Sobre a revista








 

A revista Bagoas é uma publicação semestral do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. A revista circula na versão impressa e, igualmente, cada edição será disponibilizada eletronicamente.
A revista publica artigos resultantes de estudos teóricos e pesquisas empíricas sobre gênero, sexualidade, homossexualidade, destacando espaço para os estudos gays, nomeadamente as reflexões sobre o homoerotismo, lesbianismo, transgêneros, conjugalidades e parentalidades homossexuais, identidades GLBTT. Publica igualmente trabalhos de teoria social, análises da política e reflexões sobre direitos humanos que constituam contribuições ao pensamento crítico sobre as temáticas centrais da proposta editorial. Uma seção é dedicada a resenhas.
Hoje, a pesquisa e a abordagem dos temas da sexualidade, gênero e, em particular, da homossexualidade, por intelectuais universitários e pesquisadores acadêmicos, constituem uma realidade em diversas universidades e em diversos países. Todavia, a inexistência de revistas acadêmicas específicas que sejam espaços para a publicação dos trabalhos resultantes de seus estudos é igualmente uma realidade sentida por muitos. A pretensão da revista Bagoas é ser um espaço para a publicação do resultado dos trabalhos de pesquisadores brasileiros e estrangeiros, ocupados com o estudo dos temas mencionados, de maneira a tornar-se um espaço de conhecimento e discussão sobre questões que, embora conservem o tratamento conceitual e intelectual, extrapolam o mero interesse acadêmico.
No título, é homenageada a figura de Bagoas, eunuco persa, dançarino, que pertenceu à corte de Dario III e, posteriormente, à corte de Alexandre Magno. Bagoas (ou Bagoi no idioma persa antigo) viveu no século 4, acredita-se que faleceu no ano de 336. Descrito como dono de uma beleza incomparável e exímio dançarino, andrógino, foi um dos cortesãos e amantes preferidos de Alexandre, o Grande. Segundo John Boswell, em seu Cristianismo, tolerância y homosexualidad, para Alexandre Magno, Bagoas “foi indiscutivelmente o centro erótico de sua vida”. Para historiadores, ele igualmente teria influenciado de maneira importante o modo como Alexandre se relacionou com os povos conquistados, integrando-os ao seu império.
Nessa homenagem, Bagoas representa a tradição homoerótica das culturas da Antiguidade, portanto, uma realidade afastada da tradição moderna ocidental que baniu a homossexualidade para o campo das práticas estigmatizadas pelos discursos médico, jurídico e religioso. Bagoas é igualmente a figura da androginia, das possibilidades de gênero, da pluralidade do desejo, das multiplicidades do ser. Ele exprime a idéia que funda a revista: homens e mulheres, como seres culturais e de desejo e imaginação, podem ser diversos, podem viver de muitas maneiras, podem criar multiplicados estilos e modos de vida. Contra os fundamentalismos e os colonialismos ainda existentes, Bagoas representa igualmente uma imagem pela integração dos povos, integração das culturas. Homenagem às mestiçagens de gentes, idéias, desejos. Um posicionamento pelo fim das fronteiras, pela abertura à migração de pessoas por seus desejos, projetos, sonhos.