contemporânea o Grupo de Dança Experimental (GRUDE) vem buscando uma linguagem que perpasse o conhecimento da Dança Moderna, a partir das contribuições de Laban, e do Teatro Moderno, a partir das produções de Brecht, Stanislavsk, Meyerhold, Artaud e Grotowski. É objetivo desse estudo de caso apontar as estratégias utilizadas no processo de produção artística do GRUDE para alcançar a hibridação da dança com as diferentes correntes do teatro. Essa pesquisa sinaliza questões que podem contribuir para o entendimento da arte contemporânea, a partir das reflexões que cercam a dança no contexto do pós-modernismo e da pós-modernidade.


GT-02: ESTUDOS EM PSICOLOGIA E SAÚDE

Coordenadores:

Eulália Maria Chaves Maia

E-mail: emcmaia@ufrnet.br

Neuciane Gomes da Silva

E-mail: neuciane@ufrnet.br

Departamento de Psicologia.

Local: Consequinho (Manhã)

Ao longo dos anos, o conceito de saúde sofreu diversas alterações, até que, em 1977, a Organização Mundial de Saúde redefiniu o conceito de Saúde como “o total bem-estar físico, psíquico e social do indivíduo, e não a ausência de uma doença ou de uma enfermidade”. Isso provocou uma mudança da visão cartesiana que dividia o homem em corpo e mente, promovendo uma visão integral do mesmo e valorizando a interação entre o biológico, o psíquico e o social, ou seja, o indivíduo passou a ser visto como uma confluência desses fatores. Com isso, houve um resgate da compreensão biopsicossocial do homem e do processo de saúde-doença, levando a uma maior inserção do psicólogo em novos locais de atuação (as instituições de saúde) e ao desenvolvimento de trabalhos em equipes transdisciplinares. Esses avanços da Psicologia se expandem também para a área de pesquisa, havendo um crescimento das investigações na área de Psicologia da Saúde/Hospitalar. Dessa forma, objetiva-se criar um espaço para a discussão e reflexão de estudos desenvolvidos no âmbito da saúde em que a visão biopsicossocial do indivíduo é salientada, tendo como compromisso a Humanização na Saúde, a Ética e o Desenvolvimento Humano em toda a sua dimensão.

Primeiro dia

01. Equipe de saúde e Paciente Terminal com Câncer: Ansiedade em sua Atuação

Proponente: Daniella Antunes Pousa Faria

Pós-Graduanda/UFRN

daniella-psi@uol.com.br

Autores: Ádala Nayana de Sousa Mata (Graduanda/UFRN), Camomila Lira Ferreira (Pós-Graduanda/UFRN), Katie Almondes de Moraes (Pós-Graduanda/UFRN), Eulália Maria Chaves Maia (Professora/UFRN).

Departamento de Psicologia / Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde / CCS / UFRN.

Trata-se de um estudo que teve como objetivo geral avaliar o nível de ansiedade dos profissionais de saúde que lidam com pacientes terminais com câncer. A partir disso, verificou-se em relação a qual fase do desenvolvimento humano (criança, adolescente, adulto, e idoso) do paciente terminal com câncer, o profissional de saúde se sente mais ansioso ao realizar seu trabalho, e qual o possível motivo para tal resultado. Para se identificar estas variáveis se utilizou como instrumentos uma entrevista dirigida e o inventário de ansiedade Traço-Estado (IDATE). Verificou-se que todos os profissionais pesquisados estão com a ansiedade Estado acima da média proposta pelo manual. Verificou-se que a maior média foi alcançada pelo profissional de nutrição (60). Após este profissional tem-se os técnicos de enfermagem com média 54, os assistentes sociais e os enfermeiros com média 50,5, os auxiliares de enfermagem com média 50,28, os médicos com 48,5 e os psicólogos com 44. No que se refere a ansiedade Traço verificou-se que 57,14% das categorias de profissionais pesquisados (Técnicos de enfermagem, Nutricionista e técnicos de enfermagem) encontram-se com esta ansiedade superior à média proposta pelo manual (41,33). Além disso, se identificou que dos 91,31% dos profissionais que afirmam se sentirem ansiosos quando se trata de pacientes terminais, 65,21% destes profissionais apontam a criança como a faixa etária que lhes causa maior ansiedade.

02. Velhice: uma relação com o ambiente de convivência.

Proponente: Felipe Serquiz Elias Pinheiro (Graduando/UFRN)

Autores: Felipe Serquiz Elias Pinheiro (Graduando/UFRN), Lisane Filgueira Maciel (Graduanda/UFRN) Soraya Guilherme Cavalcante (Pós-Graduanda/UFRN), Katie Moraes de Almondes (Pós-Graduanda/UFRN), Neuciane Gomes da Silva (Professora/UFRN), Eulália Maria Chaves Maia (Professora/UFRN).

Psicologia / CCHLA / UFRN.

E-mail: felipeserquiz@hotmail.com

Introdução: O crescimento da população classificada como idosa cresceu bastante nas ultimas décadas Tal fato implica numa demanda social que favoreça essas potenciais necessidades.. Assim, instituições de variadas naturezas absorvem tais carências e, consequentemente, requerem pesquisas que as fundamentem nesse processo. Objetivo: Este trabalho objetiva analisar a adaptação dos idosos às instituições aos quais estão relacionados; a qualidade do apoio psicossocial oferecido aos idosos por parte do grupo no qual estão inseridos, e como esses fatores podem influir na relação dos idosos com si mesmo e com o mundo. Metodologia: A amostra foi constituída por idosos acima de 65 anos contextualizados em instituições de naturezas distintas num total de 42 sujeitos, sendo 14 mulheres e 7 homens residentes no abrigo Juvino Barreto, e a mesma quantidade e proporção da amostra constituída em grupo de terceira idade praticante de atividades no SESC, ambas da cidade de Natal-RN. Tratando-se dessa forma de um estudo comparativo. Para isso, utilizou-se um questionário semi-estruturado, o Teste de Apercepção para Idosos (S.A.T.) e o teste Mini-Mental. Os questionários foram analisados com o auxilio do software Alceste. Resultados: Apesar dos idosos de ambas as instituições declararem encarar a velhice como uma “fase natural da vida”, não a imaginando anteriormente, os idosos da Instituição Social referem ao aspecto biológico a maioria das dificuldades que experienciam nessa fase. Também destaca-se o insuficiente apoio psicossocial da Instituição Social. Conclusões: Com relação à adaptação dos idosos ao Grupo de Terceira Idade, verificou-se que esta foi boa, estando associada às relações inter-pessoais implicadas. Já na Instituição Social Juvino Barreto, há um conjunto de perdas significativas que dificultam a adaptação na instituição, pois também está atrelado a carência de apoio psicossocial, o que não ocorre com os idosos do Grupo de Terceira Idade (SESC), no qual, estão perfeitamente adaptados com o processo de envelhecer.

03. Estudantes de Psicologia da UFRN: estabelecendo correlações entre o padrão do ciclo sono-vigília e a ansiedade.

Proponente: Caroline Araújo Lemos (Graduanda/UFRN)

Autores: Ádala Nayana de Sousa Mata (Graduanda/UFRN), Liliane Pereira Braga (Graduanda/UFRN), Caroline Araújo Lemos (Graduanda/UFRN), Camomila Lira Ferreira (Pós-Graduanda/UFRN), Katie Moraes de Almondes (Pós-Graduanda/UFRN), Neuciane Gomes da Silva (Professora/UFRN), Eulália Maria Chaves Maia (Professora/UFRN).

Departamento: Departamento de Psicologia / CCHLA / UFRN.

e-mail: k_rollemos@hotmail.com

A partir de evidências sobre as relações entre ciclo sono-vigília e ansiedade, objetivou-se verificar se essas relações existem em 39 alunos do curso de Psicologia da UFRN, sendo 26 alunos do 1º ano, e 13 do 5º ano. Utilizou-se uma Ficha de Identificação, Índice de Qualidade de Sono de Pittisburgh, Inventário de Traço-Estado de Ansiedade, Questionário de Identificação de Cronotipo, e Diário de Sono. Resultados mostraram escores médios de traço e estado de ansiedade para o 1º ano de, respectivamente, 52,7±9,1 e 54,3±10,2, e para o 5º ano o escore médio de traço foi 42,0±10,7 e de estado de ansiedade foi 45,9±10,4. Tais escores médios estão acima do valor esperado para a população de estudantes universitários tanto para os alunos do 1º quanto do 5º ano. Observou-se ainda que a duração de sono média para os estudantes do 1º ano foi de 08:00±01:00, durante a semana, e 08:04±01:14 no fim de semana. Para o 5º ano, esses valores são, respectivamente, 07:09±01:18 e 07:31±01:03. Verificou-se, portanto, uma relação entre sono e ansiedade através da análise de regressão linear entre estado e traço de ansiedade e duração de sono na semana e no final de semana de ambas as turmas. Desta forma, os resultados encontrados mostraram que correlações positivas ocorreram entre o traço e o estado de ansiedade e a duração de sono durante o fim-de-semana (p=0,01 e p=0,03, respectivamente). Isso indica que quanto maior a ansiedade situacional e disposicional dos estudantes mais estes dormiam durante o fim-de-semana. Assim, uma das considerações a ser feita refere-se a interferência dos altos níveis de ansiedade e de um padrão de sono irregular na saúde dos estudantes, podendo acarretar a diminuição do nível de vigilância, da atenção e da concentração, além de irritabilidade, tensão, e distúrbios de sono como insônia e sonolência diurna excessiva.

04. Qualidade e Hábitos de Sono em Estudantes dos 1os. Anos da Área Humanística da UFRN.

Proponente: Liliane Pereira Braga (Graduanda/UFRN), Ádala Nayana de Sousa Mata (Graduanda/UFRN).

Autores: Ádala Nayana de Sousa Mata (Graduanda/UFRN), Liliane Pereira Braga (Graduanda/UFRN), Caroline Araújo Lemos (Graduanda/UFRN), Camomila Lira Ferreira (Pós-Graduanda/UFRN), Katie Moraes de Almondes (Pós-Graduanda/UFRN), Neuciane Gomes da Silva (Professora/UFRN), Eulália Maria Chaves Maia (Professora/UFRN).

Departamento: Psicologia / CCHLA / UFRN.

E-mail: liliane@digizap.com.br

A qualidade de sono envolve critérios como início de sono precoce, menos interrupções e despertares durante o sono. Uma qualidade de sono ruim pode trazer problemas como diminuição da concentração e da atenção, prejuízos no desempenho, fadiga e irritabilidade. Estes efeitos, possivelmente, diminuem o rendimento dos estudantes. Podem ainda contribuir para isso os hábitos de sono considerados ruins, como fumar, já que a nicotina favorece a insônia, ingerir bebidas com cafeína, barulho e muita iluminação onde se dorme. Objetivou-se identificar e avaliar os hábitos e a qualidade de sono de 38 estudantes da UFRN, que cursavam o primeiro período de 05 cursos da área Humanística. Responderam ao Índice de Qualidade de Sono de Pittsburg e ao Questionário de Hábitos de Sono. Deve-se considerar o dado de que os estudantes apresentaram horários irregulares de início e fim de sono, como indica o Diário de Sono por eles respondido. Os principais resultados foram: a amostra apresentou uma qualidade de sono ruim, com média de 6,3±1,0, já que tal escore está acima de 5,0. Além disso, 100% dos estudantes mantém no quarto aparelho de televisão, som, computador e material de leitura. Na amostra, 94,7% não é fumante, 34,2% bebe café cotidianamente e 89,4% bebe refrigerante freqüentemente. De todos os estudantes, 50% afirmam não ter problema de sono, 65,7% assegura que, às vezes, tem dificuldade em pegar no sono à noite, e 79% dizem que, às vezes, tem muito sono durante o dia. Assim, infere-se que a falta de um horário regular de dormir e acordar, que se soma aos hábitos de sono ruins, associa-se à qualidade de sono ruim e conseqüente irregularidade do padrão do ciclo sono-vigília presente nesses estudantes. Com isso, faz-se necessário promover melhoras em alguns hábitos de sono, a fim de evitar os malefícios para a saúde já relatados.

05. Projeto vida, amor e alegria: a inserção da psicologia em uma brinquedoteca hospitalar

Proponente: Camomila Lira Ferreira (Pós-Graduanda/UFRN)

Autores: Ariane Cristiny da S. Fernandes (Pós-Graduanda/UFRN); Soraya G. Cavalcanti (Pós-Graduanda/UFRN), Maria Galdino da Silva (Técnico de Enfermagem/HOSPED), Luciana Carla Barbosa de Oliveira Trindade (Pós-Graduanda/UFRN), Eulália Maria Chaves Maia (Professora/UFRN).

Departamento: Setor de Psicologia do Hospital de Pediatria, Grupo de Estudos: Psicologia e Saúde - UFRN

e-mail: lcarlapsi@bol.com.br

A criança hospitalizada demonstra um alto nível de angústia/ansiedade, afetando e comprometendo o seu desenvolvimento biopsicossocial. Considerando que o brincar para a criança é aprender a desvendar o mundo, passou a ser dada a importância ao espaço do brincar para estimular, interagir, desenvolver e socializar dentro do hospital. A Brinquedoteca do Hospital de Pediatria da Universidade Federal do Rio Grande do Norte traz a proposta de oferecer o lúdico como recurso minimizador do sofrimento causado pela hospitalização. As atividades efetuadas diariamente contam com as participações de brinquedistas e equipe de Psicologia. No Espaço Brinquedoteca utiliza-se jogos, desenhos, pinturas, fantoches, livros e teatro através de técnicas lúdicas, educativas e ludoterápicas (diretivas e não-diretivas), reportando o brincar como técnica lúdica, terapêutica, estimulativa e educativa. Permitir à criança o brincar com o material que ali se apresenta significa ajudá-la a se apropriar daquela situação e, assim, poder elaborar seus conflitos e medos. Utilizar técnicas ludoterápicas em atividades lúdicas é uma das maneiras mais adequadas de se trabalhar com a criança, os seus aspectos emocionais e cognitivos. Isto foi possível de perceber nas crianças, através dos seguintes pontos: a) a facilitação para a elaboração dos conflitos ocasionados pela situação do adoecer e da hospitalização, incentivando às crianças a expressão de sentimentos; b) da estimulação, interação, socialização e educação dentro do hospital; c) da mobilização para o resgate da motivação e adesão ao tratamento; e, d) fortalecimento do vínculo paciente-equipe-família. Percebe-se que estas ações propiciam o desenvolvimento de áreas da linguagem, social e emocional, contribuindo para a otimização do processo evolutivo infantil. A atividade lúdica no hospital é um recurso facilitador para a comunicação e o contato efetivo com a criança hospitalizada, acolhendo-a, permitindo uma maior adesão ao tratamento e assim, amenizando seu sofrimento.

06. A implantação do apoio psicopedagógico a criança interna no Hospital de Pediatria: uma atuação interdisciplinar

Proponente: Simone Maria da Rocha (Graduanda/UFRN)

Autores: Fátima Castro do Nascimento (Pedagoga/HOSPED); Clébia do Santos Silva (Pedagoga/HOSPED), Maria Galdino da Silva (Técnico de Enfermagem/HOSPED), Luciana Carla Barbosa de Oliveira Trindade (Pós-Graduanda/UFRN), Eulália Maria Chaves Maia (Professora/UFRN).

Departamento: Setor de Psicologia do Hospital de Pediatria, Grupo de Estudos: Psicologia e Saúde - UFRN

e-mail: lcarlapsi@bol.com.br

O Projeto Escola Hospitalar é caracterizado por prestar um atendimento psico-pedagógico, objetivando atender às necessidades do desenvolvimento psíquico e cognitivo de crianças hospitalizadas. Leva-se em consideração a viabilização de um atendimento integral e de qualidade à criança, seguindo os parâmetros da Política Nacional de Humanização do Ministério da Saúde. Tal projeto visa atender crianças e adolescentes em fase escolar (inseridas ou não na escola), internados no HOSPED, proporcionando estímulos psico-pedagógicos voltados aos seus interesses e necessidades escolares, estes rompidos pela hospitalização. Na sua realização conta-se com uma equipe interdisciplinar composta por Psicóloga, Pedagogas, Psicopedagoga, Auxiliares e técnicos de enfermagem e Assistentes Sociais. As atividades são desenvolvidas através de recursos lúdicos e educativos baseados na linha construtivista, considerando: a seriação, idade, potencialidades individuais e coletivas da criança, assim como conteúdo oferecido em sua escola de origem. A Escola Hospitalar do HOSPED em sua amplitude espera, proporcionar o fortalecimento do vínculo entre criança hospitalizada e o mundo externo, através do aprendizado, colaborando na sua reintegração escolar após a alta minimizando o prejuízo na sua aprendizagem. Torna-se notório a importância de parcerias com instituições e instâncias nas áreas de Educação e Saúde, para que se torne viável não só a continuidade de atividades como esta, mas também a divulgação e a possibilidade de implantação em outros hospitais do RN, colaborando para a solidificação da humanização hospitalar.

07. Padrão alimentar em pessoas obesas e com peso normal

Proponente: Aline Aguiar Pereira de Lima (Graduanda/UFRN), Ana Heloiza Cassimiro Costa (Graduanda/UFRN).

Autores: Neuciane Gomes da Silva (Professora/UFRN), Ana Nunes Ribeiro (Nutricionista/UFRN), Aline Aguiar Pereira de Lima (Graduanda/UFRN), Ana Heloiza Cassimiro Costa (Graduanda/UFRN).

Departamento: Psicologia / CCHLA / UFRN.

E-mail: alineufrn@yahoo.com.br

A obesidade é uma doença que vem aumentando sua prevalência nas últimas décadas no mundo. Esta tem sido considerada uma doença crônica, multifatorial, caracterizada pelo acúmulo excessivo de tecido adiposo no organismo e é inter-relacionada com diversas situações patológicas. O presente estudo visa traçar o perfil da pessoa obesa, comparando este ao de pessoas com peso normal. Os dados foram obtidos a partir de questionários aplicados no ambulatório do Hospital Universitário Onofre Lopes. De acordo com os dados iniciais, existem diferenças entre indivíduos obesos e magros com relação ao ato de se alimentar. Os dados obtidos mostram haver diferenças entre os dois grupos, pois a relação de alimentação com saúde/nutrição está menos presente nos obesos que nos magros e aqueles também não obedecem a horários para se alimentar, como faz a maioria dos magros. Isto, aliado a outros hábitos contribui para o excesso de peso. Esses resultados, apesar de iniciais, e a experiência de aplicação do questionário, evidenciaram a necessidade de reformulação desse instrumento e do procedimento de coleta de dados. Como conseqüência desses aspectos e outras questões que estão sendo levantadas para melhor abarcar os objetivos da pesquisa.

08. Obesidade: Questão comportamental e familiar

Proponente: Mariana Mendonça de Castro (Graduanda/UFRN), Jakeline Maurício Bezerra de Souza (Bolsista-PIBIC/CNPq).

Autoras: Ana Nunes Ribeiro (Nutricionista/UFRN), Katie Morais de Almondes (Pós-Graduanda/UFRN), Eulália Maria Chaves Maia (Professora/UFRN), Neuciane Gomes da Silva (Professora/UFRN), Mariana Mendonça de Castro (Graduanda/UFRN), Jakeline Maurício Bezerra de Souza (Bolsista PIBIC/CNPq).

Departamento: Psicologia / CCHLA / UFRN.

E-mail: neuciane@ufrnet.br

Segundo a Organização Mundial de Saúde, a obesidade é uma doença crônica, epidêmica, multifatorial e um dos mais graves problemas de saúde pública do mundo. O objetivo desta pesquisa consistiu em identificar variáveis e comportamentos envolvidos na dificuldade em perder peso e mantê-lo a longo prazo. Dentre os fatores que influem na obesidade está um aspecto pouco mencionado pela literatura e que foi alvo deste estudo: a dinâmica familiar. A amostra foi composta por 5 pacientes obesos em tratamento no Hospital Universitário Onofre Lopes e seus familiares. No início do tratamento identificou-se que as pacientes possuíam um padrão de comportamento alimentar incorreto e desorganizado. Um dos aspectos mais importantes refere-se ao fator emocional, a maioria considera sua vida estressada todos os dias e refere-se a sentimentos e/ou situações desagradáveis. Após 6 meses de tratamento, as pacientes fizeram modificações em seu comportamento alimentar, no entanto estas modificações não foram suficientes para garantir bons resultados, já que apenas 2 conseguiram perder peso. O apoio social é uma variável que se revelou significativa. Mediante dificuldades quanto ao pequeno número de sujeitos e acesso a estes posteriormente, mostrou-se necessário algumas modificações na metodologia e uma reformulação dos questionários.

09. Atuação do psicólogo em situações de morte de pacientes: repensando a prática

Proponente: Maria Christina Santos Barker (Pós-Graduanda/UFRN)

Autor: Maria Christina Santos Barker (Pós-Graduanda/UFRN)

Departamento: III Curso de Especialização em Psicologia da Saúde: desenvolvimento e Hospitalização / Departamento de Psicologia / CCHLA / UFRN.

e-mail: chrismary10@yahoo.com.br

A representação que cada um possui da morte é algo particular construído a partir da sua vivência e do seu processo de desenvolvimento, assim não podemos perceber que duas pessoas irão apresentar a mesma reação diante da situação de morte, apesar de existirem aspectos que possam ser semelhantes nas duas. O objetivo do trabalho é de fazer uma reflexão com o objetivo de repensarmos a prática psicológica em situações de morte no hospital, a partir do âmbito da intersubjetividade, da relação existente entre subjetividade do cuidador e do sujeito que vivencia a experiência da morte e do que consistiria da prática do Cuidado. Entendendo-se por cuidado algo que vai além das técnicas utilizadas em situações como a de morte, mas percebendo este encontro como o desenvolvimento de atitudes e espaços de genuíno encontro subjetivo, em que há o exercício de uma prática ancorada em técnicas de promoção à saúde, mas sem se resumir a elas, como afirma Ayres, 2004. Esta forma de percebermos o atendimento nestas situações nos remete a questionar formas de atuação que se eximem do contato com o paciente principalmente em situações de morte que muitas vezes são tabus para os próprios psicólogos e repensarmos formas de atuação mais abrangentes e que atendam ás necessidades dos pacientes e não o que julgamos ser necessário para os mesmos.

10. O estágio em Psicologia Clínica no ambulatório público de saúde: alguns pontos para reflexão.

Proponente: Sílvia Raquel Santos de Morais Perez

Psicóloga e Bacharel em Psicologia pela UFPE. Mestre em Psicologia pela UFRN e Professora do Depto.de Psicologia UFRN.

E-mail: silviamorays@yahoo.com.br

O espaço público de saúde demanda do psicólogo uma prática pautada pelo incessante questionamento do saber-fazer clínico, tendo em vista as especificidades inerentes deste contexto. Este trabalho originou-se de uma experiência de estágio curricular realizado em ambulatório público de saúde. O objetivo foi compreender o sentido atribuído, por nós, à prática de estágio em Psicologia Clínica a partir do referencial teórico da abordagem fenomenológico-existencial. A metodologia utilizada foi qualitativa de caráter fenomenológico e os procedimentos foram observações do campo de atuação e registros dos atendimentos aos usuários. Estes, por sua vez, serviram de instrumento de acesso ao sentido da prática vivenciada, subsidiando um diálogo crítico entre o sentido do estágio e o referencial teórico. A pesquisa sugeriu que o fato de sermos estagiários e com "pouca" idade, mobilizava insegurança nos usuários quanto ao nosso desempenho profissional e eficácia clínica. Aos poucos, isto foi sendo contornado, levando os mesmos a narrarem e re-significarem suas experiências de mal-estar, e até mesmo, a sentirem-se mais à vontade para optar por um dado estagiário. O sentido desta experiência sugere que as dificuldades do espaço público de saúde podem trazer um certo mal-estar e desencantamento para psicólogos iniciantes, podendo levar ao desenvolvimento de práticas instituídas e descomprometidas com um projeto mais amplo de atenção em saúde. A condição de ser estagiário implica em grandes investimentos, gerando angústia diante do possível não saber-fazer e das lacunas da formação. Soma-se a isso contingências sócio-políticas e as condições precárias de trabalho, que ultrapassam o âmbito psi propriamente dito. A experiência de estágio em Psicologia Clínica no ambulatório público de saúde aponta para um necessário des-centramento de uma lógica linear pré-determinada, uma vez que a atenção psicológica em saúde requer um saber-fazer que contemple práticas mais solidárias e eticamente humanas, assim como, o resgate da vida em cidadania.

11. Idosos diabéticos e/ou hipertensos: perspectivas de Qualidade de Vida – Centro de Saúde de Candelária

Ana Jarves de Lucena Fernandes Gonçalves

Micarla Duarte de Lima

UFRN/CCSA/DESSO

e-mail: micarlarn@hotmail.com

Apresenta uma análise acerca da implementação do projeto de intervenção, desenvolvido no Centro de Saúde de Candelária, pelas estagiárias Ana Jarves e Micarla Duarte, no período de setembro a dezembro de 2004, com o grupo de idosos hipertensos e/ou diabéticos da referida unidade de saúde. Esboça as atividades realizadas, os resultados alcançados assim como também expõe a dinâmica que envolveu todo o processo de implementação do projeto de intervenção elaborado pelas estagiárias em um primeiro momento de aproximação e observação na instituição. Contextualiza aspectos pertinentes a saúde do idoso, como expressão da questão social e demanda para o Serviço Social. Também relata a importância de se trabalhar com esse segmento, em meio aos esteriótipos que a sociedade dissemina: “inativos”, “incapazes”, “apáticos”, “doentes”, etc. As ações ora desenvolvidas foram respaldadas na perspectiva de igualdade e de garantias de direito, onde foram ministradas palestras, oficinas e atividades lúdicas, contemplando aspectos pertinentes à saúde como não sendo apenas ausência de doenças e a Qualidade de Vida na III idade. Os resultados foram satisfatórios para os atores envolvidos: idosos, estagiárias e instituição, sendo perceptível na receptividade e nas atividades dos idosos, assim como através de seus depoimentos. Considera-se que o trabalho desenvolvido no Centro de Saúde de Candelária, com o grupo de idosos, contemplou as perspectivas e o empenho dedicado pelas estagiárias, como também realização pessoal das mesmas.

Segundo dia

12. Perfil da humanização e qualidade de vida nos Hospitais Universitários da UFRN sob a ótica dos profissionais de saúde: uma análise preliminar.

Proponente: Luciana Carla Barbosa de Oliveira Trindade (Pós-Graduanda/UFRN)

Autores: José Hélder Aquino Franco (Graduando/UFRN), Priscila Karla Reis (Graduanda/UFRN), Eulália Maria Chaves Maia (Professora/UFRN).

Departamento: Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde, Hospital de Pediatria, Grupo de Estudos: Psicologia e Saúde - UFRN

e-mail: lcarlapsi@bol.com.br

A Humanização Hospitalar tem trazido várias contribuições na assistência, no entanto, percebe-se que a Qualidade de Vida (QV) do profissional de saúde não tem alcançado a mesma dimensão. Diante deste quadro, o presente estudo objetivou, avaliar a percepção da Humanização do profissional de saúde dos Hospitais Universitários da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e da a QV do mesmo. A pesquisa quantitativa e qualitativa foi realizada em 04 Hospitais da UFRN, compondo uma amostra de 39 profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos). Como instrumentos foram utilizados: um questionário semi-aberto seguido da aplicação do Questionário de Avaliação da Qualidade de Vida Breve/WHOQOL – Bref. Dados demonstram que a concepção acerca da Humanização abrange diretamente o atendimento e tratamento ao paciente, com 38% cada. Discursos mostram uma definição de Humanização vinculada entre a qualidade no atendimento e ao acolhimento ao paciente. São apresentadas dificuldades de envolvimento e divulgação dos programas institucionais, sendo desconhecidas atividades que englobem o usuário (33, 3%) e os profissionais (41%). O termo QV nos discursos está comumente associado ao bem-estar e satisfação de necessidades individuais, apresentando diferenças em nível de prioridades, como as necessidades pessoais e/ou considerações voltadas a necessidades do trabalho. Percebe-se a necessidade da inserção de investimentos direcionados à divulgação, interdisciplinaridade, e necessidades do profissional de saúde, visando à qualidade no trabalho, interdisciplinaridade e qualidade de vida dos mesmos, afinal se não oferecer melhores condições de saúde a quem “faz” saúde, este não terá condições “reproduzir” saúde ao próximo.

13. Questões sobre a morte: uma visão dos estudantes da área da saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Proponente: José Hélder Aquino Franco (Graduando/UFRN)

Autores: José Hélder Aquino Franco (Graduando/UFRN), Luciana Carla Barbosa de Oliveira Trindade (Pós-Graduanda/UFRN), Eulália Maria Chaves Maia (Professora/UFRN).

Departamento: Hospital de Pediatria, Departamento de Psicologia, Grupo de Estudos: Psicologia e

e-mail: lcarlapsi@bol.com.br

O presente trabalho tem como objetiva investigar como os estudantes de cursos ligados à área da saúde estão enfrentando possíveis situações de perda e luto durante o seu estágio curricular, bem como a percepção de morte que eles possuem e o preparo que avaliam estar recebendo dessa instituição de ensino durante a sua formação acadêmica. A amostra foi composta por um total de 40 estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) que estão cursando o último ano dos seguintes cursos: Medicina e Enfermagem, da área Biomédica; e Serviço Social e Psicologia, da área Humanística. Como instrumentos foram utilizados um desenho temático seguido de um questionário semi-estruturado. Observou-se que uma grande quantidade de estudantes já presenciou alguma situação real de morte durante o estágio curricular – 82,5%. Apesar disso, a morte de pacientes causa um impacto para esses estudantes, visto que 41,4% daqueles que se defrontaram com esse tipo de situação relataram que, pelo menos inicialmente, sentiram-se afetados emocionalmente. Isso pode ser reflexo da concepção de morte que eles compartilham, pois ela possui uma forte associação com a emergência de sentimentos negativos – 65,8% dos sentimentos apontados como relacionados à morte podem ser assim classificados. Percebe-se que A morte é uma temática que causa desconforto em grande parte os futuros profissionais da área de saúde, além da evidência da falta de um preparo mais específico fornecido pela UFRN para lidar com essas questões também contribui para o agravamento desse quadro.

14. Síndrome de Down e Inclusão: Concepções de Funcionários de uma Instituição Especializada

Proponente: Lúcia Maria Gomes Torres (Pós-Graduanda-UFRN)

Autores: Camomila Lira Ferreira (Pós-Graduanda-UFRN)), Aline Francisca de Oliveira (Graduanda/UFRN), Angélica de Medeiros S. Boucinhas (Graduanda/UFRN), Clarisse Alves da Mota Souza (Graduanda/UFRN), Lúcia Maria Gomes Torres (Pós-Graduanda-UFRN), Eulália Maria Chaves Maia (Professora/UFRN).

Departamento: Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde / CCS / UFRN

E-mail: loti_su@hotmail.com

OBJETIVO: Identificar e analisar as concepções dos funcionários de uma Instituição Especializada sobre a Síndrome de Down e o processo de inclusão dessas pessoas. MÉTODOS: A amostra constou de 12 funcionários na faixa etária de 22 a 60 anos, destes, 75% foram preparados para trabalhar numa instituição de apoio especializado, ficando 25% privado deste conhecimento. O instrumento utilizado consistiu em entrevistas semi-estruturadas, realizadas individualmente na própria Instituição. Os dados coletados foram submetidos à técnica de Análise de Conteúdo Temática, obedecendo às etapas de pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados e interpretação. A análise permitiu a organização do material textual em categorias, utilizando-se também da inferência e a interpretação. RESULTADOS: As informações sobre a SD apontaram resultados organizados a partir das percepções, posicionamentos e explicações, concernentes às vivências com as desarmonias do processo inclusivo, ou seja, ainda há necessidade de uma conscientização em todos os segmentos da sociedade, a fim de acabar com a discriminação e a segregação sofrida por essas pessoas. CONCLUSAO: Os conceitos dessas pessoas expressam as contradições de nossa sociedade dita inclusiva, mas com visões tão excludentes sobre as pessoas com Síndrome de Down. Quanto às previsões positivas do processo inclusivo dessas pessoas, ficou claro que um trabalho de base tem que ser feito, uma vez que a sociedade ainda não está preparada para recebê-las satisfatoriamente. Falta esclarecimento sobre as múltiplas diversidades existentes nas pessoas em geral, pois todos temos nossas particularidades ditas únicas e especiais.

15. Sentimento das Mães Vinculados ao Impacto do Diagnóstico de Síndrome de Down em seus Filhos.

Proponente: Angélica de Medeiros S. Boucinhas (Graduanda/UFRN).

Autores: Aline Francisca de Oliveira (Graduanda/UFRN), Angélica de Medeiros S. Boucinhas (Graduanda/UFRN), Camilla Danielle Silva de Lima (Graduanda/UFRN), Camomila Lira Ferreira (Pós-Graduanda/UFRN), Clarisse Alves da Mota Souza (Graduanda/UFRN), Lúcia Maria Gomes Torres (Pós-Graduanda/UFRN), Eulália Maria Chaves Maia (Professora/UFRN).

Departamento: Departamento de Psicologia / CCHLA / UFRN.

e-mail: angel_as@uol.com.br

A Síndrome de Down (SD) é uma condição decorrente de alterações no cromossomo autossômico de número 21. Apesar de bastante comum, ainda está envolvida por idéias errôneas e preconceituosas que prejudicam o desenvolvimento do indivíduo, principalmente quando estão presentes nos cuidadores, especialmente na mãe, afetando o estabelecimento do vínculo. A diferença entre o funcionamento psíquico da mãe e o da criança são fatores relevantes na formação da estrutura psíquica da criança, e, o comprometimento desse vínculo mãe-filho prejudicará seu desenvolvimento. A maneira como o diagnóstico é transmitido influencia o estabelecimento do vínculo mãe-bebê, podendo retardar esse desenvolvimento quando dado de maneira inadequada. Este trabalho objetiva analisar os sentimentos das mães, frente ao diagnóstico de SD do seu filho, verificando as diferentes formas de transmissão do diagnóstico, e investigando a existência de uma relação entre essa transmissão e a formação do vínculo. A pesquisa foi realizada com 20 mães cujos filhos, na faixa de 0 a 3 anos de idade, apresentam SD e recebem atendimento no Hospital de Pediatria da UFRN (Natal/RN), com as quais foi aplicado um questionário semi-aberto. Os resultados encontrados indicaram que receber o diagnóstico de um filho com SD é um choque para as mães, sendo comumente atribuído a sentimentos de tristeza, havendo poucos relatos de uma boa aceitação inicial. Esses sentimentos apresentam-se como característicos desse primeiro momento, havendo uma posterior aceitação da Síndrome. As mães, em geral, acharam insuficientes as informações recebidas sobre a SD, e relataram ter sentido necessidade de falar com outras mães que passaram pela mesma situação e com sua própria família, indicando a importância do apoio da família e do conhecimento sobre o assunto na aceitação da síndrome. Os resultados obtidos apontam para a necessidade de uma melhor preparação (e sensibilidade) dos profissionais da área de saúde ao transmitirem o diagnóstico.

16. FONTES DE STRESS E DOENÇAS OCUPACIONAIS DOS MÉDICOS

Proponente: Eliane Medeiros Costa

Autores: Ana Lúcia de Souza Carvalho, Vânia de Vasconcelos Gico, Íris do Céu Clara Costa

e-mail: kanaua@ig.com.br

Este artigo discute as fontes de stress e as doenças ocupacionais que acometem os médicos, em Natal - Rio Grande do Norte - Brasil. Trata-se de um estudo exploratório, de natureza quanti-qualitativa, tem como aporte teórico o referencial humanista existencial. Os dados foram coletados através de um questionário contendo 18 questões abertas sobre a inserção deste profissional no curso de medicina, sobre relacionamentos familiares e sociais, ambiente laboral, e questões referentes ao estresse e a qualidade de vida. Do universo de 841 médicos associados na Associação Médica do Rio Grande do Norte nas especialidades: Anestesiologia, Cirurgia Geral, Ginecologia, Oftalmologia, Ortopedia, Pediatria e Psiquiatria, foi retirada uma amostra de 67 sujeitos. Os resultados apontam para diversas fontes desencadeantes do estresse na atividade médica, dentre elas: as condições inadequadas de trabalho (28,76%), as condições clínicas dos pacientes (21,92%), a sobrecarga de trabalho (9,59%), os riscos em cirurgias (9,59%) e os colaboradores ineficientes por falta de atualização (6,85%). Evidenciou-se os especialistas que são acometidos por mais de uma doença apontando um maior percentual nos pediatras (32,5%), ginecologistas (22%) e anestesiologistas (15%); verificando- se também as doenças ocupacionais que mais acometem os profissionais médicos, quais sejam: Doenças Coronarianas (26%), Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) (15%), Cálculo Renal (9%) e Gastrite (6%). Conclui-se que as doenças ocupacionais que acometem os sujeitos pesquisados podem estar relacionadas com as fontes de stress presente no exercício profissional da medicina.

17. Significado da Instituição Hospitalar para Médicos de Hospital Público e Privado

Proponente: Joel Lima Júnior (Pós-Graduando/UFRN), Ana Suzana P. Medeiros (Graduanda/UFRN).

Autores: José Helder Franco Aquino (Graduando/UFRN), Soraya Guilherme Cavalcanti (Pós-Graduanda/UFRN), Ariane Cristina da Silva Fernandes (Pós-Graduanda/UFRN), Larissa Mascarenhas Souza (Graduanda/UFRN), Felipe Serquiz Elias Pinheiro (Graduando/UFRN), Emanuela de Oliveira Justino (Graduanda/UFRN), Eulália Maria Chaves Maia (Professora/UFRN).

Departamento: Psicologia / Grupo de Estudos: Psicologia e Saúde / CCHLA / UFRN.

E-mail: joellijr@ig.com.br

Com o advento de propostas de humanização da assistência a saúde, assunto bastante em vigor atualmente, fez-se necessário que os profissionais de instituições hospitalares procurassem observar melhor sua forma de atuação, o ambiente de trabalho e seu relacionamento com os usuários. Observa-se ainda que, os vários contextos hospitalares podem ter perspectivas diferenciadas segundo a visão desses profissionais, o que pode ocasionar em formas distintas de postura profissional. A presente pesquisa (em andamento) busca verificar qual o significado de instituição hospitalar para os profissionais da área médica que atuam em hospitais públicos e privados, bem como o perfil profissional influencia nesse significado. Os dados foram coletados através de um questionário, aplicado individualmente nas respectivas instituições. Até o momento, dos dez questionários plicados (88%) dos sujeitos são do sexo masculino, ganham em média vinte e um salários mínimos nas instituições privadas e entre seis e dez nas instituições públicas. De um modo geral, o hospital público é visto como uma instituição de condições de trabalho precárias, uma vez que os profissionais são sobrecarregados, recebem baixos salários e não possuem materiais suficientes para o exercício de tal profissão. Já o hospital particular é visto como aquela instituição que valoriza o profissional e usuário, e coloca à a disposição o necessário para o desenvolvimento das tarefas assistenciais, no entanto possui muita burocracia. Percebe-se então que, o significado atribuído à instituição pelos profissionais de saúde é um caminho eficaz na tentativa de compreender as relações que se travam no âmbito hospitalar uma vez que ele é construído baseado nas experiências desses sujeitos.

18. A Sobrecarga de Trabalho na Equipe de Técnicos de Enfermagem

Proponente: Ariane Cristiny da Silva Fernandes (Pós-Graduanda/UFRN), Larissa Mascarenhas Souza (Graduanda/UFRN)

Autores: José Helder Franco Aquino (Graduando/UFRN), Soraya Guilherme Cavalcanti (Pós-Graduanda/UFRN), Felipe Serquiz Elias Pinheiro (Graduando/UFRN), Emanuela de Oliveira Justino (Graduanda/UFRN), Ana Suzana P. Medeiros (Graduanda/UFRN), Joel Lima Júnior (Pós-Graduando/UFRN), Eulália Maria Chaves Maia (Professora/UFRN).

Departamento: Psicologia / Grupo de Estudos: Psicologia e Saúde / CCHLA / UFRN.

E-mail: ariane.fernan@ig.com.br

As principais características do exercício profissional em saúde se constituem na longa jornada de trabalho e na atuação laboral em várias instituições simultaneamente, características estas que atuam como ferramentas de compensação para a baixa remuneração dos profissionais. O excesso de trabalho, tanto no que se refere ao volume quanto no que diz respeito à diversidade de tarefas, atrelado a forte carga emocional envolvida no contexto assistencial em saúde e as precárias condições de trabalho, são alguns dos elementos que compõem um quadro de “insalubridade ocupacional”, o qual interfere diretamente no bem-estar biopsicossocial do profissional de saúde. Sendo assim, a presente pesquisa (em andamento) visa inicialmente identificar o perfil da equipe de auxiliares e técnicos de enfermagem (N-30) em um hospital estadual da cidade de Natal – RN, bem como analisar aspectos relativos à sobrecarga de trabalho destes profissionais e as possíveis conseqüências de tal fator em seu desempenho cotidiano no contexto hospitalar e em sua saúde psíquica. Os dados foram coletados através de um questionário, aplicado individualmente e foram analisados pelo programa estatístico SPSS. Verificou-se até o momento que (73, 3%) da amostra é do sexo feminino, com idade entre trinta e quarenta anos. Observou-se também que, os profissionais do sexo masculino geralmente trabalham em mais hospitais que os do sexo feminino (75%) e em média a remuneração desses profissionais está entre um e cinco salários mínimos. Percebe-se ainda que, a maior carga horária de trabalho foi encontrada no hospital público, o que já aponta para uma sobrecarga de trabalho. Diante do exposto, verifica-se a urgência de se encontrar novas estratégias que visem melhores condições não só para usuários como também para a equipe de saúde, pois a sobrecarga de trabalho desta categoria é uma variável determinante da qualidade das relações mantidas no ambiente laborativo, bem como da sua saúde mental.

19. PATOLOGIAS CRÔNICAS E FAMÍLIA NA CLÍNICA-ESCOLA DA UNIVERSIDADE POTIGUAR

Alexsandra Romualdo de Souza

Aracelle Batista Gonzaga

(Departamento de Serviço Social/UFRN)

aracellebg@yahoo.com.br

O presente trabalho relata uma discussão à cerca da importância da participação da família no tratamento de patologias crônicas especificamente hipertensão e diabetes. Trata-se de uma experiência interventiva com o Projeto Família Doce Vida vinculado ao Projeto Doce Vida realizado na Clínica-Escola da Universidade Potiguar, tendo em vista a educação em saúde. Teve como objetivo favorecer o controle no tratamento da hipertensão e diabetes através do intermédio da família e equipe técnica; da família e paciente, visando o fortalecimento do grupo do Projeto Doce Vida e a diminuição do abandono do tratamento após o desligamento dos usuários do Projeto. Teve como metodologia a realização de visitas domiciliares com a aplicação de questionário avaliativo e a realização de reuniões semanais com os usuários do Projeto Doce Vida, buscando intervir na realidade e nas dificuldades em que os portadores de doenças crônicas enfrentam para controlar a doença através de tratamento adequado, e por outro lado à exclusão social que percebem no seu enfrentamento diário ocasionado por sua doença. Posteriormente foram realizadas reuniões mensais com os familiares do Projeto Doce Vida através da implementação do Projeto Família Doce Vida, visando desta forma sensibilizar para a promoção da qualidade de vida de ambos os usuários, no âmbito de suas relações sociais. Constatou-se que as famílias foram sensibilizadas a respeito de sua importância no apoio ao portador de doença crônica como também a importância do trabalho realizado em grupo, que se confirmou segundo os relatos dos usuários e dos próprios familiares.

20. A saúde como um fenômeno além doença

Proponentes/Autoras: Dayanne Priscilla Ferreira de Sousa

Francisca Sandrinny Maia Rocha

Professor(a): Izete Dantas

Endereço eletrônico: day-ufrn@ig.com.br

Instituição: Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Departamento: Serviço Social

Apresentou uma proposta de intervenção junto aos pacientes do Hospital Universitário Onofre Lopes, no período de agosto a dezembro de 2004. A escolha do objeto foi feita através de uma pesquisa realizada dentro do Programa de Avaliação da Satisfação do Usuário Interno, onde se constatou que um número considerável dos pacientes permanecia um longo período de tempo na instituição à espera de cirurgia, este fato ocasionava nestes pacientes um profundo estado de ociosidade. Para que se pudesse amenizar esta situação, foram sistematizadas ações, através do Método Altadir de Planejamento Popular (MAPP), que objetivavam reduzir a ociosidade dos mesmos durante este período de hospitalização, procurando fazer com que este tempo não se apresentasse de maneira tão dolorosa, bem como na tentativa de proporcionar-lhes um aumento do companheirismo e da ajuda mútua, já que estes eram, em sua maioria, provenientes do interior do estado do Rio Grande do Norte e não se encontravam no grupo de pacientes com direito a acompanhantes. Para isto foram desenvolvidas atividades grupais interativas, manuais, dinâmicas de grupo, palestras, filmes e troca de experiência. Conseguiu-se através deste trabalho, despertar neles uma preocupação mais solidária com o outro, proporcionando uma maior aceitação das diferenças, mas acima de tudo foi utilizado convenientemente o seu tempo livre e ocioso.

21. SAUDE POLÍTICA: UM DESAFIO PARA UMA DOCE VIDA

Ednara Gonçalves de Oliveira

Graduanda do Curso de Serviço Social da UFRN

E-mail: narassoufrn@hotmail.com

Gilkelly Sibelly Filguera

Graduanda do Curso de Serviço Social da UFRN

E-mail: kellyufrn@yahoo.com.br

Orientador: Prof. Dr. João Dantas Pereira – DSS/UFRN

Considerando o novo conceito de saúde, que a define como um bem estar biopsicossocial, pode-se concluir que as condições sociais interferem na saúde dos indivíduos. Tendo em vista esse pressuposto, o presente estuda visa elucidar a implementação do Projeto Curricular “Saúde política: um desafio para uma doce vida”, o qual se propõe a desenvolver atividades comunitárias, cujo propósito principal é o desenvolvimento de ações capazes de possibilitar uma maior sensibilização política de portadores de hipertensão, diabetes e obesidade. Tais atividades são realizadas junto ao Grupo Doce Vida, vinculado a Universidade Potiguar. Os resultados preliminares mostram-se satisfatório, confirmando as influências dos fatores sociais na saúde e a importância da formação cidadão no tratamento das questões relacionadas à saúde, fazendo-se, então, necessária uma maior discussão sobre o tema em evidência.

22. MULHER E SAÚDE: UMA QUESTÃO DE DIGNIDADE

Giordana de Oliveira Alves

giordana10@ig.com.br

Depto. de Serviço Social

A relação mulher e saúde é um dos temas alvo de estudos nas diversas especialidades, e em todas, temos que levar em consideração o aspecto social. Por tal motivo, a presente pesquisa visa uma análise inicial sobre mortalidade materna no mundo, no Brasil e no Rio Grande do Norte, enfocando as causas principais que são falta de assistência com boa qualidade, pré-natal mal-feito, hipertensão, hemorragias, infecções; logo após trataremos um pouco da AIDS no Brasil e no mundo, mostrando dados de uma realidade em que o número de casos tem diminuído, mas não igualmente para homens e mulheres, já que o meio de prevenção mais comum é a camisinha, e é um método que dá privilégio aos parceiros do sexo masculino. E por fim o aborto inseguro, onde no Caribe e América Latina associa-se 21% das mortes femininas à gravidez, parto e pós-parto, conseqüência disto sendo o aborto realizado sob condições sanitárias precárias, pois a legislação dos mesmos proíbe o aborto; No Brasil, no ano de 2000, dados do SUS calculam que de 700 mil a 1,4 milhão de abortos clandestinos ocorreram, sendo muitos destes espontâneos (não provocados), Concluindo nesta análise que, o aumento decorre de problemas sociais como a pobreza, desigualdade, exclusão, gravidez indesejada, práticas sexuais inseguras, etc. No Rio Grande do Norte, um dos quatro Estados do Nordeste que tem hospitais que realizam aborto legal em vítimas de violência sexual, em 1998, 6,3% das mortes maternas foram por causa do aborto, e em 2000, houveram 3.136 internações com este diagnóstico.

23. A LOUCURA: DOS ALIENADOS AO HOSPITAL JOÃO MACHADO

Josivan Silveira de Oliveira

Francisco Miranda de Franca Jr

e-mail: djoupipa@yahoo.com.br

O processo de loucura institucionalizada como objeto de pesquisa está muito em volga para os trabalhos acadêmicos, principalmente aqueles ligados à área das ciências da saúde; como psiquiatria e psicologia. O estudo proposto apresenta-se em um levantamento e catalogação de um dos fundos do arquivo do Hospital Estadual João Machado. Com uma grande relevância para o campo do conhecimento amplo e disponível a estudos psicológicos, psiquiátricos e históricos e sociais futuros. Neste trabalho tentamos fazer o auxílio a estudos a partir da investigação dos prontuários médicos utilizados em instituição direcionada ao ramo da psiquiatria, onde se encontram informações de ordem pessoal, os diagnósticos com seus referentes CIDS e os seus processos de tratamento utilizados em pacientes internados nas devidas instituições.

 


GT-03: FORMAÇÃO DA LITERATURA BRASILEIRA

Coordenador:

Marcos Falchero Falleiros (Departamento de Letras)

E-mail: marcfal@ufrnet.br

Base de Pesquisa Formação da Literatura Brasileira

Departamento de Letras

Local: Auditório da BCZM

Estudos da literatura brasileira com o objetivo de valorizar a leitura historicizada do elemento estético e suas relações entre forma literária e processo social, dentro da lição que nos dá a obra fundadora de Antonio Candido, Formação da Literatura Brasileira, e as conseqüências teóricas desenvolvidas por autores como Roberto Schwarz. Tal enfoque atinge manifestações significativas da literatura brasileira e os mais variados desdobramentos de suas relações com outras literaturas, no memorialismo, no regionalismo e nas configurações próprias ao contexto das migrações de sentido e influências.

Primeiro dia

01: Vivência histórica e memória poética

Antônio Fernandes de Medeiros Júnior - UFRN

A moderna literatura brasileira do século XX produziu vasto material que privilegia o registro da memória poética por meio de versos lapidares que ecoam e são facilmente reconhecidos: de Manuel Bandeira (“A vida inteira que poderia ter sido mas não foi”) a Carlos Drummond de Andrade (“Itabira é apenas um retrato na parede. / Mas como dói”); de Mário Quintana (“A saudade é o que faz as coisas pararem / no Tempo”) a Dante Milano (“A poesia me leva a perdidos caminhos / De onde volto mais só, mais desesperançado”) todos eles, uns mais outros menos, para continuarem a escrever pagaram seu quinhão ao enlevo e à vertente lírica, através de versos impregnados de saudade e da lembrança melancólica da infância. Em relação ao tópico, a poesia de cunho rememorativo de José Paulo Paes constitui caso à parte. Nela, o leitor pode divisar a dicção de um eu-lírico que exala o sabor acre resultante da sua vivência histórica e o espírito pensante que, fincado no chão do tempo presente, repele o direito a expressar-se por meio do enlevo e da ordem sentimental; por isso, não reclama da matéria vivenciada nem aguarda recompensa do devir. A vitalidade desse eu-lírico decorre dos seus compromissos para com as coisas da materialidade, da concretude histórica e da sobriedade de caráter; assim, figura no mundo pedestre – sem esperança nem medo – empenhado em transfigurar a sua compreensão do aqui e agora e do fato vivido em linguagem de cunho poético, expressando-a sem afetação e de maneira concisa. Comentar acerca da natureza lírico-epigramática da poesia de José Paulo Paes é o objetivo dessa comunicação.

02: Gregório Bezerra – o velho revolucionário

Afonso Henrique Fávero –UFRN

O pernambucano Gregório Bezerra publicou duas obras autobiográficas em 1979. A pesquisa procura examiná-las tanto em seu caráter intrínseco como nas relações que venham a apresentar dentro da nossa literatura de memórias. Gregório Bezerra narra sua trajetória desde o nascimento num sítio de Panelas de Miranda, pequeno município de Pernambuco, até chegar a sua condição de exilado político em Moscou, com a idade de 78 anos. Suas memórias constituem um forte testemunho de vida, marcado pelo desejo de retratar o percurso que se inicia numa situação de miséria quase absoluta. Sobre o ano em que nasceu, 1900, diz: “Foi um ano seco, de muita fome e muita sede, que matou o nosso reduzido rebanho de carneiros e cabras”. Estamos, na verdade, diante de um narrador que na infância conheceu de perto as imensas dificuldades da existência num meio natural e socialmente inóspito; e que pautou sua atitude de adulto na busca da superação do convívio humano injusto.

03: “Pupilas do sol da seca”: a imagem do “flagelado” na literatura nortista

André Gustavo Barbosa da Paz Mendes - História - UFRN

O presente trabalho tem por objetivo analisar a construção discursiva do homem e da mulher do norte a partir da literatura regionalista, entre 1876 e 1938. Para tanto, foram utilizadas obras específicas desse período que tratam do tema do regionalismo e, consequentemente, do que mais marca essas obras: a seca. Contudo, o presente trabalho é parte de um estudo em andamento e se restringe a duas obras específicas: O Cabeleira, do cearense Franklim Távora e O Sertanejo, do cearense José de Alencar. Esse estudo se justifica na medida em que a obra literária é importante para o historiador pela sua capacidade de construção e representação dos eventos, ou seja, dos acontecimentos e seus detalhes. Em relação às obras mencionadas acima, isso é bastante nítido, pois fazem parte de uma tendência literária que procurava descrever com realismo os aspectos naturais, sociais e até psicológicos dos habitantes da então região Norte. Além disso, essa literatura regionalista se configura como fonte importante desse estudo por ter sido capaz de produzir um discurso sobre o homem e a mulher do Norte e difundi-lo – devido ser naquele período um dos principais meios de comunicação, assim como os jornais – por toda a região Norte e Sul do Brasil. Segundo Sandra Jatahy Pesavento a literatura é um texto e remete-nos a noção de que todo texto é uma construção historicizada e que se expressa por um conjunto de signos que comportam significados e coerências dentro do universo mental de uma época. Assim, propomos perceber as regularidades discursivas dessas obras literárias que construíram os enunciados da formação discursiva da imagem do “flagelado”.

04: A expressão do sofrimento – no sertão de João Cabral de Melo Neto

Carlos André Pinheiro- Letras - UFCG

Grande parte da obra de João Cabral de Melo Neto está intimamente ligada aos temas do nordeste brasileiro, lugar onde nasceu e viveu por alguns anos – daí porque se encontra com certa facilidade uma série de textos que aborda a temática da seca, da fome, da morte, da aspereza e da falta de recursos financeiros que caracteriza boa parte dessa região. O poeta recupera algumas experiências sofridas de seu povo e constrói um acervo de imagens árduas, que confere expressividade ao poema e parece traduzir o sofrimento no instante em que a dor se mostra mais aguda. O objetivo deste trabalho, portanto, é exatamente estudar o processo de composição dessas imagens, sempre atentando para a idéia de sofrimento que está ligada ao nordestino. Para tanto, leremos os poemas “O luto no sertão”, “Cemitério pernambucano (Nossa Senhora da Luz)” e “O sertanejo falando”, procurando também deixar bem evidente a relação do homem com a sua terra.

05: Reificação e violência em “Morte do leiteiro”

Caroline Mabel M. S. Martins

Virgínia de S Falcão - Bolsistas PET-Letras - UFCG

Em meio a um cenário de guerra e desolação, Drummond publica, em 1945, A Rosa do Povo, ponto alto da poesia moderna de participação social (ACHCAR, 1993). Dentre os 55 poemas encontrados no livro, selecionamos “Morte do Leiteiro”, pela sua maneira particular de revelar “o desconcerto do mundo”, através da narração de um “fato cotidiano (a entrega diária do leite) suspenso por uma ação violenta (assassinato de um inocente)” (TITO, 2002). Nosso objetivo é, portanto, enfocando os temas da reificação humana e da violência, verificar como o poeta está atento às formas de desumanização do mundo moderno e suas conseqüências. Para tanto, procederemos a uma análise interpretativa do poema, com base nos pressupostos teóricos de Candido (2002), que propõe uma interligação entre texto e processo social, em que o social deixa de ser elemento externo, e passa a ser essencial na constituição da obra, tornando-se interno. A perspectiva analítica adotada favorece uma leitura “historicizada” deste importante poema de Carlos Drummond de Andrade.

06: O lugar da utopia nos contos rosianos

Cássia de Fátima Matos dos Santos

Letras – Campus de Açu - UERN

O lugar de Guimarães Rosa no processo de formação da literatura brasileira já é evidente e não nos cabe nenhum esforço nesse sentido. O nosso objetivo é, somente, discutir o fio condutor de alguns de seus contos, demonstrando, com isso, o caminho trilhado pelo autor para constituir sua obra e revelar o seu projeto literário e, junto a isso, a sua visão de nação. No olhar ficcional de Rosa é possível perceber o que ele recorta como imagens de um Brasil rural e peculiar. Linguagem e temas se imbricam numa metonímia que resulta em uma leitura livre de impregnações ideológicas, mas partidária de uma busca de entendimento do lugar pátrio. Na busca desse entendimento, há um lugar utópico que se mostra recorrente nos textos observados. Nesse sentido, o regionalismo pode ser evocado como um componente integrante da visão de país do autor. É, todavia, no dizer de Antonio Candido, um super regionalismo, já que teríamos ultrapassado a idéia de país novo (românticos) e também de país subdesenvolvido (modernistas). É, portanto, um outro momento do processo de formação de nossa literatura. É, possivelmente, um salto evolutivo e que supera os caminhos postos até então. Entretanto, personagens, lugares e linguagens, sertões enfim, estão postos nos textos como resistência (daí a idéia de utopia), levando-nos a questionar o que pretendeu o autor dos gerais ao optar por caminhos tão permeados de aspectos interioranos do país, para compor seu projeto literário.

07: Riobaldo e seus três tipos de amor

Claudinale Martins Pinto

Bolsista Letras - UFRN

A obra de Guimarães Rosa Grande Sertão:Veredas vai relatar a vida de Riobaldo, fazendeiro do estado de Minas Gerais, que contará sobre sua vida de jagunço a um ouvinte não identificado.Dentre suas várias histórias narradas, podemos observar a forte presença do “amor”.Segundo o estudioso Benedito Nunes em seu texto teórico O amor na obra de Guimarães Rosa, Riobaldo conhece três espécies de amor,cada um em uma esfera diferente.São três amores, três paixões qualitativamente diversas por três mulheres que irão mexer com um certo ponto do seu pensamento.Esse tema perpassa todo o enredo na obra de Guimarães Rosa,e esse sentimento assume uma posição muito privilegiada no texto, pois vai se entrelaçar com o problema da existência do Demônio e da Natureza do Mal. Portanto, com base no texto teórico de Benedito Nunes correlacionado com a própria obra Grande Sertão: Veredas, este trabalho pretende mostrar as diversas espécies de amor (em seu estado humano ou divino) vividas por Riobaldo.

08: Registros literários da prosa no Rio Grande do Norte na década de 30

Daíse Fernandes Dantas - Letras - UFRN

Durante as primeiras décadas do século XX, aconteceram processos no Rio Grande do Norte, determinados por conjunturas em que a tradição e a realidade urbana em processo de modernização interferiram no movimento de renovação literária e cultural. Este fenômeno está relacionado à introdução do modernismo no estado. Ao final da década de 1920, foram produzidos inúmeros textos modernistas, criando-se uma expectativa de continuidade para as décadas posteriores e abrindo a possibilidade de inserção dessa produção poética local no sistema literário nacional. Neste sentido o objetivo deste trabalho é divulgar a leitura de um levantamento de dados e observações feitas sobre registros literários da prosa no Rio Grande do Norte durante a década de1930. Foram coletados textos do jornal natalense A República, datados dos anos de 1931, 1933, 1934 e1935. Feito o estudo dos textos, verificaram-se alguns temas recorrentes como: Modernismo, Vanguardas européias, regionalismo, folclore, música e filosofia.

09: Palmyra Wanderley: perfil feminino dos anos 20

Daniella Lago Alves Batista de Oliveira -Letras - UFRN

Este trabalho pretende apresentar uma discussão sobre a perspectiva de escritoras potiguares que publicaram no espaço de jornais (especificamente, A República e O Feitiço) no início do século XX . Entre as escritoras da época, o destaque apresentado nesta pesquisa é para a escritora Palmyra Wanderley, a qual exerceu com brilhantismo sua função de jornalista, levantou questões relativas à emancipação feminina, sendo pioneira com esse questionamento. Palmyra Wanderley serviu à causa da mulher através do jornal, que, por sua vez, serviu-lhe como veículo do ideário moderno, como um novo espaço para a expressão feminina quanto à vida social, com o objetivo de mudar o modo de pensar, propagando novas idéias. Incluía, entre os principais temas: o amor, o casamento, o reconhecimento do papel da mulher no seio familiar e a educação feminina. Essas temáticas aparecem sob uma forma de expressão moderna, combinando-se com a presença do movimento modernista no Rio Grande do Norte.

10: Literatura Brasileira: uma ilha de palavras cercada de labirintos

Elaynne Camilla Alves Costa

Maria de Fatima de Araújo

Letras - UFRN

Compreender a literatura é praticar teoria dialógica, como a proposta por Bakhtin, cujo entendimento advém da interação social, da interlocução entre leitores, ou seja, é com as palavras e idéias dos outros em diálogo com as nossas que o conhecimento é tecido. Assim, o leitor "literário" é aquele para quem o texto escrito pulsa como um horizonte infinito de possibilidades imaginativas, ricas e poéticas. A formação da literatura brasileira deu-se através da ponte entre a colonização portuguesa e a busca de identidade cultural; o conhecimento e a apreensão da cultura estrangeira: constante movimento de auto-descoberta, auto-reconhecimento e construção das raízes nacionais. As tendências, os estilos ou manifestações artísticas se diversificam assim como os modos de vida na sociedade, os sistemas econômicos, políticos e ideológicos. Olhando mais profundamente, observamos que esses não só nos caracterizam como seres históricos, mas, como seres humanos: espírito clássico e espírito medieval; razão e emoção; vontade urgente de crescer e medo do novo; individualidade e coletividade etc. O homem e o mundo em sua relação dialética, nos faz lembrar que as raízes nas quais falamos são mais antigas do que parecem: os deuses Apolo e Dionísio, um representando a luz solar, a racionalidade humana, e o outro a necessidade de embriaguez, de irracionalidade - ambos pertencentes à mitologia clássica - já anunciavam esse velho dilema de que a arte expressa , não apenas as nossas dualidades, nossas contradições, mas, na medida em que tendemos a fundi-los, de fazer com que se interpenetrem em um mesmo texto, a nossa eterna sede de completude. Em suma, a literatura brasileira é um retrato da cultura, dos costumes, de uma civilização de múltiplas faces, realidades e cores, portanto, não devemos estudá-la de forma linear, mas, compreendendo a multiplicidade de suas manifestações.

11: A história na literatura: a revolta da vacina e O alienista

Inês Florence

Mestranda - PPgEL - UFRN

Entre 1881 e 1882, Machado de Assis publica O Alienista. Em 1904, ocorre a revolta da vacina, movimento popular ocorrido no Rio de Janeiro, em reação ao plano de saneamento da cidade, do então diretor-geral da Saúde Pública, Osvaldo Cruz, em que uma das metas era tornar obrigatória a vacina contra a varíola. O objetivo do trabalho é comparar os dois episódios - a revolta da vacina e a revolta dos Canjicas (manifestação fictícia ocorrida no conto machadiano). Ambas as revoltas possuem a participação popular, bem como são reação ao discurso e atitudes cientificistas e à invasão da vida privada, o que será discutido no trabalho.

12: O itinerário existencialista de G.H.

Joanna Angélica Borges da Silva

Mestranda - PPgEL -Letras - UFRN

Através da tensão conflitiva, Clarice Lispector consegue estabelecer uma correlação entre estranheza e o olhar perceptivo, que qualificam alguns de seus personagens, no momento que questionam a respeito da sua própria existência. Questões filosóficas profundas, como a verdade e a condição humana, estão colocadas no romance A paixão segundo G.H.. Uma reflexão que é despertada a partir de um fato aparentemente banal, e jorra como produto incontrolável de um fluxo de consciência. A tomada de consciência pela personagem G.H., obedece muitas vezes a um ritual reflexivo, tortuoso e, até mesmo, doloroso. G.H. busca, em si mesma, pela introspecção radical, sua identidade e as razões de viver, sentir e amar. Sendo assim, podemos aproximar a obra de Clarice da corrente filosófica existencialista, especialmente do existencialismo literário-filosófico de Jean Paul Sartre, pois no romance de Clarice Lispector, destaca-se a introspecção, que ao pé da letra, quer dizer visão para dentro, e é mais ou menos isso que vamos observamos em G.H., a autora parte da vida interior de sua personagem, e se preocupa em mostrar o mecanismo psicológico dos atos, que é a própria razão metafísica do seu estar no mundo. A teoria sartreana do ser-para-si conduz a uma teoria da liberdade. O ser-para-si define-se como ação e a primeira condição da ação é a liberdade. O que está na base da existência humana é a livre escolha que cada homem faz de si mesmo e de sua maneira de ser. O em-si, sendo simplesmente aquilo que é, não podendo ser livre. A liberdade provém do nada que obriga o homem a fazer-se, em lugar de apenas ser. Portanto, esse trabalho pretende traçar um paralelo entre a teoria sartreana e a reflexão existencial da personagem G.H.

13: O narrador em Dão-Lalalão (O devente)

Joel Maurício Fialho

Mestrando - Letras - PPgEL - UFRN

Noites do sertão, de Guimarães Rosa, leva-nos ao contato com a profundidade do psicológico e nos faz penetrar na essência do pensamento humano através da saga, da vida, dos amores dos seus personagens. A primeira novela, da obra Dão Lalalão (O devente), revela a genialidade do seu criador que, fazendo o uso de técnicas que privilegiam o fluxo de consciência do personagem principal (Soropita), percorre com ele o que cronologicamente sucede em, mais ou menos, um dia (24h). Esse tempo físico, porém, é extrapolado por uma narrativa que não obedece a uma construção presa à lógica. O que, na verdade, o narrador acompanha são os pensamentos dessa personagem que, ao gosto de suas oscilações naturais, divagam sem tempo nem espaço definidos, como comumente se dá com nossos processos reflexivos. Percebe-se na narrativa que o autor (narrador) faz a captação de um momento em que um conjunto de conflitos se instalam na mente da personagem principal e caminham para o seu clímax e desfecho. A causa profunda desses impasses liga-se à necessidade que Soropita sentia, tanto de esconder-se de seu passado, como de não querer que se revelasse no Ão a vida que anteriormente tivera a sua esposa. Como último recurso, esse anti-herói transforma-se em herói, fazendo vir à tona o seu ser do passado (O homem de armas), preferindo expor a sua anterior condição, a deixar que se maculasse a beleza da imagem de mulher que a todo o tempo se revela em Doralda.

14: O racialismo romântico em O tronco do ipê: a fragilização do forte

Joyce Kelly Barros da Silva

Bolsista PET-Letras - UFCG

O racionalismo romântico configurou-se no século XIX como uma visão paternalista e aparentemente humanitária do homem negro, adotada pela camada burguesa, intelectual e “científica” da época, que buscou através dessa ideologia justificar a presença da instituição servil no Brasil escravocrata. Nesse sentido, o escravo foi visto e tratado como um ser incapacitado de manter-se livre na sociedade, já que se afirmou por meio das teorias vigentes que o negro era um ente extremamente dócil, humilde, infantil, impossibilitado de conviver entre os malvados homens brancos. Esta concepção perpassa também parte da literatura desse momento histórico, mais precisamente no Romantismo, no qual a idealização, como caractere forte, contribuiu para a omissão de relações conflituosas entre escravos e senhores, criando uma noção de servilismo voluntário por parte do escravo negro. O objetivo do nosso trabalho é observar como esta visão de mundo apresenta-se no romance O tronco do Ipê, do escritor José Martiniano de Alencar. Nosso estudo tem caráter analítico e o auxílio das leituras de BOSI (1974); CANDIDO (1985; 2000); GOMES (1988); GUIMARÃES (2001). Além disso, buscamos traçar paralelos com outras obras desse e de outros escritores do estilo literário romântico, nas quais vemos matizes desse perfil ideológico.

Segundo dia

15: A personagem feminina e a formação do romance brasileiro

Maria Edileuza da Costa

CAMEAM - NELLP- UERN

O trajeto da narrativa e a criação da personagem feminina na literatura brasileira foram delineados, definidos e construídos ao longo da história. Até o Romantismo, os textos literários apresentavam-se majoritariamente em poesia; o triunfo do romance se amparou na estratificação simples de grupos familiais, na atenção ao meio e no espaço geográfico e social, onde a narrativa se desenvolve e floresce. A primeira narrativa brasileira, que ficou conhecida pelo público, tem como personagem feminina Carolina (A moreninha), dá origem ao mito sentimental; logo depois, a imaginação do escritor brasileiro vai se espraiando na busca de narrativas que representassem o tempo, o espaço e a personagem feminina perfeita. Quanto ao desenvolvimento da personagem feminina na literatura brasileira, não podemos estudá-la sem antes nos ater a outras personagens que nasceram antes e cresceram na História e na Literatura. O princípio de que o texto literário se insere num espaço intertextual, e dele deflui, leva-nos a relatar fatos sobre: Lilith, Eva, Maria, Dalila, Helena, Penélope, pois essas personagens fizeram parte de um universo feminino.

16: Gregório Bezerra - o velho revolucionário

Maria de Fátima Dantas de Souza

Bolsista - Letras - UFRN

Gregório Bezerra foi um comunista que lutou com garra e sem medo pelos seus objetivos e pelo seu povo. Foi líder camponês, deputado federal e inimigo do latifúndio. Gregório foi fiel aos seus ideais até os últimos dias de sua vida. Foi devido a seu interesse e participação nas lutas pelos direitos iguais que Gregório, ao 17 anos de idade, foi encarcerado pela primeira vez. Em 78 anos de vida, foi por várias vezes preso, sofreu muitas torturas e injustiças. São esses momentos cruéis de Gregório que serão expostos neste trabalho.

17: A estética da rememoração em Jorge Andrade

Maria Tânia Florentino de Sena

Este trabalho pretende mostrar a interligação que existe entre o primeiro e o segundo planos da peça teatral A moratória de autoria de Jorge Andrade. O dramaturgo tece um fio de seda para unir passado (segundo plano) e presente (primeiro plano) de uma família, distanciados pelo tempo (três anos) e pelo espaço (fazenda x cidade). Esta ligação é realizada pela reminiscência, pela intercalação de diálogos ou pela disposição espacial das personagens. A elucidação ou evocação que as falas de um plano estabelece com a do outro, solda e modela o texto implicando numa auto-afirmação da peça; ela mesma se escreve e interpreta por meio dessa simbiose entre os dois palcos.

18: Análise da produção poética de 30 no Rio Grande do Norte

Maria Aparecida de Almeida Rego

Letras - UFRN

A proposta deste trabalho é apresentar um levantamento de dados sobre registros poéticos nos jornais A República e Feitiço nos arquivos do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte referentes à década de 30. Por meio da análise do material coletado, verifica-se a produção poética nos anos em estudo. Observa-se a presença marcante de alguns poetas como produtores literários na década de 30, bem como a presença de alguns temas recorrentes (natureza sertaneja, acontecimentos do cotidiano, religiosidade, dentre outros), além da diversidade estrutural na publicação de poesia. Pretende-se discutir elementos característicos do movimento literário e cultural do Rio Grande do Norte, da década de 30, incorporando-os ao movimento literário e à produção nacional, relacionado com essa discussão o método de pesquisa histórica.

19: Memórias de infância

Marcel Lúcio M. Ribeiro

Mestrando- Letras - UFRN

Jasseana A. de Souza

UnP

No ano de 1938, Graciliano Ramos foi um dos jurados do Concurso de Contos Humberto de Campos, promovido pela Livraria José Olympio. Coube ao escritor de Vidas secas decidir qual autor receberia o prêmio, pois os demais avaliadores estavam em dúvida entre Maria Perigosa, do pernambucano Luís Jardim (1901-1987), e um livro denominado Contos assinado pelo pseudônimo Viator, que mais tarde soube-se tratar do escritor mineiro Guimarães Rosa. Graciliano Ramos optou por votar em Maria Perigosa e fez com que Luís Jardim recebesse o primeiro lugar do concurso. No entanto, no cenário literário atual, os escritos de Jardim estão relegados ao segundo plano, enquanto que a obra de Guimarães Rosa é alçada ao posto de uma das mais importantes da literatura brasileira e até da universal. A estudiosa Sônia Maria van Dijck Lima afirma que essa mudança de perspectiva ocorreu, dentre outros motivos, por causa da saudação da crítica literária ao livro Sagarana, de Guimarães Rosa em 1946. Segundo Sônia, a crítica, ao elogiar Sagarana (que era o livro Contos reformulado), repreendia o livro de Jardim, que foi publicado em 1939, por causa do resultado do concurso de 1938. Assim, Rosa ganhou espaço e contribuiu para o eclipse da carreira literária de Jardim. Porém, lendo-se Maria Perigosa, constatou-se que os contos de Jardim possuem qualidade literária e podem haver influenciado a autobiografia Infância, de Graciliano Ramos, porque esta obra, publicada em 1945, traz muitas semelhanças com o livro de Luís Jardim, como o memorialismo, o narrador adulto que, ao relembrar sua infância, assume na narrativa um ponto de vista de criança e a descrição de paisagens do Nordeste. Portanto, este trabalho pretende reavaliar um autor de qualidade que está fora do cânone literário brasileiro e traçar um paralelo entre as obras Maria Perigosa e Infância.

20: Os títulos de Oswald e o colunismo social

Marcos Falchero Falleiros - UFRN

Haroldo de Campos deixa de perceber a sutil perspicácia crítica de Mário de Andrade quando considera equivocada sua percepção a respeito do “espírito parnasiano” das tiradas conclusivas de Oswald de Andrade, que, assim, manifestariam o uso do pior de todos os processos parnasianos: o verso de ouro: “Pau-Brasil está cheio de poemas escritos unicamente por causa do verso de oiro, que no caso, em vez de ser lindo à parnasiana, é cômico, é ridículo etc `a Osvaldo”. Parece, entretanto, que as tiradas de Oswald de Andrade se confirmam nesse diagnóstico se as considerarmos transferidas da finalização para os títulos de seus poemas  o que sugere uma análise a respeito de sua estética modernista bem mais problemática e exigente de minuciosas mediações, na medida em que nisso observamos que o processo é imitado e muito bem assimilado pela linguagem do colunismo social posterior que ainda vigora em nossos dias.

21: Uma pausa … Outra vida … Uma pausa…

Maria da Conceição Oliveira Guimarães

Doutoranda - PPgEL - UFRN

O conto “Pausa” de Moacyr Scliar oferece uma leitura vincada na ação de um anti-herói que José Paulo Paes analisa sob a categoria do pobre diabo. O pobre diabo, explica Paes, é um personagem patético pequeno-burguês quase sempre alistado nas hostes do funcionalismo público mais mal pago, vive à beira do naufrágio econômico que ameaça atirá-lo a todo instante à porta da fábrica ou ao desamparo da sarjeta, onde terá de abandonar os restos de seu orgulho de classe. No conto de Scliar, Samuel é um personagem de vida baça e incolor. Na tentativa de transformar seu pequeno mundo insignificante e repetitivo, constrói uma vida à parte. Para isto, reproduz um mundo tão medíocre e desprezível quanto àquele que ele se nega a viver. Instala uma rotina dominical, realizada com exatidão. Levanta-se cedo, faz a barba, prepara os sanduíches enquanto a mulher, que ignora o seu destino, coça a axila esquerda. Despede-se dela dizendo que volta à noite. Dirige-se a um hotel miserável, acorda o gerente que lhe entrega a chave do mesmo quarto de todos os domingos. Fecha as cortinas esfarrapadas, dá corda ao despertador de viagem, afrouxa a roupa, come vorazmente os sanduíches e dorme. Acorda sobressaltado às sete horas depois de um sonho sem relação aparente com sua vida. Lava-se na bacia, veste-se rapidamente e sai. Despede-se do porteiro que o saúda com “Até domingo que vem seu Izidoro.” Depois, segue, para casa. Não são claras as atitudes de Samuel como também não é claro o seu estar no mundo. Nada se sabe de sua vida, de seus projetos e o que o angustia. Percebe-se apenas que é um pobre diabo que luta para sufocar a somatória das insignificâncias de sua existência real.

22: Xexéu: um poeta popular dialogando com a voz romântica

M. Alda M. da Costa -UnP

M. Virgínia Xavier

Aluna especial -PPgEL- Letras UFRN

Trataremos de mostrar neste trabalho a relação da  composição poética de Xexéu (João Gomes Sobrinho), com o a composição poética românica.  A escrita de Xexéu dialoga com a voz romântica, porém numa perspectiva de “ressonância de voz”, pelo fato do tempo da escrita ser outro e não o romântico.  Xexéu leu livros de escritores da literatura brasileira, principalmente do romantismo, tais como: Castro Alves e Casimiro de Abreu. A poesia de Xexéu enquadra-se na visão de  Mouralis, quando afirma que é uma literatura colocada fora dos domínios literários  e que, só com a sua presença, constituem já uma ameaça para o equilíbrio do campo literário, (...) visto que assim revelam tudo o que nele há de arbitrário. Levando em conta o caráter arbitrário da literatura, revelado por Moularis, notamos que o romantismo estrutura-se de forma despótica, pois os escritores dessa geração buscaram refúgio no passado para suas construções. Bosi mostra que com os românticos há uma retomada das “formas medievais”, talvez por terem se desenvolvido em oposição ao intelectualismo e a tradição racionalista e neoclássica do século XVIII, tenham escolhido o “subjetivismo” e o senso de mistério, além do culto a natureza, sendo capazes de criarem mundos imaginários. Essas características também estão presentes nos cordelistas. Para Antonio Candido (1975) os românticos foram buscar nos países estranhos, nas regiões esquecidas e na Idade Média pretexto para desferir o vôo da imaginação. Vemos que grandes nomes da literatura erudita buscaram suas fontes no passado histórico e lendário da Idade Média, assim também Xexéu buscou inspiração tanto no romantismo como também na Idade Média.

23: Gregório de Matos Guerra

Natalia de Lima Nobre

Letras - UFRN

Os escritos brasileiros do período colonial são considerados, por muitos críticos e estudiosos literários, apenas como manifestações literárias. Classificando como literatura a produção Árcade e Romântica, devido a sua consciência e continuidade dum sistema literário organizado (ou em organização). Entretanto, mesmo passando tanto tempo oculto a gerações imediatamente posteriores Gregório de Matos Guerra pode, hoje, ser considerado o maior poeta do período colonial e não menos literário que tantos outros que nossa historiografia nos apresenta como clássicos. Gregório de Matos legou rica e extensa produção literária, relevante não só pela documentação da sociedade de seu tempo, mas também pelo teor artístico que alcançou. Sobretudo, considerando-se as condições de produção: “num meio sem imprensa, sem tradição, sem ambiente cultural – mas com censura rígida”. Deter-me-ei, na tentativa de tecer modestamente uma leitura analítica e interpretativa, a um de seus sonetos, uma sátira social. A qual, como bem diz Antonio Dimas, esquadrinha “o lado escuso da colonização”.

Neste mundo é mais rico o que mais rapa:

Quem mais limpo se faz, tem mais carepa;

Com sua língua, ao nobre o vil decepa:

O velhaco maior sempre tem capa.

 

Mostra o patife da nobreza o mapa:

Quem tem mão de agarrar, ligeiro trepa;

Quem menos falar, mais increpa:

Quem dinheiro tiver pode ser Papa.

 

A flor baixa se inculca por tulipa;

Bengala hoje na mão, ontem garlopa:

Mais isento se mostra o que mais chupa.

24: Em busca de uma História para o NE: Verdade e Mito em Ariano Suassuna

Paulo de Macedo Caldas Neto

Aluno especial – Mestrado-Letras- UFRN

A religiosidade está sempre presente na obra suassuniana, seja no Teatro, seja no romance, ou até mesmo na poesia. O componente litúrgico vai funcionar aqui na recriação dos fatos sociais, históricos, políticos e culturais de um Sertão de muitas lutas, ainda desconhecidas. A oposição entre Tempo Sagrado e Profano ajuda a compor um Tempo Mítico, caracterizado pelo ilusionismo das festas populares. É retomando certos acontecimentos da cultura nordestina que Ariano os transfigura de maneira a provar a existência do belo artístico, tanto na tragédia do povo como no seu lado cômico de viver.

25: A escritura oralizada na obra rosiana

Roberta Duarte de Araújo

Mestranda - PPgEL - UFRN

Na obra de Guimarães Rosa percebemos a construção de uma nova linguagem, em que a língua portuguesa surge recriada através da associação de uma linguagem culta ao falar sertanejo, reformulada através da imaginação, apresentando inúmeras significações, não só no campo semântico, como também no plano sonoro, através da representação de recursos poéticos que irão ocasionar a fluidez poética da narrativa. Faz-se necessário, portanto, um diálogo com a produção rosiana visando ressaltar imagens que se aproximam e se contrapõem, ancorando-se nos conceitos existentes na Crítica Literária e na Semiótica, procurando identificar, através do processo de escrita rosiana, as marcas da literatura oral, enquanto representações da tradição da cultura popular, propondo o estabelecimento de limites, ou mesmo, de continuidade entre a tradição cultural oral e escrita.

26: Intertextualidade em Graciliano Ramos: Alexandre e outros heróis

Wagner da Matta Pereira

Aluno especial – Mestrado - Letras - UFRN

O objeto de pesquisa deste trabalho privilegiará o livro Alexandre e outros heróis de Graciliano Ramos, tendo como foco as quatorze histórias narradas por Alexandre, personagem central. Todas as histórias possuem temáticas originais e são, aparentemente, independentes entre si. A proposta é fazer uma leitura psicanalítica e biográfica dos textos narrativos, recorrendo a outras publicações do autor. Contudo, não há qualquer pretensão de resumir a obra às teorias interpretativas supra citadas. Em Alexandre e outros heróis, o leitor encontra um Graciliano mais leve e brincalhão, mas sem perder o traço crítico, irônico e pessimista. A obra, embora pouco visitada pela crítica, não deixa de ter seu valor dentre os grandes trabalhos de Graciliano Ramos.

27: Um baile de máscaras: Machado de Assis em “Pai contra mãe”

Willams Carlos Oliveira Cabral

Letras - UFCG

Profundas e inquietantes são as implicações veiculadas por Machado de Assis em sua prosa. Porém, para além do escritor consagrado pelos leitores em geral e pela crítica especializada, um outro Machado nos chama a atenção em sua contística. Em que medida podemos enxergar na obra do bruxo do Cosme Velho, mais especificamente no conto por nós contemplado, as reflexões de um escritor que, ao contrário das críticas feitas em sua contemporaneidade, demonstrou uma visão singular e desveladora dos mecanismos internos da sociedade de sua época? Tomando como princípio a abordagem do realismo machadiano, nos propomos então a tecer uma leitura de cunho histórico-social do conto “Pai contra mãe”, ancorados nas reflexões de críticos de renome da nossa literatura, como Antonio Candido, Roberto Schwarz, Alfredo Bosi e outros. Assim, pretendemos abordar alguns aspectos da obra deste que, como nenhum outro, soube desvelar os sentidos subliminares e as máscaras de uma sociedade regida pela ótica do interesse e da impostura e que avidamente buscava as práticas sociais e uma retórica como forma de legitimação para suas condutas particulares.

28: Os brutos: memória e identidade cultural na prosa de um escritor de província

Vilma Nunes da Silva

Mestranda -PPgEL-UFRN

Estudar a obra de um minor-writer é um desafio para qualquer pesquisador: estabelecer uma referência crítica, desmistificar os comentários elogiosos ou agressivos, ou até reforçá-los, realizar o mapeamento do acervo, na verdade, contribuir para a existência de uma fortuna crítica. O autor a que esse texto faz alusão é um escritor norte-rio-grandense, nascido em Currais Novos. José Bezerra Gomes (1911-1982) publicou o seu primeiro romance, Os Brutos (1938), pela Editora Irmãos Pongetti, no Rio de Janeiro. O presente trabalho promove uma leitura crítica deste romance, procurando situá-lo no contexto histórico-literário em que foi escrito, destacando o projeto estético do autor de acordo com as propostas literárias da época (romance de 30). Através da análise de um dos elementos da narrativa (o narrador), pôde-se verificar a presença de registros neo-realistas, as estratégias lingüísticas utilizadas na composição da obra, a intrínseca relação entre autor-narrador/leitor-obra e a evidência de aspectos biográficos e memorialísticos. A prosa bezerriana é construída ao molde da narrativa de reminiscências. A história da nossa literatura nos conta que a década de 30 foi marcada pela forte presença do romance social. O grupo dos escritores nordestinos alimentou suas obras com elementos caracterizadores de suas regiões, abraçando a causa da obra engajada, do intelectual comprometido com o meio em que vive e com disposição para lutar em prol de mudanças. José Bezerra Gomes filia-se a essa tradição. Sua obra endossa um anel temático de articulação inter-regional que não possui começo e fim em si própria. Seus temas variam em torno do contraste entre a monocultura artesanal e a modernização dos processos operatórios das culturas produzidas nos latifúndios nordestinos; campo versus cidade; autoritarismo patriarcal; coronelismo e a decadência das oligarquias rurais remanescentes etc.

 


GT-04: CULTURA E SOCIEDADE NA AMÉRICA PORTUGUESA

coordenadores:

Paulo César Possamai

E-mail: paulopossamai@cchla.ufrn.br

Departamento de História

Prof. Ms. Muirakitan Kennedy de Macedo

E-mail: muirakytan@uol.com.br

Departamento de História CERES

Local: Consequinho

Este GT tem por objetivo apresentar as pesquisas sobre temáticas que remetem ao período colonial brasileiro, como: sociedade, economia, cultura, religiosidade, imaginário, representações, etc. Dele poderão participar professores e alunos da graduação e da pós-graduação da UFRN e outras universidades.

Primeiro dia

01: FREGUESIA DA GLORIOSA SENHORA SANTA ANA DO SERIDÓ: A PRODU-ÇÃO DE UMA CARTOGRAFIA DA FÉ

Helder Alexandre Medeiros de Macedo

heldermacedo@katatudo.com.br

Dr. Paulo César Possamai - Orientador

paulopossamai@cchla.ufrn.br

Programa de Pós-Graduação em História - CCHLA – UFRN

A Freguesia da Gloriosa Senhora Santa Ana do Seridó foi criada em 1748, desvinculada da de Nossa Senhora do Bom Sucesso, do Piancó. A sua instalação, na sede da Povoação do Caicó, representa um dos frutos do movimento de expansão da fronteira pecuarística no sertão da Capitania do Rio Grande, vez que corresponde à institucionalização de mais uma cartografia para a região: a da fé. Interessa-nos, com este trabalho, indagar a respeito de como se deu a produção do espaço dessa freguesia: qual a paisagem natural que serviu de base para que a Igreja Católica pensasse e cartografasse os seus limites e quais as implica-ções desse ato; qual a estrutura da freguesia e sua relação com as manchas urbanas surgidas no sertão a partir do século XVIII; quais os grupos sociais que conviviam no espaço apa-drinhado por Santa Ana e quais as fontes coloniais que nos permitem conhecer o cotidiano e as cifras populacionais da freguesia. A inspiração para que formulássemos essas pergun-tas surgiu a partir da problemática levantada por Simon Schama a respeito da intrínseca relação entre homem, natureza e cultura. Acreditamos que a escolha da Povoação do Caicó para sediar a Freguesia de Santa Ana tenha relações muito próximas não apenas com os grupos sociais que conviviam desde o início do Setecentos nesse território, mas, também, com as condições propiciadas (por vezes, hostis) pelo meio natural. Essa hipótese poderá ser melhor verificada quando nos debruçarmos sobre as fontes que elencamos, na tentativa de responder aos objetivos da pesquisa: livro de tombo da freguesia; correspondência ofici-al das Capitanias de Pernambuco e anexas e do Rio Grande; crônicas coloniais e narrativas orais colhidas no início do século XX e publicadas pela historiografia regional.

02: OCUPAÇÃO DA AMAZÔNIA

Úrsula Andréa de Araújo Silva

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Atualmente ouvimos uma série de discussões acerca da Amazônia, inclusive por to-do o potencial econômico e terapêutico que ela oferece. Contudo, nem sempre a Amazônia foi vista assim. Durante o início do período colonial brasileiro, ela teve um papel secundá-rio e figurou como uma prisão para degredados do reino. Porém, com o passar do tempo, os missionários começaram a ocupar as margens dos rios da região e promoveram o trabalho religioso ali, o que possibilitava a penetração e a ocupação do sertão amazônico. Mesmo assim as atenções do governo português continuavam voltadas para as capitanias açucarei-ras. Somente com a intensificação desse movimento – bandeiras – e com a conseqüente descoberta de potencialidades econômicas é que a Amazônia torna-se preocupação política. Assim, pretendemos buscar na bibliografia a emergência amazônica no cenário colonial e a atuação dos religiosos conjuntamente com a dos colonos nesse contexto.

03: “AS CERIMÔNIAS PÚBLICAS NAS IRMANDADES DE HOMENS PARDOS NOS SÉCULOS XVII E XVIII”

Ivson Augusto Menezes de Souza Leão

Orientadora: Profª Drª Kalina Vanderlei Silva

Instituição: Universidade de Pernambuco

Grupo de estudos História Sócio-Cultural da América Latina

Surgido na Europa no século XVII, o Barroco transformou-se em uma estrutura de pensa-mento que foi trazida para América portuguesa. Ao chegar na colônia foi reinterpretado e adaptado às condições sócio-culturais a partir do contato com os grupos sociais existentes, índios, africanos e reinóis. Utilizando-se deste cenário colonial barroco dos séculos XVII e XVIII nas vilas açucareiras de Pernambuco, observamos as cerimônias barrocas das irman-dades de homens pardos, isto é, cortejos, procissões e festas como instrumento de resistên-cia, distração, dominação e diversão. Para tal pesquisa utilizamos os compromissos das irmandades leigas.

04: PRESENTE DE NEGRO: RELAÇÕES DE COMPADRIO ENTRE NEGROS E BRANCOS NA CAPITANIA DO RIO GRANDE DO NORTE.

Sebastião Genicarlos dos Santos.

Discente do curso de História

CERES/UFRN

E-mail: genicarlos2000@yahoo.com.br

Não raramente encontramos na historiografia, alusões às relações de compadrio entre es-cravos e senhores, onde o principal motivo para que ocorresse esse tipo de relação era a intenção de adquirir pecúlio para a compra da alforria dos escravos. Este é o ponto de vista pelo qual a família escrava seria beneficiada, pois um de seus membros estaria sob a “pro-teção” de alguém com grandes possibilidades de ajuda-lo a livrar-se da condição de escra-vo. Mas, e o senhor o que ganharia com isto? Não é refutável a idéia de que ao tornar-se padrinho de um escravo o senhor cumpriria o papel de um benevolente religioso. Em con-trapartida receberia como PRESENTE DE UM NEGRO, a responsabilidade de doar uma pequena parte dos seus bens a um não parente, a fim de propiciar a compra de sua alforria. Neste sentido, objetivamos estudar essas relações na região que compreende o atual Seridó (Capitania do rio Grande) durante o século XVIII. Para tal usamos como base de dados os inventários post mortens do fundo da comarca de Caicó/1º Cartório Judiciário, hodierna-mente, sob a guarda do LABORDOC (Laboratório de Documentação Histórica) UFRN. Estes documentos também subsidiam as pesquisas da equipe que compõe o projeto “San-gue da Terra: história da Família Seridoense Colonial”, coordenado pelo professor Mui-rakytan Kennedy de Macedo. Realizamos ainda uso das leituras e inspirações historiográfi-cas de Cristiany Rocha (2004), Mary Karash (2000) e Denise Monteiro (2002). O diálogo com as fontes nos fez “saber” que no recorte espacial da pesquisa, ocorria também este tipo de prática cultural, onde em dezessete inventários pesquisados e palmilhados constatamos a incidência desse costume, em cinco documentos. Isto evidencia o fato de que pelo menos neste aspecto a escravidão tecida no Seridó não diferia da forma praticada em outras regi-ões da América Portuguesa. Embora, esta apresentasse suas peculiaridades.

05: DOS MALES, O MAIOR: SAÚDE E DOENÇA NOS ESCRAVOS DA CAPATANIA DO RIO GRANDE DO NORTE. (SÉCULOXVIII).

Sebastião Genicarlos dos Santos.

E-Mail: genicarlos2000@yahoo.com.br

Hugo Romero Cândido da Silva.

E-Mail: hugoromeros@yahoo.com.br

Semelhante ao que ocorreu nas demais regiões do semi-árido da América portuguesa, a colonização sertaneja da capitania do Rio Grande realizou-se sob a égide da pecuária, pois mesma não poderia dividir espaço com a economia canavieira que ocupava terras próximas ao litoral, região propícia para a esse produto central da exportação colonial. Deste modo povoaram-se os sertões de fazendas de gado, sendo a mão de obra escrava um dos sustentá-culos desta economia no espaço que viria a denominar-se Seridó. Todavia, nesta região, a escravidão caracterizou-se por um pequeno número de cativos em relação às regiões cana-vieiras, visto que o criatório poderia ser executado por pouca quantidade de pessoas, Par-tindo desta perspectiva, esta pesquisa objetivou uma melhor compreensão da escravidão seridoense, através de estudos sobre a saúde e mazelas que afetavam os seus escravos. A base de nossa pesquisa encontrou-se nos inventários post- mortens do fundo da comarca de Caicó/ 1º cartório judiciário, que estão atualmente sob a guarda do LABORDOC ( Labora-tório de Documentação Histórica) UFRN, e que compõem a pauta de pesquisas do projeto “ Sangue da Terra: história da Família Seridoense Colonial” coordenado pelo professor Mui-rakytan Kennedy de Macedo. Analisamos dezessete inventários do século XVIII, que deli-nearam um recorte de 37 anos (1737-1774). A análise deu-se através das leituras de Mary C. Karasch (2000), Denise Matos Monteiro (2002) e Olavo de Medeiros Filho (1983) e preenchimento de fichas de coleta. Nos documentos pesquisados encontramos 52 escravos dos quais 11,53% apresentavam alguma mazela, enquanto que 88,46% eram tidos como saudáveis, fator que influencia no valor dos escravos. Percebemos que a sanidade da escra-varia era motivo de preocupação dos proprietários sertanejos, pois a maioria não apresenta-va deformidades físicas ou doenças, naqueles que sofriam algum mal constatamos que a hérnia era o mais comum, junto as mutilações, ambas provavelmente frutos do trabalho cotidiano, logo, o trabalho era um dos maiores causadores das mazelas dos escravos.

06: O SERTÃO E O ABASTECIMENTO DE ALIMENTOS NAS VILAS AÇUCAREI-RAS.

Alberon de Lemos Gomes (Orientador) – UPE - Universidade de Pernambuco

Tiago Silva Medeiros (Proponente) - UPE – Universidade de Pernambuco

Grupo de Estudos em História Sócio-Cultural da América Latina - GEHSCAL

Propomos nesse trabalho uma contribuição à revisão não só da historiografia econômica, como dos estudos da história colonial brasileira. Com esse intuito, estudaremos o sertão e o abastecimento de alimentos nas vilas açucareiras do Nordeste colonial entre 1654 e 1750 e assim, estudar o fluxo comercial entre o sertão e as vilas açucareiras do nordeste colonial pela necessidade de abastecimento alimentar do litoral especificando as analises do proces-so de produção de alimentos, em especial farinha de mandioca, carnes verdes e secas, no Sertão Nordestino. Visamos aqui avaliar documentos oficias burocráticos, para melhor visualizar os aspectos sócio-políticos desse comércio e, assim, reconstituir o processo de abastecimentos na economia interna do nordeste brasileiro e averiguar o impacto desse comércio na economia interna do Nordeste colonial.

07: A RELIGIÃO TUPI NO PRIMEIRO SECULO DE CONQUISTA PORTUGUESA NA AMÉRICA.

Beatriz Costa Paiva

Orientadora: Kalina Vanderlei Silva

UNIVERSIDADE DE PERNAMBUCO

FACULDADE DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES DE NAZARÈ DA MATA

Esta pesquisa investiga a construção da religião Tupi no primeiro século de colonização portuguesa no atual território do litoral brasileiro. Faz-se relevante mencionar o conceito de religião. Segundo Helen Clastres para o conceito ocidental de religião são necessários al-guns elementos básicos, como: os cultos, os rituais, as cerimônias, os templos, as divinda-des etc. Isto não foi encontrado pelos missionários na crença Tupi levando-os considera-rem os Tupi como um povo desprovido de fé e religiosidade. Na realidade, este não era o conceito pelo qual os tupi encaravam a religião. A sua crença era baseada em um mundo aonde o homem (e não Deuses) era a essência da criação. Os missionários não conseguiram interpretar a crença Tupi sendo esta mal vista pelos colonos e jesuítas. Como a documenta-ção parte principalmente destes autores criou-se uma visão estereotipada acerca da inexis-tência da religião na cultura Tupi. Pretendemos resgatar a religião Tupi levando em consi-deração o imaginário dominante da época em relação a mesma. Partimos, desta forma, de um estudo sócio cultural para observar a relação entre os Tupi e os colonos bem como as condições de existência desses personagens na sociedade colonial.

08: A CONQUISTA TERRITORIAL DA AMÉRICA: O CASO DOS PAULISTAS NA COLONIZAÇÃO DO SERTÃO NORDESTINO NOS SÉCULOS XVII E XVIII

Mirian Silva de Jesus (autora)

Mestranda em História/UFRN;

Paulo César Possamai (orientador).

Os motivos econômicos que levaram a conquista do sertão, baseado na pecuária, são bas-tante conhecidos da historiografia clássica. Porém as conseqüências desastrosas da guerra envolvendo a Coroa portuguesa, os colonos pecuaristas, a população da zona canavieira e as tribos continentais, tiveram pouca ênfase por essa historiografia. A chamada “Guerra dos Bárbaros”, iniciada na segunda metade do XVII, se desenrola em duas frentes principais: o recôncavo baiano e os vales de rios do Rio Grande, principalmente do Açu. O Rio Grande, assim como todo território que compreende do norte do São Francisco ao Ceará, estava sob jurisdição do governo pernambucano, o qual servirá como centro de irradiação das tropas mobilizadas para o sertão. Conhecido pelo imaginário da zona açucareira desde o século XVI, a idéia de sertão foi construída a partir de uma oposição entre as regiões colonizadas do litoral da América portuguesa e aquelas não inseridas na órbita administrativa metropoli-tana. A conquista desse território significava para a Coroa uma etapa da expansão ibérica, daí os esforços para empreender tal processo. E perante as dificuldades das tropas regulares enviadas para conter o conflito, contrata-se a mão-de-obra bélica dos paulistas – hoje de-nominados bandeirantes - famosos em aprisionar índios e se embrenhar pelos sertões. Sabe-se que os mesmos se valiam da manipulação de tribos aldeados, porém são apontados clas-sicamente como responsáveis pelo fim da guerra. Procuramos observar a participação dos paulistas na Guerra do Açu, analisando os discursos que os envolvem.

09: ARQUEOLOGIA COLONIAL: AS CASAS FORTES (DE PEDRA) NA OCUPA-ÇÃO, DEFESA E RELAÇÕES INTERÉTNICAS NA CAPITANIA DO RIO GRAN-DE - SÉCULO XVII.

Roberto Airon Silva

Prof. Ms. Depto de História

CCHLA/UFRN

larq@cchla.ufrn.br

O contexto da expansão portuguesa diante das invasões holandesas exigiu adapta-ções e modificações, tanto nas estratégias de ocupação quanto no controle do espaço e nas relações entre colonos, índios e sesmeiros. Esse espaço agora, então, tornava-se instrumen-to importante de reavaliação por parte da Coroa portuguesa na utilização e viabilidade eco-nômica desses espaços, desta maneira, ocupados através de doações de novas datas de terra e sesmarias. As referências que se têm da construção das Casas fortes (aqui no Rio Grande cha-madas de “Casas de Pedra”), remontam exatamente ao período dos primeiros embates con-tra o gentio Tapuia nas proximidades do litoral, e nos chamados sertões da Capitania, sendo citadas pela documentação escrita. Parte dessas construções ainda encontram-se em forma de ruínas no espaço norte-rio-grandense, oferecendo a possibilidade de informações materiais, e de uma pesquisa do-cumental para estabelecer as origens, as relações sociais, e as diversas formas de utilização e adequações que sofreram esses lugares no século XVII e início do séc. XVIII. Utilizamos uma metodologia arqueológica para recuperar os vestígios materiais na configuração das relações interétnicas nesses espaços, e de uma metodologia de análise histórico-documental para recuperar as informações escritas para adequar a dimensão mate-rial à dimensão social.

10: E NO MEIO DOS CAMINHOS, UMA CASA DE PEDRA...

CAMINHOS ANTIGOS E OCUPAÇÃO NO RIO GRANDE DO NORTE.

Florizel de Medeiros Júnior

Ana Larissa Araújo de Menezes Cardoso Bueno Freire Teixeira

Alunos do Departamento de História

A política inicial de colonização da América Portuguesa, calcada na ocupação e ex-ploração econômica do litoral, se reveste de um novo impulso colonizador durante o século XVII e primeira metade do século XVIII. Isso se manifestou concretamente através da construção de inúmeras casas-fortes, conhecidas como “casas de pedra”. Como parte de um projeto mais amplo que visa a analisar como essas construções assumiram as funções de fortaleza e moradia, aglomerando em torno de si contingentes populacionais, se pensou a respeito de estudar as estradas e caminhos que durante esse re-corte cronológico serviram não somente à interligação desses núcleos ocupacionais, mas também como vias de penetração. Tendo em vista tais considerações, objetiva-se por meio deste trabalho responder à duas questões principais: quais os caminhos fluviais e terrestres e como os mesmos influen-ciaram nas relações interétnicas? No sentido de elucidar tais questionamentos, utilizaremos subsídios históricos (fon-tes bibliográficas e documentação cartográfica) e de métodos arqueológicos (observação in situ, sondagem, elaboração de planilhas, uso de GPS e detector de metais etc.). Com isso, visa-se a fazer um mapeamento dessas estradas e caminhos coloniais no RN, a fim de dimensioná-los no espaço atual, bem como promover o entendimento espa-ço/ocupação no referido recorte temporal.

11: DIRETÓRIO DOS ÍNDIOS: IMPLANTAÇÃO E RESISTÊNCIA NO NORDESTE

Fátima Martins Lopes

Professora Assitente do DEH-UFRN

Doutoranda em História na UFPE

No presente trabalho, o que se estuda são as formas com que as autoridades da área sob a jurisdição da Capitania de Pernambuco receberam e implantaram a legislação indigenista pombalina em meados do século XVIII: o Diretório dos Índios. Estudam-se, ao mesmo tempo, as ações dos índios aldeados frente à imposição da nova forma de relacionamento entre índios e não-índios. Nesse sentido, identifica-se, no primeiro momento de implanta-ção, um movimento político pautado nas conversações e nos acordos entre o Governador de Pernambuco e os Principais indígenas da sua jurisdição, onde são observadas as variadas estratégias de dominação dos colonizadores, assim como a resistência indígena que impu-nha limites à implantação das determinações legais.

12: A RESISTÊNCIA INDÍGENA E O IMPÉRIO ATLÂNTICO PORTUGUÊS NO NORDESTE COLONIAL BRASILEIRO (SÉCULO XVIII).

Soraya Geronazzo Araújo

Profa. Depto de História/UERN

Grupo de Estudos do Século XVIII – UFC

sogeronazzo@ibest.com.br

Após a expulsão dos holandeses do Nordeste colonial brasileiro e com todas as dí-vidas arcadas por Portugal na guerra de reconquista, esta região apresentou-se como uma possível geradora de dividendos. O projeto implantado nesta região visava a exploração de novas áreas para intensificar a criação de gado, para com isso melhor explorá-la economi-camente. Desta forma, passaram a ocupar antigas áreas de domínio de vários grupos indí-genas comumente conhecidos à época como Tapuias. O resultado foi um confronto entre colonos e índios que perdurou durante mais de vinte anos, trazendo graves conseqüências econômicas e produzindo adequações e modifi-cações que geraram novas práticas e formas culturais, inclusive no próprio mecanismo de ação de guerra. Além disso, novos conceitos foram formados sobre os grupos indígenas transformando-os em indivíduos alijados do processo econômico e social vindouro. Utilizamos fontes documentais escritas, impressas e digitalizadas do Instituto Histó-rico do Rio Grande do Norte; da Divisão de Documental e Pesquisa da Universidade de Pernambuco e Documentos do Projeto Resgate de Documentação Histórica Barão do Rio Branco do Ministério da Cultura/BR.

13: GASTRONOMIA SERTANEJA: HISTÓRIA E MEMÓRIA

Maria das Vitórias de Araújo Macedo

Especialista em Patrimônio Histórico Cultural e Turismo (UFRN-CERES)

A gastronomia sertaneja está arraigada as origens e histórias de povos que vieram colonizar o Brasil no século XVI, ou seja, a base histórica e etnográfica se fundamenta na cozinha derivada do cardápio do cardápio indígena, da dieta africana – especialmente a da África Ocidental, e da cozinha portuguesa que através da re-elaboração das receitas e da substituição de ingredientes, teria se consolidado por volta do final do século XVIII, e assim assumindo a dominação social e cultural sobre indígenas e africanos.Quanto a isso podemos dizer que a cozinha indígena se traduz na constante permanência alimentar de frutos, raiz, caça e pesca, suas técnicas, recursos e condimentos, a fabricação de alimentos sólidos e líquidos, e a participação na comida contemporânea nacional. Já os africanos, da África Ocidental, sudaneses e bantos no final do século XVII e no século XVIII deixaram marcas culturais nos viveres dos grandes engenhos de açúcar brasileiro. Sua presença influenciou o Brasil com sua atuação na cozinha da casa grande e nas ruas. Os portugueses, como cultura dominante, importaram produtos, substituíram ingredientes que incorporados aos saberes disponíveis fizeram a cozinha brasileira, onde cores, formas e sabores dão gosto ao paladar com grande variedade de produtos que se caracterizaram no vasto território do Brasil. Nesse sentido, a presente monografia investiga como historicamente se processaram esses costumes culinários e que de maneira eles se incutiram no cotidiano da família seridoense e ganha respaldo no campo turístico.

Segundo dia

14: SERIDÓ COLONIAL: família patriarcal, terra sagrada e sociedade patrimonialista

Douglas Araújo

Doutor pela UFPE e professor do DHG/CERES/UFRN.

O trabalho discute aspectos do caráter patriarcal e patrimonialista da formação colonial do Seridó. Destaca o papel pivotante do patriarca e de sua família como núcleo ordenador da vida social, cultural e econômica da região. Neste contexto, o espaço territorial foi representado como terra prometida ao colonizador e miscigenador católico que teve a proeza, de incorporando elementos das etnias submetidas, aculturar o negro e o ameríndio. Enquanto espaço sagrado, o sertão do Seridó foi construído como lugar da promissão, da permissão, da queda pelo pecado, e também, como lugar da remissão desses pecados. Como recheio desse mundo religioso e oficial se catalisaram as lendas, os mitos, os contos e estórias pagãs centrifugadas pelo de miscigenação cultural e étnica. Dessa forma, se constitui nessas plagas do Rio Grande do Norte uma sociedade tradicional possuidora de uma dinâmica social, econômica e cultural com peculiaridades próprias que não podem ser confundidas com outros espaços e outras territorialidades da sociedade colonial brasileira.

15. CAPITANIA DO RN, FRAGMENTOS DE REVOLUÇÃO: Análise do governo dos capitães mores do Rio Grande do Norte (1802 a 1811)

Adriana Carla de Azevedo Borba

Mestranda do Programa de Pós-graduação de Arquitetura e Urbanismo (PPGAU)/ Dep. de arquitetura/ UFRN/ Bolsista da CAPES.

Este trabalho trata da análise do governo de dois capitães-mores da então capitania do Rio Grande do Norte, a saber: Lopo Joaquim de Almeida Henriques (1802 a 1806) e José Francisco de Paula Cavalcante de Albuquerque (1806 a 1811), num total de onze anos (1802 a 1811). Em pesquisa exploratória, o que chamou atenção foi o aparecimento constante de denúncias e conflitos acerca de um governo (ex-capitão-mor Lopo Joaquim Henriques) e sobre o outro governo, elogios e agradecimentos (ex-capitão-mor José Francisco de Albuquerque), demonstrando atuações políticas completamente divergentes num curto espaço de tempo. Identificada esta situação, surgiram algumas questões de pesquisa: esta dicotomia entre os dois governos realmente existiu? Caso comprovada, qual destes dois governos se ligavam às ideologias vigentes e qual seria o contexto internacional e nacional à época que forneciam subsídio a estas ideologias? Que condições permitiram duas formas de governo tão distintas num período tão curto? Visando elucidar tais perguntas, procurou-se construir um quadro referencial da (s) ideologia (s) vigente (s) – movimentos intelectuais e contexto sócio, político ou econômico – que poderiam ter servido como pano de fundo justificando as condutas e ações governamentais. Foi levantado o contexto internacional e nacional do período, através de pesquisa bibliográfica. Em seguida levantou-se realidade da capitania do Rio Grande do Norte; na seqüência foi feita uma biografia dos dois capitães-mores e através de análise estatística simples foram comparados os governos de cada um, tomando como fonte documentos contidos no Arquivo Histórico Ultramarino. Pode-se afirmar que este momento da história do RN é ilustrativa de uma situação macro que vinha se processando no restante do mundo. É um exemplo bastante didático de dois governos: um absolutista, em declínio e outro adepto a ideais democráticos, dentro dos padrões da época, enfim, um fragmento de uma realidade que vinha acontecendo em todo mundo.

16: Perquirindo Testamentos e Inventários: da história do dote no Sertão do Seridó (1754 - 1795).

Muirakytan Kennedy de Macêdo

(muirakytan@uol.com.br)

Professor do Dhg da UFRN –CERES – Campus de Caicó

Rosenilson da Silva Santos

(rosenilsonsantos@yahoo.com.br)

Discente do Curso de História da UFRN –CERES – Campus de Caicó

Percorrendo as sendas caligráficas e históricas dos testamentos e inventários das famílias seridoenses coloniais, visualizamos a partir das leituras que lançamos sobre os mesmos, fragmentos dos costumes e cotidiano dos habitantes do Sertão do século XVIII. Neste lugar, a exemplo de outros da colônia, famílias abastadas concediam quantias em bens, muitas vezes vultuosas, as suas filhas casadouras, o dote. Neste sentido nos propomos a estudar a composição dos dotes que foram outorgados nesta plaga, cuja capitalização era inferior a região açucareira. O trabalho partiu do rastreamento da fonte que pudessem servir de suporte para as análises, encontradas no Fundo da Comarca de Caicó, e hoje custodiadas pelo LABORDOC (Laboratório de Documentação Histórica. UFRN/CERES/CAICÓ). Obras de Muriel Nazzari (2001), Sheila de Castro Faria (2002) e Maria Beatriz Nizza da Silva (1998), serviram de arcabouço para a observação do objeto na conjuntura histórica da colônia e elementos que permitiram estabelecer analogias entre os bens que compunham os dotes concedidos pelas famílias do Seridó e de outras capitanias. Num universo de 82 inventários, que o Fundo dispões do século em questão, 45 foram lidos e colhidas as informações concernentes ao nosso objeto de estudo, delimitando o interstício nos anos de 1754 a 1795, períodos que remetem ao primeiro inventário em que se encontra dote e ao último, respectivamente. Integravam os dotes os bens que consideramos essenciais para a manutenção do modo de vida da época: os bens de raiz: casas, sitos, fazendas e os bens semoventes: escravos, bois, cavalos, dentre mais, artefatos de cozinha feitos de prata e outros metais, assim como também, jóias que adornavam os corpos e preservavam o status da família, segundo Muriel Nazzari.

17: O SENADO DA CÂMARA SETECENTISTA E OS EXPOSTOS DA FREGUESIA DE Nª Srª DA APRESETAÇÃO, CAPITANIA DO RIO GRANDE DO NORTE

Thiago do Nascimento Torres de Paula

 (Graduando em História / UFRN)

Orientador: Prof. Dr. Paulo César Possamai

Este trabalho é parte do último momento de uma pesquisa sobre crianças expostas na Freguesia de Nossa senhora da Apresentação, na segunda metade do século XVIII. Temos por fim, caracterizar os documentos de Termos de vereação pertencentes ao Senado da Câmara da cidade do Natal, localizado na freguesia. Dentro dessa discussão, vamos apresentar os resultados parciais de nossa investigação documental, externando quais foram as posições dos camaristas diante do processo de abandono de crianças recém-nascidas na jurisdição eclesiástica. Considerando que a pesquisa está em processo de conclusão.

18: “RITOS FÚNEBRES NAS IRMANDADES LEIGAS NO PERNAMBUCO COLONIAL DOS SÉCULOS XVII E XVIII”

Myziara Miranda da Silva Vasconcelos

Orientadora: Prof Dr Kalina Vanderlei Silva

Instituição: Universidade de Pernambuco

Grupo de Estudos História Sócio- Cultural da América Latina

Partindo da análise dos compromissos das irmandades leigas das vilas açucareiras pernambucanas, nos séculos XVII e XVIII, procuramos reconstruir as atitudes e o imaginário do homem colonial diante da morte. Sabemos que a crença na vida além-túmulo. Está presente nas culturas barroca ibérica, africana e indígena e que portanto, as ações dos homens durante a vida refletiam sua preocupação com o destino após a morte. A busca pela salvação da alma levava brancos, pretos e pardos na sociedade açucareira a se tornarem membros das irmandades leigas, isto porque estas associações tinha por objetivo maior, além da função assistencialista, a promoção de funerais honrosos. Os estatutos compromissais, documentos onde estão listados uma série de procedimentos sobre o modo como os irmãos deveriam se comportar com relação a atos específicos, reservam diversas capítulos referentes à forma de como proceder na assistência aos irmãos defuntos. Dentro desse contexto, buscamos traçar o perfil das cerimônias de enterramento realizadas pelas confrarias no Pernambuco colonial.

19: O Monte e a Fé: Olinda quinhentista e seus cristãos-novos.

Daniel Oliveira Breda

Licenciado em História/UFPE

Mestrando em História/UFRN

E-mail: mrbreda@gmail.com

Olinda quinhentista. Uma cidade na colina à beira-mar: o urbanismo de defesa mais viável diante das dificuldades dos princípios da capitania Duartina. A ocupação do espaço das colinas foi cravejado, não obstante a falta de um planejamento complexo, de alguns fortes símbolos da sociedade portuguesa na América. No alto, o colégio dos Jesuítas, a Sé, a casa do Donatário e a Santa Casa de Misericórdia formavam um polinômio alegórico do quadro institucional português na América. Ao lado dos monumentos da Fé, na rua dos Palhais, na ladeira da Misericórdia amontoavam-se as casas dos primeiros colonizadores. Talvez a área mais ‘nobre’ do espaço urbano. Quando nos debruçamos sobre os documentos para buscar seus moradores surgem nomes de diversos moradores cristãos-novos, um elemento tão relevante e controverso do universo colonial barroco europeu. Que indícios pode nos dar esta organização espacial de Olinda? Que particularidades para a socialização este avizinhamento com cristãos-novos pode ter proporcionado, especialmente quando superposto à situação portuguesa? Esta comunicação busca explorar algumas nuances da espacialidade olindense, com enfoque em sua dinâmica cristã-nova.

20: Os judeus e cristãos-novos e sua marginalização no período filipino.

José Carvalho Silva Júnior

Dig.carvalho@ig.com.br

Universidade Federal do rio Grande do Norte

A partir da Idade Média os judeus entraram na Europa junto com vários povos que chegaram ao Ocidente. Apesar de já nesse período terem sido importantes para o seu desenvolvimento social, econômico e cultural, foram alvo de constantes perseguições, repetindo o que já vinham sofrendo no transcorrer de suas migrações por vários lugares do mundo, especialmente os de cultura cristã. A ganância e radicalismo da política ibérica tiveram um significativo aumento com a ascensão da dinastia dos Habsburgos a Coroa de Castela. Este foi um período importante e de grandes transformações ditadas por uma dinâmica que a maioria dos historiadores concordam em caracterizar como de expansão imperialista. O período habsburgo foi marcado pelo ímpeto religioso representado, sobretudo, pelas figuras de Carlos V e Felipe II. A questão a ser estudada é então o aumento da perseguição aos judeus e cristãos-novos na Península Ibérica e na sociedade colonial brasileira durante o período de União Ibérica, definindo desse modo o tema deste trabalho: os judeus e cristãos-novos e sua marginalização no período filipino. Nosso objetivo é apresentar os resultados de um estudo sobre a marginalidade dos judeus e cristãos-novos na Idade Moderna, expondo a trajetória dessa marginalidade da Europa até a América, assim como, entender essa problemática aplicada a União Ibérica, com a atenção centrada na política dos Habsburgos.

21: A Inquisição e o Barroco: O tratamento ambíguo nos casos de blasfêmia e sacrilégio nas Visitações do Santo Ofício ao Brasil colônia.

Raul Goiana Novaes Menezes

raulgsp@hotmail.com

Ms. Alberon de Lemos Gomes (Orientador)

lemos79@msn.com

Faculdade de Formação de Professores de Nazaré da Mata

Grupo de Estudos de História Sócio-cultural da América Latina

A insuficiente malha eclesiástica e a inexistência de um tribunal da fé no Brasil colonial forneceram um cenário propício à transgressões dos ensinamentos e doutrinas da fé católica. Tendo em vista as ações do Santo Ofício, através de três visitações, em território brasileiro, o trabalho se propõe a delimitar os conceitos dos crimes de blasfêmia e sacrilégio com base nos decretos do Sagrado Concílio Tridentino, reproduzidos nas Ordenações Filipinas, Cosntituições de Lisboa e nas Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia, e também traçar o perfil das pessoas enquadradas nos referidos crimes, utilizando os livros de denunciações e confissões da Bahia(1591-93/1618-19), de Pernambuco(1593-95) e do Grão-Pará(1763-69), tentando apontar a incidência destes delitos nos registros inquisitoriais. Enxergando o espaço colonial como tentativa de recriação adaptada dos moldes sociais da Metrópole, a pesquisa tem por objetivo entender o discurso da Igreja Católica e como ela tratava e punia de diferentes maneiras indivíduos acusados de crimes semelhantes tendo como parâmetro a posição social do criminoso, revelando mais uma nuance da estrutura de pensamento gerada na sociedade colonial

22: “OS PAPÉIS SOCIAIS DESEMPENHADOS PELAS MULHERES NA SOCIEDADE BARROCA COLONIAL DOS SÉCULOS XVII e XVIII”

Juliana da Cunha Sampaio

Orientadora: Profª Drª Kalina Vanderlei Silva

Instituição: Universidade de Pernambuco

Grupo de estudos História Sócio-Cultural da América Latina

Quando ocorreu a implementação do projeto colonial nas Américas, inúmeras instituições metropolitanas foram transplantadas para as colônias, entre elas as irmandades leigas. Percebendo essas irmandades como espaço de inserção de homens e mulheres de cor na sociedade barroca colonial, buscamos, através da análise dos estatutos compromissais -conjunto de normas que regem as confrarias -, verificar como se desenvolviam os papéis sociais femininos no “espaço público”. Para essa compreensão, levamos em conta as reelaborações culturais feitos por esses homens e mulheres de cor, os discursos misóginos da igreja católica e o imaginário barroco, que permeava as relações sociais no período colonial. Observamos por meio da análise dos Estatutos compromissais, a possibilidade das mulheres exerceram funções consideradas proibidas no “espaço privado”, como ocupar cargos administrativos e ter iguais direitos aos homens em algumas ocasiões, tais como, o enterramento, o título de rainha do congo, no caso das irmandades de pretos, e a participação em cerimônias públicas.

23: Inter universitas et collegium: o mundo intelectual portugues no século XVI

Lenin Campos Soares

Mestrando em História e Espaços DEH/UFRN

Portugal descobre o Brasil em 1500, e a partir de então se torna foco irradiador de uma tradição cultural para sua colônia americana. Contudo, que cultura portuguesa é essa que vem para o Brasil? Como ela se define? Como ela se organiza? É visando responder a essas perguntas que este trabalho se apresenta. Aqui, através da observação do mundo intelectual português no século XVI, o qual temos acesso, entre outras obras, através de J.S. Dias e Luis Felipe Barreto, tentaremos entender como a cultura portuguesa se organiza para depois ser transposta para o Brasil. Este

trabalho é fundamentalmente de pesquisa bibliográfica e se dá como parte da construção de uma dissertação de mestrado sobre a formação do espaço americano no mundo intelectual europeu por esta tradição cultural oriunda do Renascimento.

24: AS REPRESENTAÇÕES SOBRE A MULHER NA LITERATURA DA AMÉRICA IBÉRICA: AS OBRAS DE SÓROR JUANA INÉS DE LA CRUZ E PADRE ANTONIO VIEIRA NO SÉCULO XVII.

Isabela Maria Lucena Batista de Araújo Pereira

Orientadora: Kalina Vanderlei Silva

Faculdade de Formação de Professores de Nazaré Da Mata

Pretendemos analisar as representações femininas nas obras de Sóror Juana Inés de La Cruz e Padre Antonio Vieira no contexto barroco do século XVII. Através do estudo do contexto histórico e do imaginário social, buscamos entender as visões e imagens que estes autores possuíam da figura feminina. A Igreja tridentina via a mulher como disseminadora de pecados e por isso fazia-se necessária a constante conversão, fiscalizando-a para que agisse segundo os preceitos morais. Daí a existência dos sermões moralizantes e edificantes como os de Vieira. Segundo esses discursos a mulher teria que ser fiel, cuidar da educação dos filhos guiando-os sempre sob os valores morais de conduta. Umas das pessoas que se manifestou contra essa postura misógina foi Sóror Juana Inés de La Cruz. Em alguns de seus poemas questionou porque as mulheres eram pecadoras se os homens as faziam pecar, além de defender o sexo feminino, e o acesso às letras, ciências e ao estudo com um todo. Devido a isso, sofreu reprimendas e pressões para mudar posturas, o que posteriormente parece ter influenciado no seu “abandono” às letras. Diante disso, através dos poemas (como os vilancicos à Santa Catarina) e cartas de Sóror Juana (principalmente a Carta Atenagórica e a Respuesta a Sor Filotea de La Cruz), e sermões de Vieira buscamos compreender como as obras literárias e os discursos de religiosos tão diferentes como Sóror Juana Inés de La Cruz e Padre Antonio Vieira abordam a misoginia no contexto barroco. Percebemos uma tentativa de controle, principalmente por parte da Igreja, inclusive sobre as questões mais intimas, o que demonstra seu poder de coerção da cultura “de homens sobre as mulheres”.

25: PURGANDO PECADOS E LIMPANDO A EUROPA: o degredo no cotidiano dos primeiros séculos de colonização no BRASIl

Francisco das Chagas Silva Souza

CEFET-RN, Unidade de Mossoró.

e-mail: chagasouza@uol.com.br

franciscosouza@cefetrn.br

É comum ouvir das pessoas e encontrar nos livros antigos de História do Brasil, referências aos primeiros povoadores do país como tendo sido a escória, a gente pobre e desonesta, que era expulsa de Portugal pelos crimes que havia cometido. Alguns intelectuais chegaram a compreender os problemas brasileiros como decorrentes desse passado nada nobre. Assim, com base em uma preocupação revisionista, que tem marcado as pesquisas históricas da atualidade, busca-se compreender quem eram essas pessoas e quais crimes haveriam cometido para receberem tão grave punição. Quais as leis portuguesas vigentes na época? O que estas consideravam crimes? Por que vir para o Brasil era como uma morte em vida? A partir de uma revisão bibliográfica, chegou-se aos seguintes resultados: as Ordenações, sistema jurídico vigente em Portugal na época da colonização, apesar de serem propostas pelo Estado absolutista, tinham fortes influências da Igreja, daí a condenação por crimes cometidos contra a fé; os exilados para o Brasil eram homens e mulheres, nobres e plebeus, que haviam sido condenados pelas severas leis do Reino por cometerem heresias e se chocarem com os rígidos princípios da moral vigentes naquela época; o Brasil, mal visto pelos europeus, assumiu a função de purgatório para os pecados desses criminosos – seria uma transição entre o céu e o inferno. Considerando-se que a concepção de crime varia de acordo com o tempo e os valores de uma sociedade, pode-se concluir que a percepção dos “primeiros brasileiros” como marginais é simplista, preconceituosa e racista. Tais idéias são exageradas e apressadas, criadas sem um rigor acadêmico, e feitas pela historiografia positivista para legitimar os interesses das elites.

26: UM ESTUDO SOBRE A ORGANIZAÇÃO DAS CORPORAÇÕES DE OFÍCIO NAS VILAS ACUCAREIRAS DE RECIFE E OLINDA, SÉCULOS XVII E XVIII.

Marco Tomé Costa Monte – costamonte@hotmail.com

Orientadora: Kalina Vanderlei Silva – kalinavan@uol.com.br

UPE – F.F.P.N.M. (campus de Nazaré da Mata)

Durante a segunda metade do século XVII e todo século XVIII, a busca por status, respeito e privilégio era uma constante da sociedade colonial escravista açucareira da capitania de Pernambuco. Dentro desse contexto, havia a tentativa de inserção social de negros e sua participação nas corporações de ofício, e a urbe colonial americana portuguesa, como palco deste processo. Destarte, objetivamos, de uma forma geral, compreender mais sobre o cotidiano dos pretos que viviam nas vilas açucareiras portuguesas de Recife e Olinda, durante o período colonial. Para tanto, através da perspectiva de Peter Burke - que procura entender as relações sociais por meio de uma abordagem cultural - e da análise do livro de Cartas Patentes, observamos a relevância da manutenção das corporações pelos negros, enfocando os aspectos de diferenciação social, que a inclusão nestes grupos de trabalho trazia para o escravo ou forro que deles participasse, a relação das corporações com a festa de coroação de rei do Congo e a importância que elas tinham dentro dessa sociedade.

27: A repressão sexual vista na através da documentação Inquisitorial

Michele Silva Santos

Graduanda em História

O estudo em questão faz parte da monografia que está sendo redigida a fim de ser defendida ao fim do curso de história da UFRN. Observamos que, nas monografias apresentadas, a relação entre Inquisição e sexualidade na América portuguesa foi muito pouco discutida. As decisões da Igreja Católica chegam à América Portuguesa com os primeiros missionários, mas só em 1707 foram redigidas as Constituições Primeiras do Acerbispado da Bahia, que passaram a reger a vida religiosa na colônia. Porém, a preocupação da Igreja Católica em controlar a vida social e espiritual dos habitantes da colônia era antiga, como comprovam as visitações do Santo Ofício da Inquisição. A sociedade colonial estava calcada em relações de miscigenação, entre os portugueses e suas escravas índias ou negras, por falta de mulheres brancas na colônia. Muitas dessas uniões estão relatadas nos papéis da Visitação. A Visitação do Santo Ofício à capitania de Pernambuco, em 1593-1595, gerou os depoimentos feitos ao inquisidor Heitor Furtado de Mendonça, que são de grande importância para o conhecimento dos hábitos, usos e costumes do século XVI. A presença de um inquiridor em Pernambuco veio a revelar a vida dos residentes de forma crua, bastante diferente da visão dos primeiros cronistas. Existem textos sobre as ditas “mulheres do mundo”, mulheres que faziam “mau uso do corpo”, fossem elas prostitutas ou infiéis ao marido. Entre os homens as fornicações eram práticas constantes, a dúvida pairava no teor do pecado. De acordo com Ronaldo Vainfas no livro Trópicos do Pecado, estes foram delatados ou pelas “devassas eclesiásticas, ou diretamente acusados aos comissários e aos familiares do Santo Ofício espalhados pelo Brasil”. A partir das Denunciações e confissões da Capitania de Pernambuco 1593-1595 e da bibliografia que citamos, pretende-se analisar a sociedade da capitania de Pernambuco durante o período da visitação do Santo Ofício, mais especificamente de que maneira ela se comportava diante do poder inquisitorial com relação ao sexo.

 

GT-05: LITERATURA E FILOSOFIA

Coordenadores:

Sandra Sasseti F. Erickson

E-mail: sferickson@ufrnet.br

Departamento de Letras

Antonio Basílio N. T. Menezes

E-mail: basilio@ufrnet.br

Departamento de Filosofia

Local: Setor II C6

O Grupo de Trabalho Literatura e Filosofia reúne diferentes trabalhos destas áreas de conhecimento que tenham por perspectiva uma visão interdisciplinar de temas, autores e problemas. Ele tem por finalidade o estabelecimento de um diálogo acadêmico entre os vários campos da Filosofia e da Literatura, bem como constitui seu objeto a investigação das possíveis relações entre eles. A Filosofia como forma de Literatura; a Literatura como fazer filosófico; as problematizações em torno da Filosofia e da Literatura; Escritores, Poetas e Filósofos identificam o espectro temático deste GT para a subscrição dos trabalhos.

Primeiro dia

01. VINICIUS DE MORAES & SHELLEY: UM EXERCÍCIO DE DESLEITURA

Adriana Assis de Aquino

Mestranda PPGEL, UFRN

Dra. Sandra S. F. Erickson

Letras, UFRN

Este trabalho tem por objetivo identificar nos recursos da voz lírica do poema de Vinícius de Moraes (1930-1980), “O operário em Construção” (1955), um “agon” nos moldes articulados por Harold Bloom, que configurem o fenômeno da melancolia da criatividade, ou seja, a influência poética de Percy Bysshe Shelley (1792-1822), mais especificamente de seu poema,“ A Song: Men of England” (1818), neste poema de Vinícius de Moraes. Dentre essas semelhanças, apontamos a temática, qual seja, a questão da exploração das classes trabalhadoras, a formação da consciência da classe operária e o apontamento da voz lírica do descumprimento de certos direitos humanos por parte dos empregadores. Como o poema de Shelley, o de Vinicius de Moraes representa da tomada de consciência da classe operária nos moldes postulados pelo marxismo dialético.

02. VISÕES PROFÉTICAS EM FAHRENHEIT 451 E SUAS INFLUÊNCIAS

André Luiz Machado Santos

Letras, UFRN

Este trabalho estuda as relações entre Fahrenheit 451 (1952), do autor norte-americano Ray Bradbury (1920 - ) e o filme Matrix (Larry e Andy Wachowski, 1999). Propõe-se uma leitura de Matrix como uma projeção das temáticas e do imaginário de Fahrenheit 451. Do ponto de vista da temática ambos tratam de sociedades totalitárias nas quais as pessoas “autorgam” ao sistema a autoridade através de mecanismos artificiais (instrumentos tecnológicos avançados), nas quais tudo: entretenimento, instrução, trabalho é desenvolvido “artificialmente”, ou seja, não representam o resultado de decisões de vontades individuais, mas da “necessidade” da população de fechar os olhos e de possuir uma falsa ignorância e, portanto, a necessidade do controle do sistema. Utilizando uma metodologia comparativista e a partir do conceito de distopia, articulado Ernest Bloch discute-se o impacto da literatura na nossa sociedade contemporânea em que as visões “sombrias” de um futuro negativo se tornam, em nosso presente histórico problemáticas. Discute-se também a importância da ficção científica como área de debate e reflexão da nossa sociedade, pois as conseqüências vividas no futuro (que os autores tanto se preocupam em apontar) se refletem nas escolhas e nos erros cometidos por nós, seres humanos, em épocas anteriores. Até que ponto esses universos ficcionais se constroem a partir dos conceitos de alienação e cultura de massa expostos por alguns dos Frankfurtianos mais notáveis como Adorno pode ser a questão.

03. FAUSTUS VS HAMLET

Carla Iriane

Letras-Inglês, UFRN

Este trabalho tem como intenção traçar um paralelo entre duas tragédias expressivamente marcantes no mundo da dramaturgia: A trágica história de Doutor Faustus de Christopher Marlowe (1604) e Hamlet, O príncipe da Dinamarca de William Shakespeare (1600). Mais precisamente pretendemos mostrara uma das semelhanças existentes entre as duas peças que misteriosamente parecem ter grande parentesco e mediante a análise de seus protagonistas observar estas similaridades. Doutor Faustus e o Príncipe Hamlet, com objetivos diferentes, o primeiro em busca do conhecimento e o segundo querendo vingar a morte de seu pai, caminham em direção um ao outro através dos longos solilóquios feitos por ambos e do constante tormento da consciência maravilhosamente trabalhados por seus autores nestas longas falas. Esse trabalho utiliza o método do revisionismo dialético de Harold Bloom.

04. A CONSISTÊNCIA INCONSISTENTE DE ROMEU

Christielen Dias da Silva

Letras, UFRN

Este trabalho pretende discutir o papel do personagem Romeu na obra de William Shakespeare Romeu e Julieta. A partir do título, um leitor atento pode pensar que Romeu é o protagonista da história, o que não se pode provar no texto. Romeu não possui todas as características que um herói trágico deveria ter, de acordo com as “instruções” dadas por Aristóteles em sua aclamada obra Arte Poética. No seu caminho pela peça, este personagem vai de pensamentos inconsistentes a um total controle de si (consistência). O Romeu adolescente, imaturo, confuso e impulsivo que começa a peça não é o mesmo que tira a vida diante da tumba de sua amada. A prova textual disso pode ser o modo como são trabalhadas as falas de Romeu pelo autor: no início, ele usava muitos paradoxos e rimas nas últimas palavras de cada verso; porém à medida que peça se desenvolve, principalmente após a morte de Mercúcio e até o seu final, as falas de Romeu tornam-se mais claras, menos ambíguas e sem rimas.

05. "OUTRORA" VICTOR HUGO

Cláudio Everton Martins da Silva

Letras, UFRN

Outrora é um poema da primeira parte de Contemplations, um dos mais profícuos livros de poemas de Victor Hugo, produzido em seu auto-exílio na Inglaterra entorno de 1855. Esse poema nos apresenta uma atmosfera de harmonia e grandeza da natureza, nos apresenta uma bonança que só ocorre porque "Satan" sonha. Esta imagem de beleza que só se componhe durante o sonha do "inimigo" é algo falso, ou seja, uma ilusão, elemento com o qual podemos trabalhar a idéia de pessimismo quanto à "natureza" do Homem.

06. O QUE DIZ A BOCA DA SOMBRA

Nouraide Fernandes Rocha de Queiroz

Letras, UFRN

Este trabalho propõe-se a uma análise sucinta de um poema de Victor Hugo extraído da antologia poética Contemplações (1856: O que diz a boca da sombra, que se encontra no Volume Hoje. Através de um mergulho menos superficial no texto literário tentaremos fazer emergir alguns dos múltiplos sentidos que se entrelaçam organizando uma rede de significados na qual evidenciaremos aspectos que refletem a compreensão de mundo do poeta, sobretudo com um olhar contemplativo enfatizando a dualidade da inspiração introspectiva e elegíaca como também cósmica e visionária. Nesta obra o autor expõe suas teorias filosóficas sobre a existência, a morte, o destino e a criação.

07. FREI LAWRENCE

M. Marcela Bezerra da Cunha

Letras, UFRN

O presente trabalho tem como objetivo investigar uma personagem do drama Romeu e Julieta de Shakespeare, o "frei Lawrence", o qual se mostra no desenrolar do enredo suspeito e antagônico, à medida que, tentando ajudar os “heróis”, suas ações provocam o desenlace trágico do enredo. O comportamento da personagem dá margem a várias interpretações sobre sua conduta e intenções, configurando, assim, o perfil d eum personagem em desacordo com o principio de coerência aristotélica. Pretendemos aqui, com base no texto e no conceito de trama da Poética de Aristóteles, investigar esse personagem.

08. SER OU NÃO SER: EIS A QUESTÃO NO SONETO “AGREGADO INFELIZ DE SANGUE E CAL”, DE AUGUSTO DOS ANJOS

Danielle Paiva Vilela

PIBIC, Letras, UFRN

Sandra S. F. Erickson

Departamento de Letras, UFRN

Este trabalho tem como objetivo a análise, do soneto Agregado Infeliz de Sangue e Cal, considerado, segundo a crítica tradicional, um dos sonetos mais mórbidos do poeta Augusto dos Anjos. Como pano de fundo para interpretar esse soneto, temos o Solilóquio de Hamlet de William Shakespeare, o qual, propomos, como um provável “pai poético” do soneto em questão. Para evidenciar o agon existente entre os dois textos, discutiremos o fato de ambos abordarem o mesmo tema--o questionamento quanto à identidade do ser; além de explorarem o imaginário de morte e de uma possível existência pós-morte. As conclusões provam que as imagens grotescas tão utilizadas pelo poeta paraibano não são, segundo ERICKSON, uma “anormalidade estética” e sim “eixos de força de poemas fortes”, ou ainda armas com as quais o poeta luta no campo das palavras com outros textos para se inserir e permanecer no cânone. Nossa metodologia é o revisionismo dialético de Harold Bloom.

09. A QUESTÃO DO HERÓI TRÁGICO EM ROMEO & JULIETA: EIS A NOSSA QUESTÃO

Luciana Bernardo

Letras, UFRN

A peça Romeu e Julieta (William Shakespeare, 1594) desperta variadas discussões acerca de seus temas e também de sua estrutura. Estudamos aqui qual dos personagens principais dessa peça se encaixa melhor no perfil do herói trágico segundo a concepção clássica de Aristóteles. Nossa metodologia é comparativista no sentido em que utiliza a teoria trágica apresentada na Arte Poética (Aristóteles, DATA) como base para a análise do protagonista da tragédia de Shakespeare. Percebemos que apesar de nenhum dos dois protagonistas se enquadrarem exatamente no padrão definido por Aristóteles, Julieta se destaca para cumprir a função do herói, principalmente por ser um personagem mais consistente que Romeu.

Segundo dia

10. MICHEL FOUCAULT E A LITERATURA: “ALÉM DAS FRONTEIRAS DA FILOSOFIA”

Dr. Antônio Basílio Novaes Thomaz de Menezes

Filosofia, UFRN

A relação de Foucault com a Literatura perpassa a maioria das suas principais obras, em específico naquelas que concernem ao pensar arqueológico nos trabalhos da década de 1960. Em 1975, numa entrevista ao jornal Le Monde, Foucault declara que não conferiu nenhum lugar aos textos literários na História da Loucura e em As Palavras e as Coisas, apenas mencionando en passant, sem nenhum outro papel intrínseco. Para ele “a literatura era algo a ser observado e não analisado ou reduzido ou integrado ao campo de análise. Era um descanso, um pensamento a caminho...” Assim, esta breve exposição aponta para uma investigação da pergunta posta em termos foucaultianos sobre “O que é a Literatura?”. Mais precisamente, procura tratar da afirmação do autor na mesma entrevista acerca das obras de Blanchot, Klossowski e Bataille que “muito mais que trabalhos literários dentro da literatura eram discursos fora da filosofia”. Investigar a dimensão do pensar “fora” nos aspectos que implicam a pergunta pelo estatuto da Literatura constitui-se então no objeto da análise que objetiva esboçar a percepção de Foucault da Literatura como “linguagem iluminada”.

11. MITO: O FANTÁSTICO NA CONSTRUÇÃO DO TEXTO FILOSÓFICO

Enoleide Farias

Aluna especial PPGFil, UFRN

Ao estabelecer as partes da alma e, a partir dessa classificação, a ordenação política n'A República, Platão propõe excluir do seu estado ideal o poeta criador de mitos, capaz de enganar quantos lhe ouvem, portanto, alguém cuja existência parece dominada pela parte concupiscente da alma. Assim, renega a poesia mimética e seus autores, referidos como meros imitadores, incapazes de colaborar na construção da cidade justa, por ele pensada como possível, apenas, a partir de um rigoroso método educacional. O trabalho busca entender como o filósofo, mesmo criticando o mito, o utiliza como recurso dialógico na construção do seu texto. É, pois, n'A República onde se encontra o mais comentado mito filosófico, a Metáfora da Caverna. Os argumentos são construídos a partir de uma leitura d'A República, apoiados nas considerações apresentadas por Vernan, Rodrigues e Nunes acerca dos mitos presentes na filosofia pré-filosófica, na filosofia e na linguagem contemporânea.

12. ANÁLISE ESTÉTICA DE ALBERT CAMUS ACERCA DA OBRA LITERÁRIA DE FRANZ KAFKA

Igor Bezerra Barreto

UFPB

O trabalho pretende fazer uma relação entre o escritor Franz Kafka e o filósofo e, também escritor, Albert Camus, assim fazendo uma relação entre literatura e filosofia. Será estudado o apêndice do ensaio filosófico “O Mito de Sísifo”, de Camus, onde este analisa a obra de Kafka, notadamente os romances “O Processo” e “O Castelo”. Este Apêndice recebe o título de “A esperança e o absurdo na obra de Franz Kafka”.Para trabalhar esta análise de Kafka por Camus, iremos antes fundamentar algumas idéias do filósofo franco-argelino no referido ensaio, quais sejam, as idéias de “sentimento de absurdo” e as considerações sobre a “criação absurda”. Vistas assim essas questões de “O Mito de Sísifo”, partiremos, juntamente com Camus, para considerações sobre os romances de Kafka, sempre fundamentados nas reflexões acerca do absurdo e suas relações, nas obras do escritor tcheco que serão analisadas. Nesse discorrer através de Kafka e Camus, iremos ver como se apresenta o absurdo na obra kafkiana e de que forma o escritor tcheco parece querer superar essa noção de absurdo, ao buscar uma esperança; fato este, que nos fica apenas sugerido na conclusão do já referido apêndice.

13. O CONCEITO DE ESQUECIMENTO NIETZSCHIANO EM JORGE LUIS BORGES

Fábio Henrique R.Sousa

UFPB

Este trabalho visa explicitar o diálogo existente entre um dos conceitos basilares do pensamento filosófico de Nietzsche e a literatura de Jorge Luis Borges. Tarefa essa que se pretende executar através de uma análise filosófica do conto Funes, o memorioso. Texto em que o literato argentino constrói uma personagem de cunho fantástico baseada no Conceito de Esquecimento do filósofo alemão. E, embora Borges conceda a sua personagem todas as características opostas ao que propõe o filósofo, o faz, tão somente, para atingir a mesma conclusão que o pensador alemão.

14. LITERATURA, FILOSOFIA E ENGAJAMENTO: CONSIDERAÇÕES SOBRE AS PALAVRAS DE JEAN-PAUL SARTRE

Francisco Júnior Damasceno Paiva

Filosofia,UFPB

Na tentativa de compreender a condição humana podemos lançar mão de vários instrumentos. Entre eles, dois são especiais: a filosofia e a literatura. Jean-Paul Sartre(1905-1980) é, sem dúvida, o intelectual que mais soube interligar essas duas formas de expressão. Em As Palavras (1964) Sartre discute o estatuto da literatura. Mais do que um relato de sua infância, esta obra-prima é um verdadeiro tratado sobre a condição dos intelectuais na sociedade contemporânea. Ler e escrever é a sina do intelectual. Mas o que pode e o que não pode a escrita? Qual a força dessa arma? Introduzido nas letras desde cedo pelo avô, Sartre ia da ficção para a realidade. Achava mais verdade nos livros do que nos objetos. Este vício o transformou num idealista. Durante muito tempo tomou a pena por uma espada. A sua escrita talvez tenha sofrido a influência dos romances de aventura que lia na infância. Sartre retoma aqui questões que havia desenvolvido em Que é a literatura? Agora à luz do marxismo ele redimensiona o papel da cultura nos nossos dias. Utilizando-se do método progressivo-regressivo, ele tenta explicar, ao mesmo tempo, o autor pela obra e a obra pelo autor. Curado do idealismo, Sartre descobre a impotência dos escritores. Isso não significa, no entanto, que devamos abjurar de tudo: "a cultura não salva nada, nem ninguém, ela não justifica. Mas é um produto do homem: ele se projeta, se reconhece nela; só esse espelho crítico lhe oferece a própria imagem". A contribuição de Jean-Paul Sartre, enquanto intelectual militante, homem de pensamento e de ação, permanece de valor inestimável. As questões suscitadas por Sartre continuam ainda hoje, no centenário de seu nascimento, pertinentes e atuais, a desafiar a humanidade e certamente será assim pelos próximos cem anos.

15. AS CONCEPÇÕES FILOSÓFICAS DE LIBERDADE SUBJACENTES EM JOSÉ PAULO PAES

Gesimiel Rodrigues Santos

PET Letras, UFCG

Prof. Dr. José Hélder Pinheiro Alves (orientador)

UFCG

A poesia de José Paulo Paes apresenta-se como uma das melhores da literatura brasileira contemporânea. As temáticas contidas no conjunto da sua obra apontam para um autor com uma aguçada percepção da realidade e uma extrema sensibilidade no trato com as palavras. A sua poesia está permeada por um teor filosófico que o coloca entre os mais versáteis poetas do nosso tempo. Nela, o homem encontra espaço para reflexões sobre o estar-no-mundo e as implicações da aventura existencial humana. Exemplo disso é o poema A liberdade como problema, no qual o poeta, possuidor das “antenas da raça”, tece considerações sobre um dos mais controversos temas da existência humana: a Liberdade. Baseados nas afirmativas acima expostas, analisamos o texto utilizando como suporte as concepções aristotélico-sartreana, bem como as propostas por Hegel e Marx. Além de verificar a evolução histórica de tal assunto. Nosso objetivo principal é trazer à tona as concepções de Liberdade que jazem ocultas nos meandros do texto, aliada à apreciação estética do corpus literário, servindo-se, para tanto, de um método essencialmente estilístico de análise textual.

16. PESSOA E O FUROR POÉTICO DE PLATÃO

Rosângela Trajano da Silva

mestranda PPGEL, UFRN

Drª. Lourdes Patrini

O presente trabalho desenvolveu-se a partir da observação de que a poesia de Fernando Pessoa transmite um estado de melancolia arrebatado pelo furor poético considerado por Platão nos seus diversos diálogos que tratam daquilo que dá à alma o conceito de criadora, ou seja, poeta. Dos diálogos de Platão que abordam este assunto destacamos o Íon por se deter tão-somente na preocupação de investigar a inspiração divina. O poeta português Fernando Pessoa nos seus mais diferentes heterônimos apresenta sempre uma melancolia criativa, que o envolve e o desassossega como ele mesmo diz no título da sua excepcional obra Livro do Desassossego onde apresenta um estado de espírito insaciável com aquilo que o cerca, que cria, que sonha e enxerga. O poeta no seu estado melancólico escreve poesias tomado pelo furor poético das Musas de Platão, o ser-eu deixa de existir e naquele instante, como nos diz Platão no Íon, Fernando Pessoa é possuído por uma inspiração divina. Isto é claramente percebido nas palavras de espanto do poeta num fragmento escrito pelo heterônimo Bernardo Soares.

17. A EXPRESSÃO ALEGÓRICA EM DESENREDO E REMINISÇÃO

Robeilza de Oliveira Lima

Letras, UFRN

Drª. Joselita Bezerra da Silva Lino

Letras, UFRN

Este trabalho é parte integrante do projeto de pesquisa A alegoria em Guimarães Rosa, orientado pela Profª. Drª. Joselita Bezerra da Silva Lino e está vinculado à base de pesquisa Estudos da Modernidade. O trabalho visa a apresentar uma análise feita a partir de dois contos de Tutaméia, quais sejam, Desenredo e Reminisção, à luz da concepção de Walter Benjamin (1984, p. 181) sobre a alegoria barroca, segundo a qual Cada pessoa, cada coisa, cada relação pode significar qualquer outra (1984, p. 196). Nossa análise tem como objetivo principal observar os procedimentos alegóricos utilizados na escritura desses contos. Para tanto, buscaremos estabelecer uma relação entre suas temáticas, analisando-os comparativamente a fim de realçar as semelhanças e diferenças quanto ao emprego de tais procedimentos, os quais surgem através da fragmentação e da recriação da linguagem, expressas na desconstrução e construção da escritura rosiana, ou ainda, quando o autor confere valores orais, alógicos, poéticos à prosa. Nosso suporte metodológico compreende a semiótica, a filosofia e a crítica literária. Com base neste estudo, acreditamos ser possível interpretarmos muitos dos elementos que constituem a escritura de Guimarães Rosa sob a perspectiva alegórica benjaminiana, o que pode sinalizar para um novo direcionamento nas leituras feitas desse grande escritor brasileiro.

18. Um abecedário para a poética de Augusto dos Anjos

Profa. Dra. Sandra S. F. Erickson

Conforme já vimos argumentando nesses últimos cinco anos, a base estrutural do imaginário de Augusto dos Anjos é constituída por dois tipos de imagens as “imagens deslocadas” entre as quais destacamos as do poço artesiano, (Os Doentes, l. 278 e 29) do fósforo (Versos Íntimos, l. 9), as imagens antropofágicas (As Cismas do Destino, l. 35; 65-69), de fetos, aborto, sangue (indiscriminadamente) e a do “Nabucodonossor do Pau d´Arco” (Gemidos da Arte, l. 30) e as imagens unhimlich, entre as quais a do vestido de hidrogênio incandescente, Solilóquio de um Visionário l. 9), “cantando sobre os ossos do caminho a poesia de tudo quanto é morto”, (Poeta do Hediondo, l. 12-13), a psiquê das massas mortas (Os Doentes, l. 48), a do “cavalo de eletricidade” (Poema Negro, l. 8-9) e a de misturar-se com as violetas (Os Doentes, l. 239). Essas imagens articulam quatro níveis de significado, a saber, um etimológico (onde encontramos os conceits utilizados pelos poetas metafísicos ingleses), um simbólico (onde encontramos alusões ao neoplatonismo e as religiões de mistério do mundo helênico), um retórico (onde o poeta utiliza de um modo sofisticado e radical tropos como alusões, metáforas, metonímias, ironias, metalepses, hipérboles atingindo assim o nível de “poeta forte”) e um que chamamos “agônico” (o qual articula a luta pela prioridade criativa). Nesse presente trabalho propomos desafiar o leitor/ouvinte com um abecedário para a leitura do poeta que redireciona certos vocabulários e temas recorrentes na poética de Augusto dos Anjos, exercitando uma “desleitura”, nos moldes propostos por Harold Bloom na qual fique evidente a profundidade com a qual o poeta paraibano deitou e rolou no cânone ocidental.

 

GT-06: HISTÓRIA, MOVIMENTOS SOCIAIS E PARTICIPAÇÃO POLÍTICA

Coordenadoras:

Irene Alves de Paiva

E-mail: irene@natal.digi.com.br

Departamento de Ciências Sociais

Maria da Conceição Fraga

E-mail: ceicafraga@bol.com.br

Departamento de História

Local: Setor de Aula II, sala B1

O grupo de trabalho reúne pesquisadores (professores, alunos de Graduação e Pós-Graduação) que trata da história e das lutas dos Movimentos Sociais (incluindo sindicatos, partidos e ONG´s) e da participação política dos atores na sociedade. Tem como objetivo intercambiar áreas de conhecimentos distintos; estágios de pesquisa diferentes, bem como reunir pesquisadores de áreas afins para a produção do saber.

Primeiro dia

01. A História oral e o tempo presente

Autores:

Eliane Moreira Dias – Pós-Graduação/ UFRN

Giselda Dantas Galvão– Pós-Graduação/ UFRN

Co-autoras:

Rosângela Galvão Siqueira

Ivonilde dos Santos de L. e Souza

O presente artigo objetiva traçar um breve histórico sobre a Historia oral, discutindo-a enquanto proposta metodológica, a partir das entrevistas realizadas com eleitores e candidatos nas eleições ocorridas em 2004 para prefeito e vereador na cidade de Natal/RN. Trata-se da candidatura à reeleição à Prefeitura da cidade do Natal. O relato dos depoentes foi voltado para privilegiar o voto protesto manifesto em diferentes formas no processo eleitoral, possibilitando hoje uma reflexão sobre a história do tempo presente. Partimos da noção de memória coletiva em Halbwachs para observarmos que a fala dos depoentes revela o quanto o discurso oral depende de quem é a pessoa e do posicionamento que tem na sociedade.

02. Dos Movimentos Sociais ao poder Executivo no RN

João Mauricio Gomes Neto

Orientadora

Prof.ª Doutora Maria da Conceição Fraga

O presente trabalho analisa os Movimentos Sociais como um espaço de formação de lideranças políticas (GOHN, DAGNINO, entre outros) e causa tal tem possibilitado contribuir com a formação das equipes de governo em diferentes instancias do poder Executivo. No Rio Grande do Norte são várias as lideranças que participaram dos Movimentos e se tornaram secretários de saúde, educação, entre outras, nos podres municipal e estadual. Para este trabalho tomamos como lócus da investigação o município de Natal que, talvez por ser a capital do Estado, tem revelado ser a cidade que mais tem incorporado essas lideranças nas equipes de governo. Tomamos como fonte informação documentos das entidades pelas quais registram a passagem dessas lideranças; a legislação que os nomeia como secretários; documentos que tratam dos planos de governos elaborados por eles ou com sua participação, bem como os depoimentos desses protagonistas ou por personalidades que acompanharam suas trajetórias. Tudo isso para construir uma memória de indivíduos e grupos que participaram desse percurso (HALBWACHS, BENJAMIN, THOMPSON e ARENDT).

03. Escolas Radiofônicas: A influência dos treinamentos na concepção de uma ideologia

Carolina Tavares da Silva

Marlene Tavares de Araújo Sobrinha

Orientadora:

Marlúcia Menezes de Paiva

Com base em documentos e relatórios oficiais das Escolas Radiofônicas, entrevistas com professoras que atuaram neste movimento e em trabalhos realizados nesta área. Percebemos que entre os anos de 1950 e 1965, a Igreja investe maciçamente em trabalhos sociais com a intenção de aumentar seu número de adeptos, passando então a priorizar a Educação como técnica de influenciar pessoas. Isso funcionou de tal maneira que promoveu uma crescente expansão do Movimento de Educação de Base (MEB), mais especificamente das Escolas Radiofônicas, havendo a necessidade de treinar um maior número de monitores, bem como de professores para atender às concepções ideológicas da Igreja e para que as aulas pudessem ocorrer de forma mais acessível aos alunos. Neste trabalho trataremos exatamente destes treinamentos; da forma que ele se deu e de como ele conseguiu mudar a maneira de ser, agir e pensar da população alcançada pelas ondas do rádio, influenciando nas concepções ideológicas, políticas, religiosas e morais dos monitores e professores, bem como no repasse dos conteúdos das aulas, atingindo diretamente os alunos diante dessas mesmas concepções. Vale enfatizar que o rádio passou a ser uma maneira não só de alfabetizar, mas de evangelizar, fazendo com que a população tivesse um maior alcance a informações, contribuindo para a politização de um povo.

04. Memórias caicoenses: a Ditadura Militar.

Alexsandra de Brito Torquato- CERES /HISTÓRIA.

É sabido que na década de 60 irrompe um movimento político em solo brasileiro, a Ditadura Militar. Esta, obviamente, atingiu as diversas esferas regionais, desde o extremo Norte até o cone Sul do país. Este momento de verdadeira carnificina velada, deve, assiduamente, ser posto em destaque, pois açambarca a tenebrosa face da nossa história. Embora muitos clássicos (como: Fernando Gabeira, Élio Gaspari, Zuenir Ventura, e outros) já tenham feito menção ao assunto em escala nacional, faz-se mister abordar de que forma e como esse regime ditatorial atuou nos mais longínquos redutos do país, principalmente no interior do sertão nordestino. Por isso, tentar-se-á exemplificar, através de uma pacata cidade norte-riograndense, Caicó, como a “máquina repressiva” militar cravou o seu domínio, à época. Admissível se faz assinalar que todo este metiê histórico encontra-se sob o encalce da oralidade, pois, a mesma, concebe respaldo a reconstrução e pulsante vivacidade de um passado citadino e brasileiro. Ressalta-se: toda a tessitura dialógica do trabalho de campo, com os imanentes depoentes, contribui para que a memória do momento em xeque não feneça e mergulhe, amiúde, no campo do obscurantismo. Detalhe: esta reconstrução do passado histórico está em processo de andamento, inconcluso, maculado pelas limitações e lacunas da própria pesquisa.

05. Mulher e política no Movimento Estudantil do RN

Adriana Cristina da Silva Patrício - Mestranda em História

Orientadora:

Prof.ª Dr.ª Maria da Conceição Fraga

A história das mulheres tem sido uma importante temática no campo da historiografia nos últimos tempos. Analisar as transformações de gênero e suas conseqüências ocorridas, principalmente, a partir da segunda metade do séc. XX, passa ser um dos objetivos de vários historiadores norteados pelo curso da nova historiografia e suas vertentes que procuram dar dimensões da vida social e cultural, destacando o cotidiano e as mentalidades dos indivíduos na história. O Movimento Estudantil (ME) do RN tem sido analisado priorizando as falas dos militantes masculinos, por estes estarem a frente das entidades estudantis (Silva, Andrade, Patrício, Maia, entre outros). A participação feminina no ME acentua-se a partir dos anos 60 e é procurando conhecer o cotidiano dessas mulheres que comporam um importante espaço de atuação política no RN dos anos 60 aos anos 90 que nos propomos a pesquisar. Para este trabalho recorreremos ao estudo em diversos tipos de fontes, dando destaque ao recolhimento de fontes orais (Halbwachs, Benjamim) por compreendermos que as mesmas oferecem a possibilidade de entender o ator, privilegiando suas experiências. Através dos fragmentos de memória tentaremos reconstruir o espaço (Certeau) dessas militantes – até então secudarizado – para ampliarmos nossa compreensão da história contemporânea do nosso Estado, dando visibilidade a participação da mulher nessa história.

06. A Reconstrução do PC do B no Rio Grande do Norte ( 1979-1986)

Aline Corrêa do Nascimento

Orientadora:

Prof.ª Drª. Maria da Conceição Fraga

No Rio Grande do Norte , depois de 21 anos de clandestinidade, acompanhando e participando dos processos que restauraram as liberdades democráticas após o regime militar , o PC do B através do trabalho de seus militantes à época, adquiriu um certo grau de visibilidade e amadurecimento. As lutas certamente trouxeram resultados positivos , alguns deles podendo ser sentidos na atualidade. Os militantes reconhecem que a situação atual do país é reflexo do esforço conjunto promovido pelas esquerdas , durante este período. A sociedade , neste contexto , também contribuiu para tal intento, participando e obtendo maior conscientização . Constatamos que a reconstrução do partido foi promovida pelos militantes , oriundos do movimento estudantil , que à época reorganizaram o Diretório de Exatas na UFRN, num processo originado entre os anos de 1979 - época em que o núcleo de atuação estava sendo organizado – e 1981, ano da conferência para reorganização do partido. Para os entrevistados, a participação no movimento estudantil foi importante para aquisição de experiências , mas o partido tornou-se a forma mais amadurecida de espaço e preparação para maiores embates . No entanto, alguns dos ex-militantes, , suscitam criticas no tocante a ocorrência de um centralismo excessivo e conseqüente ausência de discussões . Sobre a Frente Democrática - ponto polêmico contestado por uns e reafirmado por outros – afirmam que a fim de obter expressão , o partido não poderia ter optado pelo isolamento. Porém , esta tendência nacional gerava um paradoxo no tocante ao apoio a pessoas que apesar de naquele momento partilharem os mesmos objetivos , outrora defendiam posições contrarias.

07. Dos Movimentos Sociais ao Poder Legislativo

Denis Macário Freire de Lima

Rodrigo Torres de Morais

Orientadora:

Profª. Drª. Maria da Conceição Fraga

Os movimentos sociais no Brasil passaram a ter papel destacado após a redemocratização ocorrida nos anos 80 e 90 do século passado. Ao mobilizar parcela significativa da sociedade, contribuíram decisivamente no processo de formação de lideranças políticas. Sindicatos, entidades estudantis, igreja católica, organizações não-governamental, movimentos voltados para organizar trabalhadores da terra, entre outros, se constituíram num laboratório de formação de lideranças. Já no final dos anos oitenta percebia-se o quanto estes movimentos conseguiram ocupar espaço no poder legislativo no âmbito do estado e do município. Foram vários os vereadores, deputados estaduais, federal e senadores que têm passagem nos movimentos. No Rio Grande do Norte, especialmente Natal, não foi diferente, desde a primeira eleição para prefeito e vereadores (1985), bem como governador, deputados estaduais, federal e senadores (1986), foram vários os parlamentares que advieram dos movimentos. A presente pesquisa se justifica na medida em que pretende identificar nomes e projetos políticos desses atores políticos com a pretensão de verificar, numa análise crítica, a contribuição dos movimentos na construção do processo democrático do País, em especial de Natal e no Rio Grande do Norte.

08. Movimentos Sociais contemporâneos: novos sujeitos e velhas questões

Sandra Damasceno da Rocha

Departamento de Ciências Sociais

Ao longo da história do pensamento social, numerosos autores se propuseram a estudar os movimentos sociais em sua capacidade de imprimir novas configurações às relações sociais, tornando-se potencialidades transformadoras e reconstrutivas da realidade. Tratando mais diretamente da capacidade de intervenção humana no curso das mudanças, as análises acerca dos movimentos sociais tocam no ponto crucial do debate contemporâneo nas ciências sociais: a redefinição da relação entre os elementos de estrutura e ação e as crescentes tentativas de ruptura com o predomínio da objetividade da realidade sobre a subjetividade do homem, marcas de diversos movimentos teóricos contemporâneos nas ciências sociais. O estudo dos chamados “novos movimentos sociais” representa a tentativa de superar a divisão entre teorias estruturais e teorias da ação, marcando sensivelmente a produção e o debate teórico sobre os movimentos sociais nos últimos vinte anos. O “fim do sujeito histórico”, corporificado na tradição do materialismo histórico, é anunciado e, para os analistas, os movimentos sociais desta nova situação histórica não vinculam sua ação de oposição a um adversário social real, muito menos almejam a realização de uma ordem “meta-social” liberadas de conflitos como foi (ou é) encarado o socialismo. O papel central dos arranjos institucionais, da divisão do trabalho e das formas de organização econômica sede espaço neste campo de estudos para os enfoques culturais e para as formas da “micro política”. Minha proposta de trabalho é problematizar o debate contemporâneo acerca dos movimentos sociais, visualizando as rupturas fundamentais com os referenciais teóricos clássicos e discutindo até que ponto essas análises são mais prescritivas do que realmente descritivas destes fenômenos políticos. Visa também, por conseguinte, a construção um modelo de análise para orientar a observação de um movimento social específico, a Marcha Mundial de Mulheres em Natal/RN, articulado o material observado às categorias de análise resultantes desta revisão bibliográfica.

09. Pedreiro: a profissão expressa através da arte

Karem Cibelly de Souza

Maria Francimária Cavalcante

Helensandra Lima da Costa (co-autora)

Este trabalho toma como tema a profissão do pedreiro, tendo como base a leitura da música Cidadão (c0mposição de Lúcio Barbosa) interpretada por Zé Geraldo. O interesse por este surgiu a partir da necessidade de discutir a importância da profissão na nossa sociedade e de sua pouca valorização perante a mesma. Tem-se pó objetivo resgatar a história desta, utilizando-se para isso, não só de fontes escritas, mas principalmente de fontes orais, as quais nos auxiliarão na busca por fatos que no passado fizeram a diferença e no entanto não são lembrados quando da escrita da História. A metodologia utilizada é o uso de conceitos relativos a história e memória e também o uso de entrevistas com estes (pedreiros) profissionais da Construção Civil

10. HISTÓRIA ORAL COMO FONTE DE PESQUISA: o voto protesto na eleição municipal em Natal - 2004

Apresentadores: Francisco de M. F. Junior – Aluno da Pós-graduação em História UFRN

George H. F. dos Santos - Aluno da Pós-graduação em História UFRN

Autores: Josivan S. Oliveira - Aluno da Pós-graduação em História UFRN

Zeuda Pereira de Araújo - Aluna da Pós-graduação em História UFRN

O presente trabalho faz um esboço histórico sobre a origem, importância e metodologia da História Oral, dentro da perspectiva da valoração dos depoimentos orais e do resgate da memória como fontes históricas. Realizamos um trabalho de pesquisa de campo, onde utilizamos os métodos criteriosos da História Oral na abordagem do voto protesto que marcou a eleição para prefeito em Natal no pleito de 2004. Parte do conceito de memória coletiva em Halbwachs para investigar os diferentes discursos produzidos por eleitores e candidatos durante o processo eleitoral, sobretudo, o discurso de uma candidatura advinda de um grupo de esquerda que, por mais de uma vez, lança candidatura fazendo oposição as elites e os grupos dominantes.

11. Uma analítica visão acerca dos Movimentos Sociais

Bernardo Luís de Melo Freire – Direito/ CCSA

Marcelo Lauar Leite – Direito/ CCSA

Mostra-se demasiadamente comum ouvir-se falar em movimentos sociais. Eles grassam-se diariamente pelos meios de comunicação, sendo noticiados, muitas vezes, com enfoques paradoxais, o que desvirtua a noção da origem, dos anseios, e o motivo da formação de cada um deles. Deve-se compreender esses movimentos como um fenômeno inerente aos processos de mudança no funcionamento da sociedade, em qualquer que seja a época. Eles nascem como expressão de conflitos e tensões, sendo instrumento de fortalecimento de certos grupos de uma sociedade em disputa com outros. Assim se destacaram, na Antiguidade, movimentos de escravos e os religiosos. Na Baixa Idade Média, de camponeses e servos. Na Moderna, mercadores e religiosos. Na contemporânea, o movimento operário, e, com o passar do século XX, os “novos movimentos sociais”, como o ecológico, o estudantil, o feminista, o sem-terra, dentre outros. Vimos no decorrer da pesquisa que os Movimentos Sociais se proliferam porquanto o Estado mostra-se incapaz de satisfazer as necessidades dos diversos grupos. Devem ainda eles perceber o quanto e por quem são oprimidos, visando não direcionar os descontentamentos para o lugar errado, atingindo quem é tão vítima quanto eles. Os movimentos sociais detêm uma característica que se sobressai: uma considerável variedade tipológica. Sua própria designação "movimento" indica outro atributo: o dinamismo que lhes é inerente. Além disso, percebe-se a multiplicidade e freqüente heterogeneidade de seus agentes. Um movimento social costuma congregar diversas entidades, simultaneamente, em torno de determinadas demandas, insatisfações e desejos por elas compartilhados. Abordou-se, pois, visões gerais sobre a temática, como discussões sobre conceitos básicos: conflito e ação coletiva, bem como aprofundamentos concernentes ao movimento operário, ao estudantil e aos “novos movimentos sociais”. Por fim, foi oferecido um maior enfoque no Brasil, levando em conta o caráter dependente do desenvolvimento nacional e a importância dos Movimentos na conquista dos direitos à cidadania.

12. A EVOLUÇÃO NO CONTEXTO INTERNACIONAL E NACIONAL DO MOVIMENTO POLITICO-SOCIAL DE GARANTIA DOS DIREITOS HUMANOS DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES.

Proponente: Diego Vale de Medeiros

Acadêmico do Curso de Direito da UFRN

Historicamente, a luta pela atribuição de autonomia e direitos à criança e ao adolescente constituiu-se em uma travessia das sociedades rumo ao reconhecimento a estes, tais como os atribuídos aos adultos. As diversas concepções relacionadas à infância e juventude contribuíram para paradigmas ora reducionista ora garantidor de direitos do público em tela. De uma visão menorista arraigado de discriminação cuja compreensão era direcionada à coisificação da pessoa humana e conseqüente processo de vitimização, convergiu-se compreensões rumo ao princípio da dignidade da pessoa humana, que implica em todas as múltiplas e mínimas necessidades e capacidades para uma vida decente que correspondem ao conteúdo dos direitos humanos assumidos como princípios e direitos fundamentais. O princípio da proteção integral às crianças e adolescentes se estrutura no reconhecimento incontestável da garantia equânime dos direitos fundamentais a este público. Todavia, em face à lógica compartimentada que por muito tempo perdurou nas discussões de conjuntura internacional e nacional, refletiu no comprometimento da proteção infanto-juvenil. O movimento em favor da infância e juventude defende, dentre outros, o princípio do interesse superior da criança, motivo este que reflete inclusive na esfera política no que tange à formulação e execução das políticas públicas cujos alicerces ora enaltecidos devem nortear a garantia dos direitos sociais, civis e políticos com a devida prioridade, através de uma construção coletiva e promoção da participação social. Propõe-se em suscitar tal debate, em especial uma análise histórica, política, jurídica e social do movimento internacional e nacional de garantia dos direitos humanos das crianças e adolescentes, assim como as respectivas repercussões na gestão pública constitucional.

Segundo dia

13. A resistência do coletivo num processo de planejamento participativo: a construção da moradia em assentamento do MST

Cecília Marilaine Rego de Medeiros

Aluna de graduação do Curso de Arquitetura e Urbanismo da UFRN

Arquitetura – CT

A assessoria aos moradores do Assentamento Maria da Paz, no Município de João Câmara é desenvolvido pelo Grupo de Estudos em Reforma Agrária e Habitat – GERAH (DARQ/UFRN) desde 2002, quando ainda estavam acampados. Este trabalho refere-se a avaliação de uma de suas etapas, a construção de suas moradias em processo de mutirão. Sua metodologia deu continuidade ao planejamento participativo já desenvolvido no assentamento e envolveu os principais agentes do processo. O trabalho coletivo, através de grupos e etapas (preparação do almoxarifado, compras, fundação, alvenaria, entre outras) possibilitou a melhoria na qualidade e a otimização do custo-benefício do Crédito Habitação, cada unidade passando de 43m² (padrão do INCRA) para 68m². foi sendo adaptada às decisões das assembléias. Mas, apesar das conquistas, a proposta original de mutirão por autogestão em linha de balanço foi-se modificando, a partir da resistência dos pedreiros, acostumados aos métodos tradicionais da construção de casas populares. Aos poucos, envolveram os assentados mais envolvidos com a construção, aborrecidos com aqueles que achavam que o INCRA tinha a obrigação de entregar-lhes as casas prontas. Ou seja: a hegemonia transferiu-se do Movimento a seus construtores. Após algum tempo, os assentados chegaram à conclusão que estavam errados, se reorganizando ao final do processo, minimizando os prejuízos do período de autoconstrução. O reconhecimento da eficiência da metodologia inicial foi um ganho do papel educacional da assessoria, na perspectiva do crescimento profissional e político das bases de um Movimento que, segundo Maria da Glória Gohn, é o de maior importância do final do século XX. A partir dele, o Movimento tem uma referência para a construção da autogestão em mais um campo de sua atuação.

14. De águia a galinha: os conflitos na administração do Crédito Habitação dos projetos chamados de reforma agrária

Amadja Henriques Borges (Professora Dra. - DARQ/UFRN)

Irene Alves de Paiva (Professora Dra. – DCS/UFRN)

Segundo Ademar Boggo, teórico do MST, o acampamento é o momento da águia, das possibilidades de crescimento de suas bases, enquanto o assentamento é o momento da galinha, quando o acesso à terra pode reduzir o interesse pela luta e gerar acomodação. Quando os acampados se tornam assentados, têm acesso a créditos referentes às suas primeiras necessidades, como alimentação e compra de instrumentos de trabalho, animais e construção de suas habitações. Os equipamentos sociais, as estradas, os poços, o esgotamento sanitário, dependem da organização e conhecimento da entidade que dirige o grupo e da disponibilidade de militantes, assessores técnicos e apoios que os orientem a planejar o novo, o desconhecido, o inusitado. Apesar do Estado liberar recursos insuficientes para sua infra-estrutura – o Crédito Habitação, por exemplo, é de cerca de 17 salários mínimos por unidade – a soma destinada ao conjunto de famílias corresponde a cifras jamais administradas pelos recém-assentados. Estes se vêm em conflito entre o que aprenderam no acampamento – momento da águia – e suas dificuldades, diante das contradições que estão sujeitos a enfrentar diante de possibilidades de “ganhos” individuais. De águia a galinha visa analisar os conflitos, avanços e retrocessos do MST junto às suas bases, assim como a participação dos demais agentes envolvidos no Projeto do Assentamento Maria da Paz, através da análise da utilização dos recursos do Crédito Habitação, como parte das ações do Grupo de Estudos em Reforma Agrária e Habitat - GERAH - que criou a metodologia inicial de seu planejamento e participa ou acompanha as várias fases de sua implementação desde seu acampamento, em 2002.

15. A participação dos atores do campo na construção do Plano de Desenvolvimento do assentamento Maria da Paz.

Pedro Henrique Pinheiro Xavier Pinto

Orientadora: Irene Alves de Paiva

O presente trabalho tem como objetivo investigar a relação universidade movimentos sociais tendo como enfoque principal a participação, tanto do ponto de vista metodológico (pesquisa participante) quanto da dinâmica social dos atores envolvidos. A observação do trabalho se desenvolverá no assentamento Maria da Paz que se localiza no município de João Câmara na região do mato grande do Rio Grande do Norte. Este assentamento se apresenta como lócus privilegiado de investigação, pois, desde 2002 a UFRN tem trabalhado esta relação dialógica instituição-movimento social em um projeto coordenado pela professora Amadja Borges do Departamento de Arquitetura em conjunto com o Programa de Pós-graduação em Educação PPGEd, que tem desenvolvido ações que apontam para a construção de uma proposta de autogestão dos espaço de moradia e trabalho. O referido trabalho tem como intenção ressaltar as principais ações desenvolvidas no projeto da professora Amadja identificando as estratégias de participação utilizadas.

16. Os olhos e ouvidos do mundo: documentos oficiais frente à pessoa com surda-cegueira

Profª Marta Cristiane Aquino De Lima –UFRN

Profª Dra. Ana Lucia Aragão Gomes – DEPED /UFRN

A idéia deste estudo numa pesquisa referente aos documentos oficiais produzidos pelas instituições públicas com o incentivo das Organizações não-Governamentais voltados as pessoas com surdocegueira. Desse modo, discutindo as estratégias e os procedimentos tantos legais como político-filosóficos relacionados aos surdocegos. Como esses documentos podem auxiliar os pais, profissionais e as pessoas que têm deficiências? Nessa pesquisa sistematizamos reflexões dos representantes do governo, profissionais, pais e surdocegos documentadas pela Organização das Nações Unidas e pelo Ministério da Educação, da Cultura e do Desporto Brasileiro. Tais reflexões faziam referências à necessidade de se oportunizar situações e condições a todas as pessoas, independentemente de suas condições físicas, financeiras, psicológicas, filosóficas, culturais e/ou políticas. Foram iniciadas mais sistematicamente as reflexões sobre a pessoa com surdocegueira na I Conferência Mundial Helen Keller, na qual discutiram os serviços destinados aos surdocegos jovens e adultos e o conceito da surdocegueira. No entanto, o alicerce das políticas e das preocupações com a pessoa surdacega é sem dúvida a Declaração dos Direitos Humanos, de 1940, que esteve presente desde as discussões da terminologia à necessidade de criar condições para a participação das pessoas com deficiências na sociedade. Nos anos 1980, o foco de atenção estava centrado nas organizações de e para as pessoas com deficiências, na descentralização de forças e de custos convidando a sociedade civil para o fim do cabo de guerra. A Lei de Diretrizes e Bases do Brasil denota que independentemente de estar em classe especial ou não deve ser garantido a aprendizagem às pessoas com deficiências, inclusive a surdacega. Do exposto, observou-se que as Organizações Não-governamentais atuaram com maior pertinência nas questões legais da pessoa surdacega do que o Estado, porém esses dois pilares influenciaram um ao outro significativamente nas decisões sobre o tratamento e a condição deste público.

17. Renda de cidadania: clientelismo ou direito humano?

Daniel Araújo Valença

Departamento de Direito

Por vários séculos foram idealizadas diferentes propostas de uma renda mínima para a população como um todo em diversos países e momentos históricos distintos. Em alguns Estados como uma renda para os pobres, em outros como uma renda para a população visando livrá-la da estagnação econômica. No Brasil, após o empenho incansável do Senador Eduardo Suplicy na luta pela aprovação de um projeto de lei que instituísse a renda mínima e a adoção por parte do Governo Federal do Bolsa Família, o tema atraiu os holofotes da imprensa nacional, e a sociedade em seus mais diversos setores protagonizou o debate sobre a questão . Surgiram as indagações: a transferência de renda não estimularia a “vadiagem”? Não seria “humilhante” para aqueles que a recebem? “É justo uma pessoa trabalhar um mês todo e outras receberem verbas do Estado sem trabalhar nada”? “Não seria assistencialismo com objetivos eleitorais”? Percebe-se que a sociedade brasileira demonstra uma desconfiança tremenda quanto a esta política pública. Inclusive parcelas significativas da sociedade civil organizada revelam tal postura. Este trabalho visa, portanto, analisar historicamente as propostas de transferência de renda, seus resultados, e se a mesma representa um direito humano ou uma política pública clientelista. Ademais, diante desta resposta, se perceberá a importância da sociedade civil organizada aprofundar o debate sobre o tema e até adotá-lo como “bandeira de luta”.

18. Sobre os italianos: estranhamento na vila do Príncipe na segunda metade do século XIX

Erivan Ribeiro de Faria

Esta pesquisa surgiu a partir da Catalogação dos Processos-crime da Comarca de Caicó (1853-1900) e com base na historia oral, em que se identificou a constante presença de indivíduos de nacionalidade italiana em tais processos, ora como vítima, ora como réus, ora ainda como testemunhas. A partir dessa constatação, resolvemos fazer uma pesquisa sobre o cotidiano de italianos na Vila do Príncipe (1850 – 1900), pela ótica das relações de sociabilidade, onde, com o aprofundamento do estudo, acabou por se ter como tema central o estudo do processo de estranhamento sofrido pelas famílias italianas no território do Príncipe, por parte da comunidade local, na segunda metade do século XIX, como resultante dessa constante presença nesses processos. Para tanto, foram elencados como motivos desse estranhamento o fato de serem comerciantes e usarem da usura como forma de enriquecimento fácil, o fato de trabalharem com o comercio ilícito (trafico de escravo e roubo de jóias da santa padroeira da cidade, á época), bem como o próprio fato de serem estrangeiros, considerados como invasores, portadores de costumes diferentes.

19. Habitação e resistência: a história de luta de uma comunidade pelo direito de morar (Natal/

RN)

Francisco de Assis Duarte Guimarães

Mestre em Ciências Sociais

O trabalho estuda a resistência dos mutuários, através de sua organização social, centrando-se, nesse aspecto, na luta empreendida, com grande voltagem emocional, principalmente nas arenas da Justiça Federal e da Imprensa, durante dez anos (1992-2002), pelos moradores do Conjunto Habitacional Parque dos Coqueiros, em Natal/RN, contra o Caixa Econômica Federal (CEF), a Companhia de Habitação Popular do Rio Grande do Norte (COHAB/RN) e cinco empresas da construção civil locais, ECOCIL, PROEX, FIMAC, A. AZEVEDO e EC – Engenharia e Consultoria. Para isso faz, antes, um resgate das condições históricas da problemática habitacional no Brasil e no Rio Grande do Norte, analisa as políticas públicas para resolver a questão e aponta alguns de seus equívocos.

20. O Coronelismo na região do Seridó: a troca de favores e o voto de cabresto

Sálvio Garcia Santos

DHG/CERES

Orientador:

Ms. Joel Carlos de Souza Andrade

Esta comunicação faz parte de uma pesquisa inicial que propõe realizar um estudo sobre as praticas ditas coronelisticas na região do seridó potiguar. As singularidades desta nomeação precisam ser pontuadas embora alguns trabalhos já tenham sido realizados. “Voto do bico de pena”, mandos e desmandos dos coronéis etc. A partir do envolvimento com a pesquisa no Laboratório de Documentação Histórica do CERES e das leituras sobre novas abordagens no campo da história política despertou-me o interesse em realizar tal estudo, ainda em construção. Os coronéis na região do Seridó como em outras do país, tiveram sua influencia na política através da “troca de favores” na região quando eles “ajudavam” as pessoas que não possuíam uma boa condição financeira através da doação de roças, proteção, alimentação, emprego etc. Então, com esses “favores” que os “coronéis” prestavam recebiam, em troca, o voto das pessoas que ficavam a eles subordinadas, tendo que votar, de qualquer maneira, nas figuras indicadas pelos coronéis, pois, do contrario, recebiam represálias por parte do grupo político. Assim, as dimensões do coronelismo extrapolam o político e se insere, também, na economia e no cotidiano das pessoas envolvidas.

21. PADRE MIGUELINHO: O INTELECTUAL E O PROFESSOR

Keila Cruz Moreira – Mestranda em Educação/ CCSA

Orientadora:

 Profª Drª Marlúcia Menezes de Paiva

Este trabalho de pesquisa preocupa-se em construir a história do natalense Padre Miguel Joaquim de Almeida Castro, Miguelinho, não apenas como um dos heróis e mártir da Revolução Pernambucana de 1817, como nos conta a história tradicional, mas o homem culto, o intelectual e o professor admirado. O período que estudamos compreende o início do século XIX quando Padre Miguelinho retorna ao Brasil para assumir a docência no Seminário de Olinda, época em que as idéias libertárias encontram eco em vários movimentos organizados. E concluiremos no ano de 1817, marcado pela Revolução Pernambucana liderada, entre outros, por Miguelinho; pela extinção da revolução com suas idéias anticolonialista que atinge as províncias da Paraíba e do Rio Grande do Norte; e é também o fim para Padre Miguelinho que é executado pelas tropas reais. Desta forma, procuramos compreender a relação conflituosa do Padre, enquanto representante clérico de uma Igreja que por séculos obteve um quase monopólio através da difusão do cristianismo como religião e ideologia dominante na conquista do domínio intelectual; seus ideais mais voltados para uma ordem social e econômica do Iluminismo, que até certo ponto condenava atitude da própria Igreja e as condições reais de uma colônia vinculada a um país que estava aquém da riqueza necessária ao incremento capitalista. Nesse contexto colonial, de repetição, imutabilidade e de forte tradição religiosa, tendo como instrução pública as aulas régias, contrastam assim, com as idéias difundidas pelo Seminário de Olinda na pessoa de seu professor de retórica, Miguelinho, como uma vanguarda para aquele momento histórico. Nosso objetivo então, é compreender através da trajetória de vida do Padre Miguelinho não só o intelectual e o professor, mas a representação de suas idéias pedagógico-educacionais em um dado momento histórico, procurando a pluralidade de um universo que procura por vezes fugir de nosso arcabouço teórico.

22. ENTRE HISTÓRIA E MEMÓRIA: A produção historiográfica da repressão no Rio Grande do Norte

Wiara Marinho de Castro

Acadêmica do curso de História, 9º período

O trabalho analisa algumas obras da produção historiográfica norte-riograndense feita a partir dos anos 1980, sobre o governo de Aluízio Alves (1961-1965). A pesquisa mostra como a historiografia aborda o referido governo, de inegável importância para o Estado dado seu caráter modernizador, evidenciando os acontecimentos políticos que permitiram que o governador vivenciasse uma administração que vai do apoio popular a um cenário de perseguições políticas; identifica ainda as imagens do governo Aluízio Alves que aparecem no discurso acadêmico e no didático; e por fim, investiga o que pensam as vítimas de perseguição política desse governo nos anos 1960. A metodologia usada é análise historiográfica posto que examina os discursos produzidos a partir da década de 1980, conectando-os ao contexto no qual estão inseridos os autores responsáveis por sua construção.

23. Movimentos de Luta pela Moradia em João Pessoa: a experiência e resistência das ocupações urbanas.

Gabriela Buonfiglio Dowling

Mestranda PPGCS da UFRN

Orientadora: Lisabete Coradini

De acordo com o Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM-PB) a estimativa é que existam mais de 20 mil pessoas cadastradas pela Companhia de Habitação Popular da Paraíba que aguardam uma moradia, considerando que destas 10 mil só na grande João Pessoa. Nosso objeto de estudo se refere exatamente a esse último caso : o movimento de luta pela moradia na grande João Pessoa. Sem políticas voltadas à habitação ou às cidades, num quadro de desemprego e empobrecimento, o resultado, do ponto de vista habitacional, é a carência absoluta de moradias populares e a degradação das cidades. Portanto, este trabalho procura investigar as condições, o contexto e as causas da ocupação de prédios que vem acontecendo na cidade de João Pessoa, sejam estabelecimentos públicos ou privados, por populações carentes que não tem onde morar. Essas ocupações, embora inicialmente se assumam como instrumento de pressão ou de visibilidade para obtenção de uma solução (moradias), frequentemente pelo descaso ou ausência de solução, tornam-se definitivas. Ou seja, perpetua-se a ocupação do local, apesar das deficiências, do acúmulo de famílias num espaço nem sempre adequado, precário em instalações sanitárias, que não permite a privacidade necessária. O estudo inicialmente prevê, para a pesquisa empírica e para o registro visual da(s) ocupações, a área da cidade de João Pessoa, incluindo Cabedelo, em especial um assentamento urbano conhecido por Comunidade do Cajueiro, em Jacaré. Desta forma, as ocupações urbanas representam uma resposta dessas populações super carentes que a partir de um envolvimento com partidos ou Organizações Não Governamentais, e movimentos sociais partem para a ação coletiva conhecida pela apropriação / ocupação de moradias que na maioria das vezes são estabelecimentos públicos abandonados ou terrenos desapropriados.

24. A IMAGEM DO ‘OUTRO’: A VISÃO DOS DEFENSORES DA ORDEM SOBRE OS SUBVERSIVOS DO RIO GRANDE DO NORTE (1964)

José Evangilmárison Lopes Leite – Graduação em História – UFRN

Com a deflagração do golpe civil-militar no Brasil, em 1964, os movimentos sociais e políticos, sindicais, intelectuais, de educação e cultura popular, que caracterizaram o quadro de efervescência política característico do início da década de 1960, passaram a ser considerados, pelas forças golpistas, como“subversivos”,“ameaça à democracia”, “ligados ao comunismo”, “agentes da desordem” e, dessa forma, passíveis de todo tipo de perseguição política, prisão e até mesmo tortura e morte aos seus participantes. Assim sendo, focalizando nossa análise nos desdobramentos do golpe de 1964 no Rio Grande do Norte, o presente trabalho objetiva analisar a atuação dos defensores da ordem – organizados através da formação de Comissões de Inquérito – sobre os movimentos sociais que atuavam nesse Estado, no referido período. Objetiva ainda, identificar, no discurso produzido pelas forças golpistas, as justificativas utilizadas para reprimir politicamente os representantes dos diversos movimentos. A principal fonte de investigação de nossa pesquisa é o Relatório Subversão no Rio Grande do Norte, resultado do trabalho de investigação de uma Comissão de Inquérito instituída pelo governo do Estado do Rio Grande do Norte e o Jornal Diário de Natal; tendo como aporte teórico autores como Bandeira, Comblin, Costa, Galvão, Gaspari, Germano, Góes, Ianni. Percebemos, assim, a partir do discurso produzido pelas forças golpistas que, por apresentarem propostas ligadas às perspectivas de mudanças no país, questionando a ordem vigente, os movimentos sociais que atuavam no Estado no início de 1960, passaram a ser vistos como ameaça à democracia e, portanto, seus representantes deveriam ser afastados em nome da ordem.

 


GT-07: ESTUDOS DE FILOSOFIA DO DIREITO

Coordenador:

Tassos Lycurgo

E-mail: Lycurgo@cchla.ufrn.br

Departamento de Artes

Local: Setor de Aula II, D1

O GT sobre Filosofia do Direito tem por propósito analisar os mais diversos ramos do saber filosófico que apresentem interesse para o mundo jurídico. Tais temas se subdividem em três grandes áreas: a primeira diz respeito à história da filosofia do direito (em que se deve mostrar a evolução histórica do pensamento); a segunda é relativa aos temas tradicionais da filosofia do direito, sejam analíticos ou continentais (em que se deve aprofundar os questionamentos decorrentes do jusnaturalismo, do juspositivismo, do realismo jurídico, da relação entre direito e Wittgenstein, entre direito e Nietzsche, da Escola Escandinava (Uppsala), entre tantos outros); a terceira área é concernente ao estudo avançado da filosofia do direito (aqui, espera-se principalmente contribuições para a semântica e para a sintaxe de lógicas heterodoxas que possam funcionar como contrapartes formais para teorias do direito).

Primeiro dia

01: CONTRIBUIÇÕES DA HERMENÊUTICA FILOSÓFICA (HANS GEORG GADAMER) PARA UMA NOVA COMPREENSÃO DA CONSTITUIÇÃO (CF) DE 1988.

Emanuel Dhayan Bezerra de Almeida

Unisinos

Hans Georg Gadamer, em sua obra Verdade e Método, traz importantes contribuições sobre o modo como ocorre a compreensão (não como um modo de conhecer, mas como um modo de ser). Afirma que sempre interpretamos e que para isto ocorra é necessário que exista um compreensão, compreensão esta que é formada através de pré-compreensões. Levando-se estas noções para a hermenêutica (jurídica) e para as particularidades do estudo do Direito, pode-se afirmar que, no sistema jurídico, toda lei deve estar conforme a Constituição (CF não como uma categoria fundante / fundamento último de Kelsen, mas como um "fundamento" sem ser fundamento, ou seja, uma construção cuja obra não está definitivamente concluída) e que para que isto aconteça é necessário ter uma pré-compreensão do sentido da CF e das modificações que esta implementou no ordenamento jurídico. Assim, esta pré-compreensão, baseadas em pré-juízos inautênticos , calcados em uma história que tem relegado o Direito Constitucional a um plano secundário, hermeneuticamente, estabelecem o limite do sentido e o sentido do limite de o jurista "dizer" o Direito, impedindo, conseqüentemente a manifestação do ser (do Direito e da Constituição). Para tanto, procuramos responder como é possível olhar o novo (CF 1988), se as nossas pré-compreensões estão dominados por uma compreensão inautêntica do Direito, onde, no campo do direito constitucional, pouca importância tem sido dada ao estudo da jurisdição constitucional ?

02. Breves considerações sobre a Norma Fundamental de Kelsen:

Diana Pedrosa Lima

UFRN

O Normativismo Jurídico defendido por Kelsen consisti em um partir da norma jurídica dada para chegar à própria norma jurídica dada. Nesse sentido, Kelsen através de sua teoria tentou trazer para o Direito a pureza necessária a qualquer ciência. Procurou desvencilhar a Ciência Jurídica de qualquer resquício proveniente da Psicologia, Sociologia, Economia. Nesse diapasão, Kelsen, sofria sérias dificuldades para explicar o fundamento de validade do direito dando, assim, uma organicidade lógica ao sistema. Para resolver tal problema Kelsen desenvolveu a teoria da norma fundamental. A Teoria da Norma Fundamental baseia-se na idéia de que Kelsen admitia unicidade do ordenamento jurídico: o Direito é formado por normas hierarquicamente subordinadas e existe uma única autoridade que atribui direta ou indiretamente caráter jurídico a todo o conjunto de normas. O sistema jurídico, assim, é unitário, orgânico, fechado, completo e auto-suficiente, nada falta para seu aperfeiçoamento, pois normas inferiores buscam sua validade em normas superiores. Pode-se concluir, então, que haveria um regresso ad infinitum, pois sempre uma norma buscaria a sua validade em outra. Ocorre que, a norma fundamental foi criada justamente para fechar o sistema, tornando-o hermético. Essa norma é o suporte lógico de todo o ordenamento e não é positivamente verificável, visto que não é posta por um outro poder superior mas suposta pelo jurista para compreender o sistema. A norma fundamental atribui ao poder constituinte a faculdade de produzir normas jurídicas dando, assim, validade e unicidade à Constituição, às leis ordinárias, aos regulamentos, às decisões judiciais, etc. Ela é hipotética, uma ficção que surge e morre de uma revolução histórica no ordenamento jurídico. Kelsen, assim, apesar das veementes críticas à sua teoria, tentou buscar uma solução para a questão da validade do sistema, dando uma vasta contribuição para a teoria do ordenamento jurídico.

03. teorias da RESPONSABILIDADE CIVIL

Anna Carolina Araújo Novello

E-mail: carolnovello@yahoo.com.br

Direito, UFRN.

O art. 927 do Código Civil assim preceitua: "Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187) causar dano a outrem, é obrigado a repará-lo. Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem." Com base no artigo retro, é possível perceber que a Responsabilidade Civil pode ocorrer tanto quando aja culpa (caput) como quando ela inexiste (parágrafo único). No primeiro caso, a responsabilidade civil é pautada na Teoria Subjetiva, enquanto que no último, na Teoria Objetiva da Responsabilidade Civil. A Teoria Subjetiva, como exposto acima, baseia-se na culpa, e tem como pressupostos o ato ilícito, o dano e o nexo causal. O ato ilícito pode ser desmembrado em dois elementos: o objetivo, representado pela antijuridicidade (ser contrário ao ordenamento jurídico); e o subjetivo, assente na culpabilidade. O dano representa uma lesão a um bem jurídico, e pode ser de dois tipos: patrimonial, quando atinge os aspectos financeiros da vítima, ou seja, bens comvalor econômico; ou extra-patrimonial, também denominado dano moral, que corresponde a uma lesão a um dos direitos da personalidade, atingindo a pessoa enquanto ser humano. O nexo causal é a relação de causa e efeito entre a conduta do agente e o dano. A exclusão do nexo causal pode se dar nos seguintes casos: caso fortuito, força maior, fato exclusivo da vítima e fato e terceiro. No que concerne a Teoria Objetiva da Responsabilidade Civil, não há que se perquirir a existência ou não do ato ilícito, mas sim se há uma atividade de risco. É esta que vai gerar a responsabilidade, seja o ato lícito ou ilícito, independentemente de culpa. Onde existir o dano, haverá reparação. O Novo Código Civil ainda tem como regra a Teoria Subjetiva, mas a Objetiva vem cada vez mais sendo valorizada e utilizada.

04. Platão na Filosofia do Direito

Fernanda Gouvêa

E-mail:amigaill@hotmail.com

Direito, UFRN

Suzana Régia Fontes de Souza

E-mail: suzana_regia@yahoo.com.br

Direito, UFRN

Ateniense de origem aristocrática, Platão (427-347 a.C.) formulou a maioria das questões sobre o conhecimento formador da base da discussão filosófica. Sem grande sucesso, participou das atividades políticas, fato visto como importante na constante evolução do seu pensamento. Para entender a Filosofia do Direito segundo esse filósofo, são essenciais duas obras, diálogo da República e diálogo das Leis. A República descreve a concepção ideal do Estado, a mais perfeita unidade, detentor de um poder ilimitado, nada reservado exclusivamente à vontade dos cidadãos, e dividido em três classes: os governantes (filósofos que exercitam a sabedoria); os guerreiros (responsáveis pela defesa); os artífices e agricultores (encarregados pela alimentação). A imperfeição do indivíduo é a causa da sua submissão ao Estado. Ele domina a atividade humana e tem por fim a felicidade de todos. Platão apresenta, sem condenar a escravidão, a abolição da família e da propriedade, uma comunhão dos bens a fim de alcançar a unidade orgânica e a harmonia do Estado (vale só para as duas classes superiores, governantes e guerreiros). O diálogo “As Leis” trata largamente sobre o problema da legislação, mostrando uma visão realista sobre o que deveria acontecer e que na realidade não ocorre. Para ele, a prática e a natureza humana, principalmente a má conduta do ser humano, geram a necessidade de leis que orientem o indivíduo e o conduzam a um bom proceder, visando o bem comum, possuindo, portanto, um caráter educativo, assim como o Estado deve possuir. Este, além de educador, também possui domínio e poder, respeitando, apesar disso, a personalidade individual dos homens livres. No que concerne à forma de governo, nem a monarquia, nem a democracia seria o regime mais adequado, mas sim a fusão dessas duas formas, através da qual a cidade seria governada através de sábios e guardiões das leis.

05. A Filosofia do Direito e o Jusnaturalismo

Diana Câmara Rodrigues

E-mail:diannacamara@yahoo.com.br

Direito, UFRN

Maria da Conceição Oliveira

E-mail: ceicoca_direito@bol.com.br

Direito, UFRN

A teoria do Direito Natural é antiqüíssima, o primeiro pensador a expor uma doutrina sobre esse tema foi Heráclito de Éfeso. Na descoberta ateniense do homem -da natureza humana- parece encontrar-se a semente desse movimento, que atende ao anseio comum, em todos os tempos, a todos os homens (caráter universal, tendo como prova incontestável a Declaração dos Direitos do Homem), por um direito mais justo, mais perfeito, capaz de protegê-lo contra o arbítrio do governo. Por ser tido, pelos defensores dessa corrente, como superior ao Direito Positivo, como sendo absoluto e universal por corresponder á natureza humana; servindo como referência para o legislador e para as consciências individuais. Dotada de uma concepção dualista, a corrente Jus Naturae apesar de criticada por muitos, mantêm-se fiel a um princípio comum: a consideração desse direito como sendo justo por natureza, independente da vontade do legislador, derivado da natureza humana, ou dos princípios da razão (jus racionalismo), sempre presente na consciência humana. Esse modelo engloba uma variedade de teorias que divergem não só quanto a sua fonte (natureza ou razão) como também, quanto aos meios de deduzi-lo ou aprendê-lo (lógico ou intuitivo) e, quanto á conceituação da natureza humana: belicosa (Hobbes), boa e pacífica (Locke e Rousseau), racional, social, individualista etc. Essa escola foi fruto de discursões por muitos estudiosos como: Grocio, Pufendorf, Leibniz, de certa forma Kant, dentre outros. Sua importância é indubitável, visando sempre à proteção á vida, á liberdade, a integração física e moral e ao patrimônio.

06. SOFISTAS x SÓCRATES

Cassandra Hágata Dantas

E-mail: cassandra_dantas@hotmail.com

Direito, UFRN

Nathália Cardoso Amorim Salvino

E-amil: tataya_@hotmail.com

Direito, UFRN

O pensamento sofista surge no século V a.C., num contexto de franco crescimento da democracia ateniense, onde a arte da palavra passa a ter importância decisiva em discussões jurídicas, morais e políticas, as quais eram travadas nas assembléias e tribunais. O conhecimento passa a ser elemento de subordinação à retórica e à oratória; e surge um período antropológico, que revela características individualistas e subjetivistas, em que o homem é sujeito da verdade e do conhecimento ("o homem é a medida de todas as coisas", Protágoras), e em que cada indivíduo é possuidor da sua própria visão da realidade. Os sofistas negam, portanto, o caráter absoluto, não só da verdade, como também da justiça, considerando o direito relativo e expressão mutável do arbítrio, da força e da capacidade oratória. Em contrapartida, Sócrates (470 - 399 a.C.), apesar de nada de escrito ter deixado, devolveu ao pensamento grego a confiança na verdade numa época de ceticismo geral marcada pelo relativismo dos sofistas. A ética socrática, recomendando o bem, identificando sabedoria com virtude, possibilitou a prática de uma aprendizagem racional. Além disso, deixou-nos a compreensão de que são idênticas a justiça e a legalidade desde que a lei tenha por objetivo o direito natural. Esse pensador grego defendeu o respeito às leis escritas e não escritas, boas ou más, para que não houvesse encorajamento ao mau cidadão de violar as boas leis. Nesse tocante combateu seus adversários sofistas, que se insurgiam contra os textos legais. Sócrates foi assim o precursor de uma tríade - Sócrates, Platão e Aristóteles - que assinalou momentos altos do pensamento jusfilosófico helênico.Observa-se então uma contrariedade entre as proposições defendidas por cada escola, tendo Sócrates combatido o sofismo na busca de uma verdade única decorrente da consistência dos argumentos e condenando a relativização da verdade.

07. Maquiavel e sua obra prima, o príncipe.

Jorgeana Câmara.

E-mail: jorgeanacamara@pop.com.br

Direito, UFRN

Pablo Everton Macedo.

E-mail: pabloeverton@click21.com.br

Direito, UFRN

Maquiavel nasceu num contexto de instabilidade política governos despóticos e escentralizados que se mantinham no poder às custas de astúcias e alianças com outros principados, é marcante a decadência italiana após seu enfraquecimento econômico, militar sua descentralização política. Segundo Maquiavel a psicologia e a historia seriam guias para nortear a ação do governo o estado deveria basear-se na ordem, regulando conflitos ele existentes. A forma de compartilhamentos dos bens numa sociedade relativamente igual everia compor uma república (dividida em aristocracia, democracia restrita ou ainda democracia ampla), sendo o contrário, caberia então um principado, caso não houvesse essa distinção poderia se gerar um desequilíbrio e consequentemente o fim do estado. Maquiavel tinha metas e objetivos práticos, que buscou descrever no seu trabalho usando métodos istemáticos. Existem algumas metas que são próprias da ciência experimental, e sem as quais ela não existe: a descrição precisa e sistemática de fatos públicos, a correlação destes atos por meio de leis, e por meio destas, antever eventos futuros, com certo coeficiente de probabilidade. Em Maquiavel, elas estariam sempre presentes e controlariam a dialética de uma investigação. A obra-prima de Maquiavel pode ser considerada um guia de recomendação para governantes. O objeto central do livro é o de que para permanecer no poder, o líder precisar estar preparado para transgredir qualquer conceito moral, e recorrer inteiramente à força para atingir um bem maior, as idéias de Nicolau Maquiavel podem não ter sido éticas, mas foram com certeza influentes. O próprio Maquiavel assumiu que elas não eram originais: seus conselhos já haviam sido adotados na prática por diversos governantes bem-sucedidos. Maquiavel é visto erroneamente como um mau caráter devido ao cunho não ético de sua obra, porém como foi dito anteriormente ele apenas descreve sistematicamente condutas de lideres que contribuíram para a conquista e manutenção do poder político.

08. Idade Média: A patrística e a escolástica

Antônio Marinho da Rocha Neto

E-mail: tonheto@yahoo.com.br

Direito, UFRN

A religião cristã, que havia sido difundida durante o império romano, acabou se consolidando na Europa e portanto,tornou-se um traço marcante na vida das pessoas na Idade Média. O cristianismo acabou atingindo também a filosofia do direito deste período,colocando no direito da época uma função muito mais espiritual, do que utilitarista. Desta forma, o fim maior do direito passaria a ser a beatitude celestial pela subordinação a Deus e não a plena harmonia na vida civil, como vinha sendo até então. Assim, na idade média, a igreja se sobrepunha ao estado já que este cuidava apenas aos assuntos relativos a vida terrena,enquanto a igreja cuidava dos assuntos de ordem eterna. Nessa época, é resgatada da jurisdição romana a concepção de direito jusnaturalista.Essa concepção exerceu papel fundamental no direito medieval,pois legitimava a sobreposição do direito teológico sobre o direito positivo. Nesse contexto,nascem duas filosofias de grande importância no estudo da idade média que são a escolástica,de São Tomás, e a patrística,de Santo Agostinho. A patrística,que tem como sua principal obra “A cidade de Deus,de Santo Agostinho, procura colocar como filosofia a ser seguida a devoção exclusiva as coisas divinas,já que ele afirma que somente essas podem levar a salvação,pois ele coloca que todas a coisas originárias do homem são impuras por descenderem do pecado original. A escolástica,ao contrário da Patrística,procura relacionar estado e religião. Essa filosofia afirmava que o homem deveria obedecer a leis fornecidas pelo estado dos homens,mas somente até o ponto em que elas não contradissessem as leis da igreja.São Tomás portanto, considera a manutenção da ordem essencial,já que ela seria um reflexo da vontade de Deus,porem toda lei que fosse contra os ideais da igreja,era contra Deus e portanto,ilegítima. Assim,Tomás coloca o poder da igreja sobrepondo o do estado e confere ao papa o poder de fiscalizar o governo de todos os soberanos de acordo com as regras canônicas.

09. A sanção na concepção de Hans Kelsen

Felipe Augusto Magalhães Branco

E-mail: lipe_mossoro@yahoo.com.br

Direito, UFRN

Jordão de Almeida Rodrigues Fernandes

Direito, UFRN

Quando se aborda a teoria pura do direito, a primeira impressão que surge diante de leigos é a de um reducionismo às normas que seria nocivo à ciência do direito. Porém tal impressão é derivada de uma visão deturpada que desconhece os verdadeiros propósitos dessa abordagem tida como polêmica. Para entender a teoria de Kelsen, é preciso observar o período em que se deu a elaboração da mesma, onde nesse contexto a ciência jurídica tinha sua autonomia ameaçada diante do positivismo de várias tendências, além dos teóricos da livre interpretação do direito, que permitiam o acoplamento da ciência do mesmo com outras de cunho humanístico, como a psicologia, a sociologia e até mesmo princípios das ciências naturais. Visando solucionar a problemática da autonomia, Kelsen reduz o método e objeto da ciência jurídica ao enfoque normativo através do princípio da pureza, que consistia em fazer com que o direito não se perdesse em discussões estéreis e que, dessa maneira, não perdesse o rigor científico. Apesar de tudo, o autor da Teoria Pura do Direito não discordava do aspecto multifacial das normas, cuja evidência está presente no estudo específico da sanção. Segundo a antropologia Kelseniana, o homem nasce disposto a satisfazer os seus interesses seguindo a conduta que lhe permita atingi-los, assim não hesitando em prejudicar o seu próximo. Apesar da vontade do legislador em modificar a vontade natural do homem, isso é impossível, porém passível de limitações que se concretizariam através das sanções. Trata-se de prescrever uma conduta através do sancionamento de conduta oposta àquela. Logo "o ilícito seria o pressuposto do direito e não sua negação"(Coelho, 1999), podendo-se aferir que se o direito é uma ordem coativa, só haverá sentido em sua existência se suas normas forem passivas de transgressão para que haja imputação da sanção.

10. Das Origens a Péricles

Maycon Alexandre Espíndula

E-mail: xmaycon@ibestvip.com.br

Direito, UFRN

Rosaver Alves da Costa

E-mail: rosaver_costa@yahoo.com.br

Direito, UFRN

Neste projeto pretendemos explanar sobre como o homem se organizou na terra em tempos primitivos, tomando por base a sociedade grega antiga num período anterior a Sócrates, tentado mostrar alguns desdobramentos da legislação em face do pensamento, das crenças, e práxis social da época. Inicialmente o homem vivia na natureza, seu referencial. Vivia de acordo com a lei que imperava: a sobrevivência do mais forte, lembrando que na natureza inexiste maldade, só organismos tentando sobreviver onde os deuses fazem as leis; natural acreditar que se um ser tem mais força que outro, tal fato se deve a um favor divino, e até aí os homem eram nômades, viviam em pequenos grupos para sobreviver e por isso “não podiam se debruçar sobre coisas inúteis como filosofia ou arte” (Lycurgo, 2005), mas o homem se torna sedentário, primeiro com o domínio da agricultura, depois com a domesticação de animais e a produção de ferramentas para dominar a natureza. "Quanto às cavernas, muitas delas acabaram se transformando em recintos funerários, por seguinte, em centros cerimoniais, num movimento que indicava um germe das futuras cidades históricas" (Vicentino, 2002, pg. 13). Nesse período toda "legislação" se fundamenta no poder religioso, "nessa natureza do primitivo o acaso não tem vez. Tudo, em seu entender, é coberto pelo determinismo mágico" (Pereira, 1980, pg. 15). Nesse período os homens não conheciam leis, mas eram "punidos" por aqueles que as conheciam: os deuses. Com a personificação dos deuses gregos se vê uma primeira aproximação das leis humanas das divinas e nesse período até mesmo os seuses estão submissos às leis naturais. Com a chegada das ciências médicas começa um movimento no sentido de se ter o homem em evidência ao invés dos deuses e junto com isso certa separação entre o que seria religião e legislação.

11. A evolução da História da Filosofia do Direito e a crença realista no impossível

Kassia Vanessa de Souza Rego

E:mail: kassiava@yahoo.com.br

 — Direito, UFRN

A partir de um exame atento da linha evolutiva da história da Filosofia do Direito, esta apresentação tem como objetivo avaliar e criticar as influências teóricas desse pensamento para o curso do Direito atual e as formas de governo vigentes ou amplamente defendidas. Pretende-se questionar as ideologias políticas de esquerda e direita de acordo com sua real eficiência para os problemas enfrentados no contexto histórico presente e suas possíveis ilusões ideológicas nocivas por irem de encontro ao princípio da dignidade humana explanado por Kant. De acordo com as conclusões apresentadas, a argumentação se encaminha para se discutir até que ponto é possível uma efetiva evolução do ser humano, a construção de um projeto comum de progresso social baseado em reformas morais e políticas. A essência humana e a crença do homem nos membros da sua própria espécie entram em questão para, tendo em mente as obras de pensadores como Hobbes, Rousseau, Kant e Nietzsche, o colóquio se abrir e os espectadores presentes exporem suas idéias quando questionados sobre o preço da autonomia, a descrença na democracia, a capacidade de se permanecer num estado comunista, a paz perpétua, a bondade ou maldade humana e medo do homem pelo homem. Por que não ser realista e acreditar no impossível? Por que ainda ter esperança?

 

GT-08: PRÁTICAS DISCURSIVAS NA CONTEMPORANEIDADE: modos de subjetivação, identidades e relações de poder

Coordenadores:

Marluce Pereira da Silva

E-mail: marlucepereira@uol.com.br

Maria Bernadete Fernandes de Oliveira

E-mail: mbernadete@ufrnet.br

Departamento de Letras

Local: Setor de Aulas II, sala B3

A compreensão da subjetividade como integrante das relações sociais permite considerar que o indivíduo se inscreva num processo de pertencimento a diversos grupos culturais. Nessa perspectiva, o discurso é concebido como uma prática realizada por indivíduos que, através dele, se constituem sujeitos, agindo sobre si e sobre aqueles com quem interagem, construindo a sua realidade social. Este GT reunirá discussões que focalizem a linguagem e suas implicações no agenciamento de subjetividades, na constituição de identidades culturais e na presentificação de relações de poder. A pretensão é a de apresentar e socializar pesquisas concluídas e em andamento que revelem práticas discursivas em que a linguagem, ao produzir sentidos, possibilite que os sujeitos utilizem mecanismos e estratégias de diferenciação, ao posicionarem-se ou serem posicionados em diferentes lugares, exercendo poder e constituindo subjetividades e identidades em cenários culturais diversos. Desta forma, serão acatadas as pesquisas cujas temáticas versem sobre aspectos discursivos de práticas sociais que apontem para modos de subjetivação, relações de gênero, relações de poder, pertencimentos étnicos e questões éticas na produção do conhecimento.

01. O conceito de Falo: a presença da ideologia no discurso freudiano sobre o amor e suas implicações para os estudos de gênero

Augusto César Francisco

Orientador: Alípio de Sousa Filho

A presença da ideologia no discurso freudiano tem implicações teóricas e metodológicas importantes na construção conceitual da psicanálise. Por ideologia, entendemos ser o discurso, nas sociedades, que naturaliza o que é socialmente construído, perpetuando uma dominação social; por exemplo, a idéia do amor como natural, tal como acontece no mito do amor materno, perpetuando uma dominação masculina. O presente trabalho analisa a presença da ideologia no discurso freudiano sobre o amor, especificamente na sua elaboração conceitual-psicanalítica sobre o Falo, entendido, esquematicamente, como a representação simbólica do pênis, e geralmente considerado adjetivado como na fase ‘fálica’ da evolução da libido – com conseqüências pertinentes para a classificação entre o masculino e o feminino.

02. A materialização da ideologia nos slogans de propaganda política

Janaina Tomaz Capistrano (UFRN - PPgEL)

Orientadora: Profª Drª Maria Bernadete Fernandes de Oliveira

Este trabalho pretende descrever a proposta de estudo do projeto de mestrado, intitulado A materialização da ideologia nos slogans de propaganda política. Tal projeto está vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Estudos da Linguagem e concentra-se na área de Lingüística Aplicada, inserindo-se na linha de pesquisa Linguagem e Práticas Sociais. Temos como proposta a análise discursiva dos slogans de campanhas políticas dos principais candidatos à prefeitura de Natal e Mossoró, realizadas em 1996, 2000 2004. Para tanto, nos basearemos nas teorias da Escola Francesa da Análise de Discurso e do Círculo Bakhtiniano, as quais fundamentam as concepções de linguagem, discurso, ideologia e sentido, considerando as condições de produção – sujeito e situação -, o interdiscurso e as formações discursivas que as delineiam.Nesse sentido, esse estudo poderá contribuir para uma melhor compreensão de como a ideologia, as condições de produção e os lugares sociais dos interlocutores estão intimamente ligados à produção de discurso. Para Bakhtin, a comunicação verbal não pode ser compreendida sem se considerar o seu estreito vínculo com a situação concreta. “A criatividade da língua não pode ser compreendida independentemente dos conteúdos e valores ideológicos que a ela se ligam” (BAKHTIN: 1995, 127). È para desvelar os conteúdos e valores ideológicos, aos quais a teoria bakhtiniana se refere e que estão presentes em toda e qualquer enunciação, inclusive nos slogans políticos que este estudo pretende contribuir.

03. SÍTIO DO PICAPAU AMARELO:o arquétipo dos personagens na versão da Rede Globo de Televisão

Maria Betânia Peixoto Monteiro da Rocha

O discurso é o que se deseja dizer dentro de um texto, seja este temático ou figurativo. Para cada discurso há uma ideologia. Para cada ideologia duas mensagens: uma superficial - aparente - e uma profunda. O discurso é o recurso mais utilizado dentre as formas de Poder. Na atividade Política, é o discurso que transmite, transforma e percebe as manobras que têm por finalidade organizar e determinar a estrutura social delimitada por fronteiras espaciais e filosóficas. Convencer um cidadão a utilizar uma arma para defender os interesses de “seu país” é o discurso recorrente em instituições militares. O que seria da economia, e, portanto da acumulação de produtos, se não fosse o discurso de que é “preciso” comprar e que, conseqüentemente, é necessário vender? E por fim, o que seria das igrejas, instituições de ensino, e dos veículos de informação se não houvesse uma forma de falar sem omitir a intenção? Diante da qualidade macunaímica do discurso, ou seja, da qualidade de adaptar-se a partir de uma transformação estética da linguagem, é que nós analisaremos o programa infantil Sítio do Pica-pau Amarelo, inspirado na obra de Monteiro Lobato. Percebendo que os textos figurativos são os que mais omitem as mensagem de nível profundo e os que possuem maior alcance, é que determinamos a escolha do programa a ser analisado.Nossa estratégia é definir a intenção do discurso da Rede Globo a partir da linguagem (verbal e não verbal) dos personagens do Sítio do Pica-pau Amarelo.

04. Tecnologias do eu e autobiografia

Carmen Brunelli

PPGEL/UFRN

As tecnologias do eu são produzidas a partir de técnicas que conduzem o indivíduo a tornar a si próprio o sujeito de suas práticas e das práticas dos outros sujeitos sobre si, recusando ou resistindo a certos modos de subjetivação. No entanto, essas técnicas não se dão independente de dispositivos discursivos e não discursivos. A partir dessas considerações, analisaram-se alguns memoriais acadêmicos de um curso de Pedagogia que se configuram em uma escrita autobiográfica. A partir de uma perspectiva foucaultiana, as conclusões deste estudo apontam para o fato de que o discurso nos textos autobiográficos reflete não apenas as experiências do sujeito mas também a forma singular e normativa dos dispositivos pedagógicos que regulam e modificam essa relação reflexiva.

05. CRENÇAS NO ENSINO DE LÍNGUA INGLESA: análise dos discursos de slogans propagandísticos de escolas de línguas

Ivonete Bueno Gratão

ivonetebg@hotmail.com

PPGEL/UFRN

O trabalho proposto apresenta uma análise, em fase introdutória, de uma pesquisa cuja temática versa sobre a questão de crenças em relação à aprendizagem de língua inglesa que atravessam os discursos propagandísticos de escolas de línguas. A questão norteadora dessa investigação é que valores e representações são utilizados nesses discursos com o propósito de “seduzir” as pessoas para o ingresso em alguns cursos propostos? Utilizam-se como corpus folders de escolas franqueadas nacionalmente, Yazigi, Fisk e Skill, com o propósito de averiguar efeitos de sentido que perpassam tais discursos, de forma a motivar as pessoas a ingressarem nessas escolas, a partir da evidência em torno da aprendizagem de outros idiomas, ou, ainda, verificar, se de fato, a preocupação expressa por esses cursos está relacionada às vantagens dirigidas para ascensão e status social. Fundamentam teoricamente a investigação os trabalhos de Barcelos, Pajares, Almeida Filho, entre outros. A partir da análise até então realizada, percebe-se que as práticas discursivas de tais propagandas refletem aspectos culturais de que o conhecimento de uma língua estrangeira, em especial o inglês, traz ao indivíduo posição privilegiada no mundo contemporâneo.

06. DISCURSO, MEMÓRIA E IDENTIDADE: estudo de marcas de identidade étnico-racial de professores

Girlane Costa de Sousa- UFRN

Nesta pesquisa, procurar-se-á analisar práticas discursivas de professores negros pertencentes a escolas da cidade de Natal. Para tanto, realiza-se um estudo, numa perspectiva discursiva, das marcas de identidade destes sujeitos em espaços escolares, com o propósito de averiguar a sua inserção nas instâncias públicas onde são identificados em seus papéis à busca da ascensão social. Toma-se a memória como elemento central para o resgate dos relatos desses profissionais na trilha da construção de sua identidade social e racial. Colocam-se como questões de pesquisa até que ponto os professores negros incorporam a sua identidade racial e que tipo de interdição enfrenta estes sujeitos nas diversas instâncias da convivência social no seu cotidiano. Como procedimento metodológico, analisaremos, qualitativamente, dados da entrevistas. Recorre-se às postulações da AD de linha francesa. e aos estudos de Hall (1996) e Tomás Tadeu da Silva (2000), (Moita Lopes (2002), entre outros, voltados para a questão da relação educação e raça. Espera-se, a partir da análise, apreender dos discursos dos docentes negros aspectos relevantes da sua história de vida sobre a temática da identidade racial.

07. PROCESSOS DISCURSIVOS DE CONSTITUIÇÃO IDENTITÁRIA DO GOVERNO LULA NA PROPAGANDA EXIBIDA NA MÍDIA

Ady Canário de SOUZA

PPgEL - Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

adycanario@bol.com.br

Este trabalho resulta do interesse em compreender procedimentos discursivos de construção dos sentidos da/pela linguagem na propaganda do governo Lula que circula na mídia. Com foco na construção da identidade do Governo Lula, a análise, de forma introdutória, procurará mostrar como, ao fazer uso da linguagem, se constrói essa identidade constantemente negociada com o outro. Observando o discurso dessa propaganda, vemos que a midiatização da política pode também nos levar a entender essa arena na qual a política se assemelha a uma empresa de vendas. No seu interior, desenvolve-se o plano estratégico que pressupõe a aplicação das ferramentas do marketing para vender a imagem que o governo objetiva negociar com o outro. Busca-se, ainda, investigar de que forma a penetração da política na mídia poderá contribuir também para explicar a relação da língua ao político, ao histórico, aos acontecimentos discursivos inerentes aos processos de construção dos sentidos da/pela linguagem. Para tanto, orienta teoricamente esse trabalho a AD de filiação francesa, especificamente, na utilização de noções como efeitos de sentido, interdiscurso.

08. Sujeito(s) da notícia: uma análise discursiva

José Zilmar Alves da Costa

Análise dos processos discursos constitutivos da notícia, com enfoque na tríade jornal-jornalista-fonte, vistos como figuras discursivas, com certas capacidades fixas e com um lugar na ordem das coisas, que se apropriam da língua, instalam-se como centro de referência interno de seu discurso, postulam o outro, expressam uma relação com o mundo e pelo discurso co-referem com seu interlocutor mas que sofre constrangimentos e condicionamentos diversos. Sujeitos que ocupam um lugar social e a partir dele passam a enunciar, a fazer um discurso ideológico, sempre inseridos num processo histórico.

09. A problemática da pesquisa nas Ciências Humanas e na Lingüística Aplicada: modo de significação e relações éticas.

Renata Archanjo

Departamento de Letras – UFRN

Os estudos sobre a produção do conhecimento, na área das Ciências Humanas vêm sofrendo modificações decorrentes das crises dos paradigmas científicos que orientam o modo de produção das mesmas e de sua significação na contemporaneidade. No campo da linguagem, a Lingüística Aplicada e a sua vertente crítica, igualmente apontam para uma modificação em seu campo de atuação que caminhe para além de um estudo teórico / prático das manifestações do fenômeno lingüístico, constituindo-se em posicionamentos que, ao levar em conta questões históricas, políticas, sociais, econômicas, culturais, tecnológicas, questões que abarquem diferentes comunidades, grupos étnicos, minorias, apontem para um conhecimento sobre como as vozes presentes nos discursos significam e como as relações éticas se constituem no interior desses discursos. O conhecimento passa pela subjetividade de cada indivíduo e, sendo o sujeito múltiplo, heterogêneo, fragmentado, axiológicamente atravessado em todas as suas manifestações, mas único em sua eventicidade, a subjetividade de cada um é produto de suas relações singulares com o mundo e com os outros. O objeto de estudo de nossa pesquisa é o discurso teórico-científico produzido no âmbito dos estudos da linguagem e, portanto, dentro do campo das Ciências Humanas, e seu significado. Ao questionar a significação do discurso estamos partindo do pressuposto que este se constitui na dialogicidade na qual circulam vozes em constante tensão. Entender como as diferentes vozes se fazem ouvir e significam no discurso científico é o primeiro de nossos objetivos. Entender como o sujeito estabelece uma relação ética com seu discurso e com o outro para quem ele se dirige é o segundo de nossos objetivos.As questões apontadas acima dizem respeito às idéias centrais que fundamentam minha pesquisa de doutorado e constituirão a base das discussões propostas para o presente GT.

10. O olhar exotópico do revisor de textos

Risoleide Rosa Freire de Oliveira

(UFRN)

O trabalho apresenta os primeiros momentos de um estudo sobre o processo de revisão de textos de autores maduros em que o ato de revisar é considerado como um ato ético, um ato de responsabilidade e responsividade, um ato de negociação entre os pontos de vista do revisor e do autor. Fundamentada na concepção de linguagem enquanto prática social e discursiva, de acordo com a teoria da enunciação na vertente bakhtiniana, a investigação tem como principal objetivo compreender como se dá o trabalho do revisor, como ele se posiciona na relação revisor-texto-autor e até que ponto interfere no conteúdo temático, na forma composicional e no estilo textuais. Parte-se do pressuposto de que ao desenvolver seu trabalho, o revisor exerce a função de mediador entre o texto e o produtor, de modo que este assuma sua posição de autor, ou seja, aquele que é responsável pelo texto nas dimensões lingüísticas e discursivas. Para isso, é necessário que o revisor assuma uma posição “exotópica”, ou seja, de distanciamento do texto do outro, o que lhe permite “ver no outro aquilo que ele não pode ver em si próprio”, por meio do “excedente de visão”. Nessa perspectiva, o revisor de texto deve ser, portanto, aquele que dialoga com o autor do texto e tenta, de uma “posição de distanciamento”, colaborar para o sucesso do produto final.

11. MULHERES QUE RETOMARAM A SUA TRAJETÓRIA ESCOLAR:

PENSANDO IDENTIDADES SOCIAIS

Cássio E. R. Serafim (UFRN/PPgEL)

cassioserafim@ig.com.br

Marluce Pereira da Silva (UFRN/PPgEL)

marlucepereira@uol.com.br

Neste trabalho, buscamos situar mulheres adultas num mundo onde, constantemente, as identidades coletivas e individuais estão sendo questionadas, com o propósito de serem reconstituídas sob a influência de aspectos culturais, sociais, políticos, econômicos e históricos. Ponderamos sobre a decisão desse sujeito social de retomar a sua trajetória escolar. Indagamo-nos se esse retorno pode ser justificado com base na necessidade de elevar a escolaridade na tentativa de inserir-se e/ou manter-se no mercado de trabalho e/ou se pode ser refletido como uma inserção num processo de revisão de identidades sociais antes dadas como fixas; em especial, a de gênero. Na busca de possíveis respostas para o nosso problema, estamos analisando relatos de mulheres adultas que retomaram a sua trajetória escolar, em programas de Educação de Jovens e Adultos (EJA), na cidade de Natal (RN). Buscamos dialogar com textos de estudiosos que invistam no estudo da constituição de identidades sociais na contemporaneidade, bem como na sua relação com a educação e com a linguagem. Entre eles, encontram-se Britto (2003a; 2003b), Hall (2000), Escosteguy (2001), Kleiman (1995; 1998), Mey (2001), Hoffnagel (1999), Ribeiro (2003), Signorini (1998; 1999). Em termos de conclusão parcial, inferimos que a retomada da trajetória escolar e a obtenção de um certificado de conclusão do Ensino Fundamental podem isentar esse sujeito de certos constrangimentos sociais e podem contribuir para a ressignificação da sua imagem social e, conseqüentemente, para o constante processo de constituição e questionamento de suas identidades sociais.

12. A HORA DA ESTRELA: a relação entre história e a literatura, uma questão de gênero?

Durval Muniz de Albuquerque Júnior

Professor do Departamento de História

Bolsista de Produtividade em Pesquisa - CNPq

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

INTRODUÇÃO: Uma das questões mais debatidas hoje entre os historiadores é a relação entre a história e a literatura, a história e a narrativa. Grande parte dos textos escritos sobre esta temática defende sempre o mesmo ponto de vista, ou seja, a necessidade de diferenciar a história da literatura, de se defender da ameaça que parece representar a aproximação entre o texto do historiador e o texto literário. Por que tememos a literatura? Porque a denegamos? HIPÓTESE: Nossa hipótese é que a história, como um saber surgido no seio da sociedade grega clássica e de seu esforço de racionalização do mundo, teme a experiência literária onde se foi alojar, na modernidade, a dimensão trágica da existência, o lado não racionalizado e não luminoso da realidade. METODOLOGIA: Partindo do que Lacan, Deleuze e Guattari chamam de instâncias da vida psíquica ou movimentos do desejo e tomando a obra da escritora brasileira Clarice Lispector como material para reflexão, a comunicação procurará discutir a relação entre história e literatura como a relação entre duas formas de discurso que buscam afrontar o real, entendido enquanto caos, e tentam ordená-las simbolicamente de distintas maneiras. RESULTADOS OBTIDOS: Sugerimos, ainda, que a relação entre estas duas ordens de discurso é uma questão de gênero, não apenas discursivo, mas de gênero entendido como a forma social de pensar e organizar a relação entre o masculino e o feminino, ou seja, achamos que a história veio se alojar naquilo que a sociedade ocidental definiu como sendo o masculino: a racionalidade, a objetividade, a verdade, enquanto a literatura é inscrita no que o ocidente definiu como feminino: a sensibilidade, a subjetividade, a ficção, o mascaramento.

13. MÁSCARAS DE PAPEL: A PRÁTICA LITERÁRIA CRIANDO LUGARES DE SUJEITO PARA LUIS DA CÂMARA CASCUDO

Francisco Firmino Sales Neto

E-mail: nassausiegen@yahoo.com.br

Orientador: Prof. Dr. Durval Muniz de Albuquerque Junior

Departamento de História - UFRN

O presente trabalho é parte integrante do projeto financiado pelo CNPq, Luís da Câmara Cascudo em “As batalhas contra o tempo”: a biografia histórica de um erudito brasileiro (1898-1986). Este projeto tem por objetivo compreender, a partir da elaboração de uma biografia, como se formou a subjetividade do erudito potiguar Luís da Câmara Cascudo e, assim, entender a diversidade de temas por ele pensados. Nesse momento, nos propomos a discutir a emergência da primeira construção subjetiva de Câmara Cascudo – a de crítico literário – pois, parafraseando Foucault, foi esta a sua primeira estratégia discursiva. Isso é o que nos mostra a análise de seus primeiros artigos no Jornal A Imprensa, a partir de 1918, bem como sua primeira obra publicada, Alma Patrícia: crítica literária, de 1921. Estes textos demonstram a intenção de um homem em se afirmar como sujeito do saber, por meio da prática literária. Assim como um personagem de teatro da Grécia Antiga, que utilizava uma máscara para cada personagem apresentado, Câmara Cascudo portou-se, obviamente, de acordo com os princípios básicos de cada área do saber em que atuou, assumindo múltiplos lugares de sujeito: historiador, folclorista, memorialista, etnógrafo e biógrafo, por exemplo. Portanto, entendendo o sujeito como uma construção social e histórica, buscamos mostrar como estes discursos atuaram na construção do primeiro de vários lugares de sujeito ocupados por Câmara Cascudo ao longo de sua vida, arrogando para si um espaço entre a elite letrada do Rio Grande do Norte, no início do século XX.

14. ENTRE A VIDA E A CIÊNCIA: A SUBJETIVIDADE DO PROFESSOR NA PRODUÇAO DO CONHECIMENTO

Gilberto Ferreira Costa

Aluno do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEd) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) vinculado ao Núcleo de Pesquisa em Educação, Ciência e Tecnologia (NEPECT) e Grupo de Estudos de Práticas Educativas em Movimento (GEPEM). Professor do Departamento de Educação da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).

Marta Maria Castanho Almeida Pernambuco

Professora do UFRN (PPGEd). Coordenadora do NEPECT e GEPEM.

O presente trabalho propõe discutir o tema subjetividade e educação. Parte-se do princípio de que o professor não é apenas mediador da aprendizagem no processo de ensino, pois se o ato pedagógico constitui-se num ato político entende-se que em sala de aula ao propor a discussão de um conteúdo ele utiliza-se de instrumentos escolhidos a partir de uma posição político-ideológica. Entre esses o mais importante é o discurso. Nele, o professor expõe, além do conteúdo considerado científico, elementos de sua subjetividade, sendo essa fortemente influenciada por suas experiências vivenciais. Nesse sentido, considera-se que o professor é produto de uma formação ampla onde aspectos culturais, econômicos, psicológicos e sociais são determinantes para a elaboração de um sujeito que pelo diálogo e pela consciência é capaz de pensar e transformar a realidade, sendo ao mesmo tempo produto e produtor de conhecimentos. Compreendendo que a realidade é extremamente complexa e que uma só teoria não daria conta de explicar tal complexidade utiliza-se um amplo referencial teórico que possa dar conta das questões a serem analisadas. Assim, a pesquisa situa-se no pensamento de Michel Foucault, Paulo Freire, Vigotsky, entre outros. Os sujeitos da pesquisa são professores que moram e atuam em assentamentos rurais entre estes, 06 (seis) vinculados a rede pública de ensino e que estão no curso de formação Pedagogia da Terra em Ceará-Mirim (RN). A metodologia utilizada tem sido, nesse momento, a análise de suas narrativas escritas de vida, onde buscamos encontrar nas mesmas, experiências individuais e coletivas que, para eles, sejam norteadoras de suas práticas sociais. Consideramos que observações às aulas, entrevistas e diálogos constantes com os sujeitos são de extrema importância para uma melhor compreensão do objeto. Dessa forma, essa pesquisa busca contribuir para a reflexão de novas práticas pedagógicas a partir de uma nova concepção sobre o processo de produção do conhecimento na contemporaneidade.

15. IDENTIDADE, IMAGINÁRIO E ONTOLOGIA

Sheila Mendes Accioly

Este artigo tece as relações entre identidade e imaginário, rumo a uma visão ontológica da contraparte do sujeito na análise discursiva, a partir da aproximação entre a teoria do inconsciente de Sigmund Freud e a teoria do imaginário de Gilbert Durand.

16. IDENTIDADE E PODER EM TEXTOS MIDIÁTICOS ESCRITOS

Luiz Freire

(UFRN-LETRAS)

Tida historicamente nos meios acadêmicos contemporâneos como uma sub-área do conhecimento originalmente circunscrita e periférica, a Lingüística Aplicada, doravante LA, no final dos anos 80 e ao longo dos anos 90, passou por um processo de discussão e ampliação de suas linhas de contorno com conseqüente expansão de suas zonas fronteiriças. Com isso, consegue legitimar procedimentos de investigação que levam a uma prática cientifica de investigação do diverso, do instável, do provisório, do novo, do que emerge. Assim, a referência cientifica clássica, representada pelos padrões de investigação praticados pela lingüística teórica deixam de ser a referência única. Fenômenos e problemas do chamado mundo real passam a ser abordados em sua dimensão sociológica. Com isso, emerge a necessidade de se visualizar as práticas de linguagem, ou seja, a linguagem passa a ser vista e abordada como prática social. As práticas discursivas passam a ser constitutivas do universo social. Em função dessa expansão epistemológica, a LA passa a assumir efetivamente um compromisso com a realidade social. Nesse novo quadro, questões como identidade, ética, subjetividade e poder passam a ser contemplados como fatores relacionados à responsabilidade social da lingüística aplicada. A partir desse novo olhar, entendendo que o discurso midiático, pelo papel ascendente nas formas de sociabilidade e do registro do cotidiano, representa uma prática social importante de ser investigada, propomo-nos a trabalhar com textos midiáticos escritos, obtidos em sua versão on line, de dois jornais de circulação nacional, versando sobre uma temática comum que, apesar de universal, reflete-se a nível local de forma diferenciada. Desse modo, entendemos, torna-se relevante perscrutar o discurso midiático no sentido de visualizar melhor o aspecto não adâmico deste discurso, considerando-o como constituído a partir das vozes que emergem de seu interior.

17. DISCURSO, ESTILO E IDENTIDADE: UMA ABORDAGEM ESTÉTICA DA CIDADE DE NATAL

Marília Varella Bezerra de Faria

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Esta pesquisa visa estudar as identidades da cidade de Natal, construídas ao longo do século XX. Sabemos que os espaços urbanos resultam de um conjunto de relações históricas, políticas, econômicas, culturais, sociais e estéticas. As cidades brasileiras, formadas a partir de modelos europeus, sobretudo espanhóis e portugueses, fomentaram, ao longo do tempo, um modo desigual, mas articulador do local com o que veio do exterior e de outras partes do país. Dessa forma, a construção de suas identidades tem acontecido através da hibridação resultante das múltiplas interpenetrações que existem entre os contingentes migratórios que formam o país. Nesse contexto, a pesquisa de doutorado proposta objetiva estudar, à luz da produção literária de poetas e poetisas natalenses, as representações que se fazem da cidade de Natal, em vários momentos do século XX, buscando marcas identitárias, a partir de visões de mundo e de estilos. Para tal, considera-se a poesia como definidora de um modo característico de vida, que adquire significado através do campo social ao qual está incorporada. O estudo toma como base o modelo sócio-histórico de linguagem, entendendo esta como uma prática discursiva, que constitui identidades (Bakhtin, Foucault, Pêcheux, Fairclough), assunto que vem ganhando espaço no campo da Lingüística Aplicada. A pesquisa apresenta, ainda, interface com os estudos sobre identidades culturais, considerando que a cultura significa e constrói valores, produzindo diferenças em função de suas condições de produção. Destacam-se as identidades plurais, flutuantes (Hall), construídas nas relações de alteridade, sejam pessoais, étnicas, de gênero, de classe e territoriais. Sendo a cultura perpassada por todas as práticas sociais, é através dela que as sociedades refletem suas experiências comuns.

18. Literatura e História: a modernidade por outro prisma.

Jânio Gustavo Barbosa

janioguga@yahoo.com.br

A literatura tem figurado na História Humana como um escape, onde os seres se isentam de si, e expõe suas angustias, suas aflições, suas vitórias, suas decepções, enfim, a forma como vê o mundo, como quer que ele seja e os moldes pelos quais absorve a realidade. O final do século XIX e o início do século XX, nos dá uma demonstração de como a literatura serve a História de forma a evidenciar um passado incomum, um passado muitas vezes idealizador de um futuro, um passado arredio ao presente e que nos mostra naquele tempo, outro tempo, nos levando a uma fusão de tempo e espaço, no primeiro momento, incompreensíveis ao presente. Nesse momento a literatura nos traz bons préstimos e nos permitem ir além do que se há coletivamente. As individualidades chocam-se com as coletividades e nesse contexto de mudança a literatura é muito mais do que uma metodologia para a História, ela é um momento outro do presente daqueles tempos. A partir disso o presente trabalho enseja evidenciar os resultados iniciais de uma pesquisa bibliográfica acerca do tema, correlacionando os estudos interdisciplinares entre Literatura e História, tomando a literatura do Rio Grande do Norte entre os anos de 1920 e 1930, como base das evidencias de um aspecto da modernidade figurante.

19. “ALMA PATRÍCIA”: uma análise da crítica literária feita por Câmara Cascudo

João Carlos Vieira da Costa Cavalcanti da Rocha

Graduando em História

Bolsista de Iniciação Científica – Balcão/CNPq

Universidade Federal do Rio Grande do Norte

INTRODUÇÃO: Em 1921, Cascudo publicou o livro “Alma Patrícia”, livro de crítica literária sobre os poetas do Rio Grande do Norte. Por esta época, começavam a aparecer as primeiras influências do Modernismo na literatura brasileira, movimento do qual Cascudo foi o principal divulgador no Estado. HIPÓTESE: Nossa idéia é a de que “Alma Patrícia”, mesmo escrito ainda sob influência parnasiana e antes da Semana de Arte Moderna, já apresentava as primeiras idéias sobre a originalidade de temas, livre-métrica, dentre outros aspectos que foram propagados pelo Modernismo no Brasil. METODOLOGIA: Utilizando-nos dos pressupostos de Michel Foucault acerca da análise de discurso e das idéias sobre a história da literatura no Rio Grande do Norte de Humberto Hermenegildo, pudemos verificar os elementos que tornou singular as análises literárias feitas por Cascudo. RESULTADOS OBTIDOS: Na análise do livro “Alma Patrícia”, pudemos perceber características da primeira fase da formação intelectual de Câmara Cascudo, que, através da crítica literária, ainda demonstrava estar vinculado a vários pressupostos parnasianos. No entanto, estas questões estavam em transformação, pois surgiram as primeiras idéias que vinculava a prática literária à necessidade de originalidade, aos temas regionais, ao riso e à livre-métrica, idéias que serão fortemente pregadas pelos modernistas.

 

GT-09: GUIMARÃES ROSA E CLARICE LISPECTOR: FICÇÃO, FILOSOFIA E PAIXÃO

Coordenadora:

Ilza Matias de Sousa

E-mail: ilzamsousa@yahoo.com.br

Departamento de Letras

Local: Salão Vermelho

A finalidade do GT é mobilizar leituras de Guimarães Rosa e Clarice Lispector que reflitam em suas abordagens questões basilares sobre a ficção e a sua dimensão filosófica, dentro da concepção criadora de uma poética dos afetos, na perspectiva de um dizer (neo) humanista. Linha de pesquisa: Poéticas da modernidade e da pós-modernidade.

Primeiro dia

01. A quinta história do amor: o mal secreto na escrita de Clarice Lispector.

Francineide Santos de Oliveira

Mestrado em Estudos Letras, área de concentração - Literatura Comparada

UFRN/PPGEL

O presente trabalho leva em conta dois textos de Clarice em que será abordada a relação entre mal moral e “mal secreto” - enquanto trabalho de autoconhecimento e auto- constituição da alma humana. Em que consiste o “mal secreto” referendado nas obras de Clarice? Certamente que o conceito de “mal” está atrelado a uma filosofia que discerne entre “mal moral” do binômio “bem/mal”, caracterizado pelo senso comum. Mas afastando-se das prerrogativas de “cientificidade” dos conceitos, as produções lispectorianas suspendem o olhar caquético das pretensões filosóficas para considerar o terreno movediço da constituição da alma humana. O “mal” torna-se, assim, uma espécie de encarnação do “trabalho secreto” promovido pela paixão/desejo de autoconhecimento; uma ruptura com a exterioridade ordenadora do “EU”; um mergulho vertiginoso na dor móvel e contingente da vida. Afinal, o “mal secreto” emplacado na dor de viver nos proporciona: um gosto sádico, um gosto reprimido de morte, um gosto de nos conhecermos ao máximo... ( Denis de Rougemount in História do Amor no Ocidente,p.69)

02. Grande Sertão: Veredas e a Música como uma Poética dos Afetos

Cleodon Martinho de Carvalho

Jônatas Torres da Silva

Orientadora: Profª Ms Ana Santana Souza

Universidade Potiguar – UnP

No ano de 2004, lemos em grupo e de forma oral, no projeto de extensão Cais da Leitura, o romance Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Essa leitura resultou em alguns trabalhos acadêmicos, inclusive uma monografia onde abordamos como Rosa utiliza na escrita os recursos da língua para representação dos sons. Para Facó (Guimarães Rosa: do ícone ao símbolo, 1986), a união entre o som e o sentido convida a uma viagem a todos os níveis de sentido e de realidade, uma vez que a beleza sonora das palavras é, ao mesmo tempo conhecimento e poesia, história e meditação, substância do visível e sentido da vida. Desta forma a interação entre os produtores dos sons, o ambiente, e aqueles que captam psiquicamente essa sonoridade, diga-se, os leitores, dar-se-á na forma de equilíbrio, propiciando um complexo discernimento da paisagem sonora presente na obra, uma vez que o equilíbrio é um ponto fundamental para que haja harmonia entre a obra e o leitor. Para a compreensão da obra não podemos entrar em conflito psíquico com os elementos sonoros presentes nas palavras, e que são produzidos por Rosa. O Autor considera ainda que nossas raízes também estão profundamente ligadas às canções populares, dando sustentação às crenças, costumes e modos de vida de um povo. A linguagem de um povo define sua linguagem musical. E essa é, ao mesmo tempo, esperança e vida desse povo, renovando-lhe as forças para enfrentar a natureza e o descaso. Como diz Rosa: “Tudo, nesta vida, é muito cantável”. Concluímos que a musicalidade contida no romance chega ao leitor afinando-lhe o sentimento e tornando-o apto a receber impressões sonoras, especialmente no que se refere aos sons ambientais. Neste contexto, acreditamos que a poesia de Rosa, contida na prosa, é a poesia da música e também sua poética dos afetos.

03. Felicidade se acha é só em horinhas de descuido

Ana Santana Souza

UnP/UFRN

Este trabalho é uma leitura de Barra da Vaca, conto de Guimarães Rosa publicado em Tutaméia (2001). A análise se concentra no protagonista Jeremoavo que, forasteiro, migra em busca dos “achegos do mundo”. A errância do personagem é investigada a partir do conceito de estrangeiro, elaborado na obra Estrangeiros para nós mesmos (1994), por Julia Kristeva, para quem a estrangeiridade está no próprio homem que persegue eternamente uma identidade. Também será consultado o livro Sobre o nomadismo, de Michel Maffesoli (2001). Jeremoavo, como Riobaldo, Matraga, e um sem fim de outros personagens de Rosa, fazem parte de uma falange de estranhos, de estrangeiros. Portanto, quando falar de Jeremoavo, estarei invocando todos os viajantes rosianos, todos os que estão em travessia.

04. Sobre Fita verde no cabelo de Guimarães Rosa

Wellington Medeiros de Araújo

Universidade Estadual do Rio Grande do Norte

Na busca constante de representação dos afetos, o texto literário rompe paradigmas e estabelece o inusitado. Assim se faz ao (re) contar a tradição literária dos contos de calçada, dos momentos em que as insuspeitadas estrelas correspondem aos astros no firmamento. Desde Chapeuzinho Vermelho, coletado da tradição oral por Perrault (1697), a história da menina que escolhe sua estrada a ser trilhada tem vivido emblemáticas recriações poéticas. Entre elas, consideramos a ilustração de João Guimarães Rosa, com seu Fita verde no cabelo, quando a poética roseana desfaz os princípios centralizadores das concepções clássicas postuladas pela teoria literária. Nesse sentido, o texto de Rosa estabelece concepções descentralizadoras do fazer literário, ao experimentar, no conteúdo humanitário e no artesanato sintático do conto, uma articulação inóspita. Rosa passa do caminho da intertextualidade – entendida não apenas como princípio mimético de outros textos (Kristeva), mas sim como formação dos discursos sócio-culturais estabelecidos, como proposto inicialmente pelo dialogismo bakhtiniano – para uma desconstrução simbólica no mundo das certezas humanitárias (a mimeses aristotélica).    No percurso que se lança aos olhos do leitor, instância das significações, o universo das causas orais, antropologicamente ditadas pela performance popular, vai se abrindo lentamente no reerguimento do conto infantil Chapeuzinho Vermelho. Inevitável é a associação imediata com a historieta da meiga menina que se lança ao mundo para satisfazer os prazeres da pobre avó, enferma em uma cama, em local distante, perdido em meio à floresta. Guimarães Rosa, ao contar sua “versão” da menina em conflito com o lobo, de modo criativo e inventivo, propõe um olhar caleidoscópico sobre, não apenas a tradição oral, mas, e sobretudo, sobre o fazer humanístico nas relações discursivas postas no fazer poético.

05. Clarice Lispector: o mistério que fala tudo sem revelar o segredo.

Ailton Siqueira de Sousa Fonseca

(Doutorando na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP), prof. do Departamento de Ciências Sociais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e membro do Núcleo de Estudos do Pensamento Complexo (COMPLEXUS/PUC-SP). E-mail: ailtonsiqueira@uol.com.br

Nesse trabalho, fruto de uma pesquisa que realizo no doutorado sobre a vida e a obra de Clarice Lispector, pretendo abordar, em linhas gerais, como a obra inteira dessa escritora pode ser vista como um sedutor e inquietante convite a se escutar a voz do silêncio. Clarice usa a palavra como isca para fisgar o que não é palavra, escreve sem sufocar as entrelinhas, aposta no não-dito como forma de dizer. Ela não escreve para explicar, mas para fazer as explicações surgirem e, assim, estabelecer diálogos com o desconhecido, com a natureza e os mistérios de cada ser. Em sua obra há sempre um mistério e uma forma de dizer tudo sem tocar no segredo. A escritora e o leitor não participam da revelação dos mistérios, mas ambos são envolvidos nos sedutores fios das palavras que, ligando-se umas às outras, engendram a trama da narrativa, da realidade e do ser. Os mistérios de Clarice Lispector.

06. UM SOPRO DE VIDA OU AS PULSAÇÕES DO INSTANTE CRIADOR

Valdenides Cabral de Araújo Dias

UFRN/ CERES/ DCSH – Campus de Currais Novos

Escrever como forma de salvação — “eu escrevo e assim me livro de mim e posso então descansar” — dando a Ângela o poder da palavra que tanto o amedronta, mas que, uma vez dita, ilumina o instante da sua criação sagrada e impregnada do “misterioso cheiro de âmbar”. Pela escrita, a tentativa de fotografar as sensações mais profundas, suas e de Ângela. E é comportando-se como o ‘ouroboros’ — “cobra que engole o próprio rabo” — que escreve, seguindo o esquema da serpente enrolada comendo-se indefinidamente a si própria que, conforme DURAND (1997), tomando as palavras de Bachelard, “é dialética material da vida e da morte, a morte que sai da vida e a vida que sai da morte, não como os contrários da lógica platônica, mas como uma inversão sem fim de morte ou da matéria de vida”. E é dentro dessa dialética que o ‘autor’ escreve: fazendo pulsar em cada palavra um coração que um dia vai morrer, demolindo alma e corpo na procura ab(surda) da palavra divina e iluminadora que ascende do caos, fragmentada como o são ‘autor’ e personagem. O sopro criador clariceano gerou, não um lamento, nem uma autobiografia. Menos ainda uma história. Trata-se de um grande poema de amor à vida breve e misteriosa. Resume-se, conforme o pensamento de Octavio Paz, em um “exercício espiritual, é um método de libertação interior [...]. Oração, litania, epifania, presença [...], condensação do inconsciente”.

07. “Era no tempo em que os bichos falavam”: uimarães Rosa e a Conversa de Bois

Auristela Crisanto da Cunha

Universidade Federal do Rio Grande do norte

Parte integrante de Sagarana, obra cuja construção orgânica é composta por um grupo heterogêneo de procedimentos lingüísticos, narrativos e semânticos, o conto Conversa de Bois já aponta, desde o título, para um retorno ao aspecto fabular da linguagem, tirando-a do domínio exclusivo do humano e relativizando o seu potencial de racionalidade, o que permite uma aproximação do universo rosiano com aspectos de linguagem abordados por autores como Michel Foucault, Nietzsche e Machado de Assis.

Segundo dia

08. Ficção e Filosofia em Clarice Lispector

Maria Eliane Souza da Silva

Bolsista PIBIC/CNPq

Base de Pesquisa: Metafísica e Tradição

Coordenadora da Pesquisa: Ilza Matias de Sousa

Este trabalho tem como objetivo correlacionar ficção e filosofia na perspectiva da escritura clariciana nas obras A paixão segundo G.H., A via Crucis do Corpo e a A bela e a fera. Descortinar, projetar e aflorar, nos interstícios da narrativa, “mythos” e “logos” contidos em imagens entrelaçadas, dentro de um” deserto de verdades” e “feridas abertas”, na busca do (des)velar do ser no âmbito metafísico.

09. Tradição e modernidade fundando uma estética do quase-belo no conto Arroio das Antas.

Roniê Rodrigues da Silva

Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN

O texto roseano parece ter guardado para a figura masculina um lugar de destaque, em detrimento de uma presença mais discreta da figura feminina. Mas, como nem tudo que parece é, uma análise mais apurada do texto de Rosa vai mostrar alguns perfis femininos construídos sob múltiplas e insuspeitadas fontes. Assim, procuraremos apontar, nesse trabalho, a trajetória da personagem Drizilda, do conto Arroio das Antas, forjada a partir do prefixo des. Ela é desdenhada, desvalida, despetalada, escolhendo o retiramento para viver “desde desengano”, apontando para os desenredos das histórias do universo guimarãesrosiano. A construção identitária da personagem Drizilda vincula-se ao meio social marcada por uma trágica experiência afetiva. Contudo, como por encantamento, cumpre-se a máxima que aparece no texto “toda grande distância pode ser celeste” e vemos o escrito assumir a estrutura de um conto de fadas tradicional no qual, de acordo com Betteheim (1980), apresentam-se as seguintes partes: fantasia, recuperação, escape e consolo. A personagem principal do Arroio passa por todas essas fases. Primeiro, quando escapa das garras de um marido violento que se desfazia dela. Posteriormente, passa por um momento de reclusão, mas recupera-se com a chegada de seu príncipe, o consolo final. Temos, então, o que deve ocorrer em todos os contos de fadas, a reviravolta com final feliz. O lugar que outrora era “o último lugar do mundo”, “recanto agarrado e custoso, sem aconteceres” transforma-se em lugar “forte e feliz”. A paixão funciona como humus fecundador que renova as forças de Drizilda e de todo o lugar.

10. Voltar ao próprio corpo: um estudo foucaultiano sobre “Perto do coração selvagem”, de Clarice Lispector.

Juliana Batista de Oliveira

Orientadora Prof. Pós-dra: Ilza Matias de Sousa

O objetivo deste trabalho é estudar as relações entre corpo e educação dentro da obra Perto do coração selvagem, de Clarice Lispector; observando as relações de poder e saber sob a luz do pensamento foucaultiano.

11. Representações da paixão em Meu tio o Iauaretê de J. Guimarães Rosa e nos poemas de Viagem de Cecília Meireles.

Laís Karla da Silva Barreto – Mestranda do Programa de Pós Graduação em Estudos da Linguagem – PPgEL/UFRN.

Orientadora: Profª Drª Ilza Matias de Sousa / PPgEL/ UFRN.

A proposta deste trabalho é identificar traços que codifiquem a paixão nas leituras do conto Meu Tio o Iauaretê de João Guimarães Rosa e em poemas da obra Viagem de Cecília Meireles. Nossos objetivos buscam mostrar a representação e o deslumbramento da paixão através da linguagem, situada aqui através do conto e da poesia. E é nesta perspectiva apaixonante que mostramos este sentimento excessivo, inserido no cotidiano dos seres, relatado pela ficção e pela filosofia, repercutindo assim diretamente nos questionamentos sobre identidade, metafísica, cultura e imaginário.

12. As reminiscências em Guimarães Rosa..

Flávia Batista de Lima

Aluna concluinte Letras-Português; Bolsista PROCEM

Guimarães Rosa ao escrever Primeiras Estórias tece a rede das reminiscências, compreendendo-as como agentes do processo de recriação, presentes nas literaturas oral e erudita. Este trabalho objetiva apresentá-las como mediadoras plásticas no processo da construção ficcional rosiana. A partir do conto Sorôco, sua mãe, sua filha, foco de observação deste trabalho, GR apresenta imagens que provocam a percepção do leitor para uma possível descoberta da construção de elementos essenciais da narrativa.

13. : Sagacidade Interiorana: transcendências ficcionais em GR.

Romão Inácio da Silva Júnior

Mestrando Literatura Comparada

Guimarães Rosa, em Sagarana, cria universos de complexidade imersos em seus personagens; universos desvelados gradualmente ao passo que o leitor suplanta suas percepções iniciais e imerge na atmosfera de transcendências que está contida numa subjetividade de cada elemento de composição da narrativa. O objetivo deste trabalho é sugerir o conceito e momentos próprios de transcendências que permeiam contos de Sagarana, em especial A hora e a vez de Augusto Matraga.

14. “A paixão de Clarice Lispector pela escrita e suas conseqüências”

Francisco Leandro Torres

vinculado ao Departamento de Letras

O trabalho propõe-se a partir de duas obras clariceanas “A Hora da Estrela“ e “Um Sopro de Vida” exemplificar o tema abordado e ir desdobrando a paixão de Lispector no ato da escrita, criação e o seu processo de desencadeamento. Expor também as várias relações existentes (envolvidas) nesse “Ato de Escrever” , como, a matéria básica utilizada, o porque de escrever , a própria paixão dissolvida no Ato e vice-versa, a criatividade, o que era escrever na ótica dela, entre outras. As obras usadas servirão ainda de suporte para retratar, demonstrar e expandir os comentários, as reflexões a respeito do conteúdo ligado diretamente ao título do trabalho .Trataremos também as diversas perspectivas e rumos da escrita de Lispector, por exemplo, a confluência de paradigmas que a escritora tece, entretece, destece e põe em tensão, as “mutações” e sua estilística pessoal; ressaltaremos também as três histórias entrecruzadas na “A Hora da Estrela”, como: O narrador-escritor, Macabéa e a Composição do romance com suas diversas relações; culminando na estética –filosófica. Enquanto, no livro “O Sopro de Vida” evidenciará o ato de criar (as personagens) e suas implicações, o paralelismo entre criador e criatura, desembocando nas questões filosóficas profundas. Em suma, a paixão envolvida no próprio ato de criação intermediado via o Ato de Escrever, compreendendo a sua complexa teia de interligações variadas com os inevitáveis e originários fluxos de consciência de Clarice.

 

GT-10: ESTUDOS HISTÓRICOS, FILOLÓGICOS E DESCRIÇÃO DE LÍNGUAS

Coordenadoras:

Carla Maria Cunha

E-mail: cmcunha@ufrnet.br

Maria Hozanete Alves de Lima

E-mail: hozanetelima@bol.com.br

Departamento de Letras

Local: Setor de Aula II, sala E6

O grupo de trabalho Estudos Históricos, Filológicos e Descrição de Línguas tem como objetivo reunir pesquisadores de língua e literatura, alunos e professores, que desenvolvam trabalhos sobre tradução e leitura de textos clássicos, estudos históricos e filológicos que privilegiem uma reflexão sobre as características e a natureza das mudanças lingüísticas, bem como trabalhos de descrição e funcionamento de línguas, sejam eles do ponto de vista fonológico, lexical ou sintático.

01. ENTÃO: um gradual adeus à indicação temporal

Maria Alice TAVARES

Prof.ª do DL-UFRN

Neste estudo, abordo a forma lingüística ENTÃO em uma das funções que desempenha no âmbito da articulação de partes do discurso: a seqüenciação retroativo-propulsora de informações. Como conector codificador da seqüenciação, ENTÃO interliga duas porções discursivas através de uma estratégia pela qual a atenção do interlocutor é conduzida para trás, para o já dito (retroação) e, ao mesmo tempo, para o que será introduzido (propulsão). Cria-se, desse modo, a expectativa de que haverá uma relação semântico-pragmática de continuidade e consonância entre as partes do discurso assim interligadas. A seqüenciação envolve subtipos que denominei “subfunções seqüenciadoras”. São elas: seqüenciação textual, seqüenciação temporal, introdução de efeito, retomada e finalização. Pretendo averiguar se ENTÃO tem passado, ao longo do tempo, por um processo de abstração crescente de significado em seu uso como conector. Busco indícios da ocorrência de tal processo e das etapas de mudança pelas quais ele se constitui em textos escritos nos séculos XIV, XVI e XVIII e em amostras de fala atual, cuja fonte é o Banco de Dados do Projeto VARSUL (Variação Lingüística Urbana na Região Sul). Como resultados mais significativos, aponto a ocorrência de um grande uso de ENTÃO como seqüenciador temporal no século XIV, e a diminuição gradual de seu aparecimento na codificação dessa subfunção seqüenciadora até o século XVIII, em que o conector passa a predominar na subfunção de introdução de efeito. Na amostra de fala atual, ENTÃO é bastante freqüente como conector introdutor de efeito, retomador e finalizador, e é pouco utilizado como seqüenciador temporal. Essas tendências de uso podem ser interpretadas como indícios quantitativos das diferentes etapas do percurso seguido por ENTÃO rumo a significados mais abstratos em seu emprego como conector seqüenciador.

02. A OCORRÊNCIA DO VERBO “TER” EM CONSTRUÇÕES EXISTENCIAIS NOS TEXTOS JORNALÍSTICOS

Francisco Wildson CONFESSOR

Graduando em Letras - UFRN

A ocorrência do verbo ter em construções existenciais é cada vez mais comum na língua falada, em que essa posição era normalmente ocupada pelo verbo haver. Como afirma Ribeiro (1996: 373), o verbo ter “coocorre com haver nas estruturas existenciais, havendo um predomínio de ter existencial sobre haver existencial na língua oral”. Assim, evidenciada a presença do ter existencial na língua falada, o objetivo deste trabalho é observar sua ocorrência na língua escrita, mais precisamente em textos jornalísticos, levando-se em consideração que a gramática normativa não admite o uso do ter existencial na língua escrita. Nosso corpus de análise é composto por alguns exemplares do Jornal Tribuna do Norte publicado no Estado do Rio Grande do Norte no mês de junho de 2005.

03. ESTUDOS SOBRE OS PROCESSOS DE HIFENIZAÇÃO NA LÍNGUA PORTUGUESA

Jairo De Souza MOURA

Marcos César TINDO

Graduandos de Letras - UFRN

Os critérios de colocação do hífen, no Português, podem ser obscuros: pouco etimológicos, raramente fonéticos e contendo minúcias complexas. Não surpreende, portanto, que a maioria dos utentes desconheça os usos adequados e, mesmo aos que os conhecem, sempre apresentam-se sutilezas. Assim, averiguaremos uma possível contradição entre as regras. A gramática preconiza o uso em substantivos (e adjetivos) compostos cujo primeiro elemento for verbo. Contudo, também proíbe ligar por hífen adjetivo a substantivo. Ocorre assim uma leve dificuldade de discernir entre este e aquele caso, a exemplo: “café-expresso” ou “café expresso”? “idéia-fixa” ou “idéia fixa”? Os termos “expresso” e “fixa” seriam parte dos nomes ou adjetivos restritivos destes? O sentido diferiria com o contexto? O caso mais explícito desse aparente choque sintático-semântico entre as regras é o da expressão “ser-humano” (ou “ser humano”?): Sabe-se que ser é verbo e que o termo humano é substantivo. Será, pois, simples como “guarda-chuva”? Entretanto, pode julgar-se ser, nesse caso, um substantivo e humano, daí, adjetivo. O que seria destarte o “ser(-)humano”? Substantivo composto (e obrigatoriamente com hífen) ou substantivo e adjetivo (e necessariamente sem)? Perguntas não muito explicitamente respondidas na gramática ou no dicionário. E como recentemente o hífen tornou-se espécie em extinção no cotidiano, quase sempre grafa-se “ser humano”. Sucederá de consagrar-se o não-hifenizado? Ou a padronização que vem orientando as últimas reformas estenderá o uso ao caso do “ser-humano”? Naturalmente, encontram-se sempre frases indubitáveis: a sentença “ser humano é difícil” jamais levaria hífen. Mas e quanto a “o ser(-)humano sabe viver”, de classes não-facilmente observáveis? Aparentemente um pormenor inofensivo, mas afeta outras estruturas, como o verbo (ou substantivo?) seguido de advérbio: “o único viver que conheço é o viver(-)bem”. Tocantes a muito mais construções do que se imagina, são questões a discutir, pela regulamentação futura da tão-querida (ou tão querida?) língua portuguesa.

04. AS ORIGENS “BASTARDAS” DO GÊNERO DISSERTAÇÃO

Sylvia Coutinho ABBOTT GALVÃO

Departamento de Letras-UFRN

Como todo tipo de educação se insere numa determinada sociedade e por ela é influenciado, as exigências do ensino variam de acordo com a evolução dessa sociedade. Nesse sentido, pode-se afirmar que a dissertação, um dos mais conhecidos gêneros escolares, não constitui um mero exercício escolar, mas sobretudo “uma prática ideológica cuja história se acha diretamente condicionada às mudanças de valores culturais” (ABASTADO, 1981, p.3). Em pesquisas realizadas em documentos oficiais, manuais escolares (de retórica e de redação) e exemplares da literatura pedagógica, alguns estuduiosos franceses, especialistas em história da educação e história da literatura, como Viala e Chervel (CHERVEL, 1990), identificaram as origens “mundanas” da dissertação, associadas à formação do honnête homme pascaliano, noção que remonta ao século XVI. Conhecer, portanto, um pouco dessa história poderá ajudar professores e alunos a melhor compreenderem as imprecisões metodológicas e as dificuldades de aprendizagem desse gênero tão polêmico.

05. AS OPOSIÇÕES CONSONANTAIS NA LÍNGUA MAKUXI (KARIB)

Carla Maria CUNHA

Prof.ª do DL-UFRN

A língua Makuxi apresenta em seu quadro fonológico consonantal a oposição entre obstruintes e soantes. Partindo de um aparente fenômeno de vozeamento que atinge as consoantes obstruintes após a realização de vogal longa, segmento nasal ou glotal, fundamentamos uma correspondência entre os conceitos 'lenis/fortis' - da Fonologia Clássica- ao que constitui o traço SV (vozeamento espontâneo) - do modelo Auto-segmental. Em nossa análise, o traço SV é fundamental na geometria dos arquifonemas soantes oral /?s/ e nasal /N/, pois com sua instituição sobrepomos a interpretação de lenição à de vozeamento das consoantes obstruintes. Com base em diferentes processos fonológicos desencadeados pela presença fonética de [?], estabelecemos o arquifonema obstruinte /?/ em oposição ao /?s/, soante. E pela presença ou ausência do traço SV na geometria dos sons consonantais em Makuxi, definimos o quadro de sua oposição: obstruinte versus soantes oral e nasal.

06. A LINGUAGEM NO DE MAGISTRO

Francisco Vitoriano da Silva Júnior

Concísia Lopes dos Santos

Graduandos em Letras - UFRN

Santo Agostinho, grande filósofo e teólogo, é um dos partícipes da chamada filosofia Patrística. A obra desse Padre da Igreja se destaca pela conciliação entre as idéias neoplatônicas e as verdades reveladas do Cristianismo. Dentre sua extensa obra, uma das que muito tem chamado atenção aos estudos sobre a linguagem é o De Magistro. Nessa obra, entendida como tratado filosófico sobre a linguagem, Santo Agostinho procura responder a perguntas, tais como: o que é a linguagem, para que serve e como ela se estrutura? Essas questões se apresentam tomando como pano de fundo um diálogo entre o autor e seu filho, Adeodato. Não obstante, mais do que proceder em investigações acerca do que é e como funciona a linguagem, Santo Agostinho se utiliza desse expediente para defender que somente através da palavra divina se alcança a verdade, pois as palavras em si mesma não conseguem “ensinar” sobre a verdade que se trata aqui da primeira verdade, a divina, alcançada apenas mediante Cristo. Esse trabalho, portanto, tem como objetivo acompanhar o pensamento de Santo Agostinho para entender as argumentações levantadas por ele, de como ele se coloca em relação à linguagem, à sua estrutura e função, especialmente, às palavras e sua relação arbitrária com o objeto.

07. O TEXTO PRÓDIGO: UMA DISCUSSÃO SOBRE A PERDA SEMÂNTICO-POÉTICA NAS TRADUÇÕES DO NOVO TESTAMENTO

Nelson Ferreira de SOUSA JUNIOR

Graduando em Letras – UFRN

A busca pelo desconhecido é inerente ao humano, e uma forte expressão disso é a religião. Na sociedade ocidental a mais conhecida é o cristianismo, que tem como base textos judaicos (Antigo Testamento) e cristãos (Novo Testamento – originalmente escrito em grego koiné). Infelizmente, parece não haver, no Brasil, traduções que contemplem a amplitude significativa neo-testamentária original, sendo necessária, portanto, uma criteriosa observação dessa tradução, a qual deve conter a significação sui generis original. A primeira tradução do NT em grego para o português foi empreendida por João Ferreira de Almeida (1681). Influenciado pela Renascença, traduziu os textos tendo como princípio a equivalência formal, a qual estabelece uma relação formal grego/ português quanto ao vocabulário, estrutura e demais aspectos formais. A ordem interna/ externa dos sintagmas são preservadas (sujeito, predicado, objeto/ substantivo, verbo, complemento...). Entretanto, observando as idiossincrasias das línguas, é possível visualizar certa dissonância na tradução, já que é difícil fazer uma tradução com tal equivalência sem comprometer o significado. Mesmo que não se perca o sentido, a significação poderá ser limitada. E se as relações gramaticais indicam o conteúdo, a forma da expressão de determinada língua, como o koiné, vale para si, a relação significante/ significado se restringe a cada idioma. Almeida apenas seguiu a lógica do seu tempo, esse tipo de equivalência indicava veracidade de tradução. Entretanto, com o avanço da Lingüística, pode-se compreender a dinamicidade da língua e não a idéia de gramática universal. Na parábola do filho pródigo (Lc. XV, 14) há um termo metafórico condicionado a uma possível interpretação. Tal fato deve ser examinado com atenção. Tomando por base tais considerações, este trabalho vem apreciar os princípios atuais de tradução bíblica, visando a obtenção de uma maior compreensão do texto neo-testamentário original.

08. ESTUDO E ANÁLISE DA TRADUÇÃO DE UM EXCERTO DA SUMA TEOLÓGICA DE SÃO TOMÁZ DE AQUINO.

Maria Hozanete Alves de LIMA

Prof.ª do DL-UFRN

Admirado por sua eloqüência, São Tomás de Aquino, filósofo e teólogo, é considerado um dos maiores pensadores de todos os tempos. Sua obra se solidificara como base da teologia católica, razão que fez de Tomás de Aquino um dos pais da Igreja. Dentre sua extensa obra, merece atenção a Suma Teológica, em que o aquinate, servindo-se de grande eloqüência, discorre sobre questões filosóficas e cristãs, a exemplo da natureza de Deus, a missão de Cristo, a natureza do homem, a doutrina divina, a verdade, a fé, dentre outras. Tem nos chamado atenção na Suma Teológica um modo singular utilizado pelo escritor para construir seus minuciosos argumentos: a exploração do modo de funcionamento de certas categorias da língua latina latina. Uma situação específica, exemplo disto, pode ser encontrada em um excerto da Suma teológica. Nele, o escritor recorre e explora uma “certa” plasticidade subjacente à categoria de gêneros para demonstrar a consubstancialidade existente entre Deus e Cristo que simboliza a unidade entre eles; o filho e o pai são um só, embora se diga que também são dois. Nosso interesse particular em relação a este excerto, todavia, não é explorar as questões filosóficas ou cristãs desenhadas por ele, mas investigar como, se, e de que modo a plasticidade simbolizada no texto original se encontra marcada na tradução portuguesa, especificamente porque, como aprendemos, a categoria de gênero se encontra formalizada de maneira diferente na língua portuguesa e na língua latina. Se não há, por exemplo, o gênero neutro na língua portuguesa, como a tradução recupera a plasticidade anotada por Santo Tomás de Aquino? Que expedientes lingüísticos são utilizados na língua tradutora para recuperar isto que falta na língua traduzida? O que diz de menos o texto tradutor e o que diz de mais o texto traduzido?

 


GT-11: AS CIDADES COMO OBJETO E SUJEITO: CONSTRUÇÃO, PRÁTICAS, REPRESENTAÇÕES

Coordenador:

Raimundo Arrais

E-mail: raimundoarrais@cchla.ufrn.br

Departamento de História

Local: Setor de Aulas II, sala B4

A proposta desse GT é reunir contribuições originadas da pesquisa histórica, mas também de pesquisas que, convergindo para o estudo da cidade e do espaço urbano, possam contribuir com a discussão a respeito de um tema essencialmente interdisciplinar: a cidade, o espaço urbano. Serão bem vindos trabalhos que se voltem para qualquer recorte cronológico e espacial, não importa os conceitos utilizados ou as perspectivas teóricas adotadas. Porém, será dada preferência a estudos que tomem a cidade não como mero suporte físico das ações e dos fenômenos examinados: não basta que os fenômenos ou eventos se passem dentro da cidade: gostaríamos de discutir, nesse GT, como esses fenômenos se relacionam com a cidade, o espaço urbano, a vida urbana. O que se pretende é promover um encontro de trabalhos sobre os modos de produzir (sob o ponto de vista material ou simbólico), e representar o espaço urbano, incluindo aí intervenções no espaço físico, práticas espaciais, memórias que se constroem sobre os espaços, ações políticas em que os espaços urbanos desempenhem papel na construção das referências identitárias dos grupos, ou qualquer outra manifestação em que se reconheça a possibilidade de se pensar a cidade como objeto de estudo e sujeito que participa dos eventos e fenômenos sociais.

 

Primeiro dia

01. CARTOGRAFIAS DE UM ESPAÇO: O SERIDÓ COMO UM CORPO ESCRITO HISTORIOGRAFICAMENTE